quarta-feira, 1 de abril de 2026

Pecadores

Pecadores 
A história do filme se passa nos anos 1930. Dois irmãos gêmeos retornam para a região onde nasceram. Atrás de si carregam um histórico de criminalidade, pois estiveram envolvidos com gângsters em Chicago. Agora, cheios da grana, querem abrir seu próprio negócio. Um clube noturno para se ouvir e tocar o melhor do Blues do Delta do Rio Mississippi. Só que haverá problemas. Eles são negros no auge do racismo no sul dos Estados Unidos. Os racistas vão fazer de tudo para colocar aquele seu novo empreendimento abaixo. Pior do que isso, eles não são apenas racistas... mas são vampiros também!

Eu gostei desse filme porque eu gosto de filmes de terror. E não adianta negar nada sobre isso, "Pecadores" é um filme de vampiros, sem tirar nem colocar nada. Já traz o pacote completo. A história contada não me soou original, devo dizer. Ela se parece demais com "Um Drink no Inferno" para que possamos ignorar as semelhanças. Ainda assim funciona dentro dessa nova roupagem. Velhas ideias recicladas podem ganhar uma sobrevida, como bem podemos notar aqui. 

O filme foi bem trabalhado pelo estúdio e pelo departamento de marketing, fazendo com que se tornasse uma sensação na última noite do Oscar. E isso é sem dúvida positivo. Pense na última vez que você viu um filme de terror ser tão indicado e premiado pela Academia. Ventos novos sobrando em Hollywood. O público brasileiro criou um certo ressentimento contra esse filme porque o ator Michael B. Jordan tirou o Oscar de Wagner Moura, mas isso é uma grande bobagem. Como eu disse, a indicação já era uma honra. No quadro geral o filme é bem desenvolvido e diverte em sua parte final. Ali não sobra lugar para sutilezas. É um banho de sangue, honrando a tradição dos antigos filmes trash de terror dos anos 80. Pensando bem esse filme tem mesmo uma mistura bem estranha em seu roteiro. Começa como um quase drama com trilha sonora musical inspirada, para ir parar no estilo "Sangue e tripas" que tanto conhecemos de verões passados. Talvez por isso tenha sido tão valorizado. 

Pecadores (Sinners, Estados Unidos, 2025) Direção: Ryan Coogler / Roteiro: Ryan Coogler / Elenco: Michael B. Jordan, Hailee Steinfeld, Miles Caton, Jack O'Connell, Wunmi Mosaku, Delroy Lindo / Sinopse: Dois irmãos negros abrem um clube de blues em uma das regiões mais racistas dos Estados Unidos da década de 1930. E não demora muito passam a ser atacados por eles, agora transformados em vampiros sedentos de sangue. 

Pablo Aluísio. 

Terra do Inferno

Terra do Inferno 
Owen Merritt (Randolph Scott) está passando pelo pior dia de sua vida. Sua amada, a mulher que tanto amou ao longo dos anos, está se casando com um rancheiro corrupto da região. Ele fica revoltado com a situação, mas sem nada a fazer. Então vai até o saloon beber um pouco para esfriar a cabeça. E para sua surpresa acaba encontrando o rancheiro que vai se casar com a mulher que ama. O sujeito, cercado de capangas, pede que eles façam as pazes. Owen decide ser um homem honrado e aperta a mão do sujeito, só que a noite não terminará bem naquele saloon pois tiros serão disparados e uma verdadeira guerra tomará conta daquela cidade muito em breve. 

Mais um bom western de Scott nos anos 50. Aqui a direção foi para um velho conhecido dos filmes de faroeste, o sempre bom e correto André De Toth. O personagem protagonista nesse filme não deixa de ser uma antítese de um certo pensamento machista que existia na época. Quando ele perde a mulher que tanta amava não decidiu partir para a violência ou algo do tipo. Ao invés disso houve uma resignação estoica de sua parte e se atos violentos viriam depois não seriam por sua culpa, mas sim pelo bando de criminosos que povoavam o rancho onde sua ex-noiva iria morar. Afinal tudo teria um limite! Uma situação mais do que delicada que acaba sendo o motor dramático desse bom western americano. 

Terra do Inferno (Man in the Saddle, Estados Unidos,  1951) Direção: André De Toth / Roteiro: Km enneth Gamet, Ernest Haycox / Elenco: Randolph Scott, Joan Leslie, Ellen Drew / Sinopse: Uma verdadeira guerra explode entre rancheiros de uma região inóspita do velho oeste. Um rico e corrupto proprietário de terras quer expulsar todos os pequenos rancheiros, para se tornar um verdadeiro soberano daquele lugar. 

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 30 de março de 2026

Hollywood Boulevard - Rock Hudson - Parte 21

Rock Hudson adorava música e teve uma enorme coleção de discos de vinil. Segundo algumas contas sua coleção contava com mais de 5 mil álbuns, além de compactos, etc. E sempre que alguém perguntava porque ele havia comprado o Castelo, Rock brincava dizendo que precisava de um lugar espaçoso para colocar sua coleção de discos. Apesar de adorar o mundo da música, musicais no cinema não faziam parte do estilo cinematográfico da carreira de Rock.

Isso mudou em meados de 1969 quando ele recebeu o convite para atuar no musical "Lili, Minha Adorável Espiã". Ao receber a proposta de trabalho Rock Hudson recusou sem pensar muito nisso. "Eu não sou cantor e nem muito menos bailarino. Eu não ficaria bem em um musical, por essa razão nunca fiz um em minha carreira. Adoraria cantar e dançar, todos sabem como eu amo música, mas isso nunca fez parte dos meus talentos naturais. Eu não sou esse tipo de artista!" - concluiu o ator. 

Só que estrela Julie Andrews não aceitou a recusa de Rock. Ligou para ele e marcou um encontro no Castelo. No jantar, onde compareceu também o diretor Blake Edwards, houve uma verdadeira batalha de opiniões, como mais tarde recordaria o mordomo do Castelo. "Os dois deram vários argumentos para o Sr. Hudson aceitar fazer o filme. E ele ficava apenas recusando dizendo não, não e não. Depois de muitas horas, cansado de tudo, o Sr. Hudson finalmente aceitou fazer o filme. Ele se deu por vencido!". 

Rock chegou no primeiro dia de filmagens sem saber ao certo o que iria acontecer. Julie Andrews ficou muito feliz com sua presença e lhe avisou que haveria dois professores de dança para lhe acompanhar durante todas as filmagens e um instrutor de canto, contratado especialmente pelo estúdio. Rock acabou fazendo o filme, com a ajuda desses profissionais, mas no final confessou que em momento nenhum se sentiu à vontade em um filme musical. Esse acabou sendo seu primeiro e último filme nessa linha, apesar de ter sido até elogiado pelos críticos na época por sua atuação quando a produção chegou aos cinemas. Rock ficou feliz com as resenhas de elogios nos jornais, mas realmente estava decidido a não mais fazer musicais dali em diante. Pelo menos no cinema ele cumpriria sua promessa. 

Pablo Aluísio. 

domingo, 29 de março de 2026

Imperador Romano Antonino Pio

Imperador Romano Antonino Pio
Antonino Pio, cujo nome completo era Titus Aurelius Fulvus Boionius Arrius Antoninus, foi um dos imperadores mais respeitados do Império Romano e governou durante um dos períodos mais estáveis e prósperos da história romana. Ele nasceu em 19 de setembro de 86 d.C., na cidade de Lanuvium, próxima a Roma, em uma família aristocrática influente. Seu pai morreu quando ele ainda era jovem, e sua educação foi supervisionada por seu avô, que lhe proporcionou uma sólida formação intelectual e política. Antonino cresceu dentro da elite senatorial romana e desde cedo demonstrou grande capacidade administrativa e respeito pelas tradições romanas. Ao longo de sua carreira pública, ocupou vários cargos importantes dentro da estrutura política do império, incluindo o consulado e o governo de províncias. Sua reputação como administrador competente e homem de caráter equilibrado chamou a atenção do imperador Adriano, que buscava um sucessor confiável para garantir a continuidade da estabilidade imperial.

Em 138 d.C., o imperador Adriano decidiu adotar Antonino como seu filho e herdeiro, uma prática comum na política romana para assegurar sucessões estáveis. No entanto, essa adoção veio com uma condição importante: Antonino deveria, por sua vez, adotar dois jovens promissores como futuros herdeiros, Marco Aurélio e Lúcio Vero. Assim, foi criada uma linha sucessória planejada que garantiria continuidade ao governo imperial. Após a morte de Adriano, no mesmo ano de 138, Antonino tornou-se imperador. Seu apelido “Pio” surgiu justamente nesse contexto, pois ele demonstrou grande lealdade ao seu predecessor ao insistir que o Senado romano concedesse honras divinas a Adriano após sua morte. Esse gesto foi visto como um exemplo de respeito filial e de devoção às tradições romanas, características que marcariam todo o seu reinado.

O governo de Antonino Pio foi caracterizado por uma administração prudente, pacífica e extremamente eficiente. Diferentemente de muitos imperadores romanos que passaram grande parte do tempo em campanhas militares, Antonino raramente deixou a Itália durante seu reinado. Em vez de buscar grandes conquistas territoriais, ele concentrou seus esforços na manutenção da estabilidade interna do império e na boa administração das províncias. Seu governo manteve relações relativamente pacíficas com povos vizinhos, embora algumas campanhas militares limitadas tenham ocorrido nas fronteiras do império, especialmente na Britânia. Durante seu reinado foi construída uma nova linha defensiva conhecida como Muralha de Antonino, situada ao norte da famosa Muralha de Adriano, com o objetivo de reforçar a defesa da província romana na ilha britânica. Essas medidas refletiam sua política de proteção das fronteiras sem recorrer a grandes guerras de expansão.

Outro aspecto importante do governo de Antonino Pio foi sua preocupação com a justiça e a administração legal do império. Ele era conhecido por dedicar grande atenção às decisões jurídicas e à proteção dos direitos dos cidadãos romanos e dos habitantes das províncias. Durante seu reinado foram introduzidas diversas medidas que buscavam tornar o sistema judicial mais justo e humano. Entre essas iniciativas estavam leis que ofereciam maior proteção aos escravos contra abusos extremos de seus senhores e garantias adicionais para pessoas acusadas de crimes. Antonino também incentivou obras públicas, manutenção de estradas, aquedutos e edifícios públicos, contribuindo para o desenvolvimento urbano e econômico das cidades romanas. Além disso, administrou cuidadosamente as finanças do Estado, acumulando um significativo excedente no tesouro imperial, o que demonstrava sua prudência fiscal e sua preocupação com a estabilidade econômica do império.

Antonino Pio morreu em 7 de março de 161 d.C., após um longo reinado de cerca de 23 anos, um dos mais tranquilos e estáveis da história imperial romana. Após sua morte, o poder passou para seus herdeiros adotivos, Marco Aurélio e Lúcio Vero, que governaram conjuntamente o império. A memória de Antonino Pio permaneceu extremamente positiva entre os romanos, sendo lembrado como um governante justo, equilibrado e profundamente comprometido com o bem-estar do império. Seu reinado é frequentemente considerado parte do período conhecido como “Idade de Ouro do Império Romano”, marcado por prosperidade, estabilidade política e desenvolvimento cultural. Ao longo dos séculos, historiadores têm visto Antonino Pio como um exemplo de governante moderado e prudente, cuja liderança contribuiu para manter a paz e a prosperidade em um dos momentos mais estáveis da história de Roma.

sábado, 28 de março de 2026

The Beatles - Rubber Soul

The Beatles - Rubber Soul
O álbum Rubber Soul, lançado em 3 de dezembro de 1965 no Reino Unido, marcou uma transformação profunda na carreira dos The Beatles. Após o sucesso de discos como Help!, o grupo formado por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr começou a se afastar do pop direto da Beatlemania para explorar novas possibilidades sonoras e líricas. “Rubber Soul” é frequentemente apontado como o primeiro álbum em que os Beatles pensaram o disco como uma obra coesa, e não apenas como uma coleção de singles. Influenciados pelo folk rock, especialmente por artistas como Bob Dylan, e pela crescente cena musical americana, o grupo incorporou letras mais introspectivas e arranjos mais sofisticados. Canções como “Norwegian Wood (This Bird Has Flown)” introduziram instrumentos pouco comuns no rock, como a cítara, tocada por George Harrison, refletindo também o interesse pela música indiana. O álbum revelou uma maturidade artística que surpreendeu público e crítica, consolidando os Beatles como músicos em constante evolução. Ao mesmo tempo, manteve o apelo popular com melodias marcantes e harmonias vocais refinadas. Esse equilíbrio entre experimentação e acessibilidade fez de “Rubber Soul” um marco na história da música. O disco também abriu caminho para obras ainda mais ousadas que viriam em seguida. Assim, ele é considerado um dos álbuns mais influentes dos anos 1960.

A recepção crítica ao álbum foi extremamente positiva desde seu lançamento, com várias publicações reconhecendo imediatamente sua importância artística. A revista Rolling Stone, em avaliações posteriores, descreveu “Rubber Soul” como um dos álbuns que redefiniram o conceito de música pop, destacando sua coesão e profundidade. A Billboard elogiou o disco por sua consistência e pela qualidade excepcional das composições, afirmando que “os Beatles continuam ampliando os limites da música popular”. Já a tradicional revista britânica NME destacou a ousadia do grupo ao experimentar novos estilos e abordagens, observando que o álbum demonstrava um crescimento artístico notável. A revista Variety também comentou o impacto do disco, ressaltando sua capacidade de atrair tanto o público jovem quanto ouvintes mais maduros. Críticos elogiaram especialmente faixas como “In My Life”, considerada uma das composições mais sofisticadas de John Lennon. Outros destacaram a diversidade musical presente no álbum. A crítica reconheceu que os Beatles estavam se afastando das fórmulas tradicionais do pop. Muitos jornalistas perceberam que o grupo estava inaugurando uma nova fase criativa. Assim, “Rubber Soul” foi recebido como uma obra inovadora e extremamente influente.

Os grandes jornais também contribuíram para consolidar a reputação do álbum como um marco na música contemporânea. O The New York Times observou que o disco apresentava “uma complexidade musical e lírica rara no universo do rock da época”. Já o Los Angeles Times destacou que os Beatles estavam redefinindo o papel do álbum como forma artística, e não apenas como um conjunto de canções. Um crítico do jornal afirmou que “Rubber Soul demonstra uma maturidade que poucos artistas populares alcançam”. A revista The New Yorker também comentou o impacto cultural do disco, observando que o grupo estava influenciando não apenas a música, mas toda uma geração de artistas. Alguns jornalistas chamaram atenção para o tom introspectivo das letras. Outros destacaram o uso inovador de instrumentos e arranjos. Em várias análises, o álbum foi visto como um reflexo das mudanças culturais dos anos 1960. A crítica jornalística reconheceu que os Beatles estavam expandindo os horizontes do rock. O disco também foi elogiado por sua unidade temática. Dessa forma, “Rubber Soul” foi amplamente celebrado como uma obra de grande importância artística.

No aspecto comercial, “Rubber Soul” foi um sucesso extraordinário, consolidando ainda mais o domínio dos Beatles no mercado musical global. O álbum alcançou o primeiro lugar na parada da Billboard nos Estados Unidos e também liderou as paradas no Reino Unido. Permaneceu por várias semanas no topo das listas, refletindo a enorme popularidade do grupo. O disco vendeu milhões de cópias em todo o mundo e rapidamente se tornou um dos lançamentos mais bem-sucedidos da década de 1960. Singles como “Michelle” e “Nowhere Man” tiveram grande sucesso, enquanto “Drive My Car” e “Girl” também ganharam ampla execução nas rádios. O álbum recebeu diversas certificações de ouro e platina ao longo dos anos. Seu desempenho comercial demonstrou que a inovação musical não comprometeu o apelo popular dos Beatles. Pelo contrário, o público respondeu de forma extremamente positiva às mudanças no estilo do grupo. O sucesso do disco ajudou a consolidar o conceito de álbum como uma obra artística completa. Além disso, reforçou a posição dos Beatles como líderes da chamada “Invasão Britânica”. Assim, “Rubber Soul” tornou-se não apenas um sucesso artístico, mas também um fenômeno comercial.

Com o passar do tempo, “Rubber Soul” passou a ser reconhecido como um dos álbuns mais importantes da história da música popular. Críticos e historiadores frequentemente o apontam como um divisor de águas na evolução do rock. Em listas da revista Rolling Stone, o disco aparece consistentemente entre os melhores álbuns de todos os tempos. Muitos artistas, incluindo membros de bandas como os The Beach Boys, citaram “Rubber Soul” como uma grande influência — especialmente no desenvolvimento de álbuns conceituais como Pet Sounds. Fãs também consideram o disco um dos pontos altos da carreira dos Beatles, devido à sua combinação de inovação e acessibilidade. O álbum continua sendo estudado por musicólogos interessados na evolução da música pop e rock. Sua influência pode ser percebida em diversos gêneros musicais. Além disso, muitas de suas canções permanecem populares até hoje. “In My Life”, por exemplo, é frequentemente citada como uma das melhores músicas já compostas. Assim, o legado de “Rubber Soul” é o de um álbum que transformou a maneira como a música popular é concebida e apreciada. Décadas após seu lançamento, ele continua sendo uma referência essencial na história da música.

The Beatles - Rubber Soul (1965)
Drive My Car
Norwegian Wood (This Bird Has Flown)
You Won't See Me
Nowhere Man
Think for Yourself
The Word
Michelle
What Goes On
Girl
I'm Looking Through You
In My Life
Wait
If I Needed Someone
Run for Your Life

Pablo Aluísio e Erick Steve.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Adeus, June

Adeus, June 
O filme conta a história da matriarca de uma grande família que está chegando ao final de sua jornada. Ela sofre de uma doença terminal e está hospitalizada. Na cama do hospital vai reunindo suas três filhas e seu filho mais novo. Há problemas de relacionamentos entre todos eles e ela, mesmo nessa hora final, vai tentando contornar essas arestas emocionais. É um filme de despedida, da perda de entes queridos para doenças incuráveis. O que temos aqui é um bom drama familiar. Nos créditos do filme uma surpresa. A direção foi assinada pela atriz Kate Winslet. Como se trata de uma história que se sustenta em boas atuações de todo o elenco podemos dizer que ela se saiu muito bem. 

Poderia até mesmo ser um teatro filmado pois praticamente todo o enredo se passa dentro de um ambiente fechado, o quarto hospitalar. A única exceção ocorre na cena do bar com Karaokê, onde o ator Timothy Spall tem seus dois minutos para brilhar, cantando emocionado pela esposa que está morrendo. Kate Winslet interpreta uma das filhas, a que melhor se deu na vida, tendo um emprego importante, fruto de seu jeito mais controlador. Helen Mirren interpreta June, a mãe de todos, que está em seus momentos finais. Grande atriz que melhorou ainda mais com o passar dos anos, provando que nunca é tarde para desfrutar do auge de sua própria carreira. Então, é isso. É um filme indicado para quem já passou por esse tipo de drama e está tentando superar o trauma dos acontecimentos. A perda de pai ou mãe sempre é uma questão muito delicada em qualquer núcleo familiar. É sem dúvida um bom filme nesse aspecto. 

Adeus, June (Goodbye June, Reino Unido, 2025) Direção: Kate Winslet / Roteiro: Joe Anders / Elenco: Helen Mirren, Kate Winslet, Timothy Spall, Toni Collette / Sinopse: Em seu leito de morte, a mãe idosa de 3 irmãs tenta fazer uma reconciliação entre todas elas, enquanto se prepara para seu momento final. 

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 26 de março de 2026

Máquina de Guerra

Título no Brasil: Máquina de Guerra
Título Original: War Machine
Ano de Lançamento: 2026
País: Estados Unidos, Austrália
Estúdio: Lionsgate
Direção: Patrick Hughes
Roteiro: Patrick Hughes, James Beaufort
Elenco: Alan Ritchson, Dennis Quaid, Stephan James, Jai Courtney, Esai Morales, Keiynan Lonsdale

Sinopse:
Um grupo de jovens soldados, em sua última missão de treinamento para se tornarem parte do grupamento Rangers do exército americano, enfrenta um inimigo inesperado: uma máquina de guerra perfeita, vinda das profundezas do espaço. Agora, a luta será pela sobrevivência, acima de tudo. 

Comentários: 
Apesar de ter visto vários pequenos problemas no roteiro, gostei desse "Máquina de Guerra". A história não é das mais originais. Basta lembrar do primeiro filme Predador para bem entender isso. Troque a máquina de guerra extraterrestre por um ser orgânico e você verá todas as demais semelhanças. Ainda assim o filme funciona, apesar de ter certas amarras narrativas, como a tentativa de manter vivo e a salvo aquele militar ferido em combate. No mundo real isso jamais aconteceria. Ele seria colocado em lugar seguro, enquanto os demais soldados sairiam em busca de ajuda. Ser atacado por um equipamento de combate extraterrestre, praticamente perfeito,  indestrutível e ainda assim levar um ferido pelo caminho soa mais do que inverossímil, é pieguice até dizer chega! De qualquer formas as boas cenas de ação compensam todas essas falhas e sentimentalismos baratos, com destaque para a fuga do blindado. Enfim, curti, me diverti e isso, nos dias atuais, é mais do que difícil de acontecer, é mesmo uma raridade. 

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 25 de março de 2026

A Cura

Título no Brasil: A Cura
Título Original: A Cure for Wellness
Ano de Lançamento: 2016
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Gore Verbinski
Roteiro: Justin Haythe, Gore Verbinski
Elenco: Dane DeHaan, Jason Isaacs, Mia Goth, Ivo Nandi, Harry Crooner, Celia Imrie

Sinopse:
Jovem executivo de uma empresa do ramo financeiro e de ações é enviado para uma distante região onde se encontra uma espécie de hospital e spa de reabilitação para pessoas ricas. Ali se encontraria o CEO da empresa. Ele foi para lá passar alguns dias de descanso nessa instituição e depois disso sumiu, não deu mais notícias. O que ninguém desconfiaria é que aquele lugar teria muitos segredos a esconder, alguns deles mortais. 

Comentários:
Que filme bom! Encontrei por acaso ao procurar algo para assistir na Pluto TV (uma plataforma de streaming inteiramente grátis, pertencente ao grupo Paramount). O roteiro constrói muito bem sua trama, toda se passando dentro de uma instituição que pode ser definida como um misto de hospício, spa para grã-finos e castelo medieval de terror clássico. A direção de arte do filme é um achado. Esses lugares realmente são assustadores, ainda mais quando habitados por médicos estranhos, pacientes bizarros e todo um mistério histórico rondando o lugar. Confesso que o final poderia ter sido melhor, mas essa é uma daquelas produções em que o desenvolvimento do enredo é mais importante que seu desfecho. Gostei realmente de tudo, é um daqueles filmes de terror, misturados com pitadas de Mary Shelley, que valem muito a pena assistir. Está mais do que aprovado!

Pablo Aluísio.

terça-feira, 24 de março de 2026

Hollywood Boulevard - Gary Cooper - Parte 5

Durante os anos da Segunda Guerra Mundial o ator Gary Cooper não parou de trabalhar. Ele conseguiu manter seu foco no esforço de guerra, trazendo diversão para as tropas, ao mesmo tempo em que trabalhava em seus novos filmes em Hollywood. No total, de 1940 a 1945, Cooper não parou de trabalhar, atuando em nada mais, nada menos, do que nove filmes! Mesmo para a época era uma quantidade considerável de novas produções sendo lançadas todos os anos. Além de emplacar o grande sucesso de "Sargento York" ele ainda estrelou aquele que para muitos foi seu maior filme na carreira. 

Era o clássico "Por Quem os Sinos Dobram". O enredo era marcante. Ambientado durante a Guerra Civil Espanhola, Cooper interpretava um especialista em explosivos, cuja principal missão seria explodir uma ponte, vital para o avanço inimigo. Não era de estranhar o fato de termos um americano envolvido nesse conflito. Durante essa guerra muitos se voluntariaram para lutar ao lado dos rebeldes, inclusive o próprio autor do livro original que o roteiro era baseado, ele mesmo, o aclamado escritor Ernest Hemingway.

O filme porém não era apenas explosões em uma guerra na Europa. Era também um romance dramático, daqueles que o público adorava naqueles tempos de conflitos internacionais. Ao lado de Cooper no filme, interpretando a mulher pela qual ele ficaria perdidamente apaixonado, estava a bela e talentosa atriz Ingrid Bergman. Desde que os primeiros posters promocionais do filme surgiram nos cinemas, o estúdio sabia que tinha um grande sucesso em mãos. Aquele era o casal perfeito, ideal para o público romântico. Os casais da época suspiravam diante daquela imagem do casal protagonista. 

Sempre que uma grande produção como essa era filmada surgiam boatos (muitas vezes fabricados pelos próprios estúdios) nas revistas de cinema da época. Então não houve grandes surpresas quando começaram a surgir boatos de que Cooper e Bergman estavam tendo um caso real durante as filmagens. Quando as fofocas chegaram em Cooper ele nem pensou duas vezes em desmentir todas elas. Afirmou que Ingrid era acima de tudo uma grande amiga com quem estava trabalhando. Disse que ela era extremamente talentosa e tinha grande prazer em contracenar com ela. Cooper tinha que correr para negar tudo mesmo. Ele era um homem casado (com Veronica Balfe, conhecida carinhosamente como "Rocky") e não queria problemas para seu lado. Se era verdade ou não, até hoje há dúvidas, mas diante de sua força moral e integridade pessoal logo os boatos sumiram das colunas de mexericos. 

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 23 de março de 2026

Hollywood Boulevard - Rock Hudson - Parte 20

Enquanto colhia os bons frutos de "Estação Polar Zebra", Rock Hudson recebeu um telefonema de John Wayne. O famoso astro do western queria ele no elenco de seu próximo filme, "Jamais Foram Vencidos". Rock aceitou o convite imediatamente, mesmo sem ler o roteiro. Como ele disse em entrevistas essa era uma excelente oportunidade que não poderia ser recusada. Ele conhecia John Wayne desde os velhos tempos e nunca pensou em fazer um filme de faroeste ao seu lado. Só que agora, como ator autônomo, ele não iria perder essa chance. 

O filme começou suas filmagens no México, na Sierra de los Ajos, no terrível deserto de Sonora. Assim que Rock chegou nas locações foi falar com John Wayne que estava se maquiando. A conversa foi das mais amigáveis. Wayne confesssou a Rock que queria fazer um filme ao seu lado desde que havia assistido "Assim Caminha a Humanidade". Para o veterano ator aquele havia sido um dos melhores filmes de western já feitos. Rock não discordou. 

As filmagens foram duras, complicadas de concluir. Quando voltou para o Castelo, Rock estava queimado de sol, muito exausto. Ao seu assistente pessoal, um velho amigo chamado Marc, confessou que havia odiado o deserto, mas não o filme em si e nem as pessoas que dele participaram. Apenas havia achado tudo muito cansativo, com muitas cenas de montaria. Rock disse que nunca mais faria um faroeste em sua vida, pois era, em suas palavras, "um trabalho de matar qualquer ator"!.

Mais tarde disse que passava muitas horas jogando xadrez com John Wayne, pois nos intervalos das filmagens não havia muito o que fazer no meio do deserto. Wayne era fanático por xadrez, sempre levando seu tabuleiro de um lado para o outro no set de filmagens. E o velho ator descobriu, para sua surpresa, que Rock Hudson era um excelente enxadrista. Ao parceiro de cena, Rock confessou: "Aprendi a jogar xadrez na marinha quando servi na frota do Pacífico. Passei muitos anos sem jogar depois disso, mas agora estou pegando o jeito de novo. Não se ensina novos truques a velhos cães de caça!". Ao ouvir isso John Wayne soltou uma grande risada, dando mais uma tragada em seu cigarro Camel, velho companheiro que no futuro seria sua ruína. 

Pablo Aluísio. 

domingo, 22 de março de 2026

Imperador Romano Diocleciano

Imperador Romano Diocleciano
Diocleciano, cujo nome completo era Gaius Aurelius Valerius Diocletianus, foi um dos imperadores mais importantes do final do Império Romano e responsável por profundas reformas políticas e administrativas que ajudaram a estabilizar o império após um longo período de crise. Ele nasceu por volta do ano 244 d.C., provavelmente na região da Dalmácia, perto da atual cidade de Split, na Croácia. Sua origem era humilde, possivelmente filho de um liberto ou de um camponês, algo relativamente comum entre militares que alcançavam altos cargos durante o chamado Período da Anarquia Militar, quando o poder imperial frequentemente mudava de mãos por meio de golpes e revoltas. Diocleciano ingressou no exército romano ainda jovem e construiu uma carreira militar sólida, demonstrando disciplina, habilidade estratégica e grande capacidade de liderança. Ao longo dos anos, ele serviu sob vários imperadores e conquistou respeito entre os soldados e oficiais. Essa reputação foi fundamental para sua ascensão ao poder em um período extremamente turbulento da história romana.

Diocleciano tornou-se imperador em 284 d.C., após a morte do imperador Caro e uma série de disputas pelo trono entre generais rivais. Após derrotar seu principal adversário, Carino, ele consolidou sua autoridade sobre o império. Ao assumir o poder, Diocleciano encontrou um Estado profundamente fragilizado por crises econômicas, invasões estrangeiras, instabilidade política e sucessivas guerras civis. Durante quase todo o século III, o Império Romano havia enfrentado sérias dificuldades para manter suas fronteiras e sua unidade política. Consciente da magnitude dos problemas, Diocleciano iniciou um amplo programa de reformas administrativas e militares com o objetivo de restaurar a ordem e fortalecer o governo imperial. Uma de suas decisões mais importantes foi reorganizar completamente o sistema de governo para tornar mais eficiente a administração de um território tão vasto e complexo.

Uma das principais inovações políticas de Diocleciano foi a criação da Tetrarquia, um sistema de governo dividido entre quatro governantes. Nesse modelo, havia dois imperadores principais chamados Augustos e dois subordinados chamados Césares, cada um responsável por uma parte do império. O próprio Diocleciano governava a parte oriental do império, enquanto seu colega Maximiano administrava o Ocidente. Os Césares escolhidos foram Galério e Constâncio Cloro, que auxiliavam os Augustos e estavam destinados a sucedê-los no futuro. Essa estrutura pretendia garantir maior eficiência administrativa e evitar disputas sucessórias que frequentemente provocavam guerras civis. Durante algum tempo, o sistema funcionou relativamente bem, permitindo respostas rápidas a ameaças externas e melhor controle das províncias. A Tetrarquia também representava uma nova concepção de poder imperial, na qual o imperador era visto quase como uma figura sagrada e distante da população.

Diocleciano também promoveu importantes reformas econômicas e militares. Ele reorganizou o exército, aumentou o número de soldados e fortaleceu as defesas nas fronteiras do império, especialmente contra povos germânicos e contra o Império Persa. Além disso, tentou controlar a grave crise inflacionária que afetava a economia romana. Em 301 d.C., ele promulgou o famoso Édito Máximo de Preços, uma tentativa de estabelecer limites para os preços de diversos produtos e salários em todo o império. Embora essa medida tenha enfrentado dificuldades para ser aplicada na prática, ela demonstra a preocupação do imperador em restaurar a estabilidade econômica. Diocleciano também reformou o sistema tributário e reorganizou as províncias, criando unidades administrativas menores para facilitar a arrecadação de impostos e o controle político. Suas reformas administrativas tiveram efeitos duradouros e influenciaram profundamente a estrutura do império nos séculos seguintes.

Outro aspecto marcante de seu governo foi a Grande Perseguição aos Cristãos, iniciada em 303 d.C.. Diocleciano acreditava que a unidade religiosa era essencial para a estabilidade do império e considerava o cristianismo uma ameaça à tradição religiosa romana. Assim, ele ordenou a destruição de igrejas, a queima de textos sagrados e a prisão de líderes cristãos. Essa perseguição foi uma das mais intensas da história romana, embora tenha sido aplicada com diferentes graus de severidade em várias regiões do império. Apesar disso, o cristianismo continuou a crescer e, poucas décadas depois, seria oficialmente tolerado e posteriormente adotado pelo Estado romano. Em 305 d.C., Diocleciano tomou uma decisão extraordinária: ele abdicou voluntariamente do trono, algo extremamente raro entre imperadores romanos. Após deixar o poder, retirou-se para seu palácio na Dalmácia, onde passou os últimos anos de sua vida cultivando jardins e vivendo de forma relativamente tranquila. Ele morreu por volta de 311 ou 312 d.C., deixando um legado político importante e sendo lembrado como um dos grandes reformadores do Império Romano.

sábado, 21 de março de 2026

Chuck Norris (1940 - 2026)

Chuck Norris (1940 - 2026)
O ator Chuck Norris faleceu ontem. A notícia teve ampla cobertura nos jornais internacionais. Provavelmente morreu de problemas cardíacos pois havia muitos anos que se tratava desse problema de saúde. Ainda assim a família resolveu manter a privacidade não revelando a causa de sua morte. Talvez até para manter a fama de indestrutível que Norris foi construindo ao longo de sua jornada, tanto no cinema como nas competições esportivas de artes marciais. 

Sua história foi das mais curiosas em Hollywood. É a história de um professor de artes marciais em Los Angeles chamado Carlos que virou herói de ação em filmes B durante as décadas de 1970 e 1980. Para essa mudança ele contou com dois padrinhos bem famosos da sétima arte. Era instrutor de Karaté de ambos! O primeiro foi Steve McQueen que o incentivou a tentar uma carreira no cinema pois ele era bom lutador e havia potencial ali. O segundo foi Bruce Lee que apostou em seu professor para rodar uma das cenas de lutas mais icônicas de sua filmografia. Todo começo de carreira precisa mesmo de uma ajudinha...

Depois dessa ajuda inicial, Norris foi abrindo seu próprio caminho em Hollywood. Atuou em todos os tipos de filmes de lutas marciais que iam aparecendo. Todos esses filmes de sua fase inicial eram pequenas produções, quase amadoras, que aproveitavam o interesse do público por filmes de lutas. Nos anos 80 teve sua melhor fase quando assinou com a produtora cinematográfica Cannon. Os donos dessa pequena empresa apostaram em Norris, tentando transformar ele em astro dos filmes de ação. Algo como Charles Bronson, caso ele soubesse lutar! São dessa época seus filmes mais conhecidos como "Comando Delta", "Braddock - O Super Comando", "Código do Silêncio" e "Invasão USA". Norris continuava o mesmo canastrão de filmes B da década anterior, mas pelo menos a Cannon conseguia vender bem seus filmes, tanto nos Estados Unidos como no exterior. Assim ele conquistou seu espaço. No Brasil, por exemplo, seus filmes fizeram bastante sucesso nas locadoras de vídeo VHS. 

Depois da falência da Cannon Group, Carlos conseguiu levar em frente sua carreira de ator, mas agora na televisão. A série "Chuck Norris: O Homem da Lei" rendeu quase 200 episódios! E isso foi um sucesso inegável. Assim o ator finalmente conseguiu o sucesso que esperava. Ele se afastou dos filmes e séries para cuidar de sua esposa que estava com um sério problema de saúde. Após alguns anos não quis mais retornar, só voltando mesmo para uma participação especial em "Os Mercenários 2" quando finalmente se aposentou. 

Mesmo com suas óbvias limitações como ator, pois ele mesmo se considerava um canastrão, Norris conseguiu ter seu espaço. A comoção por sua morte revela bem isso. Nas redes sociais muitos comentaram e lamentaram, dizendo que ele foi "um ídolo de infância". Pois é, Norris atingiu até mesmo as crianças com seus filmes exagerados e caricatos. Nada mal para o professor Carlos que só queria mesmo ganhar alguns trocados fazendo filmes...

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 20 de março de 2026

O Agente Secreto

O Agente Secreto 
Inegavelmente foi o filme do ano no Brasil. Muito comentado, muito debatido. Indicado a quatro categorias no Oscar, foi tema de muita polêmica. Muitos torcendo a favor da premiação e outros torcendo contra. Como quase tudo em nosso país virou clubismo, futebol. No final não venceu os prêmios da Academia que estava disputando, mas eu sou daqueles que realmente consideram uma honra a mera indicação. Assim não faz mal. Penso que é um filme que já entrou na história do cinema brasileiro, o primeiro filme nacional indicado na categoria principal do Oscar, a de melhor filme, além de todas as outras, que também foram merecidas. 

Dito isso, devo considerar o filme em si. Olha só, eu gostei do filme de uma maneira em geral, mas confesso que poderia gostar mais. Penso que "O Agente Secreto" também tem seus probleminhas. A linha narrativa é muito bem desenvolvida, mas tem aquela coisa da "perna cabeluda" que achei bem desnecessária (e sem graça). Parar o desenvolvimento da história, que vinha muito bem, para colocar no filme um besteirol daqueles é, ao meu ver, um erro. Eu entendo que seja algo que os recifenses vão entender e curtir em um primeiro momento (pelo menos os mais velhos, que viveram aquilo), mas o resto do país (e o mundo) vão ficar mesmo boiando. É besteirol, não tem como sair disso. Ficou fora do contexto do resto do filme. Ficou ruim. Então achei essa parte bem constrangedora. Fora esse deslize, o filme se desenvolve bem. Não é pesadão e nem desagradável. Tampouco é um filme ativista. Não achei nada disso. É, no saldo final, uma boa crônica daqueles tempos passados. 

O Agente Secreto (Brasil, 2025) Direção: Kleber Mendonça Filho / Roteiro: Kleber Mendonça Filho / Elenco: Wagner Moura, Maria Fernanda Cândido, Alice Carvalho / Sinopse: Durante a década de 1970, professor universitário entra em atrito contra um figurão do regime militar. E a partir daí ele passa a fugir, com medo de ser assassinado. 

Pablo Aluísio.

Pacto com o Diabo

Pacto com o Diabo
O título e o tema podem levar as pessoas desavisadas a pensarem que se trata de um filme de terror. Mais um daqueles na linha de possessões que ninguém aguenta mais assistir. Esqueça essa classificação equivocada. O filme está mais para drama histórico, até porque foi mesmo baseado numa história real. Essa se passa na era medieval. Uma jovem mãe e esposa descobre que seu marido está morto. Ninguém sabe ao certo o que aconteceu, mas muito provavelmente foi vítima da peste negra. Depois disso ela fica socialmente vulnerável, sem ter condições de sustentar a si mesma e ao filho pequeno, ainda uma criança. E nessa situação de ver uma mulher ainda jovem e bonita numa situação tão precária, logo surgem os abutres para se aproveitarem da situação. Entre eles está o filho canalha do senhor feudal das terras onde ela vive. Ele a assedia e exige sexo em troca dela continuar vivendo em sua cabana. Ela, mulher honrada, recusa! 

Como forma de punição o tal canalha a denuncia para a "Santa Inquisição". Logo, ela se vê presa e submetido às maiores torturas e atrocidades. Fica naquela situação terrível, em que ou confessa que é bruxa ou morrerá na fogueira! Um dos capítulos mais vergonhosos da história da Igreja. Não tem jeito, essa coisa de Caça às Bruxas, foi mesmo usado para atos de pura crueldade contra mulheres que não se encaixavam nos padrões sociais impostos por homens daquela época. Enfim, um filme muito bom que resgata apenas uma das milhares de histórias semelhantes que aconteceram desse mesmo jeito. Como eu disse, uma vergonha histórica complicada de apagar da religião ocidental. 

Pacto com o Diabo (The Reckoning, Reino Unido, Estados Unidos, Hungria, 2020) Direção: Neil Marshall / Roteiro: Neil Marshall, Charlotte Kirk / Elenco: Charlotte Kirk, Sean Pertwee, Steven Waddington / Sinopse: Jovem viúva é injustamente acusada de ser uma bruxa. Enviada para a inquisição passa a sofrer as maiores torturas. 

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Assassino a Preço Fixo

Não faz muito tempo assisti com o ator Jason Statham o filme "13" que ele rodou ao lado de Mickey Rourke. Um filme de ação stricto senso, ou seja, muito pouco papo furado e ação ao extremo. Esse "Assassino a Preço Fixo" segue basicamente a mesma linha embora "13" fosse de certa forma mais inovador em sua estrutura. Aqui em "The Mechanic" Jason novamente está no submundo, só que vivendo um assassino profissional que se coloca numa situação limite em seu novo "serviço". O roteiro é bastante eficiente, as situações são colocadas sem perda de tempo, as cenas não precisam de muita delonga para acontecerem (ao contrário de filmes recentes de antigos astros de ação como Bruce Willis em que temos que aguentar um monte de piadinhas sem graça)."The Mechanic" não tem humor e nem piadinhas, mas sim ação e tensão da primeira à última cena (ainda bem!).

Em poucas palavras um filme pra apreciadores de filmes de ação sem amenidades e nem bobagens sem graça. Na verdade "Assassino a Preço Fixo" é assim por um motivo muito simples: é uma releitura de um antigo sucesso de Charles Bronson, ator que durante anos realizou filmes de pura ação para os fãs do gênero. Os filmes de Bronson não eram os mais bem produzidos do mundo e nem contavam com roteiros elaborados mas dentro de sua proposta eram bem honestos, não enganando o espectador em nenhum momento. "The Mechanic" é justamente isso. Quem paga para assistir sabe de antemão do que se trata e não é enganado levando gato por lebre. No elenco de apoio dois nomes se destacam: o veterano Donald Sutherland (em um papel pequeno mas importante na trama) e Ben Foster (um ator cujo trabalho gosto muito, sem muito a apresentar em termos de interpretação pois o filme é de ação e não abre margem para maiores vôos nesse sentido mas mesmo assim uma boa adição ao elenco). Em conclusão "Assassino a Preço Fixo" é um competente veículo para os admiradores do gênero ação e pancadaria sem firulas.

Assassino a Preço Fixo (The Mechanic, Estados Unidos, 2011) Direção: Simon West / Roteiro: : Richard Wenk/ Elenco: Jason Statham, Ben Foster, Donald Sutherland, Nick Jonas, Christa Campbell, Jeff Chase, Beau Brasso, Eddie J. Fernandez / Sinopse: Arthur Bishop (Jason Statham) é um assassino profissional que tem uma missão extremamente complicada a realizar: matar seu próprio chefe, Harry (Donald Sutherland). A missão não será tão simples como as demais.

Pablo Aluísio.

Assassinos

Título no Brasil: Assassinos
Título Original: Assassins
Ano de Produção: 1995
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Richard Donner
Roteiro: Andy Wachowski
Elenco: Sylvester Stallone, Antonio Banderas, Julianne Moore, Muse Watson, Steve Kahan, Reed Diamond

Sinopse:
Robert Rath (Stallone) é um veterano assassino profissional que agora deseja abandonar essa "profissão" de uma vez por todas. Só que um outro assassino chamado Miguel Bain (Banderas) quer ter a fama de matar o grande hitman do passado. 

Comentários:
Filme que não fez sucesso nas bilheterias, apesar dos nomes envolvidos. Veja, fazia tempo que Sylvester Stallone queria trabalhar ao lado do diretor Richard Donner. O cineasta havia criado a franquia de grande sucesso "Máquina Mortífera", além de ter dirigido filmes do Superman e outros sucessos no cinema. Era um especialista no gênero ação. Nada mais natural de que um dira iria trabalhar ao lado de Stallone, o mais famoso astro dos action movies. Infelizmente algo deu errado. Talvez a dupla ao lado de Antonio Banderas não tenha agradado ao público. O latino estava mais associado a outros estilos de filmes. Seu vilão parece muito caricato. O roteiro também foi considerado genérico e sem novidades. Até a boa atriz Julianne Moore parece deslocada dentro do filme. O interessante é que esse enredo, se formos pensar bem, poderia fazer parte até mesmo do roteiro de um velho faroeste. Afinal eram nos antigos filmes desse gênero que havia bastante essa situação do novo pistoleiro tentando matar o pistoleiro mais veterano para assumir parte de sua fama. Nessa nova releitura, mais moderna, surgem alguns bons duelos e até uma boa fotografia, porém nada muito além disso. Olhando em retrospectiva é um dos mais medianos filmes de Richard Donner.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 18 de março de 2026

It: Bem-Vindos a Derry

Título no Brasil: It: Bem-Vindos a Derry
Título Original: IT: Welcome to Derry
Ano de Lançamento: 2025
País: Estados Unidos
Estúdio: HBO
Direção: Andy Muschietti, Andrew Bernstein
Roteiro: Jason Fuchs, Andy Muschietti
Elenco: Taylour Paige, Jovan Adepo, Stephen Rider, Matilda Lawler, Amanda Christine, Clara Stack

Sinopse:
Baseado na obra "It" de Stephen King, essa série expande o universo do livro original, mostrando a pequena cidade de Derry, que passa a ser palco de estranhos acontecimentos sobrenaturais. Isso faz com que as forças armadas americanas passem a investigar mais a fundo o que de fato estaria acontecendo naquela região. 

Comentários:
Em muitos aspectos essa nova série se apresenta até bem melhor do que os dois filmes produzidos recentemente para o cinema. Nem vou falar do It original, lá dos anos 80, pois atualmente pouca gente conhece. O fato é que em séries há a possibilidade de melhor desenvolver certas histórias. O tempo é maior e se torna crucial para desenvolver melhor todos os personagens. Além disso o enredo contado nessa série é até bem independente dos filmes. Outros personagens, outras linhas de narração. Isso acrescentou muito ao resultado final. Some-se a isso essa direção de arte que remete ao passado que eu sempre adoro em filmes e séries. A trilha sonora então, é mais do que saborosa de se ouvir! É algo que também acontece com "Fallout". Assim temos mesmo uma série diferenciada, com muita qualidade. Para falar a verdade "It: Bem-Vindos a Derry" é a melhor adaptação já feita em cima desse livro do Stephen King. Coisa fina! 

Pablo Aluísio. 

It - Capítulo Dois

Título no Brasil: It - Capítulo Dois
Título Original: It Chapter Two
Ano de Produção: 2019
País: Estados Unidos
Estúdio: New Line Cinema
Direção: Andy Muschietti
Roteiro: Gary Dauberman
Elenco: Jessica Chastain, James McAvoy, Bill Skarsgård, Bill Hader, Isaiah Mustafa, James Ransone,

Sinopse:
Mais um filme baseado na obra-prima escrita por Stephen king. A trama se passa vinte e sete anos depois dos primeiros acontecimentos mostrados no primeiro filme. Aqui o grupo de amigos vai precisar se reunir mais uma vez para enfrentar o terrível palhaço assassino Pennywise (Bill Skarsgård).

Comentários:
A crítica não gostou muito. Alguns fãs de Stephen King voltaram a criticar negativamente, mas nem essa onda toda conseguiu atrapalhar o filme em termos de bilheteria. Somando-se o mercado americano com o internacional o filme já rompeu a barreira dos 700 milhões de dólares arrecadados. Um ótimo número, ainda mais para um filme de terror e mais, uma sequência. De fato é algo inédito dentro da indústria. No mais gostei de praticamente tudo por aqui. Alguns disseram que o filme ficou longo demais e em algumas partes cansativo. Discordo. Achei tudo no lugar certo, inclusive no desenvolvimento de todos os personagens. Alguns leitores de King reclamaram dizendo que o filme não havia sido fiel ao livro original. Ora, nem o primeiro filme foi, então pedir algo assim para sua continuação não soa bem ou adequado. Literatura e cinema são linguagens diferentes. Mudanças já eram esperadas para essa adaptação para as telas. O que vale muito a pena aqui é rever todos os personagens, agora adultos, tendo que lidar com um antigo problema, o palhaço sobrenatural Pennywise. Ele está de volta para aterrorizar a vida de todos eles, para deleite dos fãs de filmes de terror. E se você gosta da obra de Stephen King, então corra para assistir. É mesmo um momento imperdível do escritor na sétima arte.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 17 de março de 2026

Indômita Disputa

Indômita Disputa
Dois desertores do exército americano, Pike (Martin Sheen) e Henry (Harvey Keitel), sangram o deserto americano com o objetivo de negociar peles e produtos para grupos indígenas selvagens. Durante sua viagem porém são emboscados por um guerreiro comanche, Búfalo Branco (Sam Waterson), que não apenas rouba todos os produtos como também fere mortalmente Henry. Como se não bastasse ele resolve seguir em frente com seus atos criminosos, decidindo atacar uma diligência espanhola logo a seguir, matando três condutores, saqueando sua carga e levando como refém uma linda jovem branca (Interpretada pela atriz britânica Caroline Langrishe). Começa assim a trama desse interessante western da década de 1970 onde tudo parece estar perfeitamente encaixado – o bom roteiro, as atuações comprometidas e uma direção segura que não deixa o filme cair no marasmo, mantendo sempre o interesse do espectador. É o que gosto de chamar de faroeste viril, todo passado no meio de uma paisagem árida e hostil, com enredo focado e forte, tudo somado com excelentes cenas de ação no meio do nada daquela terra de ninguém.

É de se elogiar a atuação de dois atores em cena. O primeiro é Martin Sheen. Sempre o achei extremamente subestimado e injustiçado por todos esses anos pois nunca assisti em minha vida uma performance preguiçosa de Sheen em cena. Ele sempre se entrega completamente ao seu papel. Aqui não é diferente. O ator dá uma vivacidade ao seu personagem Pike que chega a impressionar. Ele é um dos comerciantes de peles que sofre o ataque de um comanche e passa o restante do filme em seu encalço, numa obsessão de vingança, para recuperar suas peles e partir para um acerto de contas final por causa da morte de seu comparsa. 

Ao lado de Harvey Keitel (outro excelente ator) ele mantém o padrão de atuação do filme lá no alto. Outra atuação digna de nota é a do ator Sam Waterson que interpreta o comanche guerreiro Búfalo Branco. Impassível, praticamente sem dizer uma linha de diálogo sequer, ele passa toda a intensidade de seu papel apenas com o olhar fixo. É uma atuação física acima de tudo, que no final das contas causa grande impacto no espectador. No saldo final “Indômita Disputa” é certamente um western dos mais eficientes. Boa produção que merece ser redescoberta pelos fãs do gênero.

Indômita Disputa (Eagle's Wing, Estados Unidos,1979) Direção: Anthony Harvey / Roteiro: Michael Syson, John Briley / Elenco: Martin Sheen, Sam Waterston, Harvey Keitel, Caroline Langrishe / Sinopse: Após matar e roubar uma dupla de comerciantes de pele, um guerreiro Comanche começa a aterrorizar toda a região promovendo roubos e mortes. Numa dessas ações leva como refém uma linda jovem viajante de uma diligência. Agora terá que escapar de seus perseguidores brancos.

Pablo Aluísio.

Assim São os Fortes

Assim São os Fortes
Um dos aspectos mais curiosos da carreira do ator Clark Gable foi sua pouca aparição em filmes de Western. No auge do gênero, sendo um dos mais populares filões da época, era de se esperar que o galã Gable se utilizasse desse tipo de produção para manter sua popularidade em alta, mas isso não aconteceu. Para falar a verdade Gable sempre foi considerado uma ausente ilustre nos faroestes da época, sempre preferindo participar muito mais de filmes de aventura, romances e dramas urbanos. Talvez ele se sentisse deslocada no velho oeste, quem sabe, a verdade nunca saberemos ao certo. Uma exceção a essa regra é justamente esse bom western chamado "Assim São os Fortes" que fez um belo sucesso na época - o que infelizmente não pareceu ter empolgado o ator a estrelar mais filmes como esse. O filme foi considerado até mesmo ousado para a época, pois mostrava um romance entre um branco (Flint Mitchell, personagem de Gable no filme) e uma indígena! O roteiro é uma adaptação do livro vencedor do Pulitzer, "Across the Wide Missouri" de autoria do aclamado escritor Bernard DeVoto.  Esse é um clássico do mundo da literatura dos Estados Unidos. Uma obra prima.

A história se passa na década de 1830. Flint Mitchell (Gable) é um caçador e desbravador que sai em busca de caças e metais preciosos nas montanhas distantes e desabitadas de Montana e Idaho. As terras são ricas em recursos naturais e logo chamariam a atenção de outros homens brancos gananciosos. Mitchell, por sua vez, deseja apenas levar uma vida bucólica, tirando o necessário da natureza para sua sobrevivência. Em sua expedição acaba conhecendo a tribo dos índios Blackffoot e se apaixona por uma das mulheres da comunidade. Clark Gable se esforça bastante para dar uma certa veracidade ao seu papel. Ao invés de surgir como um galã de cabelo penteado, cheio de brilhantina, ele tenta capturar o estilo de vida desses pioneiros das montanhas. O figurino é o mais adequado, além do modo mais rude de ser. 

 O resultado é muito bom e o filme foi de certa forma subestimado pois não chamou qualquer atenção da Academia (revelando um certo preconceito contra o gênero western em suas premiações). O que mais se destaca na produção é sua linda fotografia. “Assim São os Fortes” foi todo filmado em locações do Colorado, em maravilhosas reservas florestais e se torna logo um colírio para os amantes da natureza. Seu roteiro foca mais nas diferenças de costumes entre brancos e índios e não há tantas cenas de ação ou tiroteios como se vê em outras produções de western da época. Mesmo assim tem um final eletrizante que empolga o espectador. Fica assim a dica desse "Assim São os Fortes" um dos poucos filmes de faroeste estrelados pelo grande ídolo Clark Gable.

Assim São os Fortes (Acroos The Wide Missouri, Estados Unidos, 1951) Direção: William A. Wellman / Roteiro: Talbot Jennings baseado no livro de Bernard DeVoto / Elenco: Clark Gable, Ricardo Montalban, John Hodiak / Sinopse: A estória se passa na década de 1830. Flint Mitchell (Gable) é um caçador e desbravador que sai em busca de caças e metais preciosos nas montanhas distantes e desabitadas de Montana e Idaho. As terras ricas logo chamariam a atenção de outros homens brancos, mas Mitchell deseja apenas levar uma vida bucólica, tirando o necessário da natureza para sua sobrevivência. Em sua expedição acaba conhecendo a tribo dos índios da tribo Blackffoot e se apaixona por uma das mulheres da comunidade.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Como Conquistar as Mulheres

Título no Brasil: Como Conquistar as Mulheres
Título Original: Alfie
Ano de Lançamento: 1966
País: Reino Unido
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Lewis Gilbert
Roteiro: Bill Naughton, Lewis Gilbert
Elenco: Michael Caine, Shelley Winters, Millicent Martin, Julia Foster, Jane Asher, Shirley Anne Field

Sinopse:
O filme acompanha Alfie Elkins, um motorista de limusine em Londres que vive uma vida despreocupada e dedicada a conquistas amorosas. Charmoso e confiante, Alfie se envolve com diversas mulheres sem se comprometer emocionalmente, sempre acreditando que pode controlar as consequências de suas atitudes. Ao longo da história, ele frequentemente quebra a chamada “quarta parede”, conversando diretamente com o público sobre suas ideias a respeito de amor, sexo e relacionamentos. No entanto, suas atitudes egoístas começam a trazer consequências cada vez mais graves para as mulheres que passam por sua vida. Entre romances passageiros, situações moralmente complexas e momentos de reflexão, Alfie acaba sendo forçado a confrontar o vazio de sua própria existência e a questionar o estilo de vida que sempre defendeu.

Comentários:
Quando foi lançado em 1966, Alfie recebeu grande aclamação da crítica e se destacou como uma das produções mais marcantes do cinema britânico da década. O jornal The New York Times elogiou a performance carismática e provocativa de Michael Caine, afirmando que o ator ofereceu um retrato complexo de um personagem moralmente ambíguo. A revista Time também destacou o tom moderno do filme e sua abordagem direta sobre sexualidade e responsabilidade emocional, algo relativamente ousado para o período. O filme foi indicado a vários prêmios importantes, incluindo cinco indicações ao Oscar, entre elas Melhor Filme e Melhor Ator para Michael Caine. Comercialmente, o longa também foi bem-sucedido e ajudou a consolidar Caine como uma estrela internacional. Com o passar das décadas, Alfie passou a ser considerado um clássico do cinema britânico dos anos 1960, frequentemente lembrado por seu estilo narrativo inovador e por seu retrato crítico da cultura masculina da época. Hoje o filme é visto como uma obra importante dentro do movimento conhecido como Swinging London, além de permanecer relevante por sua reflexão sobre responsabilidade, relações humanas e maturidade emocional.

Pablo Aluísio. 

Garota da Vida

Título no Brasil: Garota da Vida
Título Original: Single Room Furnished
Ano de Lançamento: 1966
País: Estados Unidos
Estúdio: A.C. Lyles Productions
Direção: Matt Cimber
Roteiro: Matt Cimber, John F. Hayes
Elenco: Jayne Mansfield, Dorothy Keller, Walter Winchell, Michael Rennie, Martha Hyer, Will Kuluva

Sinopse:
O filme apresenta a história de uma jovem mulher que chega a Nova York cheia de sonhos de sucesso e felicidade. No entanto, ao tentar sobreviver na grande cidade, ela acaba enfrentando uma série de dificuldades e decepções que a levam gradualmente para um mundo de exploração e marginalidade. A narrativa acompanha diferentes fases da vida da protagonista, mostrando como suas escolhas e circunstâncias acabam empurrando-a para a prostituição e para relações abusivas. Ao longo da trama, o filme aborda temas como solidão urbana, exploração feminina e a dura realidade enfrentada por muitas mulheres que chegam às grandes cidades em busca de oportunidades. O tom da obra mistura melodrama e crítica social, refletindo também o clima de mudanças culturais da década de 1960.

Comentários:
Na época de seu lançamento, Single Room Furnished chamou atenção principalmente por ser um dos últimos filmes estrelados por Jayne Mansfield, uma das figuras mais famosas do cinema e da cultura pop da década de 1950 e início dos anos 1960. Alguns críticos destacaram o tom mais sombrio e dramático da produção, bastante diferente dos papéis mais leves e cômicos pelos quais Mansfield era conhecida. O jornal Los Angeles Times observou que o filme buscava abordar questões sociais relacionadas à exploração de mulheres nas grandes cidades, embora a execução tenha recebido avaliações mistas. Do ponto de vista comercial, o filme teve distribuição limitada e não alcançou grande sucesso de bilheteria. Com o passar do tempo, porém, passou a despertar interesse entre historiadores do cinema e admiradores da carreira de Jayne Mansfield, especialmente por representar uma fase final e mais dramática de sua trajetória artística. Hoje o filme é visto como uma curiosidade dentro do cinema independente americano dos anos 1960 e também como um registro tardio da presença carismática de Mansfield no cinema. 

Pablo Aluísio. 

domingo, 15 de março de 2026

Imperador Romano Galério

Imperador Romano Galério
Galério, cujo nome completo era Gaius Galerius Valerius Maximianus, foi um imperador romano que governou no final do século III e início do século IV, durante um período de profundas transformações políticas no Império Romano. Ele nasceu por volta do ano 250 d.C. na região da Dácia Ripense, provavelmente perto da atual Sérvia ou Bulgária. Sua origem era humilde: sua mãe, Romula, era uma camponesa de origem trácia ou dácica, e Galério teria passado parte de sua juventude trabalhando como pastor. Apesar dessa origem simples, ele ingressou no exército romano, onde demonstrou grande habilidade militar e disciplina, qualidades que lhe permitiram ascender rapidamente nas fileiras militares. Durante o reinado do imperador Diocleciano, Galério destacou-se em campanhas militares contra povos bárbaros e inimigos do império. Reconhecendo seu talento e lealdade, Diocleciano decidiu integrá-lo ao sistema político conhecido como Tetrarquia, criado para administrar melhor o vasto território romano.

No ano 293 d.C., Galério foi nomeado César, ou seja, imperador subordinado, sob a autoridade de Diocleciano, que era o Augusto do Oriente. Como parte dessa promoção política, Galério casou-se com Valéria, filha de Diocleciano, fortalecendo sua posição dentro da estrutura imperial. Durante esse período, ele desempenhou um papel fundamental nas campanhas militares contra o Império Sassânida da Pérsia. Inicialmente sofreu derrotas, mas posteriormente conseguiu uma importante vitória contra o rei persa Narses, por volta de 298 d.C. Essa vitória consolidou o domínio romano sobre territórios na Mesopotâmia e fortaleceu o prestígio de Galério dentro do império. Seu sucesso militar foi comemorado com monumentos e obras arquitetônicas, como o famoso Arco de Galério, construído em Tessalônica, na atual Grécia. Essas vitórias ajudaram a consolidar a autoridade romana no Oriente e demonstraram a importância estratégica de Galério dentro da Tetrarquia.

Em 305 d.C., ocorreu um evento raro na história romana: Diocleciano e Maximiano, os dois imperadores principais, abdicararam voluntariamente do poder. Com isso, Galério foi elevado ao título de Augusto, tornando-se um dos principais governantes do império. Nesse novo arranjo político, ele passou a exercer grande influência sobre a política imperial, especialmente nas regiões orientais. Galério também foi responsável pela escolha de novos Césares, incluindo Severo II e Maximino Daia, tentando manter o equilíbrio do sistema tetrárquico. No entanto, após a abdicação de Diocleciano, o sistema começou a enfrentar tensões internas e disputas pelo poder. A ascensão de Constantino, filho de Constâncio Cloro, e de Maxêncio, filho de Maximiano, provocou conflitos que enfraqueceram o modelo político criado por Diocleciano. Assim, o período em que Galério governou foi marcado por instabilidade política e rivalidades entre diferentes pretendentes ao trono imperial.

Galério também ficou conhecido por seu papel na chamada Grande Perseguição aos Cristãos, que começou em 303 d.C. durante o reinado de Diocleciano. Muitos historiadores acreditam que Galério foi um dos principais defensores dessa política repressiva contra os cristãos, que incluía destruição de igrejas, queima de textos sagrados e prisões de líderes religiosos. A perseguição tinha como objetivo restaurar as tradições religiosas romanas e reforçar a unidade do império através do culto aos deuses tradicionais. Entretanto, ao final de sua vida, Galério mudou de posição em relação aos cristãos. Em 311 d.C., gravemente doente, ele promulgou um Édito de Tolerância, que encerrou oficialmente as perseguições e permitiu que os cristãos praticassem sua religião desde que rezassem pelo bem do império. Esse decreto representou um importante passo em direção à posterior legalização do cristianismo no Império Romano, que ocorreria poucos anos depois com o Édito de Milão, promulgado por Constantino.

Galério morreu no ano 311 d.C., provavelmente vítima de uma doença grave, descrita por alguns autores antigos como extremamente dolorosa e debilitante. Ele faleceu em sua residência imperial na região dos Bálcãs, deixando um império politicamente dividido e um sistema de governo que começava a ruir. Apesar das dificuldades de seu governo, Galério desempenhou um papel importante na transição entre o período da Tetrarquia e as disputas que levariam à ascensão de Constantino, o Grande, como único imperador. Sua carreira é frequentemente lembrada por suas campanhas militares bem-sucedidas, por sua influência política dentro da Tetrarquia e também por sua relação complexa com o cristianismo. Além disso, vários monumentos associados ao seu reinado ainda existem, como as ruínas do complexo palaciano de Felix Romuliana, na atual Sérvia, que foi construído em homenagem à sua mãe. Esses vestígios arqueológicos ajudam a compreender melhor a importância histórica de Galério dentro do contexto do Império Romano tardio.

Ricardo Coração de Leão

Ricardo Coração de Leão
Ricardo I da Inglaterra, mais conhecido como Ricardo Coração de Leão, foi um dos mais famosos reis da Idade Média e uma das figuras mais marcantes das Cruzadas. Ele nasceu em 8 de setembro de 1157, provavelmente no Palácio de Beaumont, na cidade de Oxford, na Inglaterra. Ricardo era filho do rei Henrique II da Inglaterra e de Leonor da Aquitânia, uma das mulheres mais influentes e poderosas da Europa medieval. Desde jovem, ele foi educado dentro da cultura cavaleiresca e aristocrática de seu tempo, recebendo treinamento militar e formação literária. Ricardo demonstrava grande talento como líder militar e também possuía habilidades como poeta e trovador, algo comum entre nobres da época. Apesar de ser rei da Inglaterra, ele passou grande parte de sua vida no território francês, especialmente na Aquitânia, herdada de sua mãe. Ali ele adquiriu experiência política e militar ao lidar com rebeliões de nobres locais. Essa vivência ajudou a moldar sua reputação como um guerreiro habilidoso e um comandante respeitado.

Durante sua juventude, Ricardo envolveu-se em conflitos familiares contra o próprio pai, Henrique II. No complexo cenário político da dinastia Plantageneta, os filhos frequentemente disputavam poder e territórios. Incentivado em parte por sua mãe, Leonor da Aquitânia, Ricardo participou de revoltas contra o rei ao lado de seus irmãos. Essas disputas revelavam as tensões internas da poderosa família que governava vastos territórios na Inglaterra e na França. Após a morte de seus irmãos mais velhos, Ricardo tornou-se o principal herdeiro do trono inglês. Em 1189, após a morte de Henrique II, Ricardo foi coroado rei da Inglaterra, tornando-se Ricardo I. Seu reinado começou em um momento de grande fervor religioso na Europa, quando o mundo cristão estava mobilizado para recuperar Jerusalém, que havia sido conquistada por forças muçulmanas lideradas pelo sultão Saladino. Assim, desde o início de seu reinado, Ricardo concentrou grande parte de seus esforços na organização de uma nova expedição militar conhecida como Terceira Cruzada.

A Terceira Cruzada, iniciada em 1189, foi um dos episódios mais importantes da vida de Ricardo Coração de Leão. Ele liderou um grande exército rumo ao Oriente Médio ao lado de outros monarcas europeus, como o rei Filipe II da França e o imperador Frederico Barbarossa do Sacro Império Romano-Germânico. Durante a campanha, Ricardo destacou-se por sua habilidade militar, conquistando importantes vitórias contra as forças de Saladino. Um dos episódios mais conhecidos foi a Batalha de Arsuf, em 1191, na qual Ricardo derrotou o exército muçulmano e consolidou sua reputação como um dos maiores comandantes militares de sua época. Apesar dessas vitórias, ele não conseguiu retomar Jerusalém para os cristãos. Mesmo assim, Ricardo negociou um acordo com Saladino que permitia o acesso de peregrinos cristãos à cidade sagrada. A rivalidade entre Ricardo e Saladino tornou-se lendária na história medieval, frequentemente retratada como um confronto entre dois grandes líderes respeitados por seus inimigos.

Após o fim da cruzada, Ricardo iniciou sua viagem de retorno à Europa em 1192, mas acabou enfrentando grandes dificuldades. Durante a jornada, ele foi capturado na Áustria por ordem do duque Leopoldo V, que tinha rivalidades políticas com o rei inglês. Ricardo foi então entregue ao imperador Henrique VI do Sacro Império Romano-Germânico e mantido prisioneiro. Para garantir sua libertação, foi exigido um enorme resgate, equivalente a uma quantia gigantesca para a época. Na Inglaterra, sua mãe Leonor da Aquitânia liderou os esforços para arrecadar o dinheiro necessário, cobrando impostos e contribuições da nobreza e da população. Após cerca de dois anos em cativeiro, Ricardo foi finalmente libertado em 1194. Ao retornar à Inglaterra, ele passou pouco tempo no país, preferindo voltar à França para defender seus territórios contra o rei Filipe II, com quem estava em conflito.

Ricardo Coração de Leão morreu em 6 de abril de 1199, após ser ferido por uma flecha durante o cerco ao castelo de Châlus-Chabrol, no sudoeste da França. A ferida infeccionou e acabou causando sua morte poucos dias depois. Apesar de ter governado a Inglaterra por cerca de dez anos, ele passou apenas uma pequena parte desse período no território inglês, dedicando a maior parte de sua vida a campanhas militares e disputas territoriais na Europa continental. Mesmo assim, sua figura tornou-se lendária na tradição histórica e literária. Ricardo foi lembrado como um exemplo idealizado de cavaleiro medieval: corajoso, habilidoso na guerra e profundamente envolvido nas Cruzadas. Sua reputação foi reforçada por crônicas medievais, lendas populares e obras literárias posteriores, incluindo histórias associadas ao personagem Robin Hood. Ao longo dos séculos, Ricardo Coração de Leão tornou-se um símbolo do espírito guerreiro da Idade Média e uma das figuras mais famosas da história da monarquia inglesa.

sábado, 14 de março de 2026

The Beatles - Let It Be

The Beatles - Let It Be
Embora tenha sido lançado depois de Abbey Road, grande parte das gravações de “Let It Be” foi realizada em janeiro de 1969, durante as famosas sessões do projeto originalmente chamado Get Back. O álbum surgiu em meio a tensões internas entre os integrantes John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, quando o grupo já enfrentava dificuldades criativas e pessoais. A ideia inicial era voltar a um som mais simples e direto, sem as complexas produções de estúdio que haviam caracterizado álbuns como Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band. O projeto também foi acompanhado por um documentário cinematográfico dirigido por Michael Lindsay-Hogg, que registrou os bastidores das gravações e o famoso concerto realizado no telhado da sede da Apple Corps em Londres. Posteriormente, as gravações foram entregues ao produtor Phil Spector, que adicionou arranjos orquestrais e corais a algumas faixas. O resultado foi um álbum que mistura momentos intimistas com produções mais grandiosas. Apesar das controvérsias em torno de sua produção, o disco contém algumas das canções mais conhecidas da banda. Entre elas estão “Let It Be”, “The Long and Winding Road” e “Across the Universe”. Dessa forma, o álbum acabou se tornando um documento histórico do fim dos Beatles.

A recepção crítica inicial ao álbum foi variada, refletindo tanto a qualidade das músicas quanto as circunstâncias turbulentas de sua produção. A revista Rolling Stone publicou uma análise em que reconhecia o valor das composições, mas observava que o álbum parecia menos coeso do que trabalhos anteriores da banda. Um crítico da revista comentou que o disco possuía “momentos de grande beleza musical, mas também a sensação de um grupo chegando ao fim de sua jornada”. Já a revista Billboard destacou o enorme potencial comercial do álbum e elogiou a força da faixa-título, afirmando que ela tinha “todas as características de um clássico imediato”. O jornal musical britânico NME também analisou o lançamento e afirmou que, apesar das dificuldades internas da banda, os Beatles ainda eram capazes de produzir músicas memoráveis. Algumas críticas ressaltaram a qualidade das interpretações vocais de Paul McCartney. Outras destacaram a energia crua de músicas como “Get Back”. Muitos críticos perceberam que o álbum possuía um tom de despedida. A mistura entre gravações espontâneas e produções mais elaboradas também chamou atenção. Mesmo com algumas reservas, a maioria das publicações reconheceu a importância histórica do disco.

Grandes jornais também analisaram o álbum e refletiram sobre o significado de seu lançamento no contexto da separação da banda. O The New York Times escreveu que o disco mostrava “uma banda extraordinária ainda capaz de produzir música de grande força emocional, mesmo em meio ao colapso interno”. O Los Angeles Times observou que as canções do álbum mantinham a qualidade melódica que havia definido o sucesso dos Beatles ao longo da década de 1960. Um crítico do jornal destacou que “Let It Be” era uma balada poderosa e espiritual que poderia se tornar uma das músicas mais duradouras do grupo. A revista The New Yorker também comentou o impacto cultural do álbum, observando que o fim dos Beatles representava o encerramento de uma era na música popular. Muitos jornalistas viram o disco como uma espécie de epílogo para a carreira da banda. Alguns críticos discutiram as diferenças entre a produção original pretendida e a versão final produzida por Phil Spector. Apesar dessas discussões, os jornais reconheceram a qualidade das composições. O tom geral das críticas refletia admiração pela obra da banda e também nostalgia. Assim, o álbum foi visto como um capítulo final importante na história dos Beatles.

Comercialmente, “Let It Be” foi um enorme sucesso em todo o mundo. O álbum alcançou o primeiro lugar na parada da Billboard nos Estados Unidos e também liderou as paradas no Reino Unido e em vários outros países. O disco vendeu milhões de cópias em seu lançamento inicial e continua sendo um dos álbuns mais vendidos da história da banda. O single “Let It Be” tornou-se um grande sucesso internacional e rapidamente entrou para o repertório clássico da música popular. Outra faixa, “The Long and Winding Road”, também alcançou o primeiro lugar nas paradas americanas. O álbum permaneceu por várias semanas entre os mais vendidos, refletindo o enorme interesse do público pelo trabalho final dos Beatles. Além das vendas do disco, o documentário Let It Be também atraiu grande atenção. O impacto comercial do álbum demonstrou que, mesmo no momento de sua dissolução, a banda ainda possuía uma influência gigantesca no mercado musical. A força das canções garantiu ao disco uma presença duradoura nas rádios e nas listas de vendas. Dessa forma, “Let It Be” tornou-se mais um enorme sucesso comercial para os Beatles.

Com o passar das décadas, “Let It Be” passou a ser reavaliado por críticos e historiadores da música, que muitas vezes destacam seu valor artístico e histórico. Embora por muitos anos tenha sido considerado um álbum irregular em comparação com obras como Revolver ou Rubber Soul, hoje ele é frequentemente visto como um retrato honesto do momento final da banda. A faixa-título tornou-se uma das músicas mais icônicas da carreira dos Beatles e continua sendo amplamente tocada e reinterpretada por artistas de todo o mundo. Fãs também valorizam o álbum por sua atmosfera mais espontânea e direta. Em 2003, uma nova versão chamada Let It Be... Naked foi lançada, removendo muitos dos arranjos adicionados por Phil Spector e aproximando o som da ideia original do projeto. Essa reavaliação ajudou a renovar o interesse pelo álbum. Hoje, “Let It Be” é visto como uma peça essencial na compreensão da trajetória dos Beatles. Ele representa ao mesmo tempo um fim e um legado duradouro. Décadas após seu lançamento, continua sendo ouvido, estudado e celebrado por fãs e especialistas. Assim, o álbum permanece como um dos capítulos mais emocionantes da história da música popular.

The Beatles - Let It Be (1970)
Two of Us
Dig a Pony
Across the Universe
I Me Mine
Dig It
Let It Be
Maggie Mae
I've Got a Feeling
One After 909
The Long and Winding Road
For You Blue
Get Back

Pablo Aluísio e Erick Steve.