domingo, 14 de fevereiro de 2016

James Dean...

Esse filme "Life" que assisti recentemente me fez pensar como o mundo da arte tangencia a imortalidade. Pense um pouco. James Dean morreu há tanto tempo que fica até mesmo complicado entender porque as pessoas ainda se lembram dele, de que algum dia ele veio a existir... A resposta para esse tipo de pergunta é muito simples: a arte imortalizou James Dean assim como imortalizou Elvis, Lennon, Marilyn e tantos outros. Só a arte tem essa capacidade de eternizar a imagem de um artista. Tudo o mais é corroído pelas areias do tempo.

E o mais interessante de tudo é que o foco do filme não se resume a explorar o James Dean das telas, mas também o ator que ficou imortalizado em uma série de fotos que foram produzidas até sem pretensão, mas que hoje em dia valem uma verdadeira fortuna (obviamente estou me referindo não apenas aos originais como também aos licenciamentos de seu uso em produtos em geral como camisas, revistas, etc). E pensar que o fotógrafo Dennis Stock só estava interessado mesmo em quem sabe a Life se interessar por seu trabalho para ganhar uns trocados. Desempregado, pai de família, a vida não andava nada fácil para ele. Hoje seus herdeiros vão muito bem, obrigado, graças às fotos que tirou de James Dean.

Nos Estados Unidos o espólio de Dean fatura cerca de 6 a 8 milhões de dólares ao ano. Claro que essa grana toda não vem da venda de seus filmes, embora pequena parte provenha realmente disso. O grosso do dinheiro vem porém principalmente do uso de sua imagem em licenciamentos. Tal como Marilyn Monroe, Dean também virou uma espécie de símbolo, de imagem máxima de um determinado comportamento - que no caso dele é a do jovem rebelde sem causa. Como morreu aos 24 ele também será eternamente jovem, pelo menos nas estampas de cadernos, camisas e peças de roupas. Por falar em roupas outro fato que contribui muito para que Dean continue sendo uma máquina de faturar milhões vem do fato dele ser sempre usado em peças publicitárias do mundo da moda, o que não deixa de ser uma ironia pois Dean sempre fora criticado em vida justamente por se vestir de forma desleixada.

Em sua rotina Dean usava um jeans surrado (a calça de todo trabalhador da América) e camisas brancas, bem básicas. Esse aliás acabou virando o uniforme de praticamente todo o rebelde dos anos 50. E havia também o topete, esse imortal. O próprio Elvis se inspirou nele para também usar um dos penteados mais duradouros do século XX. E o curioso de tudo é que Dean já demonstrava que ficaria careca com os anos já que tinham grandes entradas em seu cabelo. Claro que isso nunca aconteceu pois ele morreu jovem e para os que partem cedo sempre fica a eternidade da beleza jovial, preservada para todo o sempre.

Pablo Aluísio.

5 comentários:

  1. Pablo:

    Já que você terminou o post falando no cabelo do James Dean um coisa irritante neste filme Life é que com tantos hair stylists que deve existir em Hollywood não conseguiram pentear o cabelo do ator Dane DeHaan para ficar igual ao do James Dean e olha que não era difícil, pois o cabelo do Dean era pura e simplesmente penteado para trás. Da pra entender que não consigam uma perfeição da boca, um nariz, olhos, etc., mas o cabelo?, que era praticamente a marca mais forte do James Dean não da pra entender. O cabelo do ator Dane DeHaan foi penteado para frente e fizeram uma voltinha estranha no topete. Sei lá, acho que até uma peruca ficaria mais correto. É muita falta de capricho.

    ResponderExcluir
  2. Esse tipo de detalhe é que muitas vezes complica. Concordo com você, aliás como eu escrevi na resenha o maior problema de "Life" vem justamente do ator que interpreta James Dean.

    ResponderExcluir
  3. Até hoje conseguiram fazer duas biografias de cantores com atores excepcionais que foram Ray (biografia do Ray Charles com Jamie Foxx) e The Doors (biografia do Jim Morrison com o Val Kilmer)em que os atores não só interpretam muito bem, mas na verdade parecem um possessão dos biografados; e, pra não dizer que não falei das flores, uma razoavelmente boa da Tina Turner. Fora essas, só coisa ruim, seja do Elvis, John Lennon, James Dean, Jimi Hendrix, James Brown, etc. Como deve ser difícil achar ator para interpretar esses pop stars com personalidade muito marcante.

    ResponderExcluir
  4. "Os Cinco Rapazes de Liverpool" foi um bom filme nesse aspecto. Nada boboca e nem caricatural. Do Hendrix lançaram recentemente um filme mediano que com boa vontade dá para assistir sem problemas. Já em relação a Elvis é sem salvação... só bomba nuclear! rsrsrsrs

    ResponderExcluir
  5. Você tem razão, em "Os Cinco Rapazes de Liverpool" o John Lennon é bem bacana.

    ResponderExcluir