quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Drácula - A História Nunca Contada

Título no Brasil: Drácula - A História Nunca Contada
Título Original: Dracula Untold
Ano de Produção: 2014
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Gary Shore
Roteiro: Matt Sazama, Burk Sharpless
Elenco: Luke Evans, Dominic Cooper, Charles Dance, Sarah Gadon

Sinopse:
Vlad (Luke Evans) é um nobre cristão da Transilvânia que precisa decidir entre enviar mil jovens de seu principado para servirem como escravos das forças do sultão Mehmed (Dominic Cooper), entre eles seu próprio filho, ou então enfrentar em campo aberto os poderosos exércitos do inimigo. Desesperado, ele resolve ir atrás de um ser maligno e misterioso que habita uma caverna sombria da região. A lenda local afirma que ele é um vampiro, um filho de Satã, um ser sedento de sangue que vive em escuras e inabitadas partes do reino. Para Vlad porém isso é de menor importância, pois o que ele necessita mesmo nesse momento é defender seu povo das forças do oriente. O pacto que firma irá mudar toda a sua existência dali por diante.

Comentários:
E lá vamos nós de novo... Surge nos cinemas mais um filme explorando o personagem Drácula. Nem vou aqui me repetir muito, afirmando que o filme definitivo sobre Drácula já foi realizado por Francis Ford Coppola em 1992. O fato é que o cinema pelo visto jamais vai deixar de explorar esse que é considerado o maior vampiro de todos os tempos. Pois bem, depois de tantos anos ainda há o que contar sobre o Conde? Pelo visto sim, pelo menos na mente dos executivos da  Universal Pictures. O roteiro se concentra totalmente nas origens do monstro. Usando de ironia o filme poderia até mesmo se chamar "Drácula: Origens" por essa razão. Em praticamente todos os filmes de Vlad há quase sempre uma pequena introdução mostrando como ele surgiu, voltando a um tempo onde ele era apenas um nobre cristão tentando parar os avanços de forças muçulmanas em direção à Europa. Essa aliás é a história real do homem que viveu no século XV (e que obviamente não era um vampiro, mas apenas um guerreiro cruel e sádico). A premissa como se vê não é ruim, o problema desse filme é a forma como ele conta esse enredo. Tudo vai surgindo de forma muito superficial, sem envolvimento maior e o pior de tudo, sem espaço para explorar o complexo quadro psicológico e social que envolvia aquela guerra medieval, onde não estava em jogo apenas a conquista de terras, mas também o avanço de uma religião, o Islã, em direção aos países cristãos da Europa oriental. Ao invés de explorar bem esse rico quadro histórico tudo o que o roteiro faz é partir para o uso exagerado de efeitos digitais, que diga-se de passagem, nem são tão bons assim. Essa coisa de envolver Drácula em nuvens de morcegos é explorado a exaustão durante os curtos 90 minutos de duração. Como a ação é o foco principal do filme, o fator terror é deixado de lado. O único bom momento nesse aspecto surge quando Vlad encontra pela primeira vez uma criatura da noite (muito bem interpretada por Charles Dance) em uma caverna repleta de restos mortais de suas presas. Nesse raro momento de terror e suspense o espectador até cria uma esperança que virá coisa boa pela frente, mas infelizmente o filme se perde mesmo em suas pretensões de ser um mero filme pipoca descartável. Uma pena, não foi dessa vez que o Conde ganhou novamente um filme à altura de seu mito.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

Um comentário: