terça-feira, 14 de junho de 2016

Kirk Douglas - In Harm's Way (1965)

Finalizando minhas impressões sobre esse clássico de guerra chamado "In Harm's Way" (A Primeira Vitória, no Brasil) eu gostaria de tecer alguns comentários sobre o personagem interpretado por Kirk Douglas. O oficial Paul Eddington é um ótimo militar da Marinha americana, profissional confiável, porém em sua vida pessoal parece só fazer escolhas erradas. A primeira cena do filme mostra sua jovem esposa dançando em um cocktail oferecido a marinheiros. Desinibida, na beira da piscina, ela protagoniza um pequeno escândalo. Detalhe: enquanto ela dança e se diverte com aqueles homens seu marido está em alto-mar, enfrentando os inimigos do país, algo que causa grande desconforto nos demais militares presentes naquela noite.

Quando começa o ataque a Pearl Harbor ela acaba morrendo numa estrada. Isso faz com que Eddington fique devastado. Ele não era feliz no casamento, sua jovem esposa, muitos anos mais jovem, não lhe dava o devido respeito e nem parecia gostar muito dele, mas a sua morte prematura torna sua lembrança praticamente imaculada. Depois disso o Capitão começa a ter um comportamento bem fora dos padrões o que o levará à cena crucial quando resolve estuprar uma jovem enfermeira que também está no Havaí durante a II Guerra Mundial. A garota vindo do interior acaba sendo agarrada na praia e violentada. Essa cena, forte sob muitos aspectos, também é bem incômoda quando descobrimos que o próprio Kirk Douglas foi acusado de ter estuprado a atriz Natalie Wood nos anos 50. Isso foi bem antes da realização dessa cena o que me faz pensar que Kirk quis dar sua resposta na tela, atuando em algo que certamente seria bem comentado nos bastidores de Hollywood.

Depois disso, como numa espécie de redenção moral, o roteiro o coloca numa missão suicida, onde ele deixa bem claro que não está muito disposto a voltar para a base para enfrentar uma corte marcial. O diretor Otto Preminger acabou ficando numa encruzilhada pois não poderia dar um final feliz a um estuprador no enredo, nem mesmo se ele fosse interpretado pelo astro Kirk Douglas. John Wayne, interpretando seu oficial superior, certamente o puniria e isso fica bem claro depois que ele descobre que seu subordinado está morto. Perguntado se ele daria seu nome para a recomendação de uma medalha de honra, a sua resposta é um taxativo "não"!

Por fim, vale também destacar a grande cena final do filme. O clímax é a reconstituição de uma batalha real ocorrida no Pacífico Sul entre a Marinha americana e a japonesa. Os japoneses contavam com o colossal Yamato, de 72 mil toneladas. Esse navio era considerado uma das joias do poderio naval militar japonês. O comandante interpretado por John Wayne é o responsável em destruir essa armada dos mares. No saldo final, apesar de todas as baixas, ele acaba vencendo, o que foi considerado na época a primeira vitória americana sobre o Japão no Pacífico.

Pablo Aluísio.

3 comentários:

  1. Avaliação:
    Direção: ★★★★
    Elenco: ★★★★
    Produção: ★★★
    Roteiro: ★★★★
    Cotação Geral: ★★★★
    Nota Geral: 8.5

    Cotações:
    ★★★★★ Excelente
    ★★★★ Muito Bom
    ★★★ Bom
    ★★ Regular
    ★ Ruim

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  2. Xi Pablo, esse negocio de estupro tem sido tão divulgado e condenado, tanto por feministas, quanto pelo publico em geral, que ontem eu vendo aquele estupro, meio consentido, do filme O Estranho Sem Nome do Clint Eastwood, me deu um mal estar, coisa que antigamente se eu não gostava, também não me incomodava, mas as coisas mudaram é difícil fixar indiferente como antes; filme daqui pra frente dificilmente abordará esse assunto com insensibilidade.

    PS. Que filme excelente O Estranho Sem Nome.

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  3. Essa cena do personagem do Kirk Douglas estuprando uma jovem me surpreendeu completamente porque com raras exceções ele não interpretava esse tipo de papel. Acredito que tenha sido a única cena de estupro da carreira do Kirk. O mais curioso é que ele está com uma jovem na praia, eles tinham flertado durante longo tempo e você pensa que daí vai sair uma cena romântica e do nada tudo vira uma grande violência... Um momento para poucos, realmente asqueroso. Por falar em "O Estranho Sem Nome" eu sempre considerei esse um dos melhores faroestes do bom e velho Clint Eastwood.

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