sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Águas Profundas

Águas Profundas
Achei bem interessante esse filme, principalmente por apresentar uma ideia até mesmo parecida com o clássico da literatura brasileira, Dom Casmurro, de Machado de Assis. Essa linha mais psicológica, envolvendo um homem que tem muitos ciúmes de sua bela esposa. Ela inclusive apresenta um comportamento muito suspeito. O marido por outro lado fica sempre com um pé atrás na dúvida crucial sobre ela estar lhe traindo ou não nesse casamento conturbado. E esse tipo de situação, não se engane sobre isso, é bem mais comum do que se pode pensar na vida cotidiana de casais. 

O protagonista é um bom marido, um daqueles sujeitos sem máculas em seu comportamento pessoal. Já a esposa, além de ser linda, é bem desiniba. Em festas costuma flertar abertamente com outros homens, um comportamento tão fora dos padrões que todos ficam constrangidos, até mesmo os casais amigos de seu marido. Só que ele, por outro lado, não tem a prova definitiva dessa traição. Então começa um jogo até mesmo sádico envolvendo esse casal. Um marido ciumento e uma esposa atrevida, desinibida, ousada e sensual, uma combinação que geralmente não costuma dar muito certo. Há traição ou não há traição nesse relacionamento? Assista ao filme e tire suas próprias conclusões. 

Águas Profundas (Deep Water, Estados Unidos, 2022) Direção: Adrian Lyne / Roteiro: Zach Helm, Sam Levinson, Patricia Highsmith / Elenco: Ben Affleck, Ana de Armas, Tracy Letts / Sinopse: Marido ciumento sofre com o comportamento fora dos padrões de sua esposa. E a situação só piora quando ele passa a ser suspeito do desaparecimento desses supostos amantes dela. 

Pablo Aluísio.


Em Cartaz: Águas Profundas
O thriller psicológico Águas Profundas foi lançado em março de 2022, dirigido por Adrian Lyne, cineasta conhecido por clássicos do suspense adulto como Atração Fatal e Proposta Indecente. Estrelado por Ben Affleck e Ana de Armas, o filme é uma adaptação do romance homônimo de Patricia Highsmith e marcou o retorno de Lyne ao cinema após quase duas décadas. Diferentemente do lançamento tradicional nos cinemas, o longa teve estreia direta no streaming, pela plataforma Hulu nos Estados Unidos e Prime Video em outros mercados, decisão que já indicava expectativas cautelosas quanto à sua recepção.

Por ter sido lançado majoritariamente em streaming, Águas Profundas não teve números oficiais de bilheteria cinematográfica divulgados. Ainda assim, o filme alcançou ampla visibilidade nas semanas seguintes à estreia, impulsionado tanto pela curiosidade em torno do casal protagonista — que vivia um relacionamento fora das telas naquele período — quanto pela reputação do diretor. Relatórios da imprensa especializada apontaram que o longa figurou entre os títulos mais assistidos da plataforma em seus primeiros dias, embora sem dados públicos detalhados de audiência.

A reação da crítica foi majoritariamente negativa, com muitos jornalistas apontando problemas de tom e coerência narrativa. O The New York Times descreveu o filme como “um suspense estranhamente inerte, que nunca encontra o ritmo ou a tensão que promete”, enquanto a revista Variety afirmou que “nem mesmo o pedigree de Adrian Lyne consegue dar unidade a uma história que oscila entre o drama conjugal e o thriller criminal”. Essas avaliações refletiram uma frustração generalizada com o potencial não realizado da obra.

Outros críticos foram ainda mais duros. O The Guardian classificou o filme como “um retorno decepcionante de Adrian Lyne, carregado de ideias antiquadas sobre desejo e poder”, sugerindo que o estilo do diretor parecia deslocado no contexto contemporâneo. Já a Rolling Stone escreveu que Águas Profundas era “mais curioso do que envolvente, um filme que se assiste com perplexidade em vez de suspense”, destacando a falta de tensão emocional apesar do material de origem prestigioso.

Com o passar do tempo, Águas Profundas passou a ser visto como uma obra controversa e irregular, mais comentada por seu contexto de produção e pelas atuações de Affleck e Ana de Armas do que por suas qualidades cinematográficas. Assim como muitos thrillers eróticos clássicos, o filme encontrou um público curioso, apesar da rejeição crítica inicial. As frases publicadas pela imprensa em 2022 deixaram claro que, para a maioria dos críticos, o retorno de Adrian Lyne não conseguiu recuperar plenamente o impacto e a ousadia que marcaram seus filmes mais célebres.

O Garoto da Casa ao Lado

Título no Brasil: O Garoto da Casa ao Lado
Título Original: The Boy Next Door
Ano de Produção: 2015
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Rob Cohen
Roteiro: Barbara Curry
Elenco: Jennifer Lopez, Ryan Guzman, Kristin Chenoweth
  
Sinopse:
Claire Peterson (Jennifer Lopez) é um professora de ensino médio que precisa lidar com o fim de seu casamento. Após a traição do marido ela deseja se divorciar dele. Com um filho adolescente e vários problemas pessoais ela comete o erro fatal de se envolver com o jovem que acaba de se mudar para a casa ao lado. Noah Sandborn (Ryan Guzman) se mudou recentemente para a casa vizinha para ajudar seu tio-avô que está passando por problemas de saúde. O que começa como um flerte casual acaba saindo do controle ao Claire perceber que o jovem tem sérios problemas psicológicos, o que dá origem a uma obsessão perigosa por parte dele.

Comentários:
Filme bem fraco estrelado pela atriz e celebridade Jennifer Lopez. Pelo visto sua carreira entrou em uma curva descendente, acumulando fracassos comerciais e filmes sem repercussão ou importância. Esse aqui tem um roteiro rasteiro, cheio de clichês batidos. Basicamente se trata de uma professora mais velha que acaba se envolvendo com um garotão que não demora a demonstrar ter sérios problemas mentais, se tornando obsessivo e um homicida em potencial depois que ela o rejeita após uma noite de sexo casual. O viés moralista é mal conduzido e leva a uma série de cenas sem originalidade alguma. Para tentar salvar a fita do desastre completo o roteiro procura explorar de forma apelativa a imagem de símbolo sexual da atriz Jennifer Lopez a colocando em uma cena que supostamente deveria elevar o clima de sensualidade do filme. Não consegue. A cena é convencional, rápida e não passa erotismo algum. Depois que o jovem começa a agir feito um louco após ela o dispensar discretamente a fita desanda de vez. Ele a chantageia, dizendo que vai revelar seu caso amoroso no colégio onde ela ensina (e onde ele também é aluno), além de começar a ir em sua casa para visitas completamente constrangedoras. Em pouco tempo o comportamento inconveniente se transforma em ameaças veladas. Se tornando amigo de seu filho o sujeito também começa a usar o adolescente para jogá-lo contra sua própria mãe. Quando a situação fica completamente insuportável começam os atos de violência que acabam dando origem a uma cena particularmente trash quando ela enfia o dedo em seu olho, o mesmo onde momento antes afundou uma seringa imensa! Enfim, chega! É muita besteira para um thriller que se propunha a ser mais interessante. Do jeito que ficou, tudo o que conseguiu mesmo foi se tornar uma grande perda de tempo!

Pablo Aluísio.


Em Cartaz: O Garoto da Casa ao Lado
O suspense erótico O Garoto da Casa ao Lado estreou nos cinemas em janeiro de 2015, dirigido por Rob Cohen e estrelado por Jennifer Lopez, ao lado de Ryan Guzman. O filme marcou o retorno de Lopez ao gênero do thriller psicológico, interpretando uma professora divorciada que se envolve com um jovem misterioso que acaba se revelando obsessivo e perigoso. Lançado com forte apelo comercial, o longa apostava em uma narrativa direta e provocativa, remetendo a thrillers dos anos 1990 como Atração Fatal e Mão que Balança o Berço.

Apesar do baixo orçamento, estimado em cerca de US$ 4 milhões, o filme obteve um expressivo sucesso de bilheteria. Mundialmente, arrecadou aproximadamente US$ 52 milhões, sendo cerca de US$ 35 milhões apenas nos Estados Unidos, um resultado considerado excelente para uma produção desse porte. O bom desempenho confirmou a força de Jennifer Lopez como estrela capaz de atrair público, mesmo em projetos criticamente desacreditados, e transformou o longa em um lucro rápido para o estúdio.

A reação da crítica, no entanto, foi majoritariamente negativa. Muitos jornalistas apontaram o roteiro previsível e os diálogos artificiais como os principais problemas. O jornal The New York Times descreveu o filme como “um thriller antiquado que parece preso a clichês de décadas passadas”, observando que a história se desenvolvia de forma mecânica e sem surpresas reais. Já o The Guardian afirmou que o longa era “absurdo, implausível e involuntariamente cômico”, ainda que reconhecesse seu potencial como entretenimento descartável.

Críticos americanos foram ainda mais severos. RogerEbert.com publicou que O Garoto da Casa ao Lado era “um exercício de mau gosto que confunde tensão com exagero”, enquanto a Variety escreveu que o filme “funciona apenas porque Jennifer Lopez leva o material a sério, mesmo quando o roteiro não merece”. Essas avaliações refletiram uma percepção comum na imprensa de que o filme dependia quase exclusivamente da presença da atriz para sustentar sua narrativa.

Com o passar do tempo, O Garoto da Casa ao Lado passou a ser lembrado como um exemplo clássico de filme mal avaliado pela crítica, mas bem-sucedido junto ao público. Embora os jornais da época tenham publicado frases duras e avaliações negativas, o desempenho financeiro mostrou que havia espaço para esse tipo de thriller direto e sensacionalista no mercado. Hoje, o filme é frequentemente citado como um “prazer culposo” do gênero, mais lembrado por seu impacto comercial do que por qualquer reconhecimento artístico.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

O Último Amor de Casanova

Título no Brasil: O Último Amor de Casanova
Título Original: Dernier amour 
Ano de Lançamento: 2019
País: França
Estúdio: Les Films du Lendemain
Direção: Benoît Jacquot
Roteiro: Benoît Jacquot, Jérôme Beaujour
Elenco: Vincent Lindon, Stacy Martin, Valeria Golino, Clotilde Mollet, Lolita Chammah, Julia Roy

Sinopse:
Exilado em Londres após fugir de Veneza, Giacomo Casanova, agora envelhecido e consciente do declínio de seu poder de sedução, vive atormentado pela nostalgia de sua juventude libertina. Ao conhecer Marianne de Charpillon, uma jovem cortesã independente e imprevisível, Casanova se vê dominado por uma paixão avassaladora. Diferente das mulheres que conquistou ao longo da vida, Marianne resiste aos seus jogos de sedução, transformando o lendário amante em prisioneiro do próprio desejo. O encontro marca o que pode ser seu último e mais doloroso amor.

Comentários: 
Esperava por algo melhor. E isso é algo a se lamentar pois o roteiro foi inspirado na própria obra autobiográfica de Casanova que, em sua velhice, decidiu contar sua história de próprio punho. Aqui o foco vai para a estadia que Casanova teve na Inglaterra, sendo mais preciso, em Londres. Ele não gostava dos ingleses de um modo em geral, mas isso não significava que deixaria de se envolver com belas mulheres que fosse encontrando por onde passava. Acaba se apaixonando por Marianne de Charpillon, mas essa vai ser mais uma daquelas histórias de amor que parecem nunca dar certo, seja por sua própria culpa, seja por desvios de seu objeto de desejo. De qualquer maneira ela representava, já naqueles tempos, um tipo de mulher que procurava por sua própria independência e autonomia. Em uma época tão remota não deixava de ser algo a se elogiar. 

Pablo Aluísio. 

Em Cartaz: O Último Amor de Casanova
O drama histórico O Último Amor de Casanova (Casanova, Last Love, Dernier amour no título original) foi lançado em 2019, dirigido pelo cineasta francês Benoît Jacquot e estrelado por Vincent Lindon no papel de Giacomo Casanova, com Stacy Martin como sua grande paixão, Marianne de Charpillon. O filme foca em uma das fases tardias da vida do lendário sedutor veneziano, quando ele vive exilado em Londres e, segundo sua própria narrativa, encontra pela primeira vez um amor que desafia sua vida boêmia de conquistas. A produção teve lançamento em festivais e circulação em cinemas europeus, destacando-se por um olhar íntimo e menos espetacular sobre a figura histórica. 

Em termos de bilheteria, O Último Amor de Casanova não se destacou comercialmente. Os dados públicos indicam que o filme arrecadou cerca de US$ 558 717 em todo o mundo, com apenas uma parcela mínima nos Estados Unidos (aproximadamente US$ 10 924), refletindo uma distribuição limitada e um apelo restrito ao público em geral. Esse desempenho modesto é típico de dramas artísticos independentes que não contam com grandes campanhas de marketing, apesar do envolvimento de nomes reconhecidos no cinema europeu. 

A reação da crítica especializada foi mista a negativa. No agregador Rotten Tomatoes, o filme obteve apenas 42 % no Tomatometer, sinalizando críticas divididas e muitas vezes desfavoráveis. Diversos críticos destacaram a falta de profundidade emocional e de paixão na narrativa, mesmo diante de cenários e figurinos historicamente ricos — observações que ressaltaram o contraste entre a promessa romântica do título e a execução cinematográfica. 

Algumas das frases publicadas por críticos na época traduzem bem essa recepção: um comentário do Los Angeles Times descreveu _“Casanova, Last Love,” que examina a infatuation do sedutor do século XVIII, como “um retrato monótono e pouco envolvente que, apesar de cenários e figurinos sumptuosos, nunca decola” — descrevendo um sentimento geral de desapontamento com a falta de envolvimento emocional da obra. Outra crítica observou que, apesar da intenção de “questionar nossas suposições sobre figuras como Casanova,” o filme muitas vezes “deixa o espectador sem entender exatamente o que se pretende dizer com tudo isso”. 

Por fim, embora não tenha alcançado sucesso comercial ou aclamação crítica expressiva, O Último Amor de Casanova tem sido visto como uma abordagem diferente sobre um personagem histórico já muito representado no cinema e na literatura — privilegiando o drama íntimo sobre as aventuras externas. A obra atraiu atenção em circuitos de cinema europeu e festivais, sobretudo pela performance de Lindon e pela tentativa de explorar um casanova mais vulnerável, ainda que muitos críticos considerassem essa visão cinematográfica menos impactante do que a lenda que inspirou o filme. 

Casanova

Casanova
Sinceramente falando não consegui gostar da proposta desse filme "Casanova". Como o próprio título já deixa claro, o roteiro mostra aspectos da vida do famoso conquistador Giacomo Casanova (1725 - 1798), lendário amante italiano que se tornou imortal por causa da extensa bibliografia que foi escrita sobre sua vida ao longo de anos e anos. O problema básico dessa nova versão foi a sempre lamentável tentativa de se mudar um homem que viveu no século XVIII para os valores atuais. Essa modernização acabou descaracterizando todo o personagem. Não que o ator Heath Ledger não fosse talentoso, muito longe disso, apenas não era o papel adequado a ele naquele momento de sua carreira. Ledger não se adaptou bem, não demonstrando ter qualquer tipo de ligação com os modos e a forma de ser de uma pessoa que viveu naquela época.

Ao invés disso passa a sensação constrangedora de que é apenas um australiano do século XX vestindo roupas de época, como se fossem meras fantasias, enquanto tenta criar algum processo de identificação com sua pífia atuação. Pior é o uso inadequado de uma direção de arte bonita, mas imprópria para os objetivos do filme. Assim acabaram matando o próprio legado de Casanova, um sujeito amoral e dado a conquistas vazias, tudo para satisfazer seu ego faminto. Nesse roteiro o lado mau caráter de Giacomo foi varrido para debaixo do tapete, surgindo no lugar um dândi romântico bonzinho, tipicamente de romances do século XIX, algo que o verdadeiro Casanova jamais foi. Erraram tudo por um século de diferença! Em suma, misturaram escolas literárias e épocas diversas, confundindo a essência de personagens de obras da literatura bem diferentes entre si. Diante de tantos erros o filme realmente não teve salvação.

Casanova (Casanova, Estados Unidos, 2005) Direção: Lasse Hallström / Roteiro: Jeffrey Hatcher, Kimberly Simi / Elenco: Heath Ledger, Sienna Miller, Jeremy Irons, Lena Olin / Sinopse: O filme conta a história do conquistador Casanova, mas sob um viés moderno e progressista.

Pablo Aluísio.


Em Cartaz: Casanova (2005)
O filme Casanova estreou nos cinemas em dezembro de 2005, dirigido por Lasse Hallström e estrelado por Heath Ledger no papel do lendário sedutor veneziano Giacomo Casanova. Produzido como uma comédia romântica de época, o longa apostou em um tom leve e fantasioso, distanciando-se das versões mais sombrias ou historicamente rigorosas do personagem. Ambientado em uma Veneza idealizada do século XVIII, o filme apresentava Casanova como um amante irreverente que, pela primeira vez, se vê emocionalmente desarmado ao se apaixonar por uma mulher que desafia sua fama e seus métodos.

Em termos de bilheteria, Casanova teve um desempenho modesto, aquém das expectativas iniciais. Com um orçamento estimado em cerca de US$ 50 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 37 milhões mundialmente, sendo pouco mais de US$ 11 milhões nos Estados Unidos. O resultado foi considerado decepcionante para um projeto de grande estúdio e elenco conhecido, indicando que o público não respondeu com entusiasmo à mistura de romance clássico e comédia moderna proposta pelo diretor.

A recepção crítica na época do lançamento foi predominantemente negativa ou morna. Muitos críticos apontaram o tom excessivamente leve e a falta de profundidade dramática como fragilidades do filme. O jornal The New York Times observou que o longa era “bonito de se olhar, mas dramaticamente vazio”, acrescentando que a narrativa parecia mais preocupada em ser charmosa do que em desenvolver seus personagens de forma consistente. Já o The Guardian descreveu o filme como “uma fantasia romântica polida demais para ser provocante”, sugerindo que o espírito transgressor de Casanova havia sido domesticado para agradar ao grande público.

Outros críticos foram ainda mais diretos. Roger Ebert, escrevendo no Chicago Sun-Times, afirmou que “o filme trata Casanova como uma marca, não como um personagem”, destacando que a performance de Heath Ledger, embora carismática, era limitada por um roteiro previsível. Em diversos jornais americanos, surgiram comentários semelhantes, classificando o longa como “agradável, porém esquecível”, e ressaltando que a obra parecia indecisa entre uma sátira romântica e um drama histórico, sem se comprometer totalmente com nenhum dos dois caminhos.

Com o passar dos anos, Casanova (2005) passou a ser lembrado mais como uma curiosidade na filmografia de Heath Ledger do que como uma adaptação definitiva do personagem histórico. Apesar das críticas e do desempenho fraco nas bilheterias, alguns espectadores passaram a apreciar o filme por seu visual elegante, figurinos elaborados e trilha sonora delicada. Ainda assim, as reações da imprensa no ano de seu lançamento deixaram claro que, para muitos críticos, o filme oferecia charme superficial, mas carecia da ousadia e complexidade que tornaram Casanova uma figura lendária na história e na literatura.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Feliz Ano Novo!


Que 2026 seja um ano feliz, pleno de muitas realizações pessoais, tanto no campo pessoal como profissional. Esse é o meu mais sincero desejo de feliz ano novo para você, prezado leitor!

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

De Arma em Punho

De Arma em Punho
Ransome Callicut (Randolph Scott) é um forasteiro que chega na pequena vila de Los Angeles, um lugar inóspito perdido no meio do deserto, infestada de malfeitores. Ele desembarca no local afirmando ser um simples professor de crianças, mas o oficial da cavalaria na região, o capitão Roy Giles (Philip Carey), acredita que ele esteja mentindo pois é bastante parecido com um major desertor das forças armadas durante a guerra civil. Enquanto investiga o recém chegado, ele percebe que Ransome está cada vez mais envolvido nos problemas políticos locais. Há um grupo de rebeldes que deseja a separação do sul da Califórnia da federação americana, o que pode levar a uma nova guerra de secessão. Afinal qual seria a ligação entre o misterioso personagem de Randolph Scott com a turbulenta situação política em Los Angeles?

“De Arma em Punho” é mais uma produção com o ator Randolph Scott para a Warner. Esse aqui tem um roteiro bem mais trabalhado com uma intrigada trama que provavelmente vá confundir um pouco o espectador menos atento. Callicut (Scott) pode ser tanto um desertor do exército, como também um espião enviado pelo governo americano para investigar os problemas envolvendo os rebeldes californianos. O filme foi rodado praticamente todo dentro do estúdio. Existem cenas em locações reais, mas essas são geralmente pontuais, feitas com uma segunda unidade. As principais sequências que contam com Scott e o elenco principal, são praticamente todas recriadas em cenários dentro dos estúdios da Warner. Hoje em dia esse tipo de técnica é facilmente perceptível. Alguns não gostam, pois soa artificial, mas pessoalmente acho tudo muito charmoso e elegante. O horizonte ao longe é pintado, por exemplo, mas tudo com tão bom gosto que não há como se aborrecer com detalhes assim.

Além dos costumeiros tiroteios e perseguições “De Arma em Punho” ainda tem uma dupla de atores mais cômicos (um se veste de mulher para enganar os rebeldes) e duas sequências musicais com canções cantadas em espanhol pela atriz e intérprete Lina Romay. Para os fãs de Randolph Scott é bom salientar que "Stardust", seu lindo cavalo Palomino branco e marrom, está em cena, mostrando todo seu porte imponente e beleza. Em conclusão é isso, mais um bom filme com Scott que ainda conta com o diferencial de mostrar pequenos toques de mistério e tramas políticas. "De Arma em Punho" é um eficiente western da década de 50 que deve ser assistido pelos fãs do gênero.

De Arma em Punho (The Man Behind the Gun, Estados Unidos, 1953) Direção: Felix E. Feist / Roteiro: John Twist, Robert Buckner / Elenco: Randolph Scott, Patrice Wymore, Dick Wesson / Sinopse: Um forasteiro recém chegado a Los Angeles pode ser tanto um simples professor como um perigoso pistoleiro e desertor do exército norte-americano. A região está instável pois um grupo rebelde luta pela secessão do sul da Califórnia do resto do país.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

A Rainha Virgem

Título no Brasil: A Rainha Virgem
Título Original: Young Bess
Ano de Lançamento: 1953
País: Reino Unido
Estúdio: Walt Disney Productions
Direção: George Sidney
Roteiro: Hugh Mills, Jan Lustig
Elenco: Jean Simmons, Stewart Granger, Deborah Kerr, Charles Laughton, Cecil Parker, Kay Walsh

Sinopse:
O filme retrata a juventude de Elizabeth Tudor, futura Rainha Elizabeth I da Inglaterra, desde a adolescência até sua ascensão ao trono. Cercada por intrigas políticas, traições e disputas religiosas durante o turbulento reinado de seu pai, Henrique VIII, Elizabeth aprende a sobreviver em uma corte repleta de perigos. Ao longo de sua formação, ela desenvolve a inteligência, a cautela e a força de caráter que a transformariam em uma das maiores monarcas da história inglesa.

Comentários:
O filme é baseado no romance histórico “Young Bess”, de Margaret Irwin. Jean Simmons recebeu grande aclamação por sua interpretação sensível e madura de Elizabeth I ainda jovem. Charles Laughton oferece uma atuação marcante como Henrique VIII, retratando o rei de forma autoritária e imprevisível. Apesar de ser uma produção da Disney, o filme tem um tom mais sério e histórico, bem diferente do cinema familiar associado ao estúdio. A fotografia em Technicolor e os figurinos luxuosos ajudam a recriar a atmosfera da corte inglesa do século XVI. O filme é considerado um clássico do cinema histórico, frequentemente lembrado como uma das melhores representações da juventude da Rainha Elizabeth I. Porém, como se trata de um filme clássico, de um tempo onde não havia tanto compromisso com a verdade histórica, não espere por fatos precisos da história real dessa monarca. Tudo vai mesmo na base da idealização e isso resulta em muito romance de pura ficção. Apesar disso, ou talvez até por isso, o filme ainda vale a pena. Como puro cinema é uma ótima diversão.

Pablo Aluísio.

domingo, 28 de dezembro de 2025

Brigitte Bardot

Brigitte Bardot
Acordamos nessa manhã de domingo com o anúncio da morte da atriz francesa Brigitte Bardot. Para os mais jovens um nome que eles mal conhecem. Uma pena o nível de ignorância dessa nova geração! Pois saibam que ela foi uma das maiores estrelas do cinema mundial, um ícone da beleza e um verdadeiro fenômeno de popularidade. E tudo isso sem praticamente sair da França e sem saber falar direito nem uma frase em inglês. Ela foi, sem dúvida nenhuma, uma das mais famosas atrizes de todos os tempos. 

Ao contrário de outros ícones da beleza e juventude de sua época, como Marilyn Monroe e até mesmo Elvis Presley (que ela esnobou, dizendo que não queria nem mesmo conhecer o cantor americano!), BB (como era conhecida) viveu muito! Passou dos 90 anos, completou seu ciclo de vida completo, sendo criança feliz, jovem famosa nos quatro cantos do mundo, adulta que abraçou a causa animal e idosa reclusa, mas plena de si, vivendo em um belo apartamento à beira-mar, pois amava o oceano. 

Brigitte Bardot também foi símbolo da liberdade feminina. Ela teve seu auge de fama e popularidade nas décadas de 1950 e 1960, numa época em que as mulheres eram reprimidas em tudo. Pois ele ousou ser livre! Namorava com quem bem entendesse, saía à noite, ia à praia com roupas ousadas, não havia limites para BB em sua juventude. E não se engane sobre isso, sua postura causava escândalo. Chamavam ela de liberal, devassa e até mesmo de prostituta. Nada de novo no repertório de difamações e injúrias, tão típicas entre os mais conservadores. BB nem tomou conhecimento, seguiu sendo ela mesma! 

Abandonou o cinema em 1973. Nunca mais retornou, tal como uma Greta Garbo dos tempos modernos. Ao invés da sétima arte abraçou o amor aos animais. Só concedia entrevistas para falar sobre esse tema e rejeitava os anos de fama proporcionada por seus filmes. Alegou que a fama poderia ser uma benção, mas também uma praga na vida de um artista. Disse que, por causa da fama internacional, nunca conseguiu ter a liberdade plena que tanto sonhava. Assim ela, que tanto falou sobre liberdade pessoal, acabou sendo presa justamente por ser a mais famosa mulher de seu tempo. Ecos da época em que viveu. De qualquer maneira fica o adeus para a eterna BB, que ficará imortalizada para sempre em seus filmes. Que os deuses da sétima arte a recebam hoje com tapete vermelho e tudo o que lhe era de pleno merecimento. Siga em paz Bardot! 

Pablo Aluísio. 

sábado, 27 de dezembro de 2025

Meu Pai, o Assassino BTK

Título no Brasil: Meu Pai, o Assassino BTK
Título Original: My Father: The BTK Killer
Ano de Lançamento: 2025
País: Estados Unidos
Estúdio: Netflix
Direção: Skye Borgman
Roteiro: Skye Borgman
Elenco: Kerri Rawson (filha do assassino), Dennis Rader (em arquivos de imagens), Beverly Rose, Harley Tarlitz, J. Jesse Harley

Sinopse:
Documentário que conta com o depoimento da filha do assassino BTK. Em flashback acompanhamos a chocante descoberta de uma jovem que passa a suspeitar que seu pai, um homem aparentemente comum e dedicado à família, possa estar ligado a uma série de crimes que aterrorizou a cidade de Wichita por décadas. À medida que as pistas se acumulam, ela enfrenta um conflito devastador entre o amor familiar e a necessidade de encarar uma verdade sombria, ligada ao infame assassino conhecido como BTK.

Comentários:
Virou mania agora essa coisa de pessoas que fazem séries ou filmes dizendo que são filhos ou filhas (e até netos!) de assassinos em série! Não faz muito tempo assisti a uma série de um canal a cabo que era protagonizada por uma jovem que insistia que seu avô era o infame assassino do Zodíaco! Bom, pelo menos aqui temos a filha verdadeira do BTK. Ele foi muito infame nos anos 70. Matou muitas pessoas, especialmente mulheres que estavam sozinhas em suas casas. Como todo serial killer ele mantinha uma fachada social impecável. Era chefe dos escoteiros, excelente cidadão, membro ativo na igreja local. Todo mundo parecia gostar dele. Só que por trás dessa falsa fachada havia mesmo um assassino em série mais do que maníaco e voraz. Hoje, muito mais velha, a filha do BTK conta o impacto que sua família sofreu quando seu pai foi desmascarado! Dennis Rader (seu nome real) tinha até então uma vida familiar muito estável. Uma família de comercial de margarina como se diz no Brasil. Só que tudo ruiu porque os policiais conseguiram chegar na sua identidade! E foi porque ele usou o computador da sua igreja para mandar uma nova mensagem de ameaça e terror aos policiais! Daí foi fácil chegar no criminoso. Logo ele, o cristão perfeitão da cidade onde morava! Um cidadão de bem, perfeito demais, na realidade era o assassino BTK (sigla de "Amordaçar, estuprar e matar") Durma-se com um barulho desses! Enfim, assim deixo a dica desse filme documentário que está disponível na Netflix! Assista e se arrisque para ver se gosta!

Pablo Aluísio.

Meu Avô, o Assassino do Zodíaco

Título no Brasil: Meu Avô, o Assassino do Zodíaco
Título Original: The Thrut About Jim
Ano de Lançamento: 2024
País: Estados Unidos
Estúdio: HBO
Direção: Skye Borgman
Roteiro: Skye Borgman
Elenco: Shannon Barter, Sierra Barter, Jim Mordecai

Sinopse:
Jovem começa a investigar o passado de seu avô e juntando as peças, colhendo depoimentos de pessoas que conviveram com ele, acaba chegando na conclusão de que ele seria na verdade o infame assassino do Zodíaco, assassino em série que agiu nos anos 60 e cuja identidade jamais foi descoberta pela polícia, mesmo após tantas décadas! 

Comentários:
Como eu venho dizendo temos essa nova onda de documentários de pessoas que se dizem parentes de assassinos em série famosos do passado (ou melhor dizendo, infames!). Pois bem, esse documentário, dividido em vários episódios, não me pareceu nada convincente. Temos essa garota que jura que sabe que seu avô, já falecido, foi o Zodíaco, assassino que atuou na região de San Francisco, geralmente matando casais de namorados. Na fachada social seu avô era um professor do ensino médio que tinha lá suas manias e esquisitices, mas daí a se dizer que ele era o Zodíaco... vai uma longa distância! Na realidade penso que o mais provável é que o Zodíaco fosse um outro suspeito, um rapaz bem mais jovem que trabalhava na biblioteca de uma universidade próxima onde aconteceu um dos primeiros crimes. Um daqueles tipos com fixação em roupas militares e militarismo. Um doido desses. Enfim, não me convenceu em nenhum momento. Coitado, sobrou até para o velho professor...

Pablo Aluísio.