terça-feira, 17 de março de 2026

Indômita Disputa

Indômita Disputa
Dois desertores do exército americano, Pike (Martin Sheen) e Henry (Harvey Keitel), sangram o deserto americano com o objetivo de negociar peles e produtos para grupos indígenas selvagens. Durante sua viagem porém são emboscados por um guerreiro comanche, Búfalo Branco (Sam Waterson), que não apenas rouba todos os produtos como também fere mortalmente Henry. Como se não bastasse ele resolve seguir em frente com seus atos criminosos, decidindo atacar uma diligência espanhola logo a seguir, matando três condutores, saqueando sua carga e levando como refém uma linda jovem branca (Interpretada pela atriz britânica Caroline Langrishe). Começa assim a trama desse interessante western da década de 1970 onde tudo parece estar perfeitamente encaixado – o bom roteiro, as atuações comprometidas e uma direção segura que não deixa o filme cair no marasmo, mantendo sempre o interesse do espectador. É o que gosto de chamar de faroeste viril, todo passado no meio de uma paisagem árida e hostil, com enredo focado e forte, tudo somado com excelentes cenas de ação no meio do nada daquela terra de ninguém.

É de se elogiar a atuação de dois atores em cena. O primeiro é Martin Sheen. Sempre o achei extremamente subestimado e injustiçado por todos esses anos pois nunca assisti em minha vida uma performance preguiçosa de Sheen em cena. Ele sempre se entrega completamente ao seu papel. Aqui não é diferente. O ator dá uma vivacidade ao seu personagem Pike que chega a impressionar. Ele é um dos comerciantes de peles que sofre o ataque de um comanche e passa o restante do filme em seu encalço, numa obsessão de vingança, para recuperar suas peles e partir para um acerto de contas final por causa da morte de seu comparsa. 

Ao lado de Harvey Keitel (outro excelente ator) ele mantém o padrão de atuação do filme lá no alto. Outra atuação digna de nota é a do ator Sam Waterson que interpreta o comanche guerreiro Búfalo Branco. Impassível, praticamente sem dizer uma linha de diálogo sequer, ele passa toda a intensidade de seu papel apenas com o olhar fixo. É uma atuação física acima de tudo, que no final das contas causa grande impacto no espectador. No saldo final “Indômita Disputa” é certamente um western dos mais eficientes. Boa produção que merece ser redescoberta pelos fãs do gênero.

Indômita Disputa (Eagle's Wing, Estados Unidos,1979) Direção: Anthony Harvey / Roteiro: Michael Syson, John Briley / Elenco: Martin Sheen, Sam Waterston, Harvey Keitel, Caroline Langrishe / Sinopse: Após matar e roubar uma dupla de comerciantes de pele, um guerreiro Comanche começa a aterrorizar toda a região promovendo roubos e mortes. Numa dessas ações leva como refém uma linda jovem viajante de uma diligência. Agora terá que escapar de seus perseguidores brancos.

Pablo Aluísio.

Assim São os Fortes

Assim São os Fortes
Um dos aspectos mais curiosos da carreira do ator Clark Gable foi sua pouca aparição em filmes de Western. No auge do gênero, sendo um dos mais populares filões da época, era de se esperar que o galã Gable se utilizasse desse tipo de produção para manter sua popularidade em alta, mas isso não aconteceu. Para falar a verdade Gable sempre foi considerado uma ausente ilustre nos faroestes da época, sempre preferindo participar muito mais de filmes de aventura, romances e dramas urbanos. Talvez ele se sentisse deslocada no velho oeste, quem sabe, a verdade nunca saberemos ao certo. Uma exceção a essa regra é justamente esse bom western chamado "Assim São os Fortes" que fez um belo sucesso na época - o que infelizmente não pareceu ter empolgado o ator a estrelar mais filmes como esse. O filme foi considerado até mesmo ousado para a época, pois mostrava um romance entre um branco (Flint Mitchell, personagem de Gable no filme) e uma indígena! O roteiro é uma adaptação do livro vencedor do Pulitzer, "Across the Wide Missouri" de autoria do aclamado escritor Bernard DeVoto.  Esse é um clássico do mundo da literatura dos Estados Unidos. Uma obra prima.

A história se passa na década de 1830. Flint Mitchell (Gable) é um caçador e desbravador que sai em busca de caças e metais preciosos nas montanhas distantes e desabitadas de Montana e Idaho. As terras são ricas em recursos naturais e logo chamariam a atenção de outros homens brancos gananciosos. Mitchell, por sua vez, deseja apenas levar uma vida bucólica, tirando o necessário da natureza para sua sobrevivência. Em sua expedição acaba conhecendo a tribo dos índios Blackffoot e se apaixona por uma das mulheres da comunidade. Clark Gable se esforça bastante para dar uma certa veracidade ao seu papel. Ao invés de surgir como um galã de cabelo penteado, cheio de brilhantina, ele tenta capturar o estilo de vida desses pioneiros das montanhas. O figurino é o mais adequado, além do modo mais rude de ser. 

 O resultado é muito bom e o filme foi de certa forma subestimado pois não chamou qualquer atenção da Academia (revelando um certo preconceito contra o gênero western em suas premiações). O que mais se destaca na produção é sua linda fotografia. “Assim São os Fortes” foi todo filmado em locações do Colorado, em maravilhosas reservas florestais e se torna logo um colírio para os amantes da natureza. Seu roteiro foca mais nas diferenças de costumes entre brancos e índios e não há tantas cenas de ação ou tiroteios como se vê em outras produções de western da época. Mesmo assim tem um final eletrizante que empolga o espectador. Fica assim a dica desse "Assim São os Fortes" um dos poucos filmes de faroeste estrelados pelo grande ídolo Clark Gable.

Assim São os Fortes (Acroos The Wide Missouri, Estados Unidos, 1951) Direção: William A. Wellman / Roteiro: Talbot Jennings baseado no livro de Bernard DeVoto / Elenco: Clark Gable, Ricardo Montalban, John Hodiak / Sinopse: A estória se passa na década de 1830. Flint Mitchell (Gable) é um caçador e desbravador que sai em busca de caças e metais preciosos nas montanhas distantes e desabitadas de Montana e Idaho. As terras ricas logo chamariam a atenção de outros homens brancos, mas Mitchell deseja apenas levar uma vida bucólica, tirando o necessário da natureza para sua sobrevivência. Em sua expedição acaba conhecendo a tribo dos índios da tribo Blackffoot e se apaixona por uma das mulheres da comunidade.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Como Conquistar as Mulheres

Título no Brasil: Como Conquistar as Mulheres
Título Original: Alfie
Ano de Lançamento: 1966
País: Reino Unido
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Lewis Gilbert
Roteiro: Bill Naughton, Lewis Gilbert
Elenco: Michael Caine, Shelley Winters, Millicent Martin, Julia Foster, Jane Asher, Shirley Anne Field

Sinopse:
O filme acompanha Alfie Elkins, um motorista de limusine em Londres que vive uma vida despreocupada e dedicada a conquistas amorosas. Charmoso e confiante, Alfie se envolve com diversas mulheres sem se comprometer emocionalmente, sempre acreditando que pode controlar as consequências de suas atitudes. Ao longo da história, ele frequentemente quebra a chamada “quarta parede”, conversando diretamente com o público sobre suas ideias a respeito de amor, sexo e relacionamentos. No entanto, suas atitudes egoístas começam a trazer consequências cada vez mais graves para as mulheres que passam por sua vida. Entre romances passageiros, situações moralmente complexas e momentos de reflexão, Alfie acaba sendo forçado a confrontar o vazio de sua própria existência e a questionar o estilo de vida que sempre defendeu.

Comentários:
Quando foi lançado em 1966, Alfie recebeu grande aclamação da crítica e se destacou como uma das produções mais marcantes do cinema britânico da década. O jornal The New York Times elogiou a performance carismática e provocativa de Michael Caine, afirmando que o ator ofereceu um retrato complexo de um personagem moralmente ambíguo. A revista Time também destacou o tom moderno do filme e sua abordagem direta sobre sexualidade e responsabilidade emocional, algo relativamente ousado para o período. O filme foi indicado a vários prêmios importantes, incluindo cinco indicações ao Oscar, entre elas Melhor Filme e Melhor Ator para Michael Caine. Comercialmente, o longa também foi bem-sucedido e ajudou a consolidar Caine como uma estrela internacional. Com o passar das décadas, Alfie passou a ser considerado um clássico do cinema britânico dos anos 1960, frequentemente lembrado por seu estilo narrativo inovador e por seu retrato crítico da cultura masculina da época. Hoje o filme é visto como uma obra importante dentro do movimento conhecido como Swinging London, além de permanecer relevante por sua reflexão sobre responsabilidade, relações humanas e maturidade emocional.

Pablo Aluísio. 

Garota da Vida

Título no Brasil: Garota da Vida
Título Original: Single Room Furnished
Ano de Lançamento: 1966
País: Estados Unidos
Estúdio: A.C. Lyles Productions
Direção: Matt Cimber
Roteiro: Matt Cimber, John F. Hayes
Elenco: Jayne Mansfield, Dorothy Keller, Walter Winchell, Michael Rennie, Martha Hyer, Will Kuluva

Sinopse:
O filme apresenta a história de uma jovem mulher que chega a Nova York cheia de sonhos de sucesso e felicidade. No entanto, ao tentar sobreviver na grande cidade, ela acaba enfrentando uma série de dificuldades e decepções que a levam gradualmente para um mundo de exploração e marginalidade. A narrativa acompanha diferentes fases da vida da protagonista, mostrando como suas escolhas e circunstâncias acabam empurrando-a para a prostituição e para relações abusivas. Ao longo da trama, o filme aborda temas como solidão urbana, exploração feminina e a dura realidade enfrentada por muitas mulheres que chegam às grandes cidades em busca de oportunidades. O tom da obra mistura melodrama e crítica social, refletindo também o clima de mudanças culturais da década de 1960.

Comentários:
Na época de seu lançamento, Single Room Furnished chamou atenção principalmente por ser um dos últimos filmes estrelados por Jayne Mansfield, uma das figuras mais famosas do cinema e da cultura pop da década de 1950 e início dos anos 1960. Alguns críticos destacaram o tom mais sombrio e dramático da produção, bastante diferente dos papéis mais leves e cômicos pelos quais Mansfield era conhecida. O jornal Los Angeles Times observou que o filme buscava abordar questões sociais relacionadas à exploração de mulheres nas grandes cidades, embora a execução tenha recebido avaliações mistas. Do ponto de vista comercial, o filme teve distribuição limitada e não alcançou grande sucesso de bilheteria. Com o passar do tempo, porém, passou a despertar interesse entre historiadores do cinema e admiradores da carreira de Jayne Mansfield, especialmente por representar uma fase final e mais dramática de sua trajetória artística. Hoje o filme é visto como uma curiosidade dentro do cinema independente americano dos anos 1960 e também como um registro tardio da presença carismática de Mansfield no cinema. 

Pablo Aluísio. 

domingo, 15 de março de 2026

Imperador Romano Galério

Imperador Romano Galério
Galério, cujo nome completo era Gaius Galerius Valerius Maximianus, foi um imperador romano que governou no final do século III e início do século IV, durante um período de profundas transformações políticas no Império Romano. Ele nasceu por volta do ano 250 d.C. na região da Dácia Ripense, provavelmente perto da atual Sérvia ou Bulgária. Sua origem era humilde: sua mãe, Romula, era uma camponesa de origem trácia ou dácica, e Galério teria passado parte de sua juventude trabalhando como pastor. Apesar dessa origem simples, ele ingressou no exército romano, onde demonstrou grande habilidade militar e disciplina, qualidades que lhe permitiram ascender rapidamente nas fileiras militares. Durante o reinado do imperador Diocleciano, Galério destacou-se em campanhas militares contra povos bárbaros e inimigos do império. Reconhecendo seu talento e lealdade, Diocleciano decidiu integrá-lo ao sistema político conhecido como Tetrarquia, criado para administrar melhor o vasto território romano.

No ano 293 d.C., Galério foi nomeado César, ou seja, imperador subordinado, sob a autoridade de Diocleciano, que era o Augusto do Oriente. Como parte dessa promoção política, Galério casou-se com Valéria, filha de Diocleciano, fortalecendo sua posição dentro da estrutura imperial. Durante esse período, ele desempenhou um papel fundamental nas campanhas militares contra o Império Sassânida da Pérsia. Inicialmente sofreu derrotas, mas posteriormente conseguiu uma importante vitória contra o rei persa Narses, por volta de 298 d.C. Essa vitória consolidou o domínio romano sobre territórios na Mesopotâmia e fortaleceu o prestígio de Galério dentro do império. Seu sucesso militar foi comemorado com monumentos e obras arquitetônicas, como o famoso Arco de Galério, construído em Tessalônica, na atual Grécia. Essas vitórias ajudaram a consolidar a autoridade romana no Oriente e demonstraram a importância estratégica de Galério dentro da Tetrarquia.

Em 305 d.C., ocorreu um evento raro na história romana: Diocleciano e Maximiano, os dois imperadores principais, abdicararam voluntariamente do poder. Com isso, Galério foi elevado ao título de Augusto, tornando-se um dos principais governantes do império. Nesse novo arranjo político, ele passou a exercer grande influência sobre a política imperial, especialmente nas regiões orientais. Galério também foi responsável pela escolha de novos Césares, incluindo Severo II e Maximino Daia, tentando manter o equilíbrio do sistema tetrárquico. No entanto, após a abdicação de Diocleciano, o sistema começou a enfrentar tensões internas e disputas pelo poder. A ascensão de Constantino, filho de Constâncio Cloro, e de Maxêncio, filho de Maximiano, provocou conflitos que enfraqueceram o modelo político criado por Diocleciano. Assim, o período em que Galério governou foi marcado por instabilidade política e rivalidades entre diferentes pretendentes ao trono imperial.

Galério também ficou conhecido por seu papel na chamada Grande Perseguição aos Cristãos, que começou em 303 d.C. durante o reinado de Diocleciano. Muitos historiadores acreditam que Galério foi um dos principais defensores dessa política repressiva contra os cristãos, que incluía destruição de igrejas, queima de textos sagrados e prisões de líderes religiosos. A perseguição tinha como objetivo restaurar as tradições religiosas romanas e reforçar a unidade do império através do culto aos deuses tradicionais. Entretanto, ao final de sua vida, Galério mudou de posição em relação aos cristãos. Em 311 d.C., gravemente doente, ele promulgou um Édito de Tolerância, que encerrou oficialmente as perseguições e permitiu que os cristãos praticassem sua religião desde que rezassem pelo bem do império. Esse decreto representou um importante passo em direção à posterior legalização do cristianismo no Império Romano, que ocorreria poucos anos depois com o Édito de Milão, promulgado por Constantino.

Galério morreu no ano 311 d.C., provavelmente vítima de uma doença grave, descrita por alguns autores antigos como extremamente dolorosa e debilitante. Ele faleceu em sua residência imperial na região dos Bálcãs, deixando um império politicamente dividido e um sistema de governo que começava a ruir. Apesar das dificuldades de seu governo, Galério desempenhou um papel importante na transição entre o período da Tetrarquia e as disputas que levariam à ascensão de Constantino, o Grande, como único imperador. Sua carreira é frequentemente lembrada por suas campanhas militares bem-sucedidas, por sua influência política dentro da Tetrarquia e também por sua relação complexa com o cristianismo. Além disso, vários monumentos associados ao seu reinado ainda existem, como as ruínas do complexo palaciano de Felix Romuliana, na atual Sérvia, que foi construído em homenagem à sua mãe. Esses vestígios arqueológicos ajudam a compreender melhor a importância histórica de Galério dentro do contexto do Império Romano tardio.

Ricardo Coração de Leão

Ricardo Coração de Leão
Ricardo I da Inglaterra, mais conhecido como Ricardo Coração de Leão, foi um dos mais famosos reis da Idade Média e uma das figuras mais marcantes das Cruzadas. Ele nasceu em 8 de setembro de 1157, provavelmente no Palácio de Beaumont, na cidade de Oxford, na Inglaterra. Ricardo era filho do rei Henrique II da Inglaterra e de Leonor da Aquitânia, uma das mulheres mais influentes e poderosas da Europa medieval. Desde jovem, ele foi educado dentro da cultura cavaleiresca e aristocrática de seu tempo, recebendo treinamento militar e formação literária. Ricardo demonstrava grande talento como líder militar e também possuía habilidades como poeta e trovador, algo comum entre nobres da época. Apesar de ser rei da Inglaterra, ele passou grande parte de sua vida no território francês, especialmente na Aquitânia, herdada de sua mãe. Ali ele adquiriu experiência política e militar ao lidar com rebeliões de nobres locais. Essa vivência ajudou a moldar sua reputação como um guerreiro habilidoso e um comandante respeitado.

Durante sua juventude, Ricardo envolveu-se em conflitos familiares contra o próprio pai, Henrique II. No complexo cenário político da dinastia Plantageneta, os filhos frequentemente disputavam poder e territórios. Incentivado em parte por sua mãe, Leonor da Aquitânia, Ricardo participou de revoltas contra o rei ao lado de seus irmãos. Essas disputas revelavam as tensões internas da poderosa família que governava vastos territórios na Inglaterra e na França. Após a morte de seus irmãos mais velhos, Ricardo tornou-se o principal herdeiro do trono inglês. Em 1189, após a morte de Henrique II, Ricardo foi coroado rei da Inglaterra, tornando-se Ricardo I. Seu reinado começou em um momento de grande fervor religioso na Europa, quando o mundo cristão estava mobilizado para recuperar Jerusalém, que havia sido conquistada por forças muçulmanas lideradas pelo sultão Saladino. Assim, desde o início de seu reinado, Ricardo concentrou grande parte de seus esforços na organização de uma nova expedição militar conhecida como Terceira Cruzada.

A Terceira Cruzada, iniciada em 1189, foi um dos episódios mais importantes da vida de Ricardo Coração de Leão. Ele liderou um grande exército rumo ao Oriente Médio ao lado de outros monarcas europeus, como o rei Filipe II da França e o imperador Frederico Barbarossa do Sacro Império Romano-Germânico. Durante a campanha, Ricardo destacou-se por sua habilidade militar, conquistando importantes vitórias contra as forças de Saladino. Um dos episódios mais conhecidos foi a Batalha de Arsuf, em 1191, na qual Ricardo derrotou o exército muçulmano e consolidou sua reputação como um dos maiores comandantes militares de sua época. Apesar dessas vitórias, ele não conseguiu retomar Jerusalém para os cristãos. Mesmo assim, Ricardo negociou um acordo com Saladino que permitia o acesso de peregrinos cristãos à cidade sagrada. A rivalidade entre Ricardo e Saladino tornou-se lendária na história medieval, frequentemente retratada como um confronto entre dois grandes líderes respeitados por seus inimigos.

Após o fim da cruzada, Ricardo iniciou sua viagem de retorno à Europa em 1192, mas acabou enfrentando grandes dificuldades. Durante a jornada, ele foi capturado na Áustria por ordem do duque Leopoldo V, que tinha rivalidades políticas com o rei inglês. Ricardo foi então entregue ao imperador Henrique VI do Sacro Império Romano-Germânico e mantido prisioneiro. Para garantir sua libertação, foi exigido um enorme resgate, equivalente a uma quantia gigantesca para a época. Na Inglaterra, sua mãe Leonor da Aquitânia liderou os esforços para arrecadar o dinheiro necessário, cobrando impostos e contribuições da nobreza e da população. Após cerca de dois anos em cativeiro, Ricardo foi finalmente libertado em 1194. Ao retornar à Inglaterra, ele passou pouco tempo no país, preferindo voltar à França para defender seus territórios contra o rei Filipe II, com quem estava em conflito.

Ricardo Coração de Leão morreu em 6 de abril de 1199, após ser ferido por uma flecha durante o cerco ao castelo de Châlus-Chabrol, no sudoeste da França. A ferida infeccionou e acabou causando sua morte poucos dias depois. Apesar de ter governado a Inglaterra por cerca de dez anos, ele passou apenas uma pequena parte desse período no território inglês, dedicando a maior parte de sua vida a campanhas militares e disputas territoriais na Europa continental. Mesmo assim, sua figura tornou-se lendária na tradição histórica e literária. Ricardo foi lembrado como um exemplo idealizado de cavaleiro medieval: corajoso, habilidoso na guerra e profundamente envolvido nas Cruzadas. Sua reputação foi reforçada por crônicas medievais, lendas populares e obras literárias posteriores, incluindo histórias associadas ao personagem Robin Hood. Ao longo dos séculos, Ricardo Coração de Leão tornou-se um símbolo do espírito guerreiro da Idade Média e uma das figuras mais famosas da história da monarquia inglesa.

sábado, 14 de março de 2026

The Beatles - Let It Be

The Beatles - Let It Be
Embora tenha sido lançado depois de Abbey Road, grande parte das gravações de “Let It Be” foi realizada em janeiro de 1969, durante as famosas sessões do projeto originalmente chamado Get Back. O álbum surgiu em meio a tensões internas entre os integrantes John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, quando o grupo já enfrentava dificuldades criativas e pessoais. A ideia inicial era voltar a um som mais simples e direto, sem as complexas produções de estúdio que haviam caracterizado álbuns como Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band. O projeto também foi acompanhado por um documentário cinematográfico dirigido por Michael Lindsay-Hogg, que registrou os bastidores das gravações e o famoso concerto realizado no telhado da sede da Apple Corps em Londres. Posteriormente, as gravações foram entregues ao produtor Phil Spector, que adicionou arranjos orquestrais e corais a algumas faixas. O resultado foi um álbum que mistura momentos intimistas com produções mais grandiosas. Apesar das controvérsias em torno de sua produção, o disco contém algumas das canções mais conhecidas da banda. Entre elas estão “Let It Be”, “The Long and Winding Road” e “Across the Universe”. Dessa forma, o álbum acabou se tornando um documento histórico do fim dos Beatles.

A recepção crítica inicial ao álbum foi variada, refletindo tanto a qualidade das músicas quanto as circunstâncias turbulentas de sua produção. A revista Rolling Stone publicou uma análise em que reconhecia o valor das composições, mas observava que o álbum parecia menos coeso do que trabalhos anteriores da banda. Um crítico da revista comentou que o disco possuía “momentos de grande beleza musical, mas também a sensação de um grupo chegando ao fim de sua jornada”. Já a revista Billboard destacou o enorme potencial comercial do álbum e elogiou a força da faixa-título, afirmando que ela tinha “todas as características de um clássico imediato”. O jornal musical britânico NME também analisou o lançamento e afirmou que, apesar das dificuldades internas da banda, os Beatles ainda eram capazes de produzir músicas memoráveis. Algumas críticas ressaltaram a qualidade das interpretações vocais de Paul McCartney. Outras destacaram a energia crua de músicas como “Get Back”. Muitos críticos perceberam que o álbum possuía um tom de despedida. A mistura entre gravações espontâneas e produções mais elaboradas também chamou atenção. Mesmo com algumas reservas, a maioria das publicações reconheceu a importância histórica do disco.

Grandes jornais também analisaram o álbum e refletiram sobre o significado de seu lançamento no contexto da separação da banda. O The New York Times escreveu que o disco mostrava “uma banda extraordinária ainda capaz de produzir música de grande força emocional, mesmo em meio ao colapso interno”. O Los Angeles Times observou que as canções do álbum mantinham a qualidade melódica que havia definido o sucesso dos Beatles ao longo da década de 1960. Um crítico do jornal destacou que “Let It Be” era uma balada poderosa e espiritual que poderia se tornar uma das músicas mais duradouras do grupo. A revista The New Yorker também comentou o impacto cultural do álbum, observando que o fim dos Beatles representava o encerramento de uma era na música popular. Muitos jornalistas viram o disco como uma espécie de epílogo para a carreira da banda. Alguns críticos discutiram as diferenças entre a produção original pretendida e a versão final produzida por Phil Spector. Apesar dessas discussões, os jornais reconheceram a qualidade das composições. O tom geral das críticas refletia admiração pela obra da banda e também nostalgia. Assim, o álbum foi visto como um capítulo final importante na história dos Beatles.

Comercialmente, “Let It Be” foi um enorme sucesso em todo o mundo. O álbum alcançou o primeiro lugar na parada da Billboard nos Estados Unidos e também liderou as paradas no Reino Unido e em vários outros países. O disco vendeu milhões de cópias em seu lançamento inicial e continua sendo um dos álbuns mais vendidos da história da banda. O single “Let It Be” tornou-se um grande sucesso internacional e rapidamente entrou para o repertório clássico da música popular. Outra faixa, “The Long and Winding Road”, também alcançou o primeiro lugar nas paradas americanas. O álbum permaneceu por várias semanas entre os mais vendidos, refletindo o enorme interesse do público pelo trabalho final dos Beatles. Além das vendas do disco, o documentário Let It Be também atraiu grande atenção. O impacto comercial do álbum demonstrou que, mesmo no momento de sua dissolução, a banda ainda possuía uma influência gigantesca no mercado musical. A força das canções garantiu ao disco uma presença duradoura nas rádios e nas listas de vendas. Dessa forma, “Let It Be” tornou-se mais um enorme sucesso comercial para os Beatles.

Com o passar das décadas, “Let It Be” passou a ser reavaliado por críticos e historiadores da música, que muitas vezes destacam seu valor artístico e histórico. Embora por muitos anos tenha sido considerado um álbum irregular em comparação com obras como Revolver ou Rubber Soul, hoje ele é frequentemente visto como um retrato honesto do momento final da banda. A faixa-título tornou-se uma das músicas mais icônicas da carreira dos Beatles e continua sendo amplamente tocada e reinterpretada por artistas de todo o mundo. Fãs também valorizam o álbum por sua atmosfera mais espontânea e direta. Em 2003, uma nova versão chamada Let It Be... Naked foi lançada, removendo muitos dos arranjos adicionados por Phil Spector e aproximando o som da ideia original do projeto. Essa reavaliação ajudou a renovar o interesse pelo álbum. Hoje, “Let It Be” é visto como uma peça essencial na compreensão da trajetória dos Beatles. Ele representa ao mesmo tempo um fim e um legado duradouro. Décadas após seu lançamento, continua sendo ouvido, estudado e celebrado por fãs e especialistas. Assim, o álbum permanece como um dos capítulos mais emocionantes da história da música popular.

The Beatles - Let It Be (1970)
Two of Us
Dig a Pony
Across the Universe
I Me Mine
Dig It
Let It Be
Maggie Mae
I've Got a Feeling
One After 909
The Long and Winding Road
For You Blue
Get Back

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

Elvis Presley - Elvis in Concert (1977)

Elvis Presley - Elvis in Concert (1977)
O especial televisivo Elvis Presley in Concert foi exibido originalmente em 3 de outubro de 1977 pela rede americana CBS, pouco tempo após a morte de Elvis Presley, ocorrida em agosto daquele mesmo ano. Dirigido por Dwight Hemion e produzido como um especial musical de televisão, o programa reúne imagens de dois shows realizados durante a última turnê de Elvis, registrados nas cidades de Omaha, Nebraska, em 19 de junho de 1977, e Rapid City, Dakota do Sul, em 21 de junho do mesmo ano. O espetáculo apresenta o cantor interpretando vários de seus sucessos diante de grandes plateias, acompanhado por sua tradicional banda, orquestra e grupo vocal de apoio. Entre as músicas apresentadas estão clássicos como “Love Me”, “My Way”, “Are You Lonesome Tonight?” e “Can't Help Falling in Love”. O especial também inclui momentos de bastidores e depoimentos de fãs que acompanhavam o artista em suas últimas apresentações. A proposta era registrar Elvis ainda em atividade nos palcos, preservando para a televisão um retrato final do artista em concerto. No entanto, após a morte do cantor, o programa acabou ganhando um tom de despedida emocional. Assim, o especial passou a ser visto como um documento histórico das últimas performances públicas do chamado “Rei do Rock”.

Quando foi transmitido pela primeira vez, Elvis in Concert recebeu uma reação crítica bastante dividida e muitas vezes negativa da imprensa americana. Muitos jornalistas culturais elogiaram o valor histórico do registro, mas criticaram o estado físico e vocal do cantor durante aquelas apresentações. O jornal The New York Times comentou que o programa era “mais comovente como documento histórico do que como espetáculo musical”, destacando a importância emocional das imagens, mas observando sinais evidentes de desgaste na performance de Elvis. Já o Los Angeles Times afirmou que o especial mostrava um artista que ainda possuía carisma e presença de palco, porém claramente distante do auge de sua carreira. Alguns críticos observaram que o público presente nos shows reagia com entusiasmo, demonstrando o forte vínculo emocional entre Elvis e seus fãs. A revista Variety descreveu o programa como “um tributo melancólico a uma lenda da música popular americana”. Muitos comentaristas reconheceram que a transmissão foi profundamente impactada pelo contexto da morte recente do cantor. Assim, a avaliação crítica inicial misturava respeito pela importância histórica de Elvis com tristeza ao ver seu estado naqueles últimos concertos. O resultado foi uma recepção crítica marcada por sentimentos de nostalgia e melancolia.

Outras publicações também analisaram o especial sob essa perspectiva de documento histórico. A revista Rolling Stone comentou que o programa era difícil de assistir sem levar em conta o trágico contexto da morte de Elvis poucas semanas antes da exibição. Alguns críticos argumentaram que o especial deveria ser visto menos como um espetáculo musical e mais como um registro do fim de uma era na cultura popular americana. Houve também discussões sobre a decisão da CBS de transmitir o programa sem grandes alterações após o falecimento do artista. Certos jornalistas sugeriram que o especial revelava de forma crua o desgaste físico que Elvis enfrentava em seus últimos meses. Apesar dessas críticas, muitos reconheceram que momentos específicos das apresentações ainda demonstravam a potência interpretativa do cantor, especialmente em músicas emocionais como “My Way”. O programa não foi produzido com foco em premiações e, portanto, não recebeu indicações relevantes em grandes eventos como o Emmy naquele período. Mesmo assim, o impacto cultural da transmissão foi significativo. Para muitos espectadores, o especial representou um último contato televisivo com uma das maiores figuras da música do século XX. Dessa forma, o programa acabou sendo lembrado mais por seu valor histórico do que por méritos puramente artísticos.

Do ponto de vista de audiência, entretanto, Elvis in Concert foi um enorme sucesso para a televisão americana. A transmissão pela CBS alcançou índices de audiência extremamente altos, atraindo milhões de telespectadores que ainda estavam profundamente impactados pela morte do cantor. O interesse do público era enorme, já que se tratava do último registro profissional de Elvis se apresentando ao vivo. A rede CBS promoveu o especial como um grande evento televisivo, enfatizando o caráter histórico da gravação. Muitos fãs assistiram ao programa como uma forma de prestar homenagem ao artista que havia marcado gerações. A forte resposta da audiência demonstrou o tamanho da popularidade de Elvis mesmo após sua morte. O especial também gerou grande repercussão na imprensa e nas emissoras de televisão nos dias seguintes à transmissão. Embora algumas críticas tenham sido duras, o público em geral reagiu com emoção e nostalgia ao ver o ídolo novamente no palco. O programa acabou se tornando um dos especiais musicais mais comentados da época. Assim, comercialmente e em termos de audiência televisiva, a exibição foi considerada um grande sucesso.

Com o passar das décadas, Elvis in Concert passou a ser analisado sob uma perspectiva mais histórica e documental. Muitos fãs e estudiosos da carreira de Elvis veem o especial como um retrato honesto, ainda que doloroso, dos últimos dias de um artista lendário. Ao mesmo tempo, o programa também se tornou objeto de controvérsia entre admiradores do cantor. Alguns consideram que ele mostra Elvis em um momento muito frágil de sua vida, enquanto outros acreditam que o registro possui grande valor emocional e histórico. Durante muitos anos, a família Presley e a empresa que administra o legado do cantor evitaram relançar oficialmente o especial em vídeo ou DVD. Essa decisão foi tomada justamente para preservar a imagem do artista em seus momentos mais gloriosos. Ainda assim, trechos do programa continuam circulando entre fãs e historiadores da música popular. Para muitos estudiosos da cultura americana, o especial representa um capítulo importante na narrativa final da carreira de Elvis. Hoje ele é visto menos como um espetáculo musical tradicional e mais como um documento histórico sobre o fim da trajetória de um ícone global. Dessa forma, seu valor reside principalmente em seu significado histórico e emocional.

Elvis Presley - Elvis in Concert (1977)
See See Rider
That´s All Right (mama)
Are You Lonesome Tonight
Teddy Bear - Don´t Be Cruel
You Gave Me a Mountaim
Jailhouse Rock
How Great Thou Art
I Really Don´t Want to Know
Hurt
Hound Dog
My Way
Can´t Help Falling in Love
I Got a Woman
Love Me
If You Love Me
It´s Now or Never
Tryn´to Get To You
Hawaiian Weeding Song
Fairytale
Little Sister
Early Morning Rain
What´d I Say
Johnny B. Goode
And I Love You So
America

Erick Steve. 

sexta-feira, 13 de março de 2026

The Doors

The Doors
Uma das melhores cinebiografias já feitas sobre um astro de Rock. Além de contar com o genial Oliver Stone na direção o filme traz a melhor interpretação de toda a carreira de Val Kilmer. É impressionante, só quem conhece e assistiu as cenas do verdadeiro Jim Morrison entende como Kilmer foi simplesmente perfeito em sua encarnação do King Lizard, o mais alucinado dos cantores que já pisou na face da terra. Sua entrega ao personagem é comovente e sendo muito sincero Kilmer deveria ter levado o Oscar por sua personificação. O filme só não é nota 10 no quesito atuação por causa de Meg Ryan. O problema principal é que ela continuou fazendo novamente o seu eterno papel de namoradinha da América, caracterização completamente inadequada de Pamela, a namorada de Jim. O que vemos em cena com Ryan é um personagem totalmente diferente da verdadeira namorada de Morrison.. Na vida real ela era uma mulher de sua época, que usava muitas drogas, praticava sexo livre e tinha problemas com sua família. No filme nada disso é mostrado e ela virou uma menininha boazinha. Oliver Stone com medo de ser processado pelos pais da Pamela real suavizou demais a figura. Assim até não culpo muito Oliver Stone. Um processo nos EUA é coisa séria. Quando o filme começou a ser rodado a família dela se reuniu com o estúdio e deixou claro que qualquer "afronta" à memória de sua filha resultaria em um pesado processo judicial. Com receio eles recuaram e Meg Ryan interpretou mais uma de suas inúmeras "garotas boazinhas". O interessante é que Morrison foi retratado com veracidade, mesmo sendo seu pai um militar linha dura da Marinha. A produção não teve problemas nesse aspecto com a família Morrison.

Ray Manzareck, o tecladista dos Doors, também criticou o filme em relação ao próprio Jim Morrison. Ele disse que sua caracterização no filme saiu muito soturna e fechada. Para Manzareck Jim também era uma pessoa bem humorada, divertida e alegre (quando estava sóbrio, é claro). Oliver Stone respondeu a crítica e disse que Manzareck estava apenas chateado pois ele é que gostaria de ter dirigido o filme (o músico também é formado em cinema pela UCLA). O roteiro não se preocupa em avançar além da morte de Jim. Como se sabe existe toda uma teoria da conspiração afirmando que ele não teria realmente morrido como alega a versão oficial. O problema é que Jim morreu em Paris e foi enterrado rapidamente. Em pouco tempo surgiram inúmeros boatos de que ele não teria morrido (pelo jeito não é apenas Elvis que não morreu). Mas analisando bem percebemos que é tudo uma grande bobagem. O cantor era um junkie extremo, usou em excesso todos os tipos de drogas imagináveis. Esse é o grande pecado da geração anos 60: em busca de total liberdade acabaram presos no mundo dos narcóticos e afins.. Jim Morrison realmente morreu no dia 3 de julho de 1971 - em Paris. Sua namorada Pamela morreu três anos depois, também por overdose de drogas. O filme não cita essa última informação. No saldo geral não há como não gostar de The Doors, mesmo com todos esses pequenos deslizes. É um excelente retrato de um dos mais carismáticos artistas da história do rock americano.

The Doors (The Doors, Estados Unidos, 1991) Direção: Oliver Stone / Roteiro: Randall Jahnson, Oliver Stone / Elenco: Val Kilmer, Meg Ryan, Kyle MacLachlan, Frank Whaley e Kevin Dillon / Sinopse: Durante a década de 1960 um grupo de amigos da faculdade resolvem formar uma banda de rock psicodélico. Inspirada na famosa obra sobre as portas da percepção resolvem denominar o novo grupo de "The Doors". Cineobiografia do cantor e compositor Jim Morrison (Val Kilmer), vocalista da banda que mudou a face do rock americano na segunda metade dos anos 60.

Pablo Aluísio.

Os últimos dias de Pamela Courson

Os últimos dias de Pamela Courson
Os últimos dias de vida de Pamela Courson foram marcados por solidão, instabilidade emocional e o peso de uma perda que jamais conseguiu superar. Pamela ficou conhecida por seu relacionamento intenso com Jim Morrison, vocalista da banda The Doors, e após a morte dele em 1971 sua vida entrou em um período de profunda turbulência. Morrison morreu em Paris, e Pamela foi considerada por muitos como sua viúva de fato, apesar de nunca terem se casado oficialmente. A ligação entre os dois era descrita como apaixonada, porém extremamente conflituosa, marcada por separações, reconciliações e excessos. Depois da morte do cantor, Pamela herdou parte significativa da fortuna dele, mas isso não trouxe estabilidade emocional. Ao contrário, ela mergulhou ainda mais em um estilo de vida autodestrutivo. Amigos próximos relatam que ela parecia incapaz de reconstruir a própria vida sem Morrison, vivendo constantemente à sombra da memória dele.

Após o funeral de Morrison, Pamela retornou aos Estados Unidos profundamente abalada. Durante algum tempo tentou manter uma aparência de normalidade, administrando a boutique de roupas que havia aberto em Los Angeles e tentando preservar o legado do cantor. No entanto, sua saúde emocional estava fragilizada. Ela já tinha histórico de uso de drogas durante os anos em que viveu com Morrison, mas esse consumo se intensificou muito depois de 1971. Pessoas próximas relatam que Pamela frequentemente alternava entre momentos de nostalgia e crises de tristeza profunda. Ela falava repetidamente sobre Jim e demonstrava uma espécie de sentimento de destino compartilhado com ele. Muitos amigos perceberam que ela vivia como se sua própria história estivesse incompleta sem o cantor. Esse estado emocional contribuiu para que Pamela se afastasse gradualmente de muitos conhecidos e passasse a conviver com círculos cada vez mais ligados ao consumo de drogas.

Nos anos seguintes à morte de Morrison, Pamela viveu entre períodos de tentativa de recuperação e recaídas. Ela chegou a viajar e tentou iniciar novos projetos pessoais, mas nada parecia durar muito tempo. A herança deixada por Morrison também se tornou fonte de disputas legais com a família do cantor, o que aumentou ainda mais seu nível de estresse. Embora fosse oficialmente herdeira da maior parte do patrimônio, processos judiciais prolongados criaram tensão constante. Amigos próximos afirmavam que Pamela parecia emocionalmente exausta com as batalhas legais e com a constante atenção da imprensa e de fãs. Ao mesmo tempo, ela continuava cercada por pessoas que faziam parte de uma cena noturna marcada por excessos. Essa combinação de instabilidade financeira momentânea, pressão pública e fragilidade psicológica agravou sua dependência química.

Nos últimos meses de sua vida, Pamela passou a viver de forma cada vez mais errática. Ela alternava períodos em que parecia tentar se reorganizar com outros em que desaparecia por dias ou semanas. Em 1974, ela estava vivendo novamente em Los Angeles, muitas vezes hospedada com amigos. Pessoas que estiveram com ela nesse período relataram que Pamela parecia cansada e emocionalmente desgastada, embora ainda falasse frequentemente sobre Morrison como se ele continuasse presente em sua vida. Havia também um certo sentimento de fatalismo em suas palavras. Alguns amigos disseram que ela acreditava que seu destino estava ligado ao dele de forma trágica. Essa visão romântica e sombria da própria história refletia muito da cultura e do ambiente artístico que cercava o casal durante o auge da fama de Morrison.

A vida de Pamela Courson terminou em 25 de abril de 1974, quando ela morreu em Los Angeles aos 27 anos, a mesma idade em que Morrison havia morrido três anos antes. A causa oficial foi uma overdose de heroína, registrada como intoxicação aguda por drogas. Sua morte chocou amigos e fãs, reforçando ainda mais o mito trágico que envolve a história do vocalista do The Doors. Muitos passaram a ver Pamela como uma figura inseparável da narrativa de Morrison, alguém cuja vida foi profundamente moldada pelo relacionamento com ele. Embora sua própria história seja frequentemente lembrada apenas em relação ao cantor, Pamela também simboliza o lado mais sombrio da cultura do rock dos anos 1960 e início dos anos 1970, marcada por excessos, fama repentina e tragédias pessoais. Sua morte precoce consolidou definitivamente sua imagem como uma personagem trágica ligada ao legado de Jim Morrison.

Erick Steve. 

quinta-feira, 12 de março de 2026

O Silêncio da Vingança

Título no Brasil: O Silêncio da Vingança
Título Original: Silent Night
Ano de Lançamento: 2023
País: Estados Unidos
Estúdio: Lionsgate
Direção: John Woo
Roteiro: Robert Archer Lynn
Elenco: Joel Kinnaman, Kid Cudi, Harold Torres, Catalina Sandino Moreno, Vinny O'Brien, Valeria Santaella

Sinopse:
Após a morte do filho, assassinado em uma troca de tiros entre criminosos, traficantes da região, um homem comum decide se vingar dos responsáveis por essa tragédia. Armado até os dentes, ganha as ruas da cidade violenta para acabar com todos os membros daquele perigoso cartel que cometeu aquele crime tão terrível. 

Comentários: 
Achei mais curioso do que realmente bom esse violento filme de ação. A proposta do diretor John Woo era fazer um filme de ação praticamente sem diálogos. Daí eu fiquei pensando durante o filme se era isso mesmo que eu queria assistir. Sempre fui um apaixonado por grandes atuações e essas, obviamente, precisam de um bom texto do roteiro, bons diálogos. Será que personagens praticamente mudos em cena compensam isso, por melhor que seja a ação apresentada no filme? No meu ponto de vista pessoal, absolutamente não! Eu quero ver filmes bem escritos, acima de tudo. Atores atuando e não apenas fazendo malabarismos em cenas de ação. E no fim, o pior de tudo, é entender que o Joel Kinnaman é um excelente ator que aqui ficou totalmente desperdiçado. E essa história, mesmo básica como se apresenta, poderia render algumas boas cenas dramáticas. Enfim, não gostei da proposta do filme, apesar de reconhecer que as cenas de ação são até muito boas. Só que isso, no final das contas, não basta para se fazer um bom filme. 

Pablo Aluísio. 

Prece Para um Condenado

Título no Brasil: Prece Para um Condenado
Título Original: A Prayer for the Dying
Ano de Lançamento: 1987
País: Reino Unido
Estúdio: Hemdale Film Corporation
Direção: Mike Hodges
Roteiro: Edmund Ward, Mike Hodges
Elenco: Mickey Rourke, Bob Hoskins, Alan Bates, Sammi Davis, Liam Neeson, Alison Doody

Sinopse:
O filme acompanha Martin Fallon, um ex-integrante do IRA que deseja abandonar a vida de violência e deixar para trás o passado como assassino. Após um atentado dar terrivelmente errado e causar a morte de crianças inocentes, Fallon passa a sentir um profundo peso na consciência e decide aceitar apenas mais uma missão antes de desaparecer definitivamente. No entanto, durante essa última tarefa, ele acaba sendo perseguido por um implacável policial que suspeita de suas atividades e tenta capturá-lo. Ao mesmo tempo, Fallon encontra redenção ao proteger uma jovem cega que se torna uma espécie de símbolo de esperança em meio ao caos de sua vida. O conflito entre culpa, fé e redenção conduz a narrativa até um desfecho dramático e inevitável.

Comentários:
Na época do lançamento, o filme recebeu críticas mistas, embora muitos elogios tenham sido direcionados às atuações. O jornal The New York Times destacou a intensidade da performance de Mickey Rourke, enquanto a revista Variety ressaltou o clima sombrio e a atmosfera moralmente complexa da história. Parte da crítica considerou que problemas de produção e montagem afetaram o resultado final, já que o diretor Mike Hodges teve divergências com o estúdio durante a finalização do filme. Em termos comerciais, Prece Para um Condenado teve desempenho modesto nas bilheterias, não alcançando grande sucesso junto ao público na época de seu lançamento. Ainda assim, ao longo dos anos o filme conquistou certo status de cult entre admiradores do cinema policial e dos thrillers políticos dos anos 1980. Hoje ele é lembrado principalmente pela atuação de Mickey Rourke em um dos períodos mais marcantes de sua carreira e pela presença de um elenco forte, além de ser visto como uma obra interessante dentro do cinema britânico que aborda temas de culpa, violência política e redenção.

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 11 de março de 2026

A Orgia da Morte

Título no Brasil: A Orgia da Morte
Título Original: The Masque of the Red Death
Ano de Lançamento: 1964
País: Reino Unido
Estúdio: American International Pictures
Direção: Roger Corman
Roteiro: Charles Beaumont, R. Wright Campbell
Elenco: Vincent Price, Hazel Court, Jane Asher, David Weston, Nigel Green, Patrick Magee

Sinopse:
Inspirado em um famoso conto de Edgar Allan Poe, o filme acompanha o cruel príncipe Prospero, um nobre decadente e seguidor do satanismo que governa seu território com mão de ferro enquanto uma terrível praga conhecida como “Morte Rubra” devasta a população. Convencido de que sua riqueza e poder podem protegê-lo da doença, Prospero se refugia em seu castelo com um grupo de aristocratas para uma série de festas extravagantes e decadentes. Enquanto os camponeses sofrem e morrem do lado de fora dos muros, o príncipe promove um baile mascarado repleto de excessos. No entanto, à medida que a celebração avança, acontecimentos estranhos começam a ocorrer dentro do castelo, sugerindo que ninguém pode escapar do destino ou da própria morte. A atmosfera sombria e simbólica conduz a história até um desfecho inevitável e profundamente macabro.

Comentários:
Quando foi lançado, o filme recebeu críticas bastante positivas, especialmente por sua estética visual e atmosfera gótica. A revista Time elogiou o uso expressivo das cores e a direção estilizada de Roger Corman, enquanto o jornal The New York Times destacou a performance teatral e hipnótica de Vincent Price no papel do príncipe Prospero. Muitos críticos também observaram que o filme elevou o padrão das adaptações cinematográficas das obras de Edgar Allan Poe produzidas pela American International Pictures durante os anos 1960. Embora não tenha sido um grande blockbuster, o filme teve bom desempenho comercial dentro do circuito de terror da época e rapidamente se tornou um dos títulos mais prestigiados da série de adaptações de Poe estreladas por Vincent Price. Com o passar do tempo, The Masque of the Red Death passou a ser considerado um dos melhores trabalhos de Roger Corman e um clássico do cinema gótico. Hoje o filme é amplamente admirado por sua direção artística sofisticada, seu simbolismo visual e sua reflexão sombria sobre poder, decadência e a inevitabilidade da morte, sendo frequentemente citado como uma das obras mais elegantes do terror da década de 1960.

Pablo Aluísio. 

Paul e Jane

Paul e Jane
O relacionamento entre Paul McCartney e Jane Asher foi um dos romances mais conhecidos da década de 1960, em grande parte por acontecer durante o auge da fama dos Beatles. Os dois se conheceram em 1963, quando Jane, então uma jovem atriz britânica em ascensão, entrevistou os Beatles para um programa da televisão britânica. Paul ficou imediatamente encantado com a inteligência, elegância e educação refinada de Jane, que vinha de uma família culta e bem estabelecida em Londres. Pouco tempo depois desse encontro, os dois começaram a namorar. Naquele momento, a Beatlemania estava explodindo no mundo inteiro, e o relacionamento rapidamente se tornou alvo da curiosidade da imprensa e dos fãs da banda.

Durante os primeiros anos do namoro, Paul passou longos períodos hospedado na casa da família de Jane, localizada na Wimpole Street, em Londres. Ali ele conviveu com um ambiente artístico e intelectual muito diferente da sua origem em Liverpool. A família Asher tinha fortes ligações com o meio cultural britânico: o pai de Jane era médico e a mãe era professora de música. Esse ambiente influenciou profundamente Paul, ampliando seus interesses artísticos e culturais. Foi nesse período que ele começou a explorar novas ideias musicais e a compor de maneira mais sofisticada. Muitas canções dos Beatles surgiram enquanto ele vivia nesse contexto, mostrando como aquele ambiente doméstico teve impacto direto em sua criatividade.

Jane também influenciou a vida social e artística de McCartney. Ela já era uma atriz reconhecida no teatro e na televisão britânica, e frequentemente levava Paul a eventos culturais, peças de teatro e exposições de arte. Essa convivência com o mundo cultural londrino ajudou a afastar McCartney da imagem puramente juvenil que marcava os primeiros anos da banda. O relacionamento parecia estável e duradouro, e os dois chegaram a ficar noivos em 1967. Na época, muitos acreditavam que o casamento aconteceria em breve. Entretanto, a rotina intensa de gravações, turnês internacionais e compromissos profissionais dos Beatles criava dificuldades para manter uma vida pessoal equilibrada.

Com o passar do tempo, o relacionamento começou a sofrer desgaste. A fama global de Paul trazia pressões constantes, incluindo rumores de traições e o interesse incessante da imprensa. Além disso, Jane também tinha uma carreira exigente, participando de produções teatrais e cinematográficas que frequentemente a mantinham longe de Londres. As ausências prolongadas e as agendas conflitantes começaram a gerar distanciamento entre os dois. Em 1968, Jane Asher decidiu encerrar o noivado depois de descobrir que Paul estava envolvido com outra mulher. A separação recebeu grande atenção da mídia britânica, pois o casal era considerado um dos mais glamorosos da época.

Apesar do fim do romance, o relacionamento entre Paul McCartney e Jane Asher deixou uma marca significativa na história cultural dos anos 1960. Durante o período em que estiveram juntos, McCartney compôs diversas canções inspiradas direta ou indiretamente na atriz, incluindo músicas que se tornaram clássicos dos Beatles. Jane, por sua vez, continuou sua carreira no teatro, no cinema e na literatura, consolidando uma trajetória respeitada no meio artístico britânico. O romance entre os dois é frequentemente lembrado como um símbolo da fase mais sofisticada e criativa da carreira de McCartney nos anos 1960, quando sua vida pessoal e sua evolução artística estavam profundamente interligadas.

terça-feira, 10 de março de 2026

Hollywood Boulevard - Gary Cooper - Parte 4

Em 1940 o ator Gary Cooper fez um dos seus grandes filmes, "Sargento York". Contava a história real de um sujeito que sempre viveu e morou no interior dos Estados Unidos. Um homem simples, de origem humilde, mas que tinha grandes valores pessoais. Quando a Primeira Guerra Mundial estourou no horizonte e os Estados Unidos entraram na guerra, ele entrou para o exército, se tornando um herói pois era um grande atirador, justamente o que o exército precisava nos lamacentos campos de batalha daquele conflito internacional. 

Era um bom filme, mas que acabou consagrado porque chegou aos cinemas exatamente naquele momento histórico em que os Estados Unidos entravam na Segunda Guerra Mundial após o ataque dos japoneses ao porto de Pearl Harbor. O patriotismo estava em alta! Cooper assim se viu muito elogiado, com um filme de grande sucesso nos cinemas. E tudo havia acontecido, em última análise, por um lance de sorte do destino. Era o filme certo no momento histórico exato! E assim Gary Cooper acabou vencendo o Oscar de melhor ator, embora o filme não tivesse vencido o prêmio máximo da academia, o de melhor filme do ano. 

Curiosamente a imprensa começou a pegar no pé do ator logo depois. Ora, se ele interpretava um herói de guerra nas telas estava na hora de mostrar heroísmo também na vida real. Não havia razão de ser nessa reclamação. Na época Cooper já estava com 40 anos de idade! Já tinha passado da idade de se alistar no exército americano. De qualquer maneira, embora não pudesse mais ser um combatente, ele resolveu entrar no esforço de guerra, como inúmeros outros artistas, atores e atrizes de Hollywood. 

Embarcou em uma campanha de apoio moral às tropas. Viajou por milhares de quilômetros no Pacífico para se apresentar para os militares, na maioria das vezes em palcos improvisados, a poucos metros da linha de frente. Cooper não fez isso por ter sido, de alguma forma, colocado contra a parede pela imprensa americana, mas sim porque acreditava muito na justa causa da guerra. Ele sempre havia sido um defensor dos valores da Democracia e estava consciente dos perigos que vinham do Eixo, formado por países fascistas e nazistas que lutavam contra as forças aliadas naquela guerra. Era o lado certo da história e Cooper queria mostrar seu ponto de vista, defender o que era justo e certo.

Pablo Aluísio. 

Unidos Pelo Próprio Sangue

Unidos Pelo Próprio Sangue
Revelado através das lentes do grande diretor John Sturges, o longa "Unidos Pelo Próprio Sangue" (Backlash,1956) conta o drama de Jim Slater (Richard Widmark), um pistoleiro errante que chega ao Vale do Gila - um local no meio do deserto repleto de ouro e vigiado de forma implacável pelos apaches - com o intuito de descobrir onde estaria enterrado seu pai que tempos atrás chegou ao local, com mais cinco parceiros, para resgatar 60 mil dólares em ouro. O grupo no entanto foi surpreendido e massacrado por vários apaches. Em sua busca, Slater acredita que um sexto homem sobreviveu ao massacre e fugiu com todo o ouro. A busca desse sexto homem vira uma obsessão para Slater que na companhia de uma misteriosa mulher de nome Karyl Orton (Donna Reed) passa por cidades como: Tucson, El Paso, Silver City, até finalmente chegar em Sierra Blanca onde o casal se vê no meio de uma guerra entre dois poderosos fazendeiros: Major Carson (Roy Roberts) e Jim Bonniwell (John McIntire).

Em Sierra Blanca, todos os segredos que atormentavam o pistoleiro se revelam e Slater encontra todas as respostas para as suas eternas dúvidas. Além disso, fica frente a frente com o seu maior inimigo, em um dos finais mais surpreendentes da história dos filmes de faroeste. Além de uma bela fotografia, vale destacar o excelente roteiro diferenciado e muito interessante, assinado por Borden Chase o mesmo roteirista que oito anos antes, assinara o roteiro de outra pérola do western: Rio Vermelho (1948), com os lendários John Wayne e Montgomery Clift.

Unidos Pelo Próprio Sangue / Punidos Pelo Próprio Sangue (Backlash, EUA, 1956) Direção: John Sturges / Roteiro: Borden Chase baseado no romance de  Frank Gruber / Elenco: Richard Widmark, Donna Reed, William Campbell / Sinopse: Pistoleiro errante chega em um distante vale em busca de respostas com o objetivo de descobrir o paradeiro do ouro que seu pai teria enterrado na região.

Telmo Vilela Jr.

segunda-feira, 9 de março de 2026

Hollywood Boulevard - Rock Hudson - Parte 19

Depois que terminou seu contrato com a Universal Pictures, Rock Hudson estava livre para fazer filmes em qualquer estúdio de Hollywood. Ele tinha um novo agente e pensava em mudar os rumos de sua carreira de ator. Uma boa oportunidade surgiu quando a Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) lhe ofereceu o papel de protagonista na aventura militar "Estação Polar Zebra". Era um filme bem interessante, com submarinos nucleares e a trama se passando no Ártico gelado. Rock leu o roteiro e gostou. Não demorou muito e assinou com a MGM para fazer o filme. 

Esse foi um bom ponto de virada em sua carreira profissional, como também pessoal. No set de filmagens Rock conheceu Tom Clark, diretor de publicidade e marketing da MGM. Clark era gay e não demorou muito a começar um relacionamento com Hudson. Esse foi o caso mais longo e duradouro de toda a vida de Rock, pois durou mais de 17 anos. Nunca antes o ator havia ficado tanto tempo com o mesmo companheiro. E quando Rock ficou doente de AIDS, muitos anos depois, foi Tom Clark que retornou para lhe dar apoio em seus últimos meses de vida. Sem dúvida foi o mais forte elo de ligação emocional que teve em toda a sua vida.

Nessa época Rock também decidiu comprar uma casa. Ele estava sem casa própria desde quando perdeu sua primeira residência para sua ex-esposa, durante o divórcio. Aquela separação quase o levou à ruína financeira. Depois disso Rock morou por longos anos em um veleiro que ele ancorava na praia de Malibu. Como havia sido da Marinha americana durante a segunda guerra, aquilo lhe soava familiar e ele fez do barco seu verdadeiro lar. Mas agora, já bem mais velho, achava que era hora de ter um porto seguro em terra. 

Rock comprou uma mansão em Los Angeles que havia pertencido ao embaixador espanhol nos Estados Unidos. A mansão parecia um castelo espanhol antigo. Por essa razão passou a ser chamado por todos de "O Castelo". Nessa mansão Rock iria começar uma série de reformas sem fim que iriam durar até o fim de sua vida. Mais do necessidade, aquilo passou a ser um hobbie para o ator, pois ele adorava essa coisa de construir e reformar antigas casas. No Castelo ele podia brincar como bem quisesse e foi o que fez. Em suas mãos a velha mansão ficaria ainda mais deslumbrante e lendária.

Pablo Aluísio. 

Hollywood Boulevard - James Stewart - Parte 1

James Stewart foi um dos melhores atores da era de ouro do cinema americano. Atuou em mais de 100 filmes e muitos deles são considerados grandes clássicos da história do cinema dos Estados Unidos. Com seu jeito interiorano, um pouco caipira e tímido, o ator acabou se tornando um dos preferidos de grandes cineastas da época. Além de talentoso era um profissional confiável, que não causava problemas, que atuava com dedicação e compromisso pessoal. Colecionar os filmes de James Stewart também é colecionar obras-primas da fase mais dourada de Hollywood. Nessa série de textos vou deixar dicas de seus principais filmes, alguns deles essenciais para qualquer cinéfilo que se preze.

Sua carreira começa em 1934 com um curta-metragem chamado "Art Trouble". É uma pequena participação do ator. Seu primeiro filme de verdade em Hollywood pode ser considerado "Entre a Honra e a Lei" (The Murder Man, 1935). É um filme policial com trama envolvendo assassinato no mundo dos negócios. Um empresário rico e influente é morto. Para tentar desvendar o caso um jornalista investigativo começa a reconstruir os últimos passos da vítima. Esse bom filme, com toques de cinema noir, não era estrelado por James Stewart, mas sim pelo excelente Spencer Tracy.

O próximo filme de Stewart foi um musical romântico chamado "Rose Marie" (Rose-Marie, 1936). Esse filme é interessante porque ao longo de sua carreira Stewart iria passear bem por todos os gêneros cinematográficos, mas musicais realmente não eram os seus favoritos. Tanto que esse filme, feito no comecinho de sua carreira, foi basicamente o único em que participou. Piegas e com excesso de romantismo exagerado, essa produção realmente não era das melhores.

Musicais realmente não eram indicados para atores que não sabiam cantar, mas filmes românticos poderiam ser uma boa opção para James Stewart em seu começo de carreira. Assim ele se deu muito bem em "Amemos Outra Vez" (Next Time We Love, 1936). Se atuar ao lado de grandes atores era um objetivo, aqui ele contracenou com um dos mais bem conceituados de Hollywood, Ray Milland. O filme contava a história de um jovem casal que tinha que se separar logo no começo do casamento. O marido era enviado para trabalhar como correspondente de guerra na Europa e a esposa ficava nos Estados Unidos onde começava a trilhar uma carreira de sucesso como estrela de teatro.

Pablo Aluísio.

domingo, 8 de março de 2026

Imperador Romano Cláudio II

Imperador Romano Cláudio II
Cláudio II, conhecido na história como Cláudio II Gótico, foi um imperador romano que governou o Império Romano entre os anos de 268 e 270 d.C., durante um dos períodos mais turbulentos da história romana, conhecido como a Crise do Século III. Seu nome completo era Marco Aurélio Valério Cláudio, e ele provavelmente nasceu por volta do ano 214 d.C., na região dos Bálcãs, possivelmente na atual Sérvia. Cláudio II ascendeu ao poder após a morte do imperador Galiano, que foi assassinado durante uma campanha militar contra rebeldes na cidade de Mediolano, atual Milão. Nesse contexto de instabilidade política e militar, o Império Romano enfrentava constantes invasões bárbaras, revoltas internas e graves dificuldades econômicas. Cláudio II destacou-se como um comandante militar experiente e respeitado entre as legiões romanas, o que facilitou sua aclamação como imperador pelos soldados. Seu reinado, embora relativamente curto, foi marcado por importantes vitórias militares que ajudaram a restaurar parcialmente a estabilidade do império. Ele ficou especialmente famoso por derrotar povos germânicos que ameaçavam as fronteiras romanas. Essas conquistas lhe renderam o título honorífico de “Gótico”. Apesar de governar por apenas cerca de dois anos, Cláudio II deixou uma marca significativa na história do Império Romano. Seu governo é frequentemente visto como uma etapa importante na recuperação militar de Roma durante o século III.

Quando Cláudio II assumiu o trono, o Império Romano enfrentava uma situação extremamente difícil, com ameaças externas constantes e divisões internas profundas. Durante a chamada Crise do Século III, várias regiões do império haviam se separado ou estavam sob controle de governantes locais que desafiavam a autoridade central de Roma. Um exemplo disso era o chamado Império das Gálias, um estado separatista que controlava territórios como a Gália, a Britânia e partes da Hispânia. Além disso, o Império Romano também enfrentava a pressão de diversos povos germânicos e de outros grupos bárbaros que atravessavam as fronteiras do Danúbio e do Reno em busca de terras e riquezas. Cláudio II teve que dedicar grande parte de seu governo à defesa militar dessas fronteiras. Seu principal objetivo foi restaurar a autoridade imperial e impedir que novas invasões enfraquecessem ainda mais o império. Ao mesmo tempo, ele precisou lidar com problemas econômicos, como a inflação e a desvalorização da moeda, que afetavam o comércio e a estabilidade financeira. Mesmo com tantos desafios, Cláudio II demonstrou grande habilidade militar e liderança. Ele conseguiu reorganizar as forças armadas romanas e enfrentar os inimigos externos com eficiência. Essas ações ajudaram a conter momentaneamente o processo de fragmentação do império.

A vitória mais famosa de Cláudio II ocorreu no ano de 269 d.C., quando ele derrotou uma grande invasão de povos godos na região dos Bálcãs. Esses grupos haviam atravessado o rio Danúbio e avançado para dentro do território romano, representando uma ameaça significativa às províncias orientais do império. A batalha decisiva ocorreu perto da cidade de Naísso, atual Niš, na Sérvia. Nessa batalha, o exército romano conseguiu infligir uma derrota devastadora aos invasores, causando enormes perdas entre os godos. Essa vitória foi considerada uma das maiores conquistas militares romanas do século III. Após esse triunfo, Cláudio II recebeu o título de “Gótico”, que passou a acompanhar seu nome na história. A vitória teve grande importância estratégica, pois ajudou a proteger as províncias balcânicas e a restaurar a confiança no poder militar romano. Além disso, ela enfraqueceu temporariamente a pressão dos povos germânicos sobre as fronteiras do império. Essa campanha militar consolidou a reputação de Cláudio II como um dos generais mais capazes de sua época. Muitos historiadores consideram que suas vitórias ajudaram a preparar o terreno para a recuperação do Império Romano nas décadas seguintes. Dessa forma, sua liderança militar foi fundamental para a sobrevivência do império em um período extremamente crítico.

Durante seu governo, Cláudio II também procurou restaurar a disciplina e a organização dentro do exército romano, que havia sido enfraquecido por anos de conflitos internos e mudanças rápidas de liderança. O exército desempenhava um papel central na política romana do século III, pois os imperadores frequentemente dependiam do apoio das legiões para manter o poder. Cláudio II era respeitado pelos soldados, pois havia servido durante muitos anos como comandante militar antes de se tornar imperador. Essa experiência permitiu que ele mantivesse a lealdade das tropas e conduzisse campanhas militares eficazes. Embora seu reinado tenha sido relativamente curto, ele conseguiu manter certa estabilidade política dentro do império. Há também algumas tradições e lendas históricas associadas ao seu governo, incluindo uma possível ligação com a história de São Valentim. Segundo algumas versões da tradição cristã medieval, Cláudio II teria proibido o casamento de jovens soldados, acreditando que homens solteiros seriam melhores guerreiros. No entanto, muitos historiadores consideram essa história mais lendária do que historicamente comprovada. Mesmo assim, ela contribuiu para associar o imperador a narrativas populares que se desenvolveram ao longo dos séculos. De qualquer forma, sua principal importância histórica está ligada às suas realizações militares.

O reinado de Cláudio II chegou ao fim em 270 d.C., quando o imperador morreu provavelmente em decorrência de uma epidemia que atingiu o exército romano, possivelmente a peste. Sua morte ocorreu pouco tempo após suas grandes vitórias militares, interrompendo um governo que muitos acreditavam ter potencial para trazer maior estabilidade ao império. Após sua morte, o trono foi ocupado por seu irmão Quintilo, embora por um período muito breve. Logo depois, o general Aureliano assumiria o poder e continuaria o processo de restauração da autoridade imperial iniciado durante o governo de Cláudio II. Apesar de seu curto reinado, Cláudio II foi lembrado de forma positiva por muitos historiadores romanos e posteriores. Ele foi visto como um imperador forte e competente que conseguiu defender o império em um momento de grande perigo. Suas vitórias militares ajudaram a conter as invasões bárbaras e fortalecer o moral das forças romanas. Ao longo da história, Cláudio II Gótico passou a ser considerado um dos imperadores mais importantes da fase final da Crise do Século III. Seu governo demonstrou que ainda era possível restaurar a força do Império Romano mesmo em meio a graves dificuldades. Por isso, sua figura permanece como um exemplo de liderança militar e resistência em um dos períodos mais desafiadores da história romana.

Pablo Aluísio.

Faraó Amenófis III

Faraó Amenófis III
Amenófis III foi um dos faraós mais poderosos e importantes do Egito Antigo, governando durante a XVIII dinastia do chamado Novo Império. Seu reinado ocorreu aproximadamente entre 1391 a.C. e 1353 a.C., período considerado por muitos historiadores como uma era de grande prosperidade, estabilidade política e esplendor cultural para o Egito. Ele era filho do faraó Tutemés IV e da rainha Mutemuia, assumindo o trono ainda jovem após a morte de seu pai. Desde o início de seu governo, Amenófis III demonstrou grande habilidade política e administrativa, mantendo o Egito em uma posição dominante no cenário internacional do Oriente Próximo. Durante seu reinado, o país desfrutou de relativa paz, o que permitiu ao faraó concentrar seus esforços em projetos de construção, arte e diplomacia. O Egito possuía vastos territórios e influência sobre várias regiões, incluindo partes da Núbia e do Levante. Amenófis III foi amplamente reconhecido como um governante divinizado, sendo frequentemente associado ao deus solar Amon-Rá. Seu reinado também marcou um momento de grande riqueza, obtida por meio de tributos pagos por reinos subordinados e aliados estrangeiros. Esse contexto favorável permitiu o florescimento das artes e da arquitetura egípcia. Por essas razões, Amenófis III é lembrado como um dos grandes faraós da história do Egito.

Durante o reinado de Amenófis III, a política externa egípcia baseou-se principalmente na diplomacia e na manutenção de alianças estratégicas com outros reinos importantes do Oriente Próximo. Diferentemente de alguns de seus predecessores, que se destacaram por campanhas militares expansivas, Amenófis III preferiu fortalecer relações diplomáticas por meio de tratados e casamentos políticos. Diversas cartas diplomáticas desse período foram preservadas nas chamadas Cartas de Amarna, um conjunto de documentos escritos em tabuletas de argila que registram a comunicação entre o faraó egípcio e governantes estrangeiros. Nessas correspondências, é possível observar as negociações entre o Egito e potências como o Império Mitani, a Babilônia e o reino dos hititas. Amenófis III também realizou vários casamentos diplomáticos com princesas estrangeiras, fortalecendo laços políticos e garantindo estabilidade nas relações internacionais. Além disso, sua principal esposa foi a rainha Tiy, uma mulher de grande influência política e prestígio dentro da corte egípcia. A rainha Tiy desempenhou papel importante nas decisões do governo e frequentemente aparece representada em monumentos ao lado do faraó. Essa política diplomática ajudou a preservar a hegemonia egípcia sem a necessidade de grandes guerras. Assim, o reinado de Amenófis III ficou marcado por um período de relativa paz e estabilidade política.

Um dos aspectos mais notáveis do reinado de Amenófis III foi a intensa atividade arquitetônica e artística que ocorreu durante seu governo. O faraó ordenou a construção de inúmeros templos, palácios e monumentos em diversas regiões do Egito, demonstrando o poder e a riqueza do império. Entre suas construções mais famosas está o enorme complexo de templos funerários localizado na região de Tebas, onde se encontram os famosos Colossos de Memnon, duas gigantescas estátuas de pedra que originalmente guardavam a entrada de seu templo mortuário. Essas estátuas tornaram-se um dos símbolos mais conhecidos do Egito Antigo. Amenófis III também realizou importantes ampliações em templos dedicados ao deus Amon, especialmente em Karnak e Luxor, dois dos principais centros religiosos do Egito. Durante seu reinado, a arte egípcia atingiu um nível elevado de refinamento e sofisticação, com esculturas detalhadas, relevos elaborados e joias de grande qualidade. O faraó incentivou artistas e artesãos, contribuindo para um período considerado um dos mais brilhantes da arte egípcia. Além disso, foram construídos luxuosos palácios reais, como o grande palácio de Malkata, localizado na região de Tebas. Esse palácio serviu como residência real e centro administrativo durante parte de seu reinado. Dessa forma, Amenófis III deixou um legado arquitetônico impressionante.

A religião desempenhou um papel fundamental durante o governo de Amenófis III, e o faraó reforçou sua própria imagem como uma figura divina associada aos deuses do Egito. Ele promoveu amplamente o culto ao deus Amon-Rá, que era a principal divindade do panteão egípcio naquele período. Ao mesmo tempo, Amenófis III começou a enfatizar cada vez mais a associação entre o faraó e o deus solar, reforçando a ideia de que o governante era uma manifestação divina na Terra. Muitos templos e monumentos construídos durante seu reinado destacam essa ligação entre o faraó e o poder dos deuses. Em alguns casos, Amenófis III chegou a ser representado como uma divindade ainda em vida, algo relativamente incomum para governantes egípcios. Esse processo contribuiu para fortalecer o culto real e aumentar o prestígio da monarquia egípcia. Alguns historiadores também apontam que certas mudanças religiosas iniciadas durante seu reinado influenciaram diretamente o governo de seu filho, Amenófis IV, que mais tarde ficaria conhecido como Akhenaton. Akhenaton promoveu uma grande reforma religiosa que privilegiou o culto ao deus solar Aton. Embora essas mudanças tenham ocorrido principalmente após a morte de Amenófis III, alguns elementos já estavam presentes no final de seu reinado. Assim, seu governo pode ser visto como uma fase de transição religiosa dentro da história egípcia.

Amenófis III morreu por volta de 1353 a.C., após um longo e próspero reinado que durou cerca de quatro décadas, sendo sucedido por seu filho Amenófis IV, o futuro Akhenaton. A morte do faraó marcou o fim de um dos períodos mais estáveis e ricos do Novo Império egípcio. Seu sucessor iniciaria profundas transformações religiosas e políticas que mudariam significativamente o panorama do Egito. Apesar dessas mudanças posteriores, o legado de Amenófis III permaneceu associado a uma era de prosperidade e grandeza imperial. Seu governo consolidou o poder egípcio no cenário internacional e fortaleceu as instituições políticas e religiosas do país. Os monumentos que ele mandou construir continuaram a impressionar gerações posteriores e ainda hoje são considerados algumas das obras mais grandiosas da civilização egípcia. Os Colossos de Memnon, por exemplo, permanecem como testemunhos monumentais de seu reinado e atraem visitantes até os dias atuais. A memória de Amenófis III também foi preservada em diversas inscrições e artefatos arqueológicos encontrados por estudiosos modernos. Por isso, ele é frequentemente lembrado como um dos maiores faraós do Egito Antigo. Seu reinado representa um dos momentos de maior esplendor cultural, artístico e político da história egípcia.

Pablo Aluísio.