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domingo, 18 de outubro de 2020

Os Rifles da Desforra

Após o fim da guerra civil americana, as atenções do exército americano se desviaram para o Oeste selvagem. Na fronteira da colonização estava em curso um terrível massacre promovido por tribos indígenas hostis. Sentindo que suas terras estavam sendo invadidas pelos homens brancos, os nativos destruíam as propriedades e matavam os colonos que se aventurassem por aquelas regiões inóspitas. A situação era particularmente desastrosa no território do Arizona, onde comunidades inteiras estavam sendo vitimas de massacres promovidos por Apaches liderados pelo sanguinário Chefe Cochise (Michael Keep). Para manter esses colonos em segurança, o governo americano enviou tropas ao local, entre elas um pequeno pelotão liderado pelo Capitão Coburn (Audie Murphy). Sua principal função consistia em retirar os colonos das áreas mais perigosas para levá-los até o forte de Apache Wills, onde ficariam até que a cavalaria americana destruísse os inimigos Apaches que se escondiam nas montanhas. Uma guerra estava em curso e os civis tinham que ser protegidos. E esse era um tipo de serviço que apenas a cavalaria do exército americano poderia fazer.

Assim começa esse excelente “Os Rifles da Desforra”, western que passou um pouco despercebido apesar de suas inegáveis qualidades cinematográficas. Foi o penúltimo filme da carreira de Audie Murphy, o que não deixa de algo a se lamentar, já que é de fato um faroeste de bom nível. Seu personagem, o Capitão Coburn, por exemplo, não é um típico herói da cavalaria como já vimos em vários filmes antes, muito pelo contrário, é um sujeito duro e que não conta com a total simpatia de seus comandados. Esses também são retratos bem interessantes das tropas americanas naquele período histórico, pois muitos deles lutaram ao lado dos confederados durante a guerra civil, mas depois tiveram que usar a “casaca azul” da cavalaria para terem suas penas reduzidas, ou seja, não eram soldados por convicção mas por necessidade. Lealdade e honra certamente não estavam em seus planos como podemos ver depois nos acontecimentos do filme. Curiosamente o roteiro explora maravilhosamente bem esse conflito interno personificado dentro das tropas na figura do cabo Bodine (Kenneth Tobey), um ex-confederado que não tem qualquer respeito pelos ditos ianques. Em suma, “Os Rifles da Desforra” é de fato um belo retrato de um aspecto até bem pouco conhecido da história do velho oeste. Muito bom western que merece ser redescoberto pelos fãs.
 
Os Rifles da Desforra (40 Guns to Apache Pass, Estados Unidos,1967) Direção: William Witney / Roteiro: Willard W. Willingham, Mary Willingham / Elenco: Audie Murphy, Michael Burns, Kenneth Tobey / Sinopse: Durante as guerras indígenas no hostil território do Arizona um jovem capitão após proteger civis inocentes de ataques Apaches é enviado numa perigosa missão de recebimento de uma carga com 40 rifles de repetição do exército americano. Sua viagem será cercada de desafios uma vez que a região é infestada por grupos guerreiros Apaches.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Bandoleiros do Arizona

William Quantrill foi um infame bandoleiro que causou terror e desespero no velho oeste. Ele formou uma gangue de criminosos que invadiam pequenas cidades do interior, roubando e matando todos os moradores. Quando a Guerra Civil explodiu ele tentou se tornar um Coronel do exército confederado (chegava inclusive a se vestir como um) porém em pouco tempo o governo confederado entendeu que ele não passava de um criminoso. Depois de ser recusado a entrar nas fileiras do exército sulista  Quantrill decidiu se assumir pelo que sempre havia sido: um bandoleiro violento e cruel. O roteiro desse filme parte justamente da fase final do bando de Quantrill. Sua quadrilha está em seus últimos dias. O exército da União o caça pelas cidadezinhas sulistas e o cerca em uma velha fazenda abandonada. Lá seu líder é ferido de morte e seus homens fogem. Alguns deles não conseguem ter a mesma sorte e acabam presos, entre eles o jovem Clint (Murphy).

O problema é que o antigo bando de Quantrill volta a se reunir, agora sob liderança do bandoleiro Montana (George Keymas). Para destruir de uma vez por todas com a ameaça um grupo de homens da lei chamado Arizona Raiders resolve ir atrás dos criminosos, mas dessa vez com antigos membros da velha quadrilha de Quantrill, entre eles o próprio Clint. Esse é basicamente o trama central desse bom faroeste B estrelado pelo ator Audie Murphy. A produção é modesta, mas bem realizada. Há um uso muito interessante de cenários naturais dos desertos próximos a Cortaro no Arizona, com antigas ruínas espanholas de cidades que estavam abandonadas quando o filme foi feito. O interessante é que esse acabou sendo um dos últimos filmes da carreira de Murphy (ele só trabalharia em mais cinco produções depois dessa). O ator tinha vários traumas de guerra e problemas psicológicos que contribuíram para o fim prematuro de sua vida com apenas 46 anos de idade. Para seus fãs (e no Brasil existe uma boa quantidade deles) fica a dica desse bom western onde tudo parece se encaixar muito bem.


Bandoleiros do Arizona (Arizona Raider, EUA, 1965) Direção: William Witney / Roteiro: Alex Gottlieb, Mary Willingham / Elenco: Audie Murphy, Michael Dante, Ben Cooper, George Keymas / Sinopse: Clint (Murphy) é um ex-bandoleiro renegado da quadrilha de William Quantrill que é recrutado pelos homens da lei do grupo Arizona Raiders para caçar no meio do deserto antigos membros da quadrilha que fez parte no passado.

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Robur, o Conquistador do Mundo

Título no Brasil: Robur, o Conquistador do Mundo
Título Original: Master of the World
Ano de Produção: 1961
País: Estados Unidos
Estúdio: American International Pictures (AIP)
Direção: William Witney
Roteiro: Richard Matheson, baseado na obra de Jules Verne
Elenco: Vincent Price, Charles Bronson, Henry Hull, Mary Webster
  
Sinopse:
No século XIX um gênio enlouquecido, o Capitão Robur (Vincent Price), decide erradicar todas as guerras do mundo. A bordo de uma maravilhosa máquina voadora chamada Albatroz, ele lança ultimatos a todos os governos do mundo: ou eles param de se armar para promoverem guerras internacionais entre si ou então ele destruirá todas as capitais das grandes nações ao redor do planeta. Robur está decidido a cumprir todas as suas ameaças, mas antes terá que enfrentar John Strock (Charles Bronson), um funcionário do departamento de defesa dos Estados Unidos que está disposto a destruir todos os planos megalomaníacos do insano Robur.

Comentários:
Mais uma adaptação para o cinema da obra literária do genial escritor Júlio Verne (1828 - 1905). Na realidade podemos dizer que Verne foi praticamente o inventor da literatura fantástica e de ficção científica, onde ele procurava antecipar o que aconteceria no futuro. Antes da própria invenção do avião, Verne nesse livro acabou antecipando em muitos anos o aparecimento do uso militar de aeronaves. Como se sabe Verne foi um escritor muito produtivo, lançando praticamente um livro novo a cada ano. Ele era muito popular em sua época e por essa razão várias estórias de sucesso eram readaptadas em novas aventuras como novos personagens. Esse é o caso do personagem Rubor. Lançado originalmente em 1886 no livro "Robur, o conquistador!" ele era na verdade uma readaptação do próprio Nemo de "Vinte Mil Léguas Submarinas", lançado em 1870. A única mudança significativa vinha do fato de Robur viajar em um dirigível, enquanto Nemo cruzava os mares em seu submarino Náutilus. Ambos eram gênios incompreendidos, que defendiam uma bela causa, mesmo usando para isso de métodos completamente errados para atingirem seus objetivos supostamente nobres. 

Já o filme "Robur, o Conquistador do Mundo" não contou com uma grande produção como aconteceu no caso de Nemo para a Disney. Aqui os efeitos especiais, que já não eram tão bons na época de seu lançamento, envelheceram dramaticamente com o tempo. Tudo vai soar muito jurássico para o público atual. Mesmo assim o filme conseguiu manter seu charme por causa da presença de bons atores, em especial Vincent Price como Rubor. Ator de formação teatral, ele consegue em cena manter a atenção, principalmente por causa de seu romantismo fora de moda, de seus ideais impossíveis de alcançar e de uma certo ingenuidade na luta por seus valores. O pior deles é combater as guerras mundiais com ainda mais violência! Já Charles Bronson está novamente interpretando um personagem secundário. Por essa época o ator era especializado em interpretar apenas papéis de apoio para astros de Hollywood. A direção de arte procura, com seus poucos recursos, recriar o mundo vitoriano de Verne. Pena que hoje em dia não consiga mais causar qualquer impacto visual por causa da precariedade dos efeitos especiais que o tempo tratou de destruir ainda mais. O que salva o filme como um todo, ainda nos dias de hoje, são os maravilhosos personagens criados pelo escritor Júlio Verne, sua mensagem de pacifismo equivocado e, é claro, a dose nostálgica que certamente se abaterá sobre os mais velhos. Pensando bem um remake moderno até que não seria uma má ideia. De qualquer maneira deixo a dica de uma produção da época em que Hollywood era mais inocente e criativa.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 23 de maio de 2006

Rifles Apaches

A colonização rumo ao oeste dos Estados Unidos foi violenta e repleta de situações de guerra envolvendo os soldados da cavalaria do exército (conhecidos como casacas azuis) e os nativos, tribos e nações indígenas que lutavam por suas terras. Alguns tratados de paz foram celebrados, mas também rompidos, tanto por um lado como pelo outro. A história desse faroeste se passa justamente nesse período histórico marcante dos Estados Unidos, quando brancos e índios entraram em confronto direto, resultando muitas mortes no meio do deserto escaldante do velho oeste.

A história desse filme se passa em 1879, no território do Arizona. Um grupo de guerreiros apaches rompem o tratado de paz, deixam sua reserva e partem em luta contra os soldados do exército. O Capitão Jeff Stanton (Audie Murphy) é designado pelo alto comando para liderar uma unidade da cavalaria para localizar, combater e capturar os Apaches rebeldes. E no meio de todo esse clima de confronto ainda surgem mineradores mal intencionados que desejam roubar os metais preciosos nessas mesmas terras de conflito. Bom filme de western, contando com Audie Murphy, veterano da II Guerra Mundial, que se tornou ator bem popular de filmes de faroeste da época, inclusive no Brasil.

Rifles Apaches (Apache Rifles, Estados Unidos, 1964) Direção: William Witney / Roteiro: Charles Smith, Kenneth Gamet / Elenco: Audie Murphy, Michael Dante, Linda Lawson / Sinopse: Capitão da cavalaria do exército dos Estados Unidos recebe ordens para combater e aprisionar um grupo de violentos guerreiros Apaches que deixaram a reserva onde viviam para partir em uma campanha de vingança contra os homens brancos que invadiram suas terras ancestrais.

Pablo Aluísio.

domingo, 7 de maio de 2006

Reduto de Assassinos

Esse foi um dos últimos filmes de Roy Rogers para o cinema. Em pouco mais de um mês depois de sua estreia nas salas de cinema, ele estrelaria na TV um programa que se tornaria campeão de audiência na década de 1950, o "Roy Rogers Show". As novas gerações certamente não lembrarão de Rogers. Ele foi um dos maiores ídolos do western americano em seu tempo. Ao lado de seu famoso cavalo Trigger, ele encantou uma geração de jovens que vibravam com seus filmes simples, de enredos onde o mocinho, sempre virtuoso, enfrentava os mais desalmados vilões. Tudo para salvar a mocinha do perigo. Roy Rogers ao contrário de um John Ford ou John Wayne, não procurava realizar obras-primas do cinema, pelo contrário, ele procurava agradar a uma plateia bem mais jovem que só queria diversão. Assim Rogers se especializou nas matinês, onde crianças a adolescente iam para se divertir. Seu público era formado basicamente por garotos até 12 anos ou um pouquinho mais velhos do que isso. Por isso não se espante ao assistir a um filme de Roy Rogers e achar tudo meio juvenil. A ideia era essa mesma.

Também foi um homem de negócios astuto que soube muito bem explorar e vender sua própria imagem. Assim foi um dos primeiros astros do cinema a licenciar a própria marca Roy Rogers para brinquedos, revistas em quadrinhos, chicletes e roupas. Essa jogada de marketing o transformou em um homem extremamente rico. Rogers via a oportunidade de um bom negócio em qualquer situação. Quando seu cavalo Trigger morreu, ele mandou empalhar o fiel companheiro das telas e o enviou para excursões pelo país, onde milhares pagaram ingressos apenas para ver de perto o famoso Trigger. O sucesso obviamente foi enorme.

Nesse "Reduto de Assassinos" o que temos é mais uma variação de sua eterna persona nas telas. Seu nome era tão popular que Roy Rogers parou de usar nomes diferentes para seus personagens. Não importava o papel, ele quase sempre aparecia como Roy Rogers, simplesmente assim. No enredo desse filme um dos companheiros de Roy Rogers, um patrulheiro da fronteira entre México e Estados Unidos, é morto, e assim ele parte em busca dos assassinos. Todos os ingredientes que fizeram a fama de Roy Rogers estão presentes. Suas pistolas prateadas com finos adornos, suas roupas chamativas, que inclusive faziam parte de sua linha de cowboy que era vendida nas lojas da época e seu bom mocismo à prova de falhas. Um faroeste muito nostálgico para os que foram fãs de Roy Rogers em sua infância.

Reduto de Assassinos (Pals of the Golden West, Estados Unidos, 1951) Direção: William Witney / Roteiro: Albert DeMond, Sloan Nibley / Elenco: Roy Rogers, Trigger, Dale Evans / Sinopse: Após ver seu amigo e colega ser morto por bandidos, o destemido patrulheiro da fronteira, Roy Rogers parte em busca de justiça.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

Balas Traiçoeiras

Título no Brasil: Balas Traiçoeiras
Título Original: Under California Stars
Ano de Produção: 1948
País: Estados Unidos
Estúdio: Republic Pictures
Direção: William Witney
Roteiro: Paul Gangelin, Sloan Nibley
Elenco: Roy Rogers, Trigger, Jane Frazee, Andy Devine, George Lloyd, Wade Crosby, Michael Chapin

Sinopse:
Para desafiar o cowboy Roy Rogers uma quadrilha de bandoleiros liderados por um rancheiro desonesto resolve raptar o cavalo Trigger, o grande companheiro e amigo de aventuras de Rogers.

Comentários:
Esse filme chegou a ser lançado no Brasil em VHS pelo selo VMW vídeo no começo dos anos 1990. Só que curiosamente a distribuidora mudou seu título nacional para "Roy Rogers e o Rapto de Trigger", ignorando completamente o título que originalmente foi lançado nos cinemas no final dos anos 1940 quando se chamou "Balas Traiçoeiras". De uma forma ou outra foi uma tentativa de apelar para a nostaligia e o saudosismo que o nome de Roy Rogers causava nos fãs brasileiros. Ele foi seguramente um dos mais populares astros do western americano em nosso país. Seus filmes lançados em matinês lotadas fizeram a alegria de muitos fãs juvenis em seu auge, quando era realmente um astro de cinema, sinônimo de boas bilheterias em nosso país. Revisto hoje em dia os roteiros soam inocentes e básicos, porém o charme vindo da nostalgia e o interesse histórico na figura de Roy Rogers formam o grande atrativo para se conhecer esse tipo de produção. O estúdio Republic iria falir poucos anos depois, porém seu nome se tornaria bem conhecido entre os fãs de matinês daqueles tempos. Uma era que infelizmente não volta mais.

Pablo Aluísio.