sábado, 6 de setembro de 2014

Eu Sou o Homem-Aranha!

Ok, pode parecer tolice - e de certa forma é, mas não deixa de ser algo curioso tentar entender o sucesso de certos personagens dos quadrinhos. Confesso que nunca fui um fã assumido de revistas em quadrinhos, minha arte preferida sempre foi o cinema, mas como hoje em dia a cultura pop está interligada em várias linguagens isso se torna um mero detalhe. Se o Superman é acusado de ser um reacionário do American Way of Life, encarnando a própria bandeirona americana, o Homem-Aranha é um personagem mais do que curioso. De certa forma ele é a antítese dos mais populares heróis da cultura pop dos Estados Unidos. Pense, Peter Parker não é um milionário como o Batman e nem um alienígena com super poderes como o Superman. Também passa longe de ser um Deus como Thor, não tem a força do Hulk e nem muito menos a inteligência do Homem de Ferro.

Ele é apenas um jovem, estudante, sem dinheiro, com problemas de relacionamento com a garota que ama. Tem um subemprego, onde tenta ganhar alguns trocados, um patrão chato e neurótico e para completar mora com a tia em um apartamento apertado. Com esses atributos (ou a falta deles) é sério que alguém ainda não consiga entender o sucesso desse personagem?! Pense bem. O Homem-Aranha não é o mais popular herói criado por Stan Lee por acaso. Não é o fato dele soltar teias e sair pendurado por aí que o torna popular, mas sim o fato dele ser um espelho do próprio leitor dos quadrinhos! A identificação é imediata. O leitor de quadrinhos quando o Aranha surgiu nas tirinhas também era um jovem, sem grana, estudante, que sonhava um dia também ser um herói. Stan Lee não é considerado um gênio à toa, ele sabia muito bem o que estava fazendo. Assim que abria as páginas de sua nova revistinha o leitor do Homem-Aranha podia exclamar para si mesmo: "Eu sou o Homem-Aranha"!

As pessoas precisam entender que se hoje em dia os personagens de quadrinhos valem milhões nem sempre foi assim. Nos anos 40, 50 e 60 os personagens da Marvel e da DC Comics passavam longe de ter todo esse status que desfrutam na atualidade. Quadrinhos naqueles tempos era uma arte menor (se é que alguém da época chegou mesmo a qualificar as aventuras em tirinhas como arte). Não me entenda mal. Não estou aqui para desqualificar os quadrinhos, ou comics, como os americanos gostam de chamar, nada disso. Só estou dizendo que como o próprio Stan Lee comentou em um documentário recente aqueles anos pioneiros eram de dureza, acima de tudo. Os roteiristas e desenhistas tinham uma vida dura, ganhavam pouco e não eram reconhecidos. Muitos dos criadores de alguns dos mais populares personagens de todos os tempos morreram praticamente na miséria. Iam para o trabalho de ônibus ou metrô e viviam uma vida de falta de grana com suas famílias em subúrbios de Nova Iorque. Sem dúvida eram artistas com "A" maiúsculo, mas não gozavam do prestígio, do dinheiro e da fama que hoje ostentam sujeitos como o próprio Stan Lee - que graças a Deus viveu para ver seu talento reconhecido devidamente, em vida!

Assim o cabeça de teia é no fundo o alter-ego de cada leitor de suas aventuras. Não há muito mistério sobre isso. Se o Superman é o cara bonitão, cheio de valores e muito ciente de seus deveres, o Homem-Aranha é apenas um cara comum tentando viver um dia de cada vez. E ganhar a vida, não se engane, é muito duro para um nova-iorquino como ele. O Batman é um poço de complexos, traumas e tragédias mas quando se mora em uma mansão milionária, tendo acesso a todos os brinquedos tecnológicos mais sofisticados, a coisa fica mais fácil. Pior é ter os mesmos traumas - sim o Aranha também tem parentes mortos - mas precisando pegar o metrô todas as manhãs para encarar um emprego chato e sem graça. Diante disso não resta dúvidas que o Peter Parker é mesmo um herói, no mais estrito sentido da palavra.

Pablo Aluísio.

7 comentários:

  1. Concordo, apesar que o Peter Parker do gibi é tão ou mais bontio que o Bruce Wayne e o super-poder que ele possui o coloca bem proximo ao mais poderoso dos herois. Ou seja, ser um sujieto comum assim também é bem mais fácil.

    Para mim é a fantástica irreverencia com os seus oponentes que ele mostra no gibi é o maior atrativo para os leitores em relação aos outros herois bonzinhos e/ou chatinhos.

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  3. Sim, esse é um ponto a se destacar no personagem. Por falar nisso não sei se você lembra mas existia um desenho animado dos anos 80 que chegou a ser exibido na Rede Globo em que esse lado irreverente do Homem-Aranha era muito bem explorado - com ótimos resultados, diga-se de passagem.

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  4. Sim e voltou a ser explorado no último filme so cinema, felizmente.

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  5. Pois é, enquanto que na franquia do Raimi isso era praticamente inexistente. O Tobey fazia mais a linha coitadinho... rsrsrs

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  6. Pablo: você já deve ter assistido Viva um Pouquinho Ame um Pouquinho do Elvis, certo? Eu revi ontem esse filme. Pois bem:, você percebeu que talvez esse seja um dos melhores filmes do Elvis na década de '60 no que tange a complexidade, moralidade e, até, vanguardismo da estória? Uma certa hora uma moça até passa a mão na bunda do Elvis quando este está tomando banho; há uma viagem lisérgica, etc. Como isso aconteceu em uma época em que o Elvis havia feito coisas pueris como Kissin Cousins? O que aconteceu? Será que coronel estava dormindo?

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  7. Sim, assisti a todos os filmes de Elvis. Esse faz parte da última fase da carreira de Elvis no cinema quando ele já estava com um pé fora do mundo do cinema. Os enredos bobinhos não faziam mais sentido por essa época e por isso Elvis arriscou fazer algo diferente. Também com aquela idade ele não tinha mais como interpretar adolescentes de férias na praia como tinha feito tantas vezes ao longo de sua carreira em Hollywood.

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