quarta-feira, 12 de março de 2008

As Sangrentas Guerras Napoleônicas

As guerras promovidas por Napoleão Bonaparte foram extremamente sangrentas, alguns historiadores afirmam que nunca havia antes se morrido tanto nos campos de batalhas da Europa continental. Os números falam por si. Estima-se que três milhões morreram nas diversas batalhas envolvendo Napoleão. Só na campanha da invasão da Rússia o exército francês perdeu meio milhão de soldados. Um desastre monumental. A explicação para a extensão de tantas mortes, além de soldados feridos, aleijados e lesionados, se deu em razão da grande extensão territorial da própria guerra sem fim promovida por Napoleão. Ele representava os ideais da revolução francesa, que eram um perigo para todas as monarquias da Europa. Por isso Napoleão entrou em conflito com praticamente todas as nações europeias, levando seu grito de guerra para os mais distantes rincões do continente. Foi uma guerra em larga escala e como se poderia prever também foi elevado o número de mortes, tanto em relação aos civis como também aos militares.

Napoleão Bonaparte também incentivou as leis de recrutamento obrigatório, aumentando em muito o número de soldados em seus exércitos. Napoleão igualmente determinou o recrutamento forçado de homens das regiões conquistadas. Ampliou a idade de serviço militar e com isso tudo se tornou inevitável. Mais homens no campo de batalha, mais mortes. Muitos desses soldados também não tinham o devido preparo, por causa do número insuficiente de oficiais para treiná-los adequadamente. Muitos só aprendiam a puxar o gatilho, mas não técnicas de sobrevivência ou de luta no campo de batalha. Napoleão também não era o tão brilhante general que muitos pensavam. Ele tomou decisões equivocadas, mal pensadas, incentivado apenas por seu ego monumental. Por isso Napoleão colocou muitas de suas tropas em operações que eram verdadeiras missões suicidas, sem chance de êxito. O número de baixas só poderia ser muito elevado. Some-se a isso o despreparo das tropas, a falta de provisões e retaguarda e você entenderá porque em certos aspectos muitas das campanhas de Napoleão foram enormes desastres militares e humanos.

Napoleão Bonaparte não tinha muito respeito pela vida humana. Basta estudar suas guerras para bem entender isso. Também era um sujeito contraditório. Fruto da revolução francesa queria no fundo se tornar um monarca, um imperador, como os do passado, do velho regime. Por isso tinha uma certa atração doentia pelos representantes do absolutismo do passado, como o Czar da Rússia Alexandre I. Após literalmente levar uma surra no campo de batalha, Alexandre entrou em contato diplomático com Napoleão. Queria encontrá-lo pessoalmente. Bonaparte prontamente aceitou e eles se encontraram em território neutro. O mais estranho dessa reunião é que Napoleão ficou encantando com o jovem imperador russo. Chegou a dizer que se ele fosse uma mulher teria se tornado seu amante!

Alexrandre era alto, jovem e muito inteligente. O encontro entre os dois resultou em uma aliança contra a Inglaterra, mas o Czar russo sabia que mais cedo ou mais tarde teria que enfrentar o imperador francês no campo de batalha, algo que efetivamente aconteceu porque Napoleão decidiu invadir a Rússia, o que causou sua ruína, já que a campanha foi um desastre. Corroídos pela fome e frio muitos soldados franceses (milhares deles na verdade) morreram na longa e penosa marcha de retirada durante o rigoroso inverno russo. Pois é, o jovem (e para Napoleão) inexperiente Czar destruiu os exércitos do general francês que era considerado imbatível no campo de batalha. Um feito histórico único! Depois de perder nos campos congelados sem fim da Mãe Rússia, Napoleão perdeu a fama de ser imbatível, de ser perfeito no caminho de suas conquistas. Ele não era fenomenal, era apenas um homem e como tal poderia ser mesmo derrotado, como bem provou Alexandre I e seu forte e armado exército. O fim das guerras napoleônicas teve um marco bem preciso. O povo francês já sabia que Napoleão havia sido feito prisioneiro, enviado para um exílio numa ilha distante, porém apenas quando Alexandre I desfilou em seu cavalo pelas ruas de Paris é que os franceses finalmente entenderam que seu amado general havia sido derrotado para sempre.

Pablo Aluísio.

3 comentários:

  1. História
    As Sangrentas Guerras Napoleônicas
    Pablo Aluísio.

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  2. Belo texto, Pablo. Ungida pelo Iluminismo, a Revolução Francesa, que tanto lutou pelos ideais: Liberdade, Igualdade e Fraternidade, teve que engolir o fato de Napoleão, não somente sentar-se no trono, como coroar-se a si próprio, imperador francês.


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  3. Pois é, Telmo, Napoleão Bonaparte errou. Errou por ter ficado atraído pelos títulos da nobreza absolutista. Ao tentar ser ele próprio um imperador como o czar russo, ele se tornou um líder sem a legitimação dos ideais da revolução francesa que iam contra esse tipo de situação.

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