O Estouro da ManadaAlguns filmes da era de ouro do western americano eram verdadeiras homenagens ao estilo de vida do cowboy, aquele bravo que atravessava as mais inóspitas regiões para levar seu gado até a fronteira, onde era finalmente comercializado e vendido para os grandes centros. Esse “O Estouro da Manada” é uma das mais sinceras odes que já assisti em relação ao vaqueiro das pradarias. No enredo um garoto mimado e chato, filho do dono da ferrovia, chamado Chester, se perde no meio do deserto, um dos lugares mais hostis do mundo. Nessa região ele é encontrado por acaso pelo cowboy Dan Matthews (Joel McCrea). O vaqueiro está atrás de um mustang negro selvagem que ele gosta de chamar de “Midnight”. De inicio o garoto rico se faz de arrogante e esnobe com o velho cowboy, mas conforme ambos vão convivendo juntos a relação de amizade muda de tom. A busca pelo cavalo e o trabalho duro de se tocar o gado no meio do deserto acaba criando no jovem rapaz um espírito completamente diferente, de honradez e trabalho. O antes prepotente e irascível garoto acaba se transformando em um homem de verdade, forjado no cotidiano da vida dos cowboys americanos, aqui personificado com maestria pelo ídolo Joel McCrea.
O filme tem lindas sequências ao ar livre. “O Estouro da Manada” foi rodado no Vale da Morte na Califórnia, um dos lugares mais secos do planeta. Mesmo assim a natureza em todo seu esplendor acaba proporcionando para a filmografia da produção um lindo cenário natural. No fundo o roteiro trata sobre o aprendizado de um jovem com um homem mais velho que acaba lhe ensinando grandes valores através de pequenas coisas que acontecem no cotidiano de um cowboy. Enquanto tenta chegar em Santa Fé para entregar a manada o cowboy Dan e seu pupilo vão aprendendo sobre a vida e os valores do homem que vive de seu trabalho, tocando o gado pelas terras sem fim do oeste americano.
Para os fãs do ator Joel McCrea o filme é uma ótima opção. Seu personagem é um vaqueiro que tem o sonho de abrir um rancho próprio para uma criação de cavalos. Por isso ele tentará durante todo o filme capturar Midnight, o cavalo selvagem puro sangue que sempre consegue lhe escapar. A seqüência final, com o estouro de uma enorme manada pelo deserto é maravilhosamente bem realizada. Um clímax mais do que adequado para esse filme que louva com muito sucesso o mais simbólico personagem do velho oeste americano: o cowboy!
O Estouro da Manada (Cattle Drive, Estados Unidos, 1951) Direção: Kurt Neumann / Roteiro: Jack Natteford, Lillie Hayward / Elenco: Joel McCrea, Dean Stockwell, Chill Wills, Leon Ames, Henry Brandon, Howard Petrie / Sinopse: Garoto rico e mimado é esquecido no meio de deserto após o trem que o transportava lhe esquecer durante uma parada. Perdido no meio do nada, ele é salvo por um cowboy, Dan (Joel McCrea), que está no local tocando uma manada de gado em direção a Santa Fé. Juntos, atravessando o deserto, o jovem rapaz irá começar a mudar sua atitude e mentalidade ao tomar conhecimento do modo de viver dos cowboys americanos.
Pablo Aluísio.
Em Cartaz: O Estouro da Manada O western Cattle Drive estreou nos cinemas em 1951, dirigido por Kurt Neumann e estrelado por Joel McCrea, com Dean Stockwell em um papel de destaque ainda adolescente. Produzido pela 20th Century Fox, o filme acompanha uma longa travessia de gado pelo Oeste americano, durante a qual um jovem problemático aprende, por meio do trabalho duro e da convivência, valores como responsabilidade e liderança. Desde o lançamento, o longa foi apresentado como um western de tom clássico, com forte componente moral e educativo.
Em termos de bilheteria, Cattle Drive teve um desempenho modesto, porém respeitável, típico de produções do gênero naquele início dos anos 1950. Não figurou entre os maiores sucessos do estúdio, mas encontrou bom público em sessões regulares e circuitos regionais, especialmente entre espectadores habituais de westerns. Para a Fox, o filme cumpriu seu papel como um produto sólido, com retorno seguro e boa circulação internacional.
A recepção crítica na época foi geralmente positiva, ainda que discreta. A revista Variety descreveu o filme como “um western competente e bem ritmado, sustentado por personagens claros e um conflito moral direto”, destacando sua eficiência narrativa. Já alguns jornais americanos ressaltaram o equilíbrio entre ação e drama humano, observando que o filme evitava excessos melodramáticos comuns em histórias de formação juvenil.
Grande parte dos elogios concentrou-se na atuação de Dean Stockwell, que chamou atenção da crítica por sua maturidade dramática. Um comentário recorrente na imprensa afirmava que o jovem ator oferecia “uma interpretação convincente e surpreendentemente intensa para sua idade”. Joel McCrea, por sua vez, foi elogiado por manter seu tradicional estilo sóbrio e firme, funcionando como uma figura de autoridade moral dentro da narrativa.
Com o passar dos anos, Cattle Drive (1951) passou a ser visto como um western clássico de formação, representativo da fase em que o gênero valorizava disciplina, amadurecimento e ética do trabalho. As críticas publicadas na época já indicavam que o filme não buscava inovação, mas sim reafirmar valores tradicionais do western hollywoodiano. Hoje, ele é lembrado principalmente pelo início promissor da carreira de Dean Stockwell e como um exemplo sólido do cinema de estúdio americano do pós-guerra.