quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Os Fugitivos

Baseado em fatos históricos reais, o filme "Lonely Hearts" conta a trajetória de Ray Fernandez (Jared Leto), um patife que ganhava a vida explorando mulheres solitárias e infelizes durante a década de 1930. Usando como isca o classificado dos jornais ele procurava conquistar o coração delas com o objetivo de lhes tirar todo o dinheiro possível. Sua vida criminosa ganha uma reviravolta quando passa a ser acompanhado por sua amante, Martha Beck (Salma Hayek), que finge ser sua irmã para as vítimas. Com ela ao seu lado, Ray ganha uma insuspeita imagem de confiança e respeitabilidade que ele prontamente usa para aumentar o número de potenciais alvos. Quando alguma delas começam a lhe trazer problemas a solução passa a ser o assassinato para encobrir seus rastros. E é justamente no suicídio forjado de uma dessas mulheres que a dupla de detetives formado por Elmer Robinson (Travolta) e Charles Hilderbrandt (James Gandolfini) começa a entender a rede de crimes praticada pelo casal de psicopatas. Para Robinson a solução dos crimes passa a ser algo bem pessoal, uma vez que ele próprio está destruído emocionalmente após o suicídio de sua jovem esposa. Colocar as mãos em Ray e Martha passa a ser uma verdadeira obsessão para ele.

Gostei muito desse filme. Além da trama envolvente, explorando um fato real, a produção procura ser o mais fiel possível aos acontecimentos históricos. Durante os anos de 1937 a 1939 esse casal de assassinos praticou uma série de assassinatos terríveis em diversos estados americanos. Calcula-se que juntos tenham matado mais de vinte mulheres, a grande maioria delas viúvas da guerra ou senhoras mais velhas, solitárias e em busca de um relacionamento sério para preencher o vazio de suas vidas. O roteiro toma certas liberdades em relação a alguns detalhes dos fatos históricos, como por exemplo, transformar a psicopata Martha em uma jovem sensual e bonita (na verdade ela já era uma senhora com problemas de obesidade quando os crimes foram cometidos). Em termos de elenco eu destacaria o trabalho de Jared Leto. Ele está excepcionalmente bem na pele do psicótico Ray. O interessante é que tal como aconteceu na vida real ele também era completamente manipulado por Martha, que conforme escrevi, ganha contornos de exuberância sensual na interpretação de Salma Hayek que além de estar extremamente bela no filme, desfila uma série de elegantes figurinos de época. Entre os tiras o sempre excelente James Gandolfini defende muito bem seu personagem, porém temos que reconhecer que seu parceiro John Travolta já não se sai muito bem, o que é complicado, já que seu policial atormentado é um dos pilares dramáticos do filme como um todo. Travolta não conseguiu expressar a tempestade de emoções que seu papel exigiu. Ao invés de passar um sentimento de depressão, desespero interior e melancolia ao espectador tudo o que ele consegue transmitir é uma eterna expressão de raiva e fúria. Travolta sempre foi um ator limitado, temos que reconhecer. Mesmo assim essa é uma falha menor. O filme como um todo é realmente muito bom, altamente recomendado e resgata a história desses criminosos insanos e violentos que felizmente encontraram finalmente a justiça em uma cadeira elétrica pouco depois de terem cometido seus crimes e atrocidades contra mulheres indefesas e inocentes.

Os Fugitivos (Lonely Hearts, EUA, 2006) Direção: Todd Robinson / Roteiro: Todd Robinson / Elenco: John Travolta, James Gandolfini, Salma Hayek, Jared Leto, Scott Caan, Laura Dern / Sinopse: Um casal de psicopatas começa a procurar suas próximas vítimas usando o serviço de classificados dos jornais. Seu alvo preferido passa a ser mulheres solitárias que tenham algum dinheiro. Quando algumas delas começam a aparecer assassinadas, uma dupla de detetives do departamento de polícia de Nova Iorque entra no caso para prender os criminosos.Filme indicado ao San Sebastián International Film Festival na categoria de Melhor Direção (Todd Robinson).

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

3 comentários:

  1. Avaliação:
    Direção: ★★★★
    Elenco: ★★★★
    Produção: ★★★★
    Roteiro: ★★★★
    Cotação Geral: ★★★★
    Nota Geral: 8.2

    Cotações:
    ★★★★★ Excelente
    ★★★★ Muito Bom
    ★★★ Bom
    ★★ Regular
    ★ Ruim

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  2. Off topic: Pablo, eu assisti ontem o filme maldito do Guilherme Fontes, Chatô - O Rei do Brasil. Eu li a fabulosa biografia do Assis Chateaubriand, escrita pelo Fernando Morais e sempre achei que fazer um filme daquele livro, com aquele personagem, era coisa pra Francis Ford Copolla, então e minha expectativa com o filme do Guilherme Fontes era a pior possível, até por conta dos escândalos e do atraso da esteia, 20 anos. Agora o que vou te falar você não vai acreditar: o filme do Fontes não só é bom, mas ainda por cima é bem fiel ao livro, na medida que um filme pode ser fiel a um livro de mais de 800 páginas; além de ser criativo ao contar a história utilizando um delírio de um moribundo e se aproveitando deste clima onírico para criar licenças poéticas e faz isso sem nunca perder os acontecimentos históricos, as vezes só os mudando de lugar como no caso da ameaça da faca com o Presidente Getúlio Vargas.
    Eis a história da faca: no filme o Chateaubriand ameaça se matar com uma faca para conseguir uma lei que lhe de a guarda do sua filha caçula, a lei Terezoca, lei essa que ele realmente conseguiu com o Getúlio, mas de outra forma menos dramática. Na verdade o Assis Chateaubriand ameaçou se matar com uma faca no gabinete do Presidente Juscelino Kubitschek, para que o Juscelino estado assumisse uma divida do acervo do Masp para que esse não tivesse que ser devolvido para a Europa por falta da última parcela do pagamento. O Juscelino sabia que o Chatô era doido, cedeu. Do jeito que aparece no filme fica muito egoísta, mas na verdade foi até um ato de benemerência do Chatô, tanto que ele com a faca apontada para o peito, disse ao Juscelino Kubitschek "eu poderia vender o acervo todo, pagar esse pequena parcela que falta e ficar rico, mas eu não quero dinheiro, eu quero que esse acervo fique como patrimônio artístico para ao Brasil". Disso resultou o Masp da Av. Paulista em São Paulo.
    Os atores do Chatô O Rei do Brasil dão um show a parte, tanto o Marco Ricca que faz um Chatô cheio de nuances de loucura e fúria e fragilidades: não da nem pra acreditar que ele consegue fazer aquilo já que se tentasse imitar uma personalidade histriônica como a do Chatô seria como imitar o Elvis, difícil não cair na caricatura; a Andrea Beltrão faz a Vivi Sampaio que representa as mulheres mais avançadas da época; no geral todos os outros atores estão muito bem. Não vou nem falar como em termos de corrupção e canalhices políticas o filme que se passa nas décadas de 30/40/50 e 60 esta atualizado com o que ocorre nos dias de hoje no Brasil.
    Eu só não sei se ficou melhor pra mim porque eu li bem o livro e conheço a perfeitamente a história.
    É isso, não é um épico maravilhoso como certamente o livro propiciaria, mas não é ruim, ao contrario, tem muitas qualidades. Se puder assista.

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  3. Estou para assistir ainda. Só tenho lido reações positivas ao filme. O roteiro do filme foi escrito por Matthew Robbins que foi indicado pessoalmente por Coppola. Assim o filme ganhou muito em termos artísticos. Agora, como você mesmo observou ele certamente será mais acessível para quem já leu o livro que lhe deu origem. Por isso espero conhecer melhor o book antes de assistir o movie. rsrsrs

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