sábado, 10 de outubro de 2009

Ana dos Mil Dias

Uma boa dica para quem gosta de temas históricos e da série de sucesso The Tudors é assistir esse filme estrelado por Richard Burton. O tema todos conhecemos: as várias histórias de alcova envolvendo o rei absolutista inglês Henrique VIII. Nesse caso o filme é centrado de forma bem específica sobre o romance do Rei com sua segunda esposa, Ana Bolena. Um caso de amor que envolveu até mesmo questões de Estado que até hoje repercutem na história mundial (O Rei rompeu com a Igreja Católica e fundou a sua própria Igreja, chamada Anglicana, por causa da recusa do papa na época em anular seu primeiro casamento). O filme tem produção requintada, ótimas atuações e um bom roteiro, que procura na medida do possível ser bastante fiel aos fatos históricos. Richard Burton está particularmente bem no papel, fazendo com primor essa figura tão controvertida que era Henrique. A atriz que faz Ana Bolena, Geneviève Bujold, também está bem correta em sua caracterização.

Talvez o único senão do filme seja a pouca exploração de um dos personagens centrais da história de Henrique VIII, o chanceler Sir Thomas Moore, o principal opositor ao rompimento de Henrique com a Igreja Romana. Em detrimento de sua participação o filme enfoca mais a presença do Cardel Wolsey e do maquiavélico Cromwel, o segundo chanceler do Rei. De certa forma é até compreensível que isso tenha acontecido, já que são tantos os personagens a se enfocar que seria praticamente impossível não haver omissões em um longa metragem como esse. Apenas seriados conseguem mostrar todos os detalhes de uma biografia tão rica em intrigas, traições e vilanias como a de Henrique. Fato esse demonstrado por The Tudors.

O Filme merece ser conhecido com absoluta certeza. Além da riqueza de produção a película tem um desenvolvimento bem mais leve e acessível do que "O Homem que não vendeu sua Alma" (esse sim centrado e muito na história de Thomas Moore, mártir da fé católica que acabou sendo canonizado pela Igreja de Roma). O resultado se vê na tela, Burton foi indicado ao Globo de Ouro pela produção e até arranjou uma participação não creditada de sua esposa Elizabeth Taylor no filme, o que é um divertimento a mais, já que tentar encontrá-la no meio de tantos figurantes e atores coadjuvantes não é uma tarefa das mais simples. Enfim, gosta de filmes de época? Quer saber mais sobre o absolutismo que imperou na Europa ou simplesmente quer conhecer mais sobre a biografia desse polêmico Rei? Então assista Ana dos Mil Dias e alie bom divertimento a enriquecimento cultural.

Ana dos Mil Dias (Anne of the Thousand Days, EUA, 1969) Direção: Charles Jarrott / Roteiro: Bridget Boland, John Hale / Elenco: Richard Burton, Geneviève Bujold, Irene Papas / Sinopse: O filme enfoca o romance de Henrique VIII (Richard Burton) e Ana Bolena (Geneviève Bujold). O romance escandalizou a Europa medieval e levou ao rompimento da Inglaterra com a Igreja Católica.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O Homem dos Olhos Frios

Caçador de recompensas (Henry Fonda) chega em uma pequena cidade do oeste com o corpo de um bandido. Ele vem em busca do prêmio prometido pela captura do foragido morto. Assim conhece o Xerife local (Anthony Perkins) um jovem e inexperiente homem da lei que em pouco tempo se verá numa situação de vida ou morte. Lida assim a sinopse pode-se pensar que o filme é mais um faroeste de rotina entre tantos que foram produzidos durante os anos 50. Mero engano. "The Tin Star" (que recebeu um título nada adequado no Brasil de "O Homem dos Olhos Frios") é um excelente estudo psicológico daqueles homens que tinham a audácia e a coragem de impor a lei em lugares distantes e violentos do oeste americano no século 18. Eram mal remunerados, geralmente encontravam a morte cedo e mesmo assim procuravam exercer sua função da melhor forma possível. Aqui temos um jovem sem a malícia e a experiência necessárias para fazer valer a lei em uma cidade lotada de mal feitores. Curiosamente acaba encontrando seu mentor em um velho caçador de recompensas (Henry Fonda, ótimo) que só está ali atrás de seu dinheiro e nada mais. Os acontecimentos porém o farão mudar de ideia. Na realidade ele próprio era um xerife que largou a estrela de lata após perceber que ganharia muito mais caçando bandidos perigosos pelo deserto. Assim temos de um lado um jovem ainda idealista que tem que se confrontar com um experiente e calejado ex homem da lei que sabe exatamente o que ostentar aquela estrela significava no velho oeste. O "duelo" de personalidades deles é a base de todo o argumento do filme.

O elenco é excelente. Henry Fonda não precisava de muita coisa para se impor em qualquer filme que trabalhasse. Ícone do western o ator se saí extremamente bem no papel do ex-xerife e atual caçador de recompensas Morg Hickman. Agora verdade seja dita: embora Fonda brilhe mais uma vez o destaque vai mesmo para Anthony Perkins. Ele mesmo, o ator que ficaria marcado para sempre como o psicopata Norman Bates de "Psicose" aqui interpreta um papel totalmente diferente, demonstrando que era realmente um bom ator e não apenas um intérprete de um personagem só (como muitos pensam). O xerife que interpreta é um sujeito sem moral, meio abobalhado, receoso e inseguro que tem que lidar com uma situação limite ao qual não tem o menor controle. "The Tin Star" ("A Estrela de Lata" no original) é isso, uma crônica muito bem estruturada sobre o modo de pensar e agir dos homens da lei em uma terra que passou para a história justamente por não ter lei, a não ser a lei do mais forte. Excelente western, procurem assistir.

O Homem dos Olhos Frios (The Tin Star, EUA, 1957) Direção de Anthony Mann / Roteiro de Joel Kane e Dudley Nichols / Elenco: Henry Fonda, Anthony Perkins, Lee Van Cleef, John McIntire / Sinopse: Caçador de recompensas (Henry Fonda) chega em uma pequena cidade do oeste com o corpo de um bandido. Ele vem em busca do prêmio prometido pela captura do foragido. Assim conhece o Xerife local (Anthony Perkins) um jovem e inexperiente homem da lei que em pouco tempo se verá numa situação de vida ou morte.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A Marca do Zorro

Terminei de conferir esse clássico "A Marca do Zorro". Para um filme que tem mais de 70 anos de idade posso dizer que fiquei impressionado com a agilidade do roteiro, com a fluidez da trama e pelas excelentes coreografias de luta de capa e espada (melhores do que muitas que vemos atualmente). Tyrone Power está muito bem no papel de Zorro. Como todos sabemos para interpretar Zorro o ator não tem que ser apenas atlético e bom de esgrima mas também atuar bem pois o alter ego do herói é o afetado Don Diego, levemente afeminado e cheio de frescuras, o que exige talento na arte de atuar - tudo obviamente com o objetivo de não despertar suspeitas de sua verdadeira identidade.

Além de Tyrone Power em grande forma o elenco ainda conta com o ator Basil Rathbone como o Esteban Pasquale. Esse ator seria imortalizado justamente por outro personagem muito famoso nas telas, Sherlock Holmes. Esbelto e também muito bom na famosa cena de duelo com Don Diego, Basil está extremamente bem na tela. Como o filme não conta com o famoso personagem Sargento Garcia, aqui o papel de vilão cabe justamente a esse Capitão. No final chegamos na conclusão de que tudo o que conhecemos de Zorro já se encontra nesse filme. O ritmo ágil, as piruetas do personagem e o leve humor daqueles que o cercam. Por isso "A Marca do Zorro" pode ser considerado o grande precursor dos filmes que viriam depois. Sem dúvida é um marco, um marco do Zorro.

A Marca do Zorro (The Mark of the Zorro, EUA, 1940) Direção de Rouben Mamoulian / Elenco: Tyrone Power, Linda Darnell, Basil Rathbone, Gale Sondergaard, Eugene Palette / Sinopse: Durante o domínio espanhol da Califórnia, o filho do governador retorna para descobrir que há outro no lugar do pai. Finge estar desinteressado enquanto assume uma identidade secreta, a de um cavaleiro mascarado que irá proteger os indefesos e inocentes.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Três Sargentos

Algumas coisas não dão para entender. Como é que um filme que reúne todo o Rat Pack consegue não ter música e o pior, ser tão sem graça? O problema de "Três Sargentos" é justamente esse: a fita se leva à sério demais! Um filme que reúna Sinatra, Martin e Davis, Jr não poderia nunca ser tão convencional como esse. O filme não tem nenhuma canção, nada! Para piorar o humor é deixado de lado. Apenas uma cena investe nesse aspecto, a cena inicial com os 3 sargentos dentro do bar. Após uma briga ao estilo pastelão o espectador é levado a pensar que o roteiro vai seguir essa linha mas que nada! - inexplicavelmente muda de tom e assume uma postura séria, baseada em longos tiroteios e batalhas com os índios das montanhas.

Sinatra apenas passeia no filme. Aliás seu personagem nem sempre aparece nas cenas mais importantes. Melhores são as participações de Dean Martin e Sammy Davis Jr, que em dupla proporcionam bons momentos. De resto pouca coisa convence. A cena final é praticamente toda passada dentro de uma caverna nitidamente recriada em estúdio. O filme não é mal feito mas a cenografia soa fake demais. O diretor John Sturges foi contratado pessoalmente por Sinatra após o sucesso de "Sete Homens e Um Destino" mas o deixou em rédeas curtas. Com o projeto sob controle Frank colocou toda a trupe no elenco (inclusive Peter Lawford, cunhado do presidente John Kennedy e péssimo ator) em um western que não deu muito certo. Seria bem melhor se fosse assumidamente cômico, com muitas canções. Não adianta muito ter grandes cantores em cena se não os utilizarem não é mesmo?

Três Sargentos (Sergeants 3, EUA, 1962) / Direção de John Sturges / Rotero: W.R. Burnett / Com Frank Sinatra, Dean Martin, Sammy Davis Jr, Peter Lawford e Joey Bishop / Sinopse: Sargentos de um forte do exército americano localizado no deserto entram em conflito com uma tribo de índios com uma estranha religião que prega o fanatismo e a guerra contra o homem branco.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O Segundo Rosto

Ser galã pode se tornar um fardo. Que o diga Rock Hudson nos anos 60. O ator liderava todas as listas de popularidade e estrelava um sucesso após o outro. Ele estava no auge da popularidade em sua carreira no cinema. Foi então que em 1966 ele topou protagonizar um estranho roteiro de um filme mais estranho ainda dirigido por John Frankenheimer. Na verdade era a velha estória do galã tentando ser reconhecido como bom ator. O resultado foi o filme "O Segundo Rosto", um verdadeiro delírio cinematográfico que causou muita perplexidade na época de seu lançamento nos cinemas. O argumento é até simples: um homem de meia idade se cansa da mediocridade de sua vida e resolve mudar tudo, forjar sua morte, fazer uma cirurgia plástica e começar uma nova vida longe da anterior, tudo com a ajuda de uma estranha corporação.

Rock interpreta o personagem após a mudança de sua identidade. Embora possa soar banal a estrutura dramática do filme o que realmente se sobressai é a maneira que o diretor escolheu para contar essa estória. Imagens distorcidas, sonhos se mesclando à realidade, devaneios e muita metalinguagem psicodélica marcam de forma muito surreal o resultado que assistimos. Na verdade essa película é uma verdadeira ET dentro da filmografia de Hudson, que sempre procurou trilhar o mainstream, evitando correr maiores riscos. Até é claro aceitar fazer esse alucinado roteiro. No meio da esquisitice dois momentos são marcantes: A atuação de Rock numa longa sequência de uma festa (onde ele estava realmente embriagado para parecer mais convincente no filme) e uma celebração onde várias pessoas aparecem nuas num grande tonel de fabricação caseira de vinhos. Essa cena inclusive é muito ousada, principalmente para os padrões morais do cinema americano dos anos 60.

'O Segundo Rosto' foi lançado oficialmente em Cannes. Rock e o diretor esperavam uma grande recepção, uma consagração total na França mas o resultado final não agradou e no final da exibição o filme foi vaiado pelo público. Rock que tinha comparecido na premiere ficou visivelmente constrangido pela reação negativa da plateia. Ele inclusive diria mais tarde que ficou completamente transtornado pois tinha grandes esperanças em seu êxito, falando inclusive em uma potencial palma de ouro. A realidade porém se mostrou implacável. A péssima acolhida em Cannes acabou repercutindo nos Estados Unidos e lá o filme acabou se tornando também um dos maiores fracassos do ano. Talvez o público ainda não estivesse pronto para um filme tão inovador. Anos depois Rock defenderia "O Segundo Rosto", tanto que chegaria tardiamente a receber alguns prêmios por sua atuação. De certo modo ele tinha razão em considerar esse um de seus grandes trabalhos. O tempo lhe deu toda a razão. Hoje o filme tem status de "cult", é debatido em escolas de cinema e tem o reconhecimento (tardio) da crítica especializada. Também é uma boa pedida para quem quiser conhecer o lado mais fora do comum da cinematografia sessentista. Quem assistir verá que o filme pode até não agradar a alguns, nem entusiasmar a outros mas certamente não irá deixar ninguém indiferente a ele.

O Segundo Rosto (Seconds, EUA, 1966) / Direção de John Frankenheimer / Roteiro de Lewis John Carlino e David Ely / Elenco: Rock Hudson, Richard Anderson e John Randolph / Sinopse: Homem de meia idade decide passar por transformação plástica radical para recomeçar sua vida. O que não esperava é tal decisão traria consequências trágicas em sua vida pessoal.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Risco Total

Não se sabe bem qual foi a razão mas em determinado momento de sua carreira, após grandes sucessos de bilheteria, Sylvester Stallone resolveu que queria ser um comediante. Ninguém entendeu direito mas como ele vinha de vários sucessos ninguém ousou contestar o ator. O resultado dessa má ideia foi a realização de dois péssimos filmes, “Oscar – Minha Filha Quer Casar” e “Pare, Senão Mamãe Atira!”. Desnecessário dizer que ambos os filmes foram enormes fracassos de público e crítica. Essa por sua vez se sentiu gratificada, após bater em Stallone por anos seguidos agora tinha o público ao seu lado, finalmente. De fato não há como negar que essas comédias são realmente horrendas. Enredos sem graça e Stallone tentando fazer rir de forma constrangedora. Recentemente o ator reconheceu o erro em uma entrevista explicando que seu ego o tinha cegado à realidade. De qualquer modo passada a repercussão negativa de ambos os filmes, Stallone resolveu voltar para sua zona de conforto, a dos filmes de ação e aventura. A solução foi se reunir ao cineasta Renny Harlin, na época em ótimo momento na carreira, para estrelar esse filme que usava e abusava de ótima fotografia, com tomadas maravilhosas de alpinismo e aventura. Era uma volta triunfal ao gênero que sempre o havia consagrado.

As filmagens foram complicadas mas Stallone estava disposto a voltar ao topo (da carreira, não das montanhas onde o filme foi realizado). A produção ficou a cargo da Carolco, a mesma que havia realizado os filmes da série Rambo. Stallone quis realizar ele próprio várias das cenas mas foi convencido a não ir em frente pois nenhuma seguradora do mundo bancaria o filme assim. Ao custo de 65 milhões de dólares as filmagens tiveram início nos famosos estúdios Cinecittà em Roma. Já as cenas externas, onde foram capturadas as melhores sequências de alpinismo, foram realizadas nas Montanhas Rochosas no Colorado e em Dolomites na Itália. O resultado foi muito bom, tanto em termos de bilheteria como de crítica. O filme rendeu mais de 250 milhões apenas no mercado externo e os jornais especializados pouparam Stallone de mais um massacre, elogiando a boa fotografia do filme e o fato dele ser um produto diferente, que fugia dos costumeiros Rambos e Rockys. Em suma, um bom momento na carreira de Sly, que recuperou assim seu prestígio e seu sucesso nos cinemas.

Risco Total (Cliffhanger, EUA, 1993) Direção: Renny Harlin / Roteiro: John Long, Michael France / Elenco: Sylvester Stallone, John Lithgow, Michael Rooker / Sinopse: Um famoso alpinista, Gabe Walker (Sylvester Stallone) é contratado para levar uma equipe de resgate que parte em busca de um grupo desaparecido nas montanhas. Durante a jornada porém Gabe acaba descobrindo que nada é o que aparentava ser.

Pablo Aluísio.

domingo, 4 de outubro de 2009

Bravura Indômita

Não existe nada mais perigoso no mundo do cinema do que refilmar antigos clássicos absolutos do passado. Quando o remake de "Bravura Indômita", western clássico com John Wayne, foi anunciado eu temi pelo pior. Não havia esquecido ainda de vários remakes desastrosos que foram feitos como Psicose, por exemplo. Se é um marco da história do cinema qual é a finalidade de refazer tal filme? Além da falta de originalidade os remakes sofrem de outro problema, sempre caindo em uma verdadeira armadilha: ou seguem literalmente o filme original e aí se tornam inúteis ou então tentam inovar correndo o risco de despertar a fúria dos fãs da obra original. As duas opções convenhamos não são nada boas. Eu fiz questão de rever o original poucos dias antes de assistir a esse remake justamente para ter uma base melhor de comparação com o filme dos irmãos Coen. A minha impressão é a de que essa nova versão preferiu seguir o caminho da refilmagem mais fiel ao original, sem inovações impertinentes ou banais. Embora seguindo lado a lado com o filme de Wayne o remake tem pequenas e pontuais novidades. Não resta dúvida, por exemplo, que essa nova versão tem um roteiro bem mais explicativo do que o filme de 1969, mostrando mais aspectos do livro que deu origem aos dois filmes. A reconstituição histórica também segue mais condizente com a época em que se passa a estória. Esses são certamente pontos positivos aqui. Já no aspecto originalidade o filme deixa bastante a desejar. É fácil perceber que não há nada de muito autoral dos Coen na produção, o que me deixou muito surpreso já que eles sempre fizeram questão de colocarem suas assinaturas em cada filme que fizeram. Isso não acontece com "Bravura Indômita". É um filme, como disse antes, muito bem feito, com tudo nos eixos mas curiosamente sem surpresas, chegando a ser convencional, isso claro se compararmos com o primeiro filme. Burocrático? Sim. Respeitoso em excesso com o filme original? Certamente.

Do elenco o grande destaque fica com Jeff Bridges. É fato que Rooster Cogburn é um personagem à prova de falhas, pois foi ótimo para John Wayne e novamente caiu muito bem na caracterização de Bridges. O que mais me chamou a atenção é que a interpretação no novo remake é quase uma homenagem velada ao desempenho anterior de Wayne. Até a entonação vocal é extremamente semelhante. Bridges em certos momentos é quase uma paródia de Wayne, tudo muito igual e parecido. Aliás esse talvez seja o grande problema da obra dos Coen: a grande semelhança com o original. Eu li algumas entrevistas deles afirmando que nunca assistiram ao filme com Wayne. Depois de ver essa nova versão posso afirmar com certeza absoluta que estão mentindo descaradamente. Tudo remete ao primeiro "Bravura Indômita". Só não entendi porque afinal resolveram refilmar um filme tão igual ao primeiro? Mero capricho? Depois de conferir o filme estou propenso a pensar que sim. No final das contas "True Grit" versão 2010 não conseguiu escapar da armadilha que ronda todo e qualquer tipo de filme que segue essa proposta, se tornando uma obra meramente desnecessária no saldo final.

Bravura Indômita (True Grit, EUA, 2010) Direção: Ethan Coen, Joel Coen / Roteiro: Joel Coen, Ethan Coen baseado na novela de Charles Portis / Elenco: Jeff Bridges, Matt Damon, Hailee Steinfeld / Sinopse: Jovem garota (Hailee Steinfeld) resolve contratar velho agente federal gordo e bêbado chamado Rooster Cogburn (Jeff Bridges) para encontrar um grupo de criminosos que mataram seu pai.

Pablo Aluísio.

sábado, 3 de outubro de 2009

Coração Louco

Eu sempre gostei do mundo musical e mais ainda dos bastidores da música; Sempre me interessei sobre a biografia dos cantores e bandas de que admiro e como todos podem ver em meus textos sobre música sempre tive grande prazer em tratar sobre o tema. Por isso fui com grandes expectativas assistir Coração Louco, o filme que deu o Oscar de Melhor ator para o carismático Jeff Bridges. Embora o filme seja dirigido por Scott Cooper a verdade é que em tudo se aparenta como um projeto bem pessoal tocado por Bridges e seu amigo de longa data Robert Duvall (ambos são produtores creditados). Esse fato, de ser um filme tocado com paixão e carinho pelos dois amigos, é um ponto extremamente positivo.

Jeff Bridges nos entrega uma atuação perfeita. Fazendo o decadente astro de outrora da música country ele está simplesmente impecável. Suas cenas de bebedeiras e consequentes ressacas (algumas homéricas) valem o filme. Seu prêmio da Academia foi mais do que merecido. Também era altamente previsível que ele levantasse a estatueta já que o Oscar adora personagens assim, que encontram a redenção de alguma forma (no caso do filme a mola propulsora da mudança vem através do amor que ele encontra em uma jornalista). Maggie Gyllenhaal, sua partner romântica, está muito bem, fazendo um belíssimo trabalho de apoio para Bridges esbanjar seu talento em cena. O filme nesse quesito de atuação é muito bom, acima da média, inclusive posso afirmar que todo o elenco se destaca de uma ou outra forma, menos Colin Farrell que achei bem inadequado no papel de um cantor country da nova geração (ele é irlandês, tem jeito de irlandês, canta mal e não se sai nem um pouco bem interpretando um redneck da country music).

Confesso que esperava mais do roteiro pois estava convencido que ele iria mostrar mais detalhes da vida artística do personagem de Bridges. Mas isso não aconteceu. Ao invés disso ele procurou se concentrar muito mais no romance com sua nova namorada e em sua tumultuada vida pessoal. Dessa forma os bastidores e o universo do mundo country foram de certa forma colocados de lado, principalmente na terça parte final do filme. Não faz mal. Em tempos de poucos filmes realmente inspirados foi um bom programa assistir a um filme como esse, que tem alma e coração, mesmo que seja louco.

Coração Louco (Crazy Heart, EUA, 2009) Direção: Scott Cooper / Roteiro de Scott Cooper baseado na novela de Thomas Cobb / Elenco: Jeff Bridges, Maggie Gyllenhaal, Colin Farrell / Sinopse: Cantor country decadente (Jeff Bridges) tena redimir sua vida pelo amor de uma mulher (Maggie Gyllenhaal).

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O Mensageiro

The Messenger, que estreia esse fim de semana no Brasil, é um bom retrato do outro lado das guerras em que os EUA estão envolvidos nesse momento. O roteiro mostra a rotina de trabalho de dois soldados americanos que tem como missão básica informar a morte dos combatentes aos seus familiares. Nem é preciso dizer da intensa carga emocional que essas situações geram. O interessante desse bom roteiro escrito por Oren Moverman e Alessandro Camon é que ele nos mostra os bastidores da guerra, o lado mais humano das perdas de vidas e a dor e o sofrimento daqueles que perderam seus entes queridos. De certa forma lembra muito um outro filme chamado O Retorno de um Herói, um belo trabalho de atuação do "eterno coadjuvante" Kevin Bacon. Ele inclusive tem recebido diversos prêmios por sua atuação inspirada.

Aqui temos a dupla formada pelos também ótimos atores Ben Foster e Woody Harrelson. O primeiro tem se destacado bastante nos filmes que tem feito e o segundo é velho conhecido dos cinéfilos, tendo atuado em filmes marcantes ou divertidos como O Povo Contra Larry Flint e Zombieland. Tenho lido algumas críticas sobre o filme em que se afirma que o tema dele logo se esgota e o argumento se repete em demasia ao longo da projeção. Não penso assim. Ao lado da tarefa desempenhada pelos soldados vamos conhecendo também os problemas emocionais deles, os traumas causados pelo front e as dificuldades de desenvolver uma relação estável com alguém. O filme não é cansativo e cria situações interessantes do ponto de vista dramático, como a questão ética de se envolver com a viúva de um militar morto em combate ou a falta de sensibilidade e envolvimento emocional por parte dos notificadores com a dor dos familiares. The Messenger levanta questões interessantes que devem ser debatidas. É um bom programa de cinema de qualidade no fim de semana.

O Mensageiro (The Messenger). EUA, 2009. Direção: Oren Moverman / Roteiro: Oren Moverman e Alessandro Camon. Com Ben Foster, Jena Malone, Eammon Walker, Woody Harrelson, Samatha Morton, Steve Buscemi, Yaya da Costa.

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O cinema dos anos 80

Recentemente estive na casa de um grande amigo de juventude. Fazia bastante tempo que não o tinha visto e acabei aceitando seu convite para ir em sua residência para passar uma tarde colocando nosso papo em dia. Estudamos juntos por vários anos e como não poderia deixar de ser relembramos dos nossos "velhos tempos de escola". Isso é curioso porque nem me considero tão velho assim, mas quando se encontra alguém que foi seu amigo nos tempos de colégio é óbvio que a nostalgia acaba virando o centro das conversas! Entre uma boa lembrança e outra ele me mostrou sua coleção de filmes "porrada" dos anos 80! Isso mesmo, todos aqueles filmes que assistíamos quando éramos adolescentes de 13, 14 anos de idade em plenos anos 80. Rever alguns daqueles títulos me trouxe de volta aos anos Marista, ao velho colégio e ao antigo cinema que íamos com os amigos no centro da cidade (cinema esse que não existe mais, como tantos outros de tantas outras cidades pelo Brasil afora).

Para completar o momento nostalgia acabamos assistindo alguns trechos de filmes que há anos não tinha revisto. Um deles provavelmente só assisti uma única vez, lá no velho cinema municipal, quando eu deveria ter no máximos uns 13 anos de idade. Seu nome é bem sutil e delicado, "Jogo Bruto", onde o dublê de ator e halterofilista Arnold Scharzennegger destroçava em poucos segundos um exército de mafiosos mal encarados, ou seja, tudo o que um garoto de 13 anos realmente quer ver quando vai ao cinema. É muito interessante se deparar com um filme do qual você tinha adorado muitos anos depois. Tudo em Jogo Bruto respira a anos 80: os carrões que parecem verdadeiras banheiras, os ternos cafonas, os penteados estranhos e as eternas ombreiras que pareciam ser item obrigatório nas mulheres ditas chiques. Puxa, como o tempo passa não é mesmo? Tudo muda com a passagem dele, menos é claro a canastrice de Scharzennegger que ele hoje a utiliza no mundo da política e não mais no mundo do cinema.

Depois de Jogo Bruto acabamos vendo trechos daquele que acho ser o filme símbolo do cinema de ação dos anos 80: Stallone Cobra! Nossa, aquela imagem de Stallone com óculos escuros, palito de dente no canto da boca e uma metralhadora de mira a laser é uma das mais ícônicas do cinema dos anos 80, principalmente para quem viveu naquela época. Quem estava lá não esquece, o filme foi considerado violento demais por um ministro chamado Paulo Brossard que num ato de devaneio acabou proibindo o filme para menores de 18 anos. Imagine a repercussão que isso teve! De repente assistir Stallone Cobra virou um ato de honra e coragem para os garotos dos anos 80. Todos os dias durante o intervalo das aulas a conversa girava sempre sobre como entrar no cinema para assistir Cobra! Quem poderia arranjar umas carteiras falsas para a turma entrar? Como conseguir?

A quantidade de carteiras falsas que circulou naquele ano deve ter sido uma das maiores da história! Todos queriam ver Stallone Cobra e quando conseguiam corriam para se vangloriar com os amigos menos sortudos! Depois lançaram o filme com cortes para menores e depois sem cortes... uma loucura! Assistir hoje Stallone Cobra é como voltar aos bons e velhos tempos. Claro que visto sobre o prisma de hoje o filme é só um policial cheio de clichês mas como marcou toda uma geração de garotos dos anos 80 ele acabou sendo envolto numa clima bom de nostalgia. Quem em sã consciência esqueceu uma das frases mais marcantes do filme? "Você é uma doença e eu sou a cura" falava Stallone com seu conhecido rosto sem expressividade. Nem é preciso dizer que isso era simplesmente o máximo para a garotada que fazia de tudo para lotar as sessões. Enfim, relembrar essas pequenas histórias dos tempos colegiais foi muito bom, foi uma bela viagem ao passado. Quem sabe não começo a rever daqui em diante os filmes da minha infância e adolescência. Coisas como Os Caça Fantasmas, De Volta Para o Futuro, Karatê Kid e até mesmo a série Rambo! Ah os anos 80!... eu era feliz e não sabia!

Pablo Aluísio.