sábado, 13 de fevereiro de 2016

Olhos da Justiça

O agente do FBI Ray (Chiwetel Ejiofor) é transferido para a promotoria de Los Angeles, para trabalhar na divisão de combate ao terrorismo. Lá encontra Claire (Nicole Kidman) que também está começando no novo departamento. Formada em direito em Harvard ela tem muitas ambições na carreira. Eles inicialmente investigam as atividades de uma mesquita na cidade até que o corpo de uma jovem é encontrado nas proximidades, em um depósito de lixo. O que deixa o grupo ainda mais consternado é o fato dela ser a filha da investigadora Jess (Julia Roberts). A partir desse homicídio, Ray começa a ficar obcecado em colocar as mãos no assassino, dando origem a uma jornada obsessiva que durará anos a fio. "Olhos da Justiça" é o remake americano do filme espanhol e argentino "El Secreto de sus Ojos", produção dirigida por Juan José Campanella em 2009. A versão original foi premiada com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro naquele ano. Agora ganha sua versão americana com um belo elenco.

A história se desenvolve intercalando inúmeros flashbacks ao longo do enredo. Assim a trama avança e recua no tempo a todo momento. Isso causa alguns problemas, principalmente em relação ao elenco. A diferença entre os dois fios narrativos é de 13 anos, mas personagens como a da atriz Julia Roberts não parecem envelhecer com o tempo. Ela na verdade aparece bem envelhecida nas duas linhas do tempo (o passar dos anos não foi muito generoso com Julia, temos que reconhecer). Apesar dessa artimanha narrativa o fato é que a trama em si é bem básica, tudo se resumindo nos esforços de Ray em descobrir quem teria assassinado a filha de Jess. Não há muitas explicações convincentes sobre as causas que dão origem a essa verdadeira obsessão em sua vida, mas tudo bem, não é algo que vá atrapalhar o desenvolvimento do filme. O curioso mesmo é ver duas estrelas de primeira escalão em Hollywood como Kidman e Roberts servindo de escada para o ator Chiwetel Ejiofor. O grande problema do filme ao meu ver tem mais a ver com o final, o desfecho dos acontecimentos. A solução para o tormento do protagonista é completamente ilegal, antiético, até mesmo criminoso. O final do filme assim me pareceu completamente absurdo (e soará da mesma forma para os que tiverem o mínimo de bom senso). A única que passa incólume de tudo isso é justamente a personagem de Nicole Kidman. Ela aliás é um dos grandes atrativos para se conferir esse filme, que é bem interessante, embora nunca consiga se tornar muito acima da média. De qualquer maneira pelo elenco em si vale a pena ao menos conhecer.

Olhos da Justiça (Secret in Their Eyes, EUA, 2015) Direção: Billy Ray / Roteiro: Billy Ray, baseado no filme "El secreto de sus ojos" de Juan José Campanella / Elenco: Chiwetel Ejiofor, Nicole Kidman, Julia Roberts, Dean Norris, Alfred Molina / Sinopse: Um agente do FBI se torna completamente obcecado em resolver um caso de assassinato envolvendo a filha de uma colega de trabalho. Ao longo dos anos ele passa a perseguir suspeitos, reais e imaginários, do homicídio, até se dar conta da assombrosa verdade dos fatos. Filme vencedor do Image Awards na categoria de Melhor ator (Chiwetel Ejiofor).

Pablo Aluísio e Thaís Albuquerque.

3 comentários:

  1. Avaliação:
    Direção: ★★★
    Elenco: ★★★★
    Produção: ★★★
    Roteiro: ★★★
    Cotação Geral: ★★★
    Nota Geral: 7.8

    Cotações:
    ★★★★★ Excelente
    ★★★★ Muito Bom
    ★★★ Bom
    ★★ Regular
    ★ Ruim

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  2. Pablo, eu já assisti O Segredo dos Seus Olhos duas vezes e além do fato do original ter conexão com a ditadura argentina tornando o mais denso e crível no seu contexto reacionário, tem o Ricardo Darin que trafega com desenvoltura, talento e muita elegância, em quaisquer assuntos. Ainda tem a beleza da atriz Soledade Vilamil e a participação fundamental do constante parceiro do Darin, Guillermo Francella, que não por acaso é o ator principal do novo sucesso argentino O Clã, também premiado. Ou seja, Hollywood vai de mal a pior como esse negocio "refilmar" (eufemismo pra plagiar) do jeitão estúpido deles, filmes ótimos de outros países. Pela sua resenha da pra ver que mais uma vez isso não deu certo.

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  3. Pois é, aqui tiveram que adaptar a história para a realidade americana. Sai a ditadura militar e entra o terrorismo. Por isso também ficou estranho certos aspectos do enredo. Remakes sempre são complicados.

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