terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Randolph Scott e o Velho Oeste - Texto 12

Randolph Scott e o Velho Oeste - Texto 12
O faroeste "Romântico Defensor" (Albuquerque, 1948) marca o começo da última e melhor fase da carreira de Randolph Scott. Os filmes produzidos a partir daqui iriam fazer muito sucesso, inicialmente nos cinemas e anos depois, na TV dos Estados Unidos, consolidando sua fama de um dos cowboys de cinema mais queridos da América. E de fato esse é mesmo um bom filme. Bem produzido, com roteiro redondo, elenco muito bom e todos os elementos que fazem um bom filme dentro desse estilo cinematográfico clássico. 

Na história Randolph Scott interpretava um texano que mudava de Estado para trabalhar ao lado de seu tio na cidade de Albuquerque no Novo México. Sua diligência era assaltada durante a viagem e o personagem de Scott conseguia sobreviver por pouco da fúria dos bandidos. Ao chegar na nova cidade ele acabaria descobrindo que seu próprio tio fazia parte justamente da quadrilha de bandoleiros! Imaginem o choque! Sendo íntegro e honesto, acabaria ficando no lado oposto ao dele!

O sucesso dessa fita de western faria que Randolph Scott só se concentrasse em filmes desse gênero. Nos anos seguintes ele de fato iria estrelar um Bang-Bang atrás do outro, se tornando o produtor dessa fitas altamente lucrativas! E nesse processo se tornaria um homem muito rico! 

Para fechar a década de 1940 com chave de ouro ele iria estrelar com muito sucesso vários filmes de faroeste. Em pouco mais de dois anos ele iria atuar em sete filmes de western! Todos rodados rapidamente para exibição em matinês nos cinemas americanos. Apesar da produção em série, industrial mesmo, esses filmes até  hoje cativam os fãs de faroeste, uma vez que eram sempre caprichados! Dessa maneira ele se despediu dos anos 40 com os seguintes filmes lançados em sequência: Águas Sangrentas, A Volta dos Homens Maus, Sete Homens Maus, Devastando Caminhos, A Lei é Implacável e O Lutador. Desnecessário dizer que seus fãs adoraram essa verdadeira maratona de faroestes com Scott. Ele, com tantos sucessos, acabaria entrando inclusive na seleta lista dos dez atores mais populares do ano!

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Marlon Brando - Hollywood Boulevard - Texto 33

Marlon Brando esperou bastante tempo para estrear no cinema americano. Ator talentoso de teatro em Nova Iorque, ele via Hollywood com desconfiança pois achava que a grande maioria dos filmes não tinham nada de relevante para passar ao público. Só em 1950 Brando resolveu assinar com a Columbia Pictures para a realização de sua estreia na sétima arte. O roteiro escolhido foi “The Men” que tocava em um tema explosivo na época. Após a Segunda Guerra Mundial muitos foram os filmes que louvavam o sentimento patriótico da nação americana, geralmente mostrando seus combatentes na Europa como heróis acima do bem e do mal, em visões muitas vezes superficiais e ufanistas. 

Espíritos Indômitos tinha uma história muito comovente. Após sofrer uma terrível lesão em combate, veterano de guerra retornava do front completamente paraplégico. Essa produção procurava conscientizar o público ao mostrar as amarguras e lutas daqueles que voltavam incapacitados de conflitos armados. O filme se revelou uma ótima estreia de Marlon Brando no cinema. Acabou sendo iindicado ao Oscar na categoria de Melhor Roteiro Original. E a crítica em geral adorou a atuação de Brando no filme, tão verdadeira! 

“The Men” era muito mais realista se comparado aos filmes de guerra na época. Saíam de cena os soldados invencíveis para mostrar o lado mais cruel e dramático de um conflito de grandes proporções como aquele. O filme mostra a dura realidade dos que voltaram do campo de batalha com graves lesões, feridos em combate, paralíticos, tetraplégicos, muitos deles na flor da idade, com vinte e poucos anos.

Marlon Brando interpretava um jovem soldado, veterano de guerra, que volta para casa paraplégico após ser ferido gravemente em combate, na coluna. O tom da mensagem transmitido pelo ótimo roteiro escrito por Carl Foreman era nitidamente pacifista pois mostra um lado que sempre era varrido para debaixo do tapete por filmes bem mais patrióticos. A produção foi toda filmada em um hospital de veteranos de Nova Iorque com feridos reais interpretando os personagens secundários. Brando em sua autobiografia relembrou os momentos em que viveu ao lado desses homens. A grande maioria deles jamais voltaria a andar novamente e o ator ficou impressionado pela força e a luta de todos eles em relação ao que passavam. Eram homens jovens, que viam sua vida mudar literalmente da noite para o dia. 

De jovens atletas, fortes e praticantes de esportes, eles passavam a viver numa cadeira de rodas. Um dos aspectos que mais chamou a atenção do ator foi a recusa deles em serem tratados como “coitadinhos” ou algo parecido. Não queriam a pena de ninguém. Assim Brando os tratou como iguais, usando a cadeira de rodas todo o tempo, mesmo quando não havia cenas sendo filmadas. “Espíritos Indômitos” é uma obra importante pois lida com um tema relevante, de impacto social. A direção de Fred Zinnemann procura ser a mais realista possível. Seus diálogos e situações mostram muito bem a irracionalidade das guerras e seus efeitos nefastos. Sem dúvida é um dos melhores clássicos já feitos sobre o tema.

Pablo Aluísio.

domingo, 29 de dezembro de 2024

O Paizão

Título no Brasil: O Paizão
Título Original: Big Daddy
Ano de Lançamento: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Jack Giarraputo Productions
Direção: Dennis Dugan
Roteiro: Steve Franks, Tim Herlihy
Elenco: Adam Sandler, Joey Lauren Adams, Jon Stewart

Sinopse:
Um cara meio sem noção e desmiolado, que vai levando a vida na brisa, numa boa, sem stress, se vê numa situação mais do que delicada quando passa a ter a responsabilidade de cuidar de uma criança! Logo ele, que nunca quis esse tipo de coisa em sua vida. Só que agora ele precisa creescer, nem que seja na emergência da nova situação. 

Comentários:
Esse filme bem despretensioso dá uma ideia da popularidade do Adam Sandler em seus bons anos, em seus anos de sucesso no cinema. O filme que custou meros 20 milhões de dólares acabou rendendo nas bilheterias mais de 240 milhões! Se esse número hoje em dia é considerada uma boa bilheteria, de respeito para qualquer filme, imagine nos anos 90! Pois é, ele foi mesmo um dos comediantes mais populares de sua geração no cinema. E o filme, feito para ser bem family friendly (amigável para toda a família, todos os públicos) repetia algo que já havia sido utilizado antes (como em "Um Presente para Helen") mas aqui adaptado para o tipo de personagem mais adequado ao próprio ator. Acabou dando mais do que certo! 

Pablo Aluísio.

sábado, 28 de dezembro de 2024

Elvis Presley - Kissin' Cousins - Parte 5

Elvis Presley - Kissin' Cousins - Parte 5
Bem, finalizando a análise desse álbum de Elvis Presley lançado no ano de 1964, vamos tecer os comentários sobre as canções restantes da trilha sonora. "Kissin' Cousins (Number 2)" é o segundo tema musical do filme. Bem melhor do que a número 1, essa faixa é uma das melhores do álbum. Tudo funciona por aqui! A música tem bom ritmo, um popzinho muito agradável de se ouvir e Elvis parece muito bem nos vocais. Curioso que os Jordanaires estão na música, mas bem lá no fundo, quase não os ouvimos! Uma música que apesar dos pesares mostrava que Elvis ainda estava em ótima forma!

"Echoes of Love" não foi gravada originalmente para essa trilha sonora. Na verdade foi gravada em outro momento, no ano anterior, quando a RCA Victor tinha planos de editar um LP com gravações convencionais de Elvis. Algo na linha de "Something For Everybody". Só que no meio do caminho os executivos da gravadora desistiram da edição desse disco. Ao invés disso passaram a utilizar essas músicas como meras "Bonus Songs" das trilhas de Elvis nos anos 60. Claro que foi uma péssima ideia! De uma maneira ou outra, esse disco nunca editado (mas gravado) por Elvis acabou ganhando com o passar dos anos o título de "The Lost Album" (o disco perdido de Elvis!). 

Outra faixa do "The Lost Album" que foi usada nesse disco foi "(It's a) Long Lonely Highway". Essa música guarda uma curiosidade interessante. Ele foi uma das poucas e raras gravações de Elvis Presley que fizeram parte de duas trilhas sonoras diferentes da filmografia de Elvis. Primeiro foi lançada como "Bonus Songs" de Kissin Cousins e um ano depois voltou para fazer parte da trilha sonora de "Tickle-Me", ganhando inclusive destaque naquele filme. Na primeira cena, com os créditos subindo, ouvimos essa canção, com Elvis de chapéu de cowboy ao lado de um ônibus da Greyhound Lines. Mais norte-americano do que isso, impossível! 

O álbum "Kissin' Cousins" foi lançado em abril de 1964 e fez sucesso comercial chegando a ganhar um disco de ouro! Em minha opinião é uma boa trilha sonora de um filme fraco realmente. Os Estados Unidos naquele momento estavam no auge da febre da Beatlemania, mas os álbuns de Elvis, mesmo com as amarras de serem trilhas sonoras de cinema, ainda conseguiam resistir com suas limitações artísticas ao avassalador sucesso dos Beatles. 

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Gladiador II

Título no Brasil: Gladiador II
Título Original: Gladiator II
Ano de Lançamento: 2024
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: Ridley Scott
Roteiro: David Franzoni, Peter Craig
Elenco: Paul Mescal, Denzel Washington, Pedro Pascal

Sinopse:
Nos tempos dos imperadores Caracala e Geta, uma cidade no litoral da África do norte é conquistada pelo exército romano. Um jovem é feito prisioneiro e escravo, sendo levado para Roma. Lá se torna Gladiador nas mãos de um grande promotor de lutas de arena. O que ninguém sabe é que esse escravo é na verdade um romano, de nobre linhagem imperial. 

Comentários: 
Faz tanto tempo que o primeiro filme foi lançado que eu jamais pensei que iria existir uma sequência, até porque aquela história já havia se fechado em si, sem necessidade de continuidade. Só que em Hollywood o lucro sempre fala mais alto. Penso inclusive que essa segunda história seria bem desnecessária. Dito isso, não qualificaria esse como um filme ruim. Longe disso. A produção é classe A, o elenco é muito bom e o roteiro, apesar de falhas eventuais, mantém o interesse. Só não vá procurar por História de verdade por aqui. Esse não é um filme histórico, mas sim um entretenimento muito bem realizado. Confesso que preferia que fosse contada uma nova história, sem ligação com o primeiro filme, mas do jeito que está, não é algo a se lamentar. Muito pelo contrário, em tempos de vacas magras no cinema, esse filme é mais do que bem-vindo, apesar de alguns erros que foram cometidos. No saldo final é um daqueles filmes obrigatórios nesse final de ano. Pelo menos para quem ama cinema como diversão e espetáculo. 

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Virgem Maria

Título no Brasil: Virgem Maria
Título Original: Mary
Ano de Lançamento: 2024
País: Estados Unidos
Estúdio: Netflix 
Direção: D.J. Caruso
Roteiro: Timothy Michael Hayes
Elenco: Noa Cohen, Anthony Hopkins, Ido Tako

Sinopse:
Maria, uma jovem vivendo na Judéia durante a dominação romana no século I, recebe a visita de um anjo que lhe explica que ela terá um filho especial, um Messias, salvador da humanidade. Só que isso lhe traz muitas dificuldades, inclusive em relação ao próprio tirano Herodes e seu marido José, que fica em dúvida sobre o caráter de sua própria esposa. 

Comentários:
É um filme para convertidos, ou seja, para cristãos. Teoricamente foi produzido para pessoas religiosas, entretanto não segue fielmente à risca a história do Novo Testamento. Há elementos aqui que podem ser encontrados em textos apócrifos e até mesmo apenas na mente dos roteiristas. A cena de Maria em cima de uma cabana em chamas, jogando o menino Jesus lá de cima, soa muito absurda. Uma tentativa de trazer ação para uma história em que isso definitivamente não cabe. De bom mesmo temos a interpretação de Anthony Hopkins como Herodes. Ele vai na contramão do que se esperaria de um personagem tão vil, trazendo até mesmo uma certa leveza e carisma no seu modo de agir. Uma liberdade dada apenas a grandes nomes da interpretação como ele. O filme foi um dos hits da Netflix nesse fim de ano, ficando na lista dos mais assistidos. É um filme que até cumpre suas promessas, mas de modo em geral também não consegue ser grande coisa, não empolga e nem emociona. Fica mesmo no mediano para fraco. 

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Cidade de Asfalto

Título no Brasil: Cidade de Asfalto 
Título Original:  Asphalt City
Ano de Lançamento: 2023
País: Estados Unidos
Estúdio: Sculpidor Media
Direção: Jean-Stéphane Sauvaire
Roteiro: Shannon Burke, Ryan King
Elenco: Tye Sheridan, Sean Penn, Michael Pitt

Sinopse:
Um jovem paramédico se une a um veterano na caótica rotina de uma grande cidade dos Estados Unidos. Chamados de emergência dos mais diversos tipos, envolvendo pessoas em momentos de vida ou morte. Como se tudo isso não fosse estressante o bastante, eles ainda precisam lidar com a violência es perigos da vida urbana. 

Comentários:
Excelente filme! Esse tema envolvendo paramédicos em grandes cidades é bem explorado por séries de TV aberta nos Estados Unidos. Só que aqui tudo é levado em um realismo de revirar o estômago. Nada de glamour e nem de falsas aparências. A rotina de uma dupla de paramédicos é desvendada sem meias verdades, tudo sendo mostrado da forma mais crua possível. É um rotina de desgaste físico e psicológico jamais visto em outras profissões. Impactante e muito bem feito, com ótimo roteiro, esse foi um dos melhores filmes que assisti nesse ano de 2024. A dupla de atores está otima em cena. O Veterano Sean Penn nem pisca de hesitação e se entrega completamente ao seu papel, a de um homem já velho, sabendo de suas limitações, que no fundo não guarda mais boas esperanças em relação ao seu futuro. Apenas encara o presente, com tudo de vil e sórdido que lhe espera no próximo atendimento. Enfim, não deixe de assistir. Esse filme vai lhe chocar pelo realismo cruel do mundo real. 

Pablo Aluísio.

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

William, o Conquistador

Título no Brasil: William, o Conquistador
Título Original: Guillaume, la jeunesse du conquérant
Ano de Lançamento: 2015
País: França
Estúdio: Les Films Du Cartel
Direção: Fabien Drugeon
Roteiro: Fabien Drugeon
Elenco: Tiésay Deshayes, Jean-Damien Détouillon, Dan Bronchinson

Sinopse:
Estacionado nas praias da Normandia, esperando o momento certo para atravessar o Canal da Mancha rumo à conquista da Inglaterra, o nobre William passa a relembrar sua infância e adolescência, quando quase foi morto por intrigas palacianas promovidas por parentes que queriam lhe tirar da linha de sucessão de seu pai. 

Comentários:
É a tal coisa, se eu escolho para assistir uma filme sobre a história desse famoso monarca franco-britânico, o que desejo ver são grandes e épicas batalhas medievais. Afinal foi ele o primeiro líder franco (era natural da Normandia) a conseguir invadir a Inglaterra, se firmando no poder e dando origem a toda uma dinastia com Reis de sua linhagem. Não é pouca coisa. Só que o filme decidiu contar a história errada de William, fazendo com que a história parasse logo no momento mais importante de sua vida, quando estava pronto para invadir a Inglaterra pelo mar, partindo de sua terra natal, a Normandia. Assim a decepção é completa! Eu quero ver o William conquistando a Inglaterra, não ver sua infância e adolescência. Então os produtores, ao meu ver, foram desonestos nesse aspecto. Deveriam ter chamado o filme de "A Infância de William, o Conquistador" pois dessa maneira ninguém se sentiria enganado. No meu caso, foi justamente o que aconteceu: eu me senti enganado pelo marketing de promoção desse filme. 

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

O Samurai

Título no Brasil: O Samurai
Título Original: Le samouraï
Ano de Lançamento: 1967
País: França
Estúdio: Filmet Films
Direção: Jean-Pierre Melville
Roteiro: Jean-Pierre Melville
Elenco: Alain Delon, François Périer, Nathalie Delon

Sinopse:
Jef Costello (Delon) é um assassino profissional. Depois de mais um serviço ele passa a ser perseguido. Alguém deseja sua morte, só que ele não sabe quem está por trás desse plano de tirá-lo do mapa. Agora Jef precisa sobreviver e ir atrás de quem o quer morto. 

Comentários:
Alain Delon foi um dos mais populares galãs dos anos 60. E como tu sabes galãs possuem uma má fama de serem atores ruins. Gente bonita que usa sua beleza para construir toda uma carreira. Mas, como todos sabemos também, todas as regras possuem suas exceções e no caso do Delon eu o colocaria sem problemas na categoria de bom ator. E outra coisa é digna de se mencionar. Ele não fazia o tipo galã padrão. Interpretou muitos personagens marginais, como nesse filme em que ele interpreta um assassino profissional. Era um sujeito corajoso em enfrentar o tipo de imagem de bonzinho e certinho que todos os estúdios queriam. Era ousado e fez filmes que fugiam do convencional. Por tudo isso Delon merece todo o reconhecimento que sempre mereceu. 

Pablo Aluísio.

domingo, 22 de dezembro de 2024

Perry Mason - Segunda Temporada

Perry Mason - Segunda Temporada
Eu gosto e desgosto dessa série em doses equivalentes. Aliás eu nem sei porque ainda fui ver a segunda temporada, já que fiquei com um pé atrás com a primeira, que não me agradou totalmente. O problema da série, ao meu ver, é de ritmo mesmo. Do ponto de vista técnico tudo parece muito bem realizado. O elenco é muito bom, a reconstituição de época é mais do que perfeita, tudo parece estar no lugar certo. 

O problema é de ritmo. Os episódios são longos e muitas vezes percebemos claramente que estão enchendo linguiça. Ou seja, esse material tem tudo do bom e do melhor para ser coisa de primeira linha, mas na hora de chutar para o gol e ser campeão eles levam horas e horas para fazer isso. 

Eu sou da opinião de que cada episódio deveria ter um caso com começo, meio e fim. No máximo, nos casos mais complexos, colocassem tudo em dois episódios, por exemplo. Agora, colocar um mesmo caso em seis ou oito longos episódios realmente torna tudo meio cansativo. E as coisas vão acontecendo de forma bem devagar, se arrastando... Assim não dá! 

Não tenho nada contra o fato do Perry Mason ser um personagem tão antigo. Quem me conhece sabe que gosto de cultura pop do passado, mas pelo amor de Deus, contem as histórias com mais agilidade, com mais eficiência. Não adianta enrolar ao máximo, torrando a paciência do espectador para isso. 

Pablo Aluísio. 

sábado, 21 de dezembro de 2024

Lista Negra - The Blacklist - Sexta Temporada

The Blacklist - Sexta Temporada
Eu não estava esperando mais nada de Lista Negra. Só que me surpreendi com os primeiros episódios da sexta temporada! Fato inegável é que estão muito bons! Para minha total surpresa, é claro! Acho que as temporadas anteriores estavam presas demais em uma certa fórmula, isso apesar dos roteiros também apresentarem uma linha narrativa principal que nunca perdeu o (meu) interesse. Por isso segui assistindo. 

Nessa sexta temporada Red (Spader) finalmente enfrenta a justiça - e se dá muito mal! Ele fica numa encruzilhada! E assim como aconteceu com Al Capone, que foi pego por um crime menor, apesar de sua vasta carreira no mundo do crime, Red também acaba indo parar atrás das grades por um detalhe técnico bem menor, estar portando uma arma ilegal, sem registro!

Preso, ainda tenta anular a forma como foi capturado, mas seus anseios não dão muito certo! E Red não parece desconfiar também que ele caiu numa armadilha por causa da agente Elizabeth Keen. Foi ela que ligou de forma anônima para a polícia de Nova Iorque, denunciando que ele estaria com uma arma ilegal! 

E tem mais, Keen está mesmo convencida que ele mente, mente inclusive sua própria identidade! Aquele homem que afirma ser Raymond 'Red' Reddington é na verdade um mero impostor! Mas quem seria ele afinal de contas? Enfim, material de interesse nessa nova temporada não falta! E estou com muito interesse em saber tudo o que vai acontecer. Esses cinco primeiros episódios foram acima da média! Estou com as melhores expectativas sobre os demais. É esperar para ver. 


The Blacklist - Lista Negra - Guia de Episódios:

The Blacklist 6.06 - The Ethicist (No. 91)
O criminoso da Lista Negra desse episódio é um serial killer que usa da estatística para saber quem vai matar! Um tipo bem bizarro que pode revelar para a Agente Elizabeth Keen se Raymond 'Red' Reddington é realmente um impostor ou não! E enquanto o FBI caça esse assassino em série, Red tenta se livrar da prisão, pedindo uma avaliação psiquiátrica para saber se ele pode responder por seus crimes. Pura balela! O que ele quer mesmo é ser enviado para uma instituição de doentes mentais onde pretende encontrar um velho parceiro do crime que poderá lhe ajudar a sair dessa enrascada! / The Blacklist 6.06 - The Ethicist (No. 91) (Estados Unidos, 2019) Direção: Bill Roe / Elenco: James Spader, Megan Boone, Diego Klattenhoff.

The Blacklist 6.07 - General Shiro (No. 116)
Esse episódio mostra um experimento com insetos em que eles infectam seres humanos, os devorando por dentro! Bem nojento! Uma espécie de arma biológico que faria orgulhoso o criminoso japonês da segunda guerra General Shiro, que no passado desenvolveu um mecanismo para usar insetos com o objetivo de contaminar tropoas inimigas. E enquanto o FBI tenta colocar as mãos nesse criminoso, Raymond 'Red' Reddington vai tentar escapar da condenação! Nesse episódio o júri é escolhido, o que renderá alguns momentos bem divertidos envolvendo Glen Carter, velho conhecido de Red que tenta se tornar jurado de seu julgamento. / The Blacklist 6.07 - General Shiro (No. 116) (Estados Unidos, 2019) Direção: Kurt Kuenne / Elenco: James Spader, Megan Boone, Clark Middleton. 

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Desespero Profundo

Título no Brasil: Desespero Profundo 
Título Original: No Way Up
Ano de Lançamento: 2024
País: Estados Unidos
Estúdio: Altitude Film Entertainment
Direção: Claudio Fäh
Roteiro: Andy Mayson
Elenco: Colm Meaney, Will Attenborough, Jeremias Amoore

Sinopse:
Depois de uma grande turbulência, a turbina de um grande avião pega fogo. Sem alternativas, os pilotos levam a aeronave para um pouso forçado no meio do oceano. E após cair, o avião começa a afundar no mar. Apenas um pequeno grupo de passageiros sobrevive. E eles estão cercados por tubarões famintos por todos os lados!

Comentários:
Eu poderia dizer cinicamente que esse filme é uma mistura de "Tubarão" com "Aeroporto", mas eu não chegaria a tanto. Esses filmes do passado possuem sua importância dentro da história do cinema. Esse novo é apenas uma diversão ligeira em tempos de streaming. Não é um filme de todo ruim, pelo contrário. A história em si até que é bem arquitetada. Fiquei realmente interessado pelos acontecimentos. Só não dá para acreditar no final do filme, nada plausível. No mundo real aqueles passageiros estariam com o destino traçado e esse fim não seria dos melhores. De qualquer forma cinema é também ilusão e fantasia. Por isso gostamos tanto da sétima arte. Então tudo é válido. No final de tudo, diria que é um filme mediano, que dá para assistir numa boa. Só não espere nada de muito grandioso ou marcante. 

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Beekeeper - Rede de Vingança

Título no Brasil: Beekeeper - Rede de Vingança
Título Original: The Beekeeper
Ano de Lançamento: 2024
País: Estados Unidos
Estúdio: Miramax
Direção: David Ayer
Roteiro: Kurt Wimmer
Elenco: Jason Statham, Jeremy Irons, Josh Hutcherson

Sinopse:
Adam Clay (Jason Statham) parece ser um tipo bem pacato, que está curtindo seus anos de aposentadoria. Ele tem uma modesta criação de abelhas para cuidar. Quando sua vizinha é roubada por um grupo de hackers que leva todo o seu dinheiro, Clay finalmente sai de seu disfarce. Ele é um bem treinado agente do governo, pronto a executar missões de eliminação. E agora a coisa toda é pessoal para ele que vai atrás dos criminosos em busca de vingança. 

Comentários:
Quem vai atrás de um filme com Jason Statham sabe exatamente o que procura. Um bom filme de ação, com cenas de lutas, carros voando, metralhadoras cuspindo fogo e por aí vai. Então o ator não quer decepcionar seu público. Ele está mais do que certo sobre isso. Dessa forma esse filme "Beekeeper - Rede de Vingança" não vai decepcionar seus admiradores. É um produto honesto que entrega exatamente o que seu público espera dele. E pelo visto os produtores esperam que esse filme se torne o primeiro de muitos. Querem uma nova franquia e estão obviamente no caminho certo. Em tempos de streaming o filme fez sucesso nos cinemas, faturando algo em torno de 150 milhões de dólares. Para um filme como esse, é um resultado muito bom. Agora, fiquei admirado mesmo em saber que a produtora do filme é a velha conhecida Miramax. Depois da prisão de seu fundador, essa companhia cinematográfica procura por um recomeço. Nada de filmes cult como no passado. Agora é investir em filmes com bom retorno de bilheteria. Afinal a Miramax luta atualmente por sua própria sobrevivência financeira. E os filmes de ação sempre serão um porto seguro nesse aspecto. Boa sorte para todos os envolvidos!

Pablo Aluísio.

Alerta de Risco

Título no Brasil: Alerta de Risco 
Título Original: Trigger Warning
Ano de Lançamento: 2024
País: Estados Unidos
Estúdio: Thunder Road Pictures
Direção: Mouly Surya
Roteiro: John Brancato, Josh Olson
Elenco: Jessica Alba, Mark Webber, Anthony Michael Hall

Sinopse:
Parker (Jessica Alba) faz parte das forças especiais do exército dos Estados Unidos. Quando informada da morte de seu pai, ela decide retornar para sua cidade natal, para os serviços de funeral, e acaba descobrindo que ele foi morto por uma quadrilha liderado por um cara chamado Elvis. Ele é o filho de um rico senador conservador. Para Parker isso não interessa, ela quer vingança!

Comentários:
Apesar de começar até bem, esse filme não me empolgou em nenhum momento. Depois que a história vai se desenvolvendo vamos tomando consciência que a produção é mesmo um daqueles filmes genéricos de ação. E há problemas de lógica nesse roteiro. Embora a protagonista seja retratada como uma militar altamente bem treinada, fica muito complicado acreditar que uma garota magrinha como a Jessica Alba conseguisse colocar no chão todos aqueles grandalhões que lutam pelo lado dos malvadões do filme. São uns brutamontes que apanham no mano a mano com a Alba. Praticamente impossível de engolir essas cenas de lutas. Como eu já frisei o filme, no final, se revela apenas uma fita genérica. Não foge nada daquela fórmula de roteiros baseadas em vinganças pessoais. Um filme igual a milhares de outros que contam basicamente a mesma história de sempre. Por essa razão acabei achando cansativo e chato. 

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Dahmer - Mente Assassina

Título no Brasil: Dahmer - Mente Assassina
Título Original: Dahmer
Ano de Lançamento: 2002
País: Estados Unidos
Estúdio: Blockbuster Films
Direção: David Jacobson
Roteiro: David Jacobson, David Birke
Elenco: Jeremy Renner, Bruce Davison, Artel Great

Sinopse:
Depois que seus pais vão embora, viver em outra cidade, o jovem Jeff Dahmer passa a morar sozinho. E ele tem muitos problemas mentais. Sua sede por matar outras pessoas, em especial jovens negros homossexuais, logo se transforma em uma maratona de matança sem fim. História baseada em fatos reais sobre um dos assassinos em série mais infames da história dos Estados Unidos. 

Comentários:
Eu assisti a praticamente todos os filmes sobre esse assassino em série. A história dele foi tão sórdida e absurda que parece nunca sair de cartaz. Esse filme aqui havia me escapado, mas recentemente assisti. Olha só, é um filme de mediano para fraco. Ele tem uma escolha certa de roteiro, que é justamente mostrar os anos em que o assassino estava em atividade criminosa. Não é como os demais filmes que procuram mostrar outras fases de sua vida, como a adolescência ou a infância. Não que aqueles filmes fossem ruins, muito pelo contrário, mas aqui o serial killer é mostrado em sua fase mais insana. Outro aspecto a considerar é que o filme intercala assassinatos em momentos diferentes de sua vida. É mostrado seu primeiro crime, contra um jovem que conheceu casualmente. Depois um jovem negro que até conseguiu escapar, sendo encontrado por policiais no meio da rua. Por fim um caso, digamos, genérico, para simbolizar todas as demais vítimas. Não espere por nada violento ou sangrento. Não é um filme slasher. Apenas uma crônica cinematográfica sobre uma mente muito, muito doentia. 

Pablo Aluísio.

Reze Depois de Ler

Título no Brasil: Reze Depois de Ler 
Título Original: The Ghost Writer
Ano de Lançamento: 2022
País: Reino Unido
Estúdio: Starfish Films
Direção: Paul Wilkins
Roteiro: Paul Wilkins
Elenco: Luke Mably, Andrea Deck, Robert Portal

Sinopse:
Um escritor em crise de criatividade decide ir passar algumas semanas na velha casa de seu pai, um escritor famoso e consagrado pela crítica e pelo público. A ideia logo se revela um grande erro, não apenas pela sombra do pai que sempre o perseguiu, mas também por eventos terríveis do passado que voltam para lhe atormentar a mente. 

Comentários:
Filme muito fraco! Eu assisti essa produção em um canal de streaming chamado Looke. Eles possuem um bom acervo de filmes clássicos, o que não me fez ter arrependimentos de ter assinado sua plataforma, mas em relação a filmes novos, não posso chegar em outra conclusão: a maioria é de filmes bem fracos mesmo! Esse é um exemplo. Um filme sem personalidade, com roteiro mal escrito, indo apenas pela casualidade dos acontecimentos, nunca convencendo plenamente. Quem pensa que fazer filmes de suspense ou terror é algo fácil, pode desistir. E a coisa fica ainda pior quando tentam entrar no complicado ramo dos filmes de terror psicológico. Nesse ramo você afundará completamente se não tiver talento para filmar as histórias. Esse diretor deveria ter aprendido essa lição básica antes de entrar nessa canoa furada! 

Pablo Aluísio.

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Forca para os Assassinos

Título no Brasil: Forca para os Assassinos
Título Original: Vendo cara la pelle
Ano de Lançamento: 1968
País: Itália
Estúdio: Cinemar
Direção: Ettore Maria Fizzarotti
Roteiro: Giovanni Simonelli
Elenco: Mike Marshall, Michèle Girardon, Valerio Bartoleschi

Sinopse:
Também conhecido no Brasil como "Vendo Caro Minha Pele" o faroeste "Forca Para os Assassinos" conta a história de Shane (Marshall). No passado, quando era apenas uma criança, ele viu seus pais serem assassinados por causa da posse de uma mina de ouro. Agora, já adulto, ele retorna para sua cidade natal em busca de vingança. 

Comentários:
Mais um western spaghetti típico dos anos 60. A história não traz maiores novidades, embarcando naquela velha fórmula da vingança de parentes mortos. E o roteiro nem esconde que copiou mesmo na cara de pau vários elementos de filmes americanos famosos de western. Entre eles, o mais óbvio, é "Os Brutos Também Amam", tanto que o protagonista também se chama Shane, há um garotinho, sua mãe indefesa vivendo em um rancho e vilões bem asquerosos, gananciosos e assassinos sem nenhuma culpa. Agora, para não ficar apenas nos aspectos negativos do filme deixo aqui um pequeno elogio. A produção é até muito digna, com bons cenários, cavalos bonitos, etc. O cinema italiano já era uma indústria naquela época e nesse ponto eles não vacilavam. Por fim, ao contrário de muitos atores italianos que se passavam por norte-americanos, Mike Marshall era realmente nascido na Califórnia. Com o sucesso do spaghetti muitos profissionais americanos cruzaram o oceano em direção à Europa em busca de trabalho e novas oportunidades na carreira. 

Pablo Aluísio.

El Condor

Título no Brasil: El Condor
Título Original: El Condor
Ano de Produção: 1970
País: Estados Unidos
Estúdio: National General Pictures
Direção: John Guillermin
Roteiro: Larry Cohen, Steven W. Carabatsos
Elenco: Lee Van Cleef, Jim Brown, Patrick O'Neal, Marianna Hill, Iron Eyes Cody, Elisha Cook Jr.

Sinopse:
Um fugitivo da prisão e um ladrão vigarista se unem para roubar uma forte mexicano localizado no deserto. O lugar é fortemente protegido e contém entre seus muros uma fortuna em ouro. Para ajudá-los a dupla consegue quase cem guerreiros da tribo Apache para invadir a guarnição militar.

Comentários:
Um filme curioso de western. Apesar de ser uma produção americana os produtores decidiram que o filme seria feito na Espanha, nos mesmos desertos onde eram filmados os faroestes italianos. Assim temos um western Made in USA com requintes e características do conhecido Western Spaghetti. O resultado ficou muito bom, um filme divertido, que não esquece também de desenvolver o lado do humor. Aliás é mais do que interessante ver o ator Lee Van Cleef atuando aqui. Ele que sempre interpretou tipos durões, sérios, com poucas palavras e ótima mira, aqui muda o tom, adotando um jeito mais sarcástico, mais picareta. O seu trabalho de atuação por essa razão ficou bem diferente. Já o ator Jim Brown foi uma escolha mais política, para dar melhores papéis de destaque dentro do cinema para atores negros. Um efeito da luta dos direitos civis nos Estados Unidos. Seu trabalho de dobradinha ao lado de Cleef funcionou muito bem. O diretor John Guillermin ficaria mais conhecido alguns anos depois quando iria dirigir o remake dos anos 70 para o clássico "King Kong". No mais é um faroeste bem movimentado, com várias cenas de ação. Mais violento até do que o habitual vai cair como uma luva para quem gosta do estilo de faroeste europeu, aqui contando com o bom gosto das produções americanas.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

M, o Vampiro de Dusseldorf

Título no Brasil: M, o Vampiro de Dusseldorf 
Título Original: M - Eine Stadt sucht einen Mörder
Ano de Lançamento: 1931
País: Alemanha
Estúdio: Nero-Film AG
Direção: Fritz Lang
Roteiro: Fritz Lang
Elenco: Peter Lorre, Ellen Widmann, Inge Landgut

Sinopse:
Um assassino em série começa a matar crianças na Alemanha. Isso apavora toda a sociedade. Os policiais passam a ser pressionados por todos, mas sem apresentar avanços concretos. Então o próprio submundo do crime decide pegar esse monstro, usando para isso de moradores de rua. E seus planos, para surpresas de muitos, acabam dando resultados. 

Comentários:
Desde que me tornei cinéfilo, lá nos anos 80, sempre ouvi falar muito desse clássico que está prestes a completar 100 anos! Só que nunca havia assistido durante todos esses anos. Só recentemente o vi pela primeira vez. De fato fiquei impressionado pelo filme. Tudo o que diziam dele em termos de inovação e ousadia pôde ser confirmado. Um roteiro muito bem escrito, excelentes tomadas de cena e tudo mais que notabilizou esse grande diretor Fritz Lang. As atrocidades cometidas pelo assassino nunca são mostradas, apenas sugeridas, de forma muito talentosa aliás. Durante muitos anos se afirmou que o filme era na realidade uma metáfora sobre a subida dos nazistas ao poder na Alemanha, algo que estava acontecendo justamente quando o filme foi produzido. Isso custou muito a Fritz Lang. Ele precisou fugir da Alemanha para não ser morto pelos nazis e foi para os Estados Unidos. Fez uma boa carreira em Hollywood, mas nada que pudesse ser comparado a esse filme. Sem dúvida essa foi a obra-prima de toda a sua vida! 

Pablo Aluísio.

Uma Ponte Longe Demais

Uma Ponte Longe Demais
Um dos clássicos filmes de guerra dos anos 1970. É um daqueles filmes que não se fazem mais nos dias de hoje, com grande elenco, produção requintada e fatos históricos relevantes. A história se passa durante a segunda guerra mundial quando as forças aliadas colocam em prática uma perigosa operação que tinha como objetivo enviar militares atrás das linhas inimigas, logo após a invasão da Normandia no chamado Dia D. A intenção era realmente cercar as forças do Eixo, dos nazistas, para que eles não tivessem para onde ir. Claro que tudo terminaria em uma grande batalha sangrenta. 

Como eu já escrevi, o filme tem mesmo um grande elenco, contando com grandes atores. O problema é que a história é bem fragmentada, pois são vários personagens em situações diversas, todos colaborando entre si no enredo do filme para que a operação fosse bem sucedida. Assim atores como Sean Connery, Anthony Hopkins e Robert Redford apenas tangenciam em seus arcos narrativos, nunca ganhando o espaço necessário. Talvez tivesse sido melhor fazer uma minissérie ou diversos filmes sobre cada personagem. Com grande duração (quase 3 horas de filme) esse clássico moderno também rendeu algumas piadinhas na época, se dizendo que o filme era longo demais! Enfim, ignore. Assista por suas qualidades cinematográficas e aprecie, nada mais do que isso. 

Uma Ponte Longe Demais (A Bridge Too Far, Reino Unido, Estados Unidos, 1977) Direção: Richard Attenborough / Roteiro: Cornelius Ryan, William Goldman / Elenco: Sean Connery, Laurence Olivier, Robert Redford, Anthony Hopkins, Michael Caine, Ryan O'Neal / Sinopse: O filme mostra uma reconstiuição histórica de uma importante operação das forças militares aliadas durante a segunda guerra mundial. 

Pablo Aluísio.

domingo, 15 de dezembro de 2024

John Lennon - Wedding Album

John Lennon - Wedding Album
Esse disco foi lançado para celebrar o casamento de John Lennon com Yoko Ono. Foi uma grande notícia nos jornais de todo o mundo. Naquela época Lennon ainda fazia parte dos Beatles, mas no fundo não queria mais gravar com seus companheiros de banda. Como ele mesmo declarou, não via mais sentido em ficar ao lado dos amigos da escola. Quando um homem se casa ele quer mesmo é ficar ao lado de sua esposa. Bom, um pensamento que iria destruir os Beatles em poucos meses pois durante uma reunião realizada pouco tempo depois na sede da Apple John iria informar a todos que estava fora da banda. De qualquer maneira ele quis mesmo com esse disco celebrar sua união com a japonesa Yoko Ono, por quem era perdidamente apaixonado. 

Também foi o último disco de sua trilogia de sons experimentais. Não espere encontrar musicalidade nesse disco porque ele não tem músicas. Apenas sons aleatórios, barulho, gritaria, arrotos e até peidos! Acredite, tem até disso nesse mural sonoro indigesto. John achava que esse seria o futuro do som, sendo a música substituída por esse tipo de "sonoridade". Sinceramente, não dá para ouvir. É muito chato e insuportável. Acredito que Lennon queria acima de tudo tirar uma onda com os que o criticavam. E as loucuras não paravam por aí. John queria que os 100 primeiros compradores do disco levassem uma fatia do bolo de seu casamento! A gravadora conseguiu, a duras penas, convencer John que isso seria impossível. As lojas de discos não iriam receber bolo nenhum e esse tipo de comida iria se estragar. Enfim, mais uma maluquice do Lennon, aqui em sua fase de loucura total!

John Lennon - Wedding Album (1969)
John & Yoko
Amsterdam

Pablo Aluísio. 

George Harrison - Living in the Material World

George Harrison - Living in the Material World
Depois do fim dos Beatles, George lançou um ótimo álbum triplo chamado "All Things Must Pass". Sucesso de público e crítica, esse disco foi mesmo uma explosão de criatividade para ele, com muitas músicas que tinham sido compostas na época dos Beatles, mas que não tinham encontrado espaço na discografia do famoso grupo. Então quando os Beatles acabaram, George deu início em sua carreira solo. Esse foi o seu segundo disco. Curiosamente ele levaria três anos sem lançar algo de novo no mercado. Parecia exausto depois dos Beatles e do lançamento de seu primeiro álbum solo nessa nova fase. 

Esse "Living in the Material World" trazia muitas letras de natureza espiritualista. O próprio nome do disco, "Vivendo no Mundo Material" dava pistas sobre isso. George nunca perdeu seu fascínio pelas religiões orientais e sua filosofia. Por essa razão quando se viu livre do controle de Paul e John, ele passou a desenvolver melhor seu trabalho como letrista, trazendo aspirações e pensamentos bem pessoais. E talvez esse excesso de religiosidade também tenha atrapalhado as vendas desse segundo disco. As pessoas em geral não tinham mais muito interesse nesse tipo de material. Muitos achavam coisa de hippie velho! No final das contas esse repertório não fez sucesso. Até mesmo a música mais trabalhada pela gravadora,  "Give Me Love (Give Me Peace on Earth)", teve pouca repercussão nas rádios. Assim George acabou experimentando o primeiro disco mal sucedido em vendas de sua carreira. 

George Harrison - Living in the Material World (1973)
Give Me Love (Give Me Peace on Earth)
Sue Me, Sue You Blues
The Light That Has Lighted the World
Don't Let Me Wait Too Long
Who Can See It
Living in the Material World
The Lord Loves the One (That Loves the Lord)
Be Here Now
Try Some, Buy Some"
The Day the World Gets 'Round
That Is All

Pablo Aluísio. 

sábado, 14 de dezembro de 2024

Elvis Presley - Kissin' Cousins - Parte 4

Elvis Presley - Kissin' Cousins - Parte 4
No disco de vinil original de 1964 a canção "Anyone (Could Fall in Love with You)"  abria o Lado B. Eu até gosto dessa balada romântica, mas verdade seja dita, ela não entraria numa lista de melhores músicas lentas da carreira de Elvis dos anos 60. Para muitos ela tem uma melodia meio enjoativa. Dá para ouvir algumas vezes, apreciando o trabalho de Elvis e os Jordanaires (bem presentes na faixa), mas nada muito além disso. Elvis tinha capacidade de fazer algo bem melhor do que isso, vamos ser bem sinceros. 

Eu sempre achei mais do que curioso um filme protagonizado por personagens caipiras contar com uma trilha sonora sem country music de verdade! Eu digo de verdade, porque "Barefoot Ballad" é uma pop music que tira sarro do lado caipira da América. Aqui temos Hollywood tirando uma onda com a caipirada do sul! Pois é, meus caros, acredito que entenderam bem isso. Nunca gostaram dessa música lá nas montanhas do Kentucky, pode ter certeza disso!

Agora, dito isso, devo confessar que sempre achei "Barefoot Ballad" muito divertida! Eu tenho problemas de avaliar esse álbum com muita objetividade porque eu tenho um vínculo emocional com esse disco. Eu estava na infância e já ouvia essa trilha sonora, então, para uma criança, uma música como essa era pura diversão! Não tem como negar isso, em nenhum aspecto. Sinceridade vale ouro!

Já "Once Is Enough" é uma tentativa de ser fazer algo mais sério. A gravação em estúdio ficou boa, não tem como negar. O solo de sax ficou muito bom! O problema é que é justamente na cena em que essa música é apresentada no filme que um casal de bailarinos leva um tombo! E o diretor Gene Nelson deixou esse erro entrar no corte final. Assim uma boa música acabou sendo manchada por um amadorismo absurdo que não poderia ocorrer em um filme feito pela MGM, um dos grandes estúdios de musicais da história de Hollywood! Que lástima!

Pablo Aluísio. 

The Beatles - Beatles For Sale - Parte 4

The Beatles - Beatles For Sale - Parte 4
É curioso e interessante, mas eu sempre ouvi a canção "Baby's in Black" como uma espécie de ensaio para o que viria depois, com "Eleanor Rigby". Diria que as duas músicas são almas gêmeas, com o mesmo tipo de feeling! Sim, porque fato inegável é que essa faixa do Beatles For Sale foge mesmo da antiga fórmula das primeiras músicas dos Beatles. Pense bem. A protagonista é uma "garota de preto" cuja letra soa muito mais sombria do que poderia se imaginar. Paul McCartney, já nessa época, nessa fase primeira dos Beatles, já deixava claro que estava pronto para alcançar horizontes bem mais amplos. 

Paul costuma dizer que muitas de suas melhores músicas trazem personagens de mera ficção que ele utilizou ao longo dos anos. Nesse caso a tal garota vestida de preto seria mais uma delas, ou melhor dizendo, a primeira personagem de literatura que Paul inseria nos álbuns dos Beatles. Enfim, mostrava mesmo como Paul era diferenciado na criação de suas próprias canções. 

"Every Little Thing" não é tão inovadora como a faixa anterior, mas isso não significa que ela não seja outra bela surpresa. Eu iria além e penso que essa canção tem um sabor claramente oriental. Ela me lembra músicas criadas em um mundo antigo, em uma grande cidade de fusão cultural entre a tradição ocidental e oriental, como Constantinopla!

Veja sua marcação de ritmo, inclusive com pontuação de refrão que realmente foge do que se costumava ouvir na música pop dos anos 60. Ela tem um estilo diria até mesmo épico, por mais estranho que isso possa parecer. O vocal está com John Lennon, aqui com voz duplicada em estúdio. Enfim, uma faixa que até hoje impressiona por sua singularidade fora dos padrões. 

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

A Canção do Pôr do Sol

Título no Brasil: A Canção do Pôr do Sol  
Título Original: Sunset Song
Ano de Lançamento: 2015
País: Reino Unido
Estúdio: Hurricane Films
Direção: Terence Davies
Roteiro: Lewis Grassic Gibbon, Terence Davies
Elenco: Ken Blackburn; Mark Bonnar, Stuart Bowman

Sinopse:
O filme conta a história de uma jovem escocesa no começo do século XX. O pai, ignorante e turrão, nunca conseguiu compreender os anseios de sua filha, uma jovem inteligente, que tinha intenção de estudar para ter sua própria profissão. Quando esse morre e lhe deixa uma pequena herança, ela segue em frente em sua vida. Conhece um rapaz e se casa com ele, mas isso não será o fim de seus problemas emocionais. 

Comentários:
Como eu gosto de afirmar, o cinema europeu tem seu próprio ritmo para contar uma história no cinema. Algumas pessoas não conseguem ter paciência para assistir a um filme como esse, excessivamente lento, diria até terno, para contar a história de sua protagonista. Não é apenas a história de uma mulher, mas sim um resumo do que foi a vida de milhares de mulheres daqueles tempos. Elas seguiam basicamente em uma mesma história de vida, com pai abusivo, mãe explorada, subjugada, depois um casamento para não ficar mal vista dentro da comunidade. Mais problemas surgindo por causa disso como um marido com acessos de fúria e raiva, além da desgraça da guerra, que inclusive levou muitos maridos delas à morte. No final das contas gostei do filme. Uma bela, mas igualmente triste história, que aconteceu a muitas mulheres daquela Europa arrasada pela Primeira Guerra Mundial. Um retrato de um tempo perdido, que já se foi, mas que deixou lições importantes de vida. 

Pablo Aluísio.

Nas Profundezas do Abismo

Título no Brasil: Nas Profundezas do Abismo
Título Original: Me encontrarás en lo profundo del abismo
Ano de Lançamento: 2022
País: Argentina
Estúdio: Brainstorming Films
Direção: Matías Xavier Rispau
Roteiro: Boris C.Q, Matías Xavier Rispau
Elenco: Martín Rispau, Germán Baudino, Chucho Fernández

Sinopse:
Em um mundo devastado, em eterna escuridão, um homem solitário tenta arranjar uma bateria para seu carro. Ele entra em uma velha instalação industrial e acaba entrando em contato, por rádio amador, com um homem que também está nas proximidades. Juntos eles vão tentar sobreviver, ou não, dependendo das circunstâncias. 

Comentários:
O cinema argentino nem sempre tem o dinheiro necessário para esse tipo de produção, meio no estilo pós-apocalipse. Mas eles contornam esse tipo de coisa com imaginação e talento. É o caso que vemos aqui. O roteiro sempre sugere, mas nunca assume muita coisa. É sugerido várias vezes que o mundo está sendo devastado porque alguém invocou anjos e eles vieram, destruindo tudo por onde passavam. Só não espere encontrar seres alados tocando o terror. Como eu disse, muita sugestão, mas nada de mostrar os tais seres sobrenaturais. Por isso o filme pode soar meio decepcionante e cansativo para alguns. No meu caso acompanhei tudo até com certo interesse, apesar de não haver nada de muito original nessa história. Queria ver onde tudo iria acabar. O final não é grande coisa, mas está OK para as modestas capacidades orçamentárias de um filme como esse. 

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Possum

Título no Brasil: Possum 
Título Original: Possum 
Ano de Lançamento: 2018
País: Reino Unido
Estúdio: Fyzz Films
Direção: Matthew Holness
Roteiro: Matthew Holness
Elenco: Sean Harris, Alun Armstrong, Andy Blithe

Sinopse:
Um estranho homem vaga por um bosque. Ele está tentando se livrar de uma mala. Dentro dela há uma bizarra marionete, um crânio humano cercado de patas de aracnídeo. O boneco parece ter vida própria, assumindo o controle de seu criador. E um passado sombrio parece estar por trás de tudo o que acontece nas sombras. 

Comentários:
Filme de terror inglês bem estranho. Esse é aquele tipo de filme para poucos realmente. E por trás da história simples há significados psicológicos bem complexos. Por exemplo, qual é o sentido de tudo o que se vê na tela? Vou dar aqui minha interpretação bem pessoal. Aquele homem que anda com a mala é na verdade um pobre sujeito que quando criança foi raptado por um pedófilo. Esse é aquele senhor mais velho que contracena com ele, se dizendo seu amigo ou tio! Nada disso, é um criminoso. A marionete em forma de aranha é assim seu trauma personificado em um boneco aterrorizante, algo que ele tenta, mas que nunca consegue realmente se livrar. E como sempre acontece o abusado sexualmente cresce e logo se torna um abusador. Por essa razão em determinado momento do filme uma cirança sai de sua mala! Então, o tema é pesado. Um terror psicológico com pés (ou patas) fincadas no horror da vida real de um homem! Nem todo mundo vai aguentar, mas eu sinceramente deixo a recomendação desse filme pra lá de esquisito! 

Pablo Aluísio.

A Sétima Profecia

Título no Brasil: A Sétima Profecia
Título Original: The Seventh Sign
Ano de Lançamento: 1988
País: Estados Unidos
Estúdio: TriStar Pictures
Direção: Carl Schultz
Roteiro: Ellen Green, Clifford Green
Elenco: Demi Moore, Michael Biehn, Jürgen Prochnow

Sinopse:
Nesse filme a atriz Demi Moore interpreta a esposa de um advogado que está subindo na carreira, se envolvendo em casos judiciais controversos. E tudo desaba quando ela descobre que sua gravidez estaria envolvida numa estranha profecia e que seu filho seria uma peça importante no futuro da humanidade! 

Comentários:
O filme até que começa bem. Parece bem promissor, tem uma bonita direção de fotografia e a Demi Moore, jovem e bonita em cena, se esforçando para atuar bem. O problema é de roteiro. Eita roteiro confuso esse que se perde completamente nas tais profecias. Em determinado momento tudo fica confuso. O menino que está para nascer é um novo Messias ou o Anticristo? O roteiro não explica nada, apenas que o menino será o primeiro a nascer sem alma. O que isso significa exatamente? Aquele padre e aquele homem misterioso, que inclusive chega a ser sugerido como a reencarnação do próprio Cristo, são vilões ou mocinhos? Nem tente assistir ao filme em busca de respostas. O roteiro é tão mal escrito que nem mesmo a esses questionamentos básicos vai responder. Enfim, uma bagunça completa! 

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Vício Frenético

Título no Brasil: Vício Frenético
Título Original: Bad Lieutenant
Ano de Lançamento: 1992
País: Estados Unidos
Estúdio: Bad Lt. Productions
Direção: Abel Ferrara
Roteiro: Zoë Lund, Abel Ferrara
Elenco: Harvey Keitel, Brian McElroy, Frank Acciarito

Sinopse:
Nesse filme o ator Harvey Keitel interpreta um policial de Nova Iorque. Não é um tira comum. Ao invés de defender a lei, ele passa o dia todo promovendo atos ilegais. É um viciado em drogas, que encurrala traficantes não para levar esses criminosos para a prisão, mas sim para levar as drogas que eles possuem. E a cada dia a coisa só piora. 

Comentários:
Houve um remake desse filme mais recentemente com o Nicolas Cage. Prefira esse original. Nunca vi um policial tão lixo no cinema como esse sujeito! O tenente interpretado por Harvey Keitel é o exemplo mais perfeito de tira escroto já visto nas telas! E olha que policiais assim não faltam em outros filmes. Só que esse aqui bateu mesmo todos os recordes. Quando não está cheirando pó, está bebendo ou tomando pico de heroína na veia com prostitutas. Quando não está aparecendo loucão nas cenas de crimes (como no estupro da freira) ele está chantageando jovenzinhas que foram pegas sem carteira de habilitação. Aliás essa cena pode ser considerada a mais constrangedora da carreira do Harvey Keitel. Um ator tem que ter coragem para fazer uma cena dessas! O filme decai um pouco do meio para o final, principalmente por aquele lance todo das apostas esportivas, mas seu final é mais do que adequado. Um sujeito desses, vivendo na criminalidade, realmente não merecia um final feliz, muito longe disso! 

Pablo Aluísio.

Punhos de Aço: Um Lutador de Rua

Título no Brasil: Punhos de Aço: Um Lutador de Rua
Título Original: Any Which Way You Can
Ano de Lançamento: 1980
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Buddy Van Horn
Roteiro: Stanford Sherman, Jeremy Joe Kronsberg
Elenco: Clint Eastwood; Sondra Locke, Geoffrey Lewis

Sinopse:
Nesse filme Clint Eastwood interpreta um cara durão, bom de briga, que ganha uma boa grana em lutas de rua, completamente ilegais. Então ele cai nas mãos de uma quadrilha de criminosos que raptam sua namorada. Caso não lute, eles vão matar ela. Então o jogo muda e vira uma questão de vida ou morte. 

Comentários:
Eu tinha uma lembrança afetiva desse filme porque ele passava muito na Sessão da Tarde durante os anos 80. E na época, ainda bem jovem, me divertia muito assistindo. Então resolvi rever agora. Pois bem, alguns filmes envelhecem mal mesmo. É o caso aqui. O filme tem um tipo de humor que envelheceu. Quase beirando os Trapalhões, principalmente naquela gangue de motoqueiros nazistas que no fundo são verdadeiros palhaços. O Clint também abriu muito espaço para sua esposa na época. A Sondra Locke canta uma música country atrás da outra. OK, Clint, entendi o que você estava querendo fazer, mas chega uma hora que cansa. Ele queria levantar a carreira de cantora dela e para isso usava o cinema. Melhor ver o Fats Domino numa rápida cena onde ele canta uma canção no palco do bar. Tem também o macaco Clyde que gosta de defecar nos carros patrulhas da polícia. Rende bons momentos. E a cena final, uma longa briga de socos, hoje em dia já não convence. Então é isso. Achei bem bobinho pra falar a verdade. Alguns filmes merecem ficar no passado mesmo. 

Pablo Aluísio.

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Cem Mil Dólares para Ringo

Título no Brasil: Cem Mil Dólares para Ringo
Título Original: 100.000 dollari per Ringo
Ano de Produção: 1965
País: Itália, Espanha
Estúdio: Balcázar Producciones Cinematográficas
Direção: Alberto De Martino
Roteiro: Alfonso Balcázar
Elenco: Richard Harrison, Fernando Sancho, Luis Induni

Sinopse:
Lee 'Ringo' Barton (Richard Harrison) é um pistoleiro e cowboy errante que chega numa distante cidadezinha perdida do velho oeste. Lá acaba sendo confundido com um antigo morador chamado Ward Cluster que todos pensavam ter morrido durante uma batalha sangrenta na Guerra Civil Americana. Ringo obviamente não é Cluster, mas a confusão de identidades acaba desencadeando uma série de eventos perigosos na cidade.

Comentários:
Mais um Spaghetti Western com o famigerado pistoleiro Ringo (que só não foi mais popular do que Django e Trinity dentro desse estilo de filme). Para quem aprecia cinema italiano em geral a primeira coisa que chama a atenção aqui é a presença do diretor e roteirista romano Alberto De Martino. Sim, o mesmo diretor que dirigiu outros Spaguettis famosos como "Django Atira Primeiro" e "A Carga da Sétima Cavalaria". Curiosamente o cineasta começou sua carreira de filmes populares não em faroestes, mas sim em épicos ao estilo sandálias e areias. Foi assim que assinou películas como "O Gladiador Invencível", "O Triunfo de Hécules" e "Os Gladiadores Espartanos". Pode-se criticar seu cinema popularesco mas não sua versatilidade, pois até mesmo pelo terror italiano resolveu se aventurar - assinando o estranho, mas cult "O Anticristo" em 1974. Já "100.000 dollari per Ringo" é um faroeste tipicamente produzido para o cinema italiano dos anos 60. Cenas absurdas, violência estilizada (diria até cartunesca) e balas voando para todos os lados. Quem interpreta Ringo aqui é Richard Harrison, que ao contrário de muitos astros de Spaguettis, não era um italiano usando um pseudônimo americano, mas sim um norte-americano de verdade, nascido em Utah. Sua presença gringa mantém o interesse, embora o filme em si seja apenas mediano no final das contas. 

Pablo Aluísio.

O Filho de Django

Título no Brasil: O Filho de Django
Título Original: Il figlio di Django
Ano de Produção: 1967
País: Itália
Estúdio: Denwer Film
Direção: Osvaldo Civirani
Roteiro: Alessandro Ferraù, Tito Carpi
Elenco: Gabriele Tinti, Guy Madison, Ingrid Schoeller

Sinopse:
O famoso pistoleiro Django é morto covardemente pelas costas. Seu único filho, Jeff Tracy (Gabriele Tinti), decide fazer de sua vida uma cruzada em busca dos assassinos de seu pai. Isso o leva até uma cidadezinha dominada por dois poderosos fazendeiros. Tracy acaba descobrindo que um deles muito provavelmente esteja envolvido na morte de Django. O cenário se revela o ideal para que ele sacie sua sede de justiça e vingança.

Comentários:
O sucesso de Django com Franco Nero deu origem a dezenas de cópias, feitas exclusivamente para faturar alguns trocados nos cinemas populares ao redor do mundo. A maioria dessas produções eram de péssima qualidade. "O Filho de Django" é mais uma tentativa de lucrar em cima do nome do famoso pistoleiro do western spaghetti. O curioso é que para soar um pouco diferente os produtores decidiram que não mais apostariam no nome de Django, mas sim em seu filho! A produção como era de se esperar é de baixo orçamento. A edição é bem ruim, dando saltos na narrativa, sem ter nem ao menos a preocupação de situar melhor o espectador no contexto da estória que está contando. O roteiro é bem derivativo de centenas de outros filmes - a velha narrativa do filho buscando vingança pela morte do pai. De bom mesmo apenas a trilha sonora - com direito a um bom número musical em um saloon - e a presença de Guy Madison no papel do Padre Fleming, um curioso sacerdote rápido no gatilho. Já Gabriele Tinti que dá vida ao filho de Django é bem inexpressivo, contribuindo ainda mais para a má qualidade do filme como um todo. Melhor rever o único e original Django de 1966.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Os Três Mosqueteiros

Título no Brasil: Os Três Mosqueteiros
Título Original: The Three Musketeers
Ano de Lançamento: 1948
País: Estados Unidos
Estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
Direção: George Sidney
Roteiro: Robert Ardrey
Elenco: Lana Turner, Gene Kelly, Vincent Price, Angela Lansbury, Van Heflin, June Allyson

Sinopse:
Um jovem chamado D'Artagnan decide ir para Paris para realizar seu sonho de ser um mosqueteiro do Rei Luís XIII. Ao chegar porém acaba se envolvendo numa grande intriga política com o maléfico Cardeal Richelieu e a nobre perversa Lady de Winter. Adaptação para o cinema da obra de Alexandre Dumas. 

Comentários:
Eu sei que é um clássico do gênero "Capa e Espada". E nem preciso falar da relevância do livro original. Isso todo mundo sabe. Porém o fato é que não consegui gostar dessa versão cinematográfica dos anos 40. E isso é curioso porque sempre gostei dos nomes que formam seu elenco principal. O problema, ao meu ver, vem do roteiro. Ele surge muito truncado, tentando colocar muitas coisas em um curto espaço de tempo. As situações assim vão se atropelando no decorrer da história. E o interessante é que o filme como produção não ficou tão datado. É um filme bem produzido e tudo mais. Só esse humor realmente ficou muito antiquado. O Gene Kelly era um dançarino e um acrobata, então tirou de letra as acrobacias de seu personagem. Só não convence na idade pois já tinha passado da idade certa para interpretar o quase adolescente D'Artagnan. Melhor se sai a dupla de malvados Vincent Price e Lana Turner. Eles mantiveram o nível de atuação em um patamar aceitável. Pelo menos isso. 

Pablo Aluísio.

O Monstro dos Mil Olhos

O Monstro dos Mil Olhos 
Esse filme nada mais é do que uma sequência do sucesso "A Mosca da Cabeça Branca". Aliás o título original do filme não deixa nenhuma dúvida sobre isso. Os produtores na época queriam obviamente faturar mais uma vez em cima dessa história, mas havia problemas a superar. Por exemplo, o personagem do Vincent Price morria no final. Como escalar Vincent Price novamente se seu personagem tinha morrido? Bom, os roteiristas sempre dão jeito, mesmo que seja na pura cara de pau. Assim nesse segundo filme Price retorna como... o irmão gêmeo de seu personagem no primeiro filme! Pois é, os caras deram um jeito mesmo. E para não se perder o fio da meada as pesquisas recomeçam, agora com o filho do cientista do primeiro filme! Não vá perder a linha narrativa... tudo cascata! 

Esse segundo filme é muito inferior ao primeiro que é considerado um clássico do terror e também da ficção. Esse segundo não tem suspense e nem clima. E isso é uma morte anunciada porque ver o homem mosca andando por aí com aquela cabeça mal feita, é prato cheio para o humor involuntário. No primeiro filme a maquiagem não era melhor, mas o diretor teve o bom senso de não expor demais isso. Era tudo encoberto, aumentando a tensão. Aqui tudo vira quase um deboche, embora nunca tenha sido a intenção de seus realizadores. Enfim, puro caça-níquel. 

O Monstro dos Mil Olhos (Return of the Fly, Estados Unidos, 1959) Direção: Edward Bernds / Roteiro: Edward Bernds, George Langelaan / Elenco: Vincent Price, Brett Halsey, David Frankham / Sinopse: O filho do cientista do primeiro filme retorna as experiências envolvendo uma máquina de desintegração e reintegração da matéria, mas acaba sendo alvo de seu próprio assistente, que deseja colocar as mãos naquela invenção inovadora. 

Pablo Aluísio.

domingo, 8 de dezembro de 2024

Bill Haley And His Comets - Haley's Juke Box

Bill Haley And His Comets - Haley's Juke Box
No finalzinho da década de 1950 Bill Haley brigou com os executivos da gravadora Decca. Ele reclamava de que ganhava muito pouco no contrato que tinha com a gravadora. E ganhava pouco mesmo. Para se ter uma ideia ele levava apenas 1 por cento do preço das vendas de capas de seus discos, logo aqueles que seriam os maiores sucessos de sua carreira. Não dava mais para continuar no selo. Após muitas brigas, inclusive pela imprensa, o bom e velho Haley foi embora da Decda batendo a porta. Ele foi para Los Angeles e assinou com a Warner Records, a gravadora do famoso estúdio de cinema. O novo contrato prometia muito sucesso e o próprio Bill Haley tinha esperanças nesse sentido.

Esse foi o seu primeiro disco nessa nova gravadora. Infelizmente as coisas não foram tão bem quanto ele esperava. A Warner se envolveu demais na escolha das músicas e na produção dos arranjos. Bill Haley se viu amordaçado, sem controle artístico do álbum. Ele logo percebeu que também não ria dar muito certo na Warner. Para piorar estava começando uma batalha judicial pelo controle de suas músicas contra a Decca que iria durar anos e anos. O Bill Haley estava esgotado emocionalmente e o resultado não saiu bom. O disco não fez sucesso e acabou sendo uma decepção nas lojas de discos, não vendendo muitas cópias. Pois é, os anos de sucesso e glória pareciam coisa do passado. 

Bill Haley And His Comets - Haley's Juke Box (1960)
Singing The Blues
Candy Kisses
No Letter Today
This Is The Thanks I Get
Bouquet Of Roses
There's A New Moon Over My Shoulder
Cold, Cold Heart
The Wild Side Of Life
Any Time
Afraid
I Don't Hurt Anymore
Detour

Pablo Aluísio.