domingo, 2 de março de 2025

Louis XIV - O Rei Sol

Louis XIV - O Rei Sol
Foi sem dúvida o monarca mais marcante da história da dinastia Bourbon, que iria governar a França por quase um milênio! Amava o luxo e a riqueza, por essa razão ficou marcado para sempre na mente das pessoas como um monarca extravagante, com roupas de alto luxo, muitos babados em seus figurinos, grande perucas e sapatinhos brilhantes de cores chamativas. Esse seu jeito de se vestir levantava rumores de que era homossexual, mas nada poderia estar mais distante da realidade. Luís XIV era muito mulherengo e colecionou centenas de amantes enquanto governou. 

Também era um governante astuto e inteligente. Quando percebeu que a corte de Paris era formada basicamente por conspiradores, fofoqueiros e pessoas vis de todos os tipos, decidiu construir um enorme palácio para onde levaria toda a nobreza da França. Versalhes já existiu como casa de campo de seu pai, mas Louis XIV queria construir ali o maior palácio da Europa. Iria transferir todos os nobres para seu palácio, confinando a nobreza para assim controlar as intrigas palacianas, eliminando os inimigos da coroa. 

Também criou um rígido protocolo social que mantinha os nobres sempre presos a ele. Tudo em Versalhes era controlado, nada era natural. Todos os rituais que você possa imaginar foram criados. Os nobres assistiam ao monarca em seus momentos mais privados, como as refeições, o banho ou o momento de deitar-se. Cada nobre tinha uma função específica nesses momentos e não poderia sair da etiqueta que era controlada com extremo rigor. Agindo dessa maneira em pouco tempo o Rei estava no controle total de sua nobreza. Nada dentro daquele palácio poderia acontecer sem sua ordem. 

Mas houve o outro lado ruim de toda essa exuberância da corte. A construção do Palácio de Versalhes, o luxo, o requinte sem limites, acabou quebrando as finanças do Estado francês. Louis XIV custava muito caro. Ele tinha milhares de roupas luxuosas, cavalos, artistas em sua folha de pagamento. Foi o maior mecenas da história! Era um homem que não admitia ter limites para sua gastança. Quando criticado por estar quebrando a economia do Estado Francês, ele se saiu com a frase que iria ser lembrada para sempre: "O Estado sou eu!". 

Louis XIV teve vários problemas de saúde. Alguns por causa de suas inúmeras amantes, pois teve muitas doenças venéreas, outras por causa de doenças naturais que vieram com a idade. Teve um sério problema de gota que praticamente apodreceu uma de suas pernas. A ferida gerava um fedor insuportável e o Rei, que havia se notabilizado também por seus caríssimos perfumes, ficou bem perturbado por isso. Morreu com a França quebrada por seus exageros. Ele literalmente gastou cada centava que havia no tesouro real. Não sobrou nada para seus sucessores. Louis XV, seu herdeiro, iria passar todo o seu reinado tentando consertar isso, mas não houve jeito. As sementes da Revolução Francesa estavam plantadas. Monarquia rica demais com um povo miserável, chegando a passar fome pelas ruas de Paris. Não poderia dar em outra coisa. 

Pablo Aluísio. 

Pedro, o Grande

Pedro, o Grande
Um dos mais celebrados líderes da história russa. Pedro realmente era um grande homem, além de ser um homem grande, literalmente falando. Estima-se que tinha mais de 2 metros de altura! Embora fosse um nobre e herdeiro do trono, Pedro ganhou o carinho do povo russo por causa de seu jeito de ser. Era um sujeito extrovertido, que se misturava no meio do povão, bebia com eles, dançava em suas festas, parecia mesmo amar os seus súditos. Era muito simpático no trato social, nada ameaçador ou tirânico. Todos pareciam gostar muito dele. Festeiro, gostava de andar com artistas de circo, tanto que tinha sua própria trupe de bobos da corte formada por anões, que o acompanhavam por toda parte. Então onde chegasse, Pedro trazia sua própria festa e animação. 

Quando se tornou Czar, Pedro decidiu que iria construir uma nova capital para o império russo. Estava cansado de Moscou, uma cidade que não lhe agradava. Ele amava a bela arquitetura e achava os prédios de Moscou muito feios! Assim começou as obras de sua adorada nova capital que iria se chamar São Petersburgo! O lugar para erguer essa grande cidade não poderia ser pior. Era uma região cheia de pântanos, mas Pedro, confiante que tudo iria dar certo, tocou o projeto em frente. O resultado de suas ambições pode ser conferida até os dias atuais. É a mais européia das cidades russas, com lindos palácios que atraem até hoje milhares de turistas todos os anos. 

Pedro era um homem de ação e provou isso inúmeras vezes. Além da construção de uma nova capital ele decidiu construir uma grande armada, uma nova marinha para a Rússia. Com muitos portos congelados pelo frio, a Marinha russa sempre foi a mais desprestigiada das armas, mas Pedro queria mudar isso. Construiu uma grande indústria naval e participou ativamente da construção de grandes barcos e navios de guerra. Agindo assim deu trabalho para milhares de russos que estavam desempregados, elevando a economia do país a um grande nível de prosperidade entre a parte mais pobre do império. 

Na política externa Pedro admirava muitos os grande países europeus ocidentais, principalmente a França e Inglaterra. De certa maneira copiou a arquitetura de grandes palácios como o de Versalhes, para as novas construções de sua capital. Gostava da Inglaterra e chegou a cogitar se casar com alguma princesa da casa real britânica, mas isso acabou não acontecendo. A Suécia, por outro lado, era a grande inimiga da Rússia, e Pedro entrou em guerra com essa nação algumas vezes, mas nada muito marcante. Pedro, o Czar que queria melhorar a Rússia, a mantendo mais próxima da Europa civilizada, morreu jovem e foi aclamado pelo povo russo em seu funeral. Foi um dos mais populares líderes daquela poderosa nação. 

Pablo Aluísio. 

sábado, 1 de março de 2025

Raul Seixas - Os Grandes Sucessos de Raul Seixas

Raul Seixas - Os Grandes Sucessos de Raul Seixas
Olhando para o passado, eu me lembro de ter tido esse disco em algum momento da minha vida. Entretanto, com o passar do tempo, a cópia simplesmente desapareceu da minha coleção. Isso me leva a crer que o disco na realidade era emprestado de alguém, e eu tive que devolver, mas não me lembro exatamente das circunstâncias. A memória do que realmente se passou se perdeu no tempo, infelizmente. De qualquer forma, me lembro perfeitamente que lá pelo começo dos anos 90 ouvi bastante esse LP. É um disco de coletânea, ou seja, de melhores sucessos. Um tipo de cartão de visitas a obra desse grande cantor e compositor brasileiro. 

Só que há também nesse repertório músicas menos óbvias, o que garante o interesse até mesmo para quem tem todos os discos de Raul Seixas. Algumas músicas que foram incluídas nesta seleção não estão em nenhum disco oficial do artista. Um exemplo? Let Me Sing, Let Me Sing. Então, obviamente, o interesse do colecionador da época do vinil se fazia presente. Enfim, curti muito esse LP e curti muito o rock magro de Raul Seixas. Ele foi certamente um dos grandes nomes do rock nacional em todos os tempos. Um baiano arretado que fazia música de muita qualidade.

Raul Seixas - Os Grandes Sucessos de Raul Seixas (1993)
Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás
Ouro De Tolo
Medo Da Chuva
Loteria Da Babilônia
Como Vovó Já Dizia (Óculos Escuros)
As Minas Do Rei Salomão
Let Me Sing, Let Me Sing
Gîtâ
Metamorfose Ambulante
Eu Também Vou Reclamar
Al Capone
Tente Outra Vez
Mosca Na Sopa
Dentadura Postiça

Pablo Aluísio.

RPM - Rádio Pirata

RPM - Rádio Pirata
O RPM foi o grupo de rock mais popular dos anos 80. Não foi o Legião Urbana, não foi o Paralamas do Sucesso, nenhuma dessas bandas, foi o RPM. Eles venderam mais cópias de seus discos do que qualquer outro conjunto nacional de rock, mas vamos também dizer outra verdade por aqui: Foi tudo fogo de palha! Pois é, os caras surgiram, fizeram enorme sucesso, lançaram apenas 2 discos de sucesso e afundaram no seu próprio ego! O RPM só teve dois grandes sucessos de vendas, o primeiro disco e esse aqui. Praticamente as mesmas músicas, sendo que o LP original trazia as músicas gravadas em estúdio e esse aqui trazia a versão ao vivo delas! E foi só isso mesmo... 

Foi ou não foi o maior fogo de palha da indústria fonográfica brasileira? Eu não tenho a menor dúvida disso. E também devo dizer que esses caras eram bem sem noção! No auge do sucesso, ao invés de administrar bem o sucesso do grupo, eles resolveram tomar rumos errados, como por exemplo, se afundarem em um mar de pó de cocaína! Incrível como certas pessoas não possuem a menor consciência de si mesmo e do sucesso. Pensam que tudo cai do céu, de graça. Pensando assim eles afundaram, brigando muito entre si, cheirando toneladas de coca, fazendo confusão... um horror! Até lançaram mais um álbum de músicas inéditas, mas esse disco não aconteceu, não fez sucesso! Nem demorou nada e já nos anos 80 eles estavam completamente acabados! O que mais posso dizer? Bem feito...

RPM - Rádio Pirata Ao Vivo (1986)
Revolução Por Minuto
Alvorada Voraz
A Cruz e a Espada
Naja
Olhar 43
Estação no Inferno
London London
Flores Astrais
Rádio Pirata

Erick Steve. 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

O Corvo (2024)

O Corvo (2024) 
Eu assisti a todas as versões desse personagem de quadrinhos, o Corvo. Posso até estar enganado, mas minhas primeiras lembranças desses filmes são dos anos 90. Curiosamente nunca consegui gostar de nenhum dos filmes que vi. Esse personagem definitivamente não me agrada. Acho as histórias muito rasas. O visual, a estética, são supervalorizadas, mas não há muito conteúdo envolvido. E nessa nova versão até mesmo a estética do personagem anda meio em baixa. Esqueça aquele Corvo do Brandon Lee, super maquiado, super produzido, mais se parecendo um rockstar gótico. O Corvo dessa nova versão não tem nada disso. É só um cara tatuado com rímel preto nos olhos. Mais nada! E isso me surpreendeu negativamente, afinal tinha aquela imagem do primeiro Corvo em minha mente. Quando ele finalmente se torna esse ser renascido das trevas a decepção é bem marcante. O cara continua praticamente na mesma. Cadê o visual Dark?

O resto segue na mesma ladainha de sempre. Se formos pensar bem esse é mais um enredo de vingança. Algo que foi usado pelo cinema um milhão de vezes, em especial nos filme de western (por mais incrível que isso possa parecer!). Matam a garota dele e ele quer vingança. Só que nem o romance do casal me convenceu muito. Os atores não tinham muita química para passar para a tela. Ficou meio falso esse amor! Assim nada me empolgou muito, pelo contrário, senti tédio em várias partes do filme. Esse Corvo definitivamente precisa de um transplante de penas, porque do jeito que ficou nem assusta, nem empolga, nem acende a paixão e nem muito menos causa terror. É tudo muito superficial e vazio. Enfim, mais um filme com o Corvo para eu colocar na minha coleção dos filmes que eu não gostei! Que venha o próximo... ou não! 

O Corvo (The Crow, Estados Unidos, 2024) Direção: Rupert Sanders / Roteiro: James O'Barr, Zach Baylin, William Josef Schneider / Elenco: Bill Skarsgård, FKA twigs, Danny Huston / Sinopse: Após sua morte um sujeito sombrio resolve voltar ao mundo dos vivos para vingar a morte da garota pela qual ele tinha um sentimento muito especial. 

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

A Substância

A Substância
Esse é o filme que de certa maneira ressuscitou a carreira da atriz Demi Moore. Ela inclusive foi indicada para prêmios importantes como o Globo de Ouro e o Oscar. Essa é uma situação bem inédita em sua longa filmografia, pois Demi sempre foi considerada uma atriz de filmes comerciais. Nunca ninguém havia levado seu trabalho muito à sério. E é uma espécie de ironia meio triste porque o papel que vem levantando sua filmografia agora é a de uma atriz decadente, envelhecida, que acaba sendo demitida do programa em que trabalha. Justamente um programa de atividade física e fitness que nos EUA é visto como um porto final para carreiras acabadas no cinema (vide o caso de Jane Fonda). 

Então sua personagem chega aos 50 anos sem muito futuro como atriz. Etarismo que de fato existe e muito em relação às mulheres, sendo inclusive muito cruel com elas quando atingem uma certa idade. Um tanto desesperada por uma saída na sua vida profissional, ela embarca em uma canoa furada, comprando uma substância que promete criar uma nova versão de si mesma, agora jovem, bonita, cheia do frescor e da beleza da juventude. Claro que vai dar muito errado, afinal tudo é feito de forma clandestina. Ela pega a tal substância em um beco sujo de Los Angeles. Não existe uma empresa se responsabilizando pelo procedimento, nada. Tudo feito às escuras, na clandestinidade. É arriscar para ver o que vai dar!

E obviamente essa atitude impulsiva vai resultar em muitos problemas. Sua versão mais jovem chamada Sue é, como era de se esperar, uma garota cheia de si, egocêntrica, vaidosa ao extremo, que odeia seu "lado mais velha". Logo vai se instaurar uma competição entre elas, tudo caminhando para um desfecho da história que eu qualificaria tranquilamente como Trash. Pois é, o filme que começa com uma reflexão sobre velhice e a busca obsessiva pela juventude eterna, acaba virando um banho de sangue digno dos mais violentos filmes slasher - embora eu confesse que não gostei nada da maquiagem do monstrengo que aparece no final. Achei mal feito! 

Assim esse filme traz essa mistura estranha. Um roteiro que levanta questões até filosóficas sobre o passar dos anos, aliado a um tanto vulgar desfecho do enredo onde tudo é exagerado, vulgar e grotesco! Fico até surpreso em ver um filme como esse concorrendo ao Oscar. Sim, porque esse é um filme de terror trash e não se engane sobre isso! O fato desse estilo cinematográfico chegar nos principais festivais de cinema mundo afora é de se espantar. Talvez a envelhecida geração de Hollywood tenta se identificado e muito com a história. Só não precisavam exagerar tanto no dose. Um filme mais sutil cairia muito melhor. 

A Substância (The Substance, Estados Unidos, 2024) Direção: Coralie Fargeat / Roteiro: Coralie Fargeat / Elenco: Demi Moore, Margaret Qualley, Dennis Quaid / Sinopse: Atriz envelhecida e decadente, entra em desespero ao entender que sua carreira está chegando ao fim. Então apela para uma empresa que promete vender beleza e juventude ao se tomar uma estranha substância. Ao fazer isso ela acaba selando seu destino, para um final muito trágico. Filme indicado ao Oscar em cinco categorias, entre elas Melhor Filme e Melhor Atriz (Demi Moore). 

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Herege

Herege
Esse é um item cada vez mais raro de encontrar. Estou me referindo a filmes de terror com roteiros inteligentes. Dentro do cinema atual é de uma grande raridade! É justamente o que temos aqui. A história começa com duas jovens garotas. Elas são Mórmons, missionárias da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Então, em sua rotina diária de visitar pessoas para tentar convertê-las à sua religião, elas vão parar numa casa, no meio da noite, embaixo de uma forte tempestade. O dono da casa as recebe muito bem e as convida para entrar. Elas explicam que só podem entrar numa casa se houver uma mulher presente. O sujeito sorri de forma carismática e diz que está acompanhado de sua esposa. Ela está fazendo uma deliciosa torta caseira. As jovens não precisam se preocupar. Tudo mentira! A armadilha vai então se fechando. 

O diferencial maior desse filme vem dos diálogos bem construídos, especialmente do dono da casa. Esse papel provavelmente é um dos melhores da carreira de Hugh Grant. Ele está ótimo em cena. É aquele tipo de pessoa que parece ser muito simpática, inofensiva, quase boba, mas que no fundo esconde algo bem sinistro e macabro. Por trás do sorriso se escondem as piores intenções! Então ele começa a conversar com as mocinhas e vai colocando para elas os "podres" de sua própria religião. E nesse campo realmente essa Igreja tem muitos esqueletos no armário. O constrangimento invade a sala de visitas. 

Conversa vai, conversa vem e nada da tal esposa aparecer. O personagem de Grant parece muito disposto a convencer as jovenzinhas que toda religião é no fundo apenas um instrumento para dominação e poder. Só que teorizar apenas não é o suficiente, ele quer mostrar tudo na prática. E o terror começa. As jovens ficam em pânico e com razão. Descer aos porões daquele lugar vai deixar as mocinhas em uma situação extrema, de busca pela sobrevivência! 

Gostei muito desse filme. Um terror acima da média. Excelente filme, sem favor algum. Roteiro muito bem construído, uma armadilha, um labirinto, mas tudo desenvolvido com inteligência. A discussão sobre a falsidade das religiões é uma cereja de bolo para um suspense onde tudo funciona. É terror intelectual em essência, embora na terça parte final quase vire um slasher daqueles. Uma combinação explosiva que funciona muito bem! Para algumas pessoas, de fato, descobrir que sua religião pode ser apenas um embuste, uma fraude, pode ser realmente algo muito assustador! Tem que ter coragem para encarar algo assim. E no final, a realidade, acaba mesmo se impondo, não tem jeito! 

Herege (Heretic, Estados Unidos, Canadá, 2024) Direção: Scott Beck, Bryan Woods / Roteiro: Scott Beck, Bryan Woods / Elenco: Hugh Grant, Sophie Thatcher, Chloe East / Sinopse: Duas missionárias da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos últimos Dias visitam a casa de um sujeito que no começo parece ser bem amistoso e amigável. Ele as convida para entrar. Péssima ideia. Lá dentro as duas jovens garotas caem em uma verdadeira armadilha de puro terror. Filme indicado ao BAFTA na categoria de melhor ator (Hugh Grant). 

Pablo Aluísio. 

O Demônio de Gelo

O Demônio de Gelo
Depois de dez anos desaparecido, o corpo de um homem é encontrado numa montanha gelada da Sibéria, na Rússia. Imagine-se obviamente que esteja morto, mas para surpresa da equipe médica que presta os primeiros exames, ele se encontra apenas em coma profundo. Depois de algumas semanas de tratamento não há muito o que fazer. Ele é levado para a casa de sua ex-mulher e filha que agora vivem uma outra realidade, pois ela se casou com um outro homem. Então o sujeito fica ali, em coma, dentro de um quarto da casa. E não demora muito a acontecer estranhas coisas pelos corredores escuros daquela velha casa isolada e gelada. 

Filme de terror russo que vai pela linha do terror psicológico e se sai bem nesse caminho. O roteiro é bem escrito, explorando o passado como algo a se esconder. A peça chave é a própria ex-esposa que tem literalmente alguns esqueletos no armário para esconder. Já a filha adolescente sofre pela nova situação. Ela mal conheceu seu pai que ficou desaparecido por anos e anos. Agora precisa lidar com ele, em coma, na sua casa! Complicado! 

Pena que esse monstro de gelo aí do poster não apareça. Como eu disse, esse é um filme de terror psicológico e não um slasher. Então o monstro só aparece no poster mesmo, é uma isca para atrair a atenção do público. Ainda assim, não vou tirar pontos desse filme. Eu gostei do que vi. Um filme com roteiro inteligente que em momento algum desmerece a capacidade do público em entender tudo o que está acontecendo. Pois é, a violência doméstica, pode mesmo ser um horror para quem a vivencia em casa. No fundo, no fundo, é disso que essa história se trata. 

O Demônio de Gelo (Ledyanoy demon, Rússia, 2021) Direção: Ivan Kapitonov, Cindy Robinson / Roteiro: Natalya Dubovaya, Ivan Kapitonov, Artem Mikhailov / Elenco: Alina Babak, Olga Lomonosova, Aleksey Rozin / Sinopse: Após dez anos desaparecido, um homem é encontrado, em coma, no alto de uma montanha gelada na Sibéria. Levado para a casa de sua ex-mulher e filha, logo começam a acontecer fenômenos estranhos no lugar. 

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

O Filho do Proscrito

Não é muito comum westerns que se concentrem na complicada relação entre pai e filho. Pois bem, esse é o tema central de “O Filho do Proscrito”, bom faroeste que une as referências obvias do estilo com um roteiro bem escrito, priorizando muito mais o sentimento e as relações familiares de seus personagens. Jeff Blaine (Ben Cooper) é um garoto criado pela sua tia Ruth (Ellen Drew). Ela assumiu a guarda do garoto depois da morte de sua mãe em um acidente de cavalo. Já o seu pai é um famoso pistoleiro, um fora-da-lei, proscrito que passou muitos anos sem ver o filho até que numa tarde adentra novamente em sua cidade natal para finalmente conhecer o garoto. Logo a notícia se espalha no local pois Nate Blaine (Dane Clark) tem todo um longo histórico de crimes em seu passado. No começo o menino fica meio desconfiado mas o sangue fala mais alto e em pouco tempo ambos estão desfrutando de uma aproximação muito forte e intensa. O problema é que sendo Nate um renegado ele não tem muita saída. Após um assalto na cidade (ao qual não participou) ele logo é apontado como um dos responsáveis. Preso, não vê outra saída a não ser fugir para escapar da forca.

Passam-se os anos e o pequeno Jeff logo se torna um homem. Para surpresa de todos ele resolve ir pelo caminho oposto ao trilhado pelo seu pai e se torna um homem da lei, um auxiliar de xerife na cidade. Curiosamente assim que recebe sua estrela de bronze começam a surgir boatos de que seu pai está pela região, assaltando diligências e aterrorizando viajantes. Estaria o jovem pronto para enfrentar seu pai agora que estão de lados opostos da lei? “O Filho do Proscrito” assim se desenvolve e se aproveita de várias reviravoltas na trama, o que não deixa o filme cair no marasmo ou no clichê. Gostei particularmente da postura do pai em relação ao seu filho. Mesmo sendo um bandido, um fora-da-lei ele nunca deixa em momento algum de se preocupar pelo futuro e bem estar do jovem. Chega inclusive ao ponto de se colocar em risco para proteger de alguma forma seu único e precioso filho. Dessa maneira se você estiver em busca de um western com toques de drama familiar “O Filho do Proscrito” é de fato uma excelente opção.

O Filho do Proscrito (Outlaw's Son, EUA,1957) Direção: Lesley Selander / Roteiro: Richard Alan Simmons baseado na novela escrita por Clifton Adams / Elenco: Dane Clark, Ben Cooper, Lori Nelson, Charles Watts, Ellen Drew / Sinopse: Filho de um famoso pistoleiro e fora-da-lei se torna um auxiliar de xerife. Agora terá que enfrentar seu pai que está cometendo vários crimes na região.

Pablo Aluísio.

A Tribo Misteriosa

Título no Brasil: A Tribo Misteriosa
Título Original: Daredevils of the West
Ano de Produção: 1943
País: Estados Unidos
Estúdio: Republic Pictures
Direção: John English
Roteiro: Ronald Davidson, Basil Dickey
Elenco: Allan Lane, Kay Aldridge, Eddie Acuff

Sinopse:
1880, Canyon City. June Foster (Kay Aldridge) é a proprietária de uma companhia de diligências no velho oeste. Seu plano é expandir seu negócio, abrindo um novo caminho bem no meio de terras selvagens ocupadas por uma tribo comanche hostil. Para isso dar certo ela terá que não apenas transportar seus passageiros com segurança como também superar os interesses de posseiros que desejam tomar o lugar para montar suas próprias fazendas. O conflito de interesses leva June a pedir apoio com o Capitão Duke Cameron (Allan Lane), comandante da cavalaria na região. 

Comentários:
Western interessante produzido pelo extinto estúdio Republic Pictures que foi uma das companhias cinematográficas mais importantes do surgimento do cinema americano. Fundada em 1935 realizou ao todo quase mil filmes até ter suas portas fechadas em 1959 com o melancólico "Ghost of Zorro". O curioso é que na sua primeira montagem "Daredevils of the West" originou um copião com 196 minutos, considerado excessivo pelos produtores do estúdio. Não haveria como tornar um filme tão longo bem sucedido comercialmente. A solução encontrada pela Republic foi então transformar a estória em uma série de matinê, com 12 episódios (que infelizmente estão perdidos atualmente). O que sobreviveu ao tempo foi justamente essa versão completa do diretor John English. A fita é estrelada pelo ator Allan Lane (não vá confundir com Alan Ladd de "Os Brutos Também Amam" de 1953) e Kay Aldridge, bonita starlet, modelo de sucesso nos anos 1930 que se casaria pouco tempo  depois, abandonando sua carreira de atriz apenas dois anos após a realização desse faroeste, se despedindo com o cult "Fantasma da Rua 42" de Albert Herman.

Pablo Aluísio.