Faroeste B da companhia cinematográfica Allied Artists Pictures. Essa empresa, que já não existe mais, começou distribuindo filmes pelo interior dos Estados Unidos e depois que alcançou grande sucesso nessa atividade começou a produzir seus próprios filmes. Nessa nova função chegou a produzir quase 150 filmes, quando problemas financeiros a levaram à falência. Suas produções tinham pequenos orçamentos, geralmente com nomes de segundo escalão em Hollywood, mas que conseguiam levar público em cinemas dos rincões das cidades do interior do país, geralmente nos cinemas do tipo drive-in, em programação dupla, onde o espectador pagava uma entrada para assistir a dois filmes.
“Abrindo Horizontes” fez parte desse tipo de pacote. Estrelado pelo ator cowboy Sterling Hayden, o filme de baixo orçamento se dava ao luxo de surgir nas telas em cores (technicolor), um luxo para filmes de western B da época como esse. Sterling Hayden era um ator bem limitado, ainda mais nesse ano em que trabalhou nesse filme, pois não passava de um aspirante ao estrelado. Nunca o achei bom ator, Ficava bem abaixo até mesmo de outros atores do gênero. De um jeito ou outro, conseguiria estrelar com êxito um ano depois o clássico “Johnny Guitar” onde interpretava justamente o próprio protagonista chamado Johnny “Guitar” Logan. Esse seria o grande filme de sua carreira. Também seria o único que ganharia o status de cult movie.
Nesse “Abrindo os Horizontes” ele interpreta um oficial do exército americano que se disfarça de engenheiro para ajudar a companhia ferroviária que está construindo uma linha entre o Kansas e o Pacífico. Por essa razão o filme tem o título original de “Kansas Pacific”, justamente o nome da ferrovia em questão. A construção era inevitavelmente alvo de ataques por parte de sulistas que viam a neutralidade do Kansas como um afronta aos interesses dos estados americanos confederados. De ataque em ataque, eles foram minando os trabalhos pois ninguém mais desejava trabalhar na ferrovia com medo de ser morto em algum atentado.
Assim o Capitão Nelson (Hayden) é enviado para a região para dar proteção e segurança aos trabalhadores. O filme é pequeno, quase um média metragem (meros 72 minutos de duração) e se parece demais com um outro filme de Randolph Scott chamado “Devastando Caminhos” de 1949. Plágio? Não diria que chegaria a tanto, apenas um “reciclagem” de ideias por parte da Allied. De qualquer modo, por ser tão curto e com enredo tão redondinho, passa longe de aborrecer alguém. No fundo é uma boa oportunidade de conhecer um típico faroeste da Aliied Artists. E pensar que a juventude da década de 1950 ia para os cinemas drive-in naquela época para namorar e acompanhar faroestes desse tipo.
Abrindo Horizontes (Kansas Pacific, Estados Unidos, 1953) Direção: Ray Nazarro / Roteiro: Daniel B. Ullman / Elenco: Sterling Hayden, Eve Miller, Burton MacLane, Harry Shannon / Sinopse: Capitão do exército americano é enviado para o Kansas para ajudar na proteção dos trabalhadores que estão construindo uma importante ferrovia. Os trabalhos são alvos de vários ataques promovidos por confederados que desejam a guerra entre norte e sul.
Pablo Aluísio.
quarta-feira, 22 de março de 2006
Fibra de Herói
Tom Buchanan (Randolph Scott) é um cowboy que indo na direção do Texas onde pretende comprar um rancho resolve parar numa pequenina cidade na fronteira entre Estados Unidos e México. Lá acaba involuntariamente se envolvendo numa briga entre um mimado filho do juiz local e um mexicano que está ali para lavar a honra de sua família. Após muitos desentendimentos Juan (Manuel Rojas) finalmente mata seu desafeto em um Saloon. Imediatamente a população resolve levar o criminoso ao linchamento mas Buchanan (Scott) tenta evitar. Má ideia. Logo ele também é acusado de ser cúmplice do assassino mesmo sendo completamente inocente.
"Homem errado no lugar errado" essa é a premissa desse "Fibra de herói", mais um parceria entre o ator Randolph Scott e o talentoso diretor Budd Boetticher. Juntos fariam alguns dos melhores westerns da década de 50, geralmente com Scott como produtor (ao lado de seu sócio Brown) e Boetticher como diretor. São faroestes eficientes, bem mais centrados em uma boa trama do que em produções de encher os olhos. "Fibra de Herói" tem todas essas características. A pequena cidade onde Scott vai parar e é condenado à forca é totalmente dominada pela mesma família. O corrupto xerife Lew Agry (Barry Kelley) é irmão do juiz Simon Agry (Tol Avery), que por sua vez também tem laços de sangue com Amos Agry (Peter Whitney) que cuida do único hotel da cidade. Juntos os três brigam entre si por poder, dinheiro e dominação. São víboras de uma mesma ninhada.
Em uma cidade assim, onde a família Agry manda em praticamente tudo o personagem de Randolph Scott certamente se encontra em sérios problemas pois ele é acusado injustamente de matar o fllho do juiz Simon, o desordeiro, bêbado e arruaceiro Roy Agry (William Leslie). Seria uma ironia sobre a política americana da época, também dominada por famílias poderosas e corruptas? Vindo do diretor Budd Boetticher tudo é possível. A tônica do filme é parecida com a de um jogo de pôquer do velho oeste onde todos se mostram extremamente gananciosos. A cena final, um grande tiroteio envolvendo a posse de uma mala cheia de dinheiro (50 mil dólares em espécie), mostra bem isso. Com tanta grana em jogo ninguém mais reconhece ninguém, irmão atira em irmão e qualquer laço de parentesco desaparece sob uma chuva de balas.
Embora muito bom, inclusive tecnicamente, "Fibra de Herói" se revela curioso porque o personagem de Randolph Scott apenas tangencia a trama principal. De fato ele fica bastante tempo fora de cena mostrando que é em essência um personagem secundário. Isso pode ter até mesmo aborrecido os fãs do ator cowboy na época. Como o roteiro é baseado em uma novela de Jonas Ward não houve como mudar isso. De qualquer modo temos aqui um faroeste típico de Randolph Scott, mesmo que atuando apenas discretamente em um personagem não tão central como estamos acostumados a ver. Recomendo.
Fibra de Herói (Buchanan Rides Alone, EUA, 1959) Direção: Budd Boetticher / Roteiro: Charles Lang baseado na novela de Jonas Ward / Elenco: Randolph Scott, Craig Stevens, Barry Kelley / Sinopse: A caminho do Texas onde pretende comprar um rancho para começar vida nova, um cowboy (Randolph Scott) é injustamente acusado de ser cúmplice na morte do filho do juiz da cidade. Agora ele terá que lutar por sua vida e sua inocência.
Pablo Aluísio.
"Homem errado no lugar errado" essa é a premissa desse "Fibra de herói", mais um parceria entre o ator Randolph Scott e o talentoso diretor Budd Boetticher. Juntos fariam alguns dos melhores westerns da década de 50, geralmente com Scott como produtor (ao lado de seu sócio Brown) e Boetticher como diretor. São faroestes eficientes, bem mais centrados em uma boa trama do que em produções de encher os olhos. "Fibra de Herói" tem todas essas características. A pequena cidade onde Scott vai parar e é condenado à forca é totalmente dominada pela mesma família. O corrupto xerife Lew Agry (Barry Kelley) é irmão do juiz Simon Agry (Tol Avery), que por sua vez também tem laços de sangue com Amos Agry (Peter Whitney) que cuida do único hotel da cidade. Juntos os três brigam entre si por poder, dinheiro e dominação. São víboras de uma mesma ninhada.
Em uma cidade assim, onde a família Agry manda em praticamente tudo o personagem de Randolph Scott certamente se encontra em sérios problemas pois ele é acusado injustamente de matar o fllho do juiz Simon, o desordeiro, bêbado e arruaceiro Roy Agry (William Leslie). Seria uma ironia sobre a política americana da época, também dominada por famílias poderosas e corruptas? Vindo do diretor Budd Boetticher tudo é possível. A tônica do filme é parecida com a de um jogo de pôquer do velho oeste onde todos se mostram extremamente gananciosos. A cena final, um grande tiroteio envolvendo a posse de uma mala cheia de dinheiro (50 mil dólares em espécie), mostra bem isso. Com tanta grana em jogo ninguém mais reconhece ninguém, irmão atira em irmão e qualquer laço de parentesco desaparece sob uma chuva de balas.
Embora muito bom, inclusive tecnicamente, "Fibra de Herói" se revela curioso porque o personagem de Randolph Scott apenas tangencia a trama principal. De fato ele fica bastante tempo fora de cena mostrando que é em essência um personagem secundário. Isso pode ter até mesmo aborrecido os fãs do ator cowboy na época. Como o roteiro é baseado em uma novela de Jonas Ward não houve como mudar isso. De qualquer modo temos aqui um faroeste típico de Randolph Scott, mesmo que atuando apenas discretamente em um personagem não tão central como estamos acostumados a ver. Recomendo.
Fibra de Herói (Buchanan Rides Alone, EUA, 1959) Direção: Budd Boetticher / Roteiro: Charles Lang baseado na novela de Jonas Ward / Elenco: Randolph Scott, Craig Stevens, Barry Kelley / Sinopse: A caminho do Texas onde pretende comprar um rancho para começar vida nova, um cowboy (Randolph Scott) é injustamente acusado de ser cúmplice na morte do filho do juiz da cidade. Agora ele terá que lutar por sua vida e sua inocência.
Pablo Aluísio.
sexta-feira, 17 de março de 2006
Cine Western - O Diretor de Faroestes George Sherman
George Sherman foi um dos diretores mais prolíficos e consistentes do cinema norte-americano, especialmente reconhecido por sua vasta contribuição ao gênero faroeste clássico. Nascido em 14 de setembro de 1908, em Nova York, Sherman iniciou sua carreira ainda jovem em Hollywood, trabalhando inicialmente como assistente de direção. Rapidamente, destacou-se pela eficiência e pela capacidade de realizar filmes dentro de prazos curtos e orçamentos modestos, qualidades muito valorizadas pelos estúdios nas décadas de 1930 e 1940.
Durante os anos 1940 e 1950, George Sherman tornou-se um nome frequente nos estúdios Republic Pictures e Universal, onde dirigiu dezenas de westerns. Seus filmes eram marcados por ritmo ágil, narrativa direta e forte valorização da ação, elementos essenciais para o público fiel do gênero. Sherman tinha especial habilidade em explorar paisagens naturais, usando locações externas para dar autenticidade visual às histórias do Velho Oeste, mesmo quando trabalhava com recursos limitados.
Ao longo da carreira, o diretor colaborou com grandes astros do faroeste, como John Wayne, Audie Murphy, Randolph Scott e Rory Calhoun. Com Audie Murphy, em particular, realizou alguns de seus filmes mais lembrados, ajudando a consolidar a imagem do ator como um dos principais heróis do western dos anos 1950. Sherman sabia equilibrar cenas de ação com momentos dramáticos, construindo personagens claros em termos morais, algo característico do faroeste clássico.
Embora seja mais associado aos westerns, George Sherman também dirigiu filmes de outros gêneros, incluindo aventuras, dramas e produções de capa e espada. Títulos como O Filho de Ali Babá (1952) e A Princesa do Nilo (1954) demonstram sua versatilidade e sua facilidade em transitar por diferentes estilos cinematográficos. Mesmo fora do faroeste, sua direção mantinha clareza narrativa e forte senso de entretenimento popular.
George Sherman encerrou sua carreira no cinema no início dos anos 1960 e faleceu em 1991, deixando um legado significativo para a história do western hollywoodiano. Embora raramente citado entre os diretores mais autorais do gênero, seu trabalho foi fundamental para sustentar a popularidade do faroeste durante décadas. Hoje, seus filmes são lembrados como exemplos sólidos do cinema clássico de estúdio, representando com competência e energia o espírito do Oeste americano nas telas.
quinta-feira, 16 de março de 2006
Cine Western - Gregory Peck
Cine Western - Gregory Peck
O excelente ator Gregory Peck em cena do filme "Céu Amarelo", um dos grandes clássico do western psicológico. E também um dos pioneiros nesse estilo cinematográfico. É cinema de grande qualidade, sem dúvida!
Pablo Aluísio.
Cine Western - O ator de Faroestes Rod Cameron
Rod Cameron foi um dos atores mais populares do faroeste norte-americano nas décadas de 1940 e 1950, consolidando-se como um típico herói do Oeste clássico de Hollywood. Nascido em 7 de dezembro de 1910, no Canadá, Cameron mudou-se ainda jovem para os Estados Unidos e iniciou sua carreira artística após servir na Marinha durante a Segunda Guerra Mundial. Alto, de porte atlético e presença marcante, ele rapidamente chamou a atenção dos estúdios para papéis de homens fortes, determinados e moralmente íntegros.
Sua ascensão ocorreu principalmente na Republic Pictures, onde estrelou uma série de westerns de orçamento médio que fizeram grande sucesso junto ao público. Rod Cameron destacava-se por interpretar personagens firmes, muitas vezes xerifes, homens da lei ou pistoleiros honrados, sempre associados à ideia de justiça e ordem no Velho Oeste. Seu estilo de atuação era direto e sem excessos, o que combinava perfeitamente com o tom prático e objetivo dos faroestes produzidos naquele período.
Entre seus filmes mais lembrados estão Stampede (1949), Panhandle (1948) e Fort Osage (1952), obras que reforçaram sua imagem como um astro confiável do gênero. Cameron também contracenou com atrizes populares da época e trabalhou com diretores especializados em westerns, contribuindo para produções que, embora não fossem superproduções, mantinham alto nível de entretenimento e ação constante.
Além do cinema, Rod Cameron teve uma carreira significativa na televisão, especialmente a partir dos anos 1950, quando o western migrou com força para as séries semanais. Ele protagonizou programas como State Trooper (1956–1959), no qual interpretava um policial estadual, e participou de diversos episódios de séries populares do gênero, mantendo sua popularidade junto ao público por muitos anos.
Rod Cameron faleceu em 1983, deixando uma filmografia extensa e profundamente ligada ao imaginário do faroeste clássico. Embora não tenha alcançado o status de superestrela como John Wayne, seu nome permanece associado à era dourada do western hollywoodiano. Hoje, é lembrado como um ator sólido e carismático, cuja presença ajudou a definir o arquétipo do herói do Oeste em dezenas de produções que marcaram época.
Cine Western - Bob Custer
Cine Western - Bob Custer
Ator popular de filmes mudos de faroeste produzidos entre as décadas de 1920 e 1930. Morreu na década de 1970.
Pablo Aluísio.
quarta-feira, 15 de março de 2006
Cine Western - Debandada (1949)
O western Debandada estreou nos cinemas em 1949, dirigido por Lesley Selander e estrelado por Rod Cameron, com Gale Storm e Johnny Mack Brown no elenco. Produzido pela Columbia Pictures, o filme se insere na tradição dos westerns de ação do pós-guerra, centrados em conflitos entre criadores de gado, interesses econômicos e justiça no Velho Oeste. A narrativa gira em torno de disputas violentas pelo controle de terras e manadas, culminando em sequências de ação típicas do gênero.
Do ponto de vista comercial, Debandada teve um desempenho modesto, porém satisfatório, condizente com seu perfil de produção de médio orçamento. Não foi um grande sucesso de bilheteria, mas cumpriu bem seu papel no circuito de exibição regular e nas sessões duplas, muito comuns na época. Para a Columbia, o filme representou um produto sólido dentro de sua linha de westerns, garantindo retorno estável e boa aceitação junto ao público habituado ao gênero.
A recepção crítica em 1949 foi discreta, mas geralmente positiva, especialmente entre os jornais especializados em cinema popular. A revista Variety comentou que o filme era “um western direto e eficiente, com ritmo constante e ação suficiente para agradar ao público das matinês”, destacando sua narrativa simples e objetiva. O foco não estava na inovação, mas na execução competente dos elementos tradicionais do gênero.
Outros comentários da imprensa ressaltaram o espetáculo visual das cenas envolvendo o gado. Alguns críticos observaram que “as sequências do estouro da manada são bem encenadas e oferecem momentos de genuína tensão”, elogiando o uso de locações abertas e o trabalho de direção nas cenas de ação. Embora o roteiro tenha sido considerado convencional, a atuação firme de Rod Cameron foi frequentemente citada como um ponto de sustentação dramática do filme.
Com o passar do tempo, Debandada passou a ser lembrado como um exemplo representativo do western funcional dos anos 1940, feito para entretenimento direto e sem pretensões revisionistas. As críticas publicadas na época já indicavam que o filme não buscava reinventar o gênero, mas entregar exatamente o que prometia: ação, conflito e justiça no Oeste americano. Hoje, ele é valorizado principalmente por fãs e estudiosos como parte do vasto catálogo de westerns clássicos que moldaram o imaginário do cinema americano.
Cine Western - Randolph Scott
Randolph Scott - De Arma em Punho
Disfarçado como professor, o agente do governo Major Ransome Callicut (interpretado por Randolph Scott) chega à Califórnia em 1850 para investigar um plano de insurreição que visa separar a parte sul do estado para torná-la escravocrata. Durante sua missão, ele descobre um esconderijo de armas e acaba revelando sua verdadeira identidade para liderar a defesa local contra intrigas e violência política.
terça-feira, 14 de março de 2006
Cine Western - Crônicas do Velho Oeste
Lanço nesse final de ano um livro com material de western, algo que está cada vez mais raro de encontrar em nosso país. Uma seleção especial trazendo os melhores filmes da carreira do ator John Wayne. E não é só. Essa edição ainda traz histórias de western, todas se passando no velho oeste americano. Uma coletânea de contos de faroeste. São 179 páginas com muito faroeste para o leitor! Abaixo segue os links para compra dessa edição.
Crônicas do Velho Oeste (Pablo Aluísio) pode ser adquirido clicando nos links abaixo.
Cine Western - Bud Spencer
Cine Western - Bud Spencer
O ator que ficou muito popular com os filmes de Trinity, por volta de meados dos anos 1960 e década seguinte. Ao lado de Terence Hill ele lotou muitos cinemas de bairro naquela época que deixou saudades.
Pablo Aluísio.
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