quinta-feira, 17 de maio de 2018

Desejo de Matar

O filme "Desejo de Matar" de 1974 foi um dos maiores sucessos da carreira do ator Charles Bronson. Grande sucesso de bilheteria rendeu várias continuações ao longo dos anos. Agora temos um ramake daquele clássico de ação. No lugar de Bronson entra Bruce Willis. A trama segue basicamente a mesma, com pequenas e pontuais modificações. A profissão do protagonista, por exemplo, mudou. No filme original ele era um arquiteto, agora Willis interpreta um médico. De resto tudo segue na mesma linha. Ele é o pai da família feliz, com uma bela esposa e uma filha estudiosa que está prestes a entrar na universidade. Tudo caminhando muito bem, até que a família se torna vítima da extrema violência que assola Chicago.

Três criminosos invadem a casa, fazendo de reféns mãe e filha. Eles querem dinheiro e joias que estão em um cofre. O assalto foge do controle quando a filha tenta reagir, no meio da confusão as duas são baleadas. O Dr. Paul Kersey (Bruce Willis),  considerado um homem racional e equilibrado, começa a perceber que nem sempre confiar nas forças policiais traz algum resultado. O departamento tem centenas de casos abertos, sem solução. Há poucos investigadores para tantos crimes. Os homens que mataram sua esposa estão soltos, livres para cometer outros assassinatos. Assim ele resolve fazer justiça com as próprias mãos. Com a posse de uma arma, ele começa a investigar, ir atrás dos criminosos. Quem assistiu a algum filme da série original "Desejo de Matar" sabe bem o que acontece daí para a frente. O roteiro é um dos mais emblemáticos nessa temática de justiceiro das ruas. Aliás foi copiado à exaustão por anos e anos por outras produções ao longo de todo esse tempo.

Apesar da falta de novidades, confesso que gostei do filme. Bruce Willis é uma ótima escolha para substituir Charles Bronson. Isso não apenas pelo fato dele ter estrelado filmes de ação por toda a sua carreira, mas também por convencer plenamente como um homem comum, pai de família, que entende que deverá sujar as mãos para fazer a justiça que tanto espera. Isso não aconteceria caso Stallone estrelasse o filme. Aliás o ator havia acertado com o estúdio que iria estrelar essa fita. Quando a pré produção começou a ser feita era o nome de Stallone que figurava nos cartazes promocionais do filme. Só que o ator, na última hora, resolveu pular fora. Para amigos disse que seria complicado superar Charles Bronson em um filme tão associado a ele. Com isso Bruce Willis foi contratado. Decisão bem certeira, já que o resultado ficou realmente bom. Simples e eficiente esse novo "Desejo de Matar" cumpre o que promete e não desmerece o legado de Charles Bronson.

Desejo de Matar (Death Wish, Estados Unidos, 2018) Direção: Eli Roth / Roteiro: Joe Carnahan, baseado no romance policial escrito por Brian Garfield / Elenco: Bruce Willis, Dean Norris, Elisabeth Shue, Vincent D'Onofrio / Sinopse: Após sua esposa ser morta em um assalto em sua casa, o médico e pacata pai de família Dr. Paul Kersey (Bruce Willis) começa a perceber que os criminosos ficaram soltos. A polícia de Chicago tem centenas de casos em aberto, sem solução. Falta investigadores e infra estrutura. Assim ele decide fazer justiça com as próprias mãos, indo atrás dos assassinos para eliminar um a um os bandidos.

Pablo Aluísio. 

 

5 comentários:

  1. Avaliação:
    Direção: ★★★
    Elenco: ★★★
    Produção: ★★★
    Roteiro: ★★★
    Cotação Geral: ★★★
    Nota Geral: 7.8

    Cotações:
    ★★★★★ Excelente
    ★★★★ Muito Bom
    ★★★ Bom
    ★★ Regular
    ★ Ruim

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  2. Pablo:

    Sabe o que falta em remakes que os torna versões grosseiras? Sutilezas.

    Vamos lá: no primeiro filme, com o Charles Bronson, que era visto por mim e por todos naqueles anos como o uma cara muito durão, O Paul Kersey é, surpreendentemente, um arquiteto!, ou seja, um homem numa profissão quase feminina. Entendeu? Depois, quando a tragédia com a sua família acontece, ele corroído pela dor, e sem respaldo das autoridades, coisa normal na década de "70 nos Estados Unidos, (e no Brasil de hoje) ele pensa em fazer justiça com as próprias mãos. Mas aí vem o problema, ele é um arquiteto e não um militar, então como ele irá para as ruas atrás de facínoras? Armado com um esquadro? Ai vem a sutileza que falei, que parece nessa versão nova se passou por cima. O Paul Kersey pega uma meia masculina normal, a enche de moedas e sai as ruas e na primeira oportunidade que encontra malfeitores, os surra com essa arma que era a coisa mais contundente que a alma de um arquiteto poderia aceitar fosse usada para atingir um outro ser humano até ali. O que acontece que com essa ação? Nós passamos a acreditar que realmente estamos diante de um cidadão comum tentando fazer justiça e não com um Charles Bronson executando friamente seus semelhantes, mesmo que perversos, e isso cria uma empatia imediata conosco. É óbvio que no decorrer do filme e, principalmente, no decorrer das sequências, o Paul Kersey se torna um exterminador, mas a essa altura já havia ganho a nossa empatia no primeiro filme, então tudo é digerido mais facilmente.

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  3. Ótimas observações Serge.
    De fato o filme original pega o espectador justamente pelo caráter de homem comum do personagem principal. Foi uma inovação e tanto no tema justiceiro, até porque o que mais se aproximava disso antes de "Desejo de Matar" era o personagem Dirty Harry do Clint Eastwood, só que esse não era um cidadão comum, mas sim um policial armado com uma Magnum 44, o que fazia toda a diferença. Esse detalhe do saco de moedas não existe nesse remake. O médico interpretado pelo Bruce Willis acaba indo para sua "primeira noite" nas ruas com uma arma, que ele mal sabe usar. A pegou na sala de operação do hospital onde trabalha, quando um traficante chega para ser operado após levar vários tiros. Como eu disse na resenha o roteiro não é praticamente igual, há diferenças em pequenos detalhes e situações.

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    1. Pois é, nessas diferenças é que faltam as filigranas de sutilizas que fariam a diferença.
      A profissão de médico já vem carregada com certa virilidade, até pela dureza do que se vê no dia a dia. Pegar uma arma de um traficante num hospital? Gente normal não faz isso nem a pau.
      Mas tudo bem. Quiseram mudar e perderam o principal, o homem, realmente, comum.

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  4. Pegar a arma do traficante nem é um ato de heroísmo no filme. A arma simplesmente cai da maca e o Bruce Willis a chute para debaixo, com a intenção de a pegar depois. Mesmo assim concordo que não seria algo que alguém dito normal faria.

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