sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Elvis Presley - Elvis (1956)

Elvis (1956) - Segundo disco da carreira de Elvis Presley. Com o sucesso alcançado pelo seu primeiro disco e pelos singles "Heartbreak Hotel / I Was the One", "I Want You, I Need You,I Love You / My Baby Left Me" e "Don't Be Cruel / Hound Dog" Elvis conseguia o feito de emplacar quatro discos consecutivos entre os dez mais, sendo considerado já a aquela altura um fenômeno não só musical e de vendas, mas também social, pois suas apresentações polêmicas em programas de TV lhe traziam cada vez mais popularidade. Todos queriam entender esse novo cantor que surgia. Sem dúvida 1956 foi o grande ano do Rei do Rock, o seu auge. O que faltava a Elvis? Ora, não era preciso ir muito longe para responder a essa questão. Desde criança Elvis tinha um sonho particular: o de se tornar astro de cinema. Tom Parker não perdeu tempo. Logo escalou alguns testes com os grandes chefões de Hollywood e em pouco tempo Elvis já estava estreando no cinema com o filme "Love Me Tender" (ama-me com ternura, 1956).

O empresário de Elvis então tomou consciência do tesouro que lhe havia caído nas mãos. Um astro multimídia, que poderia facilmente fazer sucesso não só no mundo musical, mas também no cinematográfico. Elvis era uma mina de ouro. E provou isso, pois além da ótima bilheteria alcançada pelo filme, sua trilha sonora também logo virou um enorme sucesso. O primeiro lugar nas paradas com o single "Love Me Tender / Any Way You Want Me" em novembro de 1956 consolidava de uma vez por todas o potencial comercial do roqueiro galã. Isto era em suma tudo o que estava rolando nesta época com Elvis Presley, ou seja, ele estava no auge de sua popularidade. Assim em setembro de 1956 Elvis entrava novamente nos estúdios para "encher a lata". Sem dúvida ele foi o mais rápido "Hit Maker" da história pois gravou este LP em apenas três dias nos Studios Radio Recorders da RCA em Hollywood.

Ao contrário do disco anterior em que Elvis ainda era considerado uma mera promessa, esse já mostrava um artista mais dono de si e de sua música. Em poucas palavras: Elvis agora teria maior poder de decisão dentro dos estúdios. O LP foi lançado no final de 1956, alcançando facilmente o primeiro lugar nas paradas. Elvis Presley havia começado o ano como um obscuro cantor do sul dos Estados Unidos e terminou como um fenômeno de sucesso em massa, nunca ninguém subiu tão rápido em tão pouco tempo. Fora estes dois discos, Elvis ainda liderava as paradas mundiais também com outros singles de enorme sucesso. O Rei do Rock estava em todos os lugares, não havia uma só revista que não o trazia na capa. No final de 56 Elvis era uma figura totalmente onipresente. Era o começo do sonho dourado de Elvis Aaron Presley, o início da carreira de um dos maiores sucessos da história do show business norte americano. Eis as músicas do LP "Elvis" (LPM 1382):

RIP IT UP (Robert Blackwell / John Marascalco) - Música símbolo do nascimento do Rock gravada por diversos nomes: John Lennon, Everly Brothers, Carl Perkins e Little Richard, daí nota-se sua importância na gênesis do ritmo. A versão de Elvis é muito bem executada com um arranjo peculiar principalmente em seu começo. Elvis a apresentou em alguns programas dos anos dourados com o respectivo rebolado causando mais encrencas ainda para ele. Tente imaginar a comoção causada por um cantor de visual rebelde, balançando a retrógada moralidade dos anos 50. Reparem na letra, cujo conteúdo é tipicamente adolescente, mostrando os "grilos" da juventude da época, utilizando de gírias e do palavreado da juventude de então. Além da deliciosa melodia, o jogo de palavras valoriza ainda mais o conjunto da música.

LOVE ME (Jerry Leiber / Mike Stoller) - Sem dúvida uma das mais belas criações daquela que sem dúvida foi a mais importante dupla de compositores do Rei. Leiber e Stoller compuseram as mais importantes músicas da carreira de Elvis como "Jailhouse Rock", "Trouble" e "King Creole", entre outras. Esta foi feita especialmente para Elvis pois Leiber e Stoller achavam interessante o apego que Elvis tinha por músicas românticas, então resolveram compor uma canção sob medida para o gosto e a interpretação do cantor. Era uma das preferidas dele, tanto que a integrou em seu repertório nos anos setenta estando presente em quase todos os seus discos gravados ao vivo neste período. Também foi lançada num compacto duplo em outubro de 1956 junto com outras músicas deste LP. A música é uma das mais conhecidas de Elvis dos anos 50, pelo seu romantismo, por sua bela melodia e pela letra apaixonante. Embalou muitos corações apaixonados e serviu de trilha sonora para muitas paixões eternas. Sem dúvida um registro de Elvis em um de seus melhores momentos de estúdio.

WHEN MY BLUE MOON TURNS TO GOLD AGAIN (Willy Walker / Gene Sullivan) - Country cantado por Elvis. Como um garoto nascido e criado no sul rural dos Estados Unidos é lógico que o country sempre fez parte de sua vida e Elvis gravou diversas canções deste estilo ao longo de sua carreira, tendo inclusive gravado um disco conceitual só com músicas deste gênero: "Elvis Country". Mas bem longe do country moderninho desse disco de Elvis dos anos 70, "When my blue moon turns to gold again" era uma canção de raiz, composta por dois artistas típicos de Nashville, a capital do country and western americano. Serve como um exemplo da influência que a arte e a música dessa cidade exerceu sobre a carreira de Elvis desde seus tempos no Louisiana Hayride.

LONG TALL SALLY (Enotris johnson) - Sublime canção de Rock'n'Roll. Esta é outra que marcou toda uma época, sendo posteriormente gravada pelos Beatles e John Lennon (em sua carreira solo). A primeira versão de sucesso veio com o cantor Little Richard. Aqui Elvis está em sua melhor forma mandando ver e abrindo as portas de um novo tempo na música mundial. A letra mistura malícia, ironia e humor, numa combinação que caiu logo no gosto dos jovens americanos. Sem dúvida para esses garotos e garotas que procuravam se soltar das amarras dos pais caretas, a música trazia uma mensagem subentendida que certamente não seria compreendida pelos mais velhos. Um achado para quem queria aproveitar a vida nos moralistas anos Eisenhower. Pode-se encontrar versões ao vivo em discos dos anos setenta, porém sem nenhuma sombra de dúvida esta é a melhor versão de todas, pois foi gravada na época certa. Esta canção juntamente com "Ready Teddy", são as representantes máximas do Rock de Elvis neste trabalho musical. Duas canções que provam de uma vez por todas quem merecia receber o título de "Rei do Rock'n'Roll".

FIRST IN LINE (Aaron Schroder / Ben Weisman) - Baladona romântica escrita por uma dupla de compositores que posteriormente iriam escrever várias canções para os filmes de Elvis. O destaque fica no vocal do Rei expressando toda a emoção da letra. Essa canção, mais do que qualquer outra do disco, nos remete imediatamente aos anos de Elvis na Sun. Além do vocal típico da gravadora de Memphis, que fazia o ouvinte pensar que Elvis estava cantando do fundo de um poço, há ainda a guitarra de Scotty Moore afinada no mais puro "Sun Sound". A única coisa que não condiz com as músicas gravadas por Elvis nos estúdios de Sam Phillips é justamente o acompanhamento vocal do grupo gospel The Jordanaires, que diga-se de passagem acrescenta muito no resultado final. Um bom momento "Love Affair" de Elvis. Para românticos inveterados.

PARALYZED (Otis Blackwell) - Canção dançante e empolgante dentro do repertório de Elvis. Não chega a ser um rock e sim uma música pop despretensiosa (mas ótima!). Outra que Elvis apresentou em programas de TV nos anos 50. Blackwell é autor de uma das mais populares músicas de Elvis: "Don't Be Cruel". Novamente outra que procura captar o vocabulário da juventude. É uma verdadeira crônica que mostra os costumes e sonhos adolescentes da moçada. Uma das preferidas do roqueiro Raul Seixas, que em entrevista, afirmou que os termos usados na canção eram utilizados nos namoros dos anos 50. Belo e descontraído momento do LP.

SO GLAD YOU'RE MINE (Arthur Grudup) - Ao contrário das outras músicas deste disco, esta foi gravada em 30 de janeiro de 1956 nas mesmas sessões de gravação do disco "Elvis Presley", o primeiro LP do cantor. A razão certa pela qual a RCA não a lançou no disco anterior é um mistério. Provavelmente tenha sido arquivada por falta de espaço. De qualquer forma a canção não destoa e nem sai da temática do resto do disco. No final das contas se encaixa bastante bem, até mesmo porque a grande maioria das músicas de Elvis nessa fase de sua carreira rodavam invariavelmente sobre os mesmos temas. Aliás algumas resenhas da época chegaram ao exagero de afirmar que a música era excessivamente "sugestiva e sensual". Moralismo pouco é bobagem! O autor desta canção é o mesmo de "That's All Right" (o primeiro single comercial do cantor). Mais um grande momento do Rei e seus músicos. Veio para acrescentar qualidade em um disco já bastante reconhecido por seus valores artísticos.

OLD SHEEP (Red Foley) - Canção que Elvis apresentou num concurso de talentos em Memphis quando ainda era garoto, tirando o segundo lugar. A temática é reconhecidamente pueril e extremamente sentimental. Com uma narrativa cinematográfica, essa música é completamente diferente das demais do disco, o que a torna única, singular dentro do conjunto da obra. Sem dúvida Elvis acabou se identificando de alguma forma. Talvez pelo valor sentimental ele a tenha incluído no disco. Como destaque temos Elvis no piano e a vocalização perfeita dos Jordanaires, aqui mais presentes do que nunca. Aliás o fato deles estarem no disco demonstra que Elvis era uma pessoa de palavra. Antes de estourar mundialmente Elvis topou com o grupo em alguns shows no sul. Elvis lhes prometeu que assim que sua carreira decolasse ele iria trazê-los para fazer a vocalização de seus discos. Como palavra de Rei não volta atrás... Foi lançada ainda no compacto duplo "Elvis vol 2" em dezembro de 1956.

READY TEDDY (Robert Blackwell/John Marascalco) - Esta canção foi responsável pela mais brilhante aparição de Elvis Presley no programa de Ed Sullivan em 1956. Típico Rock'n'Roll do início dos anos cinqüenta, com vocalização perfeita, embalo à prova de falhas, alegria contagiante e acompanhamento idem, "Ready Teddy" é um dos maiores Rocks da história e a versão de Elvis é simplesmente imortal. Elvis encontrou aqui seu veículo perfeito: ritmo ágil e letra maliciosa. Sua histórica apresentação no Ed Sullivan causou muitos problemas com a censura da época pois Elvis foi severamente criticado no jornal Mirror News que no artigo referente ao show o acusou de "incentivar o libido de garotinhas" e promover a "delinqüência juvenil" chegando a ponto de chamá-lo de "nazista"! Puxa aquilo era demais e Elvis ficou tão chocado que no seu show posterior mandou ver mais do que no primeiro causando maior polêmica ainda. Sem dúvida a América (e o mundo) não estavam preparados para Elvis Presley, no flor da idade, esbanjando sensualidade e agilidade no auge de seus 21 anos!. Com sua dança e perfomance Elvis abria de uma vez por todas as portas da nova era! O Rock'n'Roll vinha para ficar! Por causa desse show Elvis acabou ganhando um de seus mais famosos apelidos: "Elvis, The Pelvis".

ANYPLACE IS PARADISE (Joe Thomas) - Mais uma deliciosa canção com uma melodia envolvente. Esta sem dúvida é um das músicas do Rei do Rock que de certa forma é subestimada pois não alcançou a repercussão que merecia. Isso é facilmente explicável. Elvis estava em um período tão genial, em que firmava as bases estéticas de todo uma revolução comportamental e cultural, que qualquer canção, mesmo que fosse ótima, seria facilmente ofuscada, porque ele estava em um momento simplesmente fenomenal da carreira. Nunca o mundo havia se deparado com tamanha descarga de energia e inovação. Os anos 50 foram tão produtivos e fantásticos que muitos autores consideram essa década como inigualável em termos de talento dentro da carreira de Elvis. Como um rapaz de apenas vinte e poucos anos conseguiu explodir e detonar todo esse movimento? Essa é uma questão ainda em aberto, mesmo que seja estudada até mesmo em centros acadêmicos pelos EUA e Europa. Um momento simplesmente único na história que não foi mais repetido nos anos que se seguiram, nem mesmo pelo próprio Elvis. Genialidade é isso aí. Destaque para o baixo de Bill Black num raro solo musical.

HOW'S THE WORLD TREATING YOU (Chet Atkins / Felice e B.Byant) - Talvez o momento mais fraco do disco. Música excessivamente melancólica para um trabalho tão rocante como este. Estaria Elvis antecipando o estilo que iria adotar em muitas das suas canções nos ainda distantes anos 70? Não sabemos. Uma coisa é certa: Elvis sempre teve escondido dentro de si uma personalidade que tendia à introspecção. Como ele ainda estava com apenas 21 anos de idade, jovem, bonito, ao lado da pessoa que ele mais amava na vida, sua mãe, suas tendências de se absorver em si mesmo ainda estavam sob controle e completamente adormecidas. Até porque não dá para ser uma pessoa deprimida na flor da idade, rico, amado e cercado de garotas por todos os lados. Esse Elvis a que estamos nos referindo estava há anos luz do Elvis "70's". De qualquer forma não podemos deixar de registrar que em alguns momentos dessa música o lado mais sombrio de Elvis se manifesta, mesmo que de forma totalmente inconsciente. Composição de Atkins que se tornaria produtor dos discos de Elvis nos anos sessenta. Apesar de tudo é cantada e executada corretamente e novamente Scotty faz questão de calibrar sua Gibson como nos velhos e bons tempos da Sun Records.

HOW DO YOU THINK I FEEL (Webb Pierce) - Depois da introversão de "How's The World Treating You" nada melhor para finalizar o disco do que uma música alegre e com um acentuado sabor latino em seu arranjo. Se destaca do conjunto possuindo personalidade própria. Aqui Elvis exercita um estilo que ele iria usar de forma acentuada em trabalhos posteriores como "Fun in Acapulco" (o seresteiro de Acapulco, 1963). Mas isso ainda estava muito longe de Elvis. Nesse momento ele era apenas o cantor mais idolatrado pelos jovens, um símbolo mundial de rebeldia e alegria de viver. Elvis estava sentado no mesmo trono que um dia pertenceu ao maior de todos os rebeldes: James Dean. Idolatrado como um verdadeiro Rei pelos jovens, Elvis não conseguia avistar de onde estava ninguém para ameaçar sua realeza. Elvis reinava absoluto, ditando a moda, os costumes e os gostos da juventude americana. Um verdadeiro monarca e o disco faz jus ao seu poder real, à toda sua majestade, um disco à altura de Elvis Aaron Presley, o Rei do Rock'n'Roll.

Elvis (1956): Elvis Presley (vocal, violão e piano) / Scotty Moore (guitarra) / Bill Black (baixo) / D.J. Fontana (bateria) / Gordon Stoker (piano) / The Jordanaires (acompanhamento vocal) / Produzido por Steve Sholes / Arranjado por Elvis Presley e Steve Sholes / Gravado no Radio Recorders - Hollywood / Data de Gravação: 01 a 03 de setembro de 1956 / Data de Lançamento: outubro de 1956 / Melhor posição nas charts: #1 (EUA) e #1 (UK).

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Elvis Presley - Elvis Presley (1956)

Elvis Presley entrou no RCA Studios da cidade de Nashville no dia 10 de janeiro de 1956 para iniciar as gravações de suas primeiras músicas pela RCA Victor. Atrás de si deixava a pequena gravadora da Sun Records em Memphis e cinco singles que alcançaram um relativo sucesso no Sul dos Estados Unidos. Ninguém havia ouvido falar de Elvis Presley fora de sua região natal. Sua música e seu estilo ainda eram um mistério total para todos os envolvidos em sua contratação. Apesar da boa quantia paga pela RCA para a Sun pelo passe de Elvis, tudo naquele momento apontava apenas para uma aposta arriscada por parte dos executivos da grande gravadora americana. Elvis poderia fazer sucesso, mas também poderia fracassar totalmente caso não fosse aceito no norte e no oeste do país.

Acompanhado de seus músicos, considerados todos uns caipiras em Nova Iorque, Elvis iniciou naqueles dias uma nova era para a música jovem internacional. Um revolução musical sem precedentes na história, uma explosão que não deixou mais de se expandir e que causa repercussões até nos dias de hoje. Sem sombra de dúvida foi a partir deste ponto que começou a surgir o mito Elvis Presley. Foi a partir dessas músicas que o Rock'n'Roll começou sua escalada como o mais popular gênero musical de todos os tempos. Todas as vertentes, todas as tendências, todos os estilos musicais populares do século XX vieram de um só ponto, beberam de uma só fonte: O LP "Elvis Presley" de 1956. O disco ainda hoje é reverenciado por todos os grandes críticos de arte. Todos concordam que se trata de uma verdadeira obra prima, uma obra de arte. Mas na época, nem Elvis, nem seus músicos e nem o Coronel Parker tinham consciência disso. Tudo o que lhes importava era que o LP vendesse bem e pagasse os custos de sua produção. Se o disco fosse bem sucedido, já seria um alívio.

Ninguém sabia que estava mudando o mundo. Felizmente o disco foi um enorme sucesso de vendas atingindo rapidamente o topo da parada da revista Billboard. Além do sucesso do disco Elvis sabia que tinha que ter também um sucesso nacional, uma música que alavancasse sua recém nascida carreira. E o grande Hit de Elvis surgiu. "Heartbreak Hotel / I Was the One" foi a peça que faltava para consolidar o novo artista. Apesar de "Heartbreak Hotel" ter sido gravada nas mesmas sessões desse disco, ela não foi incluída entre as faixas por motivos comerciais, pois pela visão do Coronel Parker era melhor que quem comprasse o LP também adquirisse o single, que seria no final das contas uma ponta de lança para promover Elvis nas paradas.

O empresário do cantor já dava os primeiros sinais de sua forma de administrar a carreira de Elvis. O importante era extrair o máximo de lucro com o menor gasto possível. Isso se tornou bem claro quando o Coronel resolveu lançar as músicas do LP em diversos Extendeds Plays e Singles que também alcançaram sucesso, dando razão ao lema do velho empresário que sempre foi o de vender o mesmo produto duas vezes. "Elvis Presley" é na realidade uma mistura de antigas músicas de Elvis pela Sun como "Blue Moon" e "Just Because" com novas canções registradas nas três primeiras sessões de Elvis pela RCA Victor, uma realizada nos dias 10 e 11 de janeiro de 56 em Nashville, outra no final desse mesmo mês em Nova Iorque e finalmente uma terceira realizada em fevereiro de 56, só que dessa vez de volta em Nashville. Muitos anos depois Elvis confidenciou a um amigo que no momento que recebeu o disco pronto em suas mãos teve a certeza que havia conseguido atingir um de seus objetivos na vida, mal sabia ele o que estava por vir... O Disco "Elvis Presley" (LPM 1254) é composto pelas seguintes músicas:

Blue Suede Shoes (Carl Perkins) - Clássico absoluto do rock americano escrito por Carl Perkins, cantor e compositor da Sun Records, que iria se tornar um dos maiores nomes da 1º geração de roqueiros americanos dos anos 50. Mesmo tendo alcançado grande sucesso na voz de seu autor, esta foi sem dúvida uma das músicas que se tornaram marca registrada de Elvis Presley. O Rei do Rock ao longo de sua carreira sempre foi apresentando novas versões para "Blue Suede Shoes" e quase sempre ela era incorporada aos seus shows ao vivo, aparecendo em vários discos de sucesso como "Aloha from Hawaii", e "From Memphis to Vegas / From Vegas to Memphis". Ele ainda a utilizaria em Hollywood, na trilha sonora de um de seus maiores sucessos no cinema: G.I. Blues (saudades de um pracinha, no Brasil). Essa nova versão era bem mais arranjada que a original, mas não tinha seu pique! Nos anos 70 e em seus shows na cidade de Las Vegas, "Blue Suede Shoes" entraria rotineiramente nos repertórios fixos do cantor em suas apresentações. A primeira versão de "Blue Suede Shoes", que está presente nesse álbum, foi gravada nos estúdios da RCA Victor em Nova Iorque no dia 30 de janeiro de 1956, poucos dias depois de Elvis completar 21 anos de idade. Apesar de possuir um arranjo bem mais simples que as versões posteriores, esta é a que melhor sintetiza o momento do surgimento do Rock'n'Roll nos Estados Unidos. A letra é clara: "Faça de tudo mas não pise nos meus sapatos de camurça azul". Em resumo: um verdadeiro hino da nação Rockabilly.

I´m Counting On You (Don Robertson) - Gravada em 11 de janeiro de 1956 nos estúdios da RCA de Nashville contando com a participação de Chet Atkins na guitarra e Floyd Cramer no piano, além do apoio vocal de Gordon Stocker, Ben Speer e Brock Speer. Pode ser considerada uma música menor dentro do vasto repertório de Elvis Presley, porém como faz parte da clássica primeira sessão do Rei do Rock na RCA, tem seu valor histórico incontestável.

I Got a Woman (Ray Charles) - Outra música que entrou em definitivo no repertório do Rei nos anos cinqüenta e setenta, sendo muitas vezes usada de introdução de seus shows logo após "Also Spratch Zarathustra" de Richard Strauss. Deve-se sua criação a Ray Charles que colocou uma letra pop sobre o ritmo de uma música religiosa chamada "My Jesus is all the world to me". Esta música trouxe problemas para Elvis pois seu título (Eu consegui uma Mulher) foi considerado ofensivo pela rígida sociedade americana da época. Elvis era considerado um incentivador da delinqüência juvenil pelos moralistas por sua dança e sua música e é claro que eles não iriam deixar passar esta oportunidade para mais uma vez atacá-lo. Foi gravada em 10 de janeiro de 1956 e é a primeira música gravada por Elvis nos estúdios da RCA Victor. Foi lançado num single junto com "I'm Counting on you" em agosto de 1956.

One-Sided Love Affair (Campbell) - Brilhante interpretação de Elvis em que seu estilo peculiar de pronunciar as palavras foi levado ao mais alto grau. Destaque também na preciosa colaboração de Short Long que leva a harmonia da música em seu piano. Típica música embalante dos primeiros discos de Elvis com letra igualmente saborosa. Sem dúvida um dos pontos altos do disco. Foi gravada no dia 30 de janeiro de 1956 nos estúdios de Nova Iorque.

I Love You Because (Leon Payne) - Música gravada por Elvis nos estúdios da Sun Records em 5 de agosto de 1954 naquela que foi a primeira sessão de gravação de sua vida. Nesta oportunidade Elvis gravaria ainda "That's All Right (Mamma)" e "Blue Moon of Kentucky", que seriam as primeiras músicas do cantor lançadas comercialmente. É uma balada romântica com uma letra simples porém significativa, em que participam somente os Blue Moon Boys (como Elvis, Bill Black e Scotty Moore se auto denominavam). Os solos de guitarra são de Scotty e o assobio no começo da música foi feito pelo próprio Elvis. Para especialistas como Peter Guralnick são músicas como esta que colocaram Elvis na história.

Just Because (BJ Snelton / S.Robin) - Também gravada na Sun Records em setembro de 1954. Traz novamente o pequeno trio de caipiras do sul dos Estados Unidos mandando ver numa espécie de mistura de country e skiffle. Elvis parece bem a vontade pois sem dúvida este tipo de música era o som que rolava em Memphis quando ele era apenas um adolescente. Possui todas as características das músicas de Elvis gravadas na minúscula gravadora de Sam Phillips, ou seja, poucos recursos técnicos mas muita imaginação.

Tutti Frutti (Joe Lubin / Richard Penniman / Dorothy LaBostrie) - Quem não conhece o refrão que caracteriza esta canção? Uma das mais conhecidas e famosas de toda a história do Rock'n'Roll. É aquele tipo de som que fica tão cristalizado na mente do público que se torna símbolo de toda uma era. Originalmente gravada por Little Richard, logo se tornou um sucesso instantâneo invadindo as paradas dos Estados Unidos de forma absoluta. A versão com Elvis foi gravada no dia 31 de janeiro de 1956 nos estúdios da RCA em Nova Iorque. Elvis poderia Ter caído na mesma armadilha de todos aqueles que interpretaram as músicas de Richard, que possuía um timbre de voz único, inimitável, porém o cantor optou por imprimir seu próprio estilo na música, tornando sua versão bem diferente da de Penniman. Elvis apresentou esta música em um programa na TV americana nos anos 50. Como curiosidade a filha de Elvis, Lisa Marie, declarou numa entrevista ser esta a sua música preferida dentre todas as outras que o rei do rock gravou.

Trying To Get To You (Charles Singleton / Rose Marie McCoy) - Gravada em 11 de julho de 1955 nos estúdios Sun em Memphis, Tennessee. Aqui Elvis exercita seu poderio vocal numa balada romântica característica do Sul dos Estados Unidos. Esta sem dúvida era uma de suas prediletas pois mesmo sendo ele o Rei do Rock'n'Roll não dispensava uma balada melódica como essa. Pode-se encontrá-la em discos ao vivo gravados durante os anos 70, porém a melhor versão sem dúvida é essa: simples e direta passando o sentimento dominante da época.

I'm Gonna Sit Right Down and Cry (Over You) (Joe Thomas/Howard Biggs) - Ritmo perfeito e interpretação brilhante de Elvis caracterizam esta música, sendo considerada uma das mais alegres e alto astral do disco. Os Beatles fizeram um cover muito bem arranjado desta canção no período em que mantinham um programa radiofônico na BBC, a versão em questão está presente no CD "The Beatles Live in BBC". Sem dúvida Elvis atinge uma perfeita sintonia com seus músicos nesta canção gravada no dia 31 de janeiro de 1956. Posteriormente foi lançada como lado B de um single com "I'll Never let go (Little Darling)".

I'll Never Let You Go (Little Darlin') (Jimmy Wakely) - 10 de setembro de 1954 foi a data em que esta "Love Song" foi gravada nos estúdios da Sun Records. O fato engraçado da inclusão das músicas da Sun neste LP foi que a RCA não informou aos consumidores onde e quando elas haviam sido gravadas levando muitos a pensar que Elvis estava voltando ás origens. Nessa música atuaram apenas Elvis, Scotty (que sola durante toda a faixa) e fazendo uma sutil linha de baixo, Bill Black. Nessa época Elvis ainda não contava com um baterista fixo em sua banda. Na sala de edição apenas Sam Phillips

Blue Moon (Richards Rodgers / Lorenz Hart) - Outro clássico do repertório do cantor em que sua interpretação acrescenta algo de novo na música. Acontece que bem no meio da gravação desta linda balada Elvis esqueceu completamente a letra e no seu lugar colocou sua voz em harmonia, como se estivesse lamentando a perda da mulher amada. Sam Phillips achou genial e resolveu seguir em frente, resultando numa versão belíssima. Somente muitos anos depois Elvis explicou porque havia mudado "Blue Moon" de forma tão radical. Este tipo de comportamento acabou se tornando padrão nos seus anos de Sun Records, pois ele pegava uma música original e a mudava completamente de acordo com sua vontade, por isso ao se ouvir algumas versões originais de músicas gravadas por Elvis, tem-se a sensação de se estar ouvindo outra canção diferente. "Blue Moon" fez parte também de um single como lado B da música "Just Because", lançado em agosto de 1956.

Money Honey (Jesse Stone) - Elvis Presley fecha seu primeiro LP com este Rock'n'Roll. Com estrutura rítmica bem característica e uma perfeita combinação de guitarra e bateria Elvis nos proporciona seu último grande momento do disco. Esta é sem dúvida uma boa apoteose para o LP pois todos os elementos mais significativos do início do ritmo estão presentes aqui. Letra maliciosa e ritmo cortante fecham a cortina deste grande marco da história da música pop mundial.

Elvis Presley - Elvis Presley (1956): Músicas da Sun Records - Elvis Presley (vocal e violão) / Scotty Moore (guitarra) / Bill Black (baixo) / Produzido Por Sam Phillips / Arranjado por Elvis Presley, Scotty Moore, Bill Black e Sam Phillips / Gravado no Sun Studios, Memphis / Data de gravação: 5 de julho de 1954, 19 de agosto de 1954, 10 de setembro de 1954 e 11 de julho de 1955. Músicas da RCA Victor - Elvis Presley (vocal, violão e piano) / Scotty Moore (guitarra) / Chet Atkins (guitarra) / Bill Black (baixo) / D.J. Fontana (bateria) / Floyd Cramer (piano) / Short Long (piano) / Gordon Stocker, Ben e Brock Speer (acompanhamento vocal) / Produzido por Steve Sholes / Arranjado por Elvis Presley e Steve Sholes / Gravado nos RCA Studios - Nova Iorque e Nashville / Data de Gravação: 10,11,30 e 31 de janeiro e 3 de fevereiro de 1956 / Data de Lançamento: março de 1956 / Melhor posição nas charts: #1 (EUA) e #1 (UK).

Pablo Aluísio.

Elvis Presley - RCA Victor Studios

Em novembro de 1955 Elvis Presley foi contratado pela RCA Victor. Por essa época Elvis também assinou uma parceria com o empresário Coronel Tom Parker. Elvis fechou com a RCA por 35 mil dólares, a maior quantia paga a um artista solo até então. Com o dinheiro da venda, Sam Phillips, dono da Sun Records, conseguiu reformar sua pequena gravadora e investir em outros talentos. Então, em uma manhã ensolarada de segunda feira, 10 de janeiro de 1956, Elvis entrou em seu Cadillac roxo novinho, juntou-se aos rapazes de sua banda e viajaram até Nashville nos estúdios pertencentes à RCA.

Quando chegaram tiveram uma grande surpresa. Na realidade os estúdios eram de propriedade da Igreja Metodista do Tennessee, localizado nos fundos de uma antiga igreja protestante. Eles até ficaram em dúvida se aquele era o endereço correto. Mas eles não erraram de lugar, o estúdio ficava ali mesmo. A RCA havia alugado o local porque ele era muito apreciado por causa de sua acústica impecável. Elvis sentiu-se um pouco deslocado, ao contrário do pequenino local de gravação da Sun, ele agora se deparava com um grande espaço aberto, em um local que na realidade não se parecia com um estúdio de gravação, mas sim com uma sacristia! Imagine gravar Rock'n'Roll em um lugar desses, em solo sagrado!

Elvis resolveu então juntar o pessoal da banda, ao invés de espalhá-los pelo recinto. Assim todos ficaram agrupados em um canto do estúdio com Elvis cantando de frente para a banda e com o pessoal de apoio vocal ao seu lado. Para essa sessão foram recrutados outros músicos importantes como o pianista Floyd Cramer, que já tinha topado com Elvis pelas estradas e Gordon Stocker, que depois iria trazer seu próprio grupo (os Jordanaires) para acompanhar Elvis em gravações futuras. Para completar o grupo a RCA trouxe dois vocalistas Gospel, os irmãos Ben e Brock Speer. Elvis trouxe consigo sua turma: Scotty Moore e Bill Black. O baterista D.J. Fontana foi o último a chegar, sendo contratado em cima da hora pela direção da gravadora. Assim Elvis viu-se cercado por uma equipe de quase dez músicos. Para quem era acostumado a tocar com dois, foi um avanço grande. Depois Elvis foi apresentado ao seu novo produtor, Steve Sholes. Ao contrário de Sam, que sempre trazia contribuições para os takes, Sholes não era de dar opiniões no som da banda. Simplesmente ficava na sala de controle providenciando os aspectos técnicos da mesa de gravação.

Logo Elvis percebeu que iria ter que se virar sozinho com seu grupo. Presley também ficou surpreso ao saber que havia três violões e uma guitarra exclusivamente à sua disposição. Sem saber disso o futuro Rei do Rock tinha até trazido seu baleado instrumento para as gravações. Resolveu usar ele mesmo, pois o velho camarada de estrada já estava afinado em sua afinação preferida. Depois de se acomodar o grupo se preparou para as gravações. Sholes, da cabine de controle, perguntou a Elvis qual seria a primeira música a ser gravada. Elvis então deu uma olhada na lista das músicas e começou a riscar no papel as que ele pretendia iniciar nesse sessão de estreia. Uma logo lhe chamou atenção: "I Got a Woman". Seria melhor começar com ela pois eles já a estavam tocando nos shows e a banda estava entrosada.

Assim Elvis e os caras da banda chegaram a conclusão que era melhor começar por ela mesmo. Instrumentos ligados, todo mundo preparado começou as gravações, mas... A verdade era que as primeiras sessões não foram lá essas coisas. Os músicos ainda eram inexperientes. Era a primeira gravação deles fora da Sun Records e a primeira vez que tocavam com os outros músicos contratados pela RCA. Steve Sholes também não começou bem seu relacionamento com Elvis, não soube lidar muito bem com o estilo de trabalho de Presley. Elvis, por sua vez, não gostava muito da seriedade que estava reinando no estúdio naquele momento. Ele gostava de gravar em ambientes mais descontraídos e não sentindo toda a pressão dos caras da RCA. O som não foi dos melhores. Apesar das dificuldades, pouco após às duas horas da tarde daquele dia, Elvis foi ao microfone mais uma vez para tentar o take certo de "I Got a Woman".

Sob pressão e sob um calor infernal que fazia dentro dos estúdios, Elvis simplesmente arrasou! Fez uma performance inacreditável. Logo Sholes viu que aquele era o take definitivo, o ideal. Assim naquela tarde, depois de algumas tentativas, Elvis conseguiu gravar sua primeira canção na RCA Victor. Usava calças negras com uma faixa azul nas laterais e dançava como se estivesse fazendo um show para uma enorme plateia. Todos os caras da RCA ficaram impressionados. Sholes, já naquela época um senhor de mais de 50 anos, achou estranho, mas resolveu não falar nada. Ele nunca tinha ouvido ou visto aquele estilo musical em todos os seus anos de profissão. Nem podia, Elvis estava inventando naquele estúdio um novo idioma musical.

Então Elvis se preparou para a hora da verdade. Ele queria gravar "Heartbreak Hotel", de sua autoria junto com Mae Axton e Tommy Durden. Sholes achou a canção muito "estranha" pois a letra foi inspirada em um recorte de jornal que falava do suicídio de um homem, que teria escrito em seu bilhete de despedida a frase "Eu caminho em um rua solitária". Steve disse a Elvis que a achava muito mórbida, Elvis sorriu e respondeu que gostava dela e que a achava "legal". - "Então ok!" - respondeu o cansado produtor, naquela altura louco para voltar para casa. Ele havia achado Elvis "um garoto meio estranho com roupas esquisitas que canta umas músicas estridentes" como diria mais tarde a esposa de Sholes a um jornal de Nova Iorque. Só faltava essa: o primeiro produtor de Elvis na RCA era um velhusco ultrapassado. Mas sabia fazer seu trabalho.

Para conseguir o feito do eco, que Sholes considerava um ingrediente essencial da Sun Records, ele colocou um alto falante embaixo da escada , no hall, criando um som um tanto cavernoso, que se tornaria a marca registrada dessa música. Para encerrar o dia Elvis e banda detonaram em um rock clássico, "Money Honey". Exausto, depois de tocar o dia inteiro, Elvis deitou-se em cima de uma mesa que ficava no hall do estúdio. Nesse momento a filha do pastor local tirou uma das fotos mais raras da carreira de Elvis Presley. Quando a sessão estava concluída, Steve Sholes levou o material a seus superiores, que ficaram desnorteados. - "Eles me disseram que as músicas não soavam parecidas com nada que a gravadora já havia feito antes. Não soava como os outros discos e que era melhor não lança-lo daquele jeito. Me mandaram voltar e gravar tudo de novo". Era só o que faltava para Steve, nas portas da aposentadoria ele teria agora de cuidar de um "garoto maluco e sua bandinha!" O clima começou a ficar pesado entre Elvis e a RCA.

Steve então tomou uma decisão polêmica: resolveu aproveitar algumas músicas de Elvis na Sun e colocar no disco como "Blue Moon" e "Just Because", assim se o disco fosse um fracasso total o prejuízo seria menor. Nos dias que se seguiram Elvis gravou novas músicas ao lado de seu grupo (só clássicos absolutos: "Blue Suede Shoes", "Tutti Frutti" etc). Havia a sensação de se estar a frente - ou pelo menos se solidificando - uma nova revolução musical. Mas essa sensação era apenas de Elvis e dos demais músicos, Steve Sholes ainda duvidava do talento do cantor. Ele não sabia o quanto poderia durar aquele "fenômeno". No fundo Sholes temia mesmo era por seu emprego. Mas tudo se acalmou quando o disco chegou nas lojas poucos meses depois.

Elvis estava certo e o pessoal da RCA errado. O disco vendeu tanto e de forma tão rápida que ele logo chegaria ao primeiro lugar em todas as paradas: country, pop, rock e R&B. Esse disco, chamado simplesmente de "Elvis Presley" foi o primeiro disco da RCA Victor a vender mais de um milhão de cópias em menos de um mês. Tão importante ele se tornou para a história da música americana e mundial que ele é considerado um dos dez discos mais importantes da história da indústria fonográfica. Quem diria. Para citar apenas uma pessoa, John Lennon diria anos mais tarde: - "Este disco mudou minha vida!". Ao longo dos anos o disco ficou conhecido como "Rock'n'Roll 1", o primeiro e mais importante LP de Rock'n'Roll da história!

Pablo Aluísio - novembro de 2003.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Arquivo Morto: Marilyn Monroe

Arquivo Morto: Marilyn Monroe
É um novo programa que está passando no canal History. Não consegui ver inteiro, mas quase todo, em duas partes. Achei bom, mas igualmente superficial pois realmente não vai muito a fundo na questão. O roteiro foca na questão do romance entre a atriz e os irmãos Kennedy. Afinal até hoje rondam suspeitas de que Marilyn Monroe teria sido assassinada e que os dois políticos teriam algo a ver com esse suposto crime. 

Só que vamos ser sinceros, apesar de todas as teorias da conspiração que foram criadas não existem provas. E sem provas não existe como seguir em frente. As investigações foram reabertas nos anos 80, mas igualmente nao foram em frente. de qualquer forma fica o registro que assisti a esse episódio e quero ver outros, com certeza.

Pablo Aluísio. 

Elvis Presley - Elvis Duets!

Esse é um CD duplo bem raro de Elvis Presley. A temática dessa vez foi a reunião de vários duetos realizados por Elvis ao longo de sua carreira, seja em filmes, discos, especiais de TV e até gravações caseiras. Entre os destaques estão as faixas informais que Elvis gravou ao lado de sua namorada dos anos 50, Anita Wood. Esses registros não são facilmente encontráveis em sua discografia oficial. É bom lembrar que "Elvis Duets" é um bootleg, ou seja, não é um lançamento da gravadora do cantor. 

O CD Duets contém todas as gravações oficiais de Elvis com essa peculiaridade, em que ele divide o microfone com alguém (com destaque para as trilhas sonoras dos anos 60). Entre aqueles que participaram de um dueto com Elvis estão Frank Sinatra, Ann-Margret, Juliet Prowse, Nancy Sinatra entre outros. As faixas passaram por uma sensível melhora em sua qualidade sonora, além disso o CD traz o famoso dueto entre Elvis e sua filha Lisa Marie Presley na faixa "Don't Cry Daddy", um feito que só a moderna tecnologia poderia tornar possível. Confira a lista completa das faixas, com os respectivos cantores que um dia tiveram o privilégio de cantar ao lado do Rei do Rock: 

Elvis Duets 
CD 1: 1. I Will Be Home Again com Charlie Hodge (gravado em Nashville, TN. em 4 de abril de 1960) 2. It’s Nice To Go Travelling com Frank Sinatra, Nancy Sinatra, Joey Bishop & Sammy Davis jr. 3. Love Me Tender/Witchcraft com Frank Sinatra (gravado ao vivo para the “Welcome Home Elvis” 26 de março de 1960) 4. Let Yourself Go com The Blossoms (gravado para o “Elvis” NBC TV special in Los Angeles, CA. em 20 de junho de 1968) 5. The Impossible Dream com Armond Morales (gravado no the International Hotel in Las Vegas em 28 de janeiro de 1971) 6. The First Time Ever I Saw Your Face com Ginger Holladay (gravado em Nashville, TN. em 15 de março de 1971) 7. The First Time Ever I Saw Your Face com Temple Riser (gravado em Nashville, TN em 21 de maio de 1971) 8. Help Me com Sherrill Nielsen (gravado em Memphis, TN. em 12 de dezembro de 1973) 9. Spanish Eyes com Sherrill Nielsen (gravado em Memphis, TN. em 16 de dezembro de 1973) 10. Why Me Lord com J.D. Sumner (gravado ao vivo em Memphis, TN. em 20 de março de 1974) 11. Brining It Back com Voice e Elvis. 12. Aubrey com The Voice e Elvis (gravado no the Hilton Hotel in Las Vegas em 2 de setembro de 1974) 13. Hawaiian Wedding Song com Kathy Westmoreland (gravado no the Hilton Hotel, Las Vegas em 2 de setembro de 1974) 14. Softly As I Leave You com Sherrill Nielsen (gravado no the Hilton Hotel, Las Vegas em 13 de dezembro de 1975 M.S.) Rarities: 15. Yippee Yi Yo Yippee Yi Yay com Imogene Coca, Andy Griffith & Steve Allen (gravado no “Steve Allen TV Show” em New York, NY. 1º de junho de 1956) 16. I Shall Not Be Moved com Jerry Lee Lewis & Carl Perkins 17. When The Saints Go Marching In com Jerry Lee Lewis & Carl Perkins (gravado no “Million Dollar Quartet” jam session no Sun Studio, 1956) 18. I Can’t Help (It If I’m Still In Love With You) com Anita Wood 19. Who’s Sorry Now com Anita Wood (gravado na casa de Eddie Fadal em Waco, TX. na primaveria de 1958) 20. If I Loved You com Nancy Sharpe 21. Sweet Leilani com Nancy Sharpe 22. Make Believe com Nancy Sharpe (gravado na casa de Elvis em Monovale Drive, Hollywood, CA. 1960) 23. You’re Life Has Just Begun com Linda Thompson 24. Teardrops com Linda Thompson (Recorded at Sam Thompson’s home in Memphis, TN. 1973) 25. Spanish Eyes com Sherrill Nielsen (gravado na casa de Elvis em Palm Springs, CA. 1974) Special Bonus: 26. Don’t Cry Daddy com Lisa Marie Presley (gravado no show “Elvis In Concert” em Memphis, TN. 16 de agosto de 1997) 

CD2: 1. Crawfish com Kitty White - do filme King Creole 2. Pocketful Of Rainbow com Juliet Prowse - do filme G.I. Blues 3. Husky Dusky Day com Hope Lang - do filme Wild In The Country 4. Aloha Oe com The Surfers - do filme Blue Hawaii 5. Earth Boy com Ginny e Elisabeth Tiu - do filme Girls! Girls! Girls! 6. How Would You Like To Be com Vicki Tiu - do filme It Happened At The World’s Fair 7. Happy Ending com Joan O'Brien - do filme It Happened At The World’s Fair 8. Mexico com Larry Domasin - do filme Fun In Acapulco 9. Today Tomorrow And Forever com Ann-Margret - do filme Viva Las Vegas 10. You’re The Boss com Ann-Margret - do filme Viva Las Vegas 11. The Lady Loves Me com Ann-Margret - do filme Viva Las Vegas 12. Spring Fever com Shelley Fabares - do filme Girl Happy 13. Frankie And Johnny com Eileen Wilson and Ray Walker - do filme Frankie And Johnny 14 Petunia The Gardener’s Daughter com Eileen Wilson - do filme Frankie And Johnny 15. Look Out Broadway com Eileen Wilson and Ray Walker - do filme Frankie And Johnny 16. Scratch My Back com Marianne Hill - do filme Paradise Hawaiian Style 17. Datin’ com Donna Butterworth - do filme Paradise Hawaiian Style 18. Queenie Wahine’s Papaya com Donna Butterworth - do filme Paradise Hawaiian Style 19. Yoga Is As Yoga Does com Elsa Lanchaster - do filme Easy Come, Easy Go 20. Who Need Money com Ray Walker - do filme Clambake 21. Confidence com várias crianças - do filme Clambake 22. There Ain’t Nothing Like A Song com Nancy Sinatra - do filme Speedway 23. Signs Of The Zodiac com Marilyn Mason - do filme The Trouble With Girls.

Pablo Aluísio.