sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Respire

Título no Brasil: Respire
Título Original: Breathe
Ano de Lançamento: 2014 
País: França 
Estúdio / Produtoras: Gaumont Productions 
Direção: Mélanie Laurent 
Roteiro: Mélanie Laurent, Julien Lambroschini 
Elenco: Joséphine Japy, Lou de Laâge, Isabelle Carré, Claire Keim, Roxane Duran, Thomas Solivéres 

Sinopse
Charlie, uma adolescente de 17 anos, vive uma vida pacata até o dia em que chega na escola uma nova aluna chamada Sarah, carismática e sedutora. Charlie se sente imediatamente atraída por Sarah — ambas começam uma amizade intensa, cheia de intimidade, confidências e cumplicidade. Porém, aos poucos, a relação se torna tóxica: Sarah começa a exercer controle emocional, ciúmes e manipulação sobre Charlie, até transformar a amizade em uma relação de poder e violência psicológica. A tensão cresce e o vínculo entre elas se rompe de forma dramática, levando a consequências chocantes e colocando em xeque a própria realidade da protagonista. 

Comentários:
Aqui temos um filme ao velho estilo do cinema europeu, tudo o que há de melhor para se encontrar em um bom drama francês de qualidade cinematográfica irretocável. Respire foi baseado no romance homônimo da escritora francesa Anne-Sophie Brasme. E como era de esperar a crítica e público receberam muito bem o filme, o que resultou numa série de premiações em festivais de cinema de grande prestígio no meio cultural. A estreia mundial aconteceu na seção “Semana da Crítica” do Festival de Cannes de 2014. O filme também foi exibido no Toronto International Film Festival (TIFF) 2014, na seção Contemporary World Cinema. A fotografia, de Arnaud Potier, e a direção de arte criam uma atmosfera fria e melancólica, reforçando a intensidade emocional e psicológica da trama. A crítica elogiou especialmente as atuações de Joséphine Japy e Lou de Laâge — consideradas intensas e convincentes — e a forma realista com que o filme aborda a amizade, a obsessão e a manipulação entre adolescentes.

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos

Título no Brasil: Quarteto Fantástico
Título Original: The Fantastic Four: First Steps
Ano de Lançamento: 2025
País: Estados Unidos
Estúdio: Marvel Studios
Direção: Matt Shakman
Roteiro: Josh Friedman, Eric Pearson
Elenco: Pedro Pascal, Vanessa Kirby, Joseph Quinn, Ebon Moss-Bachrach, Julia Garner, Ralph Ineson

Sinopse:
Nesta nova adaptação do clássico grupo de super-heróis da Marvel, o Quarteto Fantástico — Reed Richards (Sr. Fantástico), Sue Storm (Mulher Invisível), Johnny Storm (Tocha Humana) e Ben Grimm (Coisa) — enfrenta uma ameaça cósmica de proporções épicas no contexto de um mundo de estética retro-futurista inspirado nos anos 1960. Já consolidados como heróis após seus poderes, eles devem confrontar seres de imenso poder, entre eles Galactus, a entidade devoradora de mundos, e seu arauto Surfista Prateado, enquanto lutam para proteger o planeta e sua própria unidade como “família” de heróis.

Comentários:
Eu curti bastante esse novo filme do Quarteto Fantástico e isso me surpreendeu porque sinceramente pensei que seria bem cansativo, ainda mais depois de tantos filmes, sendo o último lançado, o pior deles. Só que escolheram uma direção de arte vintage, o que eu gosto de chamar de "Futuro do Passado", ou seja, como as pessoas dos anos 60 pensavam que seria o futuro! Ficou ótimo, um clima de Jetsons em cada cena. Até o uniforme dos primeiros quadrinhos foi resgatado, uma atitude ousada, uma vez que poderia passar como algo ultrapassado e até mesmo cafona! Felizmente, ao meu crivo, isso passou longe de acontecer. E o roteiro segue o itinerário de uma boa revista em quadrinhos bem velha, daqueles que você encontra por acaso no porão da casa do seu tio avô! Muita gente pode achar tudo empoeirado, mas penso diferente. Esses filmes com esse tipo de design de produção me soam muito atrativos. Afinal eu sempre fui um grande fã da estética retrô, vintage, em todos os seus menores aspectos e detalhes. 

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Avatar: Fogo e Cinzas

Avatar: Fogo e Cinzas
O filme Avatar: Fogo e Cinzas (Avatar: Fire and Ash) foi lançado mundialmente em 19 de dezembro de 2025, com estreia no Brasil ocorrendo em 18 de dezembro de 2025. A direção ficou novamente a cargo de James Cameron, que também co-assinou o roteiro com Rick Jaffa e Amanda Silver, dando continuidade à saga iniciada com Avatar (2009) e Avatar: O Caminho da Água (2022). O elenco inclui Sam Worthington como Jake Sully, Zoe Saldaña como Neytiri, além de Sigourney Weaver, Stephen Lang, Oona Chaplin, Cliff Curtis e Kate Winslet, entre outros nomes que ampliam o universo de Pandora. A história parte logo após os eventos de O Caminho da Água, com Jake, Neytiri e sua família enfrentando as consequências de perdas profundas e uma nova ameaça representada pelo violento Povo das Cinzas, uma tribo Na’vi forjada por tragédias naturais e raiva acumulada, estabelecendo um conflito épico e emocional para o destino final dos personagens ou da própria Pandora.

Logo após sua estreia, Avatar: Fogo e Cinzas recebeu uma reação crítica mista a majoritariamente positiva, com comentários recorrentes sobre sua grandiosidade visual e ambição técnica. A imprensa destacou que o filme representa um dos maiores espetáculos cinematográficos do ano, impulsionado pelos efeitos visuais e imersão sensorial que se tornaram a marca registrada da franquia. Muitos críticos elogiaram a forma como Cameron expande o mundo de Pandora e desenvolve sequências de ação e confrontos tribais com grande escala e impacto. Há também reconhecimento do esforço narrativo em explorar temas como luto, trauma e divisão cultural entre espécies. Alguns textos ressaltaram que o longa eleva o padrão técnico do cinema blockbuster contemporâneo, sendo considerado por muitos críticos um exemplo de cinema épico visual de alto nível.

Por outro lado, nem todas as críticas foram entusiasmadas. Uma parcela da imprensa e dos críticos especializados apontou que Fogo e Cinzas peca por repetir elementos narrativos dos filmes anteriores, com alguns considerando o roteiro mais familiar e menos inovador do que se poderia esperar para um terceiro capítulo de uma saga tão ambiciosa. A pontuação em agregadores de crítica mostrou um nível sólido, mas inferior aos dos longas anteriores da série, refletindo um debate crítico mais dividido: enquanto a técnica é geralmente elogiada, a narrativa e o desenvolvimento de personagens receberam observações mais cautelosas. Esse mix resultou em uma recepção crítica que pode ser descrita como positiva, porém moderada em comparação com os predecessores.

No aspecto comercial, Avatar: Fogo e Cinzas foi um enorme sucesso. O filme superou a marca de US$ 1,08 bilhão em arrecadação global, consolidando-se como a terceira maior bilheteria de 2025 e um dos poucos lançamentos daquele ano a ultrapassar o marco de um bilhão de dólares mundialmente. Essas cifras, que incluem mais de US$ 300 milhões nos Estados Unidos e cerca de US$ 777 milhões no mercado internacional, reforçam a força contínua da franquia como fenômeno de público mesmo diante de debates críticos sobre sua narrativa. A performance comercial certamente influenciará os planos futuros da saga, com as sequências Avatar 4 e Avatar 5 já planejadas e em diferentes estágios de produção, dependendo da recepção contínua da trilogia nos próximos anos.

Atualmente, Avatar: Fogo e Cinzas é visto como um capítulo importante na franquia, ainda que com divisões entre críticos e público quanto ao seu impacto narrativo. Muitos espectadores destacam as batalhas épicas, o aprofundamento emocional dos protagonistas e a impressionante realização técnica como pontos fortes que merecem ser apreciados no cinema, especialmente em formatos como IMAX ou 3D. Em contrapartida, há críticas de que o filme não expande significativamente a mitologia da saga ou apresenta inovações narrativas profundas, o que gerou um debate mais amplo sobre o futuro criativo da franquia. No balanço geral, a obra é considerada um marco visual e um sucesso de público, mas sua posição no panteão dos melhores filmes da série ainda é objeto de discussão entre fãs e analistas cinematográficos.

Avatar: Fogo e Cinzas (Avatar: Fire and Ash, Estados Unidos, 2025) Direção: James Cameron / Roteiro: James Cameron, Rick Jaffa e Amanda Silver (baseado em personagens criados por James Cameron) / Elenco: Sam Worthington, Zoe Saldaña, Sigourney Weaver, Stephen Lang, Oona Chaplin, Cliff Curtis / Sinopse: Após as devastadoras consequências dos conflitos anteriores, Jake Sully e Neytiri enfrentam uma nova e implacável ameaça emergente das tribos Na’vi de Pandora, envolvendo luto, guerra e alianças improváveis em uma jornada que testa coragem, identidade e sobrevivência.

Erick Steve.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Teatro do Medo

Título no Brasil: Teatro do Medo
Título Original: Theatre of Death
Ano de Lançamento: 1961
País: Reino Unido
Estúdio: Anglo-Amalgamated
Direção: Samuel Gallu
Roteiro: Samuel Gallu, John Wooldridge
Elenco: Christopher Lee, Jenny Till, Joan Harvey, Julian Glover, Denis Gilmore, John Stuart

Sinopse:
Um misterioso ator, diretor e empresário teatral chega a uma pequena cidade britânica trazendo sua companhia itinerante. Logo após o início das apresentações, uma série de mortes inexplicáveis passa a ocorrer nos arredores do teatro. À medida que a polícia investiga os crimes, segredos sombrios vêm à tona, sugerindo que o espetáculo pode estar ligado a uma antiga maldição ou a um plano macabro cuidadosamente encenado.

Comentários:
Depois de ficar famoso com os filmes de Drácula, Christopher Lee tentou algo diferente, mas sem sair do gênero terror. O resultado foi esse filme muito interessante. Ele interpreta esse diretor de teatro que tem métodos pouco convencionais de exigir de suas atrizes o melhor no palco. O ator parece estar muito confiante e se esbalda nesse personagem ora sádico, ora com ares e lições de professor experiente. Além disso teve bons diálogos e cenas para mostrar seu talento como ator. Algo muito mais relevante do que seu próprio papel de Drácula, onde basicamente era apenas um monstro, um vampiro que pouco falava ou se expressava verbalmente. Aqui o Lee parece querer demonstrar que sim, era um bom ator e merecia ter maiores chances em sua carreira. Ele estava mais do que certo em ir por esse caminho. 

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Eu, Cláudio

Título no Brasil: Eu, Cláudio
Título Original: I, Claudius
Ano de Lançamento: 1976
País: Reino Unido
Estúdio: BBC
Direção: Herbert Wise
Roteiro: Jack Pulman
Elenco: Derek Jacobi, Siân Phillips, Brian Blessed, John Hurt, George Baker, Patrick Stewart

Sinopse:
Baseada nos romances históricos de Robert Graves, a série acompanha a vida de Cláudio, um homem visto como frágil, gago e intelectualmente limitado por sua própria família. Subestimado, ele sobrevive às intrigas mortais da dinastia júlio-claudiana enquanto observa assassinatos, conspirações e jogos de poder que marcam os reinados de Augusto, Tibério e Calígula. Contra todas as expectativas, Cláudio acaba se tornando imperador de Roma, revelando-se um governante mais lúcido do que seus predecessores.

Comentários:
Cláudio foi o mais improvável imperador de Roma. Ele era tão incapaz e considerado medíocre dentro de sua família que acabou sendo poupado de uma série de assassinatos em busca do poder. Primos, irmãos, tios, tias, todos se matando dentro de sua família. No final só sobrou Cláudio, que muitos consideravam retardado, aleijado de uma perna, manco, meio louco! Pois é, meus caros, dinastias e monarquias, quando não submetidas a qualquer tipo de controle constitucional, só dá nesse tipo de banho de sangue mesmo. Lançada como série na BBC inglesa foi bastante elogiada e aclamada na época. No Brasil ganhou mais um daqueles lançamentos cheios de cortes da época do VHS. Imagine concentrar toda uma minissérie em um corte de pouco mais de 90 minutos! Só poderia dar muito errado mesmo. Infelizmente era só o que tinha para ver naquele tempo. De qualquer forma é um bom produto, embora não explore todo o potencial da história desse imperador romano que a despeito de tudo e todos, subiu ao poder máximo em sua era.

Pablo Aluísio. 

Herodes, o Grande

Título no Brasil: Herodes, o Grande
Título Original: Herod the Great (Erode il Grande)
Ano de Lançamento: 1959
País: Itália / França
Estúdio: Lux Film
Direção: Viktor Tourjansky
Roteiro: Ennio De Concini, Viktor Tourjansky
Elenco: Edmund Purdom, Sylvia Lopez, Massimo Girotti, Françoise Christophe, John Drew Barrymore, Rossana Podestà

Sinopse:
O filme retrata a trajetória de Herodes, rei da Judeia, um governante marcado pela ambição, paranoia e crueldade. Em meio a intrigas políticas, conspirações familiares e conflitos religiosos, Herodes luta para manter seu poder absoluto enquanto é consumido pelo medo da traição. O drama se intensifica com seu relacionamento trágico com Mariamne, mulher que ele ama obsessivamente, mas cuja fidelidade passa a suspeitar, conduzindo o reino — e sua própria alma — à ruína.

Comentários: 
Apesar de ser chamado de "Herodes, o Grande" ele era um homem de alma pequena, um sabujo, um governante fantoche do império Romano. E esse bom filme italiano épico ainda abriu espaço para o filho de Herodes, um sujeitinho igualmente vil e perverso. O que temos aqui, em termos de cinema, é de fato, como eu já escrevi, um filme muito bom! Ele respeita, dentro do contexto de sua época, os registros históricos sobre esse monarca violento e tirano, que era odiado pelo povo judeu que oprimia. O roteiro é montado de forma inteligente. Ao invés de mostrar toda a sua vida, se concentra em uma época determinada desse maníaco, o mostrando como um homem que topava qualquer coisa para segurar seu poder, que aliás era usado para esmagar os judeus em nome do poder imperial romano. Assim se confirma que de "Grande" ele não tinha nada. Era apenas um ser humano bem desprezível. O mesmo vale para Herodes Antipas, um dos governantes mais abjetos da história antiga. Enfim, mais um filme que demonstra de forma clara como a indústria cinematográfica italiana era rica e diversificada em sua era de ouro. 

Pablo Aluísio. 

domingo, 25 de janeiro de 2026

Os Filmes de Leonardo DiCaprio - Parte 6

Era uma Vez em... Hollywood
Quando eu soube que o novo filme de Quentin Tarantino iria ter como tema o assassinato da atriz Sharon Tate naquele trágico crime envolvendo membros da seita de Charles Manson, fiquei completamente desanimado. Não acredito que coisas assim devem ser resgatados do passado pelo cinema. Algumas histórias são tão horríveis que os mortos devem ser deixados em paz. Porém o que não levei em conta é que Tarantino não deve ser subestimado. Ele realmente nunca faria um filme banal sobre aquilo tudo que aconteceu. Ele encontraria uma maneira original de explorar esse tema tão espinhoso. 

E eis que fui surpreendido completamente por esse filme quando o assisti. De fato é algo muito bem desenvolvido. Em seu roteiro Tarantino misturou pessoas reais, que existiram mesmo, com personagens puramente de ficção. E criativo como ele é, não poderia dar em outra coisa. Os personagens de Leonardo DiCaprio e Brad Pitt são referências da cultura pop. Uma miscelânea de tipos que eram bem comuns na Hollywood dos anos 60. O ator de seriados de faroeste interpretado por DiCaprio é uma ótima criação. Com ecos de Clint Eastwood e outros atores de segundo escalão da época, ele retrata bem aquele tipo de ator que nunca conseguiu se tornar um astro em Hollywood. Vivendo de seriados popularescos, o que lhe sobra em determinado momento é ir para Roma filmar faroestes do tipo Western Spaghetti. Produções B, bem ruins e mal feitas.

Brad Pitt é o dublê desempregado que mora em um trailer. Para sobreviver ele se torna uma espécie de assistente pessoal e "faz-tudo" para o ator decadente de DiCaprio. As melhores cenas do filme inclusive estão com ele. Na visita ao rancho onde a "família Manson" vivia e no clímax final que é puro nonsense criativo. Margot Robbie está um pouco em segundo plano, apesar de interpretar Sharon Tate. Isso foi consequência do próprio roteiro que vai girando ao largo, na periferia dos acontecimentos. E sua Sharon é bem retratada no roteiro. Uma mocinha bonita, mas meio cabeça de vento, que passava o dia ouvindo música. Não tinha mesmo muita coisa na cabeça. Era uma starlet dos anos 60, nada mais.

Por fim tenho que tecer breves comentários sobre o final do filme, mas isso sem entregar nenhuma surpresa, que afinal de contas é o grande trunfo desse novo Tarantino. Conforme o filme foi se desenvolvendo eu fui gostando de praticamente tudo. Dos personagens, da ambientação anos 60, de tudo. Acontece que na meia hora final chega o momento da verdade. Eu não queria ver de novo a matança de Sharon Tate e seus amigos. Aí Tarantino foi mesmo um mestre. Saiu completamente do lugar comum, criou sua própria realidade paralela. Genial. Não é à toa que o filme é quase uma fábula, um faz de conta. A realidade foi tão trágica... por que não ir por outro caminho? Ao fazer isso Tarantino acabou criando uma pequena obra-prima. Palmas para ele.

Era Uma Vez em... Hollywood (Once Upon a Time... in Hollywood, Estados Unidos, Inglaterra, China, 2019) Direção: Quentin Tarantino / Roteiro: Quentin Tarantino / Elenco: Leonardo DiCaprio, Brad Pitt, Margot Robbie, Emile Hirsch, Al Pacino, Dakota Fanning, Timothy Olyphant, Bruce Dern, Luke Perry / Sinopse: Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) é um ator de segundo escalão em Hollywood. Decadente, ele aceita ir para Roma filmar filmes de western spaghetti. Cliff Booth (Brad Pitt) é um dublê desempregado que trabalha para Dalton como seu assistente pessoal. Eles não sabem, mas vão fazer parte de um dos eventos mais trágicos da história de Hollywood... ou quase isso!

Não Olhe Para Cima
Dois cientistas do campo da astronomia (interpretados por Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence) descobrem a existência de um novo cometa. No começo ficam felizes com a descoberta, afinal no mundo da astronomia isso é algo importante na vida de qualquer profissional da área. Só que a alegria dura pouco. Eles logo descobrem também que a rota do cometa vem direto em direção ao nosso planeta Terra. E agora, o que fazer? Logo uma questão que deveria ser tratada apenas pela ciência se torna politizada. E aí é o caos... os cientistas querem seguir o que diz a ciência para salvar o planeta, os conservadores liderados por uma presidente idiota (Meryl Streep) adotam uma postura de negacionismo com o slogan "Não Olhe para Cima". Pronto, a humanidade está literalmente com os dias contados. Estamos todos ferrados!

Esse é o filme do momento. Todo mundo está falando, debatendo, trocando ideias. Fazia tempo que a Netflix não lançava algo tão polêmico. A boa notícia é que é um bom filme, que faz pensar! É simplesmente impossível não perceber a analogia que esse inteligente roteiro faz com o mundo polarizado e imbecilizado em que vivemos. E aqui sobram críticas e farpas para todos os lados. Enquanto os dois cientistas tentam alertar para o perigo do cometa, os telejornais e o público em geral só se importam com as coisas mais imbecis, como o namorico de uma cantora adolescente pop e um cantor de rap! Você vai dar boas risadas, mas se tiver mais inteligência vai rir mesmo de nervoso, porque embora absurdas as situações, são plenamente condizentes com o momento atual. E você também pode trocar o cometa pela pandemia, aquecimento global ou qualquer outro tema desses e verá que faz o mesmo sentido.
 
E as redes sociais? Se tornam o maior meio de estupidez jamais visto. Enquanto o cometa avança em direção ao planeta Terra, as pessoas só se preocupam com memes, besteiras e imbecilidades. E surgem milhares de teorias da conspiração, uma mais idiota do que a outra! Dá nos nervos! Penso que se uma situação como a mostrada no filme realmente fosse verdade seria exatamente assim que iria acontecer. Vivemos em uma era tão estúpida! É triste, mas é a mais pura verdade! Então o roteiro mira e acerta em muitos alvos e se sai maravilhosamente bem em meu ponto de vista. É um filme que parece simples, mas que nas entrelinhas expressa tantas verdades que você ficará surpreso.

No final tirei duas conclusões importantes. A primeira é que o mundo atual é o horizonte perfeito das idiotices, tanto das pessoas em geral como também dos que foram eleitas por elas. A pior situação para uma nação é ser liderada por uma idiota como a presidente interpretada por Streep. Pessoas vão morrer por esse tipo de escolha errada na hora de votar. E assim surge a segunda grande lição do roteiro. Não votem em imbecis para altos cargos, pois no final quem será mais prejudicado será você mesmo, quem sabe até mesmo perdendo a própria vida. Parece radical? Não, é só uma verdade mesmo.

Não Olhe para Cima (Don't Look Up, Estados Unidos, 2021) Direção: Adam McKay / Roteiro: Adam McKay, David Sirota / Elenco: Leonardo DiCaprio, Jennifer Lawrence, Meryl Streep, Cate Blanchett, Jonah Hill, Rob Morgan / Sinopse: Dois cientistas tentam alertar o mundo do perigo que se aproxima na forma de um enorme cometa que está vindo em direção ao nosso planeta. Só que isso vai ser quase impossível em um mundo onde as pessoas só se importam com celebridades vazias e os que detém o poder político são altamente estúpidos.

Assassinos da Lua das Flores
No começo do século XX um bando de caipiras de interior, homens brancos criminosos, começam a se casar com nativas herdeiras de vastas terras com muito petróleo em seu subsolo. Após o casamento eles planejam envenenar suas esposas, tudo com o claro objetivo de se tornarem os únicos donos do rico ouro negro! 

Não me entenda mal, Martin Scorsese continua sendo um mestre do cinema, mas inegavelmente esse seu novo filme apresenta problemas. E é um problema conceitual. Veja, os personagens principais da história são seres asquerosos, repugnantes. Basicamente homens brancos que se aproveitavam de mulheres indígenas para roubar suas terras cheias de petróleo. E como atingiam seus objetivos? Casando com elas e depois as matando envenenadas! Como alguém em sã consciência vai criar um vínculo com esse tipo de pessoa? Não dá! E Scorsese falha miseravelmente ao tentar retratar esses caipiras homicidas com uma lente de leve simpatia e bom humor! Ficou bizarro! 

Eu lamento tudo isso porque o filme é tecnicamente impecável. Apresenta uma ótima produção, roteiro bem escrito e elenco classe A - embora os astros interpretem esses seres humanos de quinta categoria! Outro ponto que acredito que Scorsese errou foi na duração do filme. Mais de três horas de duração em uma história que com uma edição mais equilibrada seria contada no tempo médio dos filmes atuais. Até porque esses jovens atuais não aguentam mesmo ficar 3 horas no cinema assistindo a um filme! Alguém deveria ter alertado Scorsese sobre isso. Enfim, filme muito bem realizado, mas com uma postura equivocada em relação aos principais personagens nessa história de crime que se propõe a contar. 

Assassinos da Lua das Flores (Killers of the Flower Moon, Estados Unidos, 2023) Estúdio: Apple Studios / Direção: Martin Scorsese / Roteiro: Eric Roth, Martin Scorsese / Elenco: Leonardo DiCaprio, Robert De Niro, Lily Gladstone, John Lithgow, Brendan Fraser / Sinopse: Uma história de traição, mesquinhez e traições, com o objeivo final de ter riquezas e dinheiro, mesmo enganado o próximo. Filme indicado ao Oscar em dez categorias. 

Pablo Aluísio. 

sábado, 24 de janeiro de 2026

Disco de Vinil: Elvis Now

Disco de Vinil: Elvis Now
Elvis Now, lançado em 20 de fevereiro de 1972, representa um momento curioso e relativamente subestimado da discografia de Elvis Presley. Diferente dos grandes álbuns conceituais ou dos discos ligados a filmes, este trabalho reuniu gravações feitas entre 1969 e 1971, período em que Elvis vivia uma forte retomada artística após o especial televisivo de 1968. O repertório mistura baladas introspectivas, country sofisticado e pop adulto, revelando um Elvis mais contido, maduro e emocionalmente direto.

Comercialmente, Elvis Now teve um desempenho sólido, embora discreto se comparado aos grandes sucessos do cantor na década de 1950 ou mesmo aos álbuns de retorno do final dos anos 1960. O disco alcançou posições respeitáveis na Billboard 200, beneficiando-se da enorme base de fãs que Elvis ainda mantinha no início dos anos 1970. As vendas foram consistentes, confirmando que, mesmo sem um single explosivo, Presley continuava sendo uma presença dominante no mercado fonográfico americano.

A reação da crítica na época foi moderadamente positiva, com destaque para a qualidade vocal do artista. O jornal The New York Times comentou que Elvis demonstrava “uma maturidade interpretativa rara, cantando menos para impressionar e mais para comunicar sentimento”. Já a revista Billboard descreveu o álbum como “um retrato honesto de um cantor que domina plenamente sua voz e seu estilo”, elogiando especialmente as faixas de clima introspectivo.

Alguns críticos, no entanto, apontaram a falta de unidade do álbum, resultado direto de sua natureza compilatória. O Rolling Stone, em resenha publicada em 1972, observou que o disco “carece de um conceito claro, mas compensa com interpretações vocais de alto nível”. Ainda assim, a imprensa reconheceu que Elvis soava mais confortável e confiante do que em muitos de seus trabalhos da fase final dos anos 1960.

Com o passar do tempo, Elvis Now passou a ser visto como um registro importante da fase adulta de Elvis Presley. O álbum revela um artista menos preocupado com tendências e mais focado na expressividade vocal e emocional. Embora não figure entre seus discos mais celebrados, permanece como um testemunho valioso de um Elvis experiente, tecnicamente refinado e ainda profundamente conectado à música que interpretava.

Erick Steve. 

Disco de Vinil: Magical Mystery Tour

Magical Mystery Tour, lançado em 8 de dezembro de 1967 no Reino Unido (como EP duplo) e em 27 de novembro de 1967 nos Estados Unidos (em formato de LP), marcou uma fase singular na trajetória dos Beatles. O projeto nasceu como trilha sonora do filme homônimo exibido pela BBC no Natal daquele ano e refletiu o espírito psicodélico e experimental que a banda vinha explorando desde Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Musicalmente, o disco mesclava canções lúdicas, surrealistas e tecnicamente sofisticadas, ampliando ainda mais os limites do pop tradicional.

Do ponto de vista comercial, o impacto foi expressivo, especialmente nos Estados Unidos. A versão em LP de Magical Mystery Tour alcançou o 1º lugar da Billboard 200 em janeiro de 1968 e permaneceu várias semanas no topo. Rapidamente, o álbum ultrapassou a marca de milhões de cópias vendidas, impulsionado por faixas que se tornaram clássicos imediatos, como “All You Need Is Love”, “Hello, Goodbye” e “Strawberry Fields Forever”. Com o tempo, a versão americana acabou sendo adotada oficialmente no catálogo mundial da banda.

A recepção crítica na época, contudo, foi ambígua, sobretudo por causa do filme. O The Daily Express descreveu a produção televisiva como “confusa e indulgente, um experimento que parece esquecer o público”. Já o The Guardian comentou que, apesar das imagens desconcertantes, “a música dos Beatles continua sendo o verdadeiro coração do projeto, cheia de invenção e charme”.

Nos Estados Unidos, a crítica musical mostrou-se mais receptiva ao álbum como obra sonora. A revista Time escreveu em 1967 que Magical Mystery Tour era “um caleidoscópio sonoro que confirma os Beatles como os principais arquitetos do pop moderno”. O New York Times observou que, mesmo quando o conceito visual falhava, “as canções demonstram uma imaginação musical que poucas bandas conseguem alcançar”.

Com o passar dos anos, Magical Mystery Tour foi amplamente reavaliado de forma positiva. Hoje, é visto como um elo essencial entre Sgt. Pepper’s e The White Album, reunindo algumas das gravações mais ousadas e duradouras dos Beatles. Embora seu lançamento tenha dividido opiniões em 1967, o álbum consolidou a reputação do grupo como inovador incansável e figura central na transformação artística da música popular do século XX.

Erick Steve. 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

O Agente Secreto e a Valorização do Cinema Brasileiro

O Agente Secreto e a Valorização do Cinema Brasileiro
Eu acompanho cinema há muitas décadas e afirmo sem pensar duas vezes: nunca vi o cinema brasileiro tão em alta como agora! A série de indicações e premiações no Oscar vem para confirmar essa nova realidade! E isso é muito interessante porque durante anos e anos, sempre se falava em "O Pagador de Promessas" para demonstrar que um dia o cinema brasileiro havia sido valorizado lá fora.

Só que agora, com as inúmeras indicações e vitórias em vários festivais e prêmios internacionais de grande prestígio, sendo o Oscar o apogeu dessa realidade, nos deparamos com essa nova realidade. Ontem ao passar por diversos órgãos de imprensa internacionais, especializados em cinema, vi uma série infindável de notícias, artigos e reportagens sobre o cinema brasileiro! Eu nunca tinha visto nada igual em minha vida! É realmente de surpreender. O Brasil é a nova febre cinematográfica do momento, quem diria...

Para bem entender essa nova onda de valorização internacional de cinema nacional é necessário entender bem o que está acontecendo. Em minha opinião a política atual dos Estados Unidos tem tudo a ver com isso. Aquele país passa por um momento delicado, com um presidente muito autoritário e sem noção que anda passando por cima das leis internacionais e até mesmo da longa tradição de direitos civis e respeito aos direitos fundamentais do povo americano. 

Então os americanos (pelo menos os que possuem o mínimo de bom senso) passam por um stress político como nunca se viu. De repente a chamada "Terra da Liberdade" e o "Exemplo de Democracia para o Mundo" está se transformando. Ao inves de liberdade, brutalidade. E a democracia americana, tão louvada por mais de 200 anos, parece estar indo pelo ralo.

Dessa maneira filmes como "O Agente Secreto" que fala sobre o passado da ditadura militar no Brasil, se tornaram espelhos para o povo americano! Eles temem entrar numa situação política parecida. Em minha opinião falta pouco para isso efetivamente acontecer de fato! Enfim, vivi para ver o povo americano se espelhando no povo brasileiro e torcendo para que os Estados Unidos aprendam com o passado do Brasil! 

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Casa de Dinamite

Título no Brasil: Casa de Dinamite
Título Original: A House of Dynamite
Ano de Lançamento: 2025
País: Estados Unidos
Estúdio: Netflix 
Direção: Kathryn Bigelow
Roteiro: Noah Oppenheim
Elenco: Idris Elba, Rebecca Ferguson, Gabriel Basso, Jared Harris, Tracy Letts, Anthony Ramos

Sinopse:
Após o lançamento de um míssil nuclear não identificado em direção aos Estados Unidos, uma corrida contra o tempo se inicia para descobrir quem está por trás do ataque e decidir como o país deve reagir. A história acompanha diferentes membros do governo, militares e civis enquanto enfrentam decisões de alto risco que podem determinar o destino de milhões de vidas, com foco nas tensões políticas, dilemas éticos e a frenética busca por respostas num cenário de ameaça nuclear iminente.

Comentários:
Eu gostei desse filme. Não tem sido bem recebido em todos os lugares porque criou-se uma expectativa exagerada por ser o novo filme da Kathryn Bigelow, após anos sem ela lançar nada de novo no mercado cinematográfico. Eu mantive minhas expectativas bem realistas, por essa razão gostei do filme. Seu roteiro é tecnicamente perfeito, mostrando a mesma situação em relação a três pontos de vista, com diferentes protagonistas em cada uma dessas situações. Alguns espectadores afirmaram que esse estilo narrativo torna o filme meio cansativo e repetitivo. Não vejo por esse lado. Todo modo mais fora dos padrões de se contar uma história se torna algo interessante de se ver. E para essas mesmas pessoas que criticaram, o final em aberto, sem conclusão definitiva, tornou o filme ainda mais complicado de se digerir. Discordo novamente. Finais em aberto podem ser interpretados como covardia por parte dos roteiristas e até mesmo do diretor, mas vamos convir que não se trata disso. O que realmente importa é que a inteligência do espectador nunca é desrespeitada. E é justamente com o senso crítico e a inteligência de quem vai assistir ao filme que um roteiro desse tipo conta, no final de tudo. Assim indico o filme, mesmo que ele tenha todos esses aspectos bem fora do padrão cnvencional. Pensando bem, isso é o que diferencia e qualifica essa obra singular.

Pablo Aluísio. 

Em Cartaz: Casa de Dinamite

Em Cartaz: Casa de Dinamite
O thriller político Casa de Dinamite (A House of Dynamite) estreou em 2025, dirigido pela vencedora do Oscar Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror, Zero Dark Thirty) e escrito por Noah Oppenheim. O filme acompanha uma crise global após um míssil intercontinental não identificado ser lançado em direção aos Estados Unidos, desencadeando uma corrida contra o tempo para descobrir quem é o responsável e como responder a essa ameaça iminente. Idris Elba lidera o elenco como presidente americano, com Rebecca Ferguson, Gabriel Basso, Jared Harris e outros no elenco principal. O longa foi exibido em Venice International Film Festival de 2025, onde foi recebido com aplausos e entrou na disputa pelo León de Oro, sinalizando a importância artística da produção.

O filme teve um lançamento escalonado em outubro de 2025: começou em circuitos seletos de cinemas, incluindo o Brasil, em 9 de outubro, antes de chegar ao catálogo global da Netflix em 24 de outubro. A estratégia híbrida reflete a atual tendência do cinema contemporâneo, mesclando exibição tradicional e streaming para alcançar tanto público de sala quanto espectadores em casa.

A reação inicial da crítica especializada foi mista, com elogios à ambição temática e à direção técnica, mas também críticas à execução narrativa. Críticos presentes no Festival de Veneza e lançamentos internacionais realçaram a tentativa de Bigelow de abordar o dilema moral e psicológico de líderes diante de um ataque nuclear, destacando a forma como o roteiro explora decisões humanas sob extrema pressão. Alguns textos apontaram que a abordagem multifocal — mostrando diferentes perspectivas em minutos críticos — agrega tensão estrutural.

No entanto, alguns comentaristas ficaram frustrados com a narrativa repetitiva e a falta de resolução tradicional. Em resenha publicada pelo The Guardian, por exemplo, o filme foi descrito como uma “fantasia política que começa forte, mas se arrasta em repetição e falha ao desenvolver personagens e profundidade dramática além do choque inicial”. Comentários semelhantes surgiram em outros veículos, criticando a estrutura fragmentada e a ausência de conclusões claras sobre o desfecho do ataque e das decisões finais dos líderes.

Com o passar dos meses, Casa de Dinamite consolidou-se como um dos lançamentos mais comentados da Netflix em 2025, impulsionado tanto pelo retorno de Kathryn Bigelow ao cinema após vários anos quanto pela temática nuclear de grande urgência na cultura contemporânea. Embora a recepção crítica tenha sido polarizada, o filme atraiu grande atenção pública — incluindo debates sobre sua representação da doutrina de defesa e reações governamentais reais — e figurou entre os títulos de maior visibilidade de sua temporada. Assim, Casa de Dinamite é lembrado como um trabalho que provocou discussões sobre cinema e geopolítica, mais do que unânime consenso crítico.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Lançamento de Novo Livro sobre Cinema Clássico: James Dean!

James Dean 
James Dean foi um dos grandes mitos da Hollywood em sua era de ouro. Representou como ninguém toda a rebeldia e juventude de uma geração. Só que sua vida e carreira foram breves, como um carro em alta velocidade. Nesse livro resgatamos a história de James Dean, com sua biografia e análise detalhada de todos os seus filmes. E como se isso não fosse o suficiente, ainda trazemos em suas páginas outro grande ator dessa mesma era. Estamos falando de Montgomery Clift, um jovem e talentoso ator que abalou as estruturas de Hollywood com sua técnica de atuação revolucionária para aqueles tempos de grandiosidade cinematográfica. São mais de 200 páginas com dois dos grandes ídolos do cinema norte-americano. 

Abaixo os links onde o interessado pode comprar o novo livro:

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Céu Amarelo

Céu Amarelo
Baseado num conto de W.R Burnett, o western, "Céu Amarelo" (Yellow Sky,1948) conta a história de James Stretch Dawson (Gregory Peck) e seu bando de assaltantes. A quadrilha, após assaltar o banco da pequena cidade de Rameyville, foge, tendo em seu encalço vários soldados da união. Para fugir do pequeno exército, Stretch e seus capangas desviam a rota e resolvem atravessar a imensidão do deserto na região do Vale da Morte. Depois de vários dias de travessia pelo deserto com sol abrasador, o bando está em frangalhos. O calor inclemente, além da sede e da fome, devastam pouco a pouco Stretch, seus comparsas e os cavalos. Quando ninguém mais acreditava, a quadrilha trôpega e moribunda, chega a uma cidade fantasma chamada Yellow Sky. Na busca desesperada por água o bando encontra uma mulher que os recebem armada com um rifle. Seu nome: Mike (Anne Baxter). Mike mora na pequena cidade com seu avô (James Barton) e juntos guardam um segredo a sete chaves: uma mina de ouro. A beleza e o charme de Mike passam a chamar a atenção do bando, mas especialmente de dois deles: Stretch (Gregory Peck) e Dude (Richard Widmark). Passado alguns dias o bando descobre que Mike e seu avô escondem uma mina de ouro e passam a pressioná-los para que indiquem a posição. O velho, já doente, informa ao bando que na mina existem 50.000 dólares em ouro e que topa fazer a divisão entre todos.

O maior problema é que Stretch está cada dia mais apaixonado por Mike, fazendo brotar em Dude sentimentos de ciúme, ódio e vingança. Dude então reúne o bando para juntos roubarem a mina, traindo não só Stretch mas também Mike e seu avô. Quando descobre a traição do resto do bando, Stretch se une a Mike e seu avô e juntos irão enfrentar o resto do bando pela posse de todo o ouro. Entrincheirados na casa de Mike para se protegerem dos bandidos que agora tem Dude como líder, a batalha pelo ouro e também pelo coração de Mike, inicia-se com uma ferrenha troca de tiros que culminará num final sensacional, inesperado e digno dos grandes clássicos.

Céu Amarelo é um dos maiores western feitos até hoje. Seu revestimento estético projeta na tela uma aura e um charme que só os eternos clássicos do western possuem. Além disso, o longa é ancorado por excelentes performances de Gregory Peck, Richard Widmarck e Anne Baxter. A fotografia em preto e branco de Joseph MacDonald é um espetáculo à parte, principalmente na cena da travessia do deserto onde ele explora as tomadas com um excesso quase letal de claridade. Palmas também para mais um show de direção do grande William A.Wellman que também já havia dirigido o inesquecível "Beau Geste" em 1939.

Céu Amarelo (Yellow Sky, Estados Unidos, 1948) Direção: William A. Wellman / Roteiro: Lamar Trotti, W.R. Burnett / Elenco: Gregory Peck, Anne Baxter, Richard Widmark / Sinopse: Grupo de assaltantes chegam numa pequena cidade perdida do velho oeste e descobrem que no local há uma rica mina de ouro. Agora terão que lutar para colocar as mãos na fortuna do local.

Telmo Vilela Jr.

Em Cartaz: Céu Amarelo
O faroeste Céu Amarelo estreou nos cinemas em dezembro de 1948, dirigido por William A. Wellman e estrelado por Gregory Peck, Anne Baxter e Richard Widmark. Ambientado em uma cidade fantasma no deserto, o filme acompanha um grupo de fora da lei que, após um assalto, encontra apenas uma jovem e seu avô vivendo entre ruínas, dando início a um confronto moral entre ganância, sobrevivência e redenção. Desde o lançamento, a obra se destacou por seu tom sombrio e psicológico, distanciando-se do faroeste clássico mais aventureiro.

Em termos de bilheteria, Céu Amarelo obteve um desempenho sólido, embora não tenha sido um dos maiores sucessos comerciais do gênero naquele ano. Produzido pela 20th Century Fox, o filme atraiu público suficiente para justificar seu investimento, beneficiando-se da popularidade crescente de Gregory Peck e do interesse do público por westerns com maior densidade dramática e visual mais estilizado.

A reação da crítica em 1948 foi majoritariamente positiva. O The New York Times descreveu o filme como “um faroeste tenso e inteligentemente construído”, elogiando sua atmosfera opressiva e o uso expressivo da paisagem desértica. A revista Time comentou que a produção era “mais dura e mais adulta do que a maioria dos westerns de estúdio”, destacando o equilíbrio entre ação e conflito psicológico.

As atuações também receberam atenção especial da imprensa. Gregory Peck foi elogiado por interpretar um fora da lei dividido entre cinismo e consciência moral, com críticos afirmando que sua atuação era “contida e progressivamente humana”. Richard Widmark, conhecido por papéis intensos, foi apontado como o elemento mais imprevisível do elenco, descrito em jornais como “ameaçador e eletricamente instável”. Anne Baxter foi valorizada por trazer força e ambiguidade a uma personagem feminina rara para o gênero na época.

Com o passar do tempo, Céu Amarelo passou a ser visto como um western precursor de abordagens mais modernas, antecipando temas e atmosferas que se tornariam comuns no gênero nas décadas seguintes. Já em 1948, alguns críticos observavam que o filme possuía uma seriedade incomum para o faroeste tradicional. Hoje, a obra é considerada um clássico subestimado, lembrado por sua fotografia marcante, por seu clima moralmente ambíguo e por representar uma fase mais sombria e madura do cinema western americano.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

O Grande Roubo de St. Louis

Título no Brasil: O Grande Roubo de St. Louis
Título Original: The Great St. Louis Bank Robbery
Ano de Lançamento: 1959
País: Estados Unidos
Estúdio: Allied Artists Pictures
Direção: Charles Guggenheim, John Stix
Roteiro: Richard Collins, Charles Guggenheim
Elenco: Steve McQueen, Robert Duvall, E. G. Marshall, Jay C. Flippen, David Clarke, Crahan Denton

Sinopse:
Baseado em fatos reais, o filme reconstrói um ousado assalto a banco ocorrido em St. Louis no início dos anos 1950. A narrativa acompanha o planejamento meticuloso do crime, a execução do roubo e a rápida reação das autoridades, alternando o ponto de vista dos criminosos e da polícia. O resultado é um retrato tenso e quase documental sobre ambição, erro humano e as consequências inevitáveis do crime.

Curiosidades: 
Um filme que, para a época em que foi produzido, surpreende. Tem um estilo cru, violento, diria até mesmo sujo, o que combinou perfeitamente com sua fotografia preto e branco. O crime real aconteceu em 1950 e chocou a comunidade onde ele foi realizado. O filme, com esse estilo mais realista e barra pesada combinou muito bem com a história. Parece até um documentário True Crime e isso se explica pelo fato do diretor do filme ter sido um especialista em documentários. Hoje em dia "O Grande Roubo de St. Louis" tem relevância e chama a atenção dos cinéfilos porque apresenta no elenco um jovem Steve McQueen, bem no comecinho de sua carreira. Seu personagem é bem interessante. Apesar de ser muito jovem no meio de ladrões veteranos, é justamente ele que funciona como um motor moral para toda aquela quadrilha de criminosos. Enfim, filme muito bom. Gostei realmente. 

Pablo Aluísio. 

Quando 8 Sinos Tocam

Título no Brasil: Quando 8 Sinos Tocam
Título Original: When Eight Bells Toll
Ano de Lançamento: 1971
País: Reino Unido
Estúdio: United Artists
Direção: Étienne Périer
Roteiro: Jack Davies, Alistair MacLean
Elenco: Anthony Hopkins, Robert Morley, Jack Hawkins, Nathalie Delon, Anthony Dawson, Desmond Llewelyn

Sinopse:
O agente britânico Philip Calvert (Hopkins) é enviado para investigar o misterioso desaparecimento de navios cargueiros no litoral da Escócia. As investigações revelam um sofisticado esquema de pirataria moderna envolvendo sequestros, traições e uma organização criminosa altamente organizada. Em meio a perseguições marítimas e confrontos perigosos, Calvert precisa agir rapidamente para impedir novos crimes e desmantelar a quadrilha.

Comentários:
Eu sou um fã de carteirinha do grande ator Anthony Hopkins, mas apesar disso não gostei nada desse filme. É uma espécie de "James Bond genérico" onde tentam imitar em tudo a famosa franquia do cinema. Até a música tema do filme é praticamente igual! Algo impressionante! Só que falharam em tudo por aqui. A trama é um tanto sem graça e o roteiro vai numa sucessão de cenas que tentam impactar, mas que ficam pelo meio do caminho. É algo banal e pra falar a verdade, bem chato! Agora, nada supera o grotesco título nacional. Não se trata de oitos sinos tocando, mas sim de oito badaladas do sino! Basta assistir ao filme para entender isso. Só que, ao que tudo indica, o tradutor nacional não sabia nada de língua inglesa, por mais absurdo que isso possa parecer. Vergonha alheia total! 

Pablo Aluísio. 

domingo, 18 de janeiro de 2026

Os Filmes de Brad Pitt - Parte 5

Sr e Sra Smith
Foi durante as filmagens desse filme que Brad Pitt e Angelina Jolie começaram a se relacionar, bem debaixo do nariz de Jennifer Aniston que só ficou sabendo de tudo pela imprensa, poucas semanas depois. Tirando a fofoquinha de bastidores da lado, o filme é um misto de policial e comédia, com várias cenas bem exageradas, no que parece ser uma tendência de Hollywood no ano em que o filme foi lançado. 

Muita gente achou uma porcaria tremenda! Eu qualifico apenas como uma diversão ligeira e só. Tudo bem, em termos de qualidade cinematográfica o filme pode sim ser considerado um passo atrás na vida profissional de Brad Pitt, já que ele vinha fazendo tantos filmes bons. De qualquer maneira definiria tudo como descartável. O enredo vai a mil, numa velocidade absurda com uma profusão propositada de cenas impossíveis de ação. Para contrabalancear isso, temos o suposto romance entre os personagens que saiu das telas e invadiu a vida privada dos atores. O problema é que ambos eram casados na época. Bom, como estamos falando de Hollywood, isso de fato não foi um grande obstáculo para eles. No geral é uma diversão sem maior importância.

Sr e Sra Smith (Mr. & Mrs. Smith, Estados Unidos, 2005) Estúdio: Regency Enterprises / Direção: Doug Liman / Roteiro: Simon Kinberg / Elenco: Brad Pitt, Angelina Jolie, Adam Brody, Vince Vaughn / Sinopse: John (Brad Pitt) e Jane Smith (Angelina Jolie) são assassinos profissionais mas como era de se esperar escondem sua verdadeira profissão um para o outro. Na vida de casados tudo caminha para a rotina e para a banalidade mas quando estão trabalhando a adrenalina sobe à mil. Por um ironia do destino acabarão descobrindo a vida secreta de cada um, dando origem a muita ação e aventura!

Babel
O roteiro segue o estilo mosaico, ou seja, vários personagens com histórias diferentes e independentes são contadas ao longo do filme, para depois todos se encontrarem numa mesma situação limite, criando assim o clímax do filme. O ator Brad Pitt decidiu apoiar o projeto do diretor Alejandro G. Iñárritu, nesse que pode ser considerado seu primeiro grande filme em Hollywood. O resultado ficou interessante, diria regular, mas não excepcional. Roteiros que seguem essa linha podem deixar o enredo tão fluido que pode despertar a falta de interesse no público. 

O ponto que une todos os personagens é um ônibus cheio de turistas no Marrocos. Um tiro é disparado, pessoas se ferem, o veículo sai da estrada. Dentro há um grupo de pessoas cujas histórias o roteiro vai contar aos poucos. Tive a oportunidade de assistir no cinema e embora seja um bom filme, não me empolgou muito. Concorreu ao Oscar de melhor filme do ano (o que me pareceu um exagero), mas não venceu. Com sete indicações acabou levando uma estatueta por uma categoria dita secundária, melhor trilha sonora incidental, para o maestro Gustavo Santaolalla. Brad Pitt ficou um pouco decepcionado porque foi indicado ao Globo de Ouro de melhor ator. Ele tinha chances de vencer, mas saiu de mãos vazias. De qualquer maneira é um filme que merece ser conhecido e assistido, nem que seja pelo menos uma vez.

Babel (Babel, Estados Unidos, 2006) Estúdio: Paramount Pictures / Direção: Alejandro G. Iñárritu / Roteiro: Guillermo Arriaga / Elenco: Brad Pitt, Cate Blanchett, Adriana Barraza, Rinko Kikuchi, Gael García Bernal, Peter Wight / Sinopse: Um atentado terrorista atinge a vida de vários turistas estrangeiros no Marrocos, colocando em evidência o caos político e social daquele país. São quatro histórias que se encontram nesse trágico acontecimento. Filme indicado ao Oscar nas categorias de melhor filme, roteiro, direção, atriz coadjuvante (Adriana Barraza e  Rinko Kikuchi) e edição.

Treze Homens e um Novo Segredo
Esse foi o terceiro filme de uma franquia que havia começado lá atrás, com um remake de um antigo filme de Frank Sinatra. Os dois filmes anteriores renderem bem e por essa razão decidiram então levar esse enredo até o fim. Já estava tudo um tanto saturado, vamos convir. Olhando-se com maior atenção chega-se facilmente na conclusão que todos os roteiros são iguais, com pequenas e pontuais derivações, que não chegam a ser originais. Eu assisti esse filme no cinema, mas sem empolgação. Sabia de antemão que seria tudo do mesmo. George Clooney continuaria brincando com sua conhecida canastrice, haveria um roubo como pano de fundo e várias reviravoltas. Os roteiros já não conseguiam surpreender ninguém. 

Nem ao menos a presença de um elenco coadjuvante de luxo - com direito a Al Pacino - parecia empolgar ninguém. E de fato o filme comercialmente ficou pelo meio do caminho. Pena que um elenco tão bom e com tantos nomes famosos não tivessem um bom roteiro por trás para trabalhar. O ponto de vista que prevaleceu aqui foi o comercial, não o artístico. Não deu muito certo pensar assim. No final das contas o filme teve uma bilheteria fraca e acabou com a brincadeira. De bom mesmo apenas um ou outra cena mais bem editada. De resto era apenas uma tentativa de faturar mais uma vez com uma velha, antiga e desgastada fórmula de fazer cinema. Nada muito além disso.
 
Treze Homens e um Novo Segredo (Ocean's Thirteen, Estados Unidos, 2007) Estúdio: Warner Bros / Direção: Steven Soderbergh / Roteiro: Brian Koppelman, David Levien / Elenco: George Clooney, Brad Pitt, Matt Damon, Al Pacino, Andy Garcia, Casey Affleck / Sinopse: O criminoso e ladrão sofisticado Danny Ocean (George Clooney) decide reunir seu velho bando para mais um roubo ousado e perigoso. O alvo agora é um novo e luxuoso Cassino. O plano é modificar o resultado das apostas, para que todos ganhem e levem à falência o novo empreendimento de jogos.

O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford
Olhando para trás descobrimos que na realidade existiram dois Jesse James. O primeiro é fruto da imaginação de dezenas de escritores do século XIX que escrevendo pequenos livros de bolso criaram todo um mito em torno de seu nome. Esse é o Jesse James do imaginário popular, das aventuras mirabolantes e dos feitos épicos. É um personagem de literatura barata. O outro Jesse James é o real, da história. Esse era basicamente um pistoleiro, ladrão de bancos e assaltante de trens. Um sujeito frio, paranoico e martirizado pela constante perseguição que lhe era feita pelos homens da lei na época. Em sua longa trajetória nas telas de cinema, os dois lados de Jesse James raramente se encontraram. Ou ele era retratado de acordo com o personagem de literatura, de ficção, ou ele surgia em filmes numa visão mais realista. 

O grande mérito dessa produção enfocando Jesse James é que pela primeira vez tomamos consciência dessa dualidade envolvendo seu nome. Isso é bem claro na caracterização de Robert Ford. No começo da história ele é apenas um garoto deslumbrado em fazer parte do bando de Jesse James (naquele momento uma sombra do que era antes, pois todos os membros originais de sua gangue ou estavam mortos ou presos). Bob Ford espera encontrar o Jesse James que lia em seus livros de bolso (aos quais colecionava e adorava). O que encontra porém é apenas um homem frio, bipolar, cismado, que não confia em absolutamente ninguém.

Não tenho receio de afirmar que esse é o filme mais fiel aos acontecimentos históricos já feito sobre Jesse James. Mostrando os últimos momentos do criminoso, vamos acompanhando o caos em que se transformou sua vida. Com a cabeça a prêmio, procurado em vários Estados, mudando de cidade constantemente com sua família, James é apenas um pedaço do que um dia foi. Para piorar, ao seu lado agora, não estão mais seus antigos homens de confiança, mas sim garotos novatos como Bob Ford, pessoas aos quais ele não consegue confiar. 

A relação de Robert Ford e Jesse James aliás é uma das melhores coisas de todo o filme. Acompanhamos a decepção de Ford, na realidade um fã, com seu ídolo Jesse James. O que começa com desapontamento e decepção, acaba indo para algo bem mais complexo o que culminará nos acontecimentos trágicos que já conhecemos da história do famoso pistoleiro. Os trinta minutos finais do filme são vitais para quem gosta de história do velho oeste pois reconstituem com riqueza de detalhes a morte de Jesse James. Um primor de reconstituição histórica.

A produção aliás é toda do mais alto nível, o uso de bonita fotografia traz muito valor para o resultado final, usando da natureza para criar um clima de fina melancolia e falta de esperança. A produção concorreu aos Oscar de Melhor Fotografia e Melhor Ator Coadjuvante (Casey Affleck). Para ser sincero deveria ter vencido ambos, pois tanto a atuação de Casey quanto a linda fotografia são realmente impecáveis. Em poucas palavras, “O Assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford” é uma aula de história que não se aprende na escola. Simplesmente obrigatório para fãs de western.

O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford (The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, Estados Unidos, 2007) Direção: Andrew Dominik / Roteiro: Andrew Dominik / Elenco: Brad Pitt, Casey Affleck, Mary-Louise Parker, Zooey Deschanel, Sam Shepard, Sam Rockwell / Sinopse: Após uma vida de crimes, os irmãos Jesse e Frank James desistem de continuar com seus assaltos a trem e a bancos. Frank se retira e vai morar em outra cidade. Jesse James (Brad Pitt) porém decide executar um último grande assalto ao lado de um grupo de jovens e novatos, entre eles os irmãos Ford. O mais jovem deles, Bob Ford (Casey Affleck) é um fã confesso do famoso pistoleiro. Mal sabiam o que o destino lhes reservavam.

O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford - Texto II
Essa produção parte de uma nova safra de filmes de western que procuram pela objetividade da verdade histórica. Os roteiros são de certa maneira despidos do romantismo que imperou no gênero durante os anos 50 e 60 e parte para uma abordagem mais fiel aos fatos históricos. É aquele tipo de filme que conta inclusive com uma equipe de historiadores e especialistas para que nada do que se vê na tela esteja em desacordo com o que de fato aconteceu no passado. Por isso nem sempre será uma unanimidade entre os fãs de faroeste, principalmente os que preferem os filmes mais antigos que abraçavam a mitologia do velho oeste de uma forma mais romanceada. 

De minha parte gostei muito dessa nova visão. O Jesse James já foi tema de dezenas e dezenas de filmes antes, porém nunca havia se debruçado sobre sua história com tanta fidelidade. Há um clima de melancolia e falta de esperança no ar, porém tudo resultando em um belo espetáculo cinematográfico. Gosto muito do produto final. É bem realizado e muito honesto em suas propostas. Tem uma excelente reconstituição de época e um roteiro que investe bastante nas nuances psicológicas entre Jesse James e Robert Ford, o homem que iria passar para a história como o assassino de James. Curiosamente ele foi saudado como um valente, um herói, mas depois com o passar dos anos ficou evidenciado que ele agiu mesmo como um covarde. Assista ao filme e entenda os motivos.

O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford (The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, Estados Unidos, 2007) Direção: Andrew Dominik / Roteiro: Andrew Dominik / Elenco: Brad Pitt, Casey Affleck, Mary-Louise Parker, Zooey Deschanel, Sam Shepard, Sam Rockwell / Sinopse: Após uma vida dedicada ao crime, roubando bancos e ferrovias, o pistoleiro Jesse James (Brad Pitt) procura por algum tipo de redenção, mesmo sabendo que poderá ser morto a qualquer momento, uma vez que sua cabeça se encontra à prêmio por todo o Oeste. O que ele nem desconfia é que seu assassino pode estar mais próximo do que ele poderia imaginar. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante (Casey Affleck) e Melhor Fotografia (Roger Deakins).

Queime Depois de Ler
Filme que foi bem elogiado pela crítica americana, mas que sinceramente não me agradou muito. Na verdade não é aquele tipo de filme que chega ao ponto de lhe aborrecer, porém a sensação de decepção fica bem clara no final da exibição. De repente você olha para o lado e pergunta a si mesmo: "Era isso!? Só isso!?". A questão que ninguém fala é que de tempos em tempos a crítica americana elege seus "queridinhos" e então todo e qualquer filme lançado por esse seleto grupo de diretores cai nas graças deles e em consequência pelo resto do mundo - até porque o que é elogiado dentro dos Estados Unidos tem a tendência de ser elogiado também no mercado internacional, a reboque. 

Ethan Coen e Joel Coen são a bola da vez. Não nego o talento dos irmãos siameses, longe disso, mas o fato é que esse é o pior filme da dupla, beirando as raias da imbecilidade completa. Curioso notar também o elenco de primeiro escalão que eles conseguiram reunir. É como eu disse, quando um cineasta cai nas graças dos críticos americanos quaisquer projetos dirigidos por eles logo viram verdadeiros chamarizes de estrelas, muitas delas em busca de resenhas positivas a qualquer custo. No geral "Burn After Reading" é uma tremenda bobagem, com cenas engraçadinhas que não vão para lugar nenhum. A única coisa que realmente vai levá-lo até o fim é o elenco estelar. Muitos deles pagando mico mesmo. George Clooney hoje em dia é uma celebridade, mais do que um ator, então não importa muito. O que me surpreende mesmo é ver gente do quilate de John Malkovich embarcando nessa barca furada. Se não conhece deixe para lá, e se já viu esqueça, é o melhor a fazer.

Queime Depois de Ler (Burn After Reading, Estados Unidos, 2008) Estúdio: Focus Features, StudioCanal, Relativity Media / Direção: Ethan Coen, Joel Coen / Roteiro: Ethan Coen, Joel Coen / Elenco: Brad Pitt, Frances McDormand, George Clooney, John Malkovich / Sinopse: Osbourne Cox (John Malkovich) é um ex-agente da CIA que resolve escrever suas memórias como retaliação de sua injusta demissão, porém parte de seus maiores segredos vão parar nas mãos de uma dupla de idiotas que pretendem ganhar dinheiro com o material. Para piorar sua esposa também está pensando em pedir o divórcio, transformando a vida de Cox em um verdadeiro caos pessoal e profissional. Filme indicado a duas categorias no Globo de Ouro. 

Pablo Aluísio.

sábado, 17 de janeiro de 2026

The New Yorker - 100 Anos de História

Título no Brasil: The New Yorker - 100 Anos de História
Título Original: The New Yorker at 100 
Ano de Lançamento: 2025
País: Estados Unidos
Estúdio: HBO Documentary Films
Direção: Marshall Curry
Roteiro: Marshall Curry
Elenco: David Remnick, Tina Brown, Adam Gopnik, Fran Lebowitz, Malcolm Gladwell, Art Spiegelman

Sinopse:
O documentário celebra o centenário da revista The New Yorker, explorando sua trajetória desde a fundação em 1925 até sua consolidação como uma das publicações mais influentes do mundo. Por meio de entrevistas, imagens de arquivo e capas icônicas, o filme examina como a revista moldou o jornalismo literário, o humor, a crítica cultural e o pensamento político ao longo de um século de história americana e mundial.

Comentários: 
A revista The New Yorker é uma das poucas sobreviventes depois que a Internet destruiu a imensa maioria das publicações de papel! E isso é algo que lamento demais. O que mais gostava de fazer era ir em uma banca para comprar revistas, jornais, etc. Isso não existe mais na maioria dos lugares ao redor do mundo. Só que algumas publicações lutam bravamente para sobreviver e entre elas essa é uma das mais celebradas. Ainda é muito influente no meio cultural e intelectual dos Estados Unidos. Nesse documentário acompanhamos não apenas a rotina da revista, onde jornalistas dão seus depoimentos, como também a própria história da publicação que começou, há 100 anos, quase como uma revista de humor! Ao longo das décadas foi se adaptando e evoluindo, publicando crônicas e contos de grandes escritores da literatura. É sem dúvida algo a se celebrar. Espero que a The New Yorker dure muito mais que cem anos à frente! O mundo precisa cada vez mais de revistas como essa. 

Pablo Aluísio. 

Matthew Perry - Uma Tragédia em Hollywood

Título no Brasil: Matthew Perry - Uma Tragédia em Hollywood 
Título Original: Matthew Perry: A Hollywood Tragedy
Ano de Lançamento: 2025
País: Estados Unidos
Estúdio: Peacock Originals
Direção: Robert Palumbo
Roteiro: Robert Palumbo
Elenco: Matthew Perry, Morgan Fairchild (depoimentos), especialistas em entretenimento e autoridades legais (entrevistas). 

Sinopse:
Este documentário investiga a vida e os últimos dias de Matthew Perry — ator consagrado por seu papel como Chandler Bing em Friends — incluindo sua longa batalha contra o vício e as circunstâncias trágicas que cercaram sua morte em outubro de 2023. A narrativa combina entrevistas com colegas, atores que trabalharam com ele, profissionais de Hollywood e autoridades legais, além de relatar o processo criminal envolvendo várias pessoas acusadas de fornecer ao ator a ketamina que foi encontrada em seu organismo.

Comentários:
Mais uma história triste envolvendo um artista americano que se afundou no mundo das drogas e das bebidas. E tudo foi bem trágico porque ele tinha consciência de seus problemas e lutou contra todos os vícios, chegando a escrever um livro para ajudar outras pessoas a se reerguerem na vida. Nesse processo venceu muitas batalhas, mas infelizmente perdeu a guerra! Foi uma vida de altos e baixos. No auge do sucesso da série Friends, só para citar um exemplo, ele chegou a ganhar um milhão de dólares por episódio! E tudo isso foi se perdendo porque ele tinha muitos demônios interiores. Acabou sendo encontrando morto na banheira de sua mansão. Na realidade ele não sofreu tecnicamente uma overdose de drogas, mas simplesmente apagou por estar chapado demais e como estava sozinho em casa acabou morrendo afogado na própria banheira! Uma dessas mortes inacreditáveis e banais que acontecem com bastante frequência envolvendo  esse tipo de usuário de drogas pesadas. E assim só podemos lamentar. Mais uma vida que se vai por todos os motivos errados. 

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Sangre del Toro

Título no Brasil: Sangre del Toro
Título Original: Sangre del Toro
Ano de Lançamento: 2025
País: França / Reino Unido
Estúdio: Kador, Brillant Pictures
Direção: Yves Montmayeur
Roteiro: Yves Montmayeur
Elenco: Guillermo del Toro, Eugenio Caballero, Junji Ito, David Cronenberg 

Sinopse:
Este documentário cinematográfico explora a carreira, identidade criativa e influências do cineasta Guillermo del Toro, traçando um percurso desde suas memórias de infância, mitos culturais e imagens de monstros até a forma como esses elementos moldaram seus filmes visionários. A obra combina entrevistas, reflexões e material visual que revelam o processo criativo do diretor mexicano mostrando como suas raízes culturais e experiências pessoais informaram obras que misturam fantasia, horror e imaginação.

Comentários:
Outra boa dica para quem gosta de cinema, ou melhor dizendo, dos bastidores da sétima arte. Aqui o foco vai para o talentoso cineasta Guillermo del Toro. Em minha opinião ele faz parte de uma linhagem de diretores de cinema atualmente em extinção, a dos cineastas autorais, que realmente deixam sua digital em cada um de seus filmes. E o sujeito parece ser muito boa praça, uma dessas pessoas bem cultas em cultura pop, daqueles que eu gostaria de sentar numa praça para conversar por horas e horas a fio com ele! E seu conhecimento sobre o universo do terror, seja de quadrinhos ou filmes, é algo de se admirar. Agora, de todas as revelações que faz ao longo desse filme, a mais inteligente e pertinente é quando Guillermo del Toro confessa a enorme influência que o simbolismo católico exerceu sobre sua filmografia. É uma observação precisa, que revela muito dele mesmo. E realmente vamos admitir, ele é um diretor de cinema acima da média, realmente único!

Pablo Aluísio.