domingo, 15 de fevereiro de 2026

The Beatles - Yellow Submarine

The Beatles - Yellow Submarine
O álbum “Yellow Submarine” foi lançado em 13 de janeiro de 1969 nos Estados Unidos (e em 17 de janeiro no Reino Unido), pela Apple Records, em um período de transição na trajetória dos The Beatles. O disco está diretamente ligado ao filme de animação homônimo produzido no auge da fase psicodélica do grupo, reunindo canções já conhecidas e algumas faixas inéditas. Parte do material havia sido gravada anteriormente, o que faz do álbum um projeto híbrido dentro da discografia oficial. Além das músicas da banda, o segundo lado do vinil apresenta composições orquestrais de George Martin, produtor histórico do grupo, reforçando o caráter cinematográfico do lançamento. O contexto de gravação coincide com o período de fragmentação criativa que culminaria no fim da banda poucos meses depois. Assim, o disco não representa uma obra conceitual coesa, mas sim um registro complementar daquele momento. Mesmo com essa natureza particular, o lançamento teve importância cultural significativa. Ele ampliou a presença dos Beatles no cinema e na cultura pop visual. Também consolidou a estética psicodélica associada ao final dos anos 1960.

A recepção crítica inicial foi mista, refletindo a natureza incomum do projeto. O The New York Times observou que o álbum parecia “mais uma trilha sonora do que um novo passo artístico da banda”, embora elogiasse a qualidade das canções inéditas. Já o Los Angeles Times destacou o valor do material previamente lançado, afirmando que “mesmo quando reciclados, os Beatles permanecem superiores à maioria do pop contemporâneo”. Críticos reconheceram que a presença das músicas orquestrais dividia opiniões entre fãs de rock. Alguns viram a escolha como ousada; outros, como distante do espírito do grupo. Ainda assim, a força cultural do nome Beatles manteve o interesse elevado. A crítica concordava que o disco não estava no mesmo nível de seus antecessores imediatos. Mesmo assim, havia respeito pela inventividade envolvida. O debate crítico demonstrava a expectativa altíssima em torno da banda. Qualquer lançamento era analisado como evento cultural.

Publicações como a Rolling Stone consideraram o álbum “agradável, porém menor dentro de uma discografia extraordinária”, enquanto a Billboard destacou seu apelo comercial garantido pelo filme e pelas canções já populares. A revista The New Yorker adotou tom mais analítico, sugerindo que o disco simbolizava “um momento de dispersão criativa, mas ainda cheio de beleza melódica”. Com o passar do tempo, muitas dessas avaliações foram suavizadas. Críticos posteriores passaram a valorizar mais as faixas inéditas e a contribuição estética do filme. O álbum ganhou nova leitura histórica como peça complementar do universo beatle. Hoje, a crítica tende a enxergá-lo com maior simpatia. Ele não é visto como fracasso, mas como obra circunstancial. Essa reavaliação reforçou sua legitimidade dentro do catálogo do grupo. A percepção crítica evoluiu de decepção moderada para apreciação contextual.

Comercialmente, “Yellow Submarine” teve desempenho forte, embora inferior a outros lançamentos dos Beatles. O álbum alcançou o Top 5 da Billboard 200 nos Estados Unidos e o Top 3 no Reino Unido, confirmando a enorme popularidade do grupo. As vendas atingiram milhões de cópias em todo o mundo, impulsionadas pelo sucesso do filme e pela presença de canções conhecidas. O público respondeu positivamente, especialmente os fãs mais jovens atraídos pela animação colorida. Mesmo não sendo considerado essencial, o disco manteve alto nível de interesse comercial. A marca Beatles continuava praticamente imbatível nas paradas. O desempenho financeiro comprovou isso. O álbum permaneceu relevante em reedições posteriores. Seu sucesso reforçou a força cultural do grupo mesmo em fase final. Comercialmente, foi mais um triunfo sólido.

O legado de Yellow Submarine está ligado principalmente ao universo visual e psicodélico criado pelo filme, que se tornou clássico da animação musical. Embora raramente listado entre os melhores discos dos Beatles, o trabalho possui importância histórica como registro de transição. Fãs valorizam especialmente as faixas inéditas e a atmosfera lúdica do projeto. Críticos modernos destacam a contribuição estética para a cultura pop dos anos 1960. O álbum também evidencia a diversidade de caminhos artísticos explorados pela banda naquele período. Sua permanência no imaginário coletivo deve-se tanto à música quanto às imagens do submarino amarelo. Reedições restauradas reforçaram esse interesse. Hoje ele é visto com carinho, ainda que não com reverência máxima. Seu papel é complementar, mas significativo. Dentro da história dos Beatles, permanece uma peça curiosa e culturalmente relevante.

The Beatles – Yellow Submarine (1969)
Yellow Submarine
Only a Northern Song
All Together Now
Hey Bulldog
It’s All Too Much
All You Need Is Love

Pepperland
Sea of Time
Sea of Holes
Sea of Monsters
March of the Meanies
Pepperland Laid Waste
Yellow Submarine in Pepperland

Erick Steve. 

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Elvis Presley - Something For Everybody

Elvis Presley - Something For Everybody
O álbum “Something for Everybody” foi lançado em 17 de junho de 1961, pela RCA Victor, em um momento de transição artística na carreira de Elvis Presley. Gravado em sessões realizadas entre 1960 e 1961, o disco surgiu logo após o retorno definitivo do cantor do serviço militar e durante o período em que sua produção estava fortemente ligada ao cinema de Hollywood. Diferente de muitos álbuns compostos apenas por músicas de filmes, este trabalho reuniu gravações de estúdio independentes, pensadas para o mercado fonográfico tradicional. O título refletia a proposta de alcançar diferentes públicos, combinando baladas românticas, canções pop suaves e números mais animados. Havia também a intenção comercial clara de manter Elvis relevante em um cenário musical que começava a mudar com a ascensão de novos artistas. Musicalmente, o álbum apresenta arranjos polidos e vocais controlados, evidenciando maturidade interpretativa. Esse contexto faz do disco um retrato fiel da fase inicial dos anos 1960 do cantor. Sua importância reside na consolidação de Elvis como artista versátil e ainda dominante nas paradas. Mesmo sem o impacto revolucionário dos anos 1950, o álbum reforçou sua permanência no topo da indústria.

A recepção crítica na época foi, em geral, positiva, embora menos entusiasmada do que nos primeiros anos de carreira. O The New York Times observou que o disco demonstrava “um intérprete mais contido, mas tecnicamente seguro”, destacando a qualidade das baladas. Já o Los Angeles Times ressaltou a consistência comercial do trabalho, afirmando que Elvis “continua oferecendo exatamente o que seu público espera ouvir”. Críticos apontaram que o repertório privilegiava melodias acessíveis e produção refinada. Alguns viram isso como sinal de amadurecimento; outros, como acomodação artística. Ainda assim, a execução vocal foi amplamente elogiada. A imprensa reconheceu que poucas vozes do pop possuíam tamanho alcance emocional. O álbum foi entendido como produto sólido dentro do mainstream. Mesmo sem ousadia, mantinha alto padrão profissional. Isso garantiu respeito crítico contínuo.

Revistas especializadas como a Billboard destacaram o potencial radiofônico do disco, descrevendo-o como “um conjunto de canções cuidadosamente escolhido para amplo apelo popular”. Publicações do setor musical observaram que Elvis mantinha forte presença comercial mesmo em meio às mudanças culturais do início da década. Alguns críticos notaram a ausência do rock mais energético que marcara seus primeiros sucessos, mas reconheceram a eficiência das interpretações românticas. Comentários da época ressaltavam que o cantor havia se tornado um entertainer completo. A recepção, portanto, misturava admiração profissional com certa nostalgia do passado rebelde. Com o passar dos anos, essas análises passaram a ver o álbum com maior equilíbrio histórico. Hoje ele é compreendido como peça representativa de sua fase hollywoodiana. A crítica moderna tende a valorizar mais sua qualidade vocal. Assim, o julgamento do disco tornou-se mais favorável ao longo do tempo.

Comercialmente, “Something for Everybody” foi um grande sucesso. O álbum alcançou o 1º lugar na Billboard 200, confirmando a força de Elvis no mercado norte-americano. Também obteve boas posições em paradas internacionais, refletindo sua popularidade global contínua. As vendas ultrapassaram milhões de cópias, garantindo certificações importantes ao longo das décadas. O público respondeu positivamente ao repertório romântico e acessível. Muitas faixas tornaram-se favoritas dos fãs, especialmente as baladas. O desempenho sólido reforçou a estratégia de diversificação musical do cantor. Mesmo sem singles revolucionários, o conjunto vendeu de forma consistente. Isso demonstrou a lealdade de sua base de ouvintes. Comercialmente, o disco cumpriu plenamente seu papel. Foi mais uma prova do domínio de Elvis nas paradas do início dos anos 1960.

O legado de Something for Everybody está ligado à consolidação da imagem de Elvis como artista universal do entretenimento. Embora não seja considerado tão inovador quanto seus trabalhos dos anos 1950 ou o retorno de 1968, o álbum representa estabilidade artística e sucesso contínuo. Fãs valorizam especialmente a qualidade das interpretações vocais e o clima romântico predominante. Críticos modernos o veem como documento importante da fase hollywoodiana do cantor. O disco também ajuda a compreender a adaptação de Elvis às transformações do mercado musical. Sua permanência nas reedições demonstra interesse duradouro. Dentro da discografia do artista, ocupa posição de transição histórica. É um trabalho que evidencia profissionalismo e consistência. Seu valor está menos na inovação e mais na solidez. Ainda assim, permanece parte essencial do legado do Rei do Rock.

Elvis Presley - Something for Everybody (1961)
There’s Always Me
Give Me the Right
It’s a Sin
Sentimental Me
Starting Today
Gently
I’m Comin’ Home
In Your Arms
Put the Blame on Me
Judy
I Want You with Me
I Slipped, I Stumbled, I Fell

Erick Steve. 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

1975: O Ano do Colapso

Título no Brasil: 1975: O Ano do Colapso 
Título Original: Breakdown: 1975
Ano de Lançamento: 2025
País: Estados Unidos
Estúdio: Netflix
Direção: Morgan Neville
Roteiro: Morgan Neville
Elenco: Martin Scorsese, Jodie Foster, Josh Brolin, Oliver Stone, Albert Brooks, Steven Spielberg (em depoimentos e imagens de arquivos)

Sinopse:
O documentário faz uma análise dos filmes que foram lançados nos cinemas no ano de 1975, mostrando como eram inovadores e completamente fora dos padrões que Hollywood vinha adotando em seu passado recente. Uma safra de produções cinematográficas que rompeu definitivamente com o que vinha sendo produzido e lançado nos cinemas até aquele ano. 

Comentários:
Esse é um novo documentário que pode ser encontrado na Netflix. Assista antes que tirem. O que temos aqui é um desses filmes que são muito bem recebidos por quem aprecia a história do cinema. Ele vai dissecando os filmes que chegaram aos cinemas em 1975, mostrando como eles foram revolucionários, rompendo com uma certa fórmula antiga que Hollywood ainda teimava em continuar explorando. Apesar de achar o documentáro muito bem realizado e tudo mais, tenho certas reservas ao seu conteúdo. Hollywood não mudou, da noite para o dia, nesse ano de 1975, como é proposto pela narrativa do roteiro desse documentário. Na realidade ela já vinha mudando e muito desde o final dos anos 60. Basta dar uma olhada em títulos inovadores que foram lançados em 1968, por exemplo. Então colocar tudo em 1975 me soou um pouco forçado. Ainda assim recomendo esse documentário. Produções nessa linha são tão raras que quando encontramos uma, temos que celebrar e agradecer. Embora não seja tão historicamente exato e preciso em suas premissas, esse documentário ainda vale muito a pena conhecer. 

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Na Terra de Santos e Pecadores

Título no Brasil: Na Terra de Santos e Pecadores
Título Original: In the Land of Saints and Sinners
Ano de Lançamento: 2023
País: Irlanda, Estados Unidos
Estúdio: Facing East Entertainment
Direção: Robert Lorenz
Roteiro: Mark Michael McNally, Terry Loane
Elenco: Liam Neeson, Kerry Condon, Jack Gleeson, Colm Meaney, Ciarán Hinds, Desmond Eastwood

Sinopse:
Ambientado em uma pequena cidade costeira da Irlanda nos anos 1970, o filme acompanha Finbar Murphy (Liam Neeson), um assassino de aluguel envelhecido que busca deixar para trás seu passado violento e viver em paz. Contudo, a chegada de membros do IRA à região desencadeia uma nova onda de conflitos, forçando Finbar a confrontar novamente a violência que tentou abandonar. Entre culpa, redenção e sobrevivência, ele precisa escolher de que lado realmente está.

Comentários: 
Outro bom filme que se pode encontrar atualmente na Netflix. Esse me lembrou muito um antigo filme, dos anos 80, com Mickey Rourke, chamado "Prece Para um Condenado". A premissa é a mesma: um assassino profissional tenta um recomeço na vida, mas antes vai ter que acertar as contas com o IRA, o exército revolucionário irlandês, um grupo classificado como terrorista na época. Hoje em dia o IRA está pacificado e a maioria das pessoas sequer lembra deles, mas naqueles tempos sombrios a coisa era bem barra pesada. Acusações de explosões de carros bombas eram comuns. O clima de ódio era muito intenso. A história desse filme resgata em parte esse capítulo sangrento do que foi vivido. É um bom filme, com competência tanto no desenvolvimento dos personagens, como também nas cenas de ação, de intensidade. Então não senti falta de nada realmente. Um filme bem completo que paga as promessas que fez ao espectador. Está mais do que recomendado. 

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Dinheiro Suspeito

Título no Brasil: Dinheiro Suspeito
Título Original: The Rip
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos
Estúdio: Netflix 
Direção: Joe Carnahan
Roteiro: Joe Carnahan
Elenco: Matt Damon, Ben Affleck, Scott Adkins, Kyle Chandler, Steven Yeun, Teyana Taylor, 

Sinopse:
Em Miami, uma equipe de policiais do departamento de narcóticos descobre uma grande quantia de dinheiro escondida em uma casa abandonada após um informação sobre uma operação secreta. A quantia, avaliada em dezenas de milhões de dólares, desencadeia tensão, suspeitas e conflitos dentro da equipe. À medida que forças externas se aproximam e a pressão moral aumenta, os laços de confiança entre os policiais começam a se desfazer, levando a confrontos de lealdade, ganância e sobrevivência numa única noite tensa.

Comentários: 
Apesar das muitas críticas que o filme sofreu por aí, eu gostei do que assisti, mesmo com certas ressalvas. É um bom filme, com uma trama envolvente que mantém nossa atenção. E o jogo do roteiro, ora levando o espectador a acreditar na honestidade dos policiais, ora nos convencendo de que são tiras corruptos, é bem interessante. Pena que a dupla Matt Damon e Ben Affleck não leve a história do filmes às últimas consequências. Ao invés disso preservam suas famas de bons moços! Afinal são também produtores do filme. Essa foi uma bola fora da conclusão, pois esperava mais desses personagens, bem mais. Quando a tensão chega ao auge, o roteiro se acovarda e desanda, buscando por soluções facéis e rápidas sobre tudo o que está acontecendo. Eu esperava por algo mais visceral e cru, afinal o filme vai adotando ao longo da história um clima que me levou a pensar justamente nisso. São caras durões, sem carisma, querendo se dar bem o tempo todo. Era para seguir nessa linha. Pelo visto houve um tanto de falta de coragem para transformar essa fita policial em um clássico moderno da linha Brucutu. Uma pena mesmo. 

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Rio Lobo

Rio Lobo
Rio Lobo foi lançado em 18 de dezembro de 1970, dirigido por Howard Hawks e estrelado por John Wayne, ao lado de Jorge Rivero, Jennifer O’Neill, Jack Elam e Christopher Mitchum. O filme representa a última colaboração entre Hawks e Wayne, dupla fundamental para a consolidação do western clássico americano. Ambientada logo após a Guerra Civil dos Estados Unidos, a história acompanha um oficial da União que decide investigar uma série de injustiças ocorridas em uma pequena cidade dominada por corrupção e abuso de poder. O ponto de partida surge quando ele descobre que antigos inimigos de guerra podem, na verdade, tornar-se aliados diante de um mal maior. A partir dessa premissa, o longa desenvolve um confronto moral entre honra, vingança e reconciliação, mantendo o foco na jornada do protagonista sem antecipar os acontecimentos finais.

No momento de seu lançamento, Rio Lobo recebeu uma reação crítica mista da imprensa americana. O The New York Times observou que o filme possuía “o charme tranquilo dos westerns tradicionais de Hawks”, mas também apontou que a narrativa parecia familiar demais em comparação com obras anteriores do diretor. Já o Los Angeles Times destacou a presença de John Wayne como elemento central de força dramática, elogiando sua autoridade em cena e sua capacidade de sustentar o tom clássico da produção. Ainda assim, parte da crítica considerou que o gênero western já não ocupava o mesmo espaço cultural dominante do passado.

A revista Variety descreveu o longa como “um western sólido, porém convencional”, ressaltando a competência técnica da direção e das sequências de ação, mas sem grandes inovações narrativas. O The New Yorker comentou que o filme parecia uma despedida melancólica de uma era do cinema americano, marcada por heróis estoicos e conflitos morais diretos. Mesmo sem entusiasmo unânime, muitos críticos reconheceram a elegância clássica da encenação de Hawks e o carisma duradouro de Wayne. O consenso geral foi de respeito moderado, vendo o filme mais como um epílogo do western tradicional do que como uma renovação do gênero.

No campo comercial, Rio Lobo apresentou desempenho modesto nas bilheterias. Produzido com orçamento estimado em cerca de US$ 6 milhões, o filme arrecadou valores considerados apenas satisfatórios para os padrões da época, especialmente diante da popularidade anterior das colaborações entre Hawks e Wayne. O western, naquele início dos anos 1970, enfrentava concorrência crescente de outros gêneros e mudanças no gosto do público. Ainda assim, o nome de John Wayne garantiu presença significativa nos cinemas e boa circulação internacional, assegurando retorno financeiro razoável e posterior exibição frequente na televisão.

Com o passar das décadas, Rio Lobo passou a ser visto como uma obra de encerramento simbólico do ciclo clássico do western hollywoodiano. Embora não figure entre os títulos mais celebrados de Hawks ou Wayne, o filme é valorizado por estudiosos como parte importante da transição entre o western tradicional e abordagens mais revisionistas que dominariam os anos seguintes. A relação entre antigos inimigos que se tornam aliados também ganhou leitura mais contemporânea, reforçando temas de reconciliação após a guerra. Hoje, o longa mantém respeito histórico e interesse entre admiradores do gênero.

Rio Lobo (Rio Lobo, Estados Unidos, 1970) Direção: Howard Hawks / Roteiro: Burton Wohl, Leigh Brackett e Larry Cohen / Elenco: John Wayne, Jorge Rivero, Jennifer O’Neill, Jack Elam, Christopher Mitchum, Victor French / Sinopse: Um ex-oficial da Guerra Civil investiga abusos cometidos em uma cidade dominada pela corrupção, unindo-se a antigos adversários para restaurar a justiça e a honra no Oeste americano.

Erick Steve. 

Fibra de Herói

Tom Buchanan (Randolph Scott) é um cowboy que indo na direção do Texas onde pretende comprar um rancho resolve parar numa pequenina cidade na fronteira entre Estados Unidos e México. Lá acaba involuntariamente se envolvendo numa briga entre um mimado filho do juiz local e um mexicano que está ali para lavar a honra de sua família. Após muitos desentendimentos Juan (Manuel Rojas) finalmente mata seu desafeto em um Saloon. Imediatamente a população resolve levar o criminoso ao linchamento mas Buchanan (Scott) tenta evitar. Má ideia. Logo ele também é acusado de ser cúmplice do assassino mesmo sendo completamente inocente.

"Homem errado no lugar errado" essa é a premissa desse "Fibra de herói", mais um parceria entre o ator Randolph Scott e o talentoso diretor Budd Boetticher. Juntos fariam alguns dos melhores westerns da década de 50, geralmente com Scott como produtor (ao lado de seu sócio Brown) e Boetticher como diretor. São faroestes eficientes, bem mais centrados em uma boa trama do que em produções de encher os olhos. "Fibra de Herói" tem todas essas características. A pequena cidade onde Scott vai parar e é condenado à forca é totalmente dominada pela mesma família. O corrupto xerife  Lew Agry (Barry Kelley) é irmão do juiz Simon Agry (Tol Avery), que por sua vez também tem laços de sangue com Amos Agry (Peter Whitney) que cuida do único hotel da cidade. Juntos os três brigam entre si por poder, dinheiro e dominação. São víboras de uma mesma ninhada.

Em uma cidade assim, onde a família Agry manda em praticamente tudo o personagem de Randolph Scott certamente se encontra em sérios problemas pois ele é acusado injustamente de matar o fllho do juiz Simon, o desordeiro, bêbado e arruaceiro  Roy Agry (William Leslie). Seria uma ironia sobre a política americana da época, também dominada por famílias poderosas e corruptas? Vindo do diretor  Budd Boetticher tudo é possível. A tônica do filme é parecida com a de um jogo de pôquer do velho oeste onde todos se mostram extremamente gananciosos. A cena final, um grande tiroteio envolvendo a posse de uma mala cheia de dinheiro (50 mil dólares em espécie), mostra bem isso. Com tanta grana em jogo ninguém mais reconhece ninguém, irmão atira em irmão e qualquer laço de parentesco desaparece sob uma chuva de balas.

Embora muito bom, inclusive tecnicamente, "Fibra de Herói" se revela curioso porque o personagem de Randolph Scott apenas tangencia a trama principal. De fato ele fica bastante tempo fora de cena mostrando que é em essência um personagem secundário. Isso pode ter até mesmo aborrecido os fãs do ator cowboy na época. Como o roteiro é baseado em uma novela de Jonas Ward não houve como mudar isso. De qualquer modo temos aqui um faroeste típico de Randolph Scott, mesmo que atuando apenas discretamente em um personagem não tão central como estamos acostumados a ver. Recomendo.

Fibra de Herói (Buchanan Rides Alone, EUA, 1959) Direção: Budd Boetticher / Roteiro: Charles Lang baseado na novela de Jonas Ward / Elenco: Randolph Scott, Craig Stevens, Barry Kelley / Sinopse: A caminho do Texas onde pretende comprar um rancho para começar vida nova, um cowboy (Randolph Scott) é injustamente acusado de ser cúmplice na morte do filho do juiz da cidade. Agora ele terá que lutar por sua vida e sua inocência.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Conflitos d'Alma

Título no Brasil: Conflitos d'Alma
Título Original: Conflict
Ano de Produção: 1945
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Curtis Bernhardt
Roteiro: Arthur T. Horman, Dwight Taylor
Elenco: Humphrey Bogart, Alexis Smith, Sydney Greenstreet, Rose Hobart, Charles Drake, Grant Mitchell

Sinopse:
Richard Mason (Humphrey Bogart) é um engenheiro bem sucedido, casado há muitos anos, que acaba se apaixonando justamente pela irmã da esposa. Ele então decide matar ela, para assim ter uma nova chance de quem sabe um dia, ter um novo casamento com a irmã mais nova dela.

Comentários:
O ator Humphrey Bogart nunca conseguia fugir de um certo tipo de papel. Durante anos ele interpretou criminosos e gângsters em filmes B da Warner. Aqui ele interpreta um sujeito normal, um engenheiro, mas que na primeira oportunidade cria um plano para matar a própria esposa. Eles cultivam um casamento de fachada. Ele já não gosta dela e ela sabe disso. Mesmo assim força a barra para impor uma situação de pura aparência. Quando estão para sair em um jantar de comemoração de aniversário de seu casamento, ela decide então encarar a situação e pergunta se ele está apaixonado por sua própria irmã. O personagem de Bogart nem hesita e diz que sim. Bem, depois disso não há mais nada a preservar e ele arquiteta um plano de forjar a morte dela, como se fosse um acidente de carro. O roteiro é bem orquestrado. Depois da suposta morte dela, a presença da esposa começa a assombrar o marido. O corpo dela nunca foi encontrado pela polícia.  Afinal ela teria morrido ou não? O roteiro vai desenvolvendo o mistério até um desfecho que me agradou bastante. Há uma figura secundária dentro da trama, um psiquiatra especializado em mentes criminosas, que acaba sendo um elo importante dentro da história. Fique de olho nele. Enfim, bom filme, pouco conhecido, do grande Bogart, aqui como um criminoso de elite. O mais perigoso assassino é aquele que não se parece com um.

Pablo Aluísio.

Anos de Ternura

Título no Brasil: Anos de Ternura
Título Original: The Green Years
Ano de Produção: 1946
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: Victor Saville
Roteiro: Robert Ardrey
Elenco: Charles Coburn, Tom Drake, Beverly Tyler, Dean Stockwell, Gladys Cooper, Jessica Tandy

Sinopse:
Com roteiro baseado na novela escrita por A.J. Cronin, o filme "Anos de Ternura" conta a história do jovem irlandês Robert Shannon, Quando seus pais morrem, ele é enviado para morar com seus parentes na Escócia. E lá fica muito próximo do avô, Alexander Gow (Charles Coburn), um homem de bom coração, embora fosse dado a contar lorotas e beber em demasia. Filme indicado ao Oscar nas categorias de melhor ator coadjuvante (Charles Coburn) e melhor fotografia (George J. Folsey).

Comentários:
Que ótimo filme! Adorei! É uma daquelas belas obras cinematográficas que caem injustamente no esquecimento. É um drama que conta a história de um rapaz que passa a ser criado por uma numerosa família escocesa após a morte de seus pais. E cada um dos parentes que passa a conhecer tem sua própria visão de mundo. Seu tio é um sujeito com mania de economizar em tudo, o que é até compreensível pois a família Leckie não é rica e tendo muitos membros precisa contar com cada centavo. A avó é do tipo austera, religiosa ao extremo. E aqui o filme abre um aspecto interessante. O pequeno rapaz por ter sido criado na Irlanda é católico, mas sua nova família é toda protestante, pois eles são escoceses. Porém nada supera o grande talento do ator Charles Coburn. Ele é o avô do menino. Um homem de coração imenso, mas incorrigível na questão da bebida e da mania de contar mentiras, lorotas sobre seu passado. Coburn foi indicado ao Oscar por esse papel e na minha opinião deveria ter vencido. Ele está excepcional no filme. No mais é um belo clássico do cinema que merece ser conhecido pelas novas gerações. Muitos jovens vão se identificar, principalmente na luta do jovem protagonista em estudar para entrar numa boa universidade. Um tipo de batalha pessoal que é realmente atemporal.

Pablo Aluísio.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Roma Antiga: A Escandalosa Vida do Imperador Heliogábalo

Quando o jovem Heliogábalo se tornou imperador do poderoso Império Romano, a elite tradicional ficou bem desconfiada. Embora ele tivesse linhagem para ser o novo imperador, o rapaz era na verdade desconhecido em Roma. Ele havia sido criado em terras estrangeiras e ninguém na cidade eterna o conhecia de verdade. Sua subida ao poder só era explicada por uma intrigada rede em sua árvore genealógica. E como algumas vezes acontecia em monarquias, ele acabou herdando o poder. A desconfiança da classe Patrícia (formada pelas famílias nobres de Roma) logo se revelaria certeira. Heliogábalo era muito desequilibrado! Psicológos modernos estudando suas atitudes acreditam que ele sofria de um transtorno psicológico conhecido pela sigla TOD (Transtorno Opositivo Desafiador). Esse transtorno faz com que a pessoa seja sempre do contra, tentando destruir todas as bases da sociedade. Qualquer conselho sensato era violentamente negado pelo jovem imperador que começou a desafiar abertamente os valores da sociedade romana. 

Ele promoveu orgias em templos religiosos, se vestia como mulher e no ato de supremo desafio contra as elites romanas decidiu que iria se casar com um escravo! Era o fim da picada para os romanos. Imagine presenciar um imperador vestido de mulher, sendo submisso (ou submissa) a um escravo, que estava na base completa da sociedade em Roma, pois o escravo sequer era considerado uma pessoa naqueles tempos antigos, mas sim um bem, um objeto de propriedade de seu senhor. 

Heliogábalo passou a exigir que fosse chamado de senhora, imperatriz e não imperador! E passou até mesmo a apanhar de seu marido (escravo) na frente de todos. Certa vez, seu escravo, em uma cerimônia pública, deu uns tapas no imperador! Depois mandou que Heliogábalo se abaixasse perante ele, em posição de dominação! Todos ficaram chocados com tudo aquilo! 

Diante de tantas afrontas para a mentalidade de Roma, a elite logo deu autorização para o exército romano dar cabo da vida do imperador. Primeiro foi capturado seu marido, o escravo. Não tardou para que os soldados o colocassem numa cruz romana, para que morresse em agonia e fosse devorado por aves de rapina e cães selvagens, fora dos muros da cidade. Heliogábalo foi caçado por seus próprio legionários, depois de capturado teve a cabeça decepada e no último ato de humilhação seu corpo foi jogado nos esgotos do rio Tibre. Esse tipo de execução era reservada para os piores criminosos. Foi o fim daquele que foi considerado em sua época o pior imperador romano da história. 

Pablo Aluísio. 

Napoleão Bonaparte no Egito

A campanha de Napoleão Bonaparte no Egito teve início em 1798, durante o período do Diretório na França, e fazia parte de uma estratégia ambiciosa para enfraquecer o Império Britânico. Ao ocupar o Egito, Napoleão pretendia interromper as rotas comerciais inglesas com a Índia e, ao mesmo tempo, ampliar a influência francesa no Mediterrâneo oriental. A expedição reuniu não apenas tropas militares, mas também cientistas, engenheiros, artistas e estudiosos, demonstrando o caráter político, científico e cultural do empreendimento. Esse aspecto diferenciou a campanha egípcia de outras operações militares da época, pois combinava conquista territorial com produção de conhecimento. A chegada das forças francesas marcou um choque entre o mundo europeu moderno e a realidade política do Império Otomano, que dominava a região.

Logo após desembarcar em Alexandria, Napoleão conduziu suas tropas rumo ao interior do Egito e enfrentou os mamelucos na célebre Batalha das Pirâmides, em julho de 1798. A vitória francesa foi decisiva e consolidou o controle inicial sobre o território egípcio, graças à superioridade tática e ao uso disciplinado da infantaria em formações de quadrado. Apesar do sucesso em terra, a situação estratégica francesa tornou-se frágil quando a frota britânica, comandada pelo almirante Horatio Nelson, destruiu a esquadra francesa na Batalha do Nilo. Esse evento isolou o exército de Napoleão no Egito, impedindo reforços e dificultando a comunicação com a França. A partir desse momento, a campanha passou a enfrentar sérios desafios logísticos e políticos, além de revoltas locais contra a ocupação estrangeira.

Mesmo em meio às dificuldades militares, a expedição produziu resultados científicos extraordinários. Os estudiosos que acompanharam Napoleão realizaram extensos levantamentos sobre a geografia, a fauna, a flora, a arquitetura e a história do Egito antigo. Um dos acontecimentos mais importantes foi a descoberta da Pedra de Roseta, em 1799, que posteriormente permitiu a decifração dos hieróglifos egípcios por Jean-François Champollion. Esse achado revolucionou a egiptologia e ampliou o conhecimento europeu sobre as civilizações antigas do Nilo. Além disso, os registros reunidos deram origem à monumental obra “Description de l’Égypte”, que influenciou profundamente a ciência, a arqueologia e até o imaginário artístico europeu do século XIX.

Militarmente, porém, a campanha começou a se deteriorar. Napoleão tentou avançar para a Síria em 1799, buscando enfraquecer as forças otomanas e talvez abrir caminho para novos domínios no Oriente. Durante essa ofensiva, enfrentou resistência intensa em cidades como Acre, cuja defesa, apoiada pelos britânicos, impediu o sucesso francês. As tropas sofreram com doenças, escassez de suprimentos e desgaste contínuo, tornando inviável a continuidade da expansão. Diante desse cenário, Napoleão decidiu retornar secretamente à França, deixando o comando do exército para o general Kléber. Pouco tempo depois, a presença francesa no Egito entrou em colapso, culminando na retirada definitiva em 1801.

Apesar do fracasso militar, a campanha egípcia teve enorme impacto político e cultural. O retorno de Napoleão à França contribuiu para sua ascensão ao poder no golpe do 18 de Brumário, que o transformou em primeiro-cônsul e, posteriormente, imperador. No campo intelectual, a expedição despertou grande fascínio europeu pelo Egito antigo, influenciando a arte, a arquitetura e a ciência. Também evidenciou os limites do expansionismo francês diante do poder naval britânico, elemento central das guerras napoleônicas. Assim, a experiência no Egito representou ao mesmo tempo derrota estratégica e triunfo simbólico, consolidando a imagem de Napoleão como líder militar audacioso e figura decisiva da história moderna.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Elvis Presley - From Elvis in Memphis

Elvis Presley - From Elvis in Memphis
O álbum “From Elvis in Memphis” foi lançado em 17 de junho de 1969, pela RCA Victor, marcando um dos momentos mais importantes da carreira de Elvis Presley. Gravado nos estúdios American Sound, em Memphis, no início de 1969, o disco surgiu após o sucesso do especial televisivo de retorno do cantor em 1968, que havia recolocado Elvis no centro da cultura popular. Diferente de muitos de seus trabalhos anteriores da década, ligados a trilhas sonoras de filmes, este projeto representou um retorno sério à música de estúdio com forte identidade artística. Sob produção de Chips Moman, Elvis gravou com músicos de alto nível, explorando sonoridades que misturavam soul, country, pop e rhythm and blues. O clima das sessões foi de renovação criativa e confiança artística. Esse contexto fez do álbum um verdadeiro renascimento musical. Sua importância reside no fato de consolidar a volta de Elvis como intérprete relevante no cenário contemporâneo. Muitos críticos consideram este o melhor disco de estúdio de toda a sua carreira.

A recepção crítica foi extremamente positiva desde o lançamento. O The New York Times destacou que o álbum mostrava “um Elvis maduro, emocionalmente convincente e artisticamente focado”, ressaltando a profundidade interpretativa inédita em sua discografia recente. Já o Los Angeles Times afirmou que o cantor havia encontrado “o material ideal para sua voz, combinando sofisticação e intensidade emocional”. Críticos observaram que a escolha de repertório era particularmente forte, com composições modernas e arranjos elegantes. A interpretação de Elvis foi vista como sincera e poderosa. Muitos textos ressaltaram que o disco soava contemporâneo, não nostálgico. Isso era crucial para sua reinserção artística. O álbum rapidamente ganhou reputação de obra séria dentro do rock e da música popular. A crítica percebeu que não se tratava apenas de um retorno comercial, mas de um verdadeiro renascimento criativo.

Revistas especializadas como a Rolling Stone elogiaram a coesão sonora do projeto, afirmando que “Elvis nunca soou tão comprometido com a música quanto aqui”. A Billboard destacou o potencial duradouro das canções, especialmente “In the Ghetto”, chamando-a de “uma das interpretações mais socialmente conscientes já gravadas pelo artista”. O The New Yorker observou que havia no disco “uma dignidade emocional rara, que reposiciona Elvis como intérprete adulto”. Mesmo críticas mais cautelosas reconheceram a qualidade excepcional das gravações. Com o tempo, essas avaliações iniciais foram reforçadas. O álbum passou a figurar em listas de melhores discos dos anos 1960. A consistência artística tornou-se consenso. Assim, a recepção crítica consolidou o trabalho como clássico imediato. Poucos discos de retorno foram tão celebrados.

Comercialmente, “From Elvis in Memphis” também obteve grande sucesso. O álbum alcançou o Top 15 da Billboard 200 e teve desempenho expressivo em diversos países. O single “In the Ghetto” tornou-se um grande êxito internacional, entrando no Top 10 dos Estados Unidos e ampliando a relevância cultural do disco. Estima-se que o álbum tenha vendido milhões de cópias ao longo das décadas, recebendo certificações de ouro e platina. O público respondeu com entusiasmo ao novo direcionamento musical de Elvis. Muitos fãs consideraram o disco seu melhor trabalho em anos. O sucesso ajudou a sustentar a fase de apresentações ao vivo que viria em seguida. Comercialmente e artisticamente, foi um triunfo. Esse desempenho confirmou a força duradoura do cantor.

O legado de “From Elvis in Memphis” é profundo dentro da história da música popular. Hoje, o álbum é frequentemente citado como o maior disco de estúdio de Elvis Presley e um dos grandes trabalhos do final dos anos 1960. Fãs e críticos o veem como prova definitiva de sua capacidade interpretativa e sensibilidade musical. O disco influenciou gerações de cantores que buscaram unir emoção soul com narrativa country. Também representa um exemplo clássico de reinvenção artística bem-sucedida. Sua sonoridade permanece atual décadas depois. Reedições contínuas mantêm o álbum vivo para novos ouvintes. Poucos retornos na música tiveram impacto comparável. Trata-se de uma obra central no legado de Elvis.

Elvis Presley – From Elvis in Memphis (1969)
Wearin’ That Loved On Look
Only the Strong Survive
I’ll Hold You in My Heart (Till I Can Hold You in My Arms)
Long Black Limousine
It Keeps Right On A-Hurtin’
I’m Movin’ On
Power of My Love
Gentle on My Mind
After Loving You
True Love Travels on a Gravel Road
Any Day Now
In the Ghetto

Erick Steve. 

The Beatles - The White Album

The Beatles - The White Album
O álbum “The Beatles”, mundialmente conhecido como “The White Album”, foi lançado em 22 de novembro de 1968 nos Estados Unidos (e em 22 de novembro no Reino Unido), pela Apple Records, em um período de intensas transformações internas na banda. Gravado principalmente entre maio e outubro de 1968, logo após a viagem do grupo à Índia para estudar meditação transcendental com Maharishi Mahesh Yogi, o disco reflete um momento de fragmentação criativa entre John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. Diferente da unidade estética de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, o White Album apresenta uma coleção ampla e diversa de estilos, do rock cru ao folk, do blues ao experimentalismo sonoro. As tensões pessoais dentro do estúdio influenciaram diretamente o resultado artístico, com vários membros gravando faixas praticamente de forma solo. Ainda assim, o projeto revelou uma liberdade criativa sem precedentes. Sua importância na carreira dos Beatles reside justamente nessa pluralidade e no retrato honesto de uma banda em transformação.

A recepção crítica inicial foi dividida, mas profundamente atenta ao impacto cultural do lançamento. O The New York Times observou que o álbum era “uma obra vasta e irregular, mas impossível de ignorar”, destacando sua ambição artística. Já o Los Angeles Times descreveu o disco como “um mosaico de ideias que expande os limites do que um álbum pop pode conter”. Muitos críticos ficaram impressionados com a variedade de gêneros e abordagens, embora alguns tenham considerado o conjunto excessivamente longo. Revistas musicais reconheceram que, mesmo com inconsistências, o álbum continha algumas das composições mais fortes do grupo. A diversidade sonora foi vista tanto como virtude quanto como desafio para o público. Ainda assim, a magnitude do lançamento dominou o debate cultural daquele ano. O White Album rapidamente se tornou um evento artístico.

Publicações como a Rolling Stone exaltaram a ousadia do projeto, afirmando que “os Beatles demonstram que não há limites para sua imaginação musical”. A Billboard destacou o potencial comercial do disco duplo, chamando-o de “uma vitrine impressionante da versatilidade do grupo”. O The New Yorker adotou um tom mais analítico, sugerindo que o álbum refletia “quatro trajetórias criativas distintas coexistindo sob o mesmo nome”. Mesmo críticas mais céticas reconheciam a relevância histórica do trabalho. Com o passar do tempo, muitas avaliações iniciais foram revistas de forma mais positiva. O álbum passou a ser entendido como um retrato complexo do fim da década de 1960. Hoje, essas leituras críticas ajudam a contextualizar sua grandeza. O consenso posterior consolidou o White Album como uma obra essencial do rock.

Comercialmente, “The White Album” foi um enorme sucesso mundial. Nos Estados Unidos, alcançou o 1º lugar na Billboard 200, permanecendo por várias semanas no topo, enquanto no Reino Unido também liderou as paradas. Estima-se que o álbum tenha vendido mais de 20 milhões de cópias apenas nos EUA e dezenas de milhões globalmente, tornando-se um dos discos mais vendidos da história. O formato duplo não impediu sua popularidade; pelo contrário, ampliou a percepção de grandiosidade. O público respondeu com entusiasmo, impulsionando singles e faixas que se tornaram clássicos. Mesmo canções menos convencionais ganharam status cult ao longo do tempo. O sucesso confirmou a permanência dos Beatles como força dominante na indústria musical. Foi um triunfo tanto artístico quanto comercial.

O legado do White Album é profundo e duradouro. Frequentemente listado entre os maiores álbuns de todos os tempos, ele é visto como símbolo máximo da liberdade criativa no rock. Fãs e críticos valorizam sua diversidade, que permite múltiplas interpretações e descobertas contínuas. O disco influenciou gerações de músicos a experimentar estilos variados dentro de um mesmo projeto. Também representa um documento histórico do momento em que a unidade dos Beatles começava a se desfazer. Sua capa minimalista, totalmente branca, tornou-se um ícone do design gráfico musical. Décadas após o lançamento, continua sendo objeto de estudo, reedições e debates. Poucos álbuns possuem impacto cultural comparável.

The Beatles – The Beatles (The White Album) (1968)
Back in the U.S.S.R.
Dear Prudence
Glass Onion
Ob-La-Di, Ob-La-Da
Wild Honey Pie
The Continuing Story of Bungalow Bill
While My Guitar Gently Weeps
Happiness Is a Warm Gun
Martha My Dear
I’m So Tired
Blackbird
Piggies
Rocky Raccoon
Don’t Pass Me By
Why Don’t We Do It in the Road?
I Will
Julia

Birthday
Yer Blues
Mother Nature’s Son
Everybody’s Got Something to Hide Except Me and My Monkey
Sexy Sadie
Helter Skelter
Long, Long, Long
Revolution 1
Honey Pie
Savoy Truffle
Cry Baby Cry
Revolution 9
Good Night

Erick Steve. 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Feliz Ano Velho

Título no Brasil: Feliz Ano Velho
Título Original: Feliz Ano Velho
Ano de Lançamento: 1987
País: Brasil
Estúdio: Embrafilme
Direção: Roberto Gervitz
Roteiro: Roberto Gervitz, Marcelo Rubens Paiva
Elenco: Marcos Breda, Malu Mader, Betty Gofman, Paulo Betti, Denise Del Vecchio, Chico Díaz

Sinopse:
Baseado no livro autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva, o filme acompanha a vida de um jovem estudante que sofre um grave acidente ao mergulhar em um lago, ficando tetraplégico. A partir desse momento, ele precisa enfrentar não apenas as limitações físicas, mas também conflitos familiares, angústias existenciais e a necessidade de reconstruir sua identidade. Entre lembranças do passado, reflexões sobre juventude e o contexto político do Brasil, a história revela um processo doloroso, porém sensível, de amadurecimento e esperança.

Comentários:
É, acima de tudo, uma história real bem triste, mas que se abraça na esperança de um futuro melhor! Um jovem que na flor da idade, nos anos universitários (os melhores da vida de muitas pessoas), acaba perdendo o movimento das mãos e pernas após um acidente banal, mas que mudou sua vida para sempre. Ao mergulhar numa cachoeira, cuja base de água era muito rasa, ele acabou batendo a cabeça numa pedra. E depois disso nunca mais andou! Eu me recordo que esse livro foi bem popular nos anos 80. Sempre tinha algum estudante lendo ele pelos corredores das escolas e colégios. A linha narrativa do filme, para minha surpresa, não é convencional e nem linear. É mais sensorial. Os eventos e acontecimentos na vida do protagonista vão se sucedendo, mas não em ordem cronológica. Como algúem se lembrando de fatos do passado, a maioria deles dolorosos. Eu gostei bastante do que assisti. É, sem dúvida, um filme muito humano. E se você assistiu "Ainda Estou Aqui" e gostou, serve como um complemento a toda essa história.

Pablo Aluísio. 

Perdoa-me Por Me Traíres

Título no Brasil: Perdoa-me Por Me Traíres
Título Original: Perdoa-me Por Me Traíres
Ano de Lançamento: 1983
País: Brasil
Estúdio: Embrafilme
Direção: Braz Chediak
Roteiro: Braz Chediak, Nelson Rodrigues
Elenco: Vera Fischer, Tarcísio Meira, Cláudio Marzo, Ítala Nandi, Carlos Alberto Riccelli, Lídia Brondi

Sinopse:
Ambientado no universo moralmente sufocante da classe média carioca, o filme acompanha Glorinha, uma jovem criada sob rígidos valores familiares, cuja vida é marcada por repressão, culpa e desejo. Após um trauma devastador, segredos vêm à tona e revelam uma rede de hipocrisia, violência emocional e sexualidade reprimida. A narrativa expõe a corrosão das relações familiares e o peso destrutivo do moralismo extremo.

Comentários:
Nelson Rodrigues capturou, como ninguém, a alma podre de certos setores do povo brasileiro. Queira você goste dele ou não, essa é a verdade! E aqui temos um de seus textos mais consagrados. O filme é uma adaptação da peça homônima de Nelson Rodrigues, um dos textos mais polêmicos do autor. Dirigido por Braz Chediak, cineasta conhecido por levar obras rodrigueanas ao cinema com fidelidade temática. Vera Fischer tem uma atuação marcante, explorando fragilidade psicológica e intensidade dramática. A obra mantém os temas centrais de Nelson Rodrigues: hipocrisia social, repressão sexual, culpa e tragédia familiar. À época do lançamento, o filme gerou debates por seu conteúdo forte e abordagem direta de tabus. É considerado um dos exemplos mais representativos das adaptações cinematográficas do teatro rodrigueano nos anos 1980.

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Steven Spielberg e o Dia D


O Resgate do Soldado Ryan
O Resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan) foi lançado em 24 de julho de 1998 e dirigido por Steven Spielberg, reunindo um elenco liderado por Tom Hanks, Matt Damon, Tom Sizemore, Edward Burns e Barry Pepper. Ambientado durante a Segunda Guerra Mundial, o filme se inicia no contexto da invasão aliada à Normandia, colocando o espectador diante da brutalidade do conflito desde seus primeiros minutos. A história acompanha um grupo de soldados americanos encarregados de atravessar território inimigo para localizar um paraquedista cuja família já sofreu perdas irreparáveis na guerra. A missão, aparentemente simples no papel, rapidamente se revela moralmente complexa e emocionalmente extenuante, colocando os personagens diante de dilemas éticos profundos. A partir desse ponto de partida, o filme constrói uma reflexão intensa sobre sacrifício, dever, liderança e o valor da vida humana em meio ao caos da guerra, sem jamais antecipar o desfecho da jornada.

No momento de seu lançamento, O Resgate do Soldado Ryan foi recebido com entusiasmo imediato pela crítica americana, sendo rapidamente reconhecido como um marco do cinema de guerra. O The New York Times descreveu o filme como “assustadoramente realista e emocionalmente devastador”, destacando a maneira como Spielberg recriou o campo de batalha com um grau de autenticidade raramente visto até então. O jornal ressaltou ainda a atuação de Tom Hanks, elogiando sua interpretação como “contida, humana e profundamente comovente”. Já o Los Angeles Times afirmou que o filme redefinia o gênero ao abandonar o heroísmo estilizado e apresentar a guerra como uma experiência caótica, confusa e aterradora.

A revista Variety classificou o longa como “um feito técnico e narrativo extraordinário”, elogiando especialmente a sequência inicial do desembarque na Normandia, considerada instantaneamente histórica. O The New Yorker observou que o filme possuía “uma honestidade brutal”, recusando qualquer romantização do combate e obrigando o espectador a encarar o custo humano da guerra. Embora alguns críticos tenham apontado o sentimentalismo presente em certos momentos, o consenso geral foi amplamente positivo, com a maioria reconhecendo o filme como uma obra-prima contemporânea. A recepção crítica consolidou rapidamente o longa como referência definitiva do gênero bélico moderno.

No aspecto comercial, O Resgate do Soldado Ryan foi um enorme sucesso de bilheteria. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 70 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 216 milhões apenas nos Estados Unidos. No mercado internacional, o desempenho foi igualmente expressivo, elevando a arrecadação mundial para cerca de US$ 482 milhões. Esses números colocaram o filme entre os maiores sucessos comerciais de 1998 e demonstraram que um drama de guerra intenso, adulto e sem concessões poderia alcançar grande público. O sucesso financeiro foi reforçado por sua forte presença em premiações e por uma longa permanência em cartaz.

Com o passar dos anos, O Resgate do Soldado Ryan consolidou-se como um dos filmes mais respeitados da história recente do cinema. Atualmente, é amplamente considerado um dos maiores filmes de guerra já realizados, sendo citado como referência tanto por críticos quanto por cineastas. A influência do filme é visível em produções posteriores que buscaram maior realismo na representação do combate. A obra venceu cinco Oscars, incluindo Melhor Diretor para Steven Spielberg, e segue sendo elogiada por veteranos de guerra e historiadores por sua representação crua e impactante do conflito. Hoje, o filme é visto como um clássico moderno e um marco definitivo na filmografia de Spielberg.

O Resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan, Estados Unidos, 1998) Direção: Steven Spielberg / Roteiro: Robert Rodat / Elenco: Tom Hanks, Matt Damon, Tom Sizemore, Edward Burns, Barry Pepper, Giovanni Ribisi / Sinopse: Durante a Segunda Guerra Mundial, um grupo de soldados atravessa território inimigo em uma missão arriscada que coloca em questão o valor da vida, do dever e do sacrifício em meio ao horror da guerra.

Erick Steve. 

O Conan de Arnold Schwarzenegger


Conan, O Bárbaro
Conan, o Bárbaro (Conan the Barbarian) foi lançado em 14 de maio de 1982 e marcou a estreia de John Milius na direção de um épico de fantasia sombria que se tornaria referência no gênero. O filme revelou Arnold Schwarzenegger como protagonista absoluto, ao lado de James Earl Jones, Sandahl Bergman e Gerry Lopez. Ambientado em um mundo fictício inspirado na Era Hiboriana criada por Robert E. Howard, o filme acompanha Conan desde a infância marcada por tragédia até sua transformação em um guerreiro moldado pela dor, pela escravidão e pelo desejo de vingança. A narrativa se inicia com a destruição de sua aldeia por um culto misterioso liderado por um líder carismático e cruel, evento que define toda a trajetória do personagem. A partir desse ponto de partida, o filme constrói uma jornada brutal e mitológica sobre força, destino, liberdade e sobrevivência, sem jamais antecipar o desfecho da saga.

Quando lançado, Conan, o Bárbaro provocou uma reação crítica mista, dividindo a imprensa americana. O The New York Times descreveu o filme como “excessivamente violento e narrativamente primitivo”, embora tenha reconhecido a força visual e a trilha sonora marcante de Basil Poledouris. Já o Los Angeles Times foi mais receptivo, elogiando a ambição épica do projeto e afirmando que o filme possuía “uma energia mitológica rara no cinema comercial da época”. A atuação física de Schwarzenegger foi vista com ceticismo por alguns críticos, mas também reconhecida como adequada à natureza quase arquetípica do personagem.

A revista Variety destacou o filme como “um espetáculo visual poderoso”, apontando que sua força residia menos nos diálogos e mais na construção imagética e simbólica. O The New Yorker, por sua vez, observou que o filme parecia “mais interessado em criar um mundo e uma atmosfera do que em contar uma história convencional”, o que afastou parte da crítica tradicional. Ainda assim, muitos analistas reconheceram que havia algo singular na abordagem de John Milius, que tratava a fantasia com seriedade operística e um tom quase filosófico. Na época, o consenso crítico foi dividido, com elogios ao visual e à trilha sonora, mas reservas quanto ao roteiro e à brutalidade explícita.

No campo comercial, Conan, o Bárbaro foi um grande sucesso de bilheteria. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 20 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 68 milhões mundialmente. Nos Estados Unidos, o desempenho foi especialmente forte, consolidando o filme como um dos maiores sucessos de fantasia do início dos anos 1980. O retorno financeiro expressivo garantiu não apenas a continuação direta, mas também transformou Arnold Schwarzenegger em uma estrela internacional, abrindo caminho para sua carreira dominante no cinema de ação da década seguinte.

Com o passar dos anos, Conan, o Bárbaro passou por uma reavaliação crítica altamente positiva. Atualmente, o filme é visto como um clássico cult e um dos exemplos mais influentes da fantasia adulta no cinema. Críticos contemporâneos destacam a trilha sonora monumental, a direção visual rigorosa e o tom sério com que o filme trata seus temas. A obra é frequentemente elogiada por não suavizar seu universo e por abraçar uma estética brutal e mitológica, diferenciando-se das fantasias mais leves que viriam depois. Hoje, é considerado o capítulo definitivo do personagem no cinema e um marco cultural dos anos 1980.

Conan, o Bárbaro (Conan the Barbarian, Estados Unidos, 1982) Direção: John Milius / Roteiro: John Milius e Oliver Stone (baseado nos personagens criados por Robert E. Howard) / Elenco: Arnold Schwarzenegger, James Earl Jones, Sandahl Bergman, Gerry Lopez, Max von Sydow, Mako / Sinopse: Um guerreiro moldado pela tragédia e pela escravidão parte em uma jornada de sobrevivência e vingança em um mundo brutal, onde força, destino e liberdade se confrontam constantemente.

Erick Steve. 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

A Morte de um Unicórnio

Título no Brasil: A Morte de um Unicórnio
Título Original: Death of a Unicorn
Ano de Lançamento: 2024
País: Estados Unidos
Estúdio: A24
Direção: Alex Scharfman
Roteiro: Alex Scharfman
Elenco: Jenna Ortega, Paul Rudd, Will Poulter, Téa Leoni, Richard E. Grant, Anthony Carrigan

Sinopse:
Durante uma viagem de carro, um pai e sua filha atropelam acidentalmente um unicórnio, criatura que acreditavam ser apenas um mito. O evento absurdo e inesperado desencadeia uma série de consequências sombrias quando uma poderosa família farmacêutica descobre que o animal possui propriedades milagrosas. À medida que a ganância humana entra em cena, a história se transforma em uma sátira de humor negro sobre exploração, ética e os limites da ciência.

Comentários:
Quando eu decidi ver esse filme pensei que iria encontrar um drama existencial ou algo nessa linha. Afinal o filme era produzido pela prestigiada companhia A24. Pensei inicialmente que não havia a menor possibilidade do filme ser realmente sobre a morte de um unicórnio! Seria estúpido demais... Como eu estava enganado! O filme é sobre a morte de um unicórnio mesmo! O título é literal e no alvo do que vamos assistir! Caramba! E eu por aqui pensando metaforicamente, em grandes dilemas da alma humana! Como fui bobinho! O filme é praticamente uma fábula onde unicórnios existem de fato! Mas não consegui comprar a ideia. Não tem fadas, nem mundo da fantasia. Apenas uns personagens bem antipáticos que precisam lidar com unicórnios que são, no roteiro, criaturas bem violentas e aterrorizantes! Na boa, não passe esse filme se fosse tiver um filho ainda na infância. Vai destruir toda a imaginação lúdica do pequenino. Os unicórnios desse filme matam, possuem dentes de tubarão e são seres que não deveriam fazer parte de nenhum conto de fadas! São monstros em essência! E eu, definitivamente, não aceitei essa desconstrução de seres tão poéticos do nosso imaginário infantil. 

Pablo Aluísio. 

O Necrotério

Título no Brasil: Mortuária ou O Necrotério
Título Original: Mortuary
Ano de Lançamento: 2005
País: Estados Unidos
Estúdio: Tobe Hooper Productions
Direção: Tobe Hooper
Roteiro: Jace Anderson
Elenco: Denise Crosby, Dan Byrd, Angela Paton, David Wallace, Bill Moseley, Micah Gallo

Sinopse:
Após a morte misteriosa do patriarca da família, uma viúva e seus dois filhos se mudam para uma pequena cidade onde passam a viver ao lado de um antigo cemitério. Logo, acontecimentos perturbadores começam a se manifestar, revelando a suposta existência de forças sobrenaturais ligadas ao local. À medida que segredos macabros vêm à tona, a família descobre que os mortos podem não estar tão descansados quanto aparentam.

Comentários:
Eu fiquei bem surpreso em ver o diretor Tobe Hooper envolvido nesse filme. Ele sempre foi um dos cineastas mais celebrados do gênero terror. Infelizmente seu currículo não salvou essa fitinha bem morna, para não dizer fraca mesmo. E isso é de se lamentar porque o filme começa bem. Há essa família que se muda para uma casa que na verdade vai funcionar como uma mortuária. A mãe fez um daqueles cursos que ensinam a maquiar defuntos e embalsamentos mais básicos, para que eles fiquem bem em seus funerais. Só que as coisas logo começam a dar errado. Do lado da casa existe um cemitério daqueles bem decrépitos. Os filhos dela começam a visitar aquele lugar (não me perguntem a razão!) e mexem em coisas que deveriam ficar enterradas. Só que não espere no final por algo sobrenatural. Tem mais a ver com um fungo de enorme expansão e contaminação. Aqui o filme se perde. Queria um terrorzão, não uma aula de ciência sobre fungos! Assim não iria dar certo mesmo. Lamento Mr. Hooper. 

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Os Imperdoáveis

Os Imperdoáveis
Os Imperdoáveis (Unforgiven) foi lançado em 7 de agosto de 1992 e marcou um dos pontos mais altos da carreira de Clint Eastwood, que atuou como diretor e protagonista. O elenco principal reúne ainda Gene Hackman, Morgan Freeman e Richard Harris, formando um conjunto de interpretações hoje consideradas antológicas. Ambientado nos últimos anos do Velho Oeste, o filme acompanha William Munny, um ex-pistoleiro envelhecido que tenta viver de forma honesta após um passado marcado pela violência. A trama se inicia quando uma recompensa é oferecida pela morte de dois homens acusados de mutilar uma prostituta, levando Munny a aceitar um último trabalho. A partir desse ponto de partida, o filme constrói uma reflexão profunda sobre justiça, vingança, culpa e o preço moral da violência, desconstruindo deliberadamente o mito romântico do faroeste clássico. 

No momento de seu lançamento, Os Imperdoáveis foi recebido com entusiasmo quase unânime pela crítica americana. O The New York Times descreveu o filme como “um faroeste maduro, melancólico e profundamente humano”, elogiando a maneira como Eastwood revisita e subverte os arquétipos que ele próprio ajudou a consagrar décadas antes. O Los Angeles Times destacou a direção contida e elegante, afirmando que o filme “transforma o silêncio e o peso do passado em elementos dramáticos tão importantes quanto os tiros”. Já a Variety ressaltou o equilíbrio entre espetáculo e introspecção, apontando que o longa era “tão brutal quanto necessário e tão reflexivo quanto raro dentro do gênero”.

No terceiro momento da recepção crítica, revistas como The New Yorker e Time enfatizaram o caráter quase crepuscular do filme. A Time escreveu que Os Imperdoáveis era “um epitáfio para o western tradicional”, enquanto o The New Yorker elogiou especialmente o roteiro de David Webb Peoples, afirmando que o texto recusava qualquer glamourização da violência. A atuação de Gene Hackman como o xerife Little Bill foi amplamente celebrada, sendo descrita como “terrivelmente carismática e moralmente perturbadora”. O consenso crítico à época foi amplamente positivo, com muitos analistas já apontando o filme como uma obra-prima instantânea e um divisor de águas dentro do gênero.

Do ponto de vista comercial, Os Imperdoáveis também obteve um desempenho notável. Com um orçamento estimado em cerca de US$ 14 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 101 milhões em bilheteria mundial. Somente nos Estados Unidos, o longa ultrapassou a marca de US$ 80 milhões, resultado expressivo para um western adulto, sem apelo juvenil e de ritmo deliberadamente lento. O sucesso financeiro foi potencializado pela forte presença do filme na temporada de premiações, o que ampliou sua longevidade nos cinemas e consolidou seu status como um raro exemplo de prestígio crítico aliado a retorno comercial sólido.

Com o passar dos anos, Os Imperdoáveis se firmou como um dos filmes mais respeitados da história do cinema americano. Atualmente, é frequentemente citado em listas de “melhores westerns de todos os tempos” e também entre os grandes filmes da década de 1990. A obra é estudada por sua abordagem ética da violência, pela desconstrução do heroísmo e pela maneira como trata a memória e a culpa. O filme venceu quatro Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor, e hoje é visto não apenas como o auge do western moderno, mas também como uma síntese madura da carreira de Clint Eastwood diante e atrás das câmeras.

Os Imperdoáveis (Unforgiven, Estados Unidos, 1992) Direção: Clint Eastwood / Roteiro: David Webb Peoples / Elenco: Clint Eastwood, Gene Hackman, Morgan Freeman, Richard Harris, Jaimz Woolvett, Saul Rubinek / Sinopse: Um ex-pistoleiro tenta escapar de seu passado violento, mas acaba envolvido em uma caçada motivada por vingança, confrontando antigas escolhas, códigos morais frágeis e as duras consequências da violência no Velho Oeste.

Erick Steve. 

Pacto de Justiça

Pacto de Justiça
Pacto de Justiça (Open Range) foi lançado em 15 de agosto de 2003 e é dirigido por Kevin Costner, que também protagoniza o filme ao lado de Robert Duvall, Annette Bening e Michael Gambon. Ambientado no final do século XIX, o longa retorna ao western clássico, mas com uma abordagem madura e contemplativa. A história acompanha dois vaqueiros que conduzem gado livremente pelas grandes planícies do Oeste americano, vivendo à margem das cidades e das leis impostas por grandes proprietários de terra. Esse modo de vida entra em choque quando eles cruzam o caminho de uma cidade dominada por um fazendeiro autoritário, que controla a região por meio da violência e da intimidação. A partir desse conflito inicial, o filme constrói uma narrativa sobre liberdade, justiça, amizade e a difícil transição entre o Velho Oeste selvagem e uma sociedade cada vez mais regulada.

Na época de seu lançamento, Pacto de Justiça foi recebido de forma majoritariamente positiva pela crítica americana, especialmente entre os defensores do western clássico. O The New York Times elogiou o tom humanista do filme, afirmando que Costner “resgata a dignidade moral do gênero sem cair na nostalgia vazia”. O jornal destacou ainda a relação entre os personagens vividos por Costner e Duvall, descrevendo-a como “silenciosa, profunda e construída com rara sensibilidade”. Já o Los Angeles Times ressaltou a fotografia e o ritmo deliberado da narrativa, apontando que o filme “prefere a construção lenta de tensão ao espetáculo imediato”.

No Variety, a crítica reconheceu que o filme não reinventava o western, mas fazia isso com extrema competência, chamando-o de “um retorno sólido e elegante às raízes do gênero”. A revista também elogiou o vilão interpretado por Michael Gambon, descrito como “frio, calculista e assustadoramente realista”. O The New Yorker destacou o cuidado de Costner com os detalhes históricos e com o silêncio, observando que grande parte da força dramática do filme reside nos gestos contidos e nas pausas. De forma geral, o consenso crítico apontou Pacto de Justiça como um western clássico moderno, respeitoso à tradição e consciente de seu tempo, com elogios recorrentes à direção e às atuações centrais.

No aspecto comercial, Pacto de Justiça teve um desempenho moderado, porém respeitável. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 26 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 68 milhões em bilheteria mundial. Nos Estados Unidos, o longa somou pouco mais de US$ 58 milhões, enquanto o mercado internacional contribuiu de forma mais modesta para o total. Embora não tenha sido um blockbuster, o filme garantiu retorno financeiro satisfatório, especialmente considerando seu gênero clássico e seu ritmo mais lento, distante das tendências comerciais dominantes do início dos anos 2000.

Com o passar do tempo, Pacto de Justiça passou por uma reavaliação crítica positiva. Hoje, o filme é frequentemente citado como um dos westerns mais subestimados das últimas décadas. Muitos críticos contemporâneos destacam a famosa sequência final como uma das mais realistas e tensas já filmadas no gênero, além da maturidade com que o filme aborda temas como justiça privada, violência e moralidade. A parceria entre Kevin Costner e Robert Duvall é constantemente lembrada como um dos grandes pontos fortes do longa, e o filme conquistou um público fiel que o considera um herdeiro direto dos grandes westerns clássicos de John Ford e Howard Hawks.

Pacto de Justiça (Open Range, Estados Unidos, 2003) Direção: Kevin Costner / Roteiro: Craig Storper (baseado no romance The Open Range Men, de Lauran Paine) / Elenco: Kevin Costner, Robert Duvall, Annette Bening, Michael Gambon, Diego Luna, Abraham Benrubi / Sinopse: Dois vaqueiros que vivem à margem da lei entram em conflito com um poderoso fazendeiro ao desafiar o controle violento imposto sobre uma pequena cidade do Velho Oeste.

Erick Steve. 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Seu Último Refúgio

Título no Brasil: Seu Último Refúgio
Título Original: High Sierra
Ano de Lançamento: 1941
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros.
Direção: Raoul Walsh
Roteiro: John Huston, W. R. Burnett
Elenco: Humphrey Bogart, Ida Lupino, Arthur Kennedy, Joan Leslie, Henry Travers, Jerome Cowan

Sinopse:
O criminoso veterano Roy Earle é libertado da prisão para participar de um último grande assalto organizado por uma poderosa quadrilha. Durante a preparação e a execução do crime, Roy se envolve emocionalmente com pessoas que representam caminhos opostos para sua vida: a jovem ingênua por quem se apaixona e a mulher experiente que realmente o compreende. Após o assalto dar errado, ele se torna um fugitivo nas montanhas da High Sierra, enfrentando seu destino em um desfecho trágico e memorável.

Comentários: 
Esse foi o filme que mudou a carreira de Humphrey Bogart. Até então ele vinha atuando apenas em papéis secundários, geralmente interpretando gângsters ou detetives ao estilo "Dirty Cop" (policiais corruptos). O filme é muito bom, considerado um clássico de transição. Possui muitos elementos do cinema noir, mas ao mesmo tempo investe no lado psicológico dos personagens, além de trazer um roteiro que poderia ser enquadrado tranquilamente no tipo mais tradicional de filmes de gângsters da década anterior. Curiosamente o roteiro ganharia um remake anos depois, mas dessa vez no gênero cinematográfico do western. Estou me referindo ao faroeste Colorado Territory. Por fim e não menos relevante vale a pena lembrar que esse roteiro foi escrito pelo mestre John Huston que iria firmar uma ótima parceria com Bogart dando origem a outros grandes clássicos do cinema americano como Relíquia Macabra e O Tesouro de Sierra Madre. Interessante que Huston não assinou a direção desse filme, cedendo seu lugar para outro grande cineasta, Raoul Walsh, Enfim, grande filme! Uma produção para ser ter na coleção.

Pablo Aluísio. 

O Homem que Se Vendeu

Título no Brasil: O Homem que Se Vendeu
Título Original: The Great McGinty
Ano de Lançamento: 1940
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Preston Sturges
Roteiro: Preston Sturges
Elenco: Brian Donlevy, Akim Tamiroff, Muriel Angelus, Lynn Overman, William Demarest, Betty Field

Sinopse:
A história acompanha Dan McGinty, um andarilho sem rumo que, por acaso, é recrutado por um corrupto chefe político. Usando sua força bruta para fraudes eleitorais, McGinty sobe rapidamente na hierarquia política, passando de simples capanga a governador. No entanto, conforme alcança poder e prestígio, ele começa a questionar o sistema corrupto que o levou ao topo, enfrentando um conflito moral que ameaça destruir tudo o que conquistou.

Comentários:
O filme, apesar de ter sido produzido em 1940, me pareceu mais atual do que nunca! Isso se deve ao fato de que, não importa a época e nem o país, a classe política sempre é vista com total desconfiança pelo povo - e isso é mais do que justificado! Nesse filme temos um protagonista que é basicamente um vagabundo que acaba subindo com a ajuda de um bando de políticos corruptos que desejam usá-lo apenas como fantoche em suas jogadas de desvio de dinheiro público. Provavelmente você perceberá as semelhanças com histórias de políticos aí bem perto de você! Este foi o filme de estreia de Preston Sturges como diretor, após sucesso como roteirista em Hollywood. O roteiro venceu o Oscar de Melhor Roteiro Original, tornando Sturges o primeiro cineasta a ganhar o prêmio por um filme que também dirigiu. O filme é desse modo uma sátira afiada sobre corrupção política, ainda considerada surpreendentemente atual. E um filme dirigido por um roteirista de longa data, não tem jeito, sempre será muito bem escrito e dirigido. E o tempo só lhe fez bem, pois hoje em dia essa crônica cinematográfica é reconhecida como um clássico da comédia política americana e peça fundamental do cinema da década de 1940.

Pablo Aluísio. 

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Crônicas do Velho Oeste

Crônicas do Velho Oeste
Uma seleção especial trazendo os melhores filmes de Faroeste, em textos com muitas informações. E não é só. Essa edição ainda traz histórias de western, todas se passando no velho oeste americano. Uma coletânea de contos de faroeste. São 200 páginas com muito faroeste para o leitor!

Pablo Aluísio. 

Para comprar o livro click nos links abaixo: 



James Dean!

James Dean 
James Dean foi um dos grandes mitos da Hollywood em sua era de ouro. Representou como ninguém toda a rebeldia e juventude de uma geração. Só que sua vida e carreira foram breves, como um carro em alta velocidade. Nesse livro resgatamos a história de James Dean, com sua biografia e análise detalhada de todos os seus filmes. E como se isso não fosse o suficiente, ainda trazemos em suas páginas outro grande ator dessa mesma era. Estamos falando de Montgomery Clift, um jovem e talentoso ator que abalou as estruturas de Hollywood com sua técnica de atuação revolucionária para aqueles tempos de grandiosidade cinematográfica. São mais de 200 páginas com dois dos grandes ídolos do cinema norte-americano. 

Abaixo os links onde o interessado pode comprar o novo livro:



sábado, 31 de janeiro de 2026

Elvis Presley - Elvis as Recorded at Madison Square Garden

O álbum “Elvis as Recorded at Madison Square Garden” foi lançado oficialmente em 18 de junho de 1972, pela RCA Victor, em um momento decisivo da carreira de Elvis Presley. O disco reúne gravações ao vivo realizadas nos dias 9 e 10 de junho de 1972, durante quatro apresentações históricas no Madison Square Garden, em Nova York, um dos palcos mais emblemáticos do mundo. O contexto dessas gravações é marcado pelo auge do chamado “Elvis da fase Las Vegas”, quando o cantor já havia retornado triunfalmente aos palcos após os anos dedicados ao cinema. Registrar Elvis no Madison Square Garden tinha um peso simbólico enorme, pois representava sua consagração definitiva também no circuito cultural mais exigente dos Estados Unidos. Para Elvis, o álbum reafirmava sua relevância artística nos anos 1970 e demonstrava que ele ainda era capaz de mobilizar multidões. O projeto também serviu como resposta às críticas que afirmavam que Elvis já não tinha a mesma força vocal de outrora. Assim, o disco se tornou um marco de prestígio e afirmação em sua trajetória.

A recepção crítica inicial foi amplamente positiva, com destaque para o impacto cultural do evento e a potência do desempenho de Elvis. O The New York Times descreveu os concertos como “um espetáculo de pura presença de palco, no qual Elvis demonstra controle absoluto da plateia”, ressaltando o carisma quase mítico do artista. Já o Los Angeles Times enfatizou a força vocal do cantor, afirmando que “mesmo distante do rock cru dos anos 1950, Elvis ainda canta com uma autoridade que poucos intérpretes de sua geração conseguem igualar”. A crítica também apontou a diversidade do repertório como um ponto forte, misturando rock, country, soul e música popular americana. Revistas especializadas destacaram a qualidade técnica da gravação, considerada superior à maioria dos discos ao vivo da época. O consenso geral era de que o álbum não era apenas um souvenir de shows históricos, mas um registro artístico sólido. Isso contribuiu para elevar ainda mais o status do lançamento.

No Variety, a análise foi igualmente favorável, descrevendo o álbum como “um documento essencial da fase madura de Elvis Presley”, destacando a reação entusiasmada do público nova-iorquino. A revista Billboard elogiou o disco pela capacidade de traduzir a energia do palco para o vinil, afirmando que “Elvis prova que continua sendo um artista de massas, capaz de dominar uma arena lendária como o Madison Square Garden”. A The New Yorker, conhecida por sua postura mais crítica, reconheceu que, embora o espetáculo tivesse elementos grandiosos, Elvis ainda mantinha uma conexão genuína com a música e com o público. Segundo a revista, “há momentos de emoção sincera que transcendem o espetáculo e revelam o intérprete por trás do ícone”. Essas análises ajudaram a consolidar o álbum como um dos registros ao vivo mais respeitados da carreira do cantor. Mesmo críticos mais céticos admitiram a importância histórica do lançamento.

Do ponto de vista comercial, “Elvis as Recorded at Madison Square Garden” foi um grande sucesso. O álbum alcançou rapidamente o Top 20 da Billboard 200, chegando ao 13º lugar, um feito expressivo para um disco ao vivo naquele período. Estima-se que o álbum tenha vendido mais de 3 milhões de cópias em todo o mundo, recebendo certificações de ouro e platina em diversos países. Na Europa, o disco também teve bom desempenho, figurando nas paradas do Reino Unido e da Alemanha. O público respondeu de forma extremamente positiva, especialmente os fãs que viam no álbum uma oportunidade de “participar” de um evento histórico. As gravações capturam aplausos intensos e reações emocionadas da plateia, o que reforçou a sensação de autenticidade. Comercialmente, o álbum provou que Elvis ainda era uma força dominante na indústria fonográfica. Esse sucesso ajudou a manter sua relevância no competitivo mercado musical dos anos 1970.

O legado do álbum é significativo e duradouro. Atualmente, “Elvis as Recorded at Madison Square Garden” é visto como um dos registros ao vivo mais importantes da carreira de Elvis Presley. Fãs e críticos o consideram um retrato fiel de sua fase madura, marcada por performances poderosas e um repertório diversificado. O disco também é frequentemente citado como um exemplo de como um artista pode se reinventar sem perder sua identidade. No contexto da história da música, o álbum reforça a ideia de Elvis como um artista capaz de atravessar gerações e estilos. Muitos músicos e estudiosos destacam esse trabalho como prova de sua habilidade vocal e de sua presença de palco incomparável. O álbum continua sendo reeditado em vinil e formatos digitais, mantendo-se relevante décadas após seu lançamento. Seu impacto permanece vivo tanto na cultura pop quanto na memória coletiva dos fãs.

Elvis Presley – Elvis as Recorded at Madison Square Garden (1972)
Also Sprach Zarathustra
That’s All Right
Proud Mary
Never Been to Spain
You Don’t Have to Say You Love Me
Polk Salad Annie
Love Me
All Shook Up
Heartbreak Hotel
Teddy Bear / Don’t Be Cruel
Love Me Tender
Blue Suede Shoes
Johnny B. Goode
Hound Dog
What Now My Love
Suspicious Minds
Introductions
I’ll Remember You
An American Trilogy
Funny How Time Slips Away
I Can’t Stop Loving You
Bridge Over Troubled Water
Can’t Help Falling in Love

Pablo Aluísio.