domingo, 19 de outubro de 2025

Os Filmes de Leonardo DiCaprio - Parte 3

A Praia
Um jovem norte-americano, em férias pela Ásia, ouve falar de uma praia maravilhosa, realmente paradisíaca, ainda inexplorada por turistas. Instigado pela lenda ele decide fazer uma viagem até lá e realmente a encontra. Um lugar muito bonito, mas também perigoso, que colocará sua vida em risco. Ainda colhendo os frutos do grande sucesso de Titanic, que havia se tornado o filme de maior bilheteria da história, o ator Leonardo DiCaprio poderia escolher qualquer filme, qualquer super produção de Hollywood naquela época. Só que para surpresa de todo mundo ele acabou optando por esse filme menor, sem grande expressividade. 

Não foi uma boa escolha. O filme realmente apresentava muitos problemas de roteiro e foi arrasado pela crítica em seu lançamento. Havia mesmo uma enorme pressão sobre o Leo e ao que tudo indica ele preferiu mesmo apostar em algo mais modesto. O filme até que não é tão ruim como os críticos falaram, mas temos que reconhecer que de fato é bem esquecível e nada marcante. Tem uma história simples, que até se torna interessante em alguns momentos, mas no geral realmente se torna algo decepcionante para um ator que vinha de um sucesso tão grandioso como Titanic. 

A Praia (The Beach, Estados Unidos, 2000) Estúdio: Twentieth Century Fox / Direção: Danny Boyle / Roteiro: John Hodge, Alex Garland / Elenco: Leonardo DiCaprio, Tilda Swinton, Daniel York / Sinopse: Jovem norte-americano decide conhecer uma praia exótica, de complicado acesso, no meio selvagem e acaba caindo numa armadilha mortal. 

Gangues de Nova York
Assisti a esse filme no cinema, na época de seu lançamento original. Jamais poderia pensar que a elegante e fina Nova Iorque teria tido um passado tão violento e brutal. O diretor Martin Scorsese sempre foi apaixonado pela cidade e resolveu contar esse período histórico pouco lisonjeiro do lugar, em um tempo onde cada palmo de território era disputado no braço por violentos membros de Gangues. Esteticamente bem realizado, com excelente produção, algo que era mesmo de se esperar de um filme dirigido por Martin Scorsese, esse "Gangs of New York" nunca me agradou muito. Achei o filme sujo e violento em demasia, com pouco espaço para uma melhor dramaturgia. Em poucas palavras? Muita briga para pouca história.

Foi, se não estou enganado, o primeiro filme da parceria entre Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio. Assim o diretor deixava de trabalhar ao lado de Robert De Niro, seu ator preferido e habitual desde os anos 60, para dirigir DiCaprio, um astro de Hollywood, com grande força comercial nas bilheterias. O resultado em meu ponto de vista foi apenas morno. Além disso sempre achei um desperdício contratar um ator brilhante e talentoso como Daniel Day-Lewis para atuar como um mero butcher, um açougueiro irascível e brutal, com facão nas mãos. Sua indicação ao Oscar inclusive foi mais pelo conjunto da obra de sua carreira do que por sua atuação no filme.  

Outro ponto é que Scorsese amenizou bastante o racismo que imperava nas ruas de Nova Iorque na época histórica que o filme retrata. Afinal as gangues eram todas unidas por fatores raciais, de origem, principalmente as que envolviam imigrantes. Bom, de uma forma ou outra, mesmo não sendo um filme que me agradou totalmente, devo dizer que a produção tem seu lugar dentro da rica e inigualável filmografia de Scorsese, um verdadeiro mestre da sétima arte.

Gangues de Nova York (Gangs of New York, Estados Unidos, 2002) Direção: Martin Scorsese / Roteiro: Martin Scorsese, Jay Cocks / Elenco: Leonardo DiCaprio, Cameron Diaz, Daniel Day-Lewis, John C. Reilly, Liam Neeson / Sinopse: A história do filme se passa em 1863 quando o jovem Amsterdam Vallon (Leonardo DiCaprio) chega a Nova Iorque em busca de vingança. Ele quer a cabeça de Bill 'The Butcher' Cutting (Daniel Day-Lewis) que matou seu pai anos antes. Não será algo fácil já que Nova Iorque estava completamente dominada por gangues violentas de rua. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator (Daniel Day-Lewis), Melhor Roteiro Original e Melhor Fotografia (Michael Ballhaus).

Prenda-Me se for Capaz
Qual é a história contada no filme? Frank Abagnale Jr. (Leonardo DiCaprio) resolve se passar por médico, advogado, piloto de avião comercial e tudo mais que conseguir convencer para as pessoas ao seu redor. Para isso usa sua lábia, seu conhecimento básico das profissões que finge exercer e muito carisma. Com apenas 18 anos coleciona uma série de pequenos golpes que acabam lhe trazendo muitos benefícios, inclusive acesso amplo a ambientes que lhe seriam negados caso não inventasse todas as suas lorotas. Após participar de um roubo milionário o FBI resolve seguir seus passos. É justamente isso que faz o agente Carl Hanratty (Tom Hanks) ir em seu encalço. A tentativa de capturá-lo porém não será das mais fáceis.

Esse é um filme leve, divertido, alto astral mesmo que o personagem seja no fundo apenas um estelionatário. Steven Spielberg no fundo não quis fazer um filme sobre um criminoso e seus crimes. Ele na verdade quis explorar o absurdo das situações, sempre com um largo sorriso na face. Funciona? Certamente sim, só que não é dos melhores filmes do diretor. Considero uma obra menor dentro da vasta e importante filmografia de Spielbeg, que alterou várias coisas da história real (sim, o filme é baseado numa história real). O personagem de Tom Hanks, por exemplo, nunca existiu de fato, foi uma criação para ajudar a tocar a história, já que na vida real foram vários agentes diferentes. Já o personagem vivido pelo Di Caprio era um escroque pé de chinelo que o FBI colocou as mãos e depois foi trabalhar com a agência para capturar outros meliantes. Então é isso. Um filme menor do diretor, porém divertido.

Prenda-Me Se For Capaz (Catch Me If You Can, Estados Unidos, 2002) Estúdio: DreamWorks SKG / Direção: Steven Spielberg / Roteiro: Jeff Nathanson / Elenco: Leonardo DiCaprio, Tom Hanks, Christopher Walken, Amy Adams, Martin Sheen / Sinopse: A história real de um criminoso que enganou todo mundo nos Estados Unidos durante os anos 60. Baseado em fatos reais.

O Aviador
Howard Hughes (1905 - 1976) não era um sujeito comum. Filho único de um dos maiores industriais dos Estados Unidos, já nasceu bilionário. Excêntrico ao extremo, cheio de manias, entrou para a história americana por causa de seus projetos ousados e inovadores. Foi o primeiro a visualizar a oportunidade de tornar comercialmente viável uma rota de aviação para transporte regular de passageiros entre Estados Unidos e Europa. Investiu em filmes na era de ouro de Hollywood, criando sob sua produção alguns clássicos imortais da sétima arte. Além disso foi figura de ponta em suas indústrias pois amava tecnologia e investiu pesadamente na área criando nesse processo uma série de invenções que até hoje fazem parte do dia a dia de milhares de pessoas mundo afora. 

Era aventureiro e revolucionário mas em segredo escondia vários problemas mentais que foram minando o homem ao longo dos anos. Com uma história tão rica não faltaria assunto certamente para contar sua biografia no cinema. O diretor Martin Scorsese há muitos anos queria mostrar a vida de Howard Hughes nas telas e conseguiu após receber um excelente roteiro feito sob encomenda escrito por John Logan. O texto era enxuto e se focava nos aspectos mais interessante da vida de Hughes, exatamente o que Scorsese buscava há muitos anos.

Para surpresa de muitos o diretor acabou escalando para o papel principal o ator Leonardo DiCaprio. Certamente ele não era parecido com Howard Hughes mas demonstrou ter tanta paixão pelo material e pelo roteiro que Scorsese simplesmente não conseguiu recusá-lo. Decisão acertada pois Leonardo demonstra muita sensibilidade para interpretar o famoso industrial. Fugindo de armadilhas fáceis que poderia cair por interpretar uma pessoa com problemas mentais, ele optou por uma atuação no tom correto, respeitosa e que nunca cai na caricatura. Embora excelente o ator foi completamente ignorado pelo Oscar que resolveu premiar sua partner em cena, a talentosa Cate Blanchett que aqui interpreta a grande Katherine Hepburn, um mito do cinema que era amiga pessoal de Hughes. Por falar em Oscar o filme teve várias indicações mas fora o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante dado a Blanchett, tudo o que conseguiu vencer foram Oscars técnicos (Edição, Direção de Arte, Figurino e Fotografia). Em minha opinião merecia mais. Uma produção que consiga captar tão bem a essência de uma pessoa tão complexa como Hughes merecia bem mais.

O Aviador (The Aviator, Estados Unidos, 2004) Direção: Martin Scorsese / Roteiro: John Logan / Elenco: Leonardo DiCaprio, Cate Blanchett, Kate Beckinsale, Jude Law / Sinopse: Cinebiografia do industrial Howard Hughes, um homem à frente de seu tempo que tinha que lidar não apenas com os desafios de sua posição mas também com um terrível problema mental que o afligia.

Os Infiltrados
Na violenta Boston há uma guerra surda entre o departamento de polícia local e os membros de uma gangue de traficantes de drogas de origem irlandesa! Para descobrir o que se passa no mundo do crime os policiais infiltram um de seus homens entre os criminosos. Curiosamente ao mesmo tempo a gangue também resolve implantar um de seus homens dentre os tiras. Está formada a guerra de informações.

É um dos filmes que menos gosto de Martin Scorsese. Olhando para produções como esse noto um certo desvirtuamento no estilo do cineasta. Ao longo dos anos ele foi ficando cada vez mais intenso, para não dizer exagerado. Nesse processo perdeu grande parte de sua classe. O elenco é fenomenal, com destaque para a presença de Jack Nicholson, mas no geral o filme não conseguiu funcionar plenamente, pelo menos em minha forma de ver. Há um uso excessivo de cenas violentas e algumas de extremo mau gosto que me fazem questionar o que estaria se passando na cabeça do velho Scorsese. Claro que nada disso fará grande diferença pois "The Departed" foi sucesso de crítica e público. 

É mais um fruto da parceria do diretor com o ator Leonardo DiCaprio que, coitado, segue sua sina de ir atrás do Oscar de todas as formas sem conseguir nada. Nesse aqui as coisas foram ainda piores, o agente de Leo fez grande promoção para o ator na Academia - o que de fato era merecido pois ele está bem no filme - mas ele sequer conseguiu ser indicado! Até o velho Jack foi esquecido - provavelmente por causa da pouca participação de seu personagem na trama em geral. Ao invés disso os membros da Academia resolveram premiar o medíocre Mark Wahlberg com uma indicação de Melhor Ator Coadjuvante. Sinceramente? Sua indicação me pareceu ser uma piadinha de humor negro dos membros votantes do Oscar...

Os Infiltrados (The Departed, Estados Unidos, 2006) Estúdio: Warner Bros / Direção: Martin Scorsese / Roteiro: William Monahan, Alan Mak / Elenco: Leonardo DiCaprio, Matt Damon, Jack Nicholson, Mark Wahlberg, Martin Sheen, Vera Farmiga, Alec Baldwin / Sinopse: A violência explode no submundo do crime em uma grande cidade dos Estados Unidos. Filme vencedor do Oscar de Melhor Filme, Roteiro Adaptado, Edição e Direção. Filme vencedor do Globo de Ouro na categoria Melhor Direção.

Pablo Aluísio.

sábado, 18 de outubro de 2025

Sob Pressão

Título no Brasil: Sob Pressão
Título Original: Bad Day on the Block
Ano de Lançamento: 1997 
País: Estados Unidos 
Estúdio: Largo Entertainment 
Direção: Craig R. Baxley 
Roteiro: Betsy Giffen Nowrasteh 
Elenco: Charlie Sheen, Mare Winningham, David Andrews, John Ratzenberger, Dawnn Lewis, Noah Fleiss 

Sinopse:
Lyle Wilder, um bombeiro respeitado em Los Angeles, é celebrado como herói por um ato de bravura, mas por trás de sua reputação existe um homem instável. Quando sua esposa e filho o deixam por causa de seu comportamento agressivo, Lyle acha que seus vizinhos são responsáveis pela partida da família. Ele entra numa espiral de paranoia e vingança, começando a atormentar o casal ao lado e situações ainda mais extremas ocorrem quando sua fúria se intensifica. A polícia, confiando em sua imagem pública, reluta em acreditar nas acusações dos vizinhos, deixando-os desprotegidos diante do comportamento ameaçador de Wilder.

Comentários: 
Um bombeiro condecorado é abandonado pela esposa e pelo filho por causa de suas tendências violentas, incluindo jogar roleta-russa com a esposa. O único problema é que ele acredita que o casal de vizinhos e seus dois filhos são os culpados pela partida, enchendo a cabeça da esposa com bobagens. Ele então decide punir a família por suas falhas. Mas quando o casal o denuncia à polícia, a polícia não acredita no casal por causa do status do bombeiro na comunidade. A situação se agrava até que ele mata um técnico, depois a polícia e, finalmente, lança um ataque totalmente terrorista contra a família, incluindo novamente jogar roleta-russa com eles. Um filme até interessante, mas que foi prejudicado pelo próprio ator. Nessa época Charlie Sheen já vivia ele mesmo uma vida de muitas drogas e prostituição. A carreira já estava praticamente decadente! É incrível como ele destruiu tudo em tão pouco tempo! 

Pablo Aluísio. 

Medidas Desesperadas

Título no Brasil: Medidas Desesperadas
Título Original: Desperate Measures 
Ano de Lançamento: 1998 
País: Estados Unidos 
Estúdio: Mandalay Entertainment 
Direção: Barbet Schroeder
Roteiro: David Klass 
Elenco: Michael Keaton, Andy García, Marcia Gay Harden, Brian Cox, Erik King, Joseph Cross 

Sinopse:
Frank Conner, policial em São Francisco, precisa urgentemente encontrar um doador de medula óssea para salvar seu filho, que está com leucemia. O único doador compatível é Peter McCabe, um presidiário perigoso condenado por assassinatos. McCabe aceita ajudar, mas aproveita a transferência ao hospital como oportunidade para fugir. Agora Conner deve capturá-lo vivo, pois a saúde de seu filho depende disso - e a tensão cresce conforme McCabe tenta explorar cada fraqueza da situação.

Comentários: 
O enredo é meio banal, mas até que eficiente, mostrando um policial honesto que precisa desesperadamente salvar a vida do filho. No entanto, depois de perder toda a esperança, ele descobre que um criminoso  é sua única chance de salvação. Pois é, depois de Batman os estúdios tentaram muito transformar Michael Keaton em um astro de Hollywood. Não deu muito certo. Ele até fez alguns filmes interessantes, bem feitos, boas produções, mas nunca decolou de forma consistente. E isso era fácil de entender. Batman de 1989 fez um enorme sucesso não por causa do Keaton, mas por causa do próprio personagem, um ícone do mundo dos quadrinhos. Então não adiantava mesmo tentar fazer de Keaton o que ele, no fundo, nunca foi de verdade! 

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Minha Família Quer Que Eu Case

Título no Brasil: Minha Família Quer Que Eu Case 
Título Original: What’s Love Got to Do with It? 
Ano de Lançamento: 2023 
País: Reino Unido, Estados Unidos
Estúdio: StudioCanal 
Direção: Shekhar Kapur 
Roteiro: Jemima Khan 
Elenco: Lily James, Shazad Latif, Emma Thompson, Shabana Azmi, Adeel Akhtar, William Fox 

Sinopse:
Zoe Stevenson (Lily James) é uma jovem inglesa que está apaixonada por Kaz Khan (Shazad Latif), um velho "amigo". Só que há um probleminha pela frente. Ele é de origem paquistanesa e está entrando em um daqueles casamentos arranjados por seus pais. E para Zoe a situação ficará ainda mais delicada porque ela resolve filmar tudo, para lançar em um futuro documentário! 

Comentários:
O filme tem sua dose de simpatia e boas intenções. Além disso oferece um roteiro socialmente consciente com os dias atuais, onde em países como o Reino Unido há uma interação maior entre culturas de países tão diferentes. É o tal do multiculturalismo entrando nos mais diversos setores da sociedade. Mas calma, não espere por uma aula prática de sociologia aplicada. nada disso. A história do filme vai se desenrolando como uma daquelas comédias românticas dos anos 90. Só que há um problema maior que penso ser insuperável nessa produção. A atriz Lily James tem sua parte de carisma e simpatia, além de talento natural, mas não considero que ela ainda consiga levantar o interesse do público para um filme como esse. Por isso quase ninguém assistiu ou deu muita bola para esse romance que, de diversas maneiras, não consegue superar a barreira do banal, do comum, do que estamos acostumados a assistir entre tantos outros filmes semelhantes. 

Pablo Aluísio. 

Sedução

Título no Brasil: Sedução
Título Original: Cat Chaser
Ano de Lançamento: 1989
País: Estados Unidos
Estúdio: Vestron Pictures
Direção: Abel Ferrara
Roteiro: Elmore Leonard, James Borrelli
Elenco: Peter Weller, Kelly McGillis, Charles Durning, Frederic Forrest, Tomás Milián, Juan Fernández

Sinopse:
George Moran (Peter Weller), um ex-fuzileiro naval veterano da intervenção dos EUA na República Dominicana, agora administra um pequeno hotel à beira-mar em Miami. Sua vida toma um rumo perigoso quando ele se envolve com Mary DeBoya (Kelly McGillis), esposa de um ex-general dominicano, Andres DeBoya (Tomás Milián). Juntos, eles se veem em meio a um plano para roubar dois milhões de dólares do general, enfrentando traições e ameaças de morte.

Comentários: 
Esse é um thriller erótico soft com abordagem de suspense e ação. O casal principal é formado por dois atores que são puro anos 80. Peter Weller ficou famoso por interpretar o papel principal do filme "Robocop - O Policial do Futuro". Aos poucos ele foi deixando sua carreira de ator no cinema de lado para investir numa carreira acadêmica. Se formou em História e de vez em quando aparece em documentários na TV a cabo em canais ao estilo History. Já Kelly McGillis também marcou época nos anos 80. Ela foi a partner de Tom Cruise no blockbuster "Top Gun - Ases Indomáveis". Aquela bela loira hoje em dia em nada lembra a Kelly McGillis desse filme. Ela também largou a carreira no cinema, preferindo viver uma vida normal, em paz e tranquilidade. Hoje é uma senhora bem distinta que obviamente não tem mais o mesmo o visual que tanto a marcou nos cinemas da época. De uma maneira ou outra os dois funcionam muito bem nesse filme que tem todo aquele visual de comercial de televisão, uma direção de fotografia que foi até muito popular nos anos 80 em filmes desse estilo. Basta lembrar de "Nove Semanas e Meia de Amor" para bem entender do que se trata. 

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

O Royal Hotel

Título no Brasil: O Royal Hotel
Título Original: The Royal Hotel
Ano de Lançamento: 2023
País: Austrália
Estúdio: See-Saw Films
Direção: Kitty Green
Roteiro: Kitty Green, Oscar Redding
Elenco: Julia Garner, Jessica Henwick, Toby Wallace, Hugo Weaving, Ursula Yovich, Richard Davies

Sinopse:
As mochileiras americanas Hanna e Liv, viajam pela Austrália e, ao ficarem sem dinheiro, aceitam um emprego temporário como bartenderes no Royal Hotel, um pub isolado em uma cidade mineradora remota. À medida que interagem com os moradores locais, liderados pelo proprietário Billy (Hugo Weaving) e sua parceira Carol (Ursula Yovich), as jovens enfrentam comportamentos sexistas, manipulação psicológica e uma crescente sensação de ameaça. 

Comentários: 
Inicialmente pensei que ia ser um daqueles filmes ao estilo "Sangue e tripas" onde as duas garotas seriam trucidadas por algum maluco portando uma serra elétrica no meio do deserto australiano (que é um lugar completamente hostil a qualquer tipo de vida civilizada!). Tudo leva o espectador a pensar assim nas primeiras cenas. Os caipiras australianos são tão ou mais ameaçadores do que os caipiras americanos, aquela terra de gente como o Ed Gein. Só que aos poucos esse tipo de sentimento vai se desfazendo no ar. Afinal os caras são toscos, dados a criminalidade, sem dúvida, mas não estão com nenhuma serra elétrica escondida em seus carros velhos e cheios de poeira. Muitos são apenas uns babacas sem conserto! Assim o que resta é até um bom filme. Não é nada demais e conta uma história que vai soar meio banal, mas ainda assim apreciei o resultado final. Só não consigo entender como duas garotas bonitas, jovens, universitárias, vão parar em um fim de mundo como aquele! Que péssima escolha! Tenham juízo, meninas...

Pablo Aluísio. 

Diário da Minha Vagina

Título no Brasil: Diário da Minha Vagina
Título Original: Fitting In 
Ano de Lançamento: 2023 
País: Canadá 
Estúdio: Nice Picture 
Direção: Molly McGlynn 
Roteiro: Molly McGlynn 
Elenco: Maddie Ziegler, Emily Hampshire, D’Pharaoh Woon-A-Tai, Ki Griffin, Djouliet Amara, Dale Whibley 

Sinopse:
Lindy é uma adolescente de 16 anos que descobre uma condição reprodutiva rara, síndrome MRKH, ao notar que nunca menstruou. O diagnóstico abala suas concepções sobre sexualidade, feminilidade e seus relacionamentos — com sua mãe, amigos e namorado. Ela precisa lidar com vergonha, expectativas e dúvidas, enquanto busca compreender seu corpo e sua identidade. (Revista Bula)

Comentários: 
Sim, o título nacional vai afastar muita gente que ficará sem saber direito do que se trata o filme. Ignore esse desconforto inicial e assista ao filme. É um bom drama, com situações também de humor, sobre uma adolescente que precisa enfrentar algo bem, digamos, peculiar em sua vida. E esse tipo de situação de saúde pode ser ainda mais complicado na juventude e na adolescência, justamente quando os hormônios estão em ebulição e no momento da vida que o jovem (ou a jovem, como no caso do filme) quer acima de tudo se relacionar com alguém, ter um namoro firme, com muito romance e pegação ou apenas curtir por aí em festas. Só que no caso da protagonista desse filme nada poderia ser mais complicado de fazer do que isso. Pois é, meus caros, uma situação no mínimo muito delicada! Enfim, bom filme sobre a adolescência e seus problemas. 

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Suspiria: A Dança do Medo

Título no Brasil: Suspiria: A Dança do Medo
Título Original: Suspiria
Ano de Lançamento: 2018 
País: Itália, Estados Unidos 
Estúdio: K Period Media 
Direção: Luca Guadagnino
Roteiro: David Kajganich, Dario Argento
Elenco: Dakota Johnson, Tilda Swinton, Mia Goth, Chloë Grace Moretz, Angela Winkler, Ingrid Caven 

Sinopse: 
Uma jovem dançarina americana chamada Susie Bannion (Dakota Johnson) vai até a Alemanha para tentar uma vaga na prestigiada academia de dança Helena Markos. Após testes iniciais, ela é finalmente aceita na companhia. Os ensaios começam, mas o clima não é dos melhores. Dançarinas são encontradas mortas, outras desaparecidas. Algo muito sombrio e sinistro se esconde naquele lugar. 

Comentários: 
Esse filme é um remake de um clássico do terror assinado pelo mestre Dario Argento. Quem conhece sua obra sabe muito bem que a mente desse cineasta poderia ser bem sombria e sinistra. Algo que se repete aqui. Nada é o que aparenta ser. É interessante que Argento escolheu o mundo da dança, uma das mais nobres artes, para desenvolver sua história. E sim, essa é uma daquelas histórias que impactam, a tal ponto que ficamos com ela na mente por alguns dias depois de assistir a esse filme (e ao original também, obviamente). Essa segunda versão é bem respeitosa com o filme que deu começo a tudo, mas devo destacar que o elenco feminino é bem superior ao do primeiro filme. E todos os aplausos vão para a atriz Dakota Johnson. Certamente não foi fácil se entregar tanto fisicamente a uma personagem como vemos aqui. Dakota se despe de sua vaidade e apelo natural de sua beleza, para criar algumas das cenas mais perturbadoras já vistas em um filme de terror. Ela está simplesmente excelente em cena e certamente merece todos os nossos elogios. 

Pablo Aluísio.

terça-feira, 14 de outubro de 2025

O Homem Que Matou o Facínora

“Quando a lenda se torna mais interessante do que o fato, que se publique a lenda”. Essa frase colocada na boca de um dos personagens de “O Homem que Matou o Facínora” resume muito bem esse maravilhoso western, um dos grandes clássicos da história do cinema americano. John Ford, um mestre em extrair grandes lições de histórias aparentemente simples, aqui tem um dos momentos mais inspirados de toda a sua carreira. E diante da obra cinematográfica que ele produziu ao longo da vida isso definitivamente não é pouca coisa! No filme acompanhamos a chegada do senador Ransom Stoddard (James Stewart) na pequenina cidade onde começou sua carreira política muitos anos antes. Ele vem para o enterro de um velho conhecido, Tom Doniphon (John Wayne). Mas quem seria Tom Doniphon na realidade? Através de flashback somos apresentados aos acontecimentos do passado onde Tom e Ranson tomaram parte em eventos que ficariam na história da região – e que em consequência levaria Ranson a ter uma extremamente bem sucedida carreira política nos anos que viriam. O enredo, como se pode perceber, tem uma inteligente linha narrativa.

John Ford, ao lado da equipe de roteiristas, trabalhou maravilhosamente bem o roteiro, com vários leituras sublimares que apenas um ótimo texto poderia explorar bem. Um dessas mensagens nas entrelinhas é o papel desempenhado pelo próprio personagem de John Wayne. Embora tenha sido creditado como o ator principal do filme (fruto de seu status de grande astro na época) o fato é que seu personagem é meramente coadjuvante na trama, mesmo que não seja um papel secundário qualquer.

Na realidade esse filme é uma parábola da capacidade de se doar pela felicidade de quem se ama. Tom é um rústico cowboy do interior, mas sua paixão pela jovem Hallie (Vera Miles) é tão profunda e sincera que ele deixa de lado até mesmo seus interesses pessoais para proteger Ranson (Stewart) pois é óbvio que Hallie o tem em grande consideração. Embora durão no exterior, Tom (Wayne) é na verdade uma pessoa extremamente altruísta, solidária e leal a ponto de ficar em segundo plano, abrindo mão de seus próprios sonhos pela felicidade da mulher que ama. Falar mais sobre a trama seria tirar parte de seu impacto.

Outro ponto excelente da produção é seu elenco excepcional. Como se não bastasse termos dois mitos em cena, James Stewart e John Wayne, o filme também apresenta um elenco de apoio de respeito, igualmente formado por grandes atores de sua época, a começar pelos que interpretam os bandidos do filme. Liberty Valance, o facínora do título nacional, é interpretado com brilhantismo por Lee Marvin, um ícone dos filmes de western. Ao seu lado, formando o bando de criminosos, está o famoso Lee Van Cleef que estrelaria uma longa série de faroestes nos anos seguintes, com destaque para as produções que rodou na Itália. Em suma, "O Homem Que Matou o Facínora" é um desses faroestes que podemos qualificar, sem medo de exageros, como monumental. É um western que privilegia o lado mais humano de seus personagens. É um exemplo de que mesmo dentro do gênero faroeste seria possível emplacar grandes dramas humanos. Um grande momento nas carreiras de John Wayne, James Stewart e John Ford. Impecável em todos os sentidos. Obra-prima da sétima arte.

O Homem Que Matou o Facínora (The Man Who Shot Liberty Valance, Estados Unidos, 1962) Direção: John Ford / Roteiro: James Warner Bellah, Willis Goldbeck baseados na história de Dorothy M. Johnson / Elenco: John Wayne, James Stewart, Vera Miles, Lee Marvin, Lee Van Cleef, Edmond O'Brien, Andy Devine / Sinopse: Ransom Stoddard (James Stewart) é um jovem e idealista advogado recém formado que vai até uma distante cidadezinha do oeste para iniciar sua carreira jurídica. Durante a viagem é assaltado e espancado pelo fora-da-lei Liberty Valance (Lee Marvin). Jurando colocá-lo na cadeia, usando de meios legais, Ransom inicia uma luta pessoal pela implantação da lei e ordem naquela região selvagem. Para isso conta com o apoio da jovem Hallie (Vera Miles) e do durão Tom Doniphon (John Wayne). Filme indicado ao Oscar na categoria de Melhor Figurino (Edith Head).

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Os Filmes de Marlon Brando - Parte 3

Vidas em Fuga
Valentine 'Snakeskin' Xavier (Marlon Brando) é um músico errante de New Orleans que chega numa pequena cidade do sul dos EUA em busca de trabalho. Ele havia sido expulso da última localidade por onde passou acusado de roubo, desordem e vadiagem. Ao procurar por emprego acaba parando numa pequena loja de roupas local. Lá conhece Lady (Anna Magnani) esposa do proprietário, um homem com problemas de saúde. Sozinha, carente e frustrada ela acaba se aproximando de "Snakeskin" cada vez mais. "Vidas em Fuga" foi baseado na peça "Orpheus Descending" que nada mais é do que uma releitura de Tennessee Williams para o famoso clássico Orfeu e Eurídice. Toda a estrutura da peça original está lá. A mulher reprimida e infeliz, o marido desprezível e o amante sedutor, mas perigoso. Williams transporta a trama para o sul racista americano, onde novamente a hipocrisia da sociedade é colocada em evidência. Embaixo de uma superfície de moralidade há uma sordidez latente, bem ao estilo do que realmente imperava nessas pequenas cidades.

O elenco está brilhante. Brando curiosamente está contido. Seu Val "Snakeskin" Xavier é em essência um espectador privilegiado dos acontecimentos. Sua presença sensual e provocadora logo desperta o que há de pior entre os moradores da cidade. Irresistivel para as mulheres e odiado pelos homens, sua persona parece ter sido levemente inspirada em michês que passaram pela vida de Tennessee Williams. É o típico caso do sujeito sem profissão definida, que viaja de cidade em cidade em busca de uma melhor sorte. Para tanto usa de sua beleza para alcançar dinheiro e posição, muitas vezes praticando pequenos delitos no caminho. Já Anna Magnani, com forte sotaque italiano, também esbanja boa atuação. Não deixa de ser curioso o fato dela ter perseguido Brando no set de filmagem em busca de um envolvimento amoroso. 

Como relatado em sua autobiografia, Marlon descreveu o assédio de Anna como uma busca pela juventude perdida. Com a idade chegando a atriz procurava se envolver cada vez mais com jovens, numa triste metáfora com sua própria personagem no filme. Após várias tentativas frustradas Brando a dispensou discretamente. Ele não tinha qualquer interesse nela, exceto em nível puramente profissional. Os problemas entre os atores nos bastidores porém não prejudicou o resultado final do filme. Brando e Magnani estão perfeitos em seus respectivos papéis. Outro destaque digno de nota é a boa atuação de Joanne Woodward. Na pele de uma personagem complicada que facilmente poderia desandar para a caricatura, Joanne se mostra adequada e talentosa na medida certa. Enfim, nada melhor do que conferir mais uma produção que une Tennessee Williams e Marlon Brando. Não chega a ser tão marcante como "Um Bonde Chamado Desejo" mas mantém o alto nível. O resultado final é excelente.

Vidas em Fuga (The Fugitive Kind, Estados Unidos, 1960) Direção: Sidney Lumet / Roteiro: Meade Roberts adaptado da peça "Orpheus Descending" de Tenneesse Williams / Elenco: Marlon Brando, Anna Magnani, Joanne Woodward e Maureen Stapleton / Sinopse: Valentine Xavier (Marlon Brando) é um artista de New Orleans que vive tocando entre um lugar e outro, até decidir se instalar em uma pequena cidade entre New Orleans e Memphis. Enquanto o passado de Valentine vem à tona, ele se envolve com uma excêntrica mulher casada.

A Face Oculta
Esse western foi o único filme dirigido por Marlon Brando. Foi um projeto complicado desde o começo. Inicialmente a Paramount escolheu o genial Stanley Kubrick para dirigir o filme, mas atritos com Brando fizeram com que o cineasta resolvesse abandonar a produção. Como Marlon Brando confiava na qualidade do material e parte do dinheiro do orçamento de produção vinha de sua própria produtora (a Pennebaker Productions) ele tomou uma decisão inédita em sua carreira. Ele decidiu que assumiria a direção do filme. Foi uma decisão precipitada e muito ousada pois Brando nunca havia dirigido nada em sua vida. Ele era um ótimo ator, mas nunca havia estudado uma linha para assumir a direção de um filme. Ele não tinha experiência e nem o conhecimento técnico para essa função. A direção de Marlon Brando transformou "A Face Oculta" em um verdadeiro elefante branco cinematográfico. Sem experiência nenhuma na arte de dirigir um filme, Brando começou a filmar a esmo, sem foco, sem rumo certo a tomar. 

Durante as filmagens ficou óbvio para todos que sua inexperiência iria tornar tudo mais caro, demorado e complicado. Ele não tinha a menor capacidade técnica para realizar o filme. Coisas óbvias como a escolha da lente da câmera ou das técnicas de se filmar em locações eram desconhecidas para o ator. Brando resolveu contratar o ator e amigo Karl Malden para o papel de xerife, uma escolha que a Paramount achava equivocada já que o personagem era bem mais velho do que ele. E assim os erros foram se acumulando cada vez mais. Outro problema foi o estouro rápido do orçamento. Marlon chegou a ficar um dia inteiro filmando ondas no mar em busca da "onda perfeita" para aparecer no filme. Seu primeiro rolo editado chegou nas mãos do estúdio com cinco horas de duração! Era uma metragem absurda, completamente fora dos padrões e nada comercial. A Paramount então resolveu assumir o controle da edição final do filme, tentando montar no meio de horas e horas de filmagens inúteis, um enredo que fizesse sentido para o público. Foi um trabalho imenso que levou meses para ficar pronto e mesmo assim tudo resultou em um filme muito longo... e muitas vezes muito chato! Pelo menos essa foi a opinião dominante entre os críticos na época de lançamento original do filme.

Marlon Brando, por sua vez, passou a falar mal do filme aos jornalistas que lhe perguntavam quando o filme iria ser lançado. Ele nem pensava duas vezes antes de dizer que esse faroeste era um desastre e que dirigir tinha sido uma das piores experiências de sua vida. O resultado que chegou até o público mostra bem os problemas da película. Mesmo completamente cortado e editado, o filme se mostrou muitas vezes longo e sem direção, caindo, em alguns momentos, no marasmo completo. A crítica em 1961 obviamente malhou impiedosamente o filme quando chegou aos cinemas, mas curiosamente o tempo parece ter feito bem ao western, uma vez que hoje em dia ele assumiu um status de cult movie que ninguém previra em sua chegada aos cinemas na década de 1960.

A Face Oculta (One-Eyed Jacks, Estados Unidos, 1961) Direção: Marlon Brando / Roteiro: Guy Trosper, Calder Willingham / Elenco: Marlon Brando, Karl Malden, Pina Pellicer, Katy Jurado, Ben Johnson / Sinopse: Traição e morte rondam os envolvidos em um roubo no México anos atrás. Único filme dirigido por Marlon Brando. Filme indicado ao Oscar na categoria de melhor direção de fotografia (Charles Lang)

O Grande Motim
O navio HMS Bounty ruma em direção aos mares do sul em uma viagem de exploração e reconhecimento do Tahiti e ilhas daquela região, tudo para defender os interesses da coroa britânica. No caminho os tripulantes começam a se indispor com o tratamento rude, diria até tirânico, do comandante Bligh (Trevor Howard). Na volta da expedição, sob o comando do primeiro tenente Fletcher Christian (Marlon Brando), os membros da tripulação resolvem levantar um motim contra o capitão da embarcação. Marlon Brando relembrou esse filme em sua autobiografia "Canções Que Minha Mãe Me Ensinou". Ele contou que na época o estúdio lhe ofereceu a possibilidade de fazer dois filmes. O primeiro seria o clássico "Lawrence da Arábia" e o segundo esse remake de um antigo filme de 1935 com Clark Gable. Curiosamente Brando se decidiu por "Mutiny on the Bounty" simplesmente porque ele seria filmado na Polinésia Francesa, um lugar maravilhoso no Pacífico que o ator gostaria de conhecer desde os tempos de escola.

Brando ouvira dizer que David Lean demorava muito para fazer seus filmes e que isso iria lhe custar muito tempo e trabalho no meio do deserto, um lugar que ele não tinha a menor intenção de conhecer. Assim rejeitou a oportunidade de estrelar aquele que se tornaria um dos maiores clássicos do cinema, "Lawrence da Arábia". Entre "secar no deserto como uma planta sem água" (como ele mesmo escreveu em seu livro) ou ir se divertir nas paradisíacas ilhas dos mares do sul, Brando optou pela segunda opção. Tão encantado ficou que anos depois compraria uma ilha particular na região, a bonita e distante Tetiaroa.

Pois bem, já voltando ao filme em si temos que admitir que se trata de uma aventura realmente saborosa. As filmagens foram complicadas, com estouro de orçamento, prazo e divergências entre diretor e estúdio, o que levou inclusive o cineasta Lewis Milestone a ser demitido no meio das filmagens. Além disso o clima irregular das ilhas prejudicou as locações e os cenários. A MGM então resolveu jogar a culpa pelos atrasos em cima do próprio Marlon Brando que estava preferindo ir nadar com as lindas figurantes locais do que trabalhar duro. Quando o filme finalmente foi lançado, depois de vários adiamentos, recebeu criticas negativas e não fez o sucesso esperado. Revendo hoje em dia só podemos nos admirar por ter tido uma recepção tão ruim. Com linda fotografia e belo desenvolvimento do enredo é complicado entender tanta má vontade em seu lançamento. Talvez tenha sido uma retaliação da imprensa contra Marlon Brando e seu temperamento complicado. O espectador porém deve deixar esse tipo de coisa de lado. Ignore tudo isso e assista pois sem dúvida é um belo filme.

O Grande Motim (Mutiny on the Bounty, Estados Unidos, 1962) Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) / Direção: Lewis Milestone, Carol Reed / Roteiro: Charles Lederer, baseado no livro de Charles Nordhoff / Elenco: Marlon Brando, Trevor Howard, Richard Harris / Sinopse: Durante uma longa viagem pelos mares do sul, um grupo de marinheiros e oficiais de pequena patente decidem se rebelar contra seu capitão, bem conhecido por ser um homem duro e muitas vezes cruel.

Quando Irmãos se Defrontam
Nesse filme o aclamado ator Marlon Brando interpreta o embaixador norte-americano Harrison Carter MacWhite. Ele é um ambicioso estudioso da política internacional que se torna embaixador em Sarkan, um país do sudeste asiático onde a guerra civil está se formando no horizonte. E de seu posto começa a perceber a vil política de seu país em relação a pequenos países daquela parte do mundo. Em termos políticos o ator Marlon Brando sempre foi progressista e liberal. Ele odiava com todas as forças a política externa dos governos conservadores e republicanos que chegavam ao poder em seu país. Esse foi provavelmente o filme mais político de sua carreira pois era em essência uma denúncia da maneira como os Estados Unidos promovia golpes de Estado e atrocidades em países de terceiro e quarto mundo. 

E justamente por causa do teor político desse filme, Brando encontrou várias portas fechadas para que o filme fosse finalmente produzido. Inclusive em um momento crucial da produção ele acabou colocando dinheiro do próprio bolso para que o filme finalmente chegasse a uma conclusão. É um bom filme certamente, onde Brando está mais do que empenhado em seu papel, algo que nem sempre acontecia, como bem podemos ver em sua longa filmografia. Feito para dar um recado e deixar a mensagem e o pensamento político do ator registrados eternamente em película, esse é um daqueles filmes essenciais para entender a mentalidade de Brando ao longo de sua vida. 

Quando Irmãos se Defrontam (The Ugly American, Estados Unidos, 1963) Estúdio: Universal Pictures / Direção: George Englund / Roteiro: Stewart Stern, William J. Lederer / Elenco: Marlon Brando, Sandra Church, Eiji Okada, Jocelyn Brando, Arthur Hill, Pat Hingle / Sinopse: Drama político indicado ao Globo de Ouro nas categorias de melhor direção e melhor ator (Marlon Brando).

Dois Farristas Irresistíveis
Dois golpistas que vivem de enganar mulheres mais velhas e ricas, solitárias, entram em conflito em uma praia badalada na costa do Mediterrâneo. Será que o vigarista mais velho, culto e de alta classe sairá vencedor ou será que o jovem golpista, de pequenos truques, sairá vitorioso nessa aposta? Ao longo de sua carreira Marlon Brando tentou ir para outros gêneros cinematográficos. Principalmente nos anos 1960 ele se permitiu se arriscar em certas aventuras cinematográficas, como por exemplo, tentar atuar em comédias. Isso não foi necessariamente algo bom para ele pois esses filmes não faziam sucesso. O público não queria ver Brando tentando o humor. 

De qualquer maneira, como ele próprio deixou claro em sua autobiografia, embora esse filme não tenha sido um dos melhores de sua carreira (ficou muito longe disso) e nem tenha feito sucesso nas bilheterias, foi por outro lado um prazer trabalhar nele, principalmente porque Brando adorava o estilo de fina ironia do ator David Niven. Juntos, eles se deram muito bem e embora Brando não fosse um comediante, aprendeu muito com o trabalho de Niven. Revisto hoje em dia, devo confessar que o humor envelheceu muito, mas o filme, de modo em geral, ainda funciona como uma curiosidade de ver Brando tentando ser engraçado. Ele não era, mas valeu o esforço de tentar fazer algo diferente em sua filmografia. 

Dois Farristas Irresistíveis (Bedtime Story, Estados Unidos, 1964) Estúdio: Universal Pictures / Direção: Ralph Levy / Roteiro: Stanley Shapiro, Paul Henning / Elenco: Marlon Brando, David Niven, Shirley Jones, Dody Goodman, Aram Stephan, Parley Baer / Sinopse: Dois vigaristas que vivem de enganar mulheres ricas e solitárias se enfrentam em um balneário de luxo. 

Pablo Aluísio.