Rio Lobo foi lançado em 18 de dezembro de 1970, dirigido por Howard Hawks e estrelado por John Wayne, ao lado de Jorge Rivero, Jennifer O’Neill, Jack Elam e Christopher Mitchum. O filme representa a última colaboração entre Hawks e Wayne, dupla fundamental para a consolidação do western clássico americano. Ambientada logo após a Guerra Civil dos Estados Unidos, a história acompanha um oficial da União que decide investigar uma série de injustiças ocorridas em uma pequena cidade dominada por corrupção e abuso de poder. O ponto de partida surge quando ele descobre que antigos inimigos de guerra podem, na verdade, tornar-se aliados diante de um mal maior. A partir dessa premissa, o longa desenvolve um confronto moral entre honra, vingança e reconciliação, mantendo o foco na jornada do protagonista sem antecipar os acontecimentos finais.
No momento de seu lançamento, Rio Lobo recebeu uma reação crítica mista da imprensa americana. O The New York Times observou que o filme possuía “o charme tranquilo dos westerns tradicionais de Hawks”, mas também apontou que a narrativa parecia familiar demais em comparação com obras anteriores do diretor. Já o Los Angeles Times destacou a presença de John Wayne como elemento central de força dramática, elogiando sua autoridade em cena e sua capacidade de sustentar o tom clássico da produção. Ainda assim, parte da crítica considerou que o gênero western já não ocupava o mesmo espaço cultural dominante do passado.
A revista Variety descreveu o longa como “um western sólido, porém convencional”, ressaltando a competência técnica da direção e das sequências de ação, mas sem grandes inovações narrativas. O The New Yorker comentou que o filme parecia uma despedida melancólica de uma era do cinema americano, marcada por heróis estoicos e conflitos morais diretos. Mesmo sem entusiasmo unânime, muitos críticos reconheceram a elegância clássica da encenação de Hawks e o carisma duradouro de Wayne. O consenso geral foi de respeito moderado, vendo o filme mais como um epílogo do western tradicional do que como uma renovação do gênero.
No campo comercial, Rio Lobo apresentou desempenho modesto nas bilheterias. Produzido com orçamento estimado em cerca de US$ 6 milhões, o filme arrecadou valores considerados apenas satisfatórios para os padrões da época, especialmente diante da popularidade anterior das colaborações entre Hawks e Wayne. O western, naquele início dos anos 1970, enfrentava concorrência crescente de outros gêneros e mudanças no gosto do público. Ainda assim, o nome de John Wayne garantiu presença significativa nos cinemas e boa circulação internacional, assegurando retorno financeiro razoável e posterior exibição frequente na televisão.
Com o passar das décadas, Rio Lobo passou a ser visto como uma obra de encerramento simbólico do ciclo clássico do western hollywoodiano. Embora não figure entre os títulos mais celebrados de Hawks ou Wayne, o filme é valorizado por estudiosos como parte importante da transição entre o western tradicional e abordagens mais revisionistas que dominariam os anos seguintes. A relação entre antigos inimigos que se tornam aliados também ganhou leitura mais contemporânea, reforçando temas de reconciliação após a guerra. Hoje, o longa mantém respeito histórico e interesse entre admiradores do gênero.
Rio Lobo (Rio Lobo, Estados Unidos, 1970) Direção: Howard Hawks / Roteiro: Burton Wohl, Leigh Brackett e Larry Cohen / Elenco: John Wayne, Jorge Rivero, Jennifer O’Neill, Jack Elam, Christopher Mitchum, Victor French / Sinopse: Um ex-oficial da Guerra Civil investiga abusos cometidos em uma cidade dominada pela corrupção, unindo-se a antigos adversários para restaurar a justiça e a honra no Oeste americano.
Erick Steve.
