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sábado, 30 de setembro de 2023

Indiana Jones e a Relíquia do Destino

Indiana Jones e a Relíquia do Destino
Eu não estava com grandes expectativas sobre esse filme. O último Indiana Jones havia sido tão fraco que eu não acreditava que ainda viria coisa boa dessa franquia. E de fato esse quinto (e presume-se último filme com Harrison Ford) realmente começa mal. O diretor James Mangold, claramente sentindo o peso de dirigir uma propriedade intelectual criada por Steven Spielberg e George Lucas, vacila, se mostra inseguro, na direção do filme. Parece estar com medo. Por isso apela para o mais óbvio, aquelas cenas de perseguições que mais parecem cópias mal feitas dos filmes originais dos anos 80. Embora tecnicamente bem realizadas, achei essas sequências bem bobocas. Nos anos 80 funcionavam, hoje em dia, não! Nos primeiros 60 minutos de filme nada de muito interessante acontece. 

Entretanto, felizmente, esse é um daqueles filmes que vai melhorando com o tempo. Como carro velho que pega no tranco na descida da ladeira, o novo Indiana Jones vai pegando o jeito certo. Muitos podem dizer que essa coisa toda de viagem no tempo é muito saturado. De fato é mesmo, mas pelo menos aqui serviu para melhorar o filme como um todo. Gostei do final quando Jones subitamente se vê nos tempos do império romano. Só não gostei da covardia do roteiro em não ir até o fundo disso. Teria sido ótimo que no final de tudo, o aventureiro Indiana Jones voltasse aos tempos que tanto estudou ao longo de toda a sua vida. Pena que não foram nessa direção. 

Eu gostei do filme como um todo, apesar de reconhecer que ele também é bem irregular, com altos e baixos. Comercialmente o filme não foi bem. A Disney planejava romper a marca do 1 bilhão de dólares em bilheteria nos cinemas. Conseguiu apenas 380 milhões para um filme que custou 294 milhões! Ou seja, pode ser o maior fracasso comercial da franquia. A crítica também não gostou muito e nem o público se empolgou. Daqui pra frente, se forem produzidos novos filmes (acredito que sim), tudo deverá ser novo. Novos atores, novos diretores, em filmes que não custem tanto como esse. Pode até ser que vire uma série no streaming. Enfim, é isso. É o fim de um ciclo, algo que começou tão bom lá nos anos 80 e que depois, como era de se esperar, decaiu. Pois é, nada é para sempre, nem no mundo do cinema. 


Indiana Jones e a Relíquia do Destino (Indiana Jones and the Dial of Destiny, Estados Unidos, 2023) Direção: James Mangold / Roteiro: Jez Butterworth, John-Henry Butterworth, David Koepp / Elenco: Harrison Ford, Phoebe Waller-Bridge, Mads Mikkelsen, Antonio Banderas, Toby Jones / Sinopse: Indiana Jones luta contra nazistas pela posse de um antigo artefato que pode inclusive mudar os rumos da história. 

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Ford vs Ferrari

Na década de 1960 o magnata Henry Ford II enviou seu principal executivo, Lee Iacocca, para a Itália. O objetivo era comprar a Ferrari, lendária marca de carros de luxo. A tentativa de negociação não deu certo. Pior do que isso, Iacocca voltou para os Estados Unidos não apenas com uma resposta negativa, mas também com uma série de insultos proferidos pelo Enzo Ferrari, dono da escuderia. Isso mexeu com os brios de Ford que imediatamente decidiu criar uma nova equipe de carros de corrida para vencer a famosa 24 horas de Le Mans. A ideia de humilhar Ferrari era bem clara. Ford queria dar o troco no industrial italiano.

A história desse filme se concentra justamente na criação dessa equipe de carros de corrida. A Ford Company queria apenas o melhor. Começou contratando o único americano que havia vencido Le Mans, o piloto aposentado Carroll Shelby (Matt Damon). Ele iria comandar a nova equipe. Seu primeiro ato foi ir atrás de Ken Miles (Christian Bale), Ele era um piloto arrojado, tinha muita garra nas pistas e parecia ser o nome certo. Também estava arruinado financeiramente. Nesse aspecto a união dos dois daria origem a uma verdadeira revolução nas competições esportivas de alta velocidade. O único problema seria justamente a hierarquia executiva da própria Ford, cheia de engravatados que mais atrapalhavam do que ajudavam nas pistas.

Esse filme está concorrendo ao Oscar em diversas categorias, entre elas a mais importante, de melhor filme do ano. Não acho que levará esse prêmio, porém não descarto premiação em categorias menores. É de fato um filme muito bom, contando uma história das mais interessantes. Mesmo que você não goste de carros de corrida e todo o universo que gira em torno desse esporte, o fato é que o filme explora muito bem todos os seus personagens. Não poderia ser diferente. Assim ao lado da emoção das competições em si, há ainda espaço para desenvolver o drama pessoal de cada um dos protagonistas. O final também vem para demonstrar que nem sempre o espírito esportivo vence quando os carros cruzam a linha de chegada. Muitas vezes a publicidade e o marketing falam mais alto, deixando o esporte em segundo plano. Uma lição e tanto para entender melhor como funciona o mundo das pistas internacionais.

Ford vs Ferrari (Ford v Ferrari, Estados Unidos, 2019) Direção: James Mangold / Roteiro: Jez Butterworth, John-Henry Butterworth / Elenco: Matt Damon, Christian Bale, Jon Bernthal, Tracy Letts, Caitriona Balfe / Sinopse: Carroll Shelby (Matt Damon) e Ken Miles (Christian Bale) são contratados para a nova equipe da Ford nas pistas de corrida. O objetivo é vencer as 24 horas de Le Mans. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Edição, Melhor Mixagem de Som e Melhor Edição de Som. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator - Drama (Christian Bale).

Pablo Aluísio. 


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Wolverine: Imortal

No Japão moderno, Wolverine (Hugh Jackman) acaba tendo que enfrentar um mundo desconhecido onde terá que superar um inimigo mortal numa batalha de vida ou morte, que mudará sua personalidade para sempre. Indo ao máximo de seus limites físicos e emocionais, ele combate não apenas opositores poderosos, mas também uma luta interior contra sua própria imortalidade, emergindo desse processo ainda mais poderoso e ciente de seus poderes. Segunda tentativa de emplacar uma franquia apenas com o personagem Wolverine. Em tempos onde pipocam adaptações de quadrinhos por todos os lados, não haveria como ignorar um dos heróis mais populares das HQs. Apesar de ser bem superior ao primeiro filme solo desse membro famoso do grupo X-Men, o fato é que ainda não chegaram no produto ideal. O original foi bem malhado pela crítica que apontou diversos erros, até mesmo uma surpreendente falta de capricho por parte do estúdio em relação ao roteiro e produção. Parecia que a Marvel pensava ter um produto à prova de falhas e por essa razão não se importou muito em realizar algo realmente bom.

O resultado comercial e artístico deixou bastante a desejar. Agora tenta-se algo novo. O roteiro leva Wolverine para o Japão onde se tem uma boa chance de mudar os ares do personagem, trazendo uma bela direção de arte que aproveita ao máximo a riqueza da arte oriental. Há boas cenas de ação, uma certa influência da cultura samurai e uma estorinha até bacana, mas nada muito além disso. Pela importância do Wolverine, os fãs esperam sempre algo a mais, porém acabaram recebendo apenas um bom filme, com enredo redondinho e produção mediana. Ainda não é o filme definitivo do dono das garras de adamantium.

Wolverine - Imortal  (The Wolverine, Estados Unidos, 2013) Estúdio: Twentieth Century Fox / Direção: James Mangold / Roteiro: Mark Bomback, Scott Frank / Elenco: Hugh Jackman, Will Yun Lee, Tao Okamoto / Sinopse: Wolverine vai até o Japão enfrentar um perigoso vilão e a si mesmo, numa luta interior. Filme indicado ao prêmio da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films na categoria de Melhor Adaptação de personagens em quadrinhos. Também indicado ao People's Choice Awards na categoria de Melhor Filme de Ação.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Johnny & June

Título no Brasil: Johnny & June
Título Original: Walk the Line
Ano de Produção: 2005
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: James Mangold
Roteiro: James Mangold
Elenco: Joaquin Phoenix, Reese Witherspoon, Ginnifer Goodwin, Robert Patrick, Dallas Roberts 
  
Sinopse:
O filme é baseado em duas biografias, ambas escritas por Johnny Cash, chamadas "Man in Black" e "Cash: The Autobiography". Cash foi um cantor americano muito famoso que surgiu na mesma leva de artistas dos quais também fez parte Elvis Presley e Jerry Lee Lewis. Todos eles foram descobertos por Sam Phillips, o dono de uma pequena gravadora em Memphis chamada Sun Records. O roteiro assim narra a vida profissional de Cash, aliado a sua vida amorosa ao lado da mulher de sua vida, a também cantora June (interpretada pela atriz Reese Witherspoon). Filme vencedor do Oscar na categoria de Melhor Atriz (Reese Witherspoon).

Comentários:
Um bom filme que procura narrar a vida conturbada de Johnny Cash. Nos Estados Unidos ele foi um ídolo, principalmente por ter adotado uma postura mais country, apesar de suas origens roqueiras. A vida de Cash foi assustadoramente parecida com a de outros artistas que surgiram junto com ele, no mesmo período histórico, como por exemplo, Elvis Presley. Ambos vieram de origens humildes, foram descobertos pelo mesmo produtor (Sam Phillips da Sun Records) e depois escalaram os degraus da fama e do sucesso. Também caíram na tentação das drogas e pagaram um alto preço pelo vício. O único diferencial foi que Cash conseguiu sobreviver ao mundo das drogas, mas Elvis não. A duras penas Cash deu a volta por cima, muito em razão do amor que sentia por sua esposa June. Assim resolveu contar sua luta em livros bem interessantes que acabaram dando origem a esse filme. Joaquin Phoenix está muito bem como Cash, tanto nos momentos mais dramáticos como nas cenas de concertos e apresentações (o que não deixa de ser uma surpresa). O roteiro também se beneficia da própria vida de Cash, que certamente foi muito rica e interessante. Um drama romântico musical que merece ser conhecido pelo público em geral.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Kate & Leopold

Esse filme acabou sendo memorável para mim não pelos motivos certos, mas sim pelos errados. Foi o último filme que aluguei em VHS na minha vida. As locadoras já estavam substituindo as velhas fitas pelos DVDs e em pouco tempo as próprias locadoras iriam entrar em extinção por todo o país. Fim de uma era, mudança de tempos. Pois bem, uma pena que essa despedida não tenha sido feita com um filme melhor. Inegável é o fato que esse "Kate & Leopold" é bem fraquinho mesmo.

Basicamente se apoia em uma única piada que nem é engraçada. Um homem do passado tentando viver nos dias atuais. Isso é tudo. Responda francamente, algo assim iria lhe interessar? Acredito que não! O único motivo para ver esse filme foi a presença de Meg Ryan. Ela foi a namoradinha da América nos anos 90 com muitos sucessos, mas plásticas erradas e escolhas mal feitas de filmes acabaram com sua carreira. Que pena ver a adorável Meg assim, fazendo um filme tão faco como esse. Ah e antes que me esqueça o Hugh Jackman também está nesse filme. Ele é um ator carismático e gente boa, porém uma andorinha só não faz verão. No final quando a piada já está saturada fiquei até com vergonha alheia dele nesse papel. Poderia passar sem essa!

Kate & Leopold (Estados Unidos, 2001) Direção: James Mangold / Roteiro: Steven Rogers, James Mangold / Elenco: Meg Ryan, Hugh Jackman, Liev Schreiber / Sinopse: Homem da era vitoriana, do século XVIII chega aos nossos dias, com outra cultura, outros costumes e modo de agir. O choque cultural se torna inevitável.

Pablo Aluísio.

sábado, 11 de março de 2017

Logan

Esse texto contém spoiler. Assim se você ainda não assistiu ao filme fique por aqui. Pois bem, "Logan" foi um filme muito esperado pelos fãs dos quadrinhos, justamente por encerrar a franquia principal dos X-Men que começou há exatos 17 anos. Também marca a despedida do ator Hugh Jackman ao personagem que o consagrou no cinema, o Wolverine. Com tantas despedidas era mesmo de se esperar por muito ansiedade por parte dos fãs. Depois que o filme foi lançado as reações foram muito boas, bem positivas. Falou-se até mesmo em obra prima! Será? Na verdade as reações de deslumbramento precisam baixar um pouco a bola. Tudo bem, concordo que "Logan" é um bom filme, mas qualificar como obra prima já é um pouco demais, coisa de fã mesmo. O roteiro não tem muitas novidades a não ser dois acontecimentos vitais para os que acompanharam essa saga por todos esses anos. Certamente o filme será lembrado para sempre como aquele em que Wolverine e o professor Charles Xavier chegaram ao fim de sua jornada. As mortes de dois personagens tão importantes realmente marcará esse filme pelos anos que virão. É o fim de um ciclo que começou e terminou bem - coisa cada vez mais rara em termos de franquias cinematográficas ultimamente.

Tirando isso porém temos um enredo comum, diria até banal. Logan vive uma crise existencial. Exagerando na bebida ele tenta ganhar a vida como motorista de limusines, enquanto tenta tratar o Professor Xavier que agora vive em uma velha instalação abandonada. O velho já está um pouco senil, abalado mentalmente. A vida medíocre de Logan sofre uma revés quando ele é procurado por uma mulher mexicana desconhecida. Ela quer sua ajuda. Ao trabalhar como enfermeira numa instalação secreta ela tomou contato com um grupo de crianças que não passavam de experimentos genéticos mutantes. Entre as crianças se encontra uma menina, com os mesmos poderes de Logan. Provavelmente seja sua filha. As crianças fogem e um grupo de brutamontes é enviado para localizar todas elas. Logan, mesmo sem querer, acaba se envolvendo bem no meio dessa caçada sangrenta. A espinha dorsal do roteiro é justamente essa: Logan fugindo e um grupo fortemente armado o perseguindo. Logan está ao lado da menina Wolverine e do Professor Xavier. Eles precisam sobreviver até chegarem a um lugar conhecido apenas como Éden. E isso é tudo. Por ter uma trama tão simples não consigo visualizar nada de muito especial em termos de roteiro. Nem os vilões me pareceram muito interessantes. O que acaba salvando o filme da banalidade completa é justamente o carisma de Hugh Jackman e Patrick Stewart (que também se despede da franquia). A garotinha filha de Logan é antipática e não cria muito empatia. Ela também segue muda por quase todo o filme.  Obviamente poderá até haver um link em relação aos garotos mutantes que surgem nesse filme, mas será que haverá algum interesse por eles futuramente? Duvido bastante. Assim, no final das contas, temos aqui uma despedida digna de todos esses personagens marcantes. Não é uma obra prima, repito, mas seguramente é um bom filme. Os fãs de Wolverine não terão muito o que reclamar, só os cinéfilos.

Logan (Logan, Estados Unidos, 2017) Direção: James Mangold / Roteiro: James Mangold, Scott Frank  / Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Dafne Keen / Sinopse: Logan (Jackman) tenta deixar o passado para trás, mas esse se recusa a deixá-lo em paz. A máscara de Wolverine e suas façanhas não o deixam seguir em frente. Após ser procurado por uma mulher desconhecida ele descobre que há uma menina com os seus poderes. Agora ele terá que lutar para protegê-la de um grupo corporativo que realiza experiências genéticas em crianças no México.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Cop Land - A Cidade dos Tiras

Título no Brasil: Cop Land - A Cidade dos Tiras
Título Original: Cop Land
Ano de Produção: 1997
País: Estados Unidos
Estúdio: Miramax
Direção: James Mangold
Roteiro: James Mangold
Elenco: Sylvester Stallone, Robert De Niro, Harvey Keitel, Ray Liotta, Robert Patrick, Peter Berg, Janeane Garofalo
  
Sinopse:
O policial Freddy Heflin (Sylvester Stallone) se torna xerife de uma pequenina cidadezinha de New Jersey. No passado ele tentou ser policial de Nova Iorque, mas por causa de suas limitações nunca conseguiu chegar em seus objetivos. Assim ele se torna membro de uma pequena corporação, em um lugar onde moram muitos policiais que trabalham além da ponte, em Manhattan. Aos poucos e quase sem querer, Freddy começa a perceber que há algo de errado naquela comunidade de tiras. Parece haver algo ilegal acontecendo, inclusive com múltiplos assassinatos. Estaria ele pronto para enfrentar algo assim, envolvendo seus próprios colegas de farda? Filme premiado no Stockholm Film Festival na categoria de Melhor Ator (Sylvester Stallone).

Comentários:
Dentro da vasta filmografia do ator Sylvester Stallone, esse filme é certamente um dos mais diferenciados. Deixando os heróis de ação do tipo Rambo, Rocky e Cobra de lado, o astro resolveu se despir de qualquer vaidade para interpretar um policial gordo, fraco, de personalidade medíocre e assustada. Na época muito se falou justamente disso, da metamorfose pela qual passou Stallone. Palmas para ele que acabou realizando uma das melhores e mais lembradas atuações de toda a sua carreira. Ele que vinha mal nas bilheterias, colecionando fracassos comerciais inesperados, acabou dando a volta por cima da melhor forma possível, mostrando que também poderia atuar ombro a ombro com grandes mestres como Robert De Niro e Harvey Keitel. Aliás é sempre bom salientar que a maior qualidade desse filme de uma forma em geral vem do excelente elenco que o diretor James Mangold conseguiu reunir. O jovem cineasta que havia ganho a confiança do estúdio Miramax (responsável por diversos filmes cult) conseguiu de fato realizar uma excelente obra cinematográfica. Seu talento aiiás iria se confirmar ainda mais no filme seguinte, o drama psicológico "Garota, Interrompida". Além da boa direção o filme também traz um excelente roteiro que aposta bastante na crueza e na mediocridade da mente humana, muitas vezes capaz de tudo para alcançar seus objetivos criminosos. Enfim, seja você fã ou não de Sylvester Stallone, o filme é altamente recomendado. Acima da média.

Pablo Aluísio.

domingo, 19 de junho de 2016

Logan

"Logan" é um bom filme. Oficialmente ele marca o fim dessa longa franquia "X-Men" nos cinemas. O ator Hugh Jackman também se despediu de seu personagem mais famoso, o Wolverine, o membro do grupo com garras de metal. Ele inclusive esteve no Brasil e esbanjou simpatia, dando autógrafos, sendo atencioso com os fãs e as crianças, participando de entrevistas em talk shows, etc. Em meu ponto de vista o que mais diferenciou esse filme de todos os outros foi seu roteiro. É um texto dramático, diria melancólico e até triste. O clima que impera de maneira em geral é de desilusão. Não há muitos cenas de ação, mas as que foram inseridas na trama não fazem feio.

Talvez o filme soasse melhor se fosse mais cultura pop e menos drama. Em determinados momentos o filme cai em uma perigosa monotonia, principalmente quando os personagens mais jovens tomam conta da tela. Patrick Stewart segue o clima geral de nuvens negras no horizonte e surge bem envelhecido, praticamente acabado, dando saudades do Professor X dos primeiros filmes. O curioso é que os quadrinhos atuais seguiram os rumos desse filme, dando origem a uma nova linha de gibis chamada "Velho Logan". Basicamente o mesmo estilo, com Logan caminhando para um destino que parece tudo, menos promissor. De uma forma ou outra o filme vale a pena, apesar de tudo. A Academia reconheceu os méritos do roteiro e o filme ganhou uma inesperada indicação ao prêmio de melhor roteiro adaptado, algo raríssimo de acontecer em se tratando de filmes adaptados de heróis dos quadrinhos. Por essa nem o velho Logan poderia esperar.

Logan (Logan, Estados Unidos, 2017) Direção: James Mangold / Roteiro: James Mangold, Scott Frank / Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Dafne Keen  / Sinopse: O velho Logan (Jackman), desiludido e cansado da vida, vê seu fim se aproximando. Antes de tudo desabar ele tenta salvar mais uma vez seu antigo mentor, o Professor Xavier (Stewart) que se encontra muito doente, em estado lastimável, terminal. Enquanto tudo isso acontece uma nova geração de mutantes surge, talvez para se tornarem herdeiros do legado dos pioneiros.

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 6 de março de 2015

Wolverine - Imortal

Título no Brasil: Wolverine - Imortal
Título Original: The Wolverine
Ano de Produção: 2013
País: Estados Unidos
Estúdio: Marvel Studios
Direção: James Mangold
Roteiro: Mark Bomback, Scott Frank
Elenco: Hugh Jackman, Will Yun Lee, Tao Okamoto, Hal Yamanouchi

Sinopse:
Logan (Hugh Jackman), mais conhecido como Wolverine, vai à terra do sol nascente, o Japão, para se envolver numa complicada conspiração corporativa, cujas consequências poderão lhe atingir diretamente. Filme indicado ao prêmio da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films na categoria de Melhor Adaptação de Quadrinhos.

Comentários:
Uma tentativa de recomeçar uma franquia própria para o personagem Wolverine da trupe X-Men. O primeiro filme acabou não agradando a ninguém, nem ao público e nem à crítica. Assim o diretor James Mangold tomou a sábia ideia de simplificar tudo, cortando personagens e investindo em um enredo mais enxuto, embora eficiente. Com ares de Graphic Novel esse novo filme do Wolverine finalmente caiu nas graças do público (foi a terceira maior bilheteria do ano) e da crítica, que definitivamente gostou do que viu. Some-se a isso o fato da história se passar no Japão e você terá realmente um bom filme, valorizado pelos cenários bonitos e direção de arte de bom gosto. Como se sabe o personagem Logan (mais uma vez interpretado por Hugh Jackman) sempre foi o mais popular mutante dessa saga em quadrinhos e como hoje vivemos a época de ouro das adaptações de heróis para o cinema, ele certamente não poderia ficar de fora. Em suma, uma boa diversão que agradará em cheio aos fãs dos X-Men.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Identidade

Título no Brasil: Identidade
Título Original: Identity
Ano de Produção: 2003
País: Estados Unidos
Estúdio: Sony pictures
Direção: James Mangold
Roteiro: Michael Cooney
Elenco: John Cusack, Ray Liotta, Amanda Peet, Alfred Molina, Rebecca De Mornay

Sinopse:
Um grupo de pessoas fica presa em um pequeno motel de beira de estrada durante uma forte nevasca. Todos parecem ter algum motivo para estarem lá, além de apresentar características em comum. Para o nervoso dono do estabelecimento a coisa fica ainda mais complicada, uma vez que um a um os hóspedes começam a morrer. Afinal, o que estaria por trás de toda aquela situação mórbida? Filme indicado ao prêmio da Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films nas categorias de Melhor Thriller e Melhor lançamento em DVD.

Comentários:
O grande trunfo desse filme é o seu roteiro. O espectador vai acompanhando o enredo, pensando estar vendo uma estória sendo narrada de forma linear, sob um ponto de vista bem objetivo e nos momentos finais acaba percebendo que tudo não passa de um grande erro de percepção. A passagem de um ponto de vista cinematográfico objetivo para um mergulho na mente subjetiva do personagem principal é até hoje uma das mais bem boladas narrativas cinematográficas que já vi. O elenco também está muito bem, todos dando o suporte necessário para que a ideia central que move o filme tenha êxito no final de tudo. Como John Cusack está no centro da trama, cabe a ele trazer todos os segmentos e camadas que movem seu personagem, que é bem mais complexo do que muitos pensam. Outra boa decisão do diretor James Mangold foi desenvolver todos os acontecimentos dentro de um clima hostil e nebuloso, tal como se fosse a mente de uma pessoa com problemas de separar a realidade de meros delírios. Talvez o único "senão" envolvido nesse filme é que se trata de um daqueles thrillers que uma vez decifrados perdem todo o impacto inicial. Não é um suspense para se assistir mais de uma vez, já que seu impacto provém mesmo da primeira exibição (e da surpresa que envolverá o público). Depois disso grande parte do choque já foi absorvido e não causará mais o mesmo impacto.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Garota, Interrompida

Título no Brasil: Garota, Interrompida
Título Original: Girl, Interrupted
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: James Mangold
Roteiro: Susanna Kaysen, James Mangold
Elenco: Winona Ryder, Angelina Jolie, Brittany Murphy, Jared Leto, Vanessa Redgrave, Whoopi Goldberg, Clea DuVall

Sinopse:
Baseado em fatos reais. O enredo se passa em 1967. A jovem Susanna Kaysen (Winona Ryder) é submetida a uma sessão de psicanálise e em pouco tempo diagnosticada como portadora de uma estranha síndrome chamada de "Ordem Incerta de Personalidade". Na verdade o fato é que ela é apenas uma garota adolescente como outra qualquer, com todos os conflitos típicos dessa idade. Isso porém não é levado em conta e ela é internada em uma instituição psiquiátrica onde por dois longos anos terá contato com o lado mais triste e sombrio do ser humano.

Comentários:
Um retrato cruel do mundo atrás dos muros de hospitais psiquiátricos. A personagem de Winona Ryder (em seu último grande filme) é vítima de muitas coisas (preconceitos, prepotências, etc) mas não de uma verdadeira doença mental. Esse é um filme que se destaca pelo excelente elenco feminino onde as atrizes dão verdadeiro show de talento. Entre as melhores interpretações não poderia deixar de citar Angelina Jolie (quem diria...) e a precocemente falecida Brittany Murphy. Bem acima da média, Além disso não deixa de ser um filme curioso, uma espécie de versão feminina e radical de "Um Estranho no Ninho", mas claro sem o bom humor. A verdade pura e simples é que Hollywood tem tradição de fazer filmes sobre doenças mentais, sejam elas reais ou imaginárias. Aqui o tema é tratado de forma sutilmente mais leve mas não menos perturbadora. Jolie, antes de virar estrela e fazer bobagens blockbusters como Salt, atua bem e praticamente rouba o filme. Bons tempos em que ela não era uma chata da auto promoção desenfreada. Em suma, "Girl, Interrupted" é um primoroso estudo da alma feminina e seus fantasmas psicológicos.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Wolverine: Imortal

O soldado Logan (Hugh Jackman) é feito prisioneiro pelas tropas japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. Enviado a um campo de prisioneiros em Nagasaki ele acaba testemunhando um evento histórico: o ataque nuclear na cidade na fase final da guerra. No último momento resolve salvar a vida de um dos guardas pois seu esqueleto de  adamantium consegue salvar a ambos da explosão nuclear. Muitos anos depois, Logan agora leva uma vida isolada e longe da civilização. Vivendo como um ermitão ele prefere a companhia dos animais selvagens ao do homem. Numa noite encontra um urso bastante ferido e vai tomar satisfações com caçadores locais. Para sua surpresa uma jovem japonesa vem ao seu encontro dizendo ser a enviada de um amigo do passado, justamente o guarda que ele salvou a vida na guerra, Yashida (Hal Yamanouchi). Ele está morrendo e quer da o último adeus ao amigo americano. O que Wolverine nem desconfia é que está na verdade entrando no meio de uma grande conspiração envolvendo interesses corporativos e a luta pelo segredo de sua própria imortalidade.

Começa assim "Wolverine: Imortal" mais uma tentativa de tornar viável a franquia do personagem em produções solos. Como se sabe o primeiro Wolverine foi mal recebido por público e crítica. Recebendo vários comentários ruins o estúdio soube muito bem absorver todos eles, aprendendo com seus próprios erros. Esse segundo filme da franquia já se saiu bem melhor, inclusive em termos comerciais uma vez que se tornou uma das três maiores bilheterias do ano. O diretor James Mangold acertou em apostar em algo mais simples, com menos personagens, tudo centrado numa trama de fácil compreensão. Além disso o fato do filme ter sido ambientado todo no Japão trouxe novos ares ao personagem, melhorando ainda mais seu conceito entre os fãs. Wolverine surge aqui como um verdadeiro Ronin, ou seja, um samurai sem mestre. Enfrentando guerreiros, ninjas e até mesmo um samurai robótico feito de adamantium como ele, "Wolverine: Imortal" se mostra um filme de quadrinhos muito eficiente e bem realizado, embora com alguns probleminhas ainda, mas nenhum deles graves a ponto de desmerecer a fita. Em poucas palavras, finalmente acharam o caminho certo para Logan nas telas. Que venham agora os próximos filmes da franquia.

Wolverine: Imortal (The Wolverine, Estados Unidos, 2013) Direção: James Mangold / Roteiro: Mark Bomback, Scott Frank / Elenco: Hugh Jackman, Will Yun Lee, Tao Okamoto, Hal Yamanouchi / Sinopse: Wolverine (Hugh Jackman) vai ao Japão para se despedir de um antigo amigo que está morrendo mas acaba se vendo envolvido no meio de uma complicada rede de interesses envolvendo a luta pelo controle de uma grande corporação e a busca pelo segredo de sua própria imortalidade.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Encontro Explosivo

June (Cameron Diaz) é uma garota normal que sem querer acaba se envolvendo em um jogo envolvendo espiões, segredos militares e assassinos profissionais. Depois de descobrir algo comprometedor ela se torna a contragosto “parceira” do misterioso e enigmático Wilner (Tom Cruise) que ao que tudo indica se trata de um agente do serviço secreto mas que pode ser também apenas um assassino profissional em serviço. Juntos partem para diversas partes do mundo, onde vivem grandes momentos de tensão e aventura. Perseguições, tiroteios, caçadas humanas e tudo mais que um verdadeiro espião tem direito. Procurando sair vivos de tantas situações de perigo terão que aprender finalmente a confiar um no outro. Finalmente resolvi dar uma chance e assistir a esse "Encontro Explosivo". Definitivamente o filme é decepcionante. Muito derivativo tenta pegar carona em filmes de ação alucinantes como os que são regularmente estrelados por Jason Statham. A referência mais óbvia vem da franquia “Carga Explosiva”. Mas esqueça qualquer mudança para melhor ou originalidade dessa produção. O que funciona com Jason não funciona com Cruise. Sua cara de garoto bonito não serve para esse tipo de papel que exige atores com estilo e jeito de caras durões como o próprio Jason Statham. Cruise mais parece um Mauricinho querendo impressionar a namorada loira e burra. Isso aborrece depois de um certo tempo.

O roteiro também não se sai melhor pois é outro ao estilo "Esquadrão Classe A", ou seja, muita explosão, muita correria e todo mundo indo atrás de um objeto (em "Esquadrão Classe A" era uma matriz para fabricar dinheiro e aqui uma bateria "que nunca acaba"!). Pois bem, se não serve para os fãs de ação talvez sirva para as fãs de Tom Cruise mas pode desistir pois a química dele com a senhorita Diaz é outra decepção. Com uma interpretação exagerada, olhos arregalados e vidrados, Cruise não consegue ser romântico em nenhum momento e nem passa qualquer tipo de paixão visível ao espectador. Depois que o ator pulou no sofá da apresentadora Oprah nos EUA as coisas meio que saíram dos trilhos na carreira dele. Ele brigou com seu agente, demitiu sua equipe de apoio e por fim foi demitido da Paramount Pictures. Interessante que aqui notamos a diferença que fez essa perda para a carreira dele, pois duvido que ele faria algo tão grotesco se ainda estivesse com o estúdio (que afinal de contas praticamente construiu sua passagem ao estrelado). Aqui nada se salva. A senhorita Diaz continua canastrona, como sempre. Cruise não convence e o roteiro é uma piada de tão mal escrito que é. No final das contas a única coisa explosiva é realmente o filme em si já que é definitivamente uma bomba!

Encontro Explosivo (Knight and Day, Estados Unidos, 2010) Direção: James Mangold / Roteiro: Dana Fox, Scott Frank / Elenco: Tom Cruise, Cameron Diaz, Maggie Grace, Peter Sarsgaard, Paul Dano, Marc Blucas / Sinopse: Sem querer uma garota comum acaba se envolvendo em um jogo de espionagem internacional onde espiões treinados e assassinos profissionais travam uma luta implacável pela posse de um artefato industrial de grande valor.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Johnny & June

Johnny Cash (1932 - 2003) foi um artista diferente. Ele surgiu na mesma geração de grandes cantores descobertos por Sam Phillips na pequenina Sun Records em Memphis. Dessa gravadora despontou toda uma geração inovadora e revolucionária na música americana, grandes nomes como Elvis Presley, Jerry Lee Lewis e Carl Perkins, tiveram sua primeira grande oportunidade lá. O que diferenciava Cash de todos esses outros intérpretes era o teor de suas músicas e o acentuado lirismo country que as embalava. Cash tinha um universo muito pessoal, suas canções geralmente retratavam a vida dos que estavam à margem da sociedade, como os presidiários, os pobres e os sofridos. Essa sua preferência pelo lado mais outsider da sociedade americana legou a ele um público muito fiel e devoto. A carreira de Cash também foi muito produtiva pois ele sempre estava gravando discos, fazendo shows, programas de TV e até cinema, era um verdadeiro workaholic em sua profissão. Transpor uma vida tão rica assim para um único filme não seria nada fácil. Por isso os produtores de “Johnny & June” optaram, de forma muito acertada, em focar o roteiro e o filme em cima do conturbado relacionamento de Johnny Cash com June Carter, também uma cantora que fazia parte de uma extensa linha familiar de artistas Country and Western.

O resultado do que se vê na tela é muito bom, beirando o excepcional. Joaquin Phoenix no papel principal conseguiu passar muito da personalidade de Cash. Ele tinha essa sensação de nunca se enquadrar, de nunca se sentir plenamente aceito. Phoenix inegavelmente deu muito brilho ao seu papel de Johnny Cash. Até mesmo pequenos detalhes, como maneirismos do cantor e a forma como ele segurava e tocava seu violão, o ator levou para seu trabalho no filme Já Reese Witherspoon também está muito satisfatória no papel de June Carter, muito embora ainda ache que seu Oscar de Melhor Atriz foi um pouco excessivo. Certamente ela está bem mas não a ponto de receber uma premiação tão importante. Provavelmente tenha sido premiada mais pela relevância de seu nome dentro da indústria do que pela atuação em si. Embora seja uma obra tecnicamente muito bem realizada o filme só desliza um pouco quando mostra Cash enfrentando problemas com drogas. Nesse ponto o filme perde muito de seu charme, se tornando um tanto quanto maniqueísta e forçado. Fora isso nada a reclamar. A trilha está recheada das imortais canções do homem de preto e conta ainda com cenas de shows muito bem realizadas. Após seu lançamento "Johnny & June" foi premiado com o Globo de Ouro de Melhor Filme na categoria Comédia / Musical. Um prêmio, esse sim, bem merecido.

Johnny & June (Walk the Line, Estados Unidos, 2005) Direção: James Mangold / Roteiro: Gill Dennis, James Mangold / Elenco: Joaquin Phoenix, Reese Witherspoon, Ginnifer Goodwin, Robert Patrick, Shelby Lynne, Dan Beene, Larry Bagby, Lucas Till, Ridge Canipe, Hailey Anne Nelson./ Sinopse: Cinebiografia do cantor e compositor Johnny Cash (Joaquim Phoenix) mostrando seu conturbado relacionamento amoroso com June Carter (Reese Witherspoon).

Pablo Aluísio.