ColateralHollywood parece ter fascinação por assassinos profissionais. Um exemplo é esse filme chamado “Colateral”. Na trama o taxista Max (Jamie Foxx) acaba pegando como passageiro Vincent (Tom Cruise), um sujeito que parece ser uma boa pessoa, simpático e generoso. Com notas de dinheiro ele convence Max a leva-lo em diferentes endereços pois ele tem alguns “serviços” a cumprir antes de voltar para sua cidade de origem. Até ai tudo bem, o problema é que Vincent é um assassino profissional que temo como objetivo matar uma série de pessoas que irão testemunhar contra um perigoso cartel de traficantes. Assim seu objetivo é muito simples: ir ao encontro dessas pessoas, executar uma a uma, e depois do serviço concluído pegar o primeiro avião de volta. Max, o taxista, nada mais é do que um “efeito colateral”, um sujeito que estava no local errado, na hora errada. Desde que ele não atrapalhe os planos de Vincent será prontamente liberado. O problema é que por princípios éticos Max resolve intervir para tentar salvar uma das vitimas de Vincent. Má idéia.
“Colateral” é um bom filme de assassino profissional. Tom Cruise deixa de lado seu bom mocismo e enfrenta pela primeira vez um papel de vilão em uma grande superprodução. Seu famoso sorriso acaba funcionando para o papel pois ele logo se torna uma marca registrada de sua psicopatia. O enredo funciona em tempo real, praticamente contando apenas com a situação básica em que o assassino, com o motorista de táxi como refém, sai pelas ruas da cidade de Los Angeles para cumprir seu serviço contratado. A cada morte um novo desafio, novos problemas a superar. O diretor Mann consegue com muita habilidade evitar o marasmo que o filme poderia cair ao apenas mostrar uma sucessão de execuções sumárias. Ao invés disso joga com o suspense e o clima de tensão a todo momento, deixando o espectador realmente grudado na tela à espera dos próximos acontecimentos. Por essas e outras razões recomendamos esse “Colateral” um filme que no fundo apenas mostra um “profissional” tentando cumprir sua meta da melhor forma possível. Nada pessoal.
Colateral (Collateral, Estados Unidos, 2004) Direção: Michael Mann / Roteiro: Stuart Beattie / Elenco: Tom Cruise, Jamie Foxx, Jada Pinkett Smith, Mark Ruffalo, Peter Berg, Bruce McGill / Sinopse: Vincent (Tom Cruise) é um assassino profissional que chega a Los Angeles para cumprir um serviço: matar testemunhas que irão depor em um importante julgamento de traficantes de um poderoso cartel. Em seu caminho acaba fazendo de refém um taxista negro (Jamie Foxx) que tentará de alguma maneira salvar a vida das vítimas dele. Indicado aos Oscars de Melhor Edição e Melhor Ator Coadjuvante (Jamie Foxx).
Pablo Aluísio.
Em Cartaz: Colateral
O thriller Colateral estreou nos cinemas em agosto de 2004, dirigido por Michael Mann e estrelado por Tom Cruise e Jamie Foxx. O filme marcou uma virada significativa na carreira de Cruise, que interpretou um vilão frio e metódico, distante de sua imagem tradicional de herói. A trama acompanha uma noite em Los Angeles na qual um taxista comum é forçado a conduzir um assassino profissional entre seus alvos, enquanto a cidade se transforma em um labirinto de tensão e paranoia. O lançamento foi cercado de grande expectativa, tanto pelo prestígio do diretor quanto pela escolha ousada de elenco.
Em termos de bilheteria, Colateral obteve um resultado sólido e consistente. Com um orçamento estimado em cerca de US$ 65 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 220 milhões em todo o mundo, sendo cerca de US$ 100 milhões nos Estados Unidos. O desempenho foi considerado muito positivo para um thriller adulto e urbano, sem apelo de franquia, confirmando o poder comercial de Tom Cruise e o prestígio de Michael Mann junto ao público internacional.
A recepção da crítica em 2004 foi amplamente positiva, com muitos elogios à direção, ao visual e às atuações. O The New York Times escreveu que o filme era “um thriller elegante e implacável, que transforma a cidade em um personagem vivo”, destacando o uso pioneiro de câmeras digitais para capturar a atmosfera noturna de Los Angeles. Já a revista Time descreveu Colateral como “tenso, moderno e hipnótico, um raro exemplo de suspense inteligente no cinema comercial”.
Grande parte dos elogios concentrou-se na atuação de Tom Cruise. O Los Angeles Times afirmou que o ator entregava “uma performance assustadoramente controlada, talvez a mais interessante de sua carreira até então”, enquanto Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, escreveu que Cruise criava “um vilão convincente justamente por sua calma, precisão e ausência total de emoção”. Jamie Foxx também foi bastante elogiado, com vários críticos apontando seu desempenho como um contraponto humano essencial à frieza do personagem de Cruise.
Com o passar dos anos, Colateral consolidou-se como um clássico moderno do cinema policial, frequentemente citado entre os melhores filmes de Michael Mann. As críticas publicadas em 2004 já indicavam que o longa se destacava não apenas como entretenimento de alta tensão, mas como um retrato estilizado da solidão urbana e da violência contemporânea. Hoje, o filme é lembrado tanto pela atuação memorável de Tom Cruise quanto por sua estética inovadora, confirmando o impacto duradouro que teve desde seu lançamento original.