sábado, 28 de fevereiro de 2026

Elvis Presley - Double Trouble (1967)

Deve ter sido frustrante, no mínimo, para Elvis gravar a trilha sonora de "Double Trouble". A maioria das músicas eram esquecíveis, e com certeza não acrescentariam nada para o cantor. Logo ele que há um mês estava em Nashville gravando o espetacular disco gospel "How Great Thou Art", além de várias outras músicas incríveis como "Tomorrow is a Long Time", "Down in the Alley" e "I´ll Remember You". Elvis se atrasou para a sessão de gravação e como resultado a MGM mudou o endereço das gravações para o seu próprio estúdio, que era simplesmente horrível. A essa altura ninguém ligava mais para a qualidade de nada e o porquê de Elvis se submeter a essa humilhação, tendo que gravar para a trilha péssimas canções como "Old Mac Donald", é um dos grandes mistérios de sua carreira!

Uma das poucas coisas boas dessa sessão foi que Elvis teve a chance de conhecer pessoalmente seu ídolo Jackie Wilson, que estava pelas redondezas. Uma curiosidade é que Elvis, em 1975, ajudou financeiramente Jackie quando ele sofreu um ataque cardíaco. O filme "Double Trouble" (Canções e Confusões, no Brasil) não é tão ruim e teve a vantagem de teoricamente ser ambientado na Europa, mudando o ambiente. Teoricamente, pois foi todo filmado nos EUA. Possui alguns personagens interessantes como os dois ladrões, bem engraçados, uma trama previsível, mas bem legal e uma intrigante atriz como a principal. Annete Day fez sua estreia no cinema com Elvis nesse filme e aparentemente não gostou, pois esse foi seu único. Ela tinha apenas 18 anos quando contracenou com Elvis e os dois tiveram uma boa química, mais cômica do que romântica. O clima sombrio do filme envolvendo tentativas de assassinato de Guy Lambert (nome do personagem de Elvis) parece que previa o naufrágio nas bilheterias, sendo que este filme foi um dos cinco que menos renderam na carreira de Elvis. A trilha sonora foi a primeira a nem conseguir entrar para o top 40 americano conseguindo a lastimável 47ª posição. Na Inglaterra foi um pouco melhor sendo 34º lugar.

DOUBLE TROUBLE (D. Pomus / M. Shuman) - Doc Pomus e Mort Shuman foram responsáveis por grande parte do melhor material gravado por Elvis de 1960 a 1963, porém, sua última contribuição (Elvis ainda viria em 69 a gravar a belíssima "You´ll Think of Me" de Mort Shuman) não é lá essas coisas e seguia a mediocridade de músicas recentemente escritas por eles como: "What Every Woman Lives For" e "Never Say Yes". Não que "Double Trouble" seja ruim, mas comparada com músicas como "Little Sister" e "Viva Las Vegas", também escritas pela dupla, mostram claramente que Pomus e Shuman não estavam exatamente inspirados. Mas Elvis e a banda estão ok. A letra é bobinha e a música muito curta. Destaque para a escandalosa introdução da orquestra, fato raro em músicas de Elvis à época.

BABY IF YOU GIVE ALL OF YOUR LOVE (Joy Byers) - Mais uma excelente contribuição de Joy Byers para a discografia de Elvis. Essa música super animada é uma das melhores das últimas trilhas sonoras e junto com "City by Night", a melhor do filme. Merecia um lançamento em single, talvez como lado B de "Long Legged Girl". Foi bastante subestimada pela gravadora.

COULD I FALL IN LOVE (Randy Starr) - Os filmes de Elvis sempre possuíam boas baladas e esse aqui não é exceção. Pena que o arranjo dessa não seja tão bom quanto de "Am I Ready?" por exemplo, o que tirou seu potencial de single. Interessante é a cena em que Elvis a canta para Annete Day, onde o acompanhamento da música é oriundo de um pequeno single que Elvis bota para tocar. Na capa a foto de Guy Lambert! (o personagem interpretado por Elvis).

LONG LEGGED GIRL (J.L. Mc Farland / W. Scotty) - Outro grande rock da trilha que sofre do mal de ser muito curto. Essa música agitada, com uma guitarra estridente, foi lançada como single alcançando a péssima 63ª posição nos EUA. Nunca um lado A de Elvis havia entrado nas paradas e conseguido como posição máxima, colocação tão baixa. E dessa vez a culpa não era da música, que era boa, e sim porque o público já não estava mais prestando atenção nos lançamentos de Elvis Presley por essa época! Curiosidade: Foi a música mais curta de Elvis a entrar no Hot 100, com apenas 1 minuto e vinte e sete segundos de duração.

CITY BY NIGHT (Giant / Baum / Kaye) - Definitivamente uma das melhores músicas de Elvis nas trilhas da década 60, essa canção foi o mais próximo que Elvis chegou de cantar um jazz em sua carreira. Com um trompete sinistro, a banda afiadíssima e a voz de Elvis em perfeitas condições, com um "yeah" no final que lembra "Trouble", essa verdadeira pérola não recebeu a menor atenção em sua época de lançamento. Talvez seu próprio estilo, diferente de tudo que Elvis havia gravado, tenha desagradado aos fãs mais tradicionalistas do cantor. Além disso, o disco "Double Trouble" foi um dos maiores fracassos da carreira de Elvis. Lançado em 1967, ano em que Elvis amargou o seu pior ano de apatia com o público, com a carreira praticamente arruinada por seus filmes em Hollywood. Em um cenário tão desolador, que chance de atenção essa preciosidade poderia ter tido?

OLD MAC DONALD (Randy Starr) - Você está escutando esse disco e pensa: "É, não é tão ruim quanto dizem". Porém seu pensamento é diluído com os primeiros acordes de simplesmente o pior momento de Elvis no cinema: o Rei do Rock cantando "Old Mac Donald"!!! A cena do filme é pior ainda, com Elvis na traseira de um caminhão cheio de animais (isso mesmo!), cantando a mais degradante de todas as suas canções. Como é que alguém se atreveu a por essa música no filme, e o pior, como Elvis aceitou cantá-la? A trilha e o filme até que não são ruins, mas tudo vai por água abaixo com essa música. Quem, em sua sã consciência, em pleno verão do amor de 67, iria pagar para ver Elvis se humilhando cantando porcarias? Entendam, a música em si, cantada para crianças é excelente. Mas botá-la num filme de Elvis foi a pior das ideias!

I LOVE ONLY ONE GIRL (S. Tepper / R.C. Bennett) - Adorava essa música quando tinha 10 anos, mas agora ela me parece bem bobinha, algo tirado de uma peça teatral para crianças. E o ritmo dela é uma marchinha! Que horror! A cena do filme com essa música, conta com um absolutamente desnecessário número de dança de uma garotinha. Detalhe: em 1972 algum gênio da RCA teve a brilhante ideia de botar no mesmo disco em que a fenomenal e clássica Burning Love foi lançada, vários besteiróis dos filmes. Adivinhem qual música estava presente também? Vou dar uma dica: uma marchinha bobinha de "Double Trouble". Ai... ai... se pudesse matar o Coronel Parker e os dirigentes da RCA...

THERE´S TOO MUCH WORLD TO SEE - Depois de duas músicas horrorosas, qualquer coisa de nível regular é um alívio. É o caso dessa música, da qual 2 minutos depois que você escutar não vai mais se lembrar dela. É a típica música que só Elvis consegue tornar audível. Pelo menos tem uma letrinha interessante, apesar do ritmo esquecível e se você for o tipo do cara aventureiro e que quer sua liberdade, ficando longe de qualquer relacionamento sério, vai se identificar com essa aqui.

IT WON'T BE LONG - Para encerrar a parte da trilha de "Double Trouble" temos essa música, que se não chega a ser excepcional, mantém a dignidade, com um ritmo bom e bem executado. Solando em toda a canção temos a preciosa participação do guitarrista Tiny Timbrell. É bem acima da média do restante do material do filme, porém não é nada demais, apenas correta no final das contas.

NEVER ENDING (Buddy Kaye / Phil Springer) - Nesse disco originalmente foram lançadas três músicas bônus, todas gravadas em 1963 e essa é a primeira delas. "Never Ending" é uma bonita balada, com um ritmo acima da média, contando com o ótimo trabalho da banda de Elvis em Nashville. A voz de Elvis parece diferente, lembrando algo como "I love you Because". Se não soubesse diria que essa música era de 54, ou então 55. Foi lançada em um single como lado B de "Such a Night" (gravada em 60 e cujo single tinha uma foto de Elvis em 56 na capa!) em 1964 e não conseguiu entrar nas paradas. Ganhou um pouco de destaque em um disco no Brasil lançado em 89: Good Rocking Tonight- The Best of Elvis vol 2.

BLUE RIVER (Paul Evans / Fred Tapias) - Em 1965, enquanto os Beatles dominavam a cena musical, os produtores de Elvis quebravam a cabeça para encontrar alguma música para lançar como single de fim de ano, visto que fazia quase dois anos que Elvis não gravava nada além de trilhas sonoras. Cavucando, encontraram uma gravação de 1957, "Tell Me Why", que foi lançada alcançando a mera 33º posição. Para o lado B do single lançaram uma música gravada em 1963, um roquinho bastante curto com conteúdo que lembrava ligeiramente "Heartbreak Hotel", mas que nem chegava ao dedão do pé desse grande clássico. A música era "Blue River" e alcançou a péssima 95º posição, quase nem entrando no Hot 100, merecidamente, pois não é lá essas coisas. Legalzinha, no máximo. Essa música foi lançada em fevereiro de 1966 na Inglaterra como lado A, tendo como lado B uma música gravada para a trilha de "Girl Happy" (!): "Do Not Disturb". Oh bagunça que eram os singles de Elvis dessa época! Os fãs ingleses apreciaram mais a música, que chegou ao 22º lugar nas paradas.

WHAT NOW, WHAT NEXT, WHERE TO (Don Robertson / Hal Blair) - O disco encerra com essa composição bem fraquinha de Don Robertson, que escreveu com certeza material muito melhor como "Love Me Tonight", gravado na mesma sessão dessa música. Com um ritmo arrastado e um letra esquecível não acrescenta nada ao disco. Curiosidade: Foi gravada em uma única tentativa.

Elvis Presley - Double Trouble (1967): Elvis Presley (vocal) / Scotty Moore (guitarra) / Tiny Timbrell (guitarra) / Bob Moore (baixo) / D.J. Fontana (bateria) / Buddy Harmon (bateria) / Floyd Cramer (piano) / Pete Drake (Steel Guitar) / Charlie McCoy (Harmonica) / Boots Randolph (sax) / Richard Noel (Trombone) / The Jordanaires (Gordon Stoker, Hoyt Hawkins, Neal Matthews e Ray Walker) / City By Night: Michael Deasy (guitarra) / Jerry Scheff (baixo) / Toxey French (bateria) / Michael Anderson (Sax) / Butch Parker (sax) / Gravado no Radio Recorders, Hollywood, California exceto "Never Ending", "What Now, What Next, Where To" e "Blue River" gravadas no RCA Studio B, Nashville / Data de gravação: 28 e 29 de junho de 1966, exceto "City By Night" gravada em 14 de julho de 1966 e "Never Ending", "What Now, What Next, Where To" e "Blue River" gravadas em maio de 1963 / Produzido e arranjado por Felton Jarvis e Jeff Alexander / Data de lançamento: junho de 1967 / Melhor posição nas charts: #47 (USA) e #34 (UK).

Pablo Aluísio e Victor Alves - março de 2005.

The Sound of Music

The Sound of Music (Original Broadway Cast, 1959)
O primeiro álbum a alcançar o topo da Billboard 200 em 1960 foi a gravação original da Broadway de The Sound of Music. Lançado no final de 1959 e impulsionado pelo enorme sucesso do musical nos palcos de Nova York, o disco rapidamente se transformou em fenômeno comercial no início da nova década. A obra, composta pela lendária dupla Rodgers and Hammerstein, já carregava a reputação de sucessos anteriores como Oklahoma! e South Pacific, mas aqui atingia um nível de popularidade ainda mais amplo. Em uma época em que os álbuns de trilhas e elencos da Broadway dominavam o mercado fonográfico, esta gravação consolidou-se como símbolo da transição entre os anos 1950 e 1960.

Musicalmente, o álbum combina orquestrações luxuosas, melodias marcantes e letras que alternam leveza, romantismo e espiritualidade. A interpretação de Mary Martin no papel de Maria é um dos grandes destaques da gravação original, trazendo vivacidade e doçura às canções. Faixas como “My Favorite Things”, “Do-Re-Mi” e “Climb Ev’ry Mountain” rapidamente se tornaram standards da música popular americana. Diferente do tom mais rebelde que começaria a emergir no rock poucos anos depois, o álbum representa ainda um momento de elegância clássica e otimismo cultural, características fortes do entretenimento do pós-guerra.

O impacto comercial foi impressionante: o disco permaneceu por semanas no topo das paradas e tornou-se um dos álbuns mais vendidos do período. Seu sucesso demonstrava a força da Broadway como indústria fonográfica antes da consolidação definitiva do rock como gênero dominante. Mais do que um simples campeão de vendas, The Sound of Music simboliza o último grande momento de hegemonia dos musicais teatrais nas paradas americanas, pouco antes da explosão cultural que redefiniria completamente o cenário musical da década de 1960.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Quiz Show - A Verdade dos Bastidores

Sempre achei muito superestimado. O filme passa longe de ser ruim, mas também não é tudo aquilo que a crítica elogiou na época de seu lançamento. O roteiro é interessante porque mostra o momento em que os executivos da televisão americana começaram a entender que o público poderia ser facilmente manipulado (algo que aliás acontece até hoje!). Valia tudo para aumentar a audiência e se fosse necessário criar uma grande farsa para que esse objetivo fosse atingido então que fosse assim. O enredo mostra os bastidores de um popular programa de TV onde os participantes tinham que responder perguntas dos mais diversos assuntos. Um deles acaba virando ídolo nacional, por causa da grande inteligência em dar respostas para as mais complicadas questões. Depois descobre-se que tudo não passava de uma enorme enganação.

Dirigido por Robert Redford, que tem grande influência dentro da indústria cinematográfica, o filme acabou tendo chances reais de vencer o Oscar de melhor filme naquele ano. Ainda bem que o bom senso prevaleceu. Temos um bom roteiro e uma direção eficiente e muito profissional de Redford, isso porém não transformou "Quiz Show" em uma obra prima. Seu estilo quase documental acabou me desagradando em certos aspectos. Redford foi de certa maneira bem frio em sua forma de contar a história (que é baseada em fatos reais). Provavelmente se tivesse colocado um pouco mais de cor e coração na realização de sua obra as coisas teriam se tornado melhores do que realmente foram.

Quiz Show - A Verdade dos Bastidores (Quiz Show, Estados Unidos, 1994) Direção:/ Roteiro: Paul Attanasio, baseado no livro escrito por Richard N. Goodwin / Elenco: Ralph Fiennes, John Turturro, Rob Morrow / Sinopse: Uma programa de televisão, de perguntas e respostas, toma um caminho totalmente diferente. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Direção, Roteiro Adaptado e Ator (Paul Scofield). Também indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme - Drama, Direção, Roteiro e Ator Coadjuvante (John Turturro).

Pablo Aluísio.

Íntimo & Pessoal

Título no Brasil: Íntimo & Pessoal
Título Original: Up Close & Personal
Ano de Produção: 1996
País: Estados Unidos
Estúdio: Touchstone Pictures
Direção: Jon Avnet
Roteiro: Joan Didion, John Gregory Dunne
Elenco: Robert Redford, Michelle Pfeiffer, Stockard Channing

Sinopse:
Sally 'Tally' Atwater (Michelle Pfeiffer) é uma ambiciosa jovem jornalista que acaba se apaixonando por seu chefe, o experiente e veterano Warren Justice (Robert Redford). Duas personalidades diferentes, com histórias de vida tão diversas, poderiam se envolver em um ardoroso caso de amor?Filme indicado ao Oscar na categoria Melhor Canção Original ("Because You Loved Me" de Diane Warren).

Comentários:
Um bom filme romântico dos anos 1990 que hoje em dia se tornou um pouco esquecido. É aquele tipo de drama bem sofisticado, com excelente trilha sonora (que inclusive teve uma das canções indicada ao Oscar) e contando com o carisma da ótima dupla central de atores. Há tempos que Redford queria trabalhar com o cineasta Jon Avnet que havia dirigido dois de seus filmes preferidos, "Tomates Verdes Fritos" e "A Árvore dos Sonhos". Quando o roteiro caiu em suas mãos o ator e produtor achou por bem convidar Avnet para dirigir esse filme. Sábia decisão pois Avnet conseguiu trazer uma sofisticação e um charme que tornaram o romance irresistível. Michelle Pfeiffer exibe uma sensualidade à flor da pele e a química com Redford funciona plenamente - o que é essencial para uma película romântica como essa. Assim deixo a dica para quem estiver em busca de um filme sobre relacionamentos adultos com um bom enredo e direção inspirada.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Firefox - A Raposa de Fogo

Título no Brasil: Firefox - A Raposa de Fogo
Título Original: Firefox
Ano de Produção: 1982
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Alex Lasker, Wendell Wellman
Elenco: Clint Eastwood, Freddie Jones, David Huffman

Sinopse: 
Clint Eastwood interpreta Mitchell Gant, um piloto que recebe um missão extremamente perigosa: entrar na União Soviética em plena guerra fria para roubar um super avião dos russos. A nova arma dos soviéticos é completamente inovadora, com controles neurais jamais vistos antes, uma nova tecnologia totalmente nova para as forças armadas americanas.

Comentários:
Ao longo de uma carreira longa e produtiva o ator, diretor e produtor Clint Eastwood raras vezes decepcionou seus fãs. Aqui não seria diferente. Co-produzido por sua companhia cinematográfica Malpaso (juntamente com a Warner) e dirigido pelo próprio Clint, "Firefox - A Raposa de Fogo" é certamente um dos bons momentos da filmografia de Eastwood. O filme tem ação, aventura e suspense em doses generosas. Seu jeito durão também cai como uma luva para seu papel. Poucas palavras e muita ação. É sem dúvida um bom entretenimento com belas e bem boladas cenas de combate aéreo, apesar de compreensivelmente alguns dos efeitos soarem datados hoje em dia. Mas vale a pena. Clint como sempre mantendo o bom nível de qualidade de seus filmes.

Pablo Aluísio.

Desejo de Matar 2

Título no Brasil: Desejo de Matar 2
Título Original: Death Wish II
Ano de Produção: 1982
País: Estados Unidos
Estúdio: Cannon Films
Direção: Michael Winner
Roteiro: David Engelbach, Brian Garfield
Elenco: Charles Bronson, Jill Ireland, Vincent Gardenia

Sinopse:
Cidadão comum, pacato arquiteto, não consegue superar o trauma da morte de sua família (eventos mostrados no primeiro filme da franquia). Assim acaba descobrindo que um grupo de punks esteve envolvido na morte de sua filha. Sem pensar duas vezes ele resolve se armar com pistolas de grande calibre para passar fogo em todos aqueles marginais, verdadeiras escórias da sociedade.

Comentários:
Segundo filme da saga do justiceiro Paul Kersey, que acabou se tornando o personagem mais famoso e popular da carreira do ator Charles Bronson. Como se sabe o primeiro filme causou um certo debate sobre a validade da justiça feita pelas próprias mãos. Essa sequência já não tem mais nenhuma preocupação em levantar qualquer tipo de bandeira sobre isso, se contentando em disponibilizar ao público um filme de ação bem realizado, com bem movimentadas cenas de confronto entre o arquiteto interpretado por Bronson (representando a indignação do homem comum, honesto) contra os jovens punks (que estão ali para materializar tudo o que está errado dentro da sociedade corrompida por valores destrutivos). Quem acaba ganhando no final são os próprios fãs de Charles Bronson, que certamente não terão do que reclamar. 

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

O Iluminado

Título no Brasil: O Iluminado
Título Original: The Shining
Ano de Produção: 1980
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Stanley Kubrick
Roteiro: Stanley Kubrick, Diane Johnson
Elenco: Jack Nicholson, Shelley Duvall, Danny Lloyd, Scatman Crothers, Barry Nelson, Philip Stone

Sinopse:
Roteiro inspirado no famoso livro escrito pelo autor Stephen King. Na história um homem chamado Jack Torrance (Jack Nicholson) é contratado para trabalhar em um hotel isolado e fechado durante o inverno. Ele viaja com sua esposa e filho e descobre que o lugar é assustadoramente sombrio.

Comentários:
Stephen King não gostou dessa adaptação de sua própria obra. Stanley Kubrick não se importou com sua opinião. Na verdade o mestre do cinema estava interessado em fazer um grande filme de terror e suspense psicológico e não em ser fiel demais ao livro que serviu de ponto de partida para o roteiro do filme. E nesse aspecto ele estava mais do que certo. "O Iluminado" é considerado um dos grandes clássicos de sua filmografia. Curiosamente Kubrick visitou o hotel verdadeiro onde a história do livro foi inspirada, mas depois de passar uma noite hospedado nele desistiu de filmar o filme por lá. Achou que o lugar não tinha "as vibrações necessárias" para isso. Assim a Warner acabou mudando a produção para um antigo hotel localizado em uma montanha gelada no Oregon. Aí sim o filme começou a ganhar aquele clima que todos conhecemos. E o que dizer da atuação de Jack Nicholson? Ele está possesso em cena, o que convenhamos era justamente o que seu papel exigia. O resultado de tantos elementos juntos? Um dos filmes essenciais dos anos 80. Verdadeira obra-prima.

Pablo Aluísio.

M.A.S.H.

Título no Brasil: M.A.S.H.
Título Original: M.A.S.H.
Ano de Produção: 1970
País: Estados Unidos
Estúdio: Aspen Productions
Direção: Robert Altman
Roteiro: Ring Lardner Jr.
Elenco: Donald Sutherland, Elliott Gould, Tom Skerritt, Robert Duvall, Sally Kellerman, Roger Bowen

Sinopse:
Roteiro escrito a partir do livro escrito por Richard Hooker. Os funcionários de um hospital de campanha na Guerra da Coréia, entre eles três cirurgiões, usam do bom humor e da ironia para manterem sua sanidade mental diante do horror da guerra. Filme premiado com o Oscar na categoria de melhor roteiro adaptado (Ring Lardner Jr).

Comentários:
Fazer comédias em filmes de guerra não era exatamente uma novidade em Hollywood. Só que esse filme aqui foi produzido em uma época particularmente complicada. Os Estados Unidos ainda estavam atolados na guerra do Vietnã e muitos jovens perdiam a vida nas florestas úmidas daquele país asiático. Por isso vários diretores recusaram o convite para dirigir esse filme. Acabou sobrando para Robert Altman, que sempre foi considerado um cineasta independente dentro do cinema americano. E ele fez um filme muito bom mesmo. Esse tipo de roteiro nunca foi a especialidade de Altman, mas ele se saiu muito bem. A crítica gostou muito e o filme acabou ganhando uma boa bilheteria, algo que poucos esperavam. Ninguém acusou o filme de ser inconveniente ou desrespeitoso com os combatentes do Vietnã, pelo contrário, todos pareceram gostar - até mesmo os soldados que lutavam naquela guerra sem sentido. O sucesso comercial foi tão bom que rendeu até mesmo uma série de TV. Ainda me lembro de ter assistido alguns episódios na TV aberta, na Rede Bandeirantes, durante as décadas de 1970 e 1980. Um belo resultado para um filme que ninguém acreditava que iria dar certo.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

O Vale da Vingança

O Vale da Vingança
“O Vale da Vingança” é um filme de western interessante porque o foco de seu roteiro difere um pouco dos filmes de faroeste de sua época. A moralidade é o centro do argumento dessa produção. Lily Fasken (Sally Forrest) é uma jovem que surge grávida numa pequena cidade do velho oeste. Apesar da pressão para dizer quem é o verdadeiro pai de seu filho, ela se recusa a revelar o nome de todas as formas. As coisas começam a ficar mais complicadas quando o cowboy Owen Daybright (Burt Lancaster) surge uma noite em sua casa para lhe dar uma soma em dinheiro para que ela possa cuidar da criança recém-nascida. Seu ato logo despertam suspeitas. Os moradores da cidade começam então a comentar que Owen seria o verdadeiro pai do filho de Lily. Não demora muito para que os irmãos dela saiam no encalço de Owen, exigindo que ele se case com sua irmã. Caso contrário as coisas iriam complicar e muito para ele. A verdade porém é muito mais complexa do que isso. Como se sabe no velho oeste a honra de uma mulher geralmente era resolvida na base da violência. Duelos eram comuns nessas situações limites. Mais cedo ou mais tarde aquela situação delicada seria resolvida na base do gatilho e da pólvora.

O ator Burt Lancaster é o astro do filme, mas o personagem mais interessante da trama é Lee (Robert Walker), seu irmão no roteiro. Lee é um cowboy, assim como Owen (Lancaster), mas ao contrário desse não tem qualquer tipo de valor moral. Ele mente, rouba, faz trapaças e coloca seu irmão nas mais diversas dificuldades. Para piorar é o responsável pela saia justa em que Owen se encontra com os irmãos da austera e decidida Lily. É realmente uma pena que Robert Walker tenha morrido tão jovem, com apenas 32 anos. Ele era talentoso e tinha excelente postura em cena. Como Lee, o irmão problemático, ele acaba roubando o filme de Burt Lancaster. Esse “O Vale da Vingança” seria seu antepenúltimo trabalho. Ele tragicamente faleceu em agosto de 1951 após misturar remédios prescritos com bebida alcoólica. A reação foi tão forte que acabou o levando ao óbito de forma muito precoce. Uma grande perda.

O diretor de “O Vale da Vingança” foi o eclético Richard Thorpe que teria seu auge de popularidade seis anos depois ao dirigir o cantor Elvis Presley no sucesso “O Prisioneiro do Rock” (Jailhouse Rock, 1957). Thorpe foi um dos cineastas mais produtivos da história de Hollywood, tendo dirigido incríveis 185 filmes ao longo de sua carreira! Enfim temos aqui um western que discute a situação da mulher no velho oeste. Ser uma mãe solteira naqueles tempos duros e ambiente rude, realmente não era para qualquer uma. Assista e entenda essa interessante questão moral que o roteiro se propõe a discutir.

O Vale da Vingança (Vengeance Valley, Estados Unidos, 1951) Direção: Richard Thorpe / Roteiro: Irving Ravetch baseado no livro de Luke Short / Elenco: Burt Lancaster, Robert Walker, Joanne Dru, Sally Forrest, John Ireland / Sinopse: Um cowboy chamado Owen (Burt Lancaster) é apontado erroneamente como o pai de uma criança recém nascida numa pequena cidade do velho oeste. Procurando por vingança pelos danos morais impostos a sua irmã, dois pistoleiros vão em busca de Owen para tomar satisfações. O conflito terá graves consequências.

Pablo Aluísio.
 

A Lenda do Bronze

A Lenda do Bronze
Interessante western B da United Artists. Ao longo dos anos acabou ganhando um status de cult movie. O enredo se desenvolve em torno de um perigoso pistoleiro foragido chamado Tris Hatten (Raymond Burr). Seu paradeiro é desconhecido e como acontecia de forma habitual no velho oeste sua cabeça está a prêmio. Após cavalgar pelo deserto hostil ele chega na pequena cidade de Apache Bend, bem na fronteira do México, ao lado de um reserva de índios Apache. Imediatamente procura uma taberna de um conhecido, o mexicano Sanchez. Lá encontra bebidas, mulheres e um pouco de descanso. Nesse momento acaba sendo avistado por um garoto, Clay Gipson (Donald MacDonald), filho do xerife da cidade, Wade Addams (Hugh O'Brian), que imediatamente se dirige até o local e efetua a prisão do foragido fora-da-lei, sem maiores problemas. A história da captura do temido pistoleiro por um desconhecido xerife de uma cidadezinha logo chega aos jornais, o que atrai a atenção de todos os bandoleiros da região, inclusive do antigo bando de Hatten que não tarda a chegar em Apache Bend.

Agora o xerife terá que a todo custo manter sob custódia o famoso bandido em sua modesta delegacia, enquanto aguarda a chegada do juiz na cidade para o julgamento e enforcamento do bandido. Esse faroeste é estrelado pelo ator Hugh O'Brian, que hoje está injustamente esquecido. Seus personagens eram dos mais virtuosos do cinema da época. Para se ter uma ideia o xerife interpretado por ele aqui é um sujeito completamente ético, honesto e ciente de seus deveres. Embora haja uma grande recompensa pela captura do famigerado Tris Hatten, ele a recusa, afirmando que só está cumprindo seu dever. Sua esposa, interpretada pela linda atriz Nancy Gates, quer que ele deixe a estrela de bronze de lado para se tornar apenas um rancheiro mas ele quer cumprir sua função até o fim. 

Filmes sobre xerifes honrados sempre são interessantes. Esse aqui lembra em certos momentos de “Matar ou Morrer”, o grande clássico com Gary Cooper. Assim como acontecia naquele filme ele também tem que enfrentar uma situação de extremo perigo, praticamente sozinho, acompanhando de apenas uns poucos auxiliares. A trilha sonora, toda executada com apenas dois instrumentos, gaita e violão, acentua ainda mais sua solidão e melancolia. Em suma, um belo filme realmente, que obviamente bebe de todos os clichês do gênero mas que nem por isso deixa de ser muito bom. Fica a recomendação.

A Lenda do Bronze (The Brass Legend, Estados Unidos,1956) Direção: Gerd Oswald / Roteiro: Jess Arnold, Don Martin / Elenco: Hugh O'Brian, Nancy Gates, Raymond Burr, Donald MacDonald / Sinopse: Após capturar famoso pistoleiro um xerife de uma pacata e pequena cidadezinha do velho oeste assume o desafio de manter o fora-da-lei preso até a chegada do juiz no local. Enquanto isso o antigo bando do bandido encarcerado chega na cidade para liberta-lo das garras da lei.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Lawrence da Arábia

Lawrence da Arábia
Lançado em 10 de dezembro de 1962, Lawrence da Arábia (Lawrence of Arabia) foi dirigido por David Lean e estrelado por Peter O'Toole, ao lado de Omar Sharif, Alec Guinness, Anthony Quinn e Jack Hawkins. O filme retrata a trajetória do oficial britânico T. E. Lawrence durante a Primeira Guerra Mundial, quando se envolve profundamente na Revolta Árabe contra o Império Otomano. A narrativa combina aventura épica, drama psicológico e reflexão política, acompanhando a transformação do protagonista à medida que ele se torna figura simbólica e controversa no conflito. O ponto de partida dramático está na missão diplomática de Lawrence no deserto, que evolui para liderança militar e questionamentos internos sobre identidade, lealdade e ambição, sem antecipar os desdobramentos finais de sua jornada.

Na época do lançamento, a recepção crítica foi extremamente entusiasmada. O The New York Times descreveu o filme como “um dos espetáculos mais grandiosos já realizados”, elogiando sua escala monumental e a complexidade do personagem central. Já o Los Angeles Times destacou a fotografia deslumbrante do deserto e a atuação magnética de Peter O'Toole, cuja performance foi considerada revelação internacional. A revista Variety apontou a produção como um marco do cinema épico, ressaltando a combinação de ambição histórica e profundidade psicológica. O The New Yorker comentou que a obra transcendia o gênero de guerra ao explorar as contradições morais do imperialismo e da liderança carismática. Apesar de sua longa duração — superior a três horas e meia na versão original — o consenso crítico consolidou-se como amplamente positivo, reconhecendo o filme como realização artística de grande porte.

No campo comercial, Lawrence da Arábia obteve forte desempenho internacional, arrecadando cifras expressivas para a época e consolidando-se como sucesso de bilheteria. Produzido com orçamento elevado, o filme recuperou o investimento e tornou-se um dos grandes eventos cinematográficos dos anos 1960. Além disso, conquistou sete Oscars, incluindo melhor filme e melhor direção, reforçando sua importância histórica e artística. Com o passar das décadas, Lawrence da Arábia manteve reputação de clássico incontestável do cinema mundial. Restaurado diversas vezes para preservar sua qualidade visual, o filme é frequentemente citado em listas dos maiores filmes de todos os tempos. A direção de David Lean, a trilha sonora memorável de Maurice Jarre e a interpretação intensa de Peter O'Toole continuam sendo referências obrigatórias quando se discute o auge do cinema épico histórico.

Lawrence da Arábia (Lawrence of Arabia, Reino Unido/Estados Unidos, 1962) Direção: David Lean / Roteiro: Robert Bolt e Michael Wilson (baseado nos escritos de T. E. Lawrence) / Elenco: Peter O'Toole, Omar Sharif, Alec Guinness, Anthony Quinn, Jack Hawkins, José Ferrer / Sinopse: Um oficial britânico lidera forças árabes durante a Primeira Guerra Mundial e enfrenta conflitos internos enquanto se torna figura lendária em meio ao deserto.

Erick Steve. 

A Trágica Farsa

A Trágica Farsa
Foi o último filme da carreira do ator Humphrey Bogart. O interessante aqui é que em seu último papel, Bogart interpretava um sujeito que após várias táticas desonestas se arrependia e procurava por redenção – algo um tanto quanto distante de todos os seus famosos papéis de personagens cínicos do passado, que viraram sua marca registrada ao longo da carreira. Afinal essa coisa de redenção pessoal era para os fracos, pelo menos do ponto de vista de sua vasta galeria de personagens interpretados ao longo de décadas de carreira em Hollywood. Não é desnecessário relembrar que nos primeiros filmes Bogart geralmente interpretava gângsters da pesada, sujeitos forjados na criminalidade, sem essa de remorso ou culpa. Eram caras durões, acima de tudo.

Em “A Trágica Farsa” Bogart interpreta o jornalista esportivo Eddie Willis que após 17 anos trabalhando em jornais da cidade se vê subitamente desempregado. Tentando sobreviver, ele procura contato dentro do mundo dos esportes e acaba se envolvendo com o promotor de lutas de boxe Nick Benko (Rod Steiger). Inicialmente Benko escala Willis como relações públicas de um jovem boxeador chamado Toro Moreno (Mike Leno) mas esse não confirma seu potencial. Visando recuperar seu dinheiro investido Benko propõe a Willis uma parceria em uma série de lutas forjadas com o único objetivo de enganar e ganhar o dinheiro de apostadores desavisados. Além de ganhar dinheiro das apostas a dupla pretende trilhar o caminho do pouco talentoso boxeador para uma luta com o atual campeão de pesos pesados em Nova Iorque o que lhes trará uma soma considerável, uma verdadeira fortuna.

O roteiro de “A Trágica Farsa” é muito bem desenvolvido e mostra sem paliativos o podre universo das lutas arranjadas dentro da liga de boxe dos Estados Unidos durante a década de 1950. No começo de tudo o personagem de Bogart se sente completamente à vontade enganando e tapeando os apostadores de lutas por onde passa, mas após a morte de um lutador ele começa a se arrepender do que está fazendo. E é justamente nesse período de crise de consciência que o filme cresce e Bogart mostra todo o seu talento. Em seu último papel o ator Humphrey Bogart explora bem sua própria decadência fisica em prol de seu papel. Ele encaminha-se para o lado do crime por não ter mais nenhum outro caminho a seguir. Velho e aparentemente ultrapassado, ele é logo jogado de lado pelo mercado de trabalho,  o que de certa forma justifica seus atos ao longo do filme (embora não totalmente). ]

Foi certamente um típico caso onde a vida imitava a arte. Tão vulnerável estava Bogart durante as filmagens que o estúdio lhe pediu que voltasse para “dublar” certas passagens do filme pois sua voz estava inaudível (por pura falta de energia ao dizer suas falas). A fotografia em preto e branco e o fato da estória ser baseada na vida do promotor Harold Conrad ajudam ainda mais em seu resultado final. O filme foi lançado no Festival de Cannes de 1956 e dividiu opiniões. Para o New York Times o filme era "uma história brutal e desagradável, com toques de melancolia". De uma maneira ou outra fica a recomendação desse “A Trágica Farsa”, o último filme de um dos maiores mitos da história da sétima arte, Humphrey Bogart.

A Trágica Farsa (The Harder They Fall, Estados Unidos, 1956) Direção: Mark Robson / Roteiro: Philip Yordan baseado no livro de Budd Schulberg / Elenco: Humphrey Bogart, Rod Steiger, Jan Sterling / Sinopse: Jornalista desempregado (Humphrey Bogart) resolve entrar no submundo das lutas forjadas no mundo do boxe Americano da década de 1950. Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhor Fotografia em Preto e Branco (Burnett Guffey). Indicado à Palma de Ouro no Cannes Film Festival.

Pablo Aluísio.

 

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Imperador Romano Valeriano

Imperador Romano Valeriano
Valerian, conhecido em português como Valeriano, foi imperador romano entre os anos 253 e 260 d.C., governando durante um dos períodos mais turbulentos da história do Império: a chamada Crise do Século III. Nascido por volta de 199 d.C., provavelmente em uma família senatorial influente, Valeriano ascendeu ao poder em meio a guerras civis, invasões bárbaras e instabilidade econômica. Seu governo seria marcado por desafios extremos e por um desfecho trágico sem precedentes. Ao assumir o trono, Valeriano dividiu o poder com seu filho, Galieno, estabelecendo uma administração conjunta para enfrentar as ameaças simultâneas nas fronteiras. Enquanto Galieno ficou responsável pelo Ocidente, combatendo invasões germânicas, Valeriano concentrou-se no Oriente, onde o Império enfrentava o avanço do poderoso Império Sassânida. Essa divisão administrativa foi uma tentativa prática de lidar com a extensão territorial romana em um momento de crise generalizada.

Internamente, o império sofria com inflação, revoltas militares e sucessivas usurpações. A autoridade imperial estava enfraquecida, e o exército tornara-se decisivo na escolha e deposição de governantes. Valeriano precisou agir rapidamente para manter a lealdade das legiões, ao mesmo tempo em que tentava estabilizar a economia e a administração. Um dos aspectos mais controversos de seu reinado foi a perseguição aos cristãos. Em 257 e 258, Valeriano promulgou éditos que proibiam reuniões cristãs e ordenavam a execução ou exílio de líderes da Igreja. Vários bispos foram mortos durante esse período, incluindo o papa Sisto II. Essa política refletia a tentativa de reforçar a unidade religiosa tradicional em um momento de crise política e militar.

No cenário externo, o maior desafio veio do xá sassânida Sapor I. As forças persas obtiveram importantes vitórias contra os romanos no Oriente, enfraquecendo ainda mais a posição imperial. Em 260 d.C., durante a batalha de Edessa, Valeriano foi capturado pelas tropas sassânidas — um evento extraordinário e humilhante para Roma. A captura de Valeriano marcou a primeira vez que um imperador romano foi feito prisioneiro por um inimigo estrangeiro. Segundo fontes antigas, ele teria sido mantido em cativeiro e usado como símbolo da vitória persa. Relatos posteriores, possivelmente exagerados, afirmam que foi humilhado publicamente e morreu em condições degradantes.

Após sua captura, o Império Romano mergulhou ainda mais no caos. Galieno tornou-se o único imperador legítimo, mas enfrentou revoltas internas e a fragmentação territorial, como o surgimento do Império das Gálias e do Império de Palmira. O episódio da prisão de Valeriano simbolizou o ponto mais baixo do prestígio imperial romano. Apesar de seu fim trágico, o governo de Valeriano representa um momento crucial para compreender a fragilidade do Império no século III. Sua tentativa de dividir responsabilidades administrativas antecipou reformas posteriores, como as de Diocleciano, que institucionalizariam a divisão do poder imperial. Valeriano permanece na história como uma figura trágica, lembrado tanto por suas perseguições religiosas quanto por sua derrota catastrófica diante da Pérsia. Seu reinado evidencia a profundidade da crise que ameaçou a sobrevivência de Roma, tornando-o um personagem central para entender um dos períodos mais dramáticos do mundo antigo.

Pablo Aluísio.

Faraó Ramsés III

Faraó Ramsés III
Ramsés III foi um dos últimos grandes faraós do Novo Império do Egito, governando aproximadamente entre 1186 e 1155 a.C., durante a XX Dinastia. Frequentemente comparado a Ramsés II por suas campanhas militares e grandes construções, Ramsés III assumiu o trono em um período de instabilidade política e ameaças externas crescentes. Seu reinado marcou tanto um momento de resistência quanto o início do declínio do poder egípcio. Uma das principais realizações de seu governo foi a defesa do Egito contra invasões estrangeiras, especialmente os chamados “Povos do Mar”. Esses grupos, que devastaram várias civilizações do Mediterrâneo Oriental no final da Idade do Bronze, foram derrotados por Ramsés III em batalhas navais e terrestres. Os relevos no templo de Medinet Habu retratam com detalhes essas vitórias, servindo como importante fonte histórica sobre o período.

Além das ameaças externas, Ramsés III também enfrentou conflitos com tribos líbias que tentavam se estabelecer no Delta do Nilo. Ele conduziu campanhas militares bem-sucedidas para proteger as fronteiras egípcias, reafirmando temporariamente a força militar do reino. Essas conquistas consolidaram sua imagem como faraó guerreiro e defensor da ordem. No campo arquitetônico, Ramsés III deixou um legado monumental. Seu templo mortuário em Medinet Habu, na margem oeste de Tebas, é um dos mais bem preservados do Egito Antigo. O complexo impressiona por seus relevos detalhados, inscrições históricas e dimensões grandiosas, refletindo tanto devoção religiosa quanto propaganda política.

Apesar das vitórias militares e das construções grandiosas, o reinado de Ramsés III também foi marcado por dificuldades econômicas. Documentos históricos indicam crises de abastecimento e até a primeira greve registrada da história, quando trabalhadores das necrópoles reais interromperam suas atividades por falta de pagamento. Esses episódios revelam tensões sociais crescentes no final do Novo Império. A corte de Ramsés III também foi palco de uma conspiração conhecida como “Conspiração do Harém”. Registros judiciais relatam que uma de suas esposas secundárias teria participado de um complô para assassinar o faraó e colocar seu filho no trono. Estudos modernos da múmia sugerem que Ramsés III pode realmente ter sido vítima de assassinato, possivelmente com um corte profundo na garganta.

Após sua morte, o Egito continuou sob o governo de seus sucessores, mas o poder central enfraqueceu progressivamente. O período seguinte foi marcado por fragmentação política e declínio da influência egípcia no cenário internacional. Assim, Ramsés III é frequentemente considerado o último grande faraó guerreiro antes da decadência do Novo Império. Religiosamente, Ramsés III manteve o tradicional papel de intermediário entre os deuses e o povo, promovendo cultos e oferecendo generosas doações aos templos. Essa política reforçava sua legitimidade divina, essencial para a estabilidade do trono. O faraó era visto como responsável pela manutenção da maat, o princípio da ordem cósmica.

O legado de Ramsés III combina glória militar e sinais de crise estrutural. Ele conseguiu preservar o Egito diante de ameaças devastadoras, mas não foi capaz de impedir o enfraquecimento gradual das bases econômicas e administrativas do império. Seu reinado representa, portanto, o último grande esforço de manutenção da supremacia egípcia. Hoje, Ramsés III é lembrado como um governante corajoso e estrategista habilidoso, cuja figura simboliza o fim de uma era de esplendor. Seus monumentos e registros históricos continuam a fornecer informações valiosas sobre o turbulento final da Idade do Bronze e a resistência do Egito em meio a um mundo em transformação.

Pablo Aluísio.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Elvis Presley - Elvis is Back!

Elvis Presley - Elvis is Back!
O álbum “Elvis Is Back!” foi lançado em 8 de abril de 1960, pela RCA Victor, marcando o aguardado retorno de Elvis Presley após cumprir serviço militar na Alemanha. Gravado em março e abril de 1960, nos estúdios da RCA em Nashville, o disco simboliza uma nova fase artística, mais madura e refinada. Havia grande expectativa do público e da indústria sobre como Elvis soaria depois de dois anos afastado dos palcos e das gravações. Sob produção de Steve Sholes e com músicos de alto nível como os integrantes da chamada “Nashville A-Team”, o cantor apresentou interpretações sofisticadas que transitavam entre rock, blues, pop e baladas românticas. O contexto cultural também era de mudança, com o rock and roll evoluindo e novos artistas surgindo. O álbum, portanto, precisava reafirmar sua relevância. E conseguiu: mostrou um Elvis vocalmente mais seguro e tecnicamente impressionante. Sua importância na carreira do artista é imensa, pois consolidou seu retorno como intérprete adulto. Foi um recomeço artístico à altura de sua lenda.

A recepção crítica foi bastante positiva, destacando principalmente a qualidade vocal do cantor. O The New York Times observou que Elvis retornava “com maior controle técnico e impressionante maturidade interpretativa”. Já o Los Angeles Times destacou que o disco demonstrava “um artista que evoluiu sem perder sua essência”. Muitos críticos ficaram surpresos com a diversidade estilística do repertório. Faixas como Fever e Reconsider Baby chamaram atenção pelo clima mais sofisticado e bluesy. A imprensa musical reconheceu que Elvis não apenas manteve sua popularidade, mas elevou seu padrão artístico. Alguns textos da época mencionaram que o cantor parecia mais confiante e menos dependente da energia juvenil do início da carreira. Isso foi visto como sinal de crescimento. O álbum foi considerado forte prova de sua permanência no topo. A crítica percebeu que o “Rei” estava de volta em grande forma.

Revistas especializadas como a Billboard elogiaram o potencial comercial do disco, chamando-o de “um retorno sólido e artisticamente consistente”. A Rolling Stone, anos depois, classificaria o álbum como um dos melhores da discografia de Elvis. Críticos ressaltaram especialmente a interpretação contida e sensual de Fever, que se tornaria uma das gravações mais icônicas de sua carreira. A produção limpa e os arranjos elegantes foram amplamente elogiados. Mesmo analistas mais exigentes reconheceram que Elvis havia superado expectativas. O álbum não soava nostálgico; parecia contemporâneo e seguro. Com o passar do tempo, a reputação crítica do disco só cresceu. Hoje é frequentemente apontado como um de seus trabalhos mais completos. A recepção histórica consolidou sua posição como clássico.

Comercialmente, “Elvis Is Back!” foi um sucesso expressivo. O álbum alcançou o 2º lugar na Billboard Top LPs nos Estados Unidos e obteve forte desempenho no Reino Unido, chegando ao topo das paradas britânicas. As vendas ultrapassaram milhões de cópias ao longo das décadas, rendendo certificações importantes. O público respondeu com entusiasmo ao retorno do cantor. O sucesso comercial demonstrou que sua base de fãs permanecia fiel. Além disso, o disco ajudou a abrir caminho para novos projetos e para a fase cinematográfica que dominaria parte dos anos seguintes. Mesmo com a mudança de estilo, os ouvintes abraçaram a nova sonoridade. O impacto nas paradas confirmou a força de sua marca artística. Foi um retorno triunfante também em números. Comercialmente, reafirmou sua supremacia.

O legado de “Elvis Is Back!” é amplamente reconhecido. O álbum é visto hoje como um dos melhores trabalhos de estúdio de Elvis Presley, frequentemente citado ao lado de From Elvis in Memphis como ápice artístico. Fãs valorizam a mistura equilibrada entre energia e sofisticação. Críticos destacam o controle vocal e a maturidade emocional demonstrados nas gravações. O disco também representa um modelo de como um artista pode retornar após período de ausência e ainda superar expectativas. Sua influência pode ser percebida em cantores que buscaram unir técnica refinada e expressividade emocional. Reedições e remasterizações mantêm o álbum vivo para novas gerações. Ele simboliza o renascimento de uma lenda. É peça essencial na compreensão da evolução de Elvis. Um clássico incontestável do rock e da música popular.

Elvis Presley - Elvis Is Back! (1960)
Make Me Know It
Fever
The Girl of My Best Friend
I Will Be Home Again
Dirty, Dirty Feeling
Thrill of Your Love

Soldier Boy
Such a Night
It Feels So Right
The Girl Next Door Went A’Walking
Like a Baby
Reconsider Baby

Erick Steve. 

The Beatles - With The Beatles

The Beatles - With The Beatles
O álbum “With The Beatles” foi lançado em 22 de novembro de 1963, no Reino Unido, pela Parlophone, em meio à explosão inicial da Beatlemania. Gravado rapidamente entre julho e outubro daquele ano, o disco surgiu poucos meses após o sucesso arrebatador do álbum de estreia Please Please Me. O contexto era de agenda intensa, turnês constantes e crescente histeria coletiva em torno do grupo. Produzido por George Martin, o álbum consolidou a sonoridade vibrante da banda, misturando composições próprias com versões de clássicos do rhythm and blues americano. A famosa capa em preto e branco, fotografada por Robert Freeman, tornou-se um ícone visual da década. O disco mostrou uma banda mais confiante, vocalmente mais ousada e instrumentalmente mais segura. Sua importância na carreira dos Beatles reside no fortalecimento da identidade artística do grupo. Ele confirmou que o sucesso inicial não fora acidental. Foi o passo decisivo para a dominação do mercado britânico.

A recepção crítica foi amplamente positiva, especialmente na imprensa britânica, que acompanhava de perto o fenômeno cultural. O The Times observou que o grupo demonstrava “energia contagiante e crescente maturidade musical”. Já o New Musical Express (NME) destacou a harmonia vocal como diferencial marcante do quarteto. Embora a crítica tradicional ainda tratasse o pop com certa cautela, muitos jornalistas reconheceram a habilidade composicional de Lennon e McCartney. O entusiasmo do público também influenciou o tom das análises. O álbum foi visto como evolução natural do primeiro trabalho. Alguns críticos notaram a forte influência do R&B americano. Isso foi interpretado como sinal de bom gosto musical. A imprensa percebeu que havia algo novo acontecendo na música britânica. “With The Beatles” consolidava essa mudança.

Publicações musicais especializadas ressaltaram especialmente as composições autorais. A revista Melody Maker afirmou que o disco provava que os Beatles eram mais do que intérpretes carismáticos, chamando-os de “força criativa emergente”. Análises posteriores, como as da Rolling Stone, classificaram o álbum como peça fundamental do início da carreira da banda. A crítica moderna costuma enfatizar a força de faixas como All My Loving e It Won’t Be Long. Mesmo as versões de músicas americanas foram elogiadas pela energia e personalidade. O disco passou a ser visto como marco da consolidação da identidade sonora beatle. Ao longo das décadas, sua reputação apenas cresceu. Muitos o consideram um dos melhores álbuns da fase inicial do grupo. A recepção histórica foi amplamente favorável. Hoje, é tratado como clássico.

Comercialmente, “With The Beatles” foi um fenômeno. O álbum alcançou o 1º lugar nas paradas britânicas, permanecendo no topo por 21 semanas. Vendeu mais de 500 mil cópias no Reino Unido em tempo recorde, tornando-se um dos discos mais vendidos da época. O sucesso foi tão grande que superou o desempenho do álbum de estreia. Embora ainda não tivesse sido lançado oficialmente nos Estados Unidos naquele momento (onde parte do material sairia como Meet The Beatles!), o impacto internacional já era evidente. O público britânico abraçou o disco com entusiasmo absoluto. A Beatlemania atingia seu auge inicial. O álbum ajudou a consolidar o domínio da banda no mercado europeu. Foi um triunfo comercial incontestável. Confirmou os Beatles como fenômeno cultural.

O legado de “With The Beatles” é profundo dentro da história do rock. O álbum representa o momento em que o grupo deixou de ser promessa para se tornar força dominante. Sua estética visual minimalista influenciou gerações de capas de discos. Musicalmente, ajudou a popularizar o R&B e o pop britânico em escala massiva. Fãs e críticos reconhecem nele a energia juvenil que definiu o início dos anos 1960. Ele também demonstra o crescimento composicional de Lennon e McCartney. Hoje, é frequentemente incluído em listas dos álbuns mais importantes da década. Seu impacto vai além das vendas: moldou tendências culturais. Permanece como símbolo da ascensão meteórica dos Beatles. É peça essencial na formação da música pop moderna.

The Beatles  With The Beatles (1963)
It Won’t Be Long
All I’ve Got to Do
All My Loving
Don’t Bother Me
Little Child
Till There Was You
Please Mister Postman

Roll Over Beethoven
Hold Me Tight
You Really Got a Hold on Me
I Wanna Be Your Man
Devil in Her Heart
Not a Second Time
Money (That’s What I Want)

Erick Steve. 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Rocketman

O filme do Queen abriu as portas dos estúdios para esse tipo de filme. Cinebiografias de cantores famosos, principalmente nas décadas de 70 e 80. Um tipo de marketing de nostalgia que parecia perfeito. O resultado comercial desse filme sobre Elton John porém tem sido morno. Nada comparável ao sucesso do filme enfocando Mercury e seus colegas de banda. O público provavelmente torceu o nariz para a proposta desse roteiro, que tencionava contar a história de Elton John ao mesmo tempo em que transformaria os momentos importantes de sua vida em bem elaboradas coreografias musicais, bem ao estilo da velha escola, da Broadway.

Esse talvez seja o ponto mais vulnerável do filme. Nem todos vão comprar a ideia de, por exemplo, saber mais sobre a infância do cantor através de um garotinho vestido de aluno, dançando ao lado de seus pais em plena rua de um subúrbio londrino da década de 1950. Particularmente não me incomodei com isso, aceitei a proposta do filme, mas claro, muita gente achou fora de foco. Até porque o roteiro realmente não se decide se é um drama convencional ou um musical filmado da Broadway.

O ator que interpreta Elton John, chamado Taron Egerton, é muito bom, porém é mais alto e mais esquio do que o Elton John do mundo real. Assim mesmo fantasiado com todas aquelas fantasias espalhafatosas dele, nem sempre consegue convencer de que estamos vendo Elton John na tela. Por fim e não menos importante: o que novamente salva o filme, o redime completamente, é a excelente trilha sonora, cheia de sucessos do passado. A trilha é excelente, mas devo dizer que não completa. Esqueceram de "Nikita" e outros sucessos. Mesmo assim, no saldo final, é um bom filme. Tem seus erros e desacertos, porém no final agrada.

Rocketman (Estados Unidos, Inglaterra, 2019) Direção: Dexter Fletcher / Roteiro: Lee Hall / Elenco: Taron Egerton, Jamie Bell, Richard Madden, Bryce Dallas Howard / Sinopse: O filme se propõe a contar a história do cantor e compositor Elton John. Através de sua música, cenas mais dramáticas e coreografias em sequências musicais, somos apresentados à obra e a vida desse artista inglês.

Pablo Aluísio.

Elvis

Título no Brasil: Elvis
Título Original: Elvis
Ano de Lançamento: 2022
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros.
Direção: Baz Luhrmann
Roteiro: Baz Luhrmann, Sam Bromell
Elenco: Tom Hanks, Austin Butler, Olivia DeJonge, Helen Thomson, Richard Roxburgh, Kelvin Harrison Jr.

Sinopse:
Em seus últimos momentos de vida, o Coronel Tom Parker (Tom Hanks) relembra seus anos ao lado de Elvis Presley (Austin Butler). Acima de tudo ele quer deixar claro que não foi um dos responsáveis pela morte do artista, mas que sim o levou ao sucesso que alcançou! Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhor Filme. Premiado pelo Globo de Ouro na categoria de Melhor Ator (Austin Butler). 

Comentários:
Eu já havia visto em seu lançamento, mas como o filme chegou na Netflix resolvi rever pela primeira vez. Eu continuo gostando do filme. Sim, ele tem seus erros e deslizes com a história original, mas olhando bem de perto continua funcionando muito bem aos seus propósitos. Outro dia li um texto sobre os últimos dias do Coronel Parker e penso que ali há elementos que ficariam muito bem no filme, mas não se deve exigir tanto de um filme como esse que afinal teve a complicada tarefa de mostrar toda a carreira de Elvis, se concentrando nos momentos mais importantes. E nesse aspecto, volto a frisar, o filme se saiu bem. Dessa leva de cinebiografias de grandes nomes da música, penso inclusive, que esse é sem dúvida um dos melhores filmes produzidos. Tem um bom roteiro e não cai no marasmo em nenhum momento. Como não é um documentário, não precisou ser assim tão ferrenho no quesito histórico. É diversão e um cartão de apresentação de Elvis para essa nova geração. Nesse ponto de vista está mais do que satisfatório. O ilusionista Parker certamente teria gostado! 

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Temporada de Sangue

Título no Brasil: Temporada de Sangue
Título Original: Hunting Season
Ano de Lançamento: 2025
País: Estados Unidos
Estúdio: Buffalo 8 Productions
Direção: RJ Collins
Roteiro: Adam Hampton
Elenco: Mel Gibson, Shelley Hennig, Sofia Hublitz, Jordi Mollà, A.J. Buckley, Scarlet Rose Stallone, James DuMont, Lola Manzini

Sinopse:
Bowdrie (Mel Gibson) vive sua aposentadoria tranquila em uma casa confortável bem no meio de uma grande reserva florestal. Durante uma de suas caminhadas acaba encontrando uma jovem muiro ferida. Ela foi vítima de uma tentativa de assassinato. Tentando ajudar, Bowdrie a leva para casa. Não é uma boa ideia, pois os homens que tentaram assassinar a jovem vão voltar para completar seu "serviço" de execução. 

Comentários:
Aos 70 anos de idade, Mel Gibson não pensa em se aposentar. Por essa razão segue fazendo seus filmes regularmente. Essas produções não são mais eventos cinematográficos como em seu passado. São filmes B, de orçamentos bem modestos. Alguns bons, outros bem fracos. Esse aqui fica no meio termo. O roteiro não é grande coisa, aquela típica história de rendenção que depois vira uma busca por vingança. O mais interessante, no meio dessa banalidade toda, é ver o desenvolvimento do personagem de Mel, um sujeito envelhecido, que procura por uma velhice tranquila, morando no meio de uma reserva natural. Infelizmente, como bem conhecemos desse tipo de personagem, a confusão acaba chegando nele. E aí, não tem jeito, é pegar o rifle e partir para o confronto armado. Como toda boa fita de ação lá dos distantes anos 80. Enfim, não faça comparações com os grandes filmes do passado de Gibson, que dessa forma, pelo menos, você terá um bom entretenimento para o fim de noite. 

Pablo Aluísio. 

O Vingador do Futuro

O Vingador do Futuro
Depois de "O Exterminador do Futuro" esse é o melhor filme de ficção da carreira de Arnold Schwarzenegger. O roteiro foi baseado no conto intitulado "We Can Remember It for You Wholesale", de Philip K. Dick. Esse autor teve vários de seus  livros adaptados para o cinema com grande êxito. Basta lembrar de "Blade Runner" para entender sua importância para a sétima arte. Aqui temos uma adaptação bem mais livre do texto original. O escritos de Dick nem sempre são facilmente transpostos para o cinema e por essa razão alguns filmes apenas usam da idéia central para construir a partir daí todo um argumento novo, com cenas e sequências que nunca foram criadas pelo escritor. "O Vingador do Futuro" reflete bem isso.  A trama se passa no distante ano de 2084. A estória começa quando um operário resolve entrar no programa Total Recall que promete simular uma viagem de férias dentro da mente do usuário. Ele terá assim as mesmas sensações e prazeres de uma viagem real só que com custo muito menor e sem o aborrecimento de ter que enfrentar os preparativos de  uma viagem real. O problema é que algo dá errado e Quaid (Schwarzenegger) se vê envolvido numa complicada rede de conspirações envolvendo o planeta vermelho, nosso vizinho Marte.

O filme foi dirigido pelo ótimo cineasta Paul Verhoeven bem no auge criativo de sua carreira. "O Vingador do Futuro" foi muito badalado em seu lançamento porque trazia efeitos especiais inovadores que utilizavam a ainda nova tecnologia dos efeitos digitais que anos depois virariam lugar comum nas produções do gênero. Como não poderia deixar de ser a película também procurava tirar bastante proveito da presença de Arnold Schwarzenegger, na época um campeão de bilheteria absoluto que conseguia atrair um grande público para seus filmes. Por essa razão o roteiro usa e abusa de espetaculares cenas de ação e lutas - algo que sequer foi pensando pelo autor Philip K. Dick em seus escritos originais. Outro destaque é a presença de linda Sharon Stone. Amargando alguns filmes fraquinhos no currículo no começo de sua carreira ela aqui tinha a primeira grande chance de chamar mais a atenção do grande público. Dois anos depois seria alçada a mito sexual do cinema com o grande sucesso de "Instinto Selvagem", naquele que seria o papel definitivo de sua vida. Em suma é isso. "O Vingador do Futuro" é uma excelente ficção que mistura ação, aventura e fantasia na medida certa. Recentemente houve um mal sucedido remake estrelado por Colin Farrell, o que prova mais uma vez que certas obras já encontraram sua versão definitiva no mundo do cinema. Tentar refazer algo assim é simplesmente desnecessário.

O Vingador do Futuro (Total Recall, Estados Unidos, 1990) Direção: Paul Verhoeven / Roteiro: Dan O'Bannon, Ronald Shusett e Gary Goldman baseados na obra de Philip K. Dick / Elenco: Arnold Schwarzenegger, Sharon Stone, Rachel Ticotin, Ronny Cox / Sinopse: Operário resolve fazer uma viagem virtual em sua mente usando de um programa que simula férias para seu usuário. Devido a uma pane no sistema ele acaba se vendo envolvido numa complicada teia de conspirações sobre o planeta vermelho, Marte. Vencedor do prêmio Saturn na categoria melhor filme de ficção científica do ano.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Os Estranhos: Capítulo 2

Título no Brasil: Os Estranhos: Capítulo 2
Título Original: The Strangers: Chapter 2
Ano de Lançamento: 2025
País: Estados Unidos
Estúdio: Fifth Element Productions
Direção: Renny Harlin
Roteiro: Alan R. Cohen, Alan Freedland
Elenco: Madelaine Petsch, Gabriel Basso, Ema Horvath, JR Esposito, Gerard Brake

Sinopse:
A estranha família de psicopatas mascarados e encapuzados vai atrás da única sobrevivente de um de seus ataques sanguinários recentes. Não vai ser nada fácil colocar as mãos nela, já que a jovem garota mostra muita disposição para fugir e lutar por sua vida. 

Comentários:
Mais um filme dessa franquia que já conta com quatro filmes! O roteiro não foge, em nenhum momento, da fórmula que foi usada nos filmes anteriores, mas pelo menos temos pequenas novidades que valem a pena mencionar nesse capítulo 2. O diretor sempre foi mais voltado para filmes de ação, então era previsível que ele iria dar mais agilidade nesse filme, priorizando justamente mais a ação do que o suspense. E o filme segue nessa linha, com muita correria e tudo mais. Sendo bem sincero essa é uma fita de caçada humana mais do que qualquer outra coisa. E nesse ponto vale a citação da cena com o javali selvagem. Ficou muito boa e me lembrou de "O Corte da Navalha". Outra cena digna de nota é a da invasão da casa, que remete aos filmes anteriores dessa mesma franquia. Já as cenas no hospital pecam por serem muito improváveis. Um hospital daquele tamanho, em pleno funcionamento, jamais ficaria à mercê desses psicóticos como vemos acontecer nesse filme, ainda mais na era dos celulares. Enfim, pequenos tropeços de lógica que são até bem comuns em filmes de terror. Não tem como exigir nada muito diferente disso. 

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Abrindo Horizontes

Abrindo Horizontes
Faroeste B da companhia cinematográfica Allied Artists Pictures. Essa empresa, que já não existe mais, começou distribuindo filmes pelo interior dos Estados Unidos e depois que alcançou grande sucesso nessa atividade começou a produzir seus próprios filmes. Nessa nova função chegou a produzir quase 150 filmes, quando problemas financeiros a levaram à falência. Suas produções tinham pequenos orçamentos, geralmente com nomes de segundo escalão em Hollywood, mas que conseguiam levar público em cinemas dos rincões das cidades do interior do país, geralmente nos cinemas do tipo drive-in, em programação dupla, onde o espectador pagava uma entrada para assistir a dois filmes.

“Abrindo Horizontes” fez parte desse tipo de pacote. Estrelado pelo ator cowboy Sterling Hayden, o filme de baixo orçamento se dava ao luxo de surgir nas telas em cores (technicolor), um luxo para filmes de western B da época como esse. Sterling Hayden era um ator bem limitado, ainda mais nesse ano em que trabalhou nesse filme, pois não passava de um aspirante ao estrelado. Nunca o achei bom ator, Ficava bem abaixo até mesmo de outros atores do gênero. De um jeito ou outro, conseguiria estrelar com êxito um ano depois o clássico “Johnny Guitar” onde interpretava justamente o próprio protagonista chamado Johnny “Guitar” Logan. Esse seria o grande filme de sua carreira. Também seria o único que ganharia o status de cult movie.

Nesse “Abrindo os Horizontes” ele interpreta um oficial do exército americano que se disfarça de engenheiro para ajudar a companhia ferroviária que está construindo uma linha entre o Kansas e o Pacífico. Por essa razão o filme tem o título original de “Kansas Pacific”, justamente o nome da ferrovia em questão. A construção era inevitavelmente alvo de ataques por parte de sulistas que viam a neutralidade do Kansas como um afronta aos interesses dos estados americanos confederados. De ataque em ataque, eles foram minando os trabalhos pois ninguém mais desejava trabalhar na ferrovia com medo de ser morto em algum atentado.

Assim o Capitão Nelson (Hayden) é enviado para a região para dar proteção e segurança aos trabalhadores. O filme é pequeno, quase um média metragem (meros 72 minutos de duração) e se parece demais com um outro filme de Randolph Scott chamado “Devastando Caminhos” de 1949. Plágio? Não diria que chegaria a tanto, apenas um “reciclagem” de ideias por parte da Allied. De qualquer modo, por ser tão curto e com enredo tão redondinho, passa longe de aborrecer alguém. No fundo é uma boa oportunidade de conhecer um típico faroeste da Aliied Artists. E pensar que a juventude da década de 1950 ia para os cinemas drive-in naquela época para namorar e acompanhar faroestes desse tipo.

Abrindo Horizontes (Kansas Pacific, Estados Unidos, 1953) Direção: Ray Nazarro / Roteiro: Daniel B. Ullman / Elenco: Sterling Hayden, Eve Miller, Burton MacLane, Harry Shannon / Sinopse: Capitão do exército americano é enviado para o Kansas para ajudar na proteção dos trabalhadores que estão construindo uma importante ferrovia. Os trabalhos são alvos de vários ataques promovidos por confederados que desejam a guerra entre norte e sul.

Pablo Aluísio. 

Ringo Não Discute... Mata!

Ringo Não Discute... Mata!
Outro ator que cruzou caminho com Franco Nero e seu Django foi Giuliano Gemma, ator romano que fez inúmeros filmes de faroeste espaguetti. Produtivo, estrelou um número enorme de filmes do gênero, feitos em escala industrial. Seu grande sucesso foi “O Dólar Furado” mas esse foi apenas um entre centenas de outros que seguiam a mesma linha. Geralmente atuando com o nome americanizado de Montgomery Brown, Gemma foi colecionando filmes atrás de filmes, criando toda uma legião de fãs nos chamados cinemas de bairro aqui no Brasil que não cansavam de passar suas fitas rápidas e ligeiras. Com preços promocionais, geralmente em sessão dupla, os cinemas rendiam excelentes bilheterias. O curioso é que em muitos desses filmes Giuliano Gemma usava não apenas o nome de Montgomery Brown como seu próprio pseudônimo artístico, mas os seus personagens também levavam esse nome. É o caso desse “Ringo não discute... Mata!”. Antes de mais nada esqueça o personagem Ringo dos westerns americanos. Nas produções Made in Hollywood, Ringo era sempre derivado do famoso pistoleiro Johnny Ringo (que efetivamente existiu de fato). Já no cinema italiano Ringo era apenas um nome sonoro, comercial, que se prestava a todo tipo de caracterização que ia desde pistoleiros a soldados, bandidos, mocinhos e o que mais a imaginação dos roteiristas criassem.

Aqui Gemma interpreta um soldado da União de nome Montgomery Brown (vulgo Ringo) que ao retornar da guerra civil encontra sua esposa e filha sob o domínio de uma família de mexicanos cruel e facínora. O pai é um porco beberrão e o filho um sádico perverso. Além disso descobre que seu pai, um senador honesto, havia sido covardemente assassinado pelos mesmos mal feitores. Disfarçado de humilde jardineiro, Ringo começa aos poucos a planejar sua vingança que tardará mas não falhará. O filme tem produção modesta mas não chega a ser pobre. Existem até bons cenários (todos localizados no deserto da Espanha) que mantém a dignidade. Gemma não se esforça muito – ele não era tão bom ator por essa época, mas apenas um italiano que parecia americano e que por isso era escolhido pelos diretores.

O filme como não poderia deixar de ser termina em um grande tiroteio em que não escapam nem o padre e nem os moradores pacíficos do lugar. Um acerto de contas envolvendo toda a cidade. Era o usual nesse tipo de filme. De bom mesmo temos a trilha sonora de Ennio Morricone – sempre bem realizada, a ponto inclusive de ser lançada em disco de sucesso na época. Aqui no Brasil o filme teve vários títulos diferentes que iam do original “Ringo Retorna” até “Uma Pistola Para Ringo” (esse último inclusive também foi usado em uma outra produção que nada tinha a ver com essa). De qualquer modo é um exemplo do que o cinema italiano realizava na década de 60 – muita ação, balas e diversão com os atores italianos posando de americanos da fronteira no velho oeste daquele país.

Ringo Não Discute... Mata! / O Retorno de Ringo / Uma Pistola Para Ringo (Il Ritorno di Ringo, Itália, Espanha, 1965) Direção: Duccio Tessari / Roteiro: Duccio Tessari, Fernando Di Leo e Alfonso Balcázar / Elenco: Giuliano Gemma, Fernando Sancho, Lorella De Luca, George Martin, Nieves Navarro / Sinopse: Em busca de vingança um veterano do exército da União volta para sua cidade natal para liquidar os assassinos de seu pai. Disfarçado de pobre jardineiro ele começa a colocar em prática seu plano de vingança.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Corações Solitários

Corações Solitários 
Esse filme também é conhecido como "Corações Solitários". Na história um Jovem jornalista desempregado chamado Adam White (Montgomery Clift) aceita trabalhar em um jornal escrevendo a coluna "Corações Solitários". Nela leitores pedem conselhos sentimentais. Inicialmente o jornalista pensa ser tudo uma bobagem, sem maior importância para sua carreira, mas conforme vai se envolvendo nas histórias acaba descobrindo os dramas pessoais de cada pessoa que lhe escreve. Como se já não bastasse os problemas profissionais ele ainda tem que lidar com sua noiva (Dolores Hart) que está perdendo a paciência com sua indefinição, pois ela quer se casar logo, mas ele vacila sobre essa decisão.

O argumento desse filme é muito interessante. Existe um subtexto envolvendo o personagem de Clift, um jovem idealista, com seu editor, um sujeito cínico e descrente com a humanidade em geral, que rende ótimos diálogos. Em um deles, impagável, o editor diz a Clift o seguinte: "Não se engane, as pessoas em geral são animais, não existe bondade no mundo". A tese de um e do outro acabará sendo testada justamente nos leitores da coluna "Corações Solitários" - inclusive no personagem de uma dona de casa insatisfeita, casada com um homem impotente.

Como facilmente se percebe, o texto que foi baseado em uma famosa peça da época, é forte, tratando de temas polêmicos. Clift novamente dá show com seu personagem, um jornalista bom e decente que tenta driblar inclusive seu passado nebuloso (que acabará voltando à tona para lhe assombrar). Outro destaque é a presença da starlet Dolores Hart. Ela ficou famosa por aparecer em um filme com Elvis Presley chamado "A Mulher Que eu Amo" (Loving You). Sua história é bem curiosa, pois pouco tempo depois ela largaria a carreira e o cinema para virar uma freira católica em sua cidade natal. Ela ainda está viva e hoje é uma irmã beneditina de um mosteiro americano. Em suma, "Corações Solitários" tem excelente elenco, inteligente roteiro e um final aberto que nos deixa a seguinte pergunta: Afinal quem tinha razão, o editor ou o jornalista? Assista para responder.

Por um Pouco de Amor / Corações Solitários (Lonelyhearts, Estados Unidos, 1958) Direção: Vincent J. Donehue / Rioteiro: Dore Schary, baseado na peça de Howard Teichmann / Elenco: Montgomery Clift, Myrna Loy, Maureen Stapleton, Robert Ryan / Sinopse: Adam White (Montgomery Clift) é um jovem jornalista escritor que aceita o convite para escrever uma coluna sentimental no jornal de sua cidade. No começo ele não leva muito à sério a nova função, mas aos poucos vai descobrindo os dramas reais de pessoas sofrendo com inúmeros problemas emocionais. Filme indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro na categoria de melhor atriz coadjuvante (Maureen Stapleton).

Pablo Aluísio.

Le Mans / 24 Horas de Le Mans

Le Mans
Assisti hoje esse curioso filme da filmografia do Steve McQueen. O fato é que ele era louco por corridas e carros velozes, assim quando estava no auge de seu sucesso resolveu bancar um projeto pessoal: realizar um filme durante as 24 horas de Le Mans (uma das corridas mais famosas da Europa). Embora tenha sido aconselhado a não estrelar o filme Steve bateu o pé e levou uma enorme equipe de Hollywood para filmar o grande evento esportivo. O problema é que em sua ansiedade de fazer o filme McQueen esqueceu de que todo filme tem que ter um roteiro e não basta apenas filmar carros à toda velocidade.

Aí é que está todo o problema de Le Mans: ele não tem roteiro! Não é que o roteiro do filme seja ruim, nada disso, ele simplesmente não existe! Isso mesmo. Tudo se passa nas próprias 24 horas de Le Mans. Tudo o que se vê durante o filme inteiro é a própria corrida e nada mais. É quase um documentário. Para não dizer que McQueen não interpreta nada ele tem duas cenas onde troca diálogos rápidos com outros personagens (que nem mesmo possuem nomes!). Tecnicamente a verdade seja dita: o filme é muito bem editado e tem ótimas sequências de pista... mas também só tem isso. Enfim, o resultado de tudo isso é que o filme foi um tremendo fracasso de bilheteria e o McQueen perdeu uma verdadeira fortuna com isso. Bem feito, só assim ele nunca mais estrelaria um filme sem roteiro.

Le Mans / 24 Horas de Le Mans (Le Mans, EUA, 1971) Direção: Lee H. Katzin / Roteiro: Harry Kleiner / Elenco: Steve McQueen, Siegfried Rauch, Elga Andersen / Sinopse: O filme mostra em tom quase documental um piloto participando da corrida denominada 24 Horas de Le Mans. Enquanto ele tenta vencer a famosa prova de corrida, precisa também lidar com seus problemas pessoais fora da pista.

 Pablo Aluísio.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

The Beatles - Yellow Submarine

The Beatles - Yellow Submarine
O álbum “Yellow Submarine” foi lançado em 13 de janeiro de 1969 nos Estados Unidos (e em 17 de janeiro no Reino Unido), pela Apple Records, em um período de transição na trajetória dos The Beatles. O disco está diretamente ligado ao filme de animação homônimo produzido no auge da fase psicodélica do grupo, reunindo canções já conhecidas e algumas faixas inéditas. Parte do material havia sido gravada anteriormente, o que faz do álbum um projeto híbrido dentro da discografia oficial. Além das músicas da banda, o segundo lado do vinil apresenta composições orquestrais de George Martin, produtor histórico do grupo, reforçando o caráter cinematográfico do lançamento. O contexto de gravação coincide com o período de fragmentação criativa que culminaria no fim da banda poucos meses depois. Assim, o disco não representa uma obra conceitual coesa, mas sim um registro complementar daquele momento. Mesmo com essa natureza particular, o lançamento teve importância cultural significativa. Ele ampliou a presença dos Beatles no cinema e na cultura pop visual. Também consolidou a estética psicodélica associada ao final dos anos 1960.

A recepção crítica inicial foi mista, refletindo a natureza incomum do projeto. O The New York Times observou que o álbum parecia “mais uma trilha sonora do que um novo passo artístico da banda”, embora elogiasse a qualidade das canções inéditas. Já o Los Angeles Times destacou o valor do material previamente lançado, afirmando que “mesmo quando reciclados, os Beatles permanecem superiores à maioria do pop contemporâneo”. Críticos reconheceram que a presença das músicas orquestrais dividia opiniões entre fãs de rock. Alguns viram a escolha como ousada; outros, como distante do espírito do grupo. Ainda assim, a força cultural do nome Beatles manteve o interesse elevado. A crítica concordava que o disco não estava no mesmo nível de seus antecessores imediatos. Mesmo assim, havia respeito pela inventividade envolvida. O debate crítico demonstrava a expectativa altíssima em torno da banda. Qualquer lançamento era analisado como evento cultural.

Publicações como a Rolling Stone consideraram o álbum “agradável, porém menor dentro de uma discografia extraordinária”, enquanto a Billboard destacou seu apelo comercial garantido pelo filme e pelas canções já populares. A revista The New Yorker adotou tom mais analítico, sugerindo que o disco simbolizava “um momento de dispersão criativa, mas ainda cheio de beleza melódica”. Com o passar do tempo, muitas dessas avaliações foram suavizadas. Críticos posteriores passaram a valorizar mais as faixas inéditas e a contribuição estética do filme. O álbum ganhou nova leitura histórica como peça complementar do universo beatle. Hoje, a crítica tende a enxergá-lo com maior simpatia. Ele não é visto como fracasso, mas como obra circunstancial. Essa reavaliação reforçou sua legitimidade dentro do catálogo do grupo. A percepção crítica evoluiu de decepção moderada para apreciação contextual.

Comercialmente, “Yellow Submarine” teve desempenho forte, embora inferior a outros lançamentos dos Beatles. O álbum alcançou o Top 5 da Billboard 200 nos Estados Unidos e o Top 3 no Reino Unido, confirmando a enorme popularidade do grupo. As vendas atingiram milhões de cópias em todo o mundo, impulsionadas pelo sucesso do filme e pela presença de canções conhecidas. O público respondeu positivamente, especialmente os fãs mais jovens atraídos pela animação colorida. Mesmo não sendo considerado essencial, o disco manteve alto nível de interesse comercial. A marca Beatles continuava praticamente imbatível nas paradas. O desempenho financeiro comprovou isso. O álbum permaneceu relevante em reedições posteriores. Seu sucesso reforçou a força cultural do grupo mesmo em fase final. Comercialmente, foi mais um triunfo sólido.

O legado de Yellow Submarine está ligado principalmente ao universo visual e psicodélico criado pelo filme, que se tornou clássico da animação musical. Embora raramente listado entre os melhores discos dos Beatles, o trabalho possui importância histórica como registro de transição. Fãs valorizam especialmente as faixas inéditas e a atmosfera lúdica do projeto. Críticos modernos destacam a contribuição estética para a cultura pop dos anos 1960. O álbum também evidencia a diversidade de caminhos artísticos explorados pela banda naquele período. Sua permanência no imaginário coletivo deve-se tanto à música quanto às imagens do submarino amarelo. Reedições restauradas reforçaram esse interesse. Hoje ele é visto com carinho, ainda que não com reverência máxima. Seu papel é complementar, mas significativo. Dentro da história dos Beatles, permanece uma peça curiosa e culturalmente relevante.

The Beatles – Yellow Submarine (1969)
Yellow Submarine
Only a Northern Song
All Together Now
Hey Bulldog
It’s All Too Much
All You Need Is Love

Pepperland
Sea of Time
Sea of Holes
Sea of Monsters
March of the Meanies
Pepperland Laid Waste
Yellow Submarine in Pepperland

Erick Steve.