quarta-feira, 12 de março de 2025

O Homem do Saco

O Homem do Saco
Eu pensava que esse personagem do universo infantil, o Homem do Saco, era coisa da cultura brasileira, do nosso folclore. Pois é, assim pensava até assistir a esse filme produzido nos Estados Unidos. O próprio roteiro do filme se prontifica a ensinar que essa figura existe em diversas culturas mundo afora. É mundial! Provavelmente teve origem em tempos bem remotos da humanidade. Uma maneira de assustar as crianças para que elas se comportassem bem, não fossem para longe de casa e nem falassem com estranhos. O tempo passou e Hollywood achou que seria uma boa ideia produzir um filme de terror com esse personagem dos medos infantis. 

E para minha total surpresa o filme até que ficou interessante. OK, tem momentos bem banais, onde curiosamente se sobressai a presença da tal criatura do saco! Essas cenas não formam o elo mais interessante do roteiro. O que esse roteiro trabalha bem é a questão dos traumas adquiridos na infância que muitas vezes vão parar na fase adulta do ser humano. Algo mais comum do que se pensa. E diante desse desenvolvimento mais psicológico da trama ficamos, em determinado momento do filme, até em dúvida sobre o que seria real e o que seria apenas fruto de uma mente traumatizada na infância. Aliás, em minha opinião, o filme teria ganhado muitos pontos se tivesse optado por esse caminho mais, digamos, racional, coerente. Só que o cinema comercial também tem suas exigências e o filme, infelizmente, se rendeu a elas na parte final. Ainda assim é um bom filme de terror, apesar do tema que sinceramente não é muito fácil de se vender numa bilheteria de cinema. 

O Homem do Saco (Bagman, Estados Unidos, 2024) Direção: Colm McCarthy / Roteiro: John Hulme / Elenco: Sam Claflin, Antonia Thomas, Caréll Vincent Rhoden / Sinopse: O filme conta a história de um homem que traz traumas de infância e que agora vai precisar defender sua família de uma estranha criatura que parece ter saído diretamente de seus mais terríveis pesadelos infantis. 

Pablo Aluísio. 

A Pirâmide

A Pirâmide 
Um grupo de arqueólogos fica empolgado quando descobre uma pirâmide até então desconhecida enterrada nas areias do deserto do Egito. Eles acreditam que seja a pirâmide perdida do Faraó Akhenaton, o monarca herege. Só que a descoberta acaba criando tumultos pelas ruas do Cairo, então o ministério responsável por dar as licenças para essas escavações a revoga. Os americanos porém ainda possuem um dia de exploração. Enviam para dentro da pirâmide um robô de alta tecnologia da NASA. Só que o equipamento acaba sendo atacado e destruído por estranhos seres. E para resgatar seus destroços uma equipe é enviada para dentro da pirâmide e lá vão encontrar o mais temível dos horrores. Eu até gostei desse mockumentary (falso documentário) de terror e suspense. Começa meio sem novidades, a velha coisa de massacrar personagens descartáveis por criaturas estranhas. Na verdade uma velha raça de gatos que viveu por milênios dentro daquela pirâmide. Gatos sem pelos, asquerosos! OK, aceitável. Felinos malignos sempre serão legais em filmes de terror. O que traz uma boa novidade para esse filme é o aparecimento do deus devorador Anúbis! Aí sim eu gostei. 

Imagine se esses antigos deuses do Egito Antigo fossem monstros! Pois é, no caso do Anúbis, o deus com corpo de ser humano e cabeça de chacal, nada poderia mais adequado! Ele pesava o coração dos homens em uma balança. Se ele fosse mais pesado do que uma pena, o monstro os devoraria! Isso é pura religião (mitologia) do Egito antigo, mas aqui o roteiro coloca o Anúbis como um monstro de filme de terror. E olha, funcionou muito bem! Foi o que mais gostei do roteiro desse filme! Salvou ele da mediocridade! Então é isso. Até vale a indicação para quem gosta de filmes de terror e história do Egito nos tempos dos faraós! 

A Pirâmide (The Pyramid, Estados Unidos, 2014) Direção: Grégory Levasseur / Roteiro: Daniel Meersand, Nick Simon / Elenco: Ashley Hinshaw, James Buckley, Denis O'Hare / Sinopse: Uma pirâmide desconhecida da arqueologia moderna é encontrada enterrada nas areias do deserto do Egito. Pode ser a descoberta do século! Só que ao entrar no misterioso monumento antigo, o terror e o pavor logo se espalham entre os exploradores. 

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 11 de março de 2025

Seminole

Título no Brasil: Seminole
Título Original: Seminole
Ano de Produção: 1953
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal International Pictures
Direção: Budd Boetticher
Roteiro: Charles K. Peck Jr, Charles K. Peck Jr.
Elenco: Rock Hudson, Barbara Hale, Anthony Quinn, Lee Marvin, Richard Carlson, Hugh O'Brian

Sinopse:
Um jovem tenente chamado Lance Caldwell (Rock Hudson) é enviado para servir em um forte distante, nos pântanos da Flórida. A região é foco de conflitos com os nativos da tribo Seminole, liderados pelo guerreiro Osceola (Anthony Quinn). A presença dos militares acaba aumentando ainda mais as tensões entre os dois grupos. 

Comentários:
O astro Rock Hudson fez muitos filmes na Universal em seu começo de carreira. E naqueles tempos era comum a produção de filmes de faroeste. Assim não é de se admirar que ele tenha estrelado esse western com outro grande nome do cinema na época, Anthony Quinn. Hudson interpretava um tenente do exército americano, enquanto Quinn era o seu inimigo no campo de batalha, um nativo que lutava pela sobrevivência de seu povo. A história que o filme conta é real, fez parte da conquista da Flórida. E aqui temos o primeiro grande diferencial com outros filmes da época pois o enredo se passa todo nesse Estado americano que não faz parte do oeste do país. Aliás a geografia pantanosa da Flórida serviu de cenário para excelentes cenas de guerra entre a cavalaria e os índios. Curiosamente Rock Hudson diria depois que foi extremamente complicado fazer o filme porque tudo foi feito em locação, em terras com muita lama e areias movediças. Tempos pioneiros aqueles. Assim a equipe técnica do filme acabou sentindo as dificuldades que os pioneiros sentiram ao lutarem naquele campo de batalha bem no meio dos pântanos da Flórida. Enfim temos aqui um faroeste diferente, mas extremamente bem realizado. Pode-se dizer que é uma das produções mais interessantes dos anos 1950, contando com a preciosa direção de Budd Boetticher, um especialista nesse tipo de filme.

Pablo Aluísio.

A Estância Sinistra

Título no Brasil: A Estância Sinistra
Título Original: Shadow Ranch
Ano de Produção: 1930
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: Louis King
Roteiro: Frank Howard Clark, George M. Johnson
Elenco: Buck Jones, Marguerite De La Motte, Kate Price

Sinopse:
Sim Baldwin (Buck Jones) e Ranny Williams (Frank Rice) são dois cowboys que acabam sendo dispensados após o carregamento de um rebanho de gado no Texas. Depois disso partem em busca de trabalho nos ranchos locais, mas tudo o que encontram é uma guerra não declarada entre donos de terras rivais. Após a morte de Ranny numa emboscada covarde, Baldwin decide se vingar do assassinato do amigo.

Comentários:
Um dos grandes sucessos da carreira do ator Buck Jones, que aqui acabou indo parar em um western por demais interessante, que procura também valorizar os aspectos de suspense e tensão dentro de uma propriedade conhecida como o "Rancho Sombrio". Curiosamente apesar de também ser uma fita de matinê o cineasta Louis King resolveu adicionar ao cardápio toques de sobrenatural, pegando emprestado um clima mais mórbido, tão típico dos filmes de terror da época, em especial das fitas da Universal Pictures que vinham fazendo grande sucesso. Essa mistura de gêneros porém nunca se revela completa, ficando apenas na sugestão, até porque a Columbia teve receios de que uma mistura assim não seria muito bem recebida pelos fãs de faroeste, em especial da garotada, que afinal de contas havia pago para ver um filme passado no velho oeste e não no castelo de Drácula. Mesmo assim essa tentativa de unir os dois gêneros acaba sendo o grande diferencial da fita até os dias de hoje. Vale muito a pena conhecer.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 10 de março de 2025

A Mulher do Dia

A Mulher do Dia
Nesse filme Katharine Hepburn e Spencer Tracy interpretam dois jornalistas. Ela, uma jornalista inteligente e sagaz, escreve sobre política internacional. Fala vários idiomas e está empenhada na luta pelos direitos das mulheres. Ele, um jornalista esportivo, meio quadradão, da velha escola. Eles trabalham no mesmo jornal e eventualmente entram em uma briguinha, usando suas próprias colunas para alfinetar um ao outro. Essa aproximação ruim inicial logo desanda para o interesse mútuo. Eles vão se aproximando e acabam se apaixonando! Afinal dizem que os opostos se atraem. Não demora muito e acabam se casando. Só que a diferença de personalidades uma hora ou outra, vai acabar voltando, colocando esse casamento em uma situação delicada. 

Esse filme ganhou o Oscar de melhor roteiro original, mas vem justamente do roteiro minha maior crítica ao filme. Ele é, no final, bem anacrônico e diria até mesmo covarde. Entenda que o roteiro vai trabalhando durante todo o filme na independência e coerência da esposa interpretada por Katharine Hepburn. Ela é uma mulher moderna, feminista, ciente de seu novo papel dentro daquela sociedade liberal. Perfeito, gostei muito do desenvolvimento dessa personagem que anseia ser essa nova mulher de seu tempo. O problema é que tudo isso vai terminar numa cena patética dessa mesma personagem tentando fazer o café da manhã para o marido em uma longa cena final. Ela quer salvar seu casamento e para isso tenta bancar a esposa tradicional! Que moralismo idiota! Parece mais um momento de arrependimento de um roteiro que começou liberal para terminar da forma mais anacrônica possível. Disso definitivamente não gostei nada. Faltou coragem para levantar essa bandeira até o seu final!

A Mulher do Dia (Woman of the Year, Estados Unidos, 1942) Direção: George Stevens / Roteiro: Ring Lardner Jr, Michael Kanin, John Lee Mahin / Elenco: Spencer Tracy, Katharine Hepburn, Fay Bainter / Sinopse: Dois jornalistas, de personalidades completamente diferentes, se apaixonam e se casam. E agora vão tentar salvar esse relacionamento, apesar de estarem em universos bem diferentes. Filme premiado com o Oscar de Melhor Roteiro Original. 

Pablo Aluísio.

Paixão Proibida

Jimmy (Richard Burton) e Alison Porter (Mary Ure) estão casados há muitos anos. O relacionamento porém vai de mal a pior a cada dia. Todos os dias há discussões, brigas e ofensas. Jimmy é um sujeito irascível, desrespeitoso, abusivo e violento. A esposa Alison tenta manter o casamento em pé, mas isso vai ficando cada vez mais impossível. Seu marido odeia suas amizades, seu pai, suas origens, praticamente tudo o que diz respeito a ela. Para atingir a esposa ele usa uma linguagem forte, vulgar e bastante opressiva. Não parece haver mais diálogo entre ambos, mas apenas gritos e ofensas. Para piorar Alison está grávida, mas seu marido é tão insano que ela até mesmo reluta em lhe contar a notícia. Ao invés disso pensa em aborto. Seu único apoio é sua amiga Helena Charles (Claire Bloom), uma jovem atriz que resolve passar alguns dias ao seu lado. Ao conviver com o casal todos os dias acaba conhecendo a triste realidade de Alison, afundada em um casamento falido, abusivo e deprimente.

Um casamento em ruínas é o tema desse drama inglês chamado "Paixão Proibida". O roteiro foi baseado na peça teatral escrita por John Osborne. Suas origens teatrais ficam óbvias desde a primeira cena. Quase toda a trama se passa dentro de um pequeno quarto e sala em Londres. O lugar é apertado, em cima da casa de uma senhora idosa que o alugou. É lá que vive o casal Porter. O marido Jimmy (Burton, em grande atuação) tenta sobreviver de alguma maneira. De noite passa pelas boates da cidade, tocando seu trompete, levantando alguns trocados. De dia trabalha como feirante numa barraquinha onde vende doces para as crianças. O dinheiro que ganha mal dá para a sobrevivência. Pior acontece dentro de casa. A esposa de Jimmy é uma jovem chamada Alison que todos os dias é humilhada e ofendida pelo marido. O seu pai quer que ela vá embora, mas ela resiste, tentando salvar um relacionamento falido e infeliz. Sua única amiga, a atriz Helena, chega para lhe trazer companhia e apoio, mas logo também vira alvo das ofensas e críticas mordazes de Jimmy. Desesperada por estar grávida, Alison resolve partir, indo morar com o pai e tudo desmorona depois ao saber que foi traída, justamente por alguém em quem confiava cegamente.

Esse filme de certa maneira marcou o retorno de Richard Burton para o cinema inglês. Depois de ter atuado em filmes como "O Manto Sagrado" e "Ratos do Deserto" nos Estados Unidos, ele queria voltar para a Inglaterra para rodar um filme que o desafiasse como ator. A adaptação da peça "Look Back in Anger" pareceu ser aquilo que procurava. Havia muitas cenas perfeitas para que Burton desfilasse seu talento dramático. Além disso o elenco contava com ótimas atrizes que se mostraram escolhas certas para a proposta do roteiro. O ator Richard Burton aceitou trabalhar por um cachê bem menor do que recebia em Hollywood, só pela oportunidade de trabalhar no filme. Acabou sendo recompensado por isso, ganhando indicações para o Globo de Ouro e o BAFTA Awards, dois prêmios de muito prestígio. De fato é uma das grandes atuações de sua carreira, muito corajosa é bom frisar, pois seu personagem é em essência um homem desprezível, cheio de sentimentos e atitudes rudes, cruéis e vis.

Na cena final ele ainda parece ter algum sentimento verdadeiro em seu coração, embora pareça ser tarde demais para abraçar sua redenção pessoal. O espectador certamente irá nutrir um grande sentimento de compaixão por Alison, sua esposa, pelo sofrimento pelo qual passa. A atriz Mary Ure que a interpreta também teve um fim trágico. Considerada uma das mais belas intérpretes do cinema britânico, a talentosa escocesa morreu de uma overdose acidental, ainda bastante jovem. No caso temos aqui um exemplo de como a vida pode ser tristemente parecida com a arte. Enfim, um belo drama com tintas fortes do clássico cinema britânico. Uma prova que em termos de qualidade a indústria cinematográfica de Londres não deixava muito mesmo a dever aos filmes de Hollywood da época.

Paixão Proibida (Look Back in Anger, Inglaterra, 1959) Estúdio: Woodfall Film Productions / Direção: Tony Richardson / Roteiro: Nigel Kneale, John Osborne / Elenco: Richard Burton, Claire Bloom, Mary Ure, Edith Evans, Gary Raymond, Donald Pleasence, Jane Eccles /Sinopse: O filme conta, em tom dramático, a história de um casamento em ruínas. Filme indicado ao Globo de Ouro e ao BAFTA Awards na categoria de Melhor Ator (Richard Burton).

Pablo Aluísio.

domingo, 9 de março de 2025

Jane Eyre

Jane Eyre é um clássico da literatura inglesa então obviamente o texto do roteiro tem muito pedigree. No fundo é uma estória bem romântica com várias reviravoltas, amores impossíveis, romantismo exacerbado e heróis galantes. Aqui acompanhamos a triste saga de Jane Eyre. Bem nascida tem o azar de ver seus dois pais mortos. Nas mãos de uma parenta megera logo é internada em um colégio interno, daqueles de dar arrepios, com quartos escuros e professoras violentas. Castigo físico é rotina além de muitas horas de estudo e trabalho. Jane então se torna uma moça adulta e ao sair da escola procura um emprego como governanta numa luxuosa propriedade campestre britânica (aqueles casarões que estamos acostumados a ver em filmes e séries britânicas como Downtown Abbey). Aí nesse local ela viverá emoções, paixões e tudo o mais que não convém contar mais para não estragar.

A produção é da BBC Films, então bom gosto e classe refinados é o mínimo a se esperar. A direção é meio burocrática, sem grandes arroubos autorais o que é de se compreender pois o diretor Cary Fukunaga (que apesar do nome é americano) quis apenas contar a estória do livro sem tirar nem colocar nada. Quis ser eficiente e correto. Se não atrapalha também não emociona. Percebi que diante de tanto zelo pela obra original o filme acabou soando frio, gélido, sem grandes emoções. Até mesmo o romance central (que deveria ser um arroubo de paixões descontroladas) se torna morno. De qualquer forma ainda recomendo por causa da bonita produção, dos belos jardins e da chance de conhecer, nem que seja pela tela, a obra da escritora inglesa Charlotte Bront.

Jane Eyre (Jane Eyre, Estados Unidos, 2011) Direção: Cary Fukunaga / Roteiro: Moira Buffini / Elenco: Mia Wasikowska, Jamie Bell e Sally Hawkins / Sinopse: Jane Eyre (Mia Wasikowska) morava com sua tia, e ao ficar órfã é levada para morar em um internato. Quando adulta, ela vai trabalhar como governanta na casa de Edward Rochester (Michael Fassbender) mas em breve o destino mudará completamente sua vida.

Pablo Aluísio.

O Despertar de Uma Paixão

Jovem médico inglês (Edward Norton) resolve se voluntariar para ir até a distante China onde está ocorrendo uma epidemia de cólera. A viagem tem dois objetivos: estudar o vírus da doença e levar sua esposa (Naomi Watts) para bem longe de Londres onde ele tem um caso extra conjugal com um influente político. "O Despertar de uma Paixão" me lembrou muito de outro filme que segue basicamente a mesma linha: "Entre Dois Amores". Em ambos acompanhamos os problemas de relacionamento entre duas pessoas em uma região exótica ou distante dos grandes centros. Esse tipo de produção atual com estilo de filmes antigos me atrai muito. O fato do roteiro ser baseado em famosa obra literária (de autoria de W. Somerset Maugham) só ajuda a engrandecer ainda mais o resultado final. Gostei de basicamente tudo, do enredo, da trilha sonora e claro da melhor coisa da produção: sua fotografia deslumbrante. O elenco está muito bem. Edward Norton compõe um personagem muito tímido, um cientista que não se dá muito bem com relacionamentos humanos. Sua aproximação com sua futura esposa no começo do filme é complicada pois ele não leva o menor jeito com galanteios. Essa aliás só se casa com ele por pura falta de opção após ser pressionada por seus pais (que abominam a idéia dela continuar solteirona).

O filme foi dirigido pelo cineasta John Curran que não tem nada de muito relevante em sua filmografia. De qualquer forma eu gostei de seu "Homens em Fúria" que apesar de não ter sido um sucesso de público e crítica demonstrou que Curran sabe acima de tudo contar uma boa estória. Se for passada em lugares remotos, com ótimas paisagens de fundo, ainda melhor. Aqui também há um subtexto muito interessante ao mostrar um homem da ciência tentando vencer preconceitos e tradições arcaicas em um lugar distante de tudo e de todos. Em suma, vale a pena assistir esse "O Despertar de Uma Paixão" um filme com jeitão de produção antiga, daquelas que não se fazem mais como antigamente.

O Despertar de uma Paixão (The Painted Veil, Estados Unidos, 2006) Direção: John Curran / Roteiro:Ron Nyswaner, baseado em livro de W. Somerset Maugham / Elenco: Edward Norton, Naomi Watts, Liev Schreiber e Toby Jones / Sinopse: Na década de 1920. Walter Fane (Edward Norton), um médico de classe média alta se casa com Kitty (Naomi Watts). Logo após se mudam para a China onde o marido pretende relaizar pequisas médicas.

Pablo Aluísio.

sábado, 8 de março de 2025

Os Amores de Brad Pitt

Os Amores de Brad Pitt
Considerado pelas mulheres dos anos 90 como o homem mais lindo de Hollywood, era mesmo de esperar que Brad Pitt se tornasse o alvo preferido de todos os jornais de fofocas do planeta. Cada novo relacionamento amoroso era capa de revista! Um verdadeiro superstar dos tabloides! 

Os amores de Brad Pitt foram capas e capas de revistas por todos esses anos. Vendiam muito e ele fez sua parte, conquistando novas belas garotas a cada mês. Só que seus casos com mulheres sem fama não poderiam ser comparados com as estrelas. E quando Pitt começava a namorar uma atriz famosa as revistas (e as fofocas) explodiam! Não se falava de outra coisa!

Eu sempre fui muito mais interessado no que ele fazia no cinema, nas suas atuações, mas o mundo das celebridades era impossível de ignorar. E quando Brad Pitt anunciou que estava namorando firme com a atriz Gwyneth Paltrow o mundo literalmente parou! Eu achava interessante esse caso. Eram dois profissionais da atuação de que gostava. Eram loiros, jovens, bonitos e ricos! Claro que a imprensa se fartou em cada pequeno detalhe que encontrava. Os lugares que o casal frequentava, o que eles comiam, se tinham brigado ou não, ou qual era o motivo. Ah, o mundo das futilidades! Tem gente que adora mesmo!

Esse primeiro caso amoroso terminou meio mal para o Brad Pitt. Um fotógrafo do tipo paparazzi flagrou ele na varanda de uma cobertura fazendo brincadeiras eróticas com a Gwyneth Paltrow. Nu, com o pênis no meio das pernas, Pitt parecia rebolar e dançar para a namorada, que caía na gargalhada! Nem preciso dizer que foi um escândalo um tanto constrangedor para todos os envolvidos quando as fotos foram publicadas nos jornais, no dia seguinte. E pelo visto isso esfriou o relacionamento entre os pombinhos!

Depois de Gwyneth Paltrow veio o namoro com Jennifer Aniston. Você que é jovem não tem a menor ideia do estouro que foi esse relacionamento no meio da imprensa. Não se falava de outra coisa, também pudera, ela era a estrela do programa mais visto da TV americana da época, o megasucesso Friends. De certa maneira era naquele momento a namoradinha da América! 

Então namorar o galã número 1 de Hollywood foi mesmo explosivo! E quando Pitt apareceu em Friends para uma participação especial a audiência bateu todos os recordes! E depois de cinco anos, tudo acompanhado com olhos de lince pela imprensa, finalmente eles se casaram em 2000. Parecia o final perfeito e feliz para a década de 1990 do casal. Eles tinham chegado lá, no topo absoluto do sucesso na vida profissional e amorosa! Era o casal mais famoso e bem sucedido do mundo! A cerimônia de casamento foi um grande evento, com congestionamento de helicópteros, onde todo mundo queria ver pelo menos uma foto do momento feliz do casal! 

Só que, como todos sabemos, esse era o mundo real e não uma história de uma comédia romântica de Hollywood. Assim após cinco anos de casamento a coisa toda parecia ter parado no marasmo. A velha paixão, por parte dele, parecia ter esfriado! Digo por parte dele porque em meu ponto de vista a Jennifer Aniston sempre o amou demais! Acredito inclusive que ela o ama até os dias de hoje! 

Infelizmente para Jennifer Aniston, o Pitt acabaria se apaixonando pela Angelina Jolie. Eles estavam filmando um filme que eu pessoalmente acho bem ruinzinho chamado Sr. e Sra. Smith. Uma comédia de ação meio boboca. Bom, se o filme era ruim, o casal pareceu não se importar muito e começou a se pegar pra valer nos bastidores. Assim que começaram as filmagens a boataria se espalhou por Hollywood. Pitt, um homem casado, estava tendo um ardoroso romance com Jolie, que também era casada! Os jornais sensacionalistas foram à loucura! O namoro deles ganhou até nome, "Brangelina"! 

E isso me surpreendeu muito na época. Não havia duas mulheres mais diferentes em Hollywood do que Angelina Jolie e Jennifer Aniston. Enquanto Aniston fazia o estilo de garota legal, aquela vizinha muito simpática e bonita que você almejava namorar de mãos dadas, a Jolie era o extremo oposto. Era uma mulher de muita atitude, vamp, sensual, uma autêntica devoradora de homens... fossem eles casados ou não!

A Jennifer Aniston até tentou salvar o casamento, mas a humilhação pública foi demais! Ela largou o amor de sua vida, que se foi para sempre para então se casar com Jolie, um casamento que não iria se revelar feliz, terminando em um verdadeiro barraco jurídico nos tribunais, com acusações para todos os lados, fazendo com que o responsável de relações públicas do ator tivesse que trabalhar em dobro para abafar as partes mais picantes e destrutivas para sua carreira!

Pablo Aluísio. 

A Febre do Titanic


A Febre do Titanic
Muitos que vão ler essas linhas não viveu o impacto do filme Titanic dentro da cultura da época. Foi um enorme sucesso de bilheteria. E eu vivi tudo aquilo. Já era um cinéfilo empenhado, daqueles que assistiam a todos os filmes de relevância que eram lançados tanto no cinema como no mercado de vídeo VHS. Por essa razão conhecia muito bem o trabalho do Leonardo DiCaprio. 

Só que depois de Titanic as coisas mudaram muito! Leonardo deixou de ser apenas um jovem ator muito talentoso, conhecido dos cinéfilos para se tornar uma celebridade internacional de alta popularidade. Eu bem me lembro de ficar impactado ao ver tantas capas de revistas com o ator. Quem gostava de cinema o conhecia, mas ele era um jovem talentoso sem muito apelo de mídia. Tanto isso é verdade que simplesmente não me recordo de ter visto ele em nenhuma capa de revista de cinema antes de Titanic. 

Mas aí veio o impacto avassalador de Titanic nas bilheterias. Em pouco tempo o filme se tornou o mais popular e lucrativa da história do cinema, superando ET que ocupava essa posição desde 1982. As filas de cinema davam voltas nos quarteirões e eu estive em uma dessas filas, claro, pois vi o fenômeno todo em primeira mão, no calor dos acontecimentos. 

Então Leonardo DiCaprio virou uma celebridade ao estilo cantores dançarinos de boys bands! As adolescentes gritavam por onde ele passava, compravam todas as revistas teens com ele na capa. Uma coisa assombrosa! Todas as jovens queriam ser sua namorada, todas compravam livros para saber mais sobre sua vida. 

Eu jamais vou esquecer o que vi naquele ano! Foi algo realmente de impressionar. E todo o sucesso não se resumiu ao cinema. A trilha sonora de Titanic vendeu muito, embalada pelo hit "My Heart Will Go On" de Celina Dion. Tocava o tempo todo nas emissoras de rádio. Sempre que ouço essa música sou transportado imediatamente para aquela época, pois foi mesmo um sucesso daqueles marcantes, que todos conheciam. Foi o tema romântico musical de muitos jovens casais. Não tenha dúvidas disso. 

O interessante é que o passar dos anos só fez bem ao Leonardo DiCaprio. Ele deixou de ser aquele ídolo adolescente daquela fase de absurdo sucesso popular e voltou a ser o que sempre havia sido, ou seja, um bom ator de cinema, cujos filmes eram conhecidos por quem entendia e curtia cinema. Não se engane, a tribo dos cinéfilos sempre foi muito exclusiva e se sentiu, por aquele breve período de tempo, meio que invadida pelas fãs histéricas do Leo. Ninguém, no fundo, curtia aquela verdadeira "Beatlemania" em cima do Leonardo DiCaprio. Todo cinéfilo, afinal de contas, é meio presunçoso. E eu confesso que também tenho esse pecado. 

Pablo Aluísio.