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terça-feira, 2 de março de 2021

Meu Amigo Dahmer

Esses são os quadrinhos que deram origem ao filme, que inclusive já comentei aqui no blog. O autor Derf Backderf foi colega do psicopata Jeff Dahmer em uma escola do interior dos Estados Unidos na década de 1970. Apesar dos quadrinhos se chamar "Meu Amigo Dahmer" o fato é que ele não era amigo de Dahmer, ninguém era. Em sua juventude o futuro serial killer era um tipo esquisito que levava animais mortos para casa. Ele morava em uma residência afastada, quase dentro da floresta e era um daqueles tipos calados, de nenhum amigo.

Sua vida familiar era bem complicada. A mãe tinha histórico de problemas mentais e o pai era uma figura ausente. Quando eles se separaram, após anos e anos de brigas sem fim, Jeff Dahmer foi deixado para trás, sozinho naquela casa isolada. Outro segredo que Dahmer guardava a sete chaves é que ele era homossexual. Ninguém na escola sequer desconfiava disso. Além desse aspecto ele desde cedo começou a abusar de bebidas, chegando já bêbado na escola pela manhã.

Não vá esperando por um banho de sangue nessa história. O Jeff Dahmer mostrado aqui é apenas um colegial. O terrível serial killer que o mundo conheceu, seus crimes horrendos, tudo isso só iria acontecer anos depois. Aqui temos apenas a história de um jovem isolado, solitário, provavelmente com doença mental não diagnosticada, que acabou sendo deixado de lado pelos pais. E esse conjunto de fatores acabou resultando em todos aqueles crimes que hoje já são bem conhecidos. É a gênesis, a oriigem de um assassino em série e talvez por essa razão seja um material bem interessante. 

Meu Amigo Dahmer
Autor: Derf Backderf
Editora: Darkside Books
Data de Lançamento: 2017

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Mengele

Nessa semana terminei de ler esse livro chamado "Mengele - A História Completa do Anjo da Morte de Auschwitz", escrito pela dupla de autores Gerald L. Posner e John Ware. E quem foi Mengele? Foi um dos maiores carrascos nazistas, responsável direto pela morte de milhares de crianças, idosos, mulheres e homens judeus que foram enviados para o campo de concentração de Auschwitz. Médico oficial da SS, ele era um sádico que fazia experiências pseudo científicas em pessoas. Esses experimentos não tinham nada de científico, era tudo baseado naquelas teorias racistas de superioridade racial. Mengele queria descobrir uma maneira de "apurar a raça", tentando chegar ao seu ideal de raça ariana. Um insano completo.

Para os brasileiros o livro tme um interesse a mais. Acontece que após o fim da II Guerra Mundial, Josef Mengele fugiu da Europa. Certamente se fosse preso por seus crimes seria condenado à morte. Ele então fugiu para a Argentina, onde viveu por alguns anos. O serviço secreto de Israel começou a caçar nazistas fugitivos por essa época. Outro carrasco nazista chamado Adolf Eichmann foi pego pelo Mossad justamente na Argentina. Com medo, Mengele se mudou então para o Paraguai. Conforme os caçadores de nazistas iam seguindo seus passos ele, novamente com receios de ser capturado, decidiu então fugir para o Brasil. Morou em uma fazenda em Serra Negra e depois se mudou para uma pequena casinha de periferia, um bangalô, em Eldorado Paulista, onde viveu seus últimos anos. Acabou morrendo na praia de Bertioga, após sofrer um AVC. Nunca pagou pelos seus crimes horrendos perante um tribunal internacional de crimes de guerra.

O livro disseca não apenas a vida de Mengele após sua fuga, como também as falhas do Mossad em capturá-lo. Ele morreu aos 67 anos de idade, ou seja, houve muito tempo para que o serviço secreto de Israel o capturasse. Porém problemas internos do próprio Mossad atrapalharam muito nessa caçada. Todos esses problemas de bastidores estão retratados no livro. Também são descritos as diversas teorias que eram levantadas na época. Muitos diziam que Mengele vivia em uma fortaleza nas selvas da América do Sul, cercado de homens armados e tudo o mais. Tudo besteira. O segredo para que Mengele continuasse solto foi seu modo de vida. Ele assumiu a identidade de um idoso no Brasil, o "Seu Pedro", que trabalhava com carpintaria e adorava as crianças.

Os últimos anos de Mengele no Brasil foram de pobreza. Ele vivia numa casinha, tinha muitos problemas de saúde e passou por muitas dificuldades financeiras. Sua família na Alemanha de vez em quando mandava dinheiro para ele sobreviver, mas não era suficiente. Seu filho Rolf o visitou uma única vez, em 1977, em Eldorado. Encontrou uma ruína de homem. Doente, pobre, vivendo em eterna paranoia de ser pego. Nada lembrava o oficial nazista da SS que tinha orgulho de sua posição dentro do III Reich alemão que deveria ter durado mil anos. De jovem médico, numa das melhores universidades da Alemanha, ele se tornou um fugitivo pelo resto da vida. O nazismo acabou com sua vida, mas ao mesmo tempo tudo leva a crer que ele jamais abandonou a ideologia de atrocidades que abraçou quando foi para as fileiras da SS. Enfim, um livro muito bom, muito bem escrito, produzido em cima de grande pesquisa. É especialmente recomendado para historiadores e pessoas que geral que queiram conhecer um pouco mais sobre a loucura e a atrocidade nazista e seus efeitos nefastos em todos os que cruzaram seu caminho.

Pablo Aluísio.

sábado, 31 de agosto de 2019

Paul McCartney: Man on the run

Terminei de ler essa biografia de Paul McCartney. Escrita por Tom Doyle, é bom saber algumas coisas antes de comprá-la. A primeira delas é que o Beatle Paul, seus anos de glória no lado do quarteto de Liverpool, são praticamente deixados de lado. Na verdade o que temos aqui é a carreira de Paul nos anos 70, logo após o fim dos Beatles. A época em que "o sonho acabou" é assim o ponto de partida do livro. Tudo bem, é a época em que Paul criou uma nova banda, os Wings, e tentou reviver tudo ao lado desses jovens músicos, porém o gosto de decepção começa logo nas primeiras páginas quando o leitor descobre isso. Não é uma biografia completa. Simples assim.

Ao lermos o livro com atenção percebemos também que esse foi um dos maiores erros dele. O Wings nunca conseguiu se acertar direito. Havia muitos problemas de relacionamentos e aquele ideia ingênua de Paul em formar um novo grupo musical só lhe trouxe problemas. Claro, houve boa música, álbuns realmente memoráveis, mas também houve brigas, processos judiciais e muita dor de cabeça que poderia ter sido evitada.

Outro ponto enfocado bem nesse livro foi o conturbado período em que Paul passou preso no Japão. Ele tinha ido naquele país fazer uma turnê, mas foi pego no aeroporto com algumas gramas de maconha na mala. Acabou ficando vários dias preso, com possibilidade de pegar uma pena longa em uma prisão japonesa. Foi a partir dessa crise que Paul decidiu mesmo acabar com os Wings, acabar com os velhos sonhos e partir finalmente para uma carreira solo, se assumindo apenas como Paul McCartney nos discos e nos shows ao vivo.

E aí vem a decepção. O livro acaba justamente nesse momento. Paul contratou novamente George Martin para trabalhar ao seu lado, o que daria origem ao maravilhoso disco "Tug of War", mas esse momento tão importante também marca o final da biografia. Para quem curte dos discos de Paul nos anos 80, pode esquecer, É uma pena. No mais vale por algumas informações interessantes da vida íntima do ex-Beatle, inclusive da sua fazenda rústica na Escócia, um lugar que não tinha nenhuma infraestrutura, mas que parecia ser o lugar preferido de Paul. Sujo de lama, cuidando de ovelhas, ele parecia se encontrar ali, naquela região distante. No meio do lamaçal, com botas altas, o Paul parecia mais feliz do que nunca! Quem diria, o Beatle Paul sempre teve mesmo uma vocação para fazendeiro!

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O Demonologista

Aqui vai uma dica de livro para os leitores do blog. Se trata de "O Demonologista" do escritor Andrew Pyper. Do que trata o enredo? Basicamente é uma longa narração em primeira pessoa do personagem David Ullman. Ele é um professor universitário especializado em mitologia e religião. Durante toda a sua carreira ele lançou trabalhos acadêmicos cujo objeto de estudo era justamente a mitologia envolvendo demônios e forças do mal. Certo dia ele é procurado por uma mulher misteriosa que lhe faz um convite para ir até Veneza, na Itália.

Nada fica muito claro sobre o tipo de serviço que ele fará por lá, porém como sua vida pessoal não anda nada bem (sua mulher está apaixonada por outro homem e quer o divórcio) ele resolve fazer a viagem ao lado de sua pequena filha de nove anos. Uma garota inteligente e muito parecida com ele, com o mesmo modo de ser e agir. Uma vez em Veneza o professor é convidado a ir até uma casa no subúrbio da cidade. Lá um homem misterioso o leva até um quarto nos fundos onde ele é finalmente confrontado por um sujeito acorrentado, preso a uma cadeira, supostamente possuído por um demônio secular. Pyper é um cético, um ateu convicto e por essa razão pensa estar na presença apenas de um pessoa com sérios problemas mentais, o que ele nem desconfia é que a partir daí sua vida vai literalmente virar pelo avesso.

É um livro até curto, com meras 200 páginas, que procura seguir os passos de outros livros famosos como, por exemplo, "O Código Da Vinci". O próprio personagem principal, um especialista em religião e cultura antiga já revela esse aspecto da obra. Além disso o autor não está muito preocupado em ir a fundo na questão, mas apenas em divertir (e se possível também assustar) seu leitor. A prosa por essa razão passa longe de ser rica ou rebuscada, optando por uma linguagem comum, cotidiana. De vez em quando surgem alguma citação mais profunda, mas o livro nunca deixa o superficial. Provavelmente seja levado em breve para as telas, embora particularmente acredite que não haja nada demais em suas páginas. Para quem curte literatura de horror pode até funcionar. Para quem deseja algo mais substancial certamente vai ser um pouco decepcionante.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Lady Killers

Lady Killers
Esse livro conta a história de mulheres assassinas ao longo da história. O chamariz da edição diz: "Entre na mente das assassinas em série". Escrito por Tori Telfer em 2017, o livro ganhou uma edição bem caprichada da Darkside Books no Brasil, com ilustrações de Jennifer Dahbura. Em seus capítulos são dissecadas pequenas biografias de cada uma dessas assassinas em série, algumas bem conhecidas, outras nem tanto. Praticamente não são enfocadas criminosas da atualidade, mas do passado, algumas de séculos atrás. Todas ganharam notoriedade em sua época por causa dos crimes horríveis que cometeram.

O perfil mais comum presente no livro é a da envenenadora dissimulada. Algo que confirma uma antiga visão de que as mulheres não matam com violência, mas sim com venenos. A história de fato parece confirmar essa tese. As mulheres, ao contrário dos homens, quase nunca partem para a violência ou brutalidade. A especialidade dessas damas da morte, como regra geral, era mesmo o veneno, muitas vezes servido nas refeições de parentes, maridos, pessoas próximas, conhecidos em geral. Bastava um aborrecimento, um conflito, para o arsênico (o veneno mais popular) entrar no cardápio das vítimas. Era muito comum também a figura da viúva negra. Era aquele tipo de assassina que matava o marido ou companheiro, geralmente para ficar com seus bens ou o seguro de vida. Aqui a morte do marido era usada ou como caminho de liberdade de um casamento horrível ou então como meio de ascensão social.

Entre as mais notórias (ou infames) assassinas algumas se destacam e até hoje são bem conhecidas, como a condessa de sangue Elizabeth Báthory, que inclusive abre o livro, trazendo a primeira biografia. Ela foi uma nobre sádica que matava jovens camponesas de seu feudo. Tudo com a finalidade de banhar-se em seu sangue para manter uma juventude eterna. Enquanto assassinava mulheres pobres nada aconteceu. Quando começou a matar jovens da nobreza acabou sendo presa e condenada a morrer enclausurada em seu próprio castelo. Seguramente essa condessa foi uma psicopata pois tinha enorme prazer nos crimes que cometia. E quando era jovem já era conhecida pelas torturas que praticava contra empregadas de seu castelo. No meu ponto de vista um caso de psicopatia clássica.

Outra história que me chamou bastante atenção foi a de Kate Bender. Ela viveu na época do velho oeste americano. Abriu uma hospedaria para viajantes ao lado de outras pessoas que dizia ser sua família, embora hoje suspeita-se que isso era uma mentira inventada por ela. O hotelzinho ficava no Arizona, numa rota bastante movimentada de homens que iam para as montanhas em busca de ouro e riqueza. Pois bem, cada cowboy, minerador ou viajante que se hospedava no pequeno hotel da senhorita Bender acabava encontrando a morte. Ela e seus "familiares" matavam seus hóspedes, para roubar seus pertences e ouro que eles traziam das minas. Depois enterravam os corpos nas terras da propriedade do hotel. Cronistas da época, que escreveram sobre os crimes, afirmaram que Kate Bender era uma moça bonita, uma formosa loira de olhos azuis. Ela usava sua beleza para atrair os homens ao seu hotel e lá eles eram mortos das maneiras mais violentas. A própria Kate geralmente cortava suas gargantas! E o mais incrível de tudo é que ela escapou, nunca foi presa por seus crimes, pelos assassinatos em série que cometeu.

A edição brasileira de "Lady Killers" é um primor de capricho e bom gosto, mas erraram ao adicionar uma segunda parte onde se reúnem minibiografias de outras assassinas e micro resenhas de filmes e séries. Achei os textos dessa parte final bem simplórios, nada acrescentando ao livro original americano, esse sim bem mais detalhista e com mais conteúdo. Parece que os editores nacionais queriam lançar um livro com mais páginas e então resolveram, como se diz na expressão popular, "encher linguiça", colocando páginas e mais páginas, de maneira desnecessária. Isso porém não tira o interesse do livro que é muito bom, especialmente recomendado para quem deseja conhecer um pouco mais a mente de mulheres que matam, as tais damas assassinas ou melhor dizendo as Lady Killers.

Pablo Aluísio.

O Condenado - Bernard Cornwell

Sempre gostei muito dos livros escritos pelo autor inglês Bernard Cornwell. Ele geralmente ambiente seus romances em duas épocas básicas, durante as guerras contra Napoleão Bonaparte ou então nas batalhas épicas da formação da nação inglesa, logo após a saída dos romanos da Britânia. Cornwell gosta de escrever longas sagas históricas, em diversos livros em séries, mas aqui nesse "O Condenado" temos um livro único, com história fechada. O protagonista é um ex-tenente das guerras napoleônicas. Ele esteve na batalha de Waterloo servindo ao exército inglês. Agora, de volta à vida civil, ele é contratado pelo secretário do interior para fazer uma investigação não oficial. Ele precisa descobrir se um jovem pintor que foi condenado à morte pela justiça é de fato mesmo o autor do assassinato de uma marquesa. O pedido da investigação partiu da própria Rainha que nunca acreditou na versão oficial.

Assim esse tenente chamado Ridel Sandman sai em Londres em busca de pistas. Ao seu lado surgem outros personagens que lhe dão apoio, como um curioso e divertido Lord inglês, que adora o esporte em que Sandman é considerado um craque, uma bela jovem chamada Sally e um velho sargento, também veterano das guerras napoleônicas. O objetivo é localizar uma criada que teria sido testemunha do crime e saberia a verdadeira identidade do assassino.

Bernard Cornwell escreveu um bom livro. Ele se debruçou por meses na biblioteca de Londres para estudar sobre o contexto histórico da chamada "era dos enforcamentos", um tempo no século XIX em que muitos criminosos foram executados na forca na praça principal da capital do império. Ele inclusive decidiu usar os nomes reais de certas pessoas que participaram desses enforcamentos em seus personagens de ficção. Um fato curioso é que os condenados que conseguiam escapar da forca, através de algum perdão real, acabavam sendo expulsos para a Austrália. Enfim, um livro muito bom de ler, principalmente para quem gosta de mistérios e aspectos de uma época em que a criminologia valoriza a punição pública pela corda.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

As Irmãs Romanov

As Irmãs Romanov
Depois de alguns meses lendo esse excelente livro histórico finalmente cheguei ao seu final. O título pode enganar, já que não é apenas a história das irmãs Olga, Tatiana, Maria e Anastásia, as filhas de Nicolau II. O livro traz uma visão bem mais ampla, mostrando em detalhes o casamento de seus pais, o problema de saúde do filho mais novo, herdeiro do trono, o pequeno Alexei e também o envolvimento do guru Raspudin dentro da corte imperial. Tudo muito bem escrito, em linguagem acessível e que prende realmente a atenção do leitor. É um livro agradável de se ler.

Essa família imperial Romanov provavelmente seria mais uma na longa história da dinastia que reinou na Rússia por mais de 300 anos. O problema é que eles seriam os últimos no poder. Foram engolidos em cheio pela revolução russa que não deixou pedra sobre pedra do antigo regime. A questão política obviamente é explorada, mas o foco do livro muitas vezes internaliza dentro da intimidade do núcleo familiar. A imperatriz era neta da grande rainha Vitória da Inglaterra. Alexandra era uma mulher tímida e muito reservada e isso não ajudou na manutenção do trono imperial russo. Ela isolou sua família da própria corte russa. Eles viviam nos palácios praticamente isolados e esse isolamento foi um fator de distanciamento do imperador dos demais nobres.

É um livro muito bom em minha opinião, que praticamente desvenda em detalhes a vida dessa última família imperial, entretanto não é isento de falhas. A maior falha, ao meu ver, vem do capítulo final. Como se sabe a família Romanov foi executada por fuzilamento. Talvez por ter sido algo brutal demais, a autora apenas cita indiretamente a morte deles. Há claramente um certo pudor em relatar aquele triste evento. De qualquer forma mesmo essa superficialidade final não atrapalha o livro em seu conjunto. Olhando para o todo, trata-se realmente de uma obra literária acima da média.

Pablo Aluísio.

sábado, 1 de outubro de 2011

Beethoven - Bernard Fauconnier

Algumas vezes as pessoas se esquecem que até mesmo os maiores gênios da humanidade também foram seres humanos. Pessoas que tinham problemas com dívidas, brigas familiares, falta de emprego, incompreensão de seus financiadores, patrocinadores, etc. Por essa razão gostei bastante dessa biografia de Beethoven. Aqui surge seu lado mais humano, mais controverso. O músico que vemos nessas páginas não é o compositor magistral, genial, inalcançável. O que vemos aqui é acima de tudo uma história de um ser humano, com falhas, problemas, vitórias e derrotas, como todos nós.

E como Beethoven tinha problemas... Ele tinha problemas familiares, com um sobrinho que sempre estava lhe trazendo dores de cabeça. Tinha problemas financeiros pois nem sempre tinha dinheiro suficiente para saldar suas dívidas, afinal ele era um trabalhador como qualquer outro de seu tempo. Tinha problemas emocionais, pois não conseguia ter um relacionamento longo, firme e duradouro com nenhuma mulher e, como se tudo isso não fosse o bastante, ainda tinha problemas de saúde. O pior deles era a perda de sua audição. Criador de algumas das músicas mais belas de todos os tempos, em determinado momento de sua vida ele não conseguia mais ouvi-las.

Outro aspecto a se considerar é que o escritor Bernard Fauconnier escreveu uma biografia bem objetiva. Veja, não é um livro para se emocionar com o estilo da escrita. Não, longe disso. É um livro para reter informações sobre o compositor, tudo absorvido de forma rápida, sem maiores delongas. O conhecimento é passado ao leitor, mas sem rodeios, sem palavras desnecessárias. Assim se você estiver em busca de alguma biografia de Ludwig van Beethoven que vá direto ao ponto, não teria nenhuma outra recomendação melhor a lhe passar.

Por essa razão também sou defensor que biografias como essa sejam lançadas em formato de livro de bolso. Qualquer um, em seus pequenos momentos de folga, poderá folhear o livro, conhecendo sua história, absorvendo conhecimento histórico. Simples e prático. Por fim, uma pequena dica de leitura. Leia ao livro ouvindo a música de Beethoven em fones de ouvido. A imersão será muito boa e você irá receber cultura em dose dupla, tanto das páginas de literatura, como também da música clássica que estará absorvendo naquele momento. Algo muito gratificante, para engrandecer a alma.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Mais Pesado que o Céu

Kurt Cobain teve uma vida curta. Ele sempre será lembrado por ter sido o criador do Nirvana, o grupo de punk que provavelmente foi o último suspiro do rock. Como artista sempre o considerei um ótimo músico, embora também tivesse reservas sobre algumas letras que escreveu. Deixa pra lá, isso não tem mais importância. Fazia parte de sua imagem de rebeldia juvenil. Como ser humano, aí sim havia uma situação bem complicada. Kurt sucumbiu ao mundo das drogas. Ele foi criado meio largado, com problemas em casa, pais se divorciando e se odiando, família disfuncional e todas aquelas coisas que seus fãs bem conhecem. Isso criou traumas e gatilhos emocionais em Cobain. Para superar essa carga pesada psicológica ele se refugiu nas drogas, em especial na heroína, que não perdoa, escraviza e mata todos os seus amantes.

De homeless, sem-teto, morador das ruas na cidade onde havia nascido, ele se tornou um milionário, rico e famoso com o Nirvana. Mas nada disso parece ter virado a chave de sua mente. Ele continuou, dentro de sua forma de pensar, como aquele garotinho que não conseguia aguentar ver os pais brigando o dia todo. E sua carga genética, seu DNA, com muitos antepassados que se mataram, não contribuía de forma positiva em nada para essa situação.

O fim veio no cano de uma espingarda colocada na boca. Seus miolos ficaram escorrendo na parede. Em um vaso de plantas vazio uma caneta segurava uma carta de suicídio endereçada ao seu amigo imaginário da infância. Em um texto confuso ele tentava explicar o inexplicável. Essa boa biografia, a melhor que eu já li sobre o Kurt Cobain, conta sua história, do nascimento ao tiro de misericórdia. Texto bem escrito, a leitura flui muito facilmente. Um retrato muito bom de um músico que passou a vida toda se sentindo muito mal.

Mais pesado que o céu: Uma biografia de Kurt Cobain (Heavier than heaven, Estados Unidos, 2001) Autor: Charles R. Cross / Tradução: Cid Knipel / Editora: Globo / Sinopse: Livro que conta a história do cantor e compositor americano Kurt Cobain, líder do grupo de punk rock Nirvana, falecido em abril de 1994, após cometer suícidio.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Jim Morrison - Ninguém Sai Vivo Daqui

Essa biografia de Jim Morrison foi um grande sucesso de vendas nos Estados Unidos, vendendo em torno de 2 milhões de cópias, entrando na lista dos best-sellers do New York Times. O autor é bem conhecido para quem gosta de ler sobre música. Jerry Hopkins foi jornalista da revista Rolling Stones no auge de popularidade do rock e já era bem conhecido pelos fãs de Elvis Presley, principalmente pelo ótimo livro que escreveu sobre o Rei do Rock. Nesse aqui ele foi atrás da história do líder dos Doors, Jim Morrison, entrevistando amigos, familiares e namoradas. Acabou escrevendo um livro bem agradável de se ler.

Um dos pontos fortes dessa obra é que o autor foi um dos poucos jornalistas que conseguiram entrevistar Pamela, a musa de Morrison, a garota que o acompanhou até o dia de seu morte em Paris. Aliás foi ela que encontrou o artista morto na banheira de seu apartamento na cidade francesa. Ela não viveu muitos anos além de Morrison, morrendo de uma overdose de heroína em 1974. O fato de ter seu ponto de vista nessa páginas já qualifica o livro como um dos melhores sobre Morrison. A Pamela, infelizmente, teve uma vida tão auto destrutiva como o próprio namorado. Ela terminou seus dias bem pobre, viciada em drogas e dormindo de favor na casa de alguns amigos em Los Angeles. Nunca conseguiu desfrutar da fama e da riqueza gerada pelo nome The Doors.

Agora um fato curioso vem à tona. O escritor afirma com todas as letras que era bem mais admirador de Jim Morrison antes de escrever o livro. Quando foi exposto à verdadeira história do cantor ele ficou um tanto decepcionado com o que encontrou. Nos últimos anos Jim Morrison havia se tornado mesmo uma figura trágica. Estava alcoólatra e vivia perambulando pelas piores espeluncas e bares de Los Angeles. Vivia bêbado, caindo pelas ruas. Isso sem contar as drogas pesadas que tomava quando as encontrava de forma fácil pelos becos da cidade. Em Paris não mudou muito sua rotina. Continuou a ir em bares e boates onde passava o dia bebendo e tomando drogas. Supõe-se que no dia de sua morte injetou um tipo de heroína vinda do Marrocos. Seu organismo que já vinha sofrendo vários abusos ao longo dos anos não suportou mais essa agressão. Ele morreu muito jovem, aos 27 anos, pelos excessos que tinham se tornado rotina em sua vida.

Assim só coube ao autor lamentar a morte de um talento desses, tragado por seus vícios. Ele também descartou em sua biografia todas aquelas loucas teorias de que Morrison teria forjado sua própria morte, indo morar na África, como contrabandista, tal como seu ídolo Rimbaud. Nada dessa bobagem faz sentido para o escritor. Ao adotar esse estilo sóbrio e realista, o livro acaba ganhando mesmo muitos pontos positivos. No fim de tudo sobraram processos judiciais, envolvendo a família de Pamela, de Jim e dos demais membros dos Doors e um busto no cemitério de Père-Lachaise, busto esse inclusive que foi roubado alguns anos atrás. O lugar onde ele foi enterrado acabou se tornando um ponto de encontro de junkies europeus e americanos. Pelo visto os excessos de Jim Morrison não o deixaram nem após sua morte. Realmente não houve salvação para o auto denominado Rei Lagarto.

Pablo Aluísio.

sábado, 23 de abril de 2011

Ascensão e queda das grandes potências

Esse é o livro que estou lendo atualmente: Ascensão e Queda das Grandes Potências de Paul Kennedy. É um longo e bem preparado estudo sobre as potências que já dominaram o mundo nos últimos cinco séculos. Para estudar o sobe e desce no tabuleiro mundial o autor analisa aspectos militares, econômicos, geográficos, históricos e sociais.

A capa da primeira edição era bem interessante. Nele víamos um inglês descendo um pódio, sendo superado por um americano (o Tio Sam) e logo atrás um japonês. O tempo passou, os Estados Unidos ainda seguem como a principal nação do mundo e o Japão ainda se mostra como o grande potencial.

Isso porém não importa. Considero um excelente trabalho e também uma leitura bem agradável, nada pesada ou enfadonha. Destaco, entre tantos aspectos extremamente interessantes, o jogo de poder entre França e Inglaterra durante a chamada Idade moderna. Uma rivalidade ferrenha que colocou as duas maiores nações europeias em choques sucessivos ao longo dos séculos. Quem venceu essa queda de braço? Ora, deixo a dica da leitura para você. Não deixe de conhecer.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

George Orwell

George Orwell foi um famoso escritor e jornalista inglês, conhecido por alguns dos mais populares e discutidos livros da literatura do século 20 como 'Animal Farm" e" Nineteen Eighty-Four'. Orwell nasceu Eric Arthur Blair em 25 de junho de 1903 no leste da Índia, filho de um funcionário colonial britânico. Ele foi educado na Inglaterra e, depois que ele deixou Eton, entrou para a Polícia Imperial Indiana, na Birmânia, então uma colônia britânica. Demitiu-se em 1927 e decidiu tornar-se um escritor. Em 1928, mudou-se para Paris, onde a falta de sucesso como escritor obrigou-o a trabalhar em uma série de trabalhos braçais. Ele descreveu suas experiências em seu primeiro livro, "Down and Out in Paris and Londres", publicado em 1933, onde finalmente adotou o nome de George Orwell, pouco antes de sua publicação. Isto foi seguido por seu primeiro romance, 'Birmaneses Days', em 1934.

Tornou-se um anarquista no final de 1920, e na década de 1930 começou a considerar-se um socialista. Em 1936 foi contratado para escrever um relato da pobreza entre os mineiros desempregados no norte da Inglaterra, o que resultou no livro "The Road to Wigan Pier" (1937). Mais tarde, em 1936, Orwell viajou para a Espanha para lutar pelos republicanos contra nacionalistas de Franco. Ele foi forçado a fugir do país após se decepcionar com o movimento comunista mundial, pois presenciou grupos socialistas apoiados pela União Soviética reprimindo e massacrando socialistas utópicos. A experiência o transformou em um anti-stalinista ao longo da vida. Entre 1941 e 1943, Orwell trabalhou no setor de publicidade e propaganda para a BBC. Em 1943, tornou-se editor literário do Tribune, uma revista semanal de esquerda. Tornou-se um jornalista prolífico, escrevendo artigos, resenhas e livros.

Em 1945, o livro 'Animal Farm' foi publicado. Se tratava de uma fábula política usando uma fazenda como metáfora da própria sociedade, com base na traição da Revolução Russa pelo ditador Stalin. O livro fez bastante sucesso, tornando Orwell um escritor conhecido e famoso, garantindo-lhe uma vida  financeiramente confortável, pela primeira vez em sua vida. "Nineteen Eighty-Four" foi publicado quatro anos depois. Situado em um futuro totalitário imaginário, o livro causou uma profunda impressão, com o seu título e muitas frases - como 'Big Brother está vigiando você', 'novilíngua' e 'duplipensar' - entrando no uso popular do povo inglês. Após mais esse êxito comercial e de crítica sua saúde começou a se deteriorar. Morreria alguns meses depois de tuberculose em 21 de janeiro de 1950.

Pablo Aluísio.

sábado, 19 de março de 2011

Bento XVI: O Homem Que Não Queria Ser Papa

Temos no momento uma boa oportunidade para ampliar os horizontes na leitura, geralmente aproveitando o tempo livre para se dedicar a temas de interesse, que não sejam necessariamente ligados à sua profissão. Recentemente li essa interessante obra intitulada "O Homem Que Não Queria Ser Papa" de autoria de Andréas Englisch. Ele é um Vaticanista veterano que resolveu escrever um livro mostrando a subida do cardeal Joseph Aloisius Ratzinger ao trono de São Pedro. Como ele era um jornalista alemão enviado ao Vaticano por seu jornal para cobrir as notícias papais, acabou encontrando farto material para escrever sobre a ascensão do primeiro papa alemão em séculos de existência da Igreja Católica. Curiosamente apesar de ser da mesma terra de Bento XVI ele não era do círculo íntimo do Papa, que aliás tinha sérias reservas em relação ao escritor, agravado após a publicação de um artigo onde ele acabou irritando Ratzinger profundamente.

Pois bem, o mais interessante nesse livro é que o Papa Bento XVI é mostrado em seu lado mais humano, uma aproximação impensada para qualquer católico comum ao redor do mundo. Ratzinger é retratado como um estudioso, um homem extremamente culto e erudito, mas também profundamente tímido e reservado. Um homem de letras, que adorava ficar em seu escritório por longas horas escrevendo suas teses acadêmicas. Quando João Paulo II morreu, ele planejou voltar para sua terra natal, onde iria dedicar seus últimos anos de vida para escrever vários livros que planejava sobre a infância e juventude de Jesus. Era um velho sonho do cardeal. Ele certamente queria apenas participar da eleição do novo Papa, pedir sua aposentadoria ao Vaticano o mais rapidamente possível e voltar feliz e realizado para sua cidade natal na Alemanha. Queria morrer em paz na região onde foi criado por pais amorosos e bastante religiosos. Inclusive já havia acertado tudo com sua irmã que iria morar ao seu lado.

Agora imaginem um senhor idoso como ele, ciente que havia chegado ao fim de uma longa caminhada, ser eleito, praticamente da noite para o dia, o novo Papa! Por isso o livro se chama, de forma muito adequada aliás, "O Homem Que Não Queria Ser Papa". Naquela altura de sua vida Joseph Ratzinger se sentia pronto e realizado para curtir uma aposentadoria ao lado de seus amados livros. Um homem que estudou a vida inteira e que queria terminar seus dias ao lado de sua irmã, fazendo aquilo que mais gostava: ler e escrever. Ele inclusive já havia mandado grande parte de sua biblioteca para a Bavária. Estava literalmente de malas prontas.

De repente ele acabou sendo eleito Papa, se tornando líder espiritual de mais de 1 bilhão de católicos ao redor do mundo! Foi uma reviravolta complicada de se lidar. O autor aproveita justamente essa delicada situação para mostrar o tumulto e caos que se seguiu à eleição de Ratzinger! O velho cardeal alemão bem sabia que não tinha muitos dos pressupostos necessários para suceder o grande João Paulo II, homem que admirava imensamente. Ele não se considerava carismático e nem tinha o dom de levantar multidões. Para ser ter uma visão de seu modo de ser, ele gostava de realizar missas com poucas pessoas, em igrejinhas de Roma que comportavam no máximo 50 pessoas. Também adorava rezar missas em latim, algo que o fazia lembrar de sua infância querida. Para Ratzinger as missas tinham que ter um certo sentimento de aproximação e familiaridade entre o sacerdote e seus fiéis. Muito longe das missas campais celebradas por Papas, onde se chega a cifras absurdas de pessoas presentes.

Assim o autor vai mostrando os primeiros dias de Joseph no trono, seus pequenos erros e gafes e sua imensa dificuldade de assumir um cargo de tamanha grandeza e responsabilidade. Como era um religioso de bastidores, foi muito penoso para ele ir para a frente das câmeras, participar de eventos públicos com milhões de pessoas e se mostrar confortável com tudo o que teve que enfrentar. Confesso que em determinados momentos do livro cheguei até mesmo a sentir pena de Bento XVI por causa de algumas situações aflitivas pelas quais passou. Um homem que jamais almejou virar a estrela do show ou ir para debaixo dos holofotes do mundo! Apenas uma pessoa reservada como ele entenderá perfeitamente os sentimentos que ele precisou enfrentar, tendo o mesmo temperamento.

Conservador e muito firme em suas opiniões, Bento XVI sempre será lembrado como um Papa de transição entre dois Papas que são verdadeiros símbolos da mídia moderna, João Paulo II e Francisco. Por falar em Jorge Mario Bergoglio, ele também está nas páginas do livro em um momento particularmente muito saboroso, justamente no conclave que elegeu Ratzinger! Poucos sabem, mas o fato é que Francisco quase foi escolhido nessa primeira votação. Os cardeais presentes na Capela Sistina reconheceram prontamente a vocação de Bergoglio para assumir o anel do pescador, porém segundo o autor, o futuro Papa sentiu a pressão e dizem ficou bastante nervoso naquele momento. Suando bastante e de cabeça baixa, Jorge Mario Bergoglio parecia sentir o peso de cada voto dado a ele. Talvez por isso os demais cardeais tenham no último momento escolhido o mais frio e equilibrado Joseph Ratzinger.

É bom também chamar a atenção para o fato de que muito do que se tornou realidade com a renúncia de Bento XVI pode ser entendido ao se ler esse livro. Pequenos e grandes desapontamentos do novo Papa parecem confirmar a tese que ele realmente não aguentou a pressão a que vinha sendo submetido desde os seus primeiros dias. A saúde também já não era boa. Ele tinha problemas de locomoção e sentia muitas dores. Não queria passar pelo que passou João Paulo II que foi sucumbindo à doença na frente do público ao longo dos anos. Ele próprio mudou uma questão de direito canônico para deixar mais clara sua posição na renúncia. Um mosaico de eventos e fatos que acabou dando origem à sua decisão que deixou o mundo surpreso. Assim deixo a recomendação desse livro - um revelador passeio por dentro dos muros do Vaticano em um dos momentos mais importantes e vitais de sua história.

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 17 de março de 2011

Memórias de um Exorcista - Gabriele Amorth

Hoje terminei de ler esse livro chamado "Memórias de um Exorcista", escrito pelo padre Gabriele Amorth. Devo confessar que achei o livro menos interessante do que eu esperava. Isso porque o livro foi todo escrito na forma de perguntas e respostas. Pelo visto o Padre não teve tempo ou paciência para escrever um livro convencional. Assim temos um jornalista lhe fazendo perguntas e ele respondendo. Pode até parecer interessante para algumas pessoas esse tipo de formato, mas para mm, soou um pouco cansativo. Além disso quando um livro é escrito dessa maneira ele perde uma ordem cronológica, uma contextualização maior dos fatos.

Não quero com isso desmerecer a figura do Padre, que foi em vida um dos mais famosos exorcistas da história recente da Igreja Católica. Apenas quero deixar registrado que esse tipo de esquema literário não faz o meu estilo. No mais, passando por cima desse aspecto formal, devo dizer que o livro traz algumas informações preciosas. Entre elas uma constante reclamação do Padre sobre seus superiores. Ele deixou claro mais de uma vez sua insatisfação pelo fato de que bispos e cardeais não levaram mais à sério esse tipo de exorcismo. A alta cúpula do clero romano nada fazia para ajudar o Padre em suas funções de exorcizar demônios. E isso foi algo bem decepcionante de saber.

Ao olhar do clero católico atual o exorcismo soa como algo medieval demais. Assim poucos exorcistas são formados até hoje. Os que existem acabam ficando sobrecarregados. Já em relação a conhecimento sobre demonologia, bom, as informações são eventuais e não muito informativas. O Padre cita algumas entidades demoníacas como Lúcifer, Satanás, Asmodeus, Belzebu, etc, mas não chega a entrar fundo no assunto. Ele também explica as diferenças entre possessões, opressões, etc. Vale como título de informação, mas devo dizer, tudo acaba soando bem superficial realmente.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Desvendando Jack, o Estripador - Russell Edwards

Recentemente terminei de ler esse livro intitulado originalmente de "Naming Jack the Ripper" que no Brasil recebeu o título de "Desvendando Jack, o Estripador". O autor inglês Russell Edwards comprou há alguns anos um xale que pertenceu a uma das vítimas do famoso serial killer. Era uma peça muito antiga, já com sinais de desgaste, mas que ainda despertava a atenção dos aficcionados nessa história. Acredite, tanto na Inglaterra, como nos Estados Unidos, há milhares de pessoas cujo hobby consiste exatamente em histórias de psicopatas famosos e infames. Até fóruns na internet se proliferam nesse nicho. Esse xale havia sido tirado de um dos corpos na cena do crime. Um souvenir que o policial resolveu levar para casa e dar de presente para sua esposa! Sim, é algo bizarro se formos pensar com a mentalidade moderna, de que se deve acima de tudo preservar a cena de crime, de que tudo ali deve ficar intocado até a chegada de peritos. Nos tempos de Jack porém isso simplesmente não existia. 

Russell Edwards basicamente dividiu seu livro em três partes. Na primeira ele aproveita para contar sua própria história pessoal. Ele viveu por muitos anos em Whitechapel, na mesma região onde Jack cometeu seus crimes, séculos atrás. Ele conta que ficou admirado mesmo ao saber que aquelas mesmas ruas onde caminhava todos os dias eram as mesmas em que Jack estripou as pobres prostitutas com uma selvageria que chocou o mundo naquela época. E como acontece em muitos lugares de Londres, aquelas ruas estão bem preservadas historicamente, algumas inclusive contando com os mesmos pequenos prédios e cortiços onde Jack atuou. Essa primeira parte do livro, devo dizer, é apenas mais ou menos. Na minha opinião o autor perde muito tempo falando de si mesmo. Quem comprou o livro está certamente focado em Jack e não em Russell.

A segunda parte do livro foi a mais interessante. Aqui toda a história de Jack e seus crimes é contada com riqueza de detalhes. Inicialmente mostrando tudo o que aconteceu nos crimes em si, depois listando uma série de suspeitos. A pergunta sobre quem teria sido Jack, o Estripador, ainda hoje desperta curiosidade. Ele coloca breves históricos sobre cada um dos suspeitos, depois os colocando em dúvida, mostrando evidências da época que os inocentaram. Até um neto da rainha Vitória foi suspeito. E havia advogados, médicos, etc. Qualquer um que apresentasse algum tipo de comportamento estranho, passava a ser suspeito. A polícia da Londres na época recebeu uma enxurrada de denúncias da população. Muita gente foi indicada como o criminoso. No final essa multidão de suspeitos só ajudou a atrapalhar ainda mais a solução do caso. Um fato que eu particularmente desconhecia é de que hoje em dia a Scotland Yard afirma oficialmente que Jack, o Estripador se chamava Aaron Kosminski, um imigrante polonês com problemas mentais que morava em Whitechapel na mesma época em que os crimes aconteceram. Ele chegou a ser detido pelos policiais, porém por falta de provas foi liberado.

Russell Edwards então passa a dissecar tudo o que se descobriu sobre essa estranha figura. Kosminski imigrou para a Inglaterra após a morte do pai. De origem muito pobre, acabou indo para Londres depois que seu irmão se mudou para trabalhar em pequenas fábricas de roupas. Ele teve uma infância muito dura, com muita carência alimentar e falta de apoio familiar. Quando chegou a Londres, ainda bem jovem, muito provavelmente se tornou uma vítima do trabalho infantil que ainda era comum. E sua situação só iria piorar. Aaron Kosminski tinha problemas mentais que se tornariam ainda mais graves com os anos. Quando os crimes de Jack explodiram em Londres, ela já estava ficando completamente insano. Diz o autor desse livro que a comunidade judaica de Londres descobriu que ele era Jack, mas abafou tudo, com medo de uma explosão de violência e preconceito contra imigrantes judeus. Eles providenciaram para que Kosminski fosse internado em um hospício, de onde nunca mais sairia. Morreu ali, vagando entre outros loucos internados como ele. Curiosamente após sua internação, os crimes de Jack cessaram completamente.

Na época os meios forenses de investigação eram bem primitivos. Não havia a ciência que hoje conhecemos para desvendar crimes. Porém o xale, a peça chave de uma das vítimas ainda existia. O autor Russell Edwards decidiu então submeter essa peça de roupa a um criterioso exame de DNA. E eles encontraram mesmo DNA de um homem. Ele então foi atrás de membros atuais da família do suspeito. E após vários exames os cientistas conseguiram descobrir que se tratava mesmo do DNA de Aaron Kosminski. Essa fase de exames de DNA ocupa praticamente toda a terceira e última parte do livro. Claro, é algo importante, a própria razão de existência do livro, porém não posso deixar de comentar que também é um pouco cansativo, por causa do excesso de tecnicismo envolvido. E quem disse que mesmo após todo o esforço do autor desse livro o mistério da verdadeira identidade de Jack chegou ao fim? Parece que um dos charmes dessa história é o fato de que nunca se chegou a uma verdade incontestável. Pelo visto Jack será sempre uma pergunta no ar, mesmo com todas as provas apontando o contrário.

Pablo Aluísio.

Os Romanov (1613 - 1918)

Quero deixar uma dica de leitura para quem aprecia história. Trata-se do livro "Os Romanov" de autoria de Simon Sebag Montefiore. No Brasil essa obra foi lançada pela Companhia das Letras. Na realidade li esse livro no ano passado. É aquele tipo de leitura que você precisa ir administrando, lendo aos poucos, porque ele é longo e tem muitos personagens e situações. O próprio autor reconheceu isso e colocou, como uma espécie de guia, um pequeno resumo sobre cada peça naquele tabuleiro de poder, logo no começo de cada capítulo. Cada um deles enfoca um imperador Romanov diferente. E foram muitos. Basta lembrar que essa dinastia de imperadores russos durou mais de três séculos. E entre os czares houve de tudo: assassinos, loucos, fracos, depravados, insanos violentos, frívolos e até sociopatas. Porém é necessário admitir também que existiram alguns grandes nomes da história russa entre esses imperadores e soberanos como Pedro, o Grande e Catarina II. Ainda que fossem exceções, eles foram responsáveis diretos por muitas melhorias na mãe Rússia. Para infortúnio do povo russo eles também estavam em minoria. Uma das razões porque nunca serei um monarquista vem justamente de registros históricos como esse. O poder simplesmente herdado não qualifica ninguém para exercer esse mesmo poder ilimitado. Não há mérito e com o tempo a tendência é piorar, com imperadores cada vez menos aptos para exercerem suas funções.

A monarquia Romanov apresentou todos os tipos de corrupções, violência e traições que você possa imaginar. E como toda monarquia que se preza, após alguns séculos no poder, ela também se tornou decadente e abusiva. O abuso de autoridade, as violações de direitos humanos de toda ordem, a morte em massa do povo, todas essas tragédias começam a se repetir com regularidade mórbida para a nação. A Rússia cresceu e se desenvolveu muito com a dinastia Romanov no poder máximo, absolutista, mas também houve inúmeras injustiças, massacres, mortes e perseguições políticas de todo tipo. Em minha opinião foi um preço caro demais para se pagar. E isso foi se repetindo sistematicamente ao longo dos séculos. Basta lembrar de Ivan, O terrível. Esse Czar acumulou tanto poder em suas mãos que simplesmente enlouqueceu. Matou praticamente todos os seus parentes e membros da corte que representassem alguma ameaça para sua mente paranoica. Matou a esposa, matou o filho a pauladas e no final ficou completamente enlouquecido e sozinho em seu castelo. Diziam que queria matar até mesmo sua sombra. Em seus últimos dias apenas a loucura foi sua companheira.

Há também imperadores russos que entraram de forma positiva na história, muito embora nos dias de hoje sejam pouco lembrados. Um que foi injustamente esquecido foi Alexandre I. Poucas pessoas falam nele, mas o fato é que foi esse Czar quem derrotou Napoleão Bonaparte quando ele decidiu invadir a Rússia. Adotando uma estratégia de "terra arrasada", Alexandre conseguiu dar um xeque-mate no imperador francês, que precisou retornar para a França em uma das retiradas mais humilhantes da história. Foi Alexandre I também o primeiro líder estrangeiro a marchar pelas ruas de Paris após a queda de Napoleão. Até um pitoresco encontro dos dois inimigos é relatado em suas páginas. Para surpresa do leitor descobrimos que Napoleão ficou surpreso e admirado com o jovem czar. Chegou ao ponto de tecer elogios a ele. Só que o general mal sabia que o russo seria um de seus algozes. Tudo isso, suas vitórias e detalhes do campo de batalha, estão no livro. Alexandre I morreu até relativamente jovem e foi um dos membros da família Romanov que mais se destacaram em sua jornada, afnal derrotou, ao lado dos ingleses, o grande Napoleão, considerado invencível até então.

Outros dois nomes que me chamaram a atenção foram Pedro, o grande e Catarina II. O primeiro foi um homem de ação, forte, robusto, construtor nato. Ele construiu uma das maiores esquadras navais de seu tempo. Também mandou construir toda uma grande cidade ao melhor estilo europeu ocidental bem no meio do pântano. Fundou São Petersburgo, que se tornaria a segunda maior cidade do império russo, ficando atrás apenas de Moscou. Já Catarina II foi o maior símbolo de uma nova linhagem de monarcas que seriam conhecidos como "déspotas esclarecidos". Ela não abriu mão do poder absolutista que tinha, mas ao mesmo tempo usou esse poder para coisas boas para a sociedade. Universalizou o ensino para todos os cidadãos do império, criou escolas para todas as crianças e jovens, mesmo nos mais distantes lugarejos e fundou as primeiras universidades da Rússia imperial. E o curioso é que ela não era russa de nascimento e precisou tirar o marido do trono, pois ele era um tolo imbecil. Só depois de sua queda é que a Rússia voltou a ter uma grande líder para a nação.

Por fim a história dos últimos imperadores também marca o leitor. Alexandre II foi morto de forma horrível quando um rebelde jogou uma bomba em sua carruagem, bem no momento em que ele desfilava perante seus súditos. Ele perdeu as pernas no atentado, ficou caído no chão e sangrou até morrer. Foi o pior atentado contra um Romanov na história da Rússia. E para terminar o leitor fica também chocado e até emocionado com a morte de Nicolau II, o último czar da Rússia. Um homem que não era apto para se tornar o imperador, mas que tinha uma bela família que acabaria sendo fuzilada covardemente pelos comunistas após a revolução russa de 1917. Foi com Nicolau II que surgiu a bizarra figura de Grigori Rasputin. Ele não era um Romanov, mas sua presença na história dessa dinastia foi tão marcante que ele acabou na capa do livro. Misto de bruxo, guru, charlatão e fanático religioso, Raspudin caiu nas graças da imperatriz após ajudar ao pequeno herdeiro Alexei que sofria de hemofilia. A entrada dele dentro da corte foi um dos inúmeros fatores que levou a dinastia Romanov para sua desgraça final. Em conclusão após ler o livro, digo que essa é uma bela obra de história e literatura. Suas páginas trazem inúmeras histórias de imperadores que detinham todos os poderes reais em suas mãos, sem limitações. E isso tudo serviu para demonstrar que o ser humano não pode ter esse tipo de poder absolutista, pois seguramente vai abusar dele, mais cedo ou mais tarde. Carto estava o Lord John Dalberg-Acton quando escreveu que "O poder tende a corromper o homem e o poder absoluto o corrompe absolutamente". Sábias palavras.

Panlo Aluísio.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Demonologistas – Arquivos Sobrenaturais

Demonologistas – Arquivos Sobrenaturais
Esse livro apresenta a marca do casal Ed & Lorraine Warren. Quem gosta de cinema acabará, de uma maneira ou outra, se interessando, afinal eles se tornaram personagens recorrentes em recentes filmes de terror. Ambos já estão falecidos, mas deixaram farto material para esse tipo de produção cinematográfica. Nesse livro aqui em questão temos as histórias (supostamente reais) envolvendo, entre outros casos, a boneca Annabelle e a casa de Amityville. Só esses casos sobrenaturais envolvendo o casal já despertariam o interesse dos fãs de horror.

Porém tenho más notícias para quem se interessar pelo livro. Ele não é uma obra literária muito bem escrita, pelo contrário, achei tudo muito bagunçado e sem estrutura. Os capítulos são colocados ao acaso e não há um bom texto para se ler. Confuso e mal escrito, temos basicamente uma série de perguntas que são respondidas pelo casal Warren. Quem gosta de boa literatura não vai encontrar nada de muito bom nesse livro. O curioso é que na verdade o casal não escrevia seus livros. Ao contrário disso contratavam ghost writer. O escritor fantasma responsável por esse "Demonologistas – Arquivos Sobrenaturais" nem fez questão de escrever bem. Ficou ruim, disperso, sem foco ou organização.

Se o livro é mal escrito, pelo menos sobram as histórias. Elas são até interessantes. Porém mantenha o senso crítico e bom senso sempre ligados. Principalmente o Ed Warren gostava de exagerar nas tintas, caindo muitas vezes na pura fantasia. Algumas histórias que ele conta no livro são absurdas, mais dignas de um filme B de terror dos anos 80. Entre elas estão ataques que teria sofrido em seu escritório, sendo o agressor um diabo bem clássico, vermelhão e com chifres. Nada que se possa acreditar, sinceramente. A Lorraine Warren, nesse aspecto, era bem mais sutil. Por isso as histórias dela sempre soavam mais "verdadeiras" do que as do marido.

Enfim, é isso. Encarei o livro todo como um mero produto de literatura de entretenimento. Uma mistura de fatos e eventos reais mesclados com muita imaginação e até mesmo pensamento mágico. Definitivamente não é algo para ser levado muito à sério. Talvez por isso também essas histórias tenham dado tão certo nos filmes de terror que foram adaptados para o cinema. É isso mesmo, entretenimento. Diversão... e o casal parecia saber muito bem disso.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Salem / A Hora do Vampiro

Título no Brasil: Salem / A Hora do Vampiro
Título Original: Salem's Lot
Ano de Lançamento: 1975
País: Estados Unidos
Editora: Viking Press
Autor: Stephen King
Tradução: Louisa Ibañes
Gênero Literário: Terror / Suspense

Sinopse:
Um escritor em crise de criatividade, Ben Mears, decide voltar para a cidade onde passou a infância, Jerusalem’s Lot. Seu retorno acontece no mesmo momento em que coisas estranhas começam a acontecer, com pessoas desaparecendo e assassinatos sem solução. O misterioso Kurt Barlow pode estar por trás de tudo.

Comentários:
Esse foi o segundo livro escrito por Stephen King, logo após a publicação de "Carrie, a Estranha". Até hoje é considerado pelo próprio King como um de seus livros preferidos. A história é mais do que simples, um vampiro ataca uma cidadezinha do interior. Só que King não parece muito preocupado com essa narrativa central. O que me pareceu, ao ler o livro, é que o autor esteve mais preocupado em detalhar a vidinha cotidiana das pessoas simples e comuns que vivem em Jerusalem’s Lot. O vampiro assim se torna apenas uma peça do tabuleiro de xadrez. Por isso se você estiver em busca de relatos de puro terror... pode ir tirando o cavalinho da chuva. King não tem a menor pressa em narrar isso, ao invés disso usa páginas e páginas para ir descrevendo praticamente cada morador - e claro, todos eles vão acabar caindo nas garras do vampiro Barlow, mas isso é um mero detalhe. Gostei do livro, achei muito bom. Inclusive é boa literatura. Poucas vezes Stephen King escreveu tão bem. Já em termos de adaptação para o cinema, ainda estão devendo uma boa versão. A mais conhecida adaptação é uma minissérie de TV, feita na década de 1980, que nunca fez muito sucesso.

Pablo Aluísio.

Dália Negra

Título no Brasil: Dália Negra
Título Original: The Black Dahlia
Ano de Lançamento: 1987
País: Estados Unidos
Editora: Editora Gráfica
Autor: James Ellroy
Tradução: Cláudia Santana Martins
Gênero Literário: Romance Policial

Sinopse:
Dois policiais de Los Angeles, ex-boxeadores peso médio, precisam investigar a morte de uma jovem chamada Elizabeth Short. Seu corpo foi encontrado cortado ao meio, com vários sinais de tortura, em uma rua residencial da cidade. As pistas são poucas e confusas e as investigações logo se tornam um pesadelo.

Comentários:
Esse livro é um romance policial que mistura fatos históricos reais com mera ficção. A morte da Dália Negra (nome que a imprensa passou a chamar a vítima Elizabeth Short após sua morte) foi real e se tornou um dos crimes mais sórdidos da história americana. Oficialmente nunca foi resolvido. Ninguém foi punido. Já a figura dos detetives do livro são pura ficção. São personagens de pura literatura. Essa combinação tornou o livro bem irregular. Nas partes em que o escritor James Ellroy traz parte das informações reais sobre a vida da vítima, o livro vale a pena, prende a atenção. No desenvolvimento desses dois tiras de ficção o interesse decai. São personagens que agem fora das regras, batendo em investigados, participando de sessões policiais de tortura, aceitando suborno. Nos anos 80 não havia ainda muita preocupação em apresentar protagonistas mais íntegros. Na verdade os policiais desse livro são anti-heróis. Até aí tudo bem, só que o autor exagerou um pouco na dose. O final do romance policial igualmente não me agradou. Fraco demais. Hoje sabe-se que o principal suspeito da época, o Dr. George Hodel, foi muito provavelmente o assassino, porém nunca foi punido, talvez por ser um médico rico e famoso. Enfim, uma leitura que me soou apenas irregular, de mediana para fraca. Tem altos e baixos. Não é um livro nota 10.

Pablo Aluísio.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Não Há Dia Fácil

Aproveitei o último fim de semana para ler esse que tem sido um dos livros mais polêmicos lançados ultimamente. Em um texto simples, direto, o autor, um membro da tropa de elite Seals da Marinha norte-americana, narra os preparativos, planos e execução da operação que matou o terrorista Osama Bin Laden. É curioso entrar mesmo que de forma superficial na mente de um militar desse nível, que faz parte de uma das organizações mais eficientes do planeta. O que vemos de seu relato é um sujeito firme em suas convicções pessoais que quer a todo custo cumprir seu objetivo, sem falhas e sem riscos. O interessante é que ele estava no Helicóptero que caiu dentro da propriedade do terrorista. Ele narra o que pensou antes do aparelho cair como um grande saco de batatas. Certamente pensou que morreria ali, naquele momento.

Depois conta em detalhes o momento em que entraram na casa de Bin Laden, subindo pavimento por pavimento atrás do criminoso internacional. Ele morava em um imóvel amplo, com três pavimentos e com portas reforçadas. Apenas um dos que estavam na casa ao seu lado esboçou uma reação e foi morto de forma imediata. Um dos filhos de Bin Laden também tentou uma reação mas suas chances contra um grupo da elite militar americana como aquele eram simplesmente nulas. Foi alvejado imediatamente e depois jogado de lado pelos membros  da equipe para desbloquear o caminho. O militar não demonstra qualquer reação diante da morte de um garoto como aqueles, simplesmente afirma que o tiraram de lado mas a poça de seu sangue prejudicou o grupo pois o chão ficou escorregadio demais para as botas dos SEALs. Não há lugar para piedade dentro de um grupo como esse.

O ápice do relato ocorre quando os militares chegam no quarto onde estava Bin Laden. Para o autor do livro ele agiu como um verdadeiro covarde. Não chegou a ter reação e nem entrou em conflito armado com o grupo americano. Simplesmente foi atingido na cabeça quando procurou ver o que estava acontecendo. Quando Mark Owen e seu grupo entrou no quarto o encontrou caído, tendo convulsões (pois o tiro havia pego em cheio). Após averiguarem que não estava armado o grupo se posicionou e atirou em seu peito, liquidando o líder do grupo Al -Qaeda de forma definitiva. Simples, firme e objetivo. Depois de Owen tirar algumas fotos o corpo do terrorista foi levado pelos militares para o helicóptero que os levou de volta para sua base. Lá o entregaram para um grupo Ranger do exército americano. Tudo durou menos do que 30 minutos. Mesmo com o acidente logo no começo da operação tudo correu como planejado.

Os militares estavam esperando fogo cerrado pois se tratava de Bin Laden mas tudo o que encontraram foi um velho numa casa sem segurança adequada, rodeado de mulheres e crianças. O livro tem causado muita polêmica nos EUA porque a versão contada por Mark Owen  (não é seu nome real mas um pseudônimo) é diferente da versão oficial divulgada pelo governo americano. Segundo a Casa Branca, Bin Laden foi morto após trocar tiros com os militares americanos. Owen afirma que isso jamais ocorreu. Laden tinha armas em seu quarto mas estavam sem munição. Ele foi atingido pelo batedor da tropa e isso não ocorreu sob fogo cruzado. Seu maior erro foi colocar a cabeça para fora do quarto onde estava para tentar ver o que ocorria no corredor. Foi nesse momento que o militar americano, obviamente um atirador de elite, o acertou bem em cheio. Em vista das diferenças de versões a confusão está armada, principalmente agora no meio da campanha presidencial americana. Afinal Bin Laden foi executado ou morto em combate? O livro traz a versão de quem esteve lá, no calor dos acontecimentos. Mark Owen pode ser punido uma vez que relata em seu livro uma operação militar altamente secreta. Ele se justifica dizendo que tem a obrigação de dizer a verdade. Cabe ao leitor depois tirar suas próprias conclusões. Realmente no mundo em que vivemos não há dia fácil.

Não Há Dia Fácil
Um Líder da Tropa de Elite Americana Conta Como Mataram Osama Bin Laden
1a. edição, 2012
Autor: Mark Owen
Editora Paralela

Pablo Aluísio.