terça-feira, 16 de setembro de 2014

Olga

Título no Brasil: Olga
Título Original: Olga
Ano de Produção: 2004
País: Brasil
Estúdio: Europa Filmes, Globo Filmes
Direção: Jayme Monjardim
Roteiro: Rita Buzzar, baseada no livro de Fernando Morais
Elenco: Camila Morgado, Caco Ciocler, Fernanda Montenegro

Sinopse:
O filme Olga narra parte da rica biografia da alemã Olga Benário (1908 - 1942), uma das mais importantes militantes comunistas de seu período. Perseguida pelo regime autoritário de seu país de origem ela foge para Moscou e depois vem parar em terras brasileiras onde alimenta o sonho utópico de participar ao lado de seus companheiros de uma revolução socialista em nosso país. Filme vencedor de diversos prêmios ao redor do mundo, entre eles o Havana Film Festival, SESC Film Festival, Cinema Brazil Grand Prize e ABC Cinematography Award nas categorias Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte.

Comentários:
Durante muitos anos o cinema brasileiro sofreu de um certo preconceito de que não poderia realizar bons filmes históricos, seja por questões orçamentárias, seja por falta de experiência maior de seus cineastas (sempre envolvidos com outros gêneros como a pornochanchada ou os dramas sociais). Pois bem, aqui temos um filme nacional extremamente bem realizado, com excelente reconstituição de época, contando a vida de uma personagem importante dentro da trajetória política do país. Obviamente que um roteiro que fosse tratar da biografia de Olga Benário poderia cair em várias armadilhas, inclusive ideológicas, pois a película facilmente cairia na vala comum da panfletagem política mais rasteira. Felizmente os realizadores conseguiram contar sua vida fugindo desse tipo de armadilha fatal para qualquer produção cinematográfica digna. Não há o levante de bandeiras, sejam elas vermelhas ou reacionárias. O cineasta se propõe apenas a contar parte da vida de Olga passada no Brasil de forma bem honesta e imparcial. Sua ideologia inclusive é tratada com uma certa nostalgia melancólica, de um tempo que não existe mais, quando os partidários do movimento de esquerda eram mais sonhadores, ideológicos e menos cínicos e corruptos. Uma pureza de intenções que se perderia no tempo. Assim o que temos é um produto muito inspirado, com atuações maravilhosas e produção requintada. Nada que lembre os anos sombrios do cinema brasileiro. Assista sem receios.

Pablo Aluísio e Júlio Abreu.

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