sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Águas Profundas

Águas Profundas
Achei bem interessante esse filme, principalmente por apresentar uma ideia até mesmo parecida com o clássico da literatura brasileira, Dom Casmurro, de Machado de Assis. Essa linha mais psicológica, envolvendo um homem que tem muitos ciúmes de sua bela esposa. Ela inclusive apresenta um comportamento muito suspeito. O marido por outro lado fica sempre com um pé atrás na dúvida crucial sobre ela estar lhe traindo ou não nesse casamento conturbado. E esse tipo de situação, não se engane sobre isso, é bem mais comum do que se pode pensar na vida cotidiana de casais. 

O protagonista é um bom marido, um daqueles sujeitos sem máculas em seu comportamento pessoal. Já a esposa, além de ser linda, é bem desiniba. Em festas costuma flertar abertamente com outros homens, um comportamento tão fora dos padrões que todos ficam constrangidos, até mesmo os casais amigos de seu marido. Só que ele, por outro lado, não tem a prova definitiva dessa traição. Então começa um jogo até mesmo sádico envolvendo esse casal. Um marido ciumento e uma esposa atrevida, desinibida, ousada e sensual, uma combinação que geralmente não costuma dar muito certo. Há traição ou não há traição nesse relacionamento? Assista ao filme e tire suas próprias conclusões. 

Águas Profundas (Deep Water, Estados Unidos, 2022) Direção: Adrian Lyne / Roteiro: Zach Helm, Sam Levinson, Patricia Highsmith / Elenco: Ben Affleck, Ana de Armas, Tracy Letts / Sinopse: Marido ciumento sofre com o comportamento fora dos padrões de sua esposa. E a situação só piora quando ele passa a ser suspeito do desaparecimento desses supostos amantes dela. 

Pablo Aluísio.


Em Cartaz: Águas Profundas
O thriller psicológico Águas Profundas foi lançado em março de 2022, dirigido por Adrian Lyne, cineasta conhecido por clássicos do suspense adulto como Atração Fatal e Proposta Indecente. Estrelado por Ben Affleck e Ana de Armas, o filme é uma adaptação do romance homônimo de Patricia Highsmith e marcou o retorno de Lyne ao cinema após quase duas décadas. Diferentemente do lançamento tradicional nos cinemas, o longa teve estreia direta no streaming, pela plataforma Hulu nos Estados Unidos e Prime Video em outros mercados, decisão que já indicava expectativas cautelosas quanto à sua recepção.

Por ter sido lançado majoritariamente em streaming, Águas Profundas não teve números oficiais de bilheteria cinematográfica divulgados. Ainda assim, o filme alcançou ampla visibilidade nas semanas seguintes à estreia, impulsionado tanto pela curiosidade em torno do casal protagonista — que vivia um relacionamento fora das telas naquele período — quanto pela reputação do diretor. Relatórios da imprensa especializada apontaram que o longa figurou entre os títulos mais assistidos da plataforma em seus primeiros dias, embora sem dados públicos detalhados de audiência.

A reação da crítica foi majoritariamente negativa, com muitos jornalistas apontando problemas de tom e coerência narrativa. O The New York Times descreveu o filme como “um suspense estranhamente inerte, que nunca encontra o ritmo ou a tensão que promete”, enquanto a revista Variety afirmou que “nem mesmo o pedigree de Adrian Lyne consegue dar unidade a uma história que oscila entre o drama conjugal e o thriller criminal”. Essas avaliações refletiram uma frustração generalizada com o potencial não realizado da obra.

Outros críticos foram ainda mais duros. O The Guardian classificou o filme como “um retorno decepcionante de Adrian Lyne, carregado de ideias antiquadas sobre desejo e poder”, sugerindo que o estilo do diretor parecia deslocado no contexto contemporâneo. Já a Rolling Stone escreveu que Águas Profundas era “mais curioso do que envolvente, um filme que se assiste com perplexidade em vez de suspense”, destacando a falta de tensão emocional apesar do material de origem prestigioso.

Com o passar do tempo, Águas Profundas passou a ser visto como uma obra controversa e irregular, mais comentada por seu contexto de produção e pelas atuações de Affleck e Ana de Armas do que por suas qualidades cinematográficas. Assim como muitos thrillers eróticos clássicos, o filme encontrou um público curioso, apesar da rejeição crítica inicial. As frases publicadas pela imprensa em 2022 deixaram claro que, para a maioria dos críticos, o retorno de Adrian Lyne não conseguiu recuperar plenamente o impacto e a ousadia que marcaram seus filmes mais célebres.

3 comentários:

  1. Pablo:
    Hoje cunharam um termo em inglês pra gente como o Betinho dessa estória batida e chata do Machado de Assis: o termo é "cuckold". No caso do Betinho pode acrescentar bi-sexual, porque parece que ele tinha ciumes é do Escobar.

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  2. Na língua portuguesa temos o termo Corno, muito utilizado ainda entre os setores mais populares de nossa sociedade. De qualquer forma é bom destacar nesse filme a Ana de Armas. Inclusive andou aí aparecendo nas manchetes como a nova namorada do Tom Cruise. Só que não duraram muito juntos. Já estão separados!

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