quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

A Chegada

O filme recebeu algumas das melhores críticas quando foi lançado no final do ano passado. Depois de assisti-lo pude compreender que toda a boa receptividade não foi em vão. Realmente essa nova ficção "Arrival" faz jus a tudo o que de bom foi escrita sobre ela. Há bastante tempo Hollywood não vinha lançando boas fitas sci-fi como esse "A Chegada". A lembrança mais óbvia vem de "2001" do mestre Kubrick. A comparação não é gratuita. Desde que chegou aos cinemas o diretor Denis Villeneuve tem repetido que aquele clássico serviu como inspiração e modelo para seu filme. E o que isso significaria exatamente? Bom, significa que o roteiro foge dos clichês, procurando desenvolver um argumento mais intelectual, diria até psicológico, entre todos os personagens. Nada de apelar para saídas facéis.

O enredo começa mostrando uma sala de aula numa universidade onde leciona a Dra. Louise Banks (Amy Adams). Ela é especialista em linguagem e línguas. Curiosamente sua aula mostrada no filme é sobre a nossa língua, a língua portuguesa, que ela explica aos seus alunos ser bem diferente de todas as outras! Em breve momento até elogia o português, explicando sobre sua riqueza linguística, um idioma nascido em uma época em que havia uma simbiose entre as línguas faladas e a poesia! Ponto para nós! Pois bem, sua aula é interrompida por um evento extraordinário: a chegada no planeta Terra de doze naves alienígenas, em diversos pontos do mundo. Elas chegam e ficam paradas, estáticas, sem qualquer sinal de ação. Isso intriga os governos que começam a recrutar seus melhores especialistas em comunicação e linguagem. Afinal é necessário abrir um canal de contato com essa suposta civilização alien.

Assim a Dra. Banks é levada por um coronel, interpretado pelo sempre ótimo Forest Whitaker, para o lugar onde uma dessas naves está pousada. Os seres alienígenas em nada lembram os seres humanos, mais se parecendo com algum tipo de criatura marinha, de sete pés (daí o nome que os cientistas colocam neles, Heptaporos). E assim segue o filme com a professora tentando entrar em comunicação com os seres vindos do espaço. O curioso é que ao mesmo tempo começa uma espécie de ligação sensorial entre a Dra. Banks e os seres espaciais, uma ligação que guarda algo maior, desvendando um sentido muito mais profundo, revelando a verdadeira intenção dos visitantes.

Obviamente esqueça filmes como "Guerra dos Mundos" ou até mesmo as bobagens da franquia "Independence Day". Não é por aí. O filme apresenta um roteiro sofisticado e muito mais inteligente. Não se trata de um choque, uma uma guerra de civilizações, nada disso, pois seria banal demais. O roteiro ao invés disso se apoia em algo mais profundo, mais sensitivo. É um filme, como já escrevi, com as matizes de um "2001", algo mais intelectualizado. Sem dúvida uma das melhores obras cinematográficas de 2016. Não deixe passar em branco.

A Chegada (Arrival, Estados Unidos, 2016) Direção: Denis Villeneuve / Roteiro: Eric Heisserer, Ted Chiang / Elenco: Amy Adams, Jeremy Renner, Forest Whitaker, Michael Stuhlbarg / Sinopse: Especialista em línguas e linguagens é levada pelo governo americano para uma região remota onde aterrisou uma nave espacial de origem desconhecida. Ela terá que tentar abrir um canal de comunicação com os estranhos seres alienígenas que vieram do espaço.

Pablo Aluísio.

10 comentários:

  1. Avaliação:
    Direção: ★★★★
    Elenco: ★★★★
    Produção: ★★★
    Roteiro: ★★★★
    Cotação Geral: ★★★★
    Nota Geral: 8.5

    Cotações:
    ★★★★★ Excelente
    ★★★★ Muito Bom
    ★★★ Bom
    ★★ Regular
    ★ Ruim

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  2. Pablo; filme bom e ainda por cima com a Amy Adams? Esse é pra mim.

    PS. Complemento de comentário em Elvis, fotos da década de "50.

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  3. Pois é, ainda tem de brinde a Amy Adams... Nada mal!

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  4. Eu já re-assisti A Trapaça um milhão de vezes só para revê-la com aquelas roupas sensuais do filme. Essa menina é uma coisa.

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  5. Pablo, mataram o ministro da Lava Jato.

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  6. Teori morreu. Estão falando em várias teorias da conspiração. No Brasil tudo é possível, infelizmente.

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  7. Neste caso em especial beeem possível! Os longos tentáculos...

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  8. O Boechat disse ontem: "aceitar que foi simples coincidência a "doença" do Tancredo, o presidente mais esperado do Brasil, um dia antes da posse que levou o Brasil aonde levou; e essa "queda" do avião do ministro/relator mais implacável com os criminosos políticos, uma semana antes da homologação da delação mais importante da Lava-Jato exige uma suspenção de crença absurda".
    E isso não é um filme em que a suspenção de crença só diverte; aqui, na vida real, pode ser um desastre de proporções inimagináveis.

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  9. A luta pelo poder é algo perigoso. No Brasil então é mais perigoso ainda. A ganância para se chegar nas altas esferas pode levar a qualquer coisa, inclusive ao crime. No Brasil a classe política está cada vez mais parecida com o crime organizado (isso se não forem idênticas). Cabe a cada um salvar sua própria alma, porque coletivamente o Brasil está condenado.

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  10. Pois é: eu penso que quando um simples gerente de uma empresa estatal concorda em DEVOLVER cento e vinte milhões!!!, se imagina o espectro no crime e os tentáculos que se originam de tal projeto; e diante destas grandezas financeiras a vida humana passa a valer muito pouco, ou nada.
    Demorou para os assassinatos começarem. O Moro e os outros juízes que se enquadrem, ou se cuidem, pois a coisa vai ficar muito mais feia. Terrorismo é isso.

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