quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Jason Bourne

Depois de um hiato de quase dez anos eis que o ator Matt Damon resolveu retornar para a franquia "Bourne". Nesse meio tempo o estúdio lançou um filme sem ele, que teve um desempenho razoável de público e crítica, e até mesmo um game popular. Ou seja, Bourne ainda se mostrava um produto interessante, pelo menos do ponto de vista comercial. A franquia que havia chegado ao cinema pela primeira vez em 2002 com "A Identidade Bourne", seguida das sequências "A Supremacia Bourne" (2004) e "O Ultimato Bourne" (2007) mostrava que ainda tinha fôlego para fazer sucesso nos cinemas. E era justamente isso que Damon estava procurando após alguns filmes que não deram muito certo. Como se sabe em Hollywood você só consegue sobreviver no mercado se mostrar que ainda é capaz de atrair público aos cinemas, mesmo que isso só aconteça de vez em quando.

Assim Damon engoliu todas as críticas que havia feito ao personagem no passado e voltou a encarnar esse ex-agente da CIA super bem treinado, cujo passado ainda lhe é algo nebuloso, sem clareza. Um dos problemas de Bourne, ao meu ver, é que todos os filmes sem exceção parecem apresentar praticamente o mesmo roteiro: Bourne é caçado pelo governo americano enquanto tenta juntar as peças do quebra-cabeças de seu passado. Aqui ele conta com a ajuda de Nicky Parsons (Julia Stiles), que roubou informações valiosas de uma central da agência de inteligência americana, enquanto tenta sobreviver a um jogo de gato e rato comandado pelo diretor da CIA, Robert Dewey (Tommy Lee Jones). Trocando em poucas palavras: tudo parece continuar a mesma coisa!

Duas coisas me incomodaram muito nesse novo filme. Primeiro os exageros de edição e do uso da chamada "câmera nervosa" por parte do diretor Paul Greengrass. Os dois recursos são levados ao extremo, o que acaba deixando uma sensação de tontura no espectador. Não parece existir um único plano parado. Assistir a um filme que nos deixam tontos não me parece uma boa ideia. Outro problema que vejo é a falta de uma trama melhor, um bom roteiro. As cenas de ação tentam compensar esse vazio narrativo se tornando longas demais. Para se ter uma ideia uma delas (a da perseguição com motos) tem quase 30 minutos de duração! E tudo isso em um filme com pouco mais de 1 hora e quarenta de duração!. É demais, vamos convir. Pelo visto foi o jeito do diretor tentar disfarçar o fato de que sob o ponto de vista do argumento o filme não passa mesmo de um caro e longo pastel de vento.

Jason Bourne (Jason Bourne, Estados Unidos, 2016) Direção: Paul Greengrass / Roteiro: Paul Greengrass, Christopher Rouse  / Elenco: Matt Damon, Tommy Lee Jones, Julia Stiles, Vincent Cassel, Alicia Vikander / Sinopse: Após roubar dados sigilosos da CIA (a agência de inteligência dos Estados Unidos) Nicky Parsons (Julia Stiles) decide se encontrar com Jason Bourne (Damon) na Grécia, em meio aos protestos violentos que acontecem no país. Ao mesmo tempo o diretor da CIA, Robert Dewey (Tommy Lee Jones) decide colocar dois de seus melhores agentes para localizar e destruir Bourne e sua amiga. 
    
Pablo Aluísio. 

5 comentários:

  1. Avaliação:
    Direção: ★★
    Elenco: ★★★
    Produção: ★★
    Roteiro: ★
    Cotação Geral: ★★
    Nota Geral: 5.5

    Cotações:
    ★★★★★ Excelente
    ★★★★ Muito Bom
    ★★★ Bom
    ★★ Regular
    ★ Ruim

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  2. Pablo, somente a título de curiosidade, o Bourne não é só bem treinado, ele teve o corpo modificado geneticamente e isso ampliou muito a força física e também a concentração, agilidade, etc.

    A carreira do Demon deu uma esfriada.

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  3. Pois é, ele virou uma espécie de Capitão América ou Wolverine do mundo da espionagem, o que me faz concluir: ainda prefiro o bom e velho James Bond, de carne e osso...

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  4. No começo deste filme do seu post ele vence uma luta de rua com um cara muito forte com apenas um soco, por aí você vê.

    A serie Bourne já tinha perdido seu mistério no segundo filme, o resto é pra meter a mão no nosso bolso e perder nosso precioso tempo. E o pior é que, por conta do sucesso destes dois filmes, houve uma bournazização do James Bond, diminuído o seu charme e ironia, em beneficio da ação desenfreada e bruta.

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  5. A única coisa mais ou menos interessante desse filme vem do fato do roteiro fazer uma curiosa "denúncia" sobre ligações inescrupulosas entre magnatas do mundo da informática e a CIA, espionando seus clientes. Acredito que isso seja uma verdade do mundo atual. Mesmo assim até esse aspecto - que poderia ser melhor aproveitado - não o foi. Ficou apenas uma sucessão de cenas de ação e um final em aberto que sugere que Bourne nos próximos filmes volte para trabalhar na CIA como agente...

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