quinta-feira, 30 de junho de 2022

James Dean - Hollywood Boulevard - Parte 17

"Vidas Amargas" demorou alguns meses para ser editado de acordo com as exigências de Elia Kazan. Quando ficou finalmente pronto James Dean se viu na incômoda obrigação contratual de ter que ajudar na divulgação do filme. Era um serviço de relações públicas que Dean odiou desde o começo. Os problemas começaram logo no primeiro dia de entrevistas com a imprensa. A Warner marcou para Dean um encontro com um dos mais respeitados críticos de cinema da Inglaterra. Ele acabou aparecendo no estúdio ao lado de uma rica herdeira, uma nobre de sangue azul da família real britânica. Dean não deu a menor bola. Assim que foram apresentados o jornalista começou a dizer a ele de onde ela provinha, sua maravilhosa árvore genealógica cheia de monarcas e príncipes da dinastia Tudor e James Dean começou a achar aquela conversa de uma chatice sem tamanho.

De repente interrompeu sua longa descrição e disparou: "Ok, foda-se ela, diga logo o que você quer perguntar". Nem precisa dizer que o sofisticado inglês ficou branco e pálido pelo modo pouco discreto do rebelde número 1 de Hollywood. Depois Dean teve que encarar a colunista Hedda Hopper, fofoqueira e colunista de um importante jornal de Los Angeles. Aquilo era um saco para Dean. Em todas as entrevistas que deu ele demonstrou claramente que não estava nem aí para a divulgação do filme e que só se importava mesmo em ter feito um bom trabalho. Uma das poucas revelações dignas de nota surgiu quando Dean se abriu falando sobre seus planos futuros no cinema. A uma jornalista de Nova Iorque declarou: "Gostaria de interpretar Hamlet no cinema. Esse personagem exige ser interpretado por um jovem como eu, que mantenha uma certa inocência perante o mundo. Laurence Olivier é um bom ator, mas ele já passou da idade de fazer Hamlet da forma certa. Também gostaria de um dia dirigir filmes. Acho o processo muito enriquecedor".

Talvez para começar a ter alguma ideia de que como seria dirigir um filme, Dean comprou uma câmera Super 8 em Nova Iorque e depois rumou em direção à sua cidade do coração, Fairmount, comunidade rural localizada no estado de Indiana, bem no meio do centro oeste americano. A intenção de Dean era visitar a fazenda de seus tios onde cresceu e viveu até tentar se tornar um ator na cidade grande. Enquanto o país inteiro começava a conhecer Dean após a estreia de "Vidas Amargas" ele ia de carona até a pacata cidadezinha. Lá tirou fotos, brincou com seu primo e readquiriu velhos hábito como o de ir para o meio do milharal tocar bongô até o anoitecer. Também pôde sentir os primeiros sinais que estava virando um astro de Hollywood. A população local o recebeu de braços abertos e Dean começou a ser tratado como uma verdadeira celebridade, algo que no íntimo o encheu de orgulho e emoção. Dean também foi até os fundos da fazenda de sua tia para rever sua antiga moto, a primeira que comprou. A um amigo confidenciou: "Jamais a venderei. É como uma amiga dos velhos e bons tempos!". Depois decidiu que iria dar mais uma volta com ela pela região. Nesses poucos dias ele voltou a ser o mesmo James Dean de seus tempos de adolescente, revendo velhos amigos e comendo da gostosa comida caseira de sua tia. Chegou até mesmo a ganhar um aumento de peso por causa da boa vida que estava levando. Tudo foi interrompido quando a Warner finalmente lhe mandou um telegrama para que voltasse a Los Angeles pois tudo estava pronto para o começo das filmagens de "Rebel Without a Cause" (que no Brasil receberia o título de "Juventude Transviada").

Foi nessa época que Dean formou seu grupo de amigos mais próximos na costa oeste. Em Nova Iorque Dean comandava uma turma muito interessante de jovens atores e atrizes que tentavam ganhar a vida nos palcos de teatro da cidade. Em Los Angeles os novos nomes ao lado do rebelde eram Sal Mineo, Natalie Wood e Nick Adams, entre outros. Dean esnobou outros jovens que tentaram se aproximar dele e que no futuro se tornariam grandes astros como Jack Nicholson. Naquele tempo Jack não era realmente ninguém na indústria. Trabalhando em um departamento burocrático do estúdio, tentando ganhar a vida a duras penas, ele estava anos distante do grande astro que um dia iria se tornar. O próprio Nicholson relembrou seu encontro com Dean anos depois: "Um amigo comum me disse que iria me apresentar à nova estrela da Warner Bros, então fui até lá. Dean estava encostado em um carro, fumando, no intervalo das filmagens. Fui apresentado a ele, mas para meu desapontamento ele não deu muita bola. Não prestou atenção no que eu dizia e de repente simplesmente se levantou e foi embora. Meu amigo ficou até mesmo envergonhado e pediu desculpas, dizendo que ele não estava ouvindo muito bem porque estava andando de moto e a audição ficara prejudicada com isso pelo vento que tomou. Não acreditei nisso, mas fingi acreditar".

James Dean de fato não era uma pessoa fácil de conviver, nem mesmo entre seus amigos mais próximos. Em Nova Iorque ele tinha crises de mau humor. Quando se reunia com amigos em bares pela cidade ele poderia tanto surgir como a pessoa mais simpática do mundo como também como a mais desagradável. Certa vez destratou quatro de seus mais próximos amigos em uma mesa, durante o almoço. Simplesmente ficou ali, de cara amarrada, durante toda a refeição. Depois se levantou e perguntou: "Onde estão os meus verdadeiros amigos?". Virou-se e se retirou sem maiores explicações. Não havia qualquer motivo para seu comportamento, mas Dean era assim mesmo, dado a explosões de melancolia, raiva e mau humor. Na costa oeste as coisas não seriam melhores. Natalie Wood, sua partner em "Juventude Transviada" ficou caidinha por Dean, mas ele não lhe deu muita bola também. Desde o começo das filmagens Dean deixou mais ou menos claro que não iria ter nenhum caso amoroso com ela. Depois de Pier Angeli e Ursula Andress, ele definitivamente não estava mais disposto a se envolver seriamente com uma atriz de Hollywood. Para Natalie o que sobrou foi mesmo uma amizade do tipo "irmão mais velho e irmãzinha". As filmagens foram quase todas realizadas em Los Angeles mesmo, por seus arredores, em uma antiga mansão abandonada e decadente localizada na S. Irving Boulevard, que foi usada para locações. Essa casa tinha sido a mesma utilizada nas filmagens do grande clássico "Crepúsculo dos Deuses" de 1950. Assim que pisou no local Dean mandou todos se calarem para "sentir melhor todas as vibrações dos deuses da sétima arte" presentes ali! 

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 29 de junho de 2022

Elvis Presley - Elvis Presley (1956)

Eu gosto muito desse disco. Afinal é um álbum histórico, o primeiro gravado por Elvis Presley em sua nova gravadora, a RCA Victor. Porém devo dizer que dessa fase inicial, em 1956, ainda prefiro muito mais o segundo álbum de Elvis na RCA, intitulado simplesmente de "Elvis". Ali já havia um melhor tratamento nas canções, com mais primor em termos de arranjo e gravação. Esse primeiro disco ainda tem aquela sensação de que algumas faixas (em especial as trazidas da Sun Records) ainda estavam muito cruas. São gravações quase amadoras, afinal quando estava na Sun, Elvis ainda era em certos termos um cantor iniciante, procurando por uma carreira musical. Mesmo assim negar a importância desse LP é impossível. Por isso vamos tecer alguns comentários sobre cada faixa do disco.

1. Blue Suede Shoes (Carl Perkins) - O álbum abre com a canção "Blue Suede Shoes", um clássico absoluto do rock americano escrito por Carl Perkins. Até hoje se fala muito que Perkins poderia ter sido maior que Elvis, que ele teve azar de sofrer um acidente de carro muito sério e outras coisas. Olha, com todo o respeito ao Carl Perkins e seu talento, eu vejo esse tipo de observação como uma grande bobagem. Todo tipo de comparação é condenável. Cada um tem seus próprios defeitos e qualidades. Não penso que Perkins poderia ser maior do que Elvis, até porque depois de um tempo ele se recuperou e continuou na carreira, sem chegar nem perto do sucesso de Elvis Presley. Isso não o desmerece em nada, mas prova que dizer que ele poderia ter sido o grande nome do rock é especulação e uma tremenda bobeira

2. I´m Counting On You (Don Robertson) - "I'm Counting on You" havia sido composta por Don Robertson. Compositor de classe, excelente pianista, esse californiano iria cair nas graças de Elvis que por anos iria gravar inúmeras músicas criadas por ele. Basta lembrar das excelentes baladas românticas "Anything That's Part Of You", "I Met Her Today", "There's Always Me", "No More" e tantas outras lindas canções que trouxeram muita qualidade musical para diversos discos de Elvis ao longo dos anos. Coisa fina. É importante chamar a atenção que quando Elvis a gravou ainda não tinha à disposição uma banda maior, com mais instrumentistas, algo que iria enriquecer muito suas gravações no futuro. Em minha opinião a gravação de Elvis é de certo modo ofuscada um pouco por causa dessa falta de diversidade de arranjos. Provavelmente se Elvis a tivesse gravada em 1960 teríamos uma grande faixa, com orquestra ao fundo, mais qualidade em termos de grupo de apoio. De qualquer forma mesmo contando com uma pequena banda de apoio Elvis ainda conseguiu realizar um bom trabalho. Sua performance vocal era o grande diferencial, algo que conseguia se sobressair a todas as limitações técnicas da época.

3. I Got a Woman (Ray Charles) - Bom, se você gosta de Elvis Presley e Ray Charles e ao mesmo tempo diz que não gosta de "I Got A Woman", sugiro que procure logo um analista. São coisas indissociáveis. Concordo que em certos aspectos essa primeira versão de Elvis é muito singela. Porém ela apresenta aquela sonoridade dos anos 50 - ao sabor Sun Records - que literalmente salva todas as canções desse primeiro álbum do cantor na RCA Victor. Inclusive já virou lenda a forma como essa canção foi composta. Ray Charles resolveu fazer uma espécie de brincadeira, unindo a linha de melodia típica de uma canção gospel, religiosa, com uma letra profana, das mais profanas possíveis, é bom salientar. Obviamente a canção, lançada em single, virou um grande sucesso popular que Elvis não deixou que lhe escapasse entre as teclas do piano. Claro que The Pelvis tinha essa coisa de revirar pelo avesso qualquer composição de outro artista ao seu próprio estilo, porém em relação ao maravilhoso Ray Charles ele até que foi bem respeitoso. Sim, imprimiu seu estilo pessoal na gravação, mas sempre procurando respeitar o legado do pianista. Uma troca de favores entre dois gênios da música.

4. One-Sided Love Affair (Campbell) - Outra que vai na mesma linha é  "One-Sided Love Affair". Perceba que em seus primeiros discos Elvis desenvolveu uma técnica muito pessoal de cantar, que chegou a ser dita por alguns críticos dos anos 50 como um "mastigar de sílabas". Outro escreveu que Elvis cantava como se mastigava chicletes! Apesar da rabugice desses jornalistas, o fato é que a coisa toda até faz algum sentido. Elvis parecia um cantorzinho jovem brincando com o estilo de cantar daqueles tempos. Basta lembrar de Frank Sinatra e Dean Martin para uma comparação rápida. Elvis não  entoava sua voz com soberba, apenas cantava a letra da música de uma maneira mais relaxada, quase casual. Acabou criando uma nova linguagem musical nesse processo...

5. I Love You Because (Leon Payne) - Quando o assovio surge nas caixas de som você imediatamente sabe que "I Love You Because" de Leon Payne está começando. Essa baladinha country com uma guitarra chorosa de Scotty Moore sempre solando em lágrimas ao fundo, não chega a ser um destaque dentro do álbum. Porém mostra bem o estilo baladeiro de Elvis em seus anos iniciais. Lembra até mesmo de "My Happiness", a primeira gravação dele na Sun Records - o tal disquinho que gravou para dar de presente para sua mãe Gladys. Naquele primeiro acetato Elvis era apenas um amador tentando chamar a atenção. Porém aqui nessa faixa ele já poderia se considerar um cantor profissional. Inclusive já tinha deixado seu emprego de motorista de caminhão da empresa de energia elétrica de Memphis. Um futuro e tanto iria surgir para aquele jovem rapaz de 19 anos de idade.

6. Just Because (BJ Snelton / S.Robin) - "Just Because" também é bem subestimada. Já houve quem dissesse que era um skiffle bem disposto, porém a verdade é que esse estilo musical nada mais era do que uma variação inglesa para o country (genuíno) dos Estados Unidos. Uma simples releitura sem profundidade. Ingleses branquelos querendo soar como cowboys do sul norte-americano. Definitivamente eles não eram homens de Marlboro! Não colava muito bem. De qualquer forma o estilo mais rapidinho faz dessa uma boa faixa para Elvis e seu trio de caipiras - os Blue Moon Boys. É a tal coisa, se o tal rock ´n´ roll fosse uma coisa passageira Elvis e sua banda poderia muito bem viver tocando e cantando a música rural sulista nas feiras de gado nos arredores de Memphis e região. Valia tudo para sobreviver como artista naqueles tempos pioneiros, meus caros!

7. Tutti Frutti (Joe Lubin / Richard Penniman / Dorothy LaBostrie) - Outro hino da geração rocker é "Tutti Frutti". Essa é do Little Richard. Elvis nunca levou essa canção muito à sério, verdade seja dita. Ele inclusive poderia se referir a esse rock como uma música chiclete como ele gostava de dizer. O que significava exatamente isso? Ora, significava que Elvis a via como uma canção de rock sem muita substância, feita apenas para agitar, embalar seus fãs durante seus shows e apresentações na TV. Tanto isso parece ser verdade que ele logo a deixou de lado, não a usando mais depois desse disco. De qualquer forma Little Richard não cansou de agradecer a Elvis por ter gravado sua música. Em um documentário sobre esse álbum ele afirmou com todas as letras que só tinha mesmo a agradecer ao Rei do Rock, pois se Elvis não tivesse gravado suas músicas ele provavelmente ainda seria cozinheiro de uma espelunca em Atlanta. A gratidão sempre é muito bem-vinda meu caro Richard. Falou pouco, mas falou bonito!

8. Trying To Get To You (Charles Singleton / Rose Marie McCoy) - Uma das faixas desse álbum, o country "Trying to Get to You", seria utilizada por Elvis nos palcos até o fim de sua vida. Isso provava o quanto ele gostava da música, até porque ela nunca foi exatamente um sucesso em sua discografia, havia muitas outras músicas bem mais populares. Porém Elvis tinha um apreço especial por ela, como bem demonstra as centenas de versões ao vivo que cantou. Essa música também foi uma das que a RCA Victor aproveitou do período em que Elvis gravava na Sun Records, um ano antes. O produtor Steve Sholes ouviu todo o material que Sam Phillips enviou para Nova Iorque e escolheu entre as gravações aquelas que poderiam ser aproveitadas no disco de estreia de Elvis na RCA. Foi uma boa escolha do produtor. A gravação é realmente muito bem realizada por Elvis e banda.

9. I'm Gonna Sit Right Down and Cry (Joe Thomas/Howard Biggs) - Caso típico de se ouvir uma música pela primeira vez e adorar logo de cara! Foi esse o meu caso ao ouvir a canção " "I'm Gonna Sit Right Down and Cry (Over You)". Passados tantos anos desde que comprei esse álbum e o ouvi pela primeira vez não mudei em nada a minha percepção dessa excelente faixa do álbum de estreia de Elvis Presley. Esse é seguramente um dos melhores momentos do álbum. Veja, todas as faixas desse disco se ressentem, em minha opinião, de um melhor trabalho em termos de arranjos.Porém no que diz respeito a essa música não teria nada a criticar. Ela é perfeita! Anos depois, nos tempos de seu programa semanal na BBC, os Beatles decidiram apresentar uma versão desse clássico rockabilly. Nem preciso dizer que a gravação dos ingleses ficou excepcional, resultando em uma gravação muito alto astral, alegre, para cima! Que conclusão diria sobre tudo isso? A música foi gravada por Beatles e Elvis Presley. Em ambos os discos o resultado ficou excepcional. Por tudo isso credito essa como uma das melhores da época de ouro do rock. E isso, meus caros leitores, definitivamente não é pouca coisa!

10. I'll Never Let You Go (Little Darlin') (Jimmy Wakely) - Outra canção que foi resgatada dos anos na Sun Records foi a balada "I'll Never Let You Go (Lil' Darlin')" de autoria de Jimmy Wakely. Esse foi um cantor e compositor popular no sul dos Estados Unidos durante as décadas de 1930 e 1940. Vestido de cowboy ele ganhou fama se apresentando no palco do Grand Ole Opry. Seguindo os passos de artistas como Gene Autry ele foi abrindo seu caminho, chegando até mesmo a compor para trilhas sonoras de filmes B de faroeste. Como Elvis sempre foi louco por cinema não era surpresa ele ter escolhido músicas do repertório de Wakely para gravar. A intenção era ter uma boa seleção musical country para tocar nos pequenos festivais que contratavam Elvis nessa fase de sua vida. Afinal cantar em feiras de gado e eventos desse tipo exigia mesmo um repertório bem popular, country, de acordo com o gosto das pessoas que frequentavam esses festivais.

11. Blue Moon (Richards Rodgers / Lorenz Hart) - "Blue Moon" é maravilhosa. Quando Elvis a gravou, em 1954, na Sun Records, ela já era uma balada consagrada dentro do universo musical americano. Gravada inicialmente nos anos 1930, bem no auge da depressão que assolava a economia daquele país, tinha se tornado um símbolo sentimental em uma época muito dura na vida das pessoas. Fica óbvio que Elvis a conhecia desde a infância. O diferencial de sua versão foi a performance claramente emocional que imprimiu na gravação. Embora tivesse alguns pequenos problemas, como o fato de Elvis ter esquecido a letra bem no meio da gravação, ainda assim a RCA Victor resolveu resgatá-la para fazer parte do primeiro disco do cantor na nova gravadora. O produtor Steve Sholes viu ouro puro ali. Era uma bela obra prima musical.

12. Money Honey (Jesse Stone) - "Money Honey" teve sua gravação original feita em 1953 por Clyde McPhatter que estava tentando emplacar uma carreira solo longe de seu grupo The Drifters. Essa primeira versão não teve muito sucesso. Depois ela foi regravada por Billy Ward and the Dominoes, onde finalmente se tornou um hit nas paradas, chegando a vender a incrível marca de um milhão de cópias. A versão de Elvis ficou muito bem executada, com aceleração de seu ritmo original, até porque agora a música era puro rock ´n´ roll na voz de Presley. O curioso é que a versão de Elvis acabou inspirando outro roqueiro famoso da época, Eddie Cochran, que também registrou sua própria interpretação na música pelo selo London em 1959, justamente quando Elvis estava bem distante, servindo o exército americano na Alemanha.

Elvis Presley - Elvis Presley (1956): Músicas da Sun Records - Elvis Presley (vocal e violão) / Scotty Moore (guitarra) / Bill Black (baixo) / Produzido Por Sam Phillips / Arranjado por Elvis Presley, Scotty Moore, Bill Black e Sam Phillips / Gravado no Sun Studios, Memphis / Data de gravação: 5 de julho de 1954, 19 de agosto de 1954, 10 de setembro de 1954 e 11 de julho de 1955. Músicas da RCA Victor - Elvis Presley (vocal, violão e piano) / Scotty Moore (guitarra) / Chet Atkins (guitarra) / Bill Black (baixo) / D.J. Fontana (bateria) / Floyd Cramer (piano) / Short Long (piano) / Gordon Stocker, Ben e Brock Speer (acompanhamento vocal) / Produzido por Steve Sholes / Arranjado por Elvis Presley e Steve Sholes / Gravado nos RCA Studios - Nova Iorque e Nashville / Data de Gravação: 10,11,30 e 31 de janeiro e 3 de fevereiro de 1956 / Data de Lançamento: março de 1956 / Melhor posição nas charts: #1 (EUA) e #1 (UK).

Pablo Aluísio.

terça-feira, 28 de junho de 2022

Jurassic World Domínio

Mais um filme da longa e milionária franquia Jurassic Park. Interessante que essa franquia não parece perder sua capacidade de atrair público ao cinema, uma vez que esse filme já é considerado um dos grandes sucessos de bilheteria deste ano, sendo o único até o momento que conseguiu tirar Top Gun Maverick da primeira posição entre os filmes mais vistos nos Estados Unidos. Para não soar tão repetitivo e ao mesmo tempo manter uma linha de identidade com os filmes anteriores, o roteiro procurou introduzir novos personagens, ao mesmo tempo em que resgatou personagens dos velhos filmes. E aqui eu pude perceber um certo problema, uma vez que, se formos analisar bem, o filme tem muitos personagens centrais, a ponto de deixar claro aqui nessa resenha de que há no mínimo dez personagens de interesse nessa história. O resultado de tanta gente para o espectador prestar atenção é que o roteiro ficou um pouco diluído, deixando o mais importante um pouco de lado. O mais importante, claro, são os dinossauros, são eles em minha opinião que levam tanta gente ao cinema mesmo após tantos anos do lançamento do filme original.

E o que podemos falar dos Dinos? Eles estão novamente em grande número no filme e pela primeira vez estão em uma situação inédita, soltos no mundo, em praticamente todos os lugares do planeta. O grande destaque vem do dinossauro argentino conhecido como Giganotossauro, o maior carnívoro que que já andou na face da Terra. Os roteiristas tentaram assim destronar o grande e conhecido Tiranossauro Rex, o dinossauro mais famoso que se tem notícia na história da paleontologia. Será que conseguiram mesmo? Bom, você vai ter que assistir ao filme para conferir. Por fim uma observação curiosa, esse filme traz o roteiro mais ecologicamente correto de todos os filmes dessa franquia. O cuidado do discurso ecológico vai ao ponto de preservar os próprios dinossauros na história. Perceba que nenhum deles é morto por humanos no enredo. E se você ainda tiver alguma dúvida sobre esse aspecto preste atenção à mensagem final do filme, onde nos é ensinado que todas as formas de vida no planeta Terra merecem ser respeitadas. Mais ecológico e muito menos sangrento, esse novo Jurassic Park é um sinal dos novos tempos.

Jurassic World Domínio (Jurassic World Dominion, Estados Unidos, 2022) Direção: Colin Trevorrow / Roteiro: Emily Carmichael, Colin Trevorrow / Elenco: Sam Neill, Laura Dern, Bryce Dallas Howard, Jeff Goldblum / Sinopse: Uma grande corporação de alta tecnologia genética cria experiências que estão mudando geneticamente insetos e dinossauros, colocando em risco a vida no planeta Terra.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 27 de junho de 2022

Cinema News - Edição XVII

Cinema News: Elvis e Top Gun Maverick disputam primeiro lugar entre as maiores bilheterias nos Estados Unidos - A luta pelo primeiro lugar entre os filmes mais vistos esta semana em Hollywood foi bem acirrada. Há 3 filmes disputando o posto atualmente. Elvis, o musical dirigido por Baz Luhrmann, Top Gun Maverick, a tão aguardada continuação do filme Ases indomáveis e Jurassic World Domínio. Os filmes brigaram pelo primeiro posto de filme mais assistido nos Estados Unidos nesta semana. Na semana passada os dinossauros estavam em primeiro lugar, após tirarem Top Gun Maverick da liderança. Nessa semana estreou o novo filme Elvis, o musical da Warner que tem sido elogiado nos Estados Unidos, contando com Tom Hanks no papel do empresário Tom Parker e Austin Butler no papel de Elvis Presley. 

Esse novo filme veio para disputar a primeira posição entre os mais vistos e acabou ficando em segundo lugar, sendo superado justamente por Top Gun Maverick. Os dinossauros de Jurassic World acabaram perdendo a primeira posição, ficando em terceiro. Temos uma dança das cadeiras entre os blockbusters americanos. Top Gun Maverick aliás já superou a incrível bilheteria de 1 bilhão de dólares! Mesmo após várias semanas de sua estreia, ainda é o filme a ser batido mas bilheterias Americanas. Vai ser complicado superar. Vamos ver na semana que vem quem vai conseguir chegar ao topo, pois bons filmes concorrendo para isso não faltam.

Hollywood prepara novo filme com o Predador - É curioso como certos personagens dos anos 80 ainda continuam gerando frutos dentro do cinema americano. Um dos casos mais curiosos vem com o alienígena conhecido como o Predador. O primeiro filme mostrava uma história simples de um grupo de soldados brutamontes que eram encurralados no meio da selva por um ser desconhecido vindo de outro planeta. Desde então os estúdios jamais abriram mão do Predador. Houve um segundo filme que se passava no meio do caos urbano e uma pequena série de apenas 2 filmes intitulado Alien versus Predador. Depois de mais alguns filmes que não chegaram a ser grande sucesso de bilheteria esse velho personagem está de volta na mira os produtores de Hollywood. Os produtores da Fox começaram a nova produção com o Predador para se lançado no final de ano. Vamos ver no que isso tudo vai dar.

Dakota Johnson disse em recente entrevista que atuar na trilogia Cinquenta tons de cinza foi uma Batalha, uma luta, principalmente por causa do controle criativo da autora dos livros que segundo ela causava todo tipo de problema durante a produção dos filmes para o cinema. Ela declarou sobre: 'Era o caos o tempo todo! Eu me inscrevi para fazer uma versão muito diferente do filme que acabamos fazendo. E. L. James tinha muito controle criativo, o dia todo, todos os dias, e ela apenas exigia que certas coisas acontecessem. Havia partes dos livros que simplesmente não funcionariam em um filme, como o monólogo interno, que às vezes era incrivelmente brega. Não funcionaria para dizer em voz alta. Sempre foi uma batalha. Sempre. Quando fiz o teste para esse filme, eu nem imaginava que seria assim!" Dakota Johnson descreveu a produção de “Cinquenta Tons de Cinza” como “psicótica” nessa nova matéria de capa da revista Vanity Fair. 

Pablo Aluísio

domingo, 26 de junho de 2022

Doutor Estranho no Multiverso da Loucura

Quando o filme começa, o Doutor Estranho está no meio de um sonho muito bizarro, onde enfrenta criaturas e monstros de todos os tipos e também conhece uma jovem com poderes de atravessar os inúmeros universos que existem no multiverso. Depois que acorda ele descobre que a garota realmente existe no mundo real e que está sendo perseguida por entidades e seres maléficos que querem colocar as mãos nesse poder, entre elas Wanda Maximoff agora transformada em uma bruxa conhecida como Feiticeira Escarlate. Caberá ao Doutor Estranho tentar salvar essa garota, ao mesmo tempo em que viaja pelos mais diversos universos. Essa é, em breves palavras, a sinopse desse novo filme da Marvel, o segundo tendo como protagonista esse personagem do Doutor Estranho, aqui novamente interpretado pelo ator Benedict Cumberbatch.

Esse filme sofreu uma série de críticas que afirmavam que o seu roteiro era confuso e dilacerado. Não achei nada disso, muito pelo contrário, é um roteiro dos mais redondos, com a tradicional luta entre o bem e o mal, inclusive com a eterna busca pelo objeto que irá trazer o poder total, ou seja tudo nos conformes das fórmulas das mais antigas histórias. Um aspecto relevante é que Wanda, a mesma Wanda da série de TV que vinha acompanhando, se torna a antagonista dessa história. Qual não foi a minha surpresa ao ver que aquela simpática dona de casa havia se transformado em uma bruxa das mais perversas, mesmo que no fundo tudo o que ela queria era ficar ao lado de seus filhos, que em seu universo não existiam. Esse filme não foi tão bem sucedido em termos de bilheteria. Começou bem em sua primeira semana nos cinemas, mas aí teve que enfrentar grandes concorrentes como o novo Top Gun e os dinossauros de Jurassic Park Domínio. Com isso foi caindo nas bilheteiras a cada dia. Em termos gerais eu gostei desse novo filme do Doutor Estranho, devo admitir. Penso inclusive que foi injustamente criticado em seu lançamento.

Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (Doctor Strange in the Multiverse of Madness, Estados Unidos, 2021) Direção: Sam Raimi / Roteiro: Michael Waldron / Elenco: Benedict Cumberbatch, Elizabeth Olsen, Xochitl Gomez, Rachel McAdams / Sinopse: Doutor Estranho precisa salvar uma jovem com poderes especiais de viajar entre os diversos universos do multiverso.

Pablo Aluísio.

Crônicas de um Cinéfilo - Parte 7

Pois bem, continuando minhas memórias cinéfilas. Tinha um cinema secundário na minha cidade que se chamava Plaza. Curiosamente ficava na mesma rua do principal cinema, o Municipal. O Plaza poderia ter sido um grande cinema em sua época de ouro que acredito ter sido lá pelos anos 1960. Quando eu fui a esse cinema pela primeira vez, nos anos 80, ele já tinha ficado decadente. Decadente ao ponto de exibir filmes pornôs durante a semana. Nos fins de semana não melhorava muito. Filmes obscuros de karatê e ação eram exibidos.

No Plaza eu cheguei a ver filmes ruins, mas também filmes que hoje fazem parte da história do cinema. Por exemplo eu vi "ET - O Extraterrestre" pela primeira vez nesse cinema. ET é de 1982 e quando o vi foi numa sessão em, provavelmente, 1986, era uma semana de exibição especial. Pois é, esse clássico de Spielberg chegou a ser relançado no Brasil naquele ano. Também vi "Seven" naquela que foi a última vez que fui nesse cinema. Ele iria fechar pouco depois.

De filme bom também posso me lembrar de ter visto nesse cinema "Cocoon", ótima ficção dos anos 80. Também assisti nesse cinema "Rocky IV" numa sessão inesquecível onde todo o público torceu como se estivesse assistindo a uma luta de verdade. E o cinema estava lotado. Havia também a exibição de vários filmes de terror no Plaza. Não os principais filmes da época como "A Hora do Espanto", mas as produções secundárias do tipo "Noite dos Arrepios". Era muito legal. Também vi nessa sala o terror de Jack Nicholson chamado "Lobo". Não gostei muito. Vi ainda "Sonâmbulos" de Stephen King. Dessa vez curti bastante.

Agora, o Plaza ficou conhecido mesmo pelas podreiras que exibia. Praticamente todos os filmes da Cannon eram exibidos lá. Todos os filmes de Chuck Norris e olha que vi vários deles, como "Invasão USA", "Código do Silêncio", "Comando Delta", "Braddock", tanto o primeiro como o segundo, ficaram pelo menos uma semana em exibição, mostrando que havia público para eles. Infelizmente nos anos 90 o Plaza faliu. Seu prédio foi vendido e virou uma loja de calçados. Sempre que passo em frente a esse local tenho saudades. Quando um cinema fecha numa cidade parte de sua riqueza cultural também se vai.

Pablo Aluísio.

sábado, 25 de junho de 2022

Por uns Dólares a Mais

Título no Brasil: Por uns Dólares a Mais
Título Original: Per Qualche Dollaro in Più
Ano de Produção: 1965
País: Itália, Espanha, Alemanha
Estúdio: Constantin Film Produktion, Produzioni Europee Associati
Direção: Sergio Leone
Roteiro: Sergio Leone, Fulvio Morsella
Elenco: Clint Eastwood, Lee Van Cleef, Gian Maria Volonté

Sinopse:
Monco (Clint Eastwood) e Mortimer (Lee Van Cleef) são dois caçadores de recompensas no velho oeste que acabam indo atrás do mesmo criminoso, El Indio (Gian Maria Volonté), cuja oferta por sua captura vivo ou morto é avaliada em dez mil dólares! Pistoleiro, psicopata, estuprador e muito violento, El Indio planeja ao lado de sua quadrilha um grande roubo de banco na cidade de El Paso. Ele conseguiu ter acesso a informações privilegiadas sobre o cofre da instituição e pretende roubar uma pequena fortuna de sua sede, mas antes disso terá que se livrar daqueles que querem sua cabeça em troca do valioso prêmio a ser dado como recompensa a quem conseguir lhe tirar de circulação.

Comentários:
A frase que abre o filme, "Onde a vida não tem valor, a morte, ás vezes tem seu preço. É por isso que os caçadores de recompensas apareceram", resume bem a tônica dessa produção. Considerado um dos maiores clássicos do assim chamado western spaguetti, "Por uns Dólares a Mais" surge em um momento em que o cinema italiano começa a mostrar ao mundo que também podia realizar faroestes tão bons quanto os originais americanos. A fórmula de se importar atores e profissionais americanos para trabalharem na Itália havia se mostrado madura o suficiente para assustar até mesmo os grandes estúdios de Hollywood. Para se ter uma ideia a United Artists ficou tão impressionada com a qualidade desse western que não pensou duas vezes em adquirir os direitos da obra para lançar nos cinemas americanos, no circuito interno. Isso era um feito e tanto já que até aquele momento as distribuidoras americanas esnobavam os filmes italianos de faroeste. No elenco, Clint Eastwood e Lee Van Cleef, começavam a virar astros. Ambos amargaram anos e anos de papéis coadjuvantes sem muita importância dentro da indústria americana e tiveram que cruzar o Atlântico para serem finalmente reconhecidos em casa. Por fim, e o mais importante de tudo, o filme contava com a ótima direção do mestre Sergio Leone. Cineasta singular, Leone conseguia impor um estilo próprio, autoral, em fitas que em essência eram realizadas para serem acima de tudo comercialmente bem sucedidas. Dentro do circuito mais comercial ele conseguia, com raro brilhantismo, trazer inovações e classe a gêneros ditos como extremamente popularescos. Maior prova de sua genialidade não há. Assim, caso você nunca tenha assistido esse western classe A não perca mais seu tempo, pois "Per Qualche Dollaro in Più" é de fato simplesmente indispensável e essencial para qualquer cinéfilo que se preze. Um faroeste realmente imortal.

Pablo Aluísio.

Django Vem Para Matar

Título no Brasil: Django Vem Para Matar
Título Original: Se Sei Vivo Spara
Ano de Produção: 1967
País: Itália
Estúdio: Elios Studios
Direção: Giulio Questi
Roteiro: Franco Arcalli, Benedetto Benedetti
Elenco: Tomas Milian, Ray Lovelock, Piero Lulli, Milo Quesada, Sancho Gracia, Mirella Pamphili

Sinopse: 
Django (Tomas Milian) é um bandoleiro, assaltante e assassino que vaga pelo velho oeste em busca de novos bancos para cometer seus crimes. Após assaltar uma carruagem carregada de ouro ele é traído por seus comparsas que o enterram vivo no meio do deserto inóspito. Desesperado e com sede de vingança consegue finalmente sair de sua cova, partindo para um acerto de contas brutal e violento contra seus antigos companheiros do mundo do crime.

Comentários:
Mais um western spaghetti com o personagem Django. Esse aqui está sendo lançado no Brasil agora como parte do box "Western - Os Heróis do Velho Oeste". São cinco filmes em uma caixa de DVDs muito interessante para colecionadores. Além dessa produção com Django o fã de faroestes italianos ainda levará para casa as seguintes produções: "Mato Hoje, Morro Amanhã", "O Filho de Django", "Três Balas Para Ringo" e "Adios Gringo". Como se sabe muitos fãs de western, principalmente brasileiros, reclamam da dificuldade de se encontrar com facilidade certos filmes em DVD do nosso querido gênero. Pois bem, procurando bem o consumidor vai acabar encontrando coisas interessantes como esse recente box. São filmes para os amantes do chamado western Spaghetti. Em alguns sites você pode ter acesso ao material por menos de R$ 40 reais - é ou não é uma boa pedida? Certamente sim. O enfoque aqui vai para filmes estrelados pelos atores Giuliano Gemma, Tomas Milian, Bud Spencer e Guy Madson, entre outros. Vale a pena ter em sua coleção. Mas voltemos ao filme. É um faroeste que investe até mesmo em uma linguagem meio surreal, quase psicodélica, com pitadas de terror (por mais estranho que isso possa parecer!). A produção não é das melhores e o filme para muitos especialistas é apenas uma tentativa oportunista de faturar em cima do nome comercial Django. Mesmo assim vale ao menos uma sessão para matar a curiosidade. No Brasil dos anos 60 ele também foi exibido nos cinemas de bairro com dois outros títulos, a saber: "O Pistoleiro das Balas de Ouro" e "Matar para Viver e Viver para Matar". Se você gosta do faroeste com macarronada não deixe de conferir.

Pablo Aluísio.