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terça-feira, 3 de março de 2026

Talhado em Granito

Mais um western com o mito Randolph Scott. A produção foi realizada a toque de caixa para aproveitar as férias escolares do meio de ano. Na época Randolph Scott estava prestes a cumprir seu contrato com o estúdio para alcançar vôos mais ousados – ele queria produzir seus próprios filmes sem salário fixo, mas com participação nos lucros, uma decisão que o deixaria milionário nos anos que viriam. Uma decisão muito acertada que inclusive iria inspirar outros atores de Hollywood a seguirem  o mesmo caminho. Ao invés de ser um ator meramente contratado dos estúdios, era mais lucrativo produzir seus próprios filmes, ficando com parte da bilheteria. A decisão de filmar em Santa Clarita na Califórnia, uma região que Scott adorava pelo seu clima ameno e agradável, foi o argumento final para que ele aceitasse rodar a fita. Assim ele terminaria seu contrato com a Warner, ficaria livre para virar produtor de seus filmes e seguiria em frente para realizar seus planos. As filmagens foram tranquilas, sem problemas, com Scott aproveitando para curtir a região, geralmente saindo para cavalgar com amigos após mais um dia de trabalho no set. Era verão, tempo ideal para filmar e curtir umas férias ao mesmo tempo.

Uma das maiores curiosidades na realização desse filme foi que durante praticamente todas as filmagens Randolph Scott contou com a presença do ator e amigo Cary Grant no set. Grant foi à região apenas para visitar o amigo, mas gostou tanto que resolveu ficar uma semana acompanhando os trabalhos. Scott não poderia ficar mais contente já que com Grant lhe fazendo companhia eles poderiam relembrar os bons tempos quando eram apenas jovens atores tentando alcançar um lugar ao sol em Hollywood. Agora, já astros consagrados, podiam relaxar e curtir a bonita região juntos. Cary Grant tentou inclusive convencer o amigo a largar um pouco os filmes de western para realizar outros tipos de filmes. A resposta de Randolph Scott foi muito interessante: “Os filmes de western são uma mina de ouro. São baratos, fáceis de vender e muito comerciais. Além disso gosto de cavalgar e cortejar a mocinha. Sou bom nisso!”. E era mesmo, como podemos confirmar aqui em “Talhado em Granito”, uma fita de rotina mas que mantém um charme incrível mesmo nos dias atuais. Se você é fã do cinema eficiente de Randolph Scott não deixe de assistir.

Talhado em Granito (Sugarfoot, Estados Unidos, 1951) Direção: Edwin L. Marin / Roteiro: Russell S. Hughes baseado no livro de Clarence Budington Kelland / Elenco: Randolph Scott, Adele Jergens, Raymond Massey / Sinopse: Ex-oficial da guerra civil reencontra seus velhos inimigos no distante Arizona. Agora terá que decidir entre acertar devidamente as contas ou esquecer o passado para seguir em frente na sua vida.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Fibra de Herói

Tom Buchanan (Randolph Scott) é um cowboy que indo na direção do Texas onde pretende comprar um rancho resolve parar numa pequenina cidade na fronteira entre Estados Unidos e México. Lá acaba involuntariamente se envolvendo numa briga entre um mimado filho do juiz local e um mexicano que está ali para lavar a honra de sua família. Após muitos desentendimentos Juan (Manuel Rojas) finalmente mata seu desafeto em um Saloon. Imediatamente a população resolve levar o criminoso ao linchamento mas Buchanan (Scott) tenta evitar. Má ideia. Logo ele também é acusado de ser cúmplice do assassino mesmo sendo completamente inocente.

"Homem errado no lugar errado" essa é a premissa desse "Fibra de herói", mais um parceria entre o ator Randolph Scott e o talentoso diretor Budd Boetticher. Juntos fariam alguns dos melhores westerns da década de 50, geralmente com Scott como produtor (ao lado de seu sócio Brown) e Boetticher como diretor. São faroestes eficientes, bem mais centrados em uma boa trama do que em produções de encher os olhos. "Fibra de Herói" tem todas essas características. A pequena cidade onde Scott vai parar e é condenado à forca é totalmente dominada pela mesma família. O corrupto xerife  Lew Agry (Barry Kelley) é irmão do juiz Simon Agry (Tol Avery), que por sua vez também tem laços de sangue com Amos Agry (Peter Whitney) que cuida do único hotel da cidade. Juntos os três brigam entre si por poder, dinheiro e dominação. São víboras de uma mesma ninhada.

Em uma cidade assim, onde a família Agry manda em praticamente tudo o personagem de Randolph Scott certamente se encontra em sérios problemas pois ele é acusado injustamente de matar o fllho do juiz Simon, o desordeiro, bêbado e arruaceiro  Roy Agry (William Leslie). Seria uma ironia sobre a política americana da época, também dominada por famílias poderosas e corruptas? Vindo do diretor  Budd Boetticher tudo é possível. A tônica do filme é parecida com a de um jogo de pôquer do velho oeste onde todos se mostram extremamente gananciosos. A cena final, um grande tiroteio envolvendo a posse de uma mala cheia de dinheiro (50 mil dólares em espécie), mostra bem isso. Com tanta grana em jogo ninguém mais reconhece ninguém, irmão atira em irmão e qualquer laço de parentesco desaparece sob uma chuva de balas.

Embora muito bom, inclusive tecnicamente, "Fibra de Herói" se revela curioso porque o personagem de Randolph Scott apenas tangencia a trama principal. De fato ele fica bastante tempo fora de cena mostrando que é em essência um personagem secundário. Isso pode ter até mesmo aborrecido os fãs do ator cowboy na época. Como o roteiro é baseado em uma novela de Jonas Ward não houve como mudar isso. De qualquer modo temos aqui um faroeste típico de Randolph Scott, mesmo que atuando apenas discretamente em um personagem não tão central como estamos acostumados a ver. Recomendo.

Fibra de Herói (Buchanan Rides Alone, EUA, 1959) Direção: Budd Boetticher / Roteiro: Charles Lang baseado na novela de Jonas Ward / Elenco: Randolph Scott, Craig Stevens, Barry Kelley / Sinopse: A caminho do Texas onde pretende comprar um rancho para começar vida nova, um cowboy (Randolph Scott) é injustamente acusado de ser cúmplice na morte do filho do juiz da cidade. Agora ele terá que lutar por sua vida e sua inocência.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

De Arma em Punho

De Arma em Punho
Ransome Callicut (Randolph Scott) é um forasteiro que chega na pequena vila de Los Angeles, um lugar inóspito perdido no meio do deserto, infestada de malfeitores. Ele desembarca no local afirmando ser um simples professor de crianças, mas o oficial da cavalaria na região, o capitão Roy Giles (Philip Carey), acredita que ele esteja mentindo pois é bastante parecido com um major desertor das forças armadas durante a guerra civil. Enquanto investiga o recém chegado, ele percebe que Ransome está cada vez mais envolvido nos problemas políticos locais. Há um grupo de rebeldes que deseja a separação do sul da Califórnia da federação americana, o que pode levar a uma nova guerra de secessão. Afinal qual seria a ligação entre o misterioso personagem de Randolph Scott com a turbulenta situação política em Los Angeles?

“De Arma em Punho” é mais uma produção com o ator Randolph Scott para a Warner. Esse aqui tem um roteiro bem mais trabalhado com uma intrigada trama que provavelmente vá confundir um pouco o espectador menos atento. Callicut (Scott) pode ser tanto um desertor do exército, como também um espião enviado pelo governo americano para investigar os problemas envolvendo os rebeldes californianos. O filme foi rodado praticamente todo dentro do estúdio. Existem cenas em locações reais, mas essas são geralmente pontuais, feitas com uma segunda unidade. As principais sequências que contam com Scott e o elenco principal, são praticamente todas recriadas em cenários dentro dos estúdios da Warner. Hoje em dia esse tipo de técnica é facilmente perceptível. Alguns não gostam, pois soa artificial, mas pessoalmente acho tudo muito charmoso e elegante. O horizonte ao longe é pintado, por exemplo, mas tudo com tão bom gosto que não há como se aborrecer com detalhes assim.

Além dos costumeiros tiroteios e perseguições “De Arma em Punho” ainda tem uma dupla de atores mais cômicos (um se veste de mulher para enganar os rebeldes) e duas sequências musicais com canções cantadas em espanhol pela atriz e intérprete Lina Romay. Para os fãs de Randolph Scott é bom salientar que "Stardust", seu lindo cavalo Palomino branco e marrom, está em cena, mostrando todo seu porte imponente e beleza. Em conclusão é isso, mais um bom filme com Scott que ainda conta com o diferencial de mostrar pequenos toques de mistério e tramas políticas. "De Arma em Punho" é um eficiente western da década de 50 que deve ser assistido pelos fãs do gênero.

De Arma em Punho (The Man Behind the Gun, Estados Unidos, 1953) Direção: Felix E. Feist / Roteiro: John Twist, Robert Buckner / Elenco: Randolph Scott, Patrice Wymore, Dick Wesson / Sinopse: Um forasteiro recém chegado a Los Angeles pode ser tanto um simples professor como um perigoso pistoleiro e desertor do exército norte-americano. A região está instável pois um grupo rebelde luta pela secessão do sul da Califórnia do resto do país.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Colt 45

Colt 45
Mais um bom faroeste estrelado por Randolph Scott. No filme ele interpreta Steve Farrell, um vendedor de armas da fábrica Colt que é roubado em pleno escritório do xerife por um bandido perigoso chamado Jason Brett (Zachary Scott). Em posse dessas armas roubadas, o criminoso forma um bando que fica conhecido como a "Quadrilha do Colt" e começa a assaltar diligências, bancos e moradores da região. O que ninguém poderia desconfiar é que Steve Farrell não era apenas um vendedor de armas no velho oeste, mas também um ás do gatilho, que está disposto a recuperar todos os armamentos que lhe afinal de contas lhe pertence. Esse western foi produzido pela companhia cinematográfica Warner Bros. O filme foi estrelado por Randolph Scott em pleno auge de sua popularidade. O filme é o que se pode chamar de Western B, pois o roteiro realmente foca na ação e nos tiroteios, na pura diversão das matinês, sem se preocupar muito em se tornar uma obra prima ou algo parecido. A fita é curtinha (72 minutos) e foi feita assim visando aumentar as exibições nas sessões dos cinemas dos anos 50. O roteiro é bem simples e vai direto ao ponto, sem firulas.

O elenco de Colt .45 chama atenção por causa da presença de Lloyde Bridges (o pai de Beau e Jeff Bridges). Seu papel é um tanto secundário, mas ele se esforça para ser notado. Como sua esposa a estrelinha Ruth Roman, amiga pessoal de Randolph Scott que apesar da extensa filmografia (mais de cem filmes!) nunca conseguiu se tornar uma estrela de primeira grandeza. O diretor Edwin L. Marin era muito produtivo, mas morreu pouco tempo depois da realização desse filme. Era um diretor de estúdio e fazia o que lhe era pedido pelos produtores. Realizador competente, conseguiu bons resultados mesmo em produções B como essa. Já Randolph Scott mais uma vez assina a produção, já que ele percebeu que ganharia muito mais produzindo seus próprios filmes do que trabalhando para outros produtores. Acabou ficando muito rico com essa ideia, até porque na época nenhum gênero cinematográfico era mais popular e lucrativo do que o faroeste. Enfim, temos aqui um western bem no estilo bangue-bangue. É uma fita muito boa, eficiente e divertida. Vale a pena assistir. Para os nostálgicos então, é programa praticamente obrigatório.

Colt .45 (Colt .45, Estados Unidos, 1950) Estúdio: Warner Bros / Direção: Edwin L. Marin / Roteiro: Thomas W. Blackburn / Elenco: Randolph Scott, Ruth Roman, Lloyde Bridges, Zachary Scott, Alan Hale, Ian MacDonald / Sinopse: Vendedor de armas da marca Colt é assaltado no escritório de um xerife do velho oeste. Agora ele vai precisar recuperar todas as armas, mesmo que para isso tenha que enfrentar uma perigosa quadrilha de bandidos.

Pablo Aluísio. 

 

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Obrigado a Matar

Calem Ware (Randolph Scott) é um xerife numa pequena cidade do velho oeste. Habitualmente ele tem que lidar com forasteiros, arruaceiros e bêbados em geral. Mas não é só a isso que se resume a vida de um homem da lei naquele ambiente hostil. Por ter um passado de muitos duelos ele também tem que enfrentar a presença de vários pistoleiros que de um jeito ou outro querem acabar com sua fama de rápido no gatilho. “Obrigado a Matar” mostra o cotidiano de um xerife naqueles tempos onde o colt era a única autoridade que realmente era respeitada. O roteiro é excelente e mostra alguns dias na vida desse homem da lei. Sem família, morando numa pensão, muitas vezes sem remuneração adequada, ele tem que diariamente se impor aos valentões que chegam na cidade. Uma das regras que determina é a proibição de usar armas dentro da comunidade. Isso obviamente lhe traz todo tipo de problema com os facínoras que não aceitam ser desarmados. Outro aspecto muito bem retratado no filme é a vida pessoal do xerife. Ele tem um longo relacionamento com uma atriz de teatro, Tally Dickenson (Angela Lansbury), mas sua vida amorosa é prejudicada pela vida que leva. Afinal qual mulher não ficaria apreensiva em se relacionar com um homem que a qualquer momento pode ser alvejado por algum bandido? Não é definitivamente um romance de sonhos. 

Randolph Scott está muito bem em seu papel. Após matar um pistoleiro que o desafia, ele volta para sua delegacia e podemos sentir toda a tensão e stress que passa naquele momento. É um dos personagens mais humanos interpretados pelo ator. Ao contrário de xerifes durões de outros filmes que nada sentem, esse aqui tem crises de consciência após matar mais um criminoso. Em essência é um bom homem, cheio de grandes valores e virtudes que tem que lidar com a escória da sociedade. Outro momento marcante de “Obrigado a Matar” acontece em um saloon, onde Scott é atingido na cabeça por um tiro certeiro. Em determinado momento quase acreditei que assistiria ao primeiro filme de Scott onde o eterno mocinho morreria na cena seguinte! Felizmente em pouco tempo as coisas voltam ao normal. Em suma, “Obrigado a Matar” tenta trazer o lado mais humano desses profissionais que tentaram durante todo o período do velho oeste americano trazer alguma lei e ordem nas cidades onde atuavam. Verdadeiros heróis da colonização do oeste bravio e selvagem que recebem nessa produção uma merecida homenagem.

Obrigado a Matar (A Lawless Street, Estados Unidos, 1955) Direção: Joseph H. Lewis / Roteiro: Kenneth Gamet, Brad Ward / Elenco: Randolph Scott, Angela Lansbury, Warner Anderson / Sinopse: Xerife do velho oeste tenta lidar com uma cidade violenta ao mesmo tempo que decide reviver um grande amor do passado.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 29 de abril de 2025

Indomável

Título no Brasil: Indomável
Título Original: The Spoilers
Ano de Produção: 1942
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Ray Enright
Roteiro: Rex Beach, Lawrence Hazard
Elenco: Marlene Dietrich, Randolph Scott, John Wayne, Margaret Lindsay, Harry Carey 

Sinopse:
Durante a corrida do ouro no século XIX, dois mineiros e exploradores, Roy Glennister (John Wayne) e Al Dextry (Harry Carey), tentam descobrir uma mina com o valioso metal nas montanhas geladas da região, financiados pela cantora de saloons Cherry Malotte (Marlene Dietrich). Antes porém terão que enfrentar o ganancioso Alexander McNamara (Randolph Scott) que também está de olho em toda aquela riqueza mineral do subsolo. Roteiro baseado na novela escrita por Rex Beach.

Comentários:
O elenco desse western é simplesmente maravilhoso. Imagine ter em um mesmo cast três grandes nomes da história do cinema, a saber: John Wayne, Randolph Scott e Marlene Dietrich. Para fãs de faroeste ter dois grandes mitos do gênero na mesma produção já é algo que o torna completamente obrigatório. É uma pena que Wayne e Scott não tenham trabalhado mais vezes juntos. Além de grandes ícones do estilo, eles se entrosavam muito bem em cena. Talvez o fato de Randolph Scott ter abandonado o cinema no começo da década de 1960 explique a ausência de mais filmes com a dupla. Infelizmente Scott pendurou as esporas cedo demais, já que John Wayne seguiria trabalhando até o fim de sua vida e após a aposentadoria de Scott entraria numa das fases mais importantes de sua carreira, estrelando grandes clássicos do cinema de faroeste. Já Marlene Dietrich repete de certa forma um tipo de papel que seria muito comum e recorrente em sua filmografia, a da cantora e dançarina de cabarés, esbanjando sensualidade e uma personalidade forte e marcante - o que no final das contas a tornavam ainda mais sensual e atraente para os homens. Já que o filme se passa no velho oeste seu cenário se torna um saloon, cheio de pistoleiros, cowboys e toda a fauna típica desse tipo de filme. A produção recebeu uma única indicação ao Oscar, na categoria de melhor direção de arte, mas merecia muito mais, pois é de fato um faroeste acima da média, bem marcante, que hoje em dia frequenta tranquilamente todas as listas dos cem maiores títulos do gênero.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 8 de abril de 2025

Homens que são Feras

Título no Brasil: Homens que são Feras 
Título Original: Rage at Dawn
Ano de Lançamento: 1955
País: Estados Unidos
Estúdio: RKO Radio Pictures
Direção: Tim Whelan
Roteiro: Horace McCoy, Frank Gruber
Elenco: Randolph Scott, Forrest Tucker, Mala Powers, J. Carrol Naish, Edgar Buchanan, Howard Petrie

Sinopse:
Uma quadrilha formada por irmãos, os Reno, espalha terror pelo velho oeste, assaltando bancos, trens e praticando todos os tipos de crimes. Associados a um xerife corrupto e a um prefeito de índole criminosa, nada parece deter os bandidos. Até que uma agência de detetives de Chicago decide organizar um plano para finalmente colocar esses criminosos atrás das grades. 

Comentários:
Nessa altura de minha vida de cinéfilo posso dizer sem receios que qualquer faroeste com Randolph Scott vale a pena! Esse filme dos anos 50 não é dos mais conhecidos da carreira do ator, mas vale muito a pena assistir. Esses irmãos Reno, que aparecem na história como vilões, realmente existiram. E também houve uma agência de detetives que foi atrás deles. Agora, fora isso, realmente não espere por nada muito fiel aos acontecimentos históricos. Não é bem assim que esses roteiros eram escritos naquela época. Sabemos que havia muita romantização nesse tipo de filme de western. Um exemplo acontece quando o agente disfarçado interpretado por Scott passa a cortejar a irmã mais jovem dos irmãos criminosos. Ele a seduz, obviamente com o objetivo de entrar naquela família, para assim pegar os criminosos em flagrante delito. Agora, complicado para o Randolph Scott foi mesmo fazer as cenas em que ele, disfarçado de bandido, rouba um banco. Como ele mesmo gostava de dizer, não queria interpretar vilões. Nem que fossem disfarçados como nesse filme. Não combinava bem com sua personalidade cinematográfica! 

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 5 de março de 2025

A Vingança dos Daltons

Título no Brasil: A Vingança dos Daltons
Título Original: When the Daltons Rode
Ano de Produção: 1940
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: George Marshall
Roteiro: Harold Shumate, Emmett Dalton
Elenco: Randolph Scott, Kay Francis, Brian Donlevy

Sinopse:
Tod Jackson (Randolph Scott) é um jovem advogado que vai até o distante Kansas para visitar seus clientes e amigos, os Daltons, que possuem um belo e próspero rancho na região. O problema agora é que uma poderosa empresa cobiça as terras dos Daltons e estão dispostos a colocar as mãos naquela propriedade de todas as formas possíveis, inclusive levantando falsas acusações de crimes contra todos os que ousam desafiar o poder da companhia.

Comentários:
Mais um ótimo western com o mito Randolph Scott. Infelizmente é uma de suas produções menos lembradas, já que após sua estreia nos cinemas ficou décadas fora de circulação - só mais recentemente foi relançado nos Estados Unidos dentro de um box de DVDs que resgatou parte da filmografia esquecida do eterno cowboy do velho oeste. Alguns aspectos merecem menção. Como se sabe com a expansão das estradas de ferro rumo ao Pacífico muitas companhias entraram em atritos com rancheiros e fazendeiros que não abriam mão de suas terras - justamente aquelas por onde os trilhos teriam que passar. Quando o dinheiro não bastava para convencer a venda dessas terras entrava em ação bandoleiros contratados por essas empresas para intimidar e coagir a venda, muitas vezes usando de métodos violentos e ilegais. Esse pedaço esquecido da história serve justamente de mote para esse bom faroeste que certamente agradará em cheio aos fãs do western mais clássico do cinema americano.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

O Tesouro do Bandoleiro

Título no Brasil: O Tesouro do Bandoleiro
Título Original: The Nevadan
Ano de Produção: 1950
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Gordon Douglas
Roteiro: George W. George, George F. Slavin
Elenco: Randolph Scott, Dorothy Malone, Forrest Tucker

Sinopse:
Nas longas planícies do deserto de Nevada surge um cowboy misterioso que começa a seguir os passos de um criminoso foragido, um assaltante de bancos que está lutando por sua vida e liberdade. Em seu encalço também está um fazendeiro ganancioso e seu grupo de capangas, todos atrás do dinheiro roubado, uma pequena fortuna.

Comentários:
Mais um filme para os admiradores do trabalho do eterno cowboy Randolph Scott. Foi o último que o astro fez na Columbia depois de cumprir um longo contrato que ele havia assinado sete anos antes. Assim dali em diante o próprio Scott iria produzir suas fitas, trabalhando sem as amarras de um contrato que lhe deixasse preso a nenhum estúdio de Hollywood. Nesse filme aconteceu um fato curioso, durante uma tomada de cena em Alabama Hills, onde a produção estava sendo rodada, o ator caiu de um pequeno desfiladeiro com seu cavalo (que não era o famoso Stardust). Randolph Scott era um excelente cavaleiro mas seu próprio cavalo tropeçou nas pedras e a queda foi inevitável. Socorrido a tempo, Randolph foi levado a Los Angeles onde se constatou que ele havia quebrado sua perna esquerda. Isso levou o filme a ficar parado por algumas semanas, o que de certa forma é perceptível ao assisti-lo pois o ator perdeu peso no hospital e como o filme não era gravado na sequência cronológica das cenas podemos perceber que ora ele surge magro, ora mais cheio ao longo do filme. Deixando essa pequena curiosidade de lado o que temos aqui é mais um belo western com Scott, que mantinha sempre um excelente padrão de qualidade em todos os filmes em que participou. Não é de se admirar que tenha sido um dos mais populares atores do gênero western na história do cinema americano.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Véspera de Natal

Título no Brasil: Véspera de Natal
Título Original: Christmas Eve
Ano de Lançamento: 1947
País: Estados Unidos
Estúdio: United Artists
Direção: Edwin L. Marin
Roteiro: Laurence Stallings, Richard H. Landau
Elenco: George Raft, Randolph Scott, George Brent

Sinopse:
Para salvar a fortuna de um sobrinho designer, Matilda Reed deve localizar seus três filhos adotivos há muito perdidos a tempo de uma reunião na véspera de Natal.

Comentários:
O ator George Raft foi muito popular em seu tempo. Hoje ninguém mais lembra dele, coitado, anda completamente esquecido. Do Randolph Scott ainda se fala, principalmente para quem é fã de filmes de western. E é justamente pela presença do Scott, um astro cowboy de que sempre gostei, que vejo valer a pena ver esse filme. É uma produção bem antiga e de certa forma foi marcante naquela época em que o Scott passou a pensar em abandonar todos os demais gêneros cinematográficos para só fazer filmes de faroeste. E por ser, de certa maneira, um filme meio fraco e bem mediano, parece que após filmar aqui essa produção, ele finalmente tomou sua decisão, para alegria de seus fãs de filmes de western ao velho estilo. 

Pablo Aluísio.

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Randolph Scott e o Velho Oeste - Texto 12

Randolph Scott e o Velho Oeste - Texto 12
O faroeste "Romântico Defensor" (Albuquerque, 1948) marca o começo da última e melhor fase da carreira de Randolph Scott. Os filmes produzidos a partir daqui iriam fazer muito sucesso, inicialmente nos cinemas e anos depois, na TV dos Estados Unidos, consolidando sua fama de um dos cowboys de cinema mais queridos da América. E de fato esse é mesmo um bom filme. Bem produzido, com roteiro redondo, elenco muito bom e todos os elementos que fazem um bom filme dentro desse estilo cinematográfico clássico. 

Na história Randolph Scott interpretava um texano que mudava de Estado para trabalhar ao lado de seu tio na cidade de Albuquerque no Novo México. Sua diligência era assaltada durante a viagem e o personagem de Scott conseguia sobreviver por pouco da fúria dos bandidos. Ao chegar na nova cidade ele acabaria descobrindo que seu próprio tio fazia parte justamente da quadrilha de bandoleiros! Imaginem o choque! Sendo íntegro e honesto, acabaria ficando no lado oposto ao dele!

O sucesso dessa fita de western faria que Randolph Scott só se concentrasse em filmes desse gênero. Nos anos seguintes ele de fato iria estrelar um Bang-Bang atrás do outro, se tornando o produtor dessa fitas altamente lucrativas! E nesse processo se tornaria um homem muito rico! 

Para fechar a década de 1940 com chave de ouro ele iria estrelar com muito sucesso vários filmes de faroeste. Em pouco mais de dois anos ele iria atuar em sete filmes de western! Todos rodados rapidamente para exibição em matinês nos cinemas americanos. Apesar da produção em série, industrial mesmo, esses filmes até  hoje cativam os fãs de faroeste, uma vez que eram sempre caprichados! Dessa maneira ele se despediu dos anos 40 com os seguintes filmes lançados em sequência: Águas Sangrentas, A Volta dos Homens Maus, Sete Homens Maus, Devastando Caminhos, A Lei é Implacável e O Lutador. Desnecessário dizer que seus fãs adoraram essa verdadeira maratona de faroestes com Scott. Ele, com tantos sucessos, acabaria entrando inclusive na seleta lista dos dez atores mais populares do ano!

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 4 de junho de 2024

A Lei da Fronteira

Título no Brasil: A Lei da Fronteira
Título Original: Frontier Marshal
Ano de Produção: 1939
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Allan Dwan
Roteiro: Stuart N. Lake, Sam Hellman
Elenco: Randolph Scott, Nancy Kelly, Cesar Romero

Sinopse:
Tombstone é uma cidade infestada de bandidos. Conhecida por ser uma terra sem lei, a região acaba se tornando ponto de encontro de assassinos, assaltantes de trem e facínoras em geral. Aterrorizados, os cidadãos de bem do local resolvem eleger um novo xerife! Para a função terá que ser escolhido alguém realmente rápido no gatilho, que esteja disposto a enfrentar o crime sem medo, pois não será fácil limpar toda aquela sujeira. A escolha acaba caindo nos ombros de Wyatt Earp (Randolph Scott) que está disposto a impor a lei e a ordem novamente na pequena Tombstone. 

Comentários:
Esse é certamente um dos mais clássicos filmes da carreira de Randolph Scott. Não poderia ser diferente, afinal de contas ele interpreta o lendário xerife e homem da lei Wyatt Earp! A junção desses dois mitos não poderia resultar em nada menos do que memorável. Curiosamente, apesar de ser reconhecidamente um dos melhores filmes já feitos sobre o tiroteio do O.K. Corral, o roteiro toma certas liberdades com a história real. Só para citar a mais famosa delas, aqui temos a morte de Doc Halliday (Cesar Romero), que antecede o famoso confronto entre Earp e os bandoleiros no famoso curral de Tombstone. Na história real Doc não morreu como mostrado no filme, pelo contrário, ele vai até o O.K. para enfrentar ao lado de Earp todo o bando de criminosos naquele que, até hoje, é considerado o maior duelo da história do velho oeste. Isso porém não desmerece as qualidades de um western clássico que é extremamente bem realizado. Randolph Scott está perfeito em seu papel e até mesmo Cesar Romero convence plenamente como Doc, o dentista jogador e tuberculoso que se tornou um dos mais conhecidos pistoleiros da mitologia do western americano. Mais um exemplo do talento do subestimado cineasta Allan Dwan. Em suma, um título para se ter na coleção, assim você poderá sempre rever o mito Randolph Scott na pele do mais famoso xerife de todos os tempos.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 14 de maio de 2024

A Heroína do Texas

Título no Brasil: A Heroína do Texas
Título Original: The Texans
Ano de Lançamento: 1938
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: James P. Hogan
Roteiro: Bertram Millhauser, Paul Sloane
Elenco: Randolph Scott, Joan Bennett, May Robson

Sinopse:
Após a Guerra Civil, um ex-soldado confederado enfrenta novas batalhas, incluindo os membros de uma quadrilha de bandidos que tentam roubar uma jovem indefesa. E ele terá que ser um às do gatilho para vencer todos aqueles bandidos. 

Comentários:
Depois do sucesso comercial de "O Último dos Moicanos" o ator Randolph Scott deu um tempo nas fitas de faroeste. E isso surpreendeu muita gente já que todos esperavam que ele iria cair com tudo no gênero para aproveitar o sucesso. Apenas algum tempo depois é que ele voltaria a usar chapéu de cowboy, botas e esporas para montar seu belo cavalo branco. Isso voltaria a acontecer em "A Heroína do Texas" (The Texans), boa produção dirigida pelo cineasta James P. Hogan. O que chamava bastante a atenção aqui é que todas as atenções do roteiro iam para a mocinha do filme e não para o herói. Algo raro em um estilo cinematográfico tão voltado para o público masculino. Era algo novo e inovador, algo que poucos tinham feito em Hollywood naquele período histórico do cinema americano. A estrelinha do filme, a atriz Joan Bennett, foi até mesmo creditada na frente do astro Randolph Scott. isso mostrava também como ele poderia ser generoso com as colegas de profisssão. Ele vinha de um sucesso de bilheteria e poderia muito bem calçar seu ego de astro de western em Hollywood e exigir seu nome em primeiro lugar nos créditos do filme. Porém não fez isso. Foi bem humilde e companheiro, sendo usado até mesmo como escada da jovem atriz. 

Pablo Aluísio.

terça-feira, 26 de março de 2024

Domador de Motins

Título no Brasil: Domador de Motins
Título Original: Fort Worth
Ano de Produção: 1951
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Edwin L. Marin
Roteiro: John Twist
Elenco: Randolph Scott, David Brian, Phyllis Thaxter

Sinopse:
Após o fim da guerra civil americana o veterano confederado Ned Britt (Randolph Scott) volta para sua terra natal com a convicção de retomar os rumos de sua vida. Pretende participar da reconstrução de sua cidade para quem sabe tornar o lugar uma metrópole próspera e moderna. Seus planos porém esbarram na mentalidade atrasada de certas pessoas da região. Além disso tem que enfrentar um bando criminoso liderado pelo pistoleiro Gabe Clevenger (Ray Teal). Ele domina a região e não está disposto a abrir mão disso em prol de um maior desenvolvimento para aquele lugar. Afinal quem vencerá esse duelo mortal?

Comentários:
Ah, como eram bons os filmes de faroeste estrelados pelo mito Randolph Scott! Não havia tempo a perder com abobrinhas e os roteiros, extremamente eficientes, traziam por pouco mais de uma hora e meia de duração, todos os mais caros valores do velho oeste americano. Honra, bravura e honestidade eram particularmente valorizados e respeitados nessas estórias. O personagem de Scott aqui é um sujeito extremamente bem intencionado que quer sobretudo o desenvolvimento de sua cidade natal. O problema é que nem sempre isso é almejado por todos, principalmente por aqueles que prosperam e vivem da miséria alheia (nós, brasileiros, entendemos muito bem essa situação). O que se sobressai nesse ótimo faroeste é o tour de fource entre a velha maneira de entender os problemas de uma cidade e a nova mentalidade de avançar em frente, rumo à modernidade. Acho esse roteiro (de autoria de John Twist) muito bem escrito pois consegue passar através de um enredo relativamente simples uma mensagem muito edificadora. Um western socialmente consciente que nos ajuda a abrir os olhos sobre os males que nos atingem como sociedade e como nação.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Terra do Inferno

Dentre todos os filmes da carreira de Randolph Scott esse é um dos que trazem a melhor trama. Scott interpreta Owen Merritt, um pequeno rancheiro que vê sua namorada se casar com um fazendeiro rico e poderoso, Will Isham (Alexander Knox), dono do Rancho Skull. Ela está se casando por puro interesse e Merritt se resigna sobre tudo. O problema é que a rivalidade entre eles não se resume a assuntos amorosos. Will pretende comprar todas as propriedades que cercam sua fazenda para assim dominar completamente a região mas Merritt se recusa a vender o seu rancho. Para intimidar e mudar sua decisão o poderoso dono de terras então resolve contratar um pistoleiro, Fay Dutcher (Richard Rober), que começa a cometer atos de terror contra Merritt e seus homens. O objetivo é intimidar o máximo possível para que ele finalmente venda suas terras. Há muitas nuances interessantes nesse roteiro. O personagem de Randolph Scott se vê praticamente forçado a agir contra os desmandos de Will e seu grupo armado, principalmente depois que seus dois principais homens, dois jovens cowboys, são covardemente assassinados.

“Terra do Inferno” é mais uma produção do próprio Randolph Scott na Columbia. Aqui o ator investiu em um bom roteiro para contar um enredo aparentemente simples mas que prende a atenção do espectador da primeira à última cena. O filme mostra um processo que foi bem comum na colonização do velho oeste: a formação de grandes latifúndios, criados através da compra de pequenos ranchos de proprietários que se viam muitas vezes obrigados a vender suas terras com medo de serem mortos. Algumas seqüências de “Terra do Inferno” são realmente ótimas como uma luta numa cachoeira congelada em Cânion Rock e um tiroteio às escuras em um saloon infestado de facínoras. 

Outras cenas marcantes ocorrem quando os capangas de Will causam um estouro da manada de Scott, causando muitos danos ao seu rebanho. Outro bom momento acontece no clímax do filme quando Scott finalmente enfrenta em um duelo o pistoleiro Dutcher, tudo no meio de uma tempestade de areia. O roteiro ainda traz alguns alívios cômicos (para a trama não ficar pesada demais) e até um belo número musical cantado por Tennessee Ernie Ford durante um acampamento noturno. Em suma, “Terra do Inferno” é certamente um dos melhores faroestes da carreira de Randolph Scott.
 

Terra do Inferno (Man in the Saddle, Estados Undos, 1951) Direção: André De Toth / Roteiro: Kenneth Gamet, baseado no livro de Ernest Haycox / Elenco: Randolph Scott, Joan Leslie, Ellen Drew, Alexander Knox, Richard Rober, Tennessee Ernie Ford / Sinopse: Rico fazendeiro começa a intimidar e aterrorizar rancheiros menores para comprar suas terras. Contra essa situação de terror se levanta um pequeno proprietário de terras que enfrentará a situação de frente.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Randolph Scott e o Velho Oeste - Parte 11

O filme "Suzana" (Susannah of the Mounties) foi lançado em 1939. Com direção da dupla de cineastas William A. Seiter e Walter Lang (esse último não creditado), o faroeste contava uma história interessante. O roteiro mostrava um problema que nem sempre era tratado pelos filmes da época. A questão das crianças órfãs, quando os pais eram mortos em conflitos entre os colonizadores e os índios. Quem cuidava dessas crianças? Scott aqui interpreta o bom homem que resolve adotar uma dessas órfãs. Curiosamente esse filme foi colorizado, mas prefiro muito mais a versão original, em preto e branco.

O filme seguinte segue sendo muito especial para fãs do western. Isso porque nessa produção o ator Randoloh Scott interpretou ninguém menos do que o lendário xerife Wyatt Earp. Estou me referindo, é claro, a um dos personagens mais mitológicos do velho oeste americano. Um personagem histórico, que realmente existiu. "A Lei da Fronteira" (Frontier Marshal, Estados Unidos, 1939) é um desses filmes até complicados de achar, mas caso você consiga não deixe de adquirir para sua coleção de filmes clássicos e de western. Item indispensável.

O filme seguinte de Scott não foi um faroeste ao velho estilo, mas sim um filme de guerra chamado "Vigilantes do Mar" (Coast Guard, Estados Unidos, 1939). Um filme bem pouco conhecido hoje em dia, mas que seguiu o clima de euforia que se seguia naqueles tempos conturbados. Não é desnecessário lembrar que o mundo estava nas vésperas do maior conflito da história, a II Grande Guerra Mundial. Com os ânimos patrióticos em alta, os estúdios corriam para faturar em cima desse tipo de sentimento dos americanos.

E o fim da década de 1930 chegou para Scott com o lançamento de sua último filme dos anos 30, chamado "20.000 Homens por Ano" (20,000 Men a Year, Estados Unidos, 1939). Dirigido por Alfred E. Green, também era um filme sobre militarismo, mas ao invés da marinha do filme anterior, tínhamos aqui a história de um piloto da força aérea. Os fãs curtiram e prestigiaram, mas o fato é que as pessoas (principalmente os mais jovens) queriam ver Randolph Scott interpretando cowboys e não aviadores. E o ator entendeu bem esse recado.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

Randolph Scott e o Velho Oeste - Parte 10

Depois do sucesso comercial de "O Último dos Moicanos" o ator Randolph Scott deu um tempo nas fitas de faroeste. E isso surpreendeu muita gente já que todos esperavam que ele iria cair com tudo no gênero para aproveitar o sucesso. Apenas algum tempo depois é que ele voltaria a usar chapéu de cowboy, botas e esporas para montar seu belo cavalo branco. Isso voltaria a acontecer em "A Heroína do Texas" (The Texans), boa produção dirigida pelo cineasta  James P. Hogan. O que chamava bastante a atenção aqui é que todas as atenções do roteiro iam para a mocinha do filme e não para o herói. Algo raro em um estilo cinematográfico tão voltado para o público masculino. Era algo novo e inovador, algo que poucos tinham feito em Hollywood naquele período histórico do cinema americano.

A estrelinha do filme, a atriz Joan Bennett, foi até mesmo creditada na frente do astro Randolph Scott. isso mostrava também como ele poderia ser generoso com as colegas de profisssão. Ele vinha de um sucesso de bilheteria e poderia muito bem calçar seu ego de astro de western em Hollywood e exigir seu nome em primeiro lugar nos créditos do filme. Porém não fez isso. Foi bem humilde e companheiro, sendo usado até mesmo como escada da jovem atriz. A sinopse era padrão: "Após a Guerra Civil, um ex-soldado confederado enfrentava novas batalhas, incluindo os membros de uma quadrilha de bandidos que tentavam roubar uma jovem indefesa".

Após esse filme Scott atuou em um drama chamado "Almas sem Rumo". Um bom filme, mas também um pouco cheio de clichês melodramáticos típicos daquele período. Isso porém logo foi esquecido porque ele voltaria ao velho oeste em um grande clássico do cinema, "Jesse James". Esse é considerado um dos melhores filmes de western já feitos. Dirigido pelo ótimo Henry King, trazendo um excelente elenco que contava com Tyrone Power e Henry Fonda como os irmãos foras-da-lei James, esse é um daqueles filmes que até hoje são debatidos e reprisados por fãs de faroeste clássico em sua era de ouro.

Em uma produção com tantos astros e estrelas, Randolph Scott acabou sendo escalado para um personagem secundário, porém não menos importante. Will Wright. Porém o mais importante desse filme é que o ator percebeu que o segredo para fazer fortuna em Hollywood era produzir seus próprios filmes. Ele teve a ideia, justamente nesse set de filmagens, de começar a ele mesmo produzir uma série de filmes de cowboy, algo que o tornaria um dos atores mais ricos de Hollywood nos anos seguintes.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Randolph Scott e o Velho Oeste - Parte 9

Quatro anos antes do clássico "E O Vento Levou" chegar nas telas de cinema o ator Randolph Scott estrelou em um filme muito parecido com aquele dirigido por Fleming. Se tratava de "Noivado na Guerra" (So Red the Rose), um romance épico passado durante a guerra civil dos Estados Unidos. Scott era esse homem comum, com planos para se casar, ter filhos e morar em seu rancho, que via todos os seus planos de vida irem para o buraco com a eclosão de um dos conflitos armados mais sanguinários da história daquela nação.

A produção requintada e caprichada chamava bem a atenção. O próprio Randolph Scott dizia a todos que esse era até aquele momento seu filme mais bem realizado. Só que infelizmente com a chegada de "E O Vento Levou" alguns anos depois, ninguém mais iria se lembrar desse primeiro filme. "Quando eu assisti ao filme de Clark Gable me lembrei imediatamente do meu, mas aí já era tarde demais!" - Brincaria o ator durante uma entrevista.

Bem menos pretensioso foi o filme posterior de Scott. Era uma crônica social sobre costumes da época chamado de "Escândalo na Aldeia" (Village Tale). O enredo se passava todo dentro de uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos, onde praticamente todos os moradores se conheciam. Randolph Scott era o jovem rapaz que começava a virar alvo de fofocas dentro da cidadela. Os boatos diziam que ele estava envolvido com uma mulher mais velha e casada. Imagine então os problemas vindos de uma fofoca maldosa como essa. Foi um bom filme, mas com resultado comercial apenas modesto.

Os fãs do ator queriam ver mesmo eram índios, lutas, tiroteios, duelos e cavalos. Assim Scott voltou ao velho oeste no grande sucesso "O Último dos Moicanos" (The Last of the Mohicans). O filme surpreendeu se tornando uma das maiores bilheterias do ano. Também caiu nas graças da crítica, chegando a ter três indicações ao Oscar, um feito e tanto. A história se passava durante a colonização pioneira dos Estados Unidos. Scott com figurino de Daniel Boone enfrentava os perigos daquelas terras desconhecidas. Uma das maiores ameaças vinha justamente dos nativos conhecidos como moicanos, com seus penteados bem característicos (imitados pelos punks séculos depois) e uma fúria violenta contra o homem branco que vinha para invadir suas terras.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Randolph Scott e o Velho Oeste - Parte 8

Randolph Scott surgiu nos cinemas com seu novo filme intitulado "Perigo à Frente". Era um western, gênero pelo qual ele ia ficando cada vez mais afeiçoado, não apenas pelas boas bilheterias, mas também pela excelente receptividade que vinha da crítica. O ator tinha mesmo o porte e o visual perfeito para filmes do velho oeste e ele pareceu entender bem isso na época. Esse filme foi todo rodado no rancho que servia de estúdio para a Paramount Pictures. Um lugar bonito, espaçoso, onde uma equipe de cinema tinha toda a estrutura adequada para trabalhar.

O curioso é que o roteiro trazia um enredo que se passava no Alasca, envolvendo dois homens e uma mulher numa aventura que envolvia minas, bandidos e tiroteios. Mesmo não sendo o lugar perfeito para reproduzir o Alasca nevado, do frio intenso, os técnicos do filme deram um jeito para tornar tudo crível. A direção desse faroeste foi entregue pela Paramount a Arthur Jacobson, veterano do cinema mudo. O roteiro era novamente baseado em um conto escrito por Zane Grey, autor bastante popular naquela década, a ponto inclusive do poster do filme trazer seu nome em destaque.

É interessante notar que nesse ano de 1935 o ator realizou poucos filmes. Ele havia sofrido uma queda de cavalo que o deixou fora de combate por alguns meses. Quando finalmente viu que estava bem novamente escolheu um filme mais ameno para atuar. Nada de cavalos ou perseguições perigosas pelo deserto do Arizona. Assim Scott surgiu no romance dançante estilo "champagne e bolhas" intitulado "Nas Águas da Esquadra". Embora o título do filme leve muita gente a pensar que se tratava de um filme de guerra com a marinha americana, ele era na realidade um musical, com muita dança e números coreografados. Randolph Scott não era a estrela da fita, mas sim o inesquecível casal formado por Fred Astaire e Ginger Rogers.

O ator só voltaria a montar um cavalo e vestir suas roupas de cowboy no faroeste "O Inválido Poderoso" (Rocky Mountain Mystery). Mais uma adaptação de um livro de western assinado por Zane Grey. Em algumas cenas Randolph Scott surgia mancando o que levou o diretor Charles Barton a lhe perguntar se estava tudo bem, tudo OK. O ator disse que não havia problemas, que eles deveriam continuar a rodar o filme. A história girava em torno do assassinato de vários herdeiros de uma rica mina no Texas. Cabia a Scott tentar desvendar o mistério. Bom filme, valorizado por uma bonita fotografia em preto e branco. Além disso o tal mistério envolvendo os crimes mantinha o espectador interessado até o final do filme.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Randolph Scott e o Velho Oeste - Parte 7

Depois de atuar em um drama chamado "Sonho Desfeito" onde interpretava um jovem médico que tentava superar a morte de sua esposa, o ator Randolph Scott voltou para os filmes de faroeste. A nova produção se chamava "O Último Assalto" (The Last Round-Up, EUA, 1934). Aqui já vejo Scott bem no tipo de papel que iria se eternizar em sua filmografia nos anos que viriam pela frente.

O filme era uma refilmagem de uma produção do cinema mudo. Um faroeste B dirigido por um grande diretor, o sempre lembrado Henry Hathaway, um dos cineastas mais consagrados da era de ouro do cinema americano. Na trama Randolph Scott interpretava um ex fora-da-lei que só tinha um sonho: se casar com a garota que amava para depois tocar seu rancho em paz. Tudo porém vai por água abaixo quando uma quadrilha de ladrões de gado chegava em sua região para espalhar medo e terror. Ao mesmo tempo velhos comparsas o seduziam para realizar um último roubo a banco, algo que o coloca em uma situação bem delicada.

"Amor em Trânsito" (Wagon Wheels, EUA, 1934) veio logo a seguir. Mais um filme de western. Aqui o estilo foi mais focado para a pura ação, o que os americanos gostam de denominar de um autêntico filme bang-bang. No enredo um trem em disparada atravessava o oeste selvagem enquanto todos procuravam detê-lo de alguma forma, sejam os habituais bandoleiros, ladrões de trens e locomotivas, sejam os próprios índios em busca de escalpos dos homens brancos que ousavam invadir suas terras com aqueles "cavalos de metal".

Bem movimentado, foi uma parceria bem sucedida entre o ator Randolph Scott e o diretor Charles Barton. Novamente o roteiro era inspirado em um livro de western escrito por Zane Grey que foi um dos escritores mais populares da época nesse tipo de gênero cinematográfico, tendo vários de seus romances adaptados para as telas de cinema. Mais um western produzido pela Paramount Pictures, que seria um estúdio muito habitual para Scott nessa fase de sua carreira no cinema.

Pablo Aluísio.