sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Super/Man: A História de Christopher Reeve

Super/Man: A História de Christopher Reeve
Essa história eu acompanhei! Não foi por livro, nem por filme, mas sim no noticiário diário. Uma história bem triste para falar a verdade. O ator Christopher Reeve sempre será lembrado pelos quatro filmes que fez interpretando o Superman. Os dois primeiros são clássicos modernos da sétima arte. Filmes maravilhosos! Depois ele foi curtir uma carreira com poucos (e bons) filmes e uma aposentadoria tranquila. Isso até o dia em que seu cavalo, em uma competição de hipismo, resolveu parar bruscamente bem em frente a um obstáculo. Reeve não parou... foi arremessado pela frente pelo principio da inércia. Seu pescoço girou, houve ferimentos gravíssimos na coluna e ele ficou tetraplégico pelo resto de seus dias! 

Imagine como foi o drama desse ator, um sujeito alto e bonitão, que interpretou o maior dos super-heróis, tendo que viver assim, com necessidades especiais. Nesse momento de sua vida ele de fato mostrou grandiosidade. Não desistiu, lutou até o final de seus dias, teve esperanças. Um verdadeiro herói do mundo real. Bom, essa não é uma história com final feliz, mas é uma história que engrandece a alma humana. Nesse aspecto Christopher Reeve também jamais será esquecido! 

Super / Man - A História de Christopher Reeve (Super/Man: The Christopher Reeve Story. Estados Unidos, 2024) Direção: Ian Bonhôte, Peter Ettedgui / Roteiro: Ian Bonhôte, Otto Burnham / Elenco: Christopher Reeve, Dana Reeve, Robin Williams, Susan Sarandon, Glenn Close / Sinopse: Esse documentário conta a história do ator Christopher Reeve e o drama que viveu após um acidente envolvendo um cavalo em uma competição de hipismo. Ele perdeu os movimentos e tentou se reerguer de uma tragédia sem precedentes em sua vida. O documentário também mostra sua amizade com o ator Robin Williams e a força que sua esposa e sua família tiveram nesse momento terrível de sua vida. Filme premiado pelo BAFTA Awards na categoria de Melhor Documentário. 

Pablo Aluísio. 

A Dança das Paixões

A Dança das Paixões
Drama dos anos 90 que havia me escapado na época, mas que agora assisti pela primeira vez em streaming. Um daqueles filmes bem humanos, valorizado pelas ótimas atuações, principalmente do elenco feminino, aqui liderado pela sempre ótima Meryl Streep. Ela é a irmã mais velha de um grupo de mulheres que já poderiam ser chamadas de balzaquianas. Todas vivem numa pequena propriedade rural no interior da Irlanda. Não é uma vida fácil, ainda mais quando não se tem um marido dentro daquela sociedade altamente patriarcal e machista. Elas porém não desistem de viver e seguir em frente, cada uma em busca de seus sonhos. 

Há toda aquela repressão moral que bem estamos acostumados e ver em sociedades dominadas pela religião católica, sempre estigmatizando principalmente as mulheres e sua vida sexual. As mais reprimidas ficam ainda mais contidas, as mais jovens não querem seguir os passos de suas irmãs mais velhas. Querem namorar, dançar, se casar, se possível. E assim, dentro do microcosmo que se desenvolve dentro daquela casa a história do filme se desenvolve. Tudo muito humano, bem escrito, bem atuado. Gostei muito desse drama do cinema europeu. Um filme para se redescobrir nos dias atuais. 

A Dança das Paixões (Dancing at Lughnasa, Reino Unido, Irlanda, 1998) Direção: Pat O'Connor / Roteiro: Frank McGuinness, Brian Friel / Elenco: Meryl Streep, Michael Gambon, Gerard McSorley / Sinopse: Na década de 1930 um grupo de mulheres irlandesas levam a vida no meio rural daquele país. Sua história é recontada através das lembranças de um garoto, que viveu aqueles tempos no passado hoje distante. 

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Venom 3: A Última Rodada

Venom 3: A Última Rodada 
Lamento dizer, mas essa franquia virou puro besteirol! Não tem outro ponto de vista. É uma daquelas comédias bem sem graça. Eu não sei qual é o problema desses roteiristas, mas o fato inegável é que eles enchem esses filmes de super-heróis (ou super vilões, dependendo do observador) com um monte de piadinhas pra lá de chatas! Esse Venom não tem muito prestígio entre nerds que curtem quadrinhos e talvez por isso ninguém leve seus filmes muito à sério. Tudo bem, quer fazer piadinhas, fique à vontade, mas não exagerem como vemos aqui. 

Afinal se alguém quiser assistir uma comédia vai atrás de uma de verdade e não de um filme que usa o universo dos quadrinhos para ficar desfilando aquele tipo de humor que só dá origem a sorrisinhos amarelos e constrangedores. O personagem do Vernom (que pertence ao universo do Homem-Aranha) pode não ser grande coisa, mas bem que poderiam fazer algo melhor com ele no cinema. Do jeito que está, ficou ruim! Enfim, chega de palhaçada, pessoal da Marvel! 

Venom 3: A Última Rodada (Venom: The Last Dance. Estados Unidos, 2024) Direção: Kelly Marcel / Roteiro: Kelly Marcel / Elenco: Tom Hardy, Chiwetel Ejiofor, Juno Temple / Sinopse: Uma força maligna e de origem extraterrestre está atrás de Venom pois esse tem a chave para sua destruição cósmica completa. E ele vai precisar agora sobreviver a um ataque mortal vindo do espaço sideral. 

Pablo Aluísio. 

Code 8: Renegados - Parte II

Code 8: Renegados - Parte II
Não assisti ao primeiro filme. Por isso peguei a história já se desenrolando. Só que não fique receoso se também não viu a Parte I. Pouca gente viu na verdade. Dá para acompanhar esse filme sem problemas. O que você precisa saber é que Los Angeles vive uma realidade distópica, no futuro. Os policiais estão abrindo espaço para robôs. E nessa história do segundo filme somos apresentados a cães policiais robôs! Eles não fariam mal a nenhum ser humano caso ele levantasse seus braços, em gesto simbólico que tão bem conhecemos. 

Só que nesse tipo de filme as coisas não funcionam assim! Há tiras corruptos nas ruas e não demora nada para eles utilizarem esses caninos de lata e software em seus próprios interesses. Achei o filme, digamos, bacaninha. Nada demais, nenhuma grande novidade, mas com um pouco de boa vontade dá para assistir numa boa, um daqueles prazeres sem culpas que recheiam canais de streaming como a Netflix! É uma obra Sci-Fi sem maiores pretensões. Só quer divertir e não fazer sociologia. Não é Blade Runner, longe disso. Vale uma espiada se não houver mais nada para assistir na plataforma. 

Code 8: Renegados - Parte II (Code 8: Part II. Estados Unidos, 2024) Direção: Jeff Chan / Roteiro: Jeff Chan / Elenco: Robbie Amell, Stephen Amell, Alex Mallari Jr. / Sinopse: Em um futuro caótico e violento, as forças policiais apresentam para a sociedade sua nova linha de robôs, prontos para combater o crime. O que as pessoas não sabem é que esses mesmos mecanismos vão ser usados por tiras corruptos para facilitar suas operações criminosas. 

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

O Devorador de Almas

O Devorador de Almas 
Um casal de policiais investiga um estranho caso em uma pequena cidade. Seis crianças estão desaparecidas. Além disso uma série de estranhos assassinatos começam a ocorrer. Em um deles, um casal parece ter tido um surto psicótico, se ferindo até a morte, sem nenhuma razão aparente. E uma estranha lenda local envolvendo um demônio da floresta conhecido como "O Devorador de Almas" parece sempre estar sendo invocado nos lugares dos crimes. Sua pequena estatueta sempre está lá, perto dos corpos! Para piorar o que já era bem ruim, aquela comunidade interiorana parece esconder algo. Nem os policiais locais parecem dignos de confiança. Um clima pesado paira naquele lugar perdido. 

Um bom filme! Gostei realmente. O roteiro joga o tempo todo com a percepção do espectador. No começo parece ser mais um daqueles filmes de terror com monstros sobrenaturais. Esse aqui apresenta uma estranha figura, com enormes chifres e corpo parecido com o de troncos de árvores, afinal é um tipo de divindade demoníaca que habita as florestas da região. Mas calma, não vá tirando conclusões precipitadas. O roteiro tem muito mais a oferecer, conforme a história avança. De minha parte gostei realmente, principalmente pelo opção do roteiro em armar um enredo policial com os pés no chão. No caso aqui o realismo foi mais conveniente do que o simples fantástico sobrenatural. Por essa razão o filme ganhou muitos pontos positivos em minha visão. 

O Devorador de Almas (Le Mangeur D'âmes. França, 2025) Direção: Alexandre Bustillo, Julien Maury / Roteiro: Alexandre Bustillo / Elenco: Virginie Ledoyen, Paul Hamy, Sandrine Bonnaire, Francis Renaud, Malik Zidi / Sinopse: Dois policiais passam a investigar estranhos casos ocorridos no sul da França. São vários assassinatos e crianças desaparecidas. Haveria alguma ligação entre todos esses crimes?

Pablo Aluísio. 

Abismo do Terror

Abismo do Terror
Nos anos 80 eu assisti a muitos filmes, mas igualmente muitos passaram em branco, me escaparam. Esse foi um deles! Eu me lembro que a crítica de um modo em geral desceu a lenha no filme. Agora que finalmente assisti, posso dizer que toda a pancadaria foi bem merecida. Sim, "Abismo do Terror" é bem ruim! É uma espécie de primo pobre de "O Segredo do Abismo" do James Cameron, esse sim já considerado um clássico moderno do Sci-Fi. Era uma cópia barata, vamos falar a verdade por aqui, ser bem sinceros! 

O que mais me chocou aqui foi a pobreza da produção. Não esperava por isso, afinal o filme foi produzido pela Carolco, que nos anos 80 chegou a ser uma das companhias cinematográficas mais bem sucedidas. Eles produziram, entre outros, os dois primeiros filmes do Rambo. Grande sucessos de bilheteria. Só que aqui realmente não havia muito dinheiro em caixa. E isso é um problemão se você quer contar a história de uma expedição submarina da Marinha dos Estados Unidos. Eles estão procurando por regiões seguras para implantar uma base de mísseis. Só que as coisas dão erradas e então alguns seres de alta profundidade surgem, animais ainda desconhecidos pela ciência. E então nesse momento o filme passa pelo maior mico. O tal bichano mais se parece com uma lagosta mal feita, saída de algum desfile de escola de samba da terceira divisão. Quando a tal criatura surgiu na tela eu dei uma risada alta! Que bonecão mal feito, pelo amor de Deus... Depois disso fiz uma força danada para chegar ao final desse filme que é realmente muito ruinzinho... ruim de doer! 

Abismo do Terror (DeepStar Six. Estados Unidos, 1989) Direção: Sean S. Cunningham / Roteiro: Lewis Abernathy, Geof Miller / Elenco: Greg Evigan, Nancy Everhard, Taurean Blacque / Sinopse: Equipe da Marinha em expedição de altas profundidades acaba libertando seres desconhecidos da ciência. 

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

O Dia da Desforra

Título no Brasil: O Dia da Desforra
Título Original: La Resa Dei Conti
Ano de Produção: 1966
País: Itália, Espanha
Estúdio: Produzioni Europee Associati (PEA)
Direção: Sergio Sollima
Roteiro: Franco Solinas, Fernando Morandi
Elenco: Lee Van Cleef, Tomas Milian, Walter Barnes

Sinopse:
Jonathan Corbett (Lee Van Cleef) é um caçador de recompensas implacável. Em pouco tempo ele consegue eliminar todos os maiores bandoleiros, assaltantes e bandidos do Texas. Não tarda muito e sua fama atravessa as fronteiras e se espalha, o que o leva a se tornar um nome forte para uma candidatura ao senado. Para isso porém ele precisa de apoio financeiro de ricos grupos e acaba encontrando em uma empresa de construção de ferrovias. Antes que isso aconteça ele resolve ir em uma última caçada mortal.

Comentários:
"La Resa Dei Conti" é também um western Spaghetti recorrente em listas dos melhores faroestes feitos na Europa. Com roteiro muito bem trabalhado, mais do que o habitual no gênero, o filme explora a vida dos caçadores de recompensas do velho oeste, além de tratar muito bem sobre os podres bastidores da política. A lição do texto é simples, não adianta você se considerar um homem íntegro e honesto, ao se meter no meio da chamada grande política você certamente se corromperá, mais cedo ou mais tarde. Quem porém está em busca de uma boa diversão ao velho estilo não se decepcionará pois o filme tem ótimas sequências de caçada humana, com uma fotografia muito bonita, apesar da triste desolação daquele lugar esquecido por todos (afinal de contas esse é outro spaghetti filmado no deserto de Andalucía, local preferido por diretores italianos por se assemelhar bastante aos desertos americanos). Outro destaque vem com Lee Van Cleef. Um ator americano subestimado em seu país que acabou se consagrando nos filmes italianos da época. Aqui ele está completamente à vontade em um papel que é um verdadeiro presente para qualquer intérprete.

Pablo Aluísio.

Atiradores do Texas

Título no Brasil: Atiradores do Texas
Título Original: The Texas Rangers
Ano de Produção: 1936
País: Estados Unidos
Estúdio: Paramount Pictures
Direção: King Vidor
Roteiro: King Vidor, Elizabeth Hill
Elenco: Fred MacMurray, Jack Oakie, Jean Parker

Sinopse:     
Jim Hawkins (Fred MacMurray) e seu parceiro Wahoo Jones, são dois ladrões de diligências que resolvem fugir para o Texas, onde pretendem se encontrar com um ex-membro de sua quadrilha, Sam McGee (Lloyd Nolan). No novo estado descobrem que as coisas não serão simples, pois na região atua um grupo de Texas Rangers durões, que não admitem roubos e crimes nas redondezas.

Comentários:
Um bom faroeste sobre redenção e desejo de começar tudo de novo na vida. Os dois principais personagens são bandidos que depois que se mudam para o Texas começam a pensar em se unir ao grupo Texas Rangers, ou seja, homens da lei. Usando da conhecida frase: "Se não pode destruí-los, junte-se a eles", o diretor King Vidor (que inclusive criou a estória e o enredo do filme), tenta colocar em prova a tese de que antigos foras da lei não conseguiriam andar na linha, mesmo que isso fosse vantajoso para suas vidas. Um tipo de defesa de um suposto DNA criminoso! Teorias sociológicas à parte, o que temos aqui é um bom western, valorizado pela presença do subestimado ator Fred MacMurray. Um artista muito eclético, que desfilou por praticamente todos os gêneros, inclusive em filmes da Disney nos anos 60. Aqui ele está bem jovem e com pinta de se tornar um galã de esporas, algo que não se confirmou. De qualquer forma pelo talento de King Vidor, assistir a fita vale muito a pena, mesmo nos dias de hoje. É diversão ao velho estilo na certa.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

E Deus Criou a Mulher

E Deus Criou a Mulher
Nesse clássico do cinema francês a atriz Brigitte Bardot interpreta uma jovem que viveu toda a sua vida em um orfanato. Ela cresceu, se tornou uma bela mulher e agora vive em uma pequena e pacata cidade no litoral da França. Ela passa a trabalhar em uma pequena livraria e sendo a mulher mais bonita da região, começa a ser cortejada e cobiçada por vários homens, entre eles um coroa endinheirado e dois jovens irmãos, que são apaixonados por ela. Só que a garota não quer esse tipo de compromisso, quer viver sua vida livremente, sem as amarras de um compromisso sério. O problema é que a pressão volta, quando ela é ameaçada a ser levada de volta ao orfanato (afinal ainda é menor de idade). Então ela se casa com aquele irmão mais jovem que se declara apaixonada por sua beleza, uma decisão que não vai ser a mais certa de sua vida, como ela logo passará a entender. 

Esse filme definiu toda a imagem de símbolo sexual de BB. Ela foi, ao lado de Marilyn Monroe, o maior símbolo sexual dos anos 60. E estava muito jovem quando fez esse filme. Uma beleza toda natural, jovial, nada artificial. Penso inclusive que o diretor Roger Vadim não aproveitou todo o potencial que ela tinha no cinema naquela época. Ao invés de privilegiar os closes naquele rosto perfeito, preferiu longos tomadas de cena ao longe, para mostrar toda a bela natureza da região onde o filme foi rodado. Ainda assim o espectador não consegue mesmo tirar os olhos de Bardot. Ela é toda sensualidade, um misto de garota travessa com mulher estonteante. Mesmo sendo a mais bonita moradora daquela pequena cidade, ela rejeita o glamour, ainda gosta de andar de bicicleta, com os pés descalços. Toda livre! Logo na primeira cena surge nua, tomando sol no quintal de sua casa. O público masculino dos anos 60 suspirava com essas aparições de Bardot no cinema. Não foi à toa que ela se tornou um ícone da beleza e sensualidade em sua época. E esse filme foi seu cartão de visitas definitivo. 

E Deus Criou a Mulher (Et Dieu... créa la femme. França, 1956) Direção: Roger Vadim / Roteiro: Roger Vadim, Raoul Lévy / Elenco: Brigitte Bardot, Curd Jürgens, Jean-Louis Trintignant / Sinopse: Uma bela jovem francesa encanta os homens de sua cidade por causa de sua beleza estonteante e seu modo de ser, sempre em busca da liberdade pessoal. 

Pablo Aluísio. 

...E O Vento Levou

Depois de quatro horas de filme, a sensação é de puro êxtase. Não há um mortal sequer que consiga ficar indiferente ao filme mais famoso e popular de Hollywood. Baseado no romance homônimo de Margareth Mitchel e vencedor do Prêmio Pulitzer de 1937,  "... E o Vento Levou" (Gone With The Wind - 1939) é daqueles filmes onde tudo funciona, tudo se encaixa perfeitamente e o time de atores, juntamente com os diretores, produtor e roteirista, forma uma espécie de mosaico que beira à perfeição. O longa é ambientado no início da Guerra da Secessão (1861-1865) e conta a vida de Gerald O'Hara um imigrante irlandês que fez fortuna e vive em sua mansão,Tara, na Georgia, sul dos EUA, junto com sua filha adolescente, Scarlett O'Hara (Vivien Leight).

A jovem Scarlett nutre uma paixão crônica e doentia por Ashley Wilkes. Porém o que ela não sabe é que Wilkes está de casamento marcado com a sua própria prima. Em meio a um verdadeiro redemoinho de paixões, mágoas e ressentimentos que coincidem com o início da guerra, surge o indefectível Rhett Buttler (Clark Gable), um espertalhão que diante do conflito, não toma partido para nenhum lado. Na verdade Rhett é um misto de mulherengo, cínico e mau-caráter que mantém sem muito esforço, correndo em suas veias, muito humor, além de doses generosas de testosterona.

O clássico tem cenas inesquecíveis como o grandioso incêndio que torra a cidade de Atlanta, facilitando a invasão dos Ianques do norte e levando os Confederados e escravocratas sulistas ao desespero. Destaque também para a trilha sonora de acordes celestiais assinada por Max Steiner. A música, derrete, como fogo de maçarico, os corações humanos mais duros. Mas a estrela do grande épico é a espevitada Scarlett O'Hara, papel que caiu no colo de  uma inglesinha, nascida na Índia, chamada Vivian Leigh. A excepcional atriz - que doze anos mais tarde brilharia junto com Marlon Brando no clássico "Uma Rua Chamada Pecado" (1951) - disputou de forma incansável a concorrida vaga para o papel de Scarlett O'Hara com gente não menos ilustre como: Katharine Hepburn, Bette Davis e Lana Turner. A disputa foi tão acirrada que Vivien só conseguiu a vaga quando as filmagens já haviam começado. Vivien foi uma escolha pessoal do todo poderoso produtor David Selznick e brilhou intensamente na pele de uma Scarlett O' Hara  histriônica e mimada.

Outro destaque fica por conta de Clark Gable, que aqui vive seu personagem mais famoso (Rhett Butler). Na verdade a primeira escolha para viver Rhett recaiu sobre Errol Flynn que era um desejo pessoal do produtor David O' Selznick. Mas diante da negativa da Warner em liberar Flynn e de um pedido pessoal de Carole Lombard - que era esposa de Gable e amiga pessoal de Selznick - Clark , finalmente foi o escolhido. Reza a lenda que Clark relutou muito em aceitar o famoso papel, já que estava com 38 anos e não queria encarnar nas telas um sujeito malandro e conquistador de uma adolescente. Outra maravilha fica por conta da fotografia em Technicolor da dupla Ernest Haller e Ray Rennahan que além de representar uma revolução para a época, hipnotizou as plateias de todo o mundo. O clássico teve treze indicações ao Oscar, mas levou "apenas" dez. Um filme realmente extraordinário.

... E O Vento Levou (Gone with the Wind, EUA, 1939) Direção: Victor Fleming / Roteiro: Sidney Howard baseado na novela de Margaret Mitchell / Elenco: Clark Gable, Vivien Leigh, Olivia de Havilland, Thomas Mitchell, George Reeves / Sinopse: As paixões, lutas e glórias de uma família americana durante os terríveis anos da Guerra Civil.

Telmo Vilela Jr.