terça-feira, 3 de março de 2026
Talhado em Granito
Uma das maiores curiosidades na realização desse filme foi que durante praticamente todas as filmagens Randolph Scott contou com a presença do ator e amigo Cary Grant no set. Grant foi à região apenas para visitar o amigo, mas gostou tanto que resolveu ficar uma semana acompanhando os trabalhos. Scott não poderia ficar mais contente já que com Grant lhe fazendo companhia eles poderiam relembrar os bons tempos quando eram apenas jovens atores tentando alcançar um lugar ao sol em Hollywood. Agora, já astros consagrados, podiam relaxar e curtir a bonita região juntos. Cary Grant tentou inclusive convencer o amigo a largar um pouco os filmes de western para realizar outros tipos de filmes. A resposta de Randolph Scott foi muito interessante: “Os filmes de western são uma mina de ouro. São baratos, fáceis de vender e muito comerciais. Além disso gosto de cavalgar e cortejar a mocinha. Sou bom nisso!”. E era mesmo, como podemos confirmar aqui em “Talhado em Granito”, uma fita de rotina mas que mantém um charme incrível mesmo nos dias atuais. Se você é fã do cinema eficiente de Randolph Scott não deixe de assistir.
Talhado em Granito (Sugarfoot, Estados Unidos, 1951) Direção: Edwin L. Marin / Roteiro: Russell S. Hughes baseado no livro de Clarence Budington Kelland / Elenco: Randolph Scott, Adele Jergens, Raymond Massey / Sinopse: Ex-oficial da guerra civil reencontra seus velhos inimigos no distante Arizona. Agora terá que decidir entre acertar devidamente as contas ou esquecer o passado para seguir em frente na sua vida.
Pablo Aluísio.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
Fibra de Herói
"Homem errado no lugar errado" essa é a premissa desse "Fibra de herói", mais um parceria entre o ator Randolph Scott e o talentoso diretor Budd Boetticher. Juntos fariam alguns dos melhores westerns da década de 50, geralmente com Scott como produtor (ao lado de seu sócio Brown) e Boetticher como diretor. São faroestes eficientes, bem mais centrados em uma boa trama do que em produções de encher os olhos. "Fibra de Herói" tem todas essas características. A pequena cidade onde Scott vai parar e é condenado à forca é totalmente dominada pela mesma família. O corrupto xerife Lew Agry (Barry Kelley) é irmão do juiz Simon Agry (Tol Avery), que por sua vez também tem laços de sangue com Amos Agry (Peter Whitney) que cuida do único hotel da cidade. Juntos os três brigam entre si por poder, dinheiro e dominação. São víboras de uma mesma ninhada.
Em uma cidade assim, onde a família Agry manda em praticamente tudo o personagem de Randolph Scott certamente se encontra em sérios problemas pois ele é acusado injustamente de matar o fllho do juiz Simon, o desordeiro, bêbado e arruaceiro Roy Agry (William Leslie). Seria uma ironia sobre a política americana da época, também dominada por famílias poderosas e corruptas? Vindo do diretor Budd Boetticher tudo é possível. A tônica do filme é parecida com a de um jogo de pôquer do velho oeste onde todos se mostram extremamente gananciosos. A cena final, um grande tiroteio envolvendo a posse de uma mala cheia de dinheiro (50 mil dólares em espécie), mostra bem isso. Com tanta grana em jogo ninguém mais reconhece ninguém, irmão atira em irmão e qualquer laço de parentesco desaparece sob uma chuva de balas.
Embora muito bom, inclusive tecnicamente, "Fibra de Herói" se revela curioso porque o personagem de Randolph Scott apenas tangencia a trama principal. De fato ele fica bastante tempo fora de cena mostrando que é em essência um personagem secundário. Isso pode ter até mesmo aborrecido os fãs do ator cowboy na época. Como o roteiro é baseado em uma novela de Jonas Ward não houve como mudar isso. De qualquer modo temos aqui um faroeste típico de Randolph Scott, mesmo que atuando apenas discretamente em um personagem não tão central como estamos acostumados a ver. Recomendo.
Fibra de Herói (Buchanan Rides Alone, EUA, 1959) Direção: Budd Boetticher / Roteiro: Charles Lang baseado na novela de Jonas Ward / Elenco: Randolph Scott, Craig Stevens, Barry Kelley / Sinopse: A caminho do Texas onde pretende comprar um rancho para começar vida nova, um cowboy (Randolph Scott) é injustamente acusado de ser cúmplice na morte do filho do juiz da cidade. Agora ele terá que lutar por sua vida e sua inocência.
Pablo Aluísio.
terça-feira, 30 de dezembro de 2025
De Arma em Punho
“De Arma em Punho” é mais uma produção com o ator Randolph Scott para a Warner. Esse aqui tem um roteiro bem mais trabalhado com uma intrigada trama que provavelmente vá confundir um pouco o espectador menos atento. Callicut (Scott) pode ser tanto um desertor do exército, como também um espião enviado pelo governo americano para investigar os problemas envolvendo os rebeldes californianos. O filme foi rodado praticamente todo dentro do estúdio. Existem cenas em locações reais, mas essas são geralmente pontuais, feitas com uma segunda unidade. As principais sequências que contam com Scott e o elenco principal, são praticamente todas recriadas em cenários dentro dos estúdios da Warner. Hoje em dia esse tipo de técnica é facilmente perceptível. Alguns não gostam, pois soa artificial, mas pessoalmente acho tudo muito charmoso e elegante. O horizonte ao longe é pintado, por exemplo, mas tudo com tão bom gosto que não há como se aborrecer com detalhes assim.
Além dos costumeiros tiroteios e perseguições “De Arma em Punho” ainda tem uma dupla de atores mais cômicos (um se veste de mulher para enganar os rebeldes) e duas sequências musicais com canções cantadas em espanhol pela atriz e intérprete Lina Romay. Para os fãs de Randolph Scott é bom salientar que "Stardust", seu lindo cavalo Palomino branco e marrom, está em cena, mostrando todo seu porte imponente e beleza. Em conclusão é isso, mais um bom filme com Scott que ainda conta com o diferencial de mostrar pequenos toques de mistério e tramas políticas. "De Arma em Punho" é um eficiente western da década de 50 que deve ser assistido pelos fãs do gênero.
De Arma em Punho (The Man Behind the Gun, Estados Unidos, 1953) Direção: Felix E. Feist / Roteiro: John Twist, Robert Buckner / Elenco: Randolph Scott, Patrice Wymore, Dick Wesson / Sinopse: Um forasteiro recém chegado a Los Angeles pode ser tanto um simples professor como um perigoso pistoleiro e desertor do exército norte-americano. A região está instável pois um grupo rebelde luta pela secessão do sul da Califórnia do resto do país.
Pablo Aluísio.
terça-feira, 4 de novembro de 2025
Colt 45
O elenco de Colt .45 chama atenção por causa da presença de Lloyde Bridges (o pai de Beau e Jeff Bridges). Seu papel é um tanto secundário, mas ele se esforça para ser notado. Como sua esposa a estrelinha Ruth Roman, amiga pessoal de Randolph Scott que apesar da extensa filmografia (mais de cem filmes!) nunca conseguiu se tornar uma estrela de primeira grandeza. O diretor Edwin L. Marin era muito produtivo, mas morreu pouco tempo depois da realização desse filme. Era um diretor de estúdio e fazia o que lhe era pedido pelos produtores. Realizador competente, conseguiu bons resultados mesmo em produções B como essa. Já Randolph Scott mais uma vez assina a produção, já que ele percebeu que ganharia muito mais produzindo seus próprios filmes do que trabalhando para outros produtores. Acabou ficando muito rico com essa ideia, até porque na época nenhum gênero cinematográfico era mais popular e lucrativo do que o faroeste. Enfim, temos aqui um western bem no estilo bangue-bangue. É uma fita muito boa, eficiente e divertida. Vale a pena assistir. Para os nostálgicos então, é programa praticamente obrigatório.
Colt .45 (Colt .45, Estados Unidos, 1950) Estúdio: Warner Bros / Direção: Edwin L. Marin / Roteiro: Thomas W. Blackburn / Elenco: Randolph Scott, Ruth Roman, Lloyde Bridges, Zachary Scott, Alan Hale, Ian MacDonald / Sinopse: Vendedor de armas da marca Colt é assaltado no escritório de um xerife do velho oeste. Agora ele vai precisar recuperar todas as armas, mesmo que para isso tenha que enfrentar uma perigosa quadrilha de bandidos.
Pablo Aluísio.
terça-feira, 21 de outubro de 2025
Obrigado a Matar
Calem Ware (Randolph Scott) é um xerife numa pequena cidade do velho oeste. Habitualmente ele tem que lidar com forasteiros, arruaceiros e bêbados em geral. Mas não é só a isso que se resume a vida de um homem da lei naquele ambiente hostil. Por ter um passado de muitos duelos ele também tem que enfrentar a presença de vários pistoleiros que de um jeito ou outro querem acabar com sua fama de rápido no gatilho. “Obrigado a Matar” mostra o cotidiano de um xerife naqueles tempos onde o colt era a única autoridade que realmente era respeitada. O roteiro é excelente e mostra alguns dias na vida desse homem da lei. Sem família, morando numa pensão, muitas vezes sem remuneração adequada, ele tem que diariamente se impor aos valentões que chegam na cidade. Uma das regras que determina é a proibição de usar armas dentro da comunidade. Isso obviamente lhe traz todo tipo de problema com os facínoras que não aceitam ser desarmados. Outro aspecto muito bem retratado no filme é a vida pessoal do xerife. Ele tem um longo relacionamento com uma atriz de teatro, Tally Dickenson (Angela Lansbury), mas sua vida amorosa é prejudicada pela vida que leva. Afinal qual mulher não ficaria apreensiva em se relacionar com um homem que a qualquer momento pode ser alvejado por algum bandido? Não é definitivamente um romance de sonhos.
Randolph Scott está muito bem em seu papel. Após matar um pistoleiro que o desafia, ele volta para sua delegacia e podemos sentir toda a tensão e stress que passa naquele momento. É um dos personagens mais humanos interpretados pelo ator. Ao contrário de xerifes durões de outros filmes que nada sentem, esse aqui tem crises de consciência após matar mais um criminoso. Em essência é um bom homem, cheio de grandes valores e virtudes que tem que lidar com a escória da sociedade. Outro momento marcante de “Obrigado a Matar” acontece em um saloon, onde Scott é atingido na cabeça por um tiro certeiro. Em determinado momento quase acreditei que assistiria ao primeiro filme de Scott onde o eterno mocinho morreria na cena seguinte! Felizmente em pouco tempo as coisas voltam ao normal. Em suma, “Obrigado a Matar” tenta trazer o lado mais humano desses profissionais que tentaram durante todo o período do velho oeste americano trazer alguma lei e ordem nas cidades onde atuavam. Verdadeiros heróis da colonização do oeste bravio e selvagem que recebem nessa produção uma merecida homenagem.
Pablo Aluísio.
terça-feira, 29 de abril de 2025
Indomável
Título Original: The Spoilers
Ano de Produção: 1942
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Ray Enright
Roteiro: Rex Beach, Lawrence Hazard
Elenco: Marlene Dietrich, Randolph Scott, John Wayne, Margaret Lindsay, Harry Carey
Sinopse:
Durante a corrida do ouro no século XIX, dois mineiros e exploradores, Roy Glennister (John Wayne) e Al Dextry (Harry Carey), tentam descobrir uma mina com o valioso metal nas montanhas geladas da região, financiados pela cantora de saloons Cherry Malotte (Marlene Dietrich). Antes porém terão que enfrentar o ganancioso Alexander McNamara (Randolph Scott) que também está de olho em toda aquela riqueza mineral do subsolo. Roteiro baseado na novela escrita por Rex Beach.
Comentários:
O elenco desse western é simplesmente maravilhoso. Imagine ter em um mesmo cast três grandes nomes da história do cinema, a saber: John Wayne, Randolph Scott e Marlene Dietrich. Para fãs de faroeste ter dois grandes mitos do gênero na mesma produção já é algo que o torna completamente obrigatório. É uma pena que Wayne e Scott não tenham trabalhado mais vezes juntos. Além de grandes ícones do estilo, eles se entrosavam muito bem em cena. Talvez o fato de Randolph Scott ter abandonado o cinema no começo da década de 1960 explique a ausência de mais filmes com a dupla. Infelizmente Scott pendurou as esporas cedo demais, já que John Wayne seguiria trabalhando até o fim de sua vida e após a aposentadoria de Scott entraria numa das fases mais importantes de sua carreira, estrelando grandes clássicos do cinema de faroeste. Já Marlene Dietrich repete de certa forma um tipo de papel que seria muito comum e recorrente em sua filmografia, a da cantora e dançarina de cabarés, esbanjando sensualidade e uma personalidade forte e marcante - o que no final das contas a tornavam ainda mais sensual e atraente para os homens. Já que o filme se passa no velho oeste seu cenário se torna um saloon, cheio de pistoleiros, cowboys e toda a fauna típica desse tipo de filme. A produção recebeu uma única indicação ao Oscar, na categoria de melhor direção de arte, mas merecia muito mais, pois é de fato um faroeste acima da média, bem marcante, que hoje em dia frequenta tranquilamente todas as listas dos cem maiores títulos do gênero.
Pablo Aluísio.
terça-feira, 8 de abril de 2025
Homens que são Feras
quarta-feira, 5 de março de 2025
A Vingança dos Daltons
Título Original: When the Daltons Rode
Ano de Produção: 1940
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: George Marshall
Roteiro: Harold Shumate, Emmett Dalton
Elenco: Randolph Scott, Kay Francis, Brian Donlevy
Sinopse:
Tod Jackson (Randolph Scott) é um jovem advogado que vai até o distante Kansas para visitar seus clientes e amigos, os Daltons, que possuem um belo e próspero rancho na região. O problema agora é que uma poderosa empresa cobiça as terras dos Daltons e estão dispostos a colocar as mãos naquela propriedade de todas as formas possíveis, inclusive levantando falsas acusações de crimes contra todos os que ousam desafiar o poder da companhia.
Comentários:
Mais um ótimo western com o mito Randolph Scott. Infelizmente é uma de suas produções menos lembradas, já que após sua estreia nos cinemas ficou décadas fora de circulação - só mais recentemente foi relançado nos Estados Unidos dentro de um box de DVDs que resgatou parte da filmografia esquecida do eterno cowboy do velho oeste. Alguns aspectos merecem menção. Como se sabe com a expansão das estradas de ferro rumo ao Pacífico muitas companhias entraram em atritos com rancheiros e fazendeiros que não abriam mão de suas terras - justamente aquelas por onde os trilhos teriam que passar. Quando o dinheiro não bastava para convencer a venda dessas terras entrava em ação bandoleiros contratados por essas empresas para intimidar e coagir a venda, muitas vezes usando de métodos violentos e ilegais. Esse pedaço esquecido da história serve justamente de mote para esse bom faroeste que certamente agradará em cheio aos fãs do western mais clássico do cinema americano.
Pablo Aluísio.
terça-feira, 11 de fevereiro de 2025
O Tesouro do Bandoleiro
terça-feira, 21 de janeiro de 2025
Véspera de Natal
terça-feira, 31 de dezembro de 2024
Randolph Scott e o Velho Oeste - Texto 12
terça-feira, 4 de junho de 2024
A Lei da Fronteira
Título Original: Frontier Marshal
Ano de Produção: 1939
País: Estados Unidos
Estúdio: Twentieth Century Fox
Direção: Allan Dwan
Roteiro: Stuart N. Lake, Sam Hellman
Elenco: Randolph Scott, Nancy Kelly, Cesar Romero
Sinopse:
Tombstone é uma cidade infestada de bandidos. Conhecida por ser uma terra sem lei, a região acaba se tornando ponto de encontro de assassinos, assaltantes de trem e facínoras em geral. Aterrorizados, os cidadãos de bem do local resolvem eleger um novo xerife! Para a função terá que ser escolhido alguém realmente rápido no gatilho, que esteja disposto a enfrentar o crime sem medo, pois não será fácil limpar toda aquela sujeira. A escolha acaba caindo nos ombros de Wyatt Earp (Randolph Scott) que está disposto a impor a lei e a ordem novamente na pequena Tombstone.
Comentários:
Esse é certamente um dos mais clássicos filmes da carreira de Randolph Scott. Não poderia ser diferente, afinal de contas ele interpreta o lendário xerife e homem da lei Wyatt Earp! A junção desses dois mitos não poderia resultar em nada menos do que memorável. Curiosamente, apesar de ser reconhecidamente um dos melhores filmes já feitos sobre o tiroteio do O.K. Corral, o roteiro toma certas liberdades com a história real. Só para citar a mais famosa delas, aqui temos a morte de Doc Halliday (Cesar Romero), que antecede o famoso confronto entre Earp e os bandoleiros no famoso curral de Tombstone. Na história real Doc não morreu como mostrado no filme, pelo contrário, ele vai até o O.K. para enfrentar ao lado de Earp todo o bando de criminosos naquele que, até hoje, é considerado o maior duelo da história do velho oeste. Isso porém não desmerece as qualidades de um western clássico que é extremamente bem realizado. Randolph Scott está perfeito em seu papel e até mesmo Cesar Romero convence plenamente como Doc, o dentista jogador e tuberculoso que se tornou um dos mais conhecidos pistoleiros da mitologia do western americano. Mais um exemplo do talento do subestimado cineasta Allan Dwan. Em suma, um título para se ter na coleção, assim você poderá sempre rever o mito Randolph Scott na pele do mais famoso xerife de todos os tempos.
Pablo Aluísio.
terça-feira, 14 de maio de 2024
A Heroína do Texas
terça-feira, 26 de março de 2024
Domador de Motins
Título Original: Fort Worth
Ano de Produção: 1951
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Edwin L. Marin
Roteiro: John Twist
Elenco: Randolph Scott, David Brian, Phyllis Thaxter
Sinopse:
Após o fim da guerra civil americana o veterano confederado Ned Britt (Randolph Scott) volta para sua terra natal com a convicção de retomar os rumos de sua vida. Pretende participar da reconstrução de sua cidade para quem sabe tornar o lugar uma metrópole próspera e moderna. Seus planos porém esbarram na mentalidade atrasada de certas pessoas da região. Além disso tem que enfrentar um bando criminoso liderado pelo pistoleiro Gabe Clevenger (Ray Teal). Ele domina a região e não está disposto a abrir mão disso em prol de um maior desenvolvimento para aquele lugar. Afinal quem vencerá esse duelo mortal?
Comentários:
Ah, como eram bons os filmes de faroeste estrelados pelo mito Randolph Scott! Não havia tempo a perder com abobrinhas e os roteiros, extremamente eficientes, traziam por pouco mais de uma hora e meia de duração, todos os mais caros valores do velho oeste americano. Honra, bravura e honestidade eram particularmente valorizados e respeitados nessas estórias. O personagem de Scott aqui é um sujeito extremamente bem intencionado que quer sobretudo o desenvolvimento de sua cidade natal. O problema é que nem sempre isso é almejado por todos, principalmente por aqueles que prosperam e vivem da miséria alheia (nós, brasileiros, entendemos muito bem essa situação). O que se sobressai nesse ótimo faroeste é o tour de fource entre a velha maneira de entender os problemas de uma cidade e a nova mentalidade de avançar em frente, rumo à modernidade. Acho esse roteiro (de autoria de John Twist) muito bem escrito pois consegue passar através de um enredo relativamente simples uma mensagem muito edificadora. Um western socialmente consciente que nos ajuda a abrir os olhos sobre os males que nos atingem como sociedade e como nação.
Pablo Aluísio.
terça-feira, 12 de dezembro de 2023
Terra do Inferno
Dentre todos os filmes da carreira de Randolph Scott esse é um dos que trazem a melhor trama. Scott interpreta Owen Merritt, um pequeno rancheiro que vê sua namorada se casar com um fazendeiro rico e poderoso, Will Isham (Alexander Knox), dono do Rancho Skull. Ela está se casando por puro interesse e Merritt se resigna sobre tudo. O problema é que a rivalidade entre eles não se resume a assuntos amorosos. Will pretende comprar todas as propriedades que cercam sua fazenda para assim dominar completamente a região mas Merritt se recusa a vender o seu rancho. Para intimidar e mudar sua decisão o poderoso dono de terras então resolve contratar um pistoleiro, Fay Dutcher (Richard Rober), que começa a cometer atos de terror contra Merritt e seus homens. O objetivo é intimidar o máximo possível para que ele finalmente venda suas terras. Há muitas nuances interessantes nesse roteiro. O personagem de Randolph Scott se vê praticamente forçado a agir contra os desmandos de Will e seu grupo armado, principalmente depois que seus dois principais homens, dois jovens cowboys, são covardemente assassinados.
“Terra do Inferno” é mais uma produção do próprio Randolph Scott na Columbia. Aqui o ator investiu em um bom roteiro para contar um enredo aparentemente simples mas que prende a atenção do espectador da primeira à última cena. O filme mostra um processo que foi bem comum na colonização do velho oeste: a formação de grandes latifúndios, criados através da compra de pequenos ranchos de proprietários que se viam muitas vezes obrigados a vender suas terras com medo de serem mortos. Algumas seqüências de “Terra do Inferno” são realmente ótimas como uma luta numa cachoeira congelada em Cânion Rock e um tiroteio às escuras em um saloon infestado de facínoras.
Outras cenas marcantes ocorrem quando os capangas de Will causam um estouro da manada de Scott, causando muitos danos ao seu rebanho. Outro bom momento acontece no clímax do filme quando Scott finalmente enfrenta em um duelo o pistoleiro Dutcher, tudo no meio de uma tempestade de areia. O roteiro ainda traz alguns alívios cômicos (para a trama não ficar pesada demais) e até um belo número musical cantado por Tennessee Ernie Ford durante um acampamento noturno. Em suma, “Terra do Inferno” é certamente um dos melhores faroestes da carreira de Randolph Scott.
Pablo Aluísio.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2023
Randolph Scott e o Velho Oeste - Parte 11
O filme seguinte segue sendo muito especial para fãs do western. Isso porque nessa produção o ator Randoloh Scott interpretou ninguém menos do que o lendário xerife Wyatt Earp. Estou me referindo, é claro, a um dos personagens mais mitológicos do velho oeste americano. Um personagem histórico, que realmente existiu. "A Lei da Fronteira" (Frontier Marshal, Estados Unidos, 1939) é um desses filmes até complicados de achar, mas caso você consiga não deixe de adquirir para sua coleção de filmes clássicos e de western. Item indispensável.
O filme seguinte de Scott não foi um faroeste ao velho estilo, mas sim um filme de guerra chamado "Vigilantes do Mar" (Coast Guard, Estados Unidos, 1939). Um filme bem pouco conhecido hoje em dia, mas que seguiu o clima de euforia que se seguia naqueles tempos conturbados. Não é desnecessário lembrar que o mundo estava nas vésperas do maior conflito da história, a II Grande Guerra Mundial. Com os ânimos patrióticos em alta, os estúdios corriam para faturar em cima desse tipo de sentimento dos americanos.
E o fim da década de 1930 chegou para Scott com o lançamento de sua último filme dos anos 30, chamado "20.000 Homens por Ano" (20,000 Men a Year, Estados Unidos, 1939). Dirigido por Alfred E. Green, também era um filme sobre militarismo, mas ao invés da marinha do filme anterior, tínhamos aqui a história de um piloto da força aérea. Os fãs curtiram e prestigiaram, mas o fato é que as pessoas (principalmente os mais jovens) queriam ver Randolph Scott interpretando cowboys e não aviadores. E o ator entendeu bem esse recado.
Pablo Aluísio.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023
Randolph Scott e o Velho Oeste - Parte 10
terça-feira, 24 de janeiro de 2023
Randolph Scott e o Velho Oeste - Parte 9
Quatro anos antes do clássico "E O Vento Levou" chegar nas telas de cinema o ator Randolph Scott estrelou em um filme muito parecido com aquele dirigido por Fleming. Se tratava de "Noivado na Guerra" (So Red the Rose), um romance épico passado durante a guerra civil dos Estados Unidos. Scott era esse homem comum, com planos para se casar, ter filhos e morar em seu rancho, que via todos os seus planos de vida irem para o buraco com a eclosão de um dos conflitos armados mais sanguinários da história daquela nação.A produção requintada e caprichada chamava bem a atenção. O próprio Randolph Scott dizia a todos que esse era até aquele momento seu filme mais bem realizado. Só que infelizmente com a chegada de "E O Vento Levou" alguns anos depois, ninguém mais iria se lembrar desse primeiro filme. "Quando eu assisti ao filme de Clark Gable me lembrei imediatamente do meu, mas aí já era tarde demais!" - Brincaria o ator durante uma entrevista.
Bem menos pretensioso foi o filme posterior de Scott. Era uma crônica social sobre costumes da época chamado de "Escândalo na Aldeia" (Village Tale). O enredo se passava todo dentro de uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos, onde praticamente todos os moradores se conheciam. Randolph Scott era o jovem rapaz que começava a virar alvo de fofocas dentro da cidadela. Os boatos diziam que ele estava envolvido com uma mulher mais velha e casada. Imagine então os problemas vindos de uma fofoca maldosa como essa. Foi um bom filme, mas com resultado comercial apenas modesto.
Os fãs do ator queriam ver mesmo eram índios, lutas, tiroteios, duelos e cavalos. Assim Scott voltou ao velho oeste no grande sucesso "O Último dos Moicanos" (The Last of the Mohicans). O filme surpreendeu se tornando uma das maiores bilheterias do ano. Também caiu nas graças da crítica, chegando a ter três indicações ao Oscar, um feito e tanto. A história se passava durante a colonização pioneira dos Estados Unidos. Scott com figurino de Daniel Boone enfrentava os perigos daquelas terras desconhecidas. Uma das maiores ameaças vinha justamente dos nativos conhecidos como moicanos, com seus penteados bem característicos (imitados pelos punks séculos depois) e uma fúria violenta contra o homem branco que vinha para invadir suas terras.
Pablo Aluísio.



















