sexta-feira, 2 de junho de 2000

Cinema Clássico - Vivien Leigh

Vivien Leigh

Biografia
Vivien Leigh nasceu em 5 de novembro de 1913, em Darjeeling, na Índia Britânica, com o nome de Vivian Mary Hartley. Filha de pais ingleses, passou parte da infância entre a Índia e a Europa, estudando em internatos na Inglaterra e na França. Desde jovem demonstrou grande interesse pelas artes cênicas e decidiu seguir a carreira de atriz após estudar na Royal Academy of Dramatic Art (RADA), em Londres. Sua beleza delicada e talento dramático logo a destacaram nos palcos britânicos.

Estréia no cinema – Primeiros filmes
Vivien estreou no cinema em The Village Squire (1935), um pequeno papel. No mesmo ano, casou-se com o advogado Herbert Leigh Holman e adotou seu sobrenome artístico. Sua primeira atuação de destaque foi em Fire Over England (1937), onde contracenou com Laurence Olivier, com quem viveria um célebre romance.

Auge e sucesso em Hollywood
O auge de Vivien Leigh chegou em 1939, quando venceu uma disputa acirrada e foi escolhida para interpretar Scarlett O’Hara em ...E o Vento Levou (Gone with the Wind). Sua atuação tornou-se lendária e lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz, consagrando-a mundialmente.
Nos anos 1940 e 1950, alternou trabalhos entre Hollywood e o teatro britânico, frequentemente ao lado de Laurence Olivier. Em 1951, brilhou novamente em Uma Rua Chamada Pecado (A Streetcar Named Desire), pelo qual ganhou seu segundo Oscar de Melhor Atriz, consolidando-se como uma das maiores atrizes de sua geração.

Principais filmes da carreira

  • ...E o Vento Levou (Gone with the Wind, 1939)

  • Uma Rua Chamada Pecado (A Streetcar Named Desire, 1951)

  • Fogo sobre a Inglaterra (Fire Over England, 1937)

  • Tempestades d’Alma (Waterloo Bridge, 1940)

  • César e Cleópatra (Caesar and Cleopatra, 1945)

  • Anna Karenina (Anna Karenina, 1948)

  • O Caminho das Estrelas (Ship of Fools, 1965)

  • O Fim de uma Aventura (That Hamilton Woman, 1941)

Últimos filmes
Nos anos 1960, apesar de sua saúde debilitada, Vivien continuou atuando. Seu último filme foi O Caminho das Estrelas (Ship of Fools, 1965), que lhe trouxe elogios da crítica e demonstrou que seu talento permanecia intacto.

Filmes de grande sucesso estrelados por Vivien Leigh

  • ...E o Vento Levou (Gone with the Wind, 1939)

  • Uma Rua Chamada Pecado (A Streetcar Named Desire, 1951)

  • Tempestades d’Alma (Waterloo Bridge, 1940)

  • O Fim de uma Aventura (That Hamilton Woman, 1941)

  • César e Cleópatra (Caesar and Cleopatra, 1945)

  • Anna Karenina (Anna Karenina, 1948)

  • O Caminho das Estrelas (Ship of Fools, 1965)

Vida Pessoal
Vivien Leigh teve uma vida pessoal marcada por paixões intensas e problemas de saúde. Casou-se pela primeira vez em 1932 com Herbert Leigh Holman, com quem teve uma filha, Suzanne. Durante as filmagens de Fire Over England (1937), apaixonou-se por Laurence Olivier, com quem viveu um romance público e turbulento, casando-se em 1940.
Vivien sofria de transtorno bipolar (à época chamado de “instabilidade nervosa”), o que afetou profundamente sua vida pessoal e profissional. Sua saúde física também se deteriorou por causa de repetidos episódios de tuberculose. Após o divórcio de Olivier, manteve um relacionamento com o ator Jack Merivale, que a acompanhou até o fim da vida.

Morte
Vivien Leigh faleceu em 8 de julho de 1967, aos 53 anos, em Londres, devido a complicações de uma tuberculose crônica. Sua morte causou grande comoção no mundo do teatro e do cinema. No dia seguinte, os teatros do West End londrino apagaram suas luzes em sua homenagem.

Prêmios e Reconhecimentos

  • Oscar de Melhor Atriz por ...E o Vento Levou (1939)

  • Oscar de Melhor Atriz por Uma Rua Chamada Pecado (1951)

  • BAFTA de Melhor Atriz Britânica por Uma Rua Chamada Pecado (1952)

  • Prêmio Tony por sua atuação teatral em Tovarich (1963)

  • Nomeada uma das maiores estrelas do cinema clássico pelo American Film Institute (AFI)

  • Estrela na Calçada da Fama de Hollywood

Legado
Vivien Leigh é considerada uma das maiores atrizes da história do cinema e do teatro. Sua capacidade de expressar vulnerabilidade e força simultaneamente marcou uma geração. Sua interpretação como Scarlett O’Hara continua sendo uma das mais icônicas do cinema mundial.
Leigh também é lembrada como símbolo de elegância, talento e tragédia — uma artista brilhante cuja vida foi marcada por intensas batalhas pessoais. Sua carreira influenciou atrizes posteriores como Elizabeth Taylor, Meryl Streep e Cate Blanchett. Mesmo décadas após sua morte, seu nome permanece sinônimo de arte, beleza e intensidade dramática.

Cinema Clássico - Errol Flynn

Errol Flynn

Biografia
Errol Leslie Thomson Flynn nasceu em 20 de junho de 1909, em Hobart, Tasmânia, Austrália. Filho de um professor universitário e de uma mãe com espírito aventureiro, cresceu entre o mar e a natureza, desenvolvendo um gosto precoce pela aventura e pelo risco. Antes de se tornar ator, teve uma vida agitada: foi marinheiro, boxeador amador e até caçador de pérolas. Essa vivência aventureira acabaria moldando sua imagem cinematográfica.

Estréia no cinema – Primeiros filmes
Flynn começou sua carreira no cinema de maneira quase acidental. Após atuar em peças de teatro na Inglaterra, foi descoberto pela Warner Bros., que o levou para Hollywood em 1934. Seu primeiro grande papel foi em O Capitão Blood (Captain Blood, 1935), ao lado de Olivia de Havilland. O filme foi um enorme sucesso e transformou Flynn em astro instantâneo.

Auge e sucesso em Hollywood
Entre meados da década de 1930 e o início dos anos 1940, Errol Flynn se tornou o símbolo máximo do herói romântico e do aventureiro galante. Com sua beleza, carisma e talento para cenas de ação, foi o grande astro dos filmes de capa e espada. Tornou-se um dos nomes mais populares do estúdio Warner Bros., especialmente em parceria com Olivia de Havilland, com quem formou um dos casais mais icônicos do cinema clássico.

Principais filmes da carreira

  • O Capitão Blood (Captain Blood, 1935)

  • As Aventuras de Robin Hood (The Adventures of Robin Hood, 1938)

  • Cargas do Destino (They Died with Their Boots On, 1941)

  • A Estrada de Santa Fé (Santa Fe Trail, 1940)

  • A Carga da Brigada Ligeira (The Charge of the Light Brigade, 1936)

  • O Gavião do Mar (The Sea Hawk, 1940)

  • Intriga Internacional (Edge of Darkness, 1943)

  • O Príncipe e o Pirata (Against All Flags, 1952)

  • O Sol Também se Levanta (The Sun Also Rises, 1957)

  • Camaradas em Armas (Objective, Burma!, 1945)

Últimos filmes
Nos anos 1950, o brilho de Flynn começou a diminuir devido a problemas pessoais e à mudança no gosto do público. Ainda assim, participou de bons filmes, como O Sol Também se Levanta (The Sun Also Rises, 1957) e Um Retrato de Genevieve (The Roots of Heaven, 1958). Seu último trabalho foi em Cuban Rebel Girls (1959), no qual também narrou a história.

Filmes de grande sucesso estrelados por Errol Flynn

  • O Capitão Blood (Captain Blood, 1935)

  • A Carga da Brigada Ligeira (The Charge of the Light Brigade, 1936)

  • As Aventuras de Robin Hood (The Adventures of Robin Hood, 1938)

  • O Gavião do Mar (The Sea Hawk, 1940)

  • A Estrada de Santa Fé (Santa Fe Trail, 1940)

  • Camaradas em Armas (Objective, Burma!, 1945)

  • Cargas do Destino (They Died with Their Boots On, 1941)

  • O Sol Também se Levanta (The Sun Also Rises, 1957)

Vida Pessoal
Errol Flynn viveu de forma intensa e controversa. Casou-se três vezes: com a atriz Lili Damita (com quem teve um filho, Sean Flynn), com Nora Eddington e depois com Patrice Wymore, sua companheira até o fim da vida. Era conhecido por seu estilo de vida extravagante, repleto de festas, romances e escândalos. Em 1942, foi julgado por estupro, mas acabou absolvido — episódio que marcou profundamente sua imagem pública. Fora das telas, era amante da navegação, da literatura e das viagens, mas também teve problemas sérios com álcool e drogas.

Morte do ator
Errol Flynn faleceu em 14 de outubro de 1959, em Vancouver, Canadá, aos 50 anos, vítima de um ataque cardíaco causado por complicações de uma cirrose hepática e problemas cardíacos. Sua morte precoce encerrou uma vida marcada por glória, excessos e lendas.

Prêmios e Reconhecimentos
Apesar de nunca ter sido indicado ao Oscar, Flynn foi amplamente reconhecido por seu carisma e importância cultural:

  • Recebeu homenagens póstumas em diversos festivais de cinema.

  • Em 1960, ganhou uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood (na categoria Cinema).

  • Em 1985, a revista American Film Institute o incluiu entre os maiores ícones do cinema de aventura.

  • É constantemente lembrado em listas de “maiores astros da Era de Ouro de Hollywood”.

Legado
Errol Flynn permanece como o maior símbolo do herói aventureiro do cinema clássico. Sua interpretação em As Aventuras de Robin Hood é considerada definitiva e influenciou inúmeros atores e produções posteriores. Representava o ideal romântico do galã destemido, espirituoso e elegante.
Mesmo décadas após sua morte, seu nome é sinônimo de charme, bravura e rebeldia — um verdadeiro mito da tela grande. O próprio termo “swashbuckler” (herói de capa e espada) ficou indissociável de sua figura.

quinta-feira, 1 de junho de 2000

Cinema Clássico - Bette Davis

Guia
completo e cronológico sobre Bette Davis, uma das maiores atrizes da história do cinema americano e um ícone da Era de Ouro de Hollywood.

🎬 Bette Davis – Biografia Completa

1. História e Início de Carreira

  • Nome completo: Ruth Elizabeth Davis

  • Nascimento: 5 de abril de 1908, em Lowell, Massachusetts, EUA

  • Falecimento: 6 de outubro de 1989, em Neuilly-sur-Seine, França

  • Profissão: Atriz, produtora e ícone do cinema clássico

  • Atuação: 1929–1989

Bette Davis começou no teatro antes de migrar para o cinema no final da década de 1920. Destacou-se por interpretar personagens femininas fortes, complexas e muitas vezes antipáticas — o que a diferenciava das estrelas glamorosas de Hollywood de sua época.

Foi uma das primeiras atrizes a lutar por liberdade artística em seu contrato com os estúdios, tornando-se símbolo da independência feminina no cinema.


2. Vida Pessoal

  • Casou-se quatro vezes:

    1. Harmon Nelson (1932–1938) – seu primeiro marido, músico.

    2. Arthur Farnsworth (1940–1943) – morreu em um acidente doméstico.

    3. William Grant Sherry (1945–1950) – tiveram uma filha, B.D. Hyman.

    4. Gary Merrill (1950–1960) – adotaram dois filhos.

  • Teve uma relação conturbada com a filha B.D. Hyman, que mais tarde publicou um livro criticando a mãe (My Mother’s Keeper, 1985).

  • Era conhecida pelo temperamento forte, perfeccionismo e exigência com diretores e colegas.


3. Principais Filmes

Ano Título Original Título no Brasil Destaque
1934 Of Human Bondage Cativeiro do Desejo Primeira grande atuação dramática.
1935 Dangerous Perigosa Ganhou seu 1º Oscar de Melhor Atriz.
1938 Jezebel Jezebel 2º Oscar de Melhor Atriz.
1940 The Letter A Carta Um de seus papéis mais intensos.
1941 The Little Foxes Pérfida Clássico com interpretação magistral.
1950 All About Eve A Malvada Um dos maiores filmes de todos os tempos; indicada ao Oscar.
1962 What Ever Happened to Baby Jane? O Que Terá Acontecido a Baby Jane? Papel icônico; rivalidade com Joan Crawford.
1978 Death on the Nile Morte no Nilo Sucesso no cinema britânico.
1987 The Whales of August As Baleias de Agosto Último grande papel.

🟡 Total: mais de 100 filmes ao longo de 60 anos de carreira.
🟡 Indicações ao Oscar: 10 vezes (ganhou 2).
🟡 Prêmio honorário da Academia: 1977, pelo conjunto da obra.


4. Cronologia – Linha do Tempo

Ano Evento
1908 Nasce em Lowell, Massachusetts.
1926–1929 Início da carreira teatral em Nova York.
1930 Assina contrato com a Warner Bros. e estreia no cinema.
1934 Fica famosa com Of Human Bondage.
1935 Vence o primeiro Oscar por Dangerous.
1936 Entra em conflito com a Warner e processa o estúdio — perde, mas conquista mais liberdade criativa.
1938 Ganha o segundo Oscar por Jezebel.
1940s Torna-se uma das atrizes mais bem pagas de Hollywood.
1950 Reaparece em grande estilo com All About Eve.
1962 Protagoniza What Ever Happened to Baby Jane?, grande sucesso de crítica e bilheteria.
1977 Recebe o Oscar Honorário pelo conjunto da carreira.
1983 Sofre um AVC e passa por uma mastectomia devido a câncer de mama.
1987 Retorna ao cinema em The Whales of August.
1989 Falece em Neuilly-sur-Seine, França, aos 81 anos.

5. Morte

Bette Davis morreu em 6 de outubro de 1989, em decorrência de câncer de mama e complicações após um AVC. Ela estava em Paris para participar de um festival de cinema e foi sepultada no Forest Lawn Memorial Park, em Los Angeles.

Sua lápide traz uma frase famosa que reflete sua personalidade forte:

“She did it the hard way.” (Ela fez do jeito mais difícil.)


6. Legado e Importância Histórica

  • Atriz símbolo da força feminina no cinema: interpretou personagens complexas, determinadas e sem medo de desafiar padrões.

  • Pioneira: primeira mulher a presidir a Academy of Motion Picture Arts and Sciences (a Academia do Oscar).

  • Independente: lutou contra o sistema dos estúdios, abrindo espaço para que artistas tivessem mais controle sobre suas carreiras.

  • Ícone cultural: sua imagem (especialmente o olhar intenso) inspirou canções, como Bette Davis Eyes (Kim Carnes, 1981), vencedora do Grammy.

  • 🎬 Influência duradoura: inspira atrizes até hoje, como Meryl Streep, Glenn Close e Jessica Chastain.


Cinema Clássico - Rodolfo Valentino

Rodolfo Valentino
Ainda na era do cinema mudo surgiu o primeiro superstar do cinema mundial. Ele era o ídolo máximo das telas em sua época. O interessante é que ele não era americano, mas sim italiano, nascido em Castellaneta, filho de um casal de classe média da região. Em 1913 decidiu tentar a sorte na América, como muitos de sua nação. Assim se tornou imigrante, chegando nos Estados Unidos por volta daquele mesmo ano. A vida nova em um novo país não foi fácil. Para sobreviver trabalhou em praticamente tudo, chegando a ser lavador de pratos, jardineiro, garçom, até que decidiu ir embora para a Califórnia. Foi a sorte grande em sua vida. No novo estado descobriu que as portas do cinema poderiam lhe ser abertas. 

Começou como mero figurante, mas sua beleza logo chamou a atenção dos produtores. Assim os estúdios decidiram apostar no novato, o colocando como galã romântico exótico em sua série de fitas de baixo orçamento que logo se tornaram grandes sucessos de bilheteria. Em pouco tempo estava nas capas de todas as revistas de cinema, sempre sendo promovido como o perfeito "amante latino". 

Nessa fase colecionou grandes sucessos no cinema com os filmes “Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse”, "O Sheik", “Sangue e Areia” e “A Águia”. Parecia ter um futuro mais do que promissor pela frente, mas o destino tinha outros planos. No dia 23 de agosto de 1926 ele faleceu em Nova Iorque, com apenas 31 anos de idade! A causa foi divulgada como decorrência de complicações relacionadas a uma úlcera gástrica que teria se perfurado, resultando em peritonite, juntamente com inflamação do apêndice. Houve uma tentativa de salvar sua vida em uma cirurgia de emergência, mas não houve resposta positiva de seu organismo.

A morte do ator o transformou em um mito imediato, o primeiro caso de mitologia fúnebre envolvendo um astro de Hollywood. Só para se ter uma ideia da comoção, em seu funeral, afirmaram os jornais da época, compareceram mais de 100 mil pessoas. Uma multidão acompanhou o corpo do ator até seu destino final. Era uma prova da força do cinema já naqueles tempos pioneiros. 

Como era de se esperar a morte imortalizou o mito de Rodolfo “Rudolph” Valentino. De certa maneira ele criou o tipo de galã que seria imitado por décadas após sua morte no cinema americano. A figura do amante latino jamais deixaria as telas depois de sua curta e meteórica carreira. Também foi um pioneiro no impacto dentro da cultura pop. Sua influência rompeu as fronteiras do cinema, não ficando restrita apenas aos seus filmes. Sua imagem também passou a influenciar a moda, a imprensa e os costumes da sociedade. Houve o surgimento de toda uma busca ávida do público por detalhes pessoais de seus ídolos. Depois de Valentino também surgiu uma série de clubes formados por admiradores, o tipo de associação que hoje conhecemos como fãs clubes. 

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 3 de abril de 2000

Cinema Classe A - Superman

Superman
Na iminência da destruição de seu planeta Kripton, Jor-El (Marlon Brando) decide enviar seu filho recém nascido para um planeta distante chamado Terra nos confins do universo. Assim começa a aventura de Superman, um dos super-heróis mais populares e influentes da cultura pop. Para aquele que é considerado o primeiro grande personagem do universo de quadrinhos a Warner resolveu caprichar na realização desse filme. A publicidade de Superman garantia que o espectador iria acreditar que o homem poderia voar. Depois do lançamento ninguém mais tinha dúvidas sobre isso. Superman é até hoje uma das melhores adaptações já feitas de quadrinhos para o cinema. A produção classe A acerta em praticamente todos os aspectos: elenco, direção, efeitos especiais e roteiro. Poucas vezes na história do cinema se viu um filme em que tantos elementos se encaixavam tão perfeitamente. Os efeitos especiais certamente envelheceram pois foram feitos em uma época em que não havia ainda efeitos digitais. Mesmo assim visto atualmente temos que admitir que se tornaram bem charmosos, além de dar um status cult para a produção em si. As cenas em que Superman voa pela primeira vez, por exemplo, não perderam impacto mesmo nos dias de hoje. 

Além de visualmente deslumbrante Superman ainda contava com uma trilha sonora imortal que até hoje emociona. A música tema composta por John Williams ainda soa poderosa e evocativa, mesmo após tantos anos. O elenco de Superman é formidável a começar pela escolha de Christopher Reeve para interpretar o personagem título. Eu costumo dizer que não basta ter apenas a estampa, o porte físico de Superman para se sair bem nesse papel. Tem que ser bom ator e a razão é simples: para interpretar Clark Kent o ator tem que ser versátil. Por isso tantos fracassaram. Nessa questão Christopher Reeve foi brilhante pois atuou maravilhosamente bem tanto na pele do super-herói quanto na pele de seu alter ego, o jornalista tímido e atrapalhado Clark Kent. Outro destaque sempre lembrado desse filme é a presença do mito Marlon Brando. Fazendo o papel do pai de Superman ele rouba a parte inicial do filme. Curiosamente Brando quase não embarca nessa aventura pelo cachê absurdo que cobrou. Após analisar bem o estúdio entendeu que ter Marlon Brando no elenco não tinha preço pois ele certamente traria muito prestígio para o filme como um todo. Foi contratado e mais uma vez arrasou em cena. Como se não bastasse a presença desses dois maravilhosos profissionais o filme ainda contava com um elenco de apoio simplesmente incrível: Gene Hackman e o veterano Glenn Ford (na pele do pai terrestre de Kent). Em breve teremos mais uma adaptação do personagem para as telas, novamente pelos estúdios Warner e novamente contando com uma produção milionária. Será que vai conseguir superar esse filme definitivo sobre o homem de aço? Eu duvido muito. Algumas produções são simplesmente definitivas como essa. Nota 10 com louvor. 

Superman - O Filme (Superman, Estados Unidos, 1978) Direção: Richard Donner / Roteiro: Mario Puzo, David Newman, Leslie Newman, Robert Benton baseados no personagem criado por Jerry Siegel e Joe Shuster / Elenco: Christopher Reeve, Marlon Brando, Gene Hackman, Glenn Ford, Margot Kidder, Susannah York, Terence Stamp / Sinopse: "Superman" de 1978 conta as origens do personagem tão popular do universo de quadrinhos. Nascido em Kripton adquire super poderes em nosso planeta. Um ícone da cultura pop em excelente produção dos estúdios Warner. 

Pablo Aluísio.


Em Cartaz: Superman
Superman – O Filme estreou mundialmente em dezembro de 1978, dirigido por Richard Donner e estrelado por Christopher Reeve, marcando a primeira grande adaptação moderna de um super-herói dos quadrinhos para o cinema com ambição épica. Produzido por Alexander e Ilya Salkind, o longa foi concebido como um espetáculo de prestígio, com orçamento elevado, efeitos especiais inovadores e um elenco de peso, incluindo Marlon Brando como Jor-El e Gene Hackman como Lex Luthor. O slogan promocional — “You’ll believe a man can fly” — sintetizava a aposta do estúdio em convencer o público de que um herói dos quadrinhos podia ser levado a sério no cinema.

A bilheteria foi extraordinária. Com um custo estimado em cerca de US$ 55 milhões, Superman arrecadou mais de US$ 300 milhões mundialmente, tornando-se um dos maiores sucessos comerciais de 1978 e um dos filmes mais lucrativos da década. Nos Estados Unidos, permaneceu semanas entre os líderes de arrecadação, atraindo tanto jovens quanto adultos, algo incomum para um filme baseado em HQs naquele período. O sucesso consolidou o personagem como ícone cinematográfico e abriu caminho para uma nova era de blockbusters de super-heróis.

A reação da crítica foi amplamente positiva, algo decisivo para a longevidade do filme. O The New York Times afirmou que o longa era “leve, espirituoso e surpreendentemente elegante”, destacando o equilíbrio entre humor, ação e emoção. Já a revista Time escreveu que Superman era “um triunfo do cinema popular, feito com inteligência e respeito pelo mito original”, elogiando especialmente a direção de Donner por tratar o personagem com seriedade sem cair no tom solene excessivo.

Christopher Reeve foi o elemento mais celebrado nas resenhas. O Washington Post destacou que o ator “conseguiu tornar Superman grandioso e Clark Kent encantadoramente humano”, algo considerado essencial para o sucesso do filme. A trilha sonora de John Williams também recebeu elogios quase unânimes, sendo descrita pela Variety como “heroica, memorável e instantaneamente associada ao personagem”, reforçando o impacto emocional da narrativa.

Com o passar do tempo, Superman – O Filme passou a ser visto como um marco histórico do cinema comercial, responsável por estabelecer o modelo de grandes produções de super-heróis tratadas como eventos cinematográficos legítimos. Em 1978, muitos críticos já apontavam que o filme “elevava o gênero a um novo patamar”, percepção confirmada pelas décadas seguintes. Hoje, o longa é lembrado não apenas como um sucesso de bilheteria, mas como a obra que ensinou Hollywood a levar super-heróis a sério — sem perder o senso de encanto e esperança.

domingo, 2 de abril de 2000

Cinema Classe A - O Talentoso Ripley

Título no Brasil: O Talentoso Ripley
Título Original: The Talented Mr. Ripley
Ano de Produção: 1999
País: Estados Unidos
Estúdio: Miramax, Paramount Pictures
Direção: Anthony Minghella
Roteiro: Anthony Minghella
Elenco: Matt Damon, Gwyneth Paltrow, Jude Law, Cate Blanchett, Philip Seymour Hoffman, Jack Davenport
  
Sinopse:
Tom Ripley (Matt Damon) não é um sujeito comum. Ele tem o dom natural para copiar o modo de ser das pessoas, além de as manipular com maestria. Ao viajar para a Europa ele acaba se aproximando do casal formado por Dickie Greenleaf (Jude Law) e Marge Sherwood (Gwyneth Paltrow). No começo ele parece ser apenas uma pessoa agradável e amigável, mas logo surgem suspeitas sobre as suas reais intenções.

Comentários:
Boa adaptação do romance escrito por Patricia Highsmith. O enredo é tecido sobre as sutilezas do comportamento humano, mostrando que nem sempre uma amizade pode ser criada apenas por sentimentos nobres e verdadeiros. Um aspecto curioso é que o filme, apesar de ser americano, procurou copiar o melhor do estilo do cinema europeu. Por isso, para muitos, o filme tem um ritmo um pouco arrastado, quase parando. Essa crítica é porém injusta. Como a trama é baseada em nuances comportamentais, era mesmo de se esperar que existisse um certo tempo para desenvolver todas elas. Melhor para o elenco que assim teve a oportunidade de dar o melhor de si em termos de atuação. Embora todo o trio protagonista esteja muito bem (até o limitado Matt Damon se sobressai), eu gostaria de dar o devido crédito para o grande (em todos os aspectos) Philip Seymour Hoffman. Ele não tem um grande papel dentro da trama, isso é verdade, mas acaba roubando o show em todos os momentos em que surge na tela. Sua morte, causada por uma overdose acidental, deixou um vácuo muito grande dentro da indústria americana de cinema. Por fim, a título de informação, é importante salientar que "The Talented Mr. Ripley" virou uma espécie de queridinho da crítica americana em seu lançamento, o que proporcionou ao filme ser indicado a cinco categorias no Oscar, incluindo Melhor Ator (Jude Law), Melhor Roteiro Adaptado (para o próprio diretor Anthony Minghella que também escreveu o texto do roteiro) e Melhor Direção de Arte (para a dupla formada por Roy Walker e Bruno Cesari, em um reconhecimento mais do que merecido). Então é isso, um filme americano com todo o jeitão do elegante cinema europeu, em uma espécie de estudo da alma humana em frangalhos. Incisivo, mordaz e cruel nas medidas certas.

Pablo Aluísio.

Em Cartaz: O Talentoso Ripley
O thriller psicológico O Talentoso Ripley estreou nos cinemas em dezembro de 1999, dirigido por Anthony Minghella e baseado no romance homônimo de Patricia Highsmith. Ambientado entre Nova York e a Itália do pós-guerra, o filme acompanha Tom Ripley, um jovem ambicioso e socialmente deslocado que se infiltra na vida de um herdeiro americano, dando início a uma espiral de obsessão, impostura e violência. Desde o lançamento, a produção chamou atenção pelo contraste entre a beleza ensolarada dos cenários italianos e a escuridão moral de sua narrativa.

Em termos de bilheteria, o filme obteve um bom desempenho comercial. Produzido pela Paramount Pictures, O Talentoso Ripley arrecadou cifras sólidas nos Estados Unidos e no mercado internacional, beneficiando-se do interesse do público por thrillers sofisticados e pelo apelo de seu elenco estrelado, que incluía Matt Damon, Jude Law, Gwyneth Paltrow, Cate Blanchett e Philip Seymour Hoffman.

A reação da crítica em 1999 foi amplamente positiva. O The New York Times descreveu o filme como “um thriller elegante, perturbador e moralmente inquietante”, destacando a forma como Minghella transformava uma história de crime em um estudo psicológico refinado. A revista Time comentou que a obra era “sedutora, cruel e cuidadosamente construída”, elogiando o ritmo deliberado e a atmosfera de tensão constante.

As atuações receberam destaque especial na imprensa. Matt Damon foi amplamente elogiado por sua interpretação de Tom Ripley, descrita por críticos como “assustadoramente contida e cheia de ambiguidade moral”, marcando uma virada em sua imagem pública após papéis mais heroicos. Jude Law foi celebrado por seu carisma magnético, com jornais afirmando que ele encarnava “o tipo de privilégio e charme que desperta admiração e ressentimento ao mesmo tempo”. Cate Blanchett e Philip Seymour Hoffman também foram apontados como presenças decisivas para a densidade dramática do filme.

Na temporada de prêmios, O Talentoso Ripley recebeu cinco indicações ao Oscar, incluindo Melhor Roteiro Adaptado e Ator Coadjuvante para Jude Law, consolidando seu prestígio crítico. Já em 1999, muitos comentaristas observavam que o filme se destacava por evitar explicações fáceis ou julgamentos morais simplistas. Hoje, a obra é considerada um clássico moderno do suspense psicológico, lembrada por sua sofisticação estética, atuações marcantes e por oferecer um retrato perturbador do desejo de pertencimento e da construção da identidade.

Cinema Classe A - A Conversação

A Conversação
Depois da consagração do filme "O Poderoso Chefão", o diretor Francis Ford Coppola poderia ter dirigido qualquer filme que quisesse em Hollywood. Seu nome e prestigio estavam em alta. Só que ao invés de embarcar em outra saga épica, ele resolveu escolher um roteiro que ele havia escrito alguns anos antes. Se tratava de "The Conversation", uma história sobre um especialista em captar sons que entrava em uma roleta russa na sua vida profissional e pessoal. O personagem principal do filme se chama Harry Caul (Gene Hackman). Ele é um mestre em gravar conversas alheias sem autorização. O tipo de sujeito que faz o jogo sujo para qualquer um que pague por seus serviços. Geralmente é contratado por criminosos ou então maridos desconfiados que precisam de alguma prova da traição de suas esposas supostamente infiéis. Quando o filme começa ele está novamente em campo, gravando a conversa de um casal que passeia numa praça de Nova Iorque.

Seu cliente é um rico executivo que deseja confirmar se a jovem esposa tem mesmo um amante. Caul arma todo um esquema para gravar o casal e descobre que eles podem ser mortos se tudo for revelado. A partir daí as coisas começam a se complicar. Ele hesita em entregar o que gravou. Tem crises éticas, religiosas e existenciais sobre isso. Com isso sua vida vai entrando em parafuso, com ele cada vez mais paranoico, suspeitando de que virou um alvo de pessoas poderosas que querem se vingar de algo que fez.

Francis Ford Coppola, como grande diretor que sempre foi, tenta equilibrar o filme entre o drama existencial e o suspense. O protagonista é um sujeito com vida pessoal vazia, sem ligação com ninguém, que vive apenas para o trabalho e quando esse lhe traz uma aflição emocional pelo que faz, a sua vida sai dos trilhos. É um filme muito bom, que consegue ser bem sucedido nos dois gêneros apontados pelo cineasta. Tanto funciona bem como drama, como também no desenvolvimento do suspense envolvendo todas as situações. Um Coppola menos conhecido nos dias atuais, porém não menos interessante.

A Conversação (The Conversation, Estados Unidos, 1974) Direção: Francis Ford Coppola / Roteiro: Francis Ford Coppola / Elenco: Gene Hackman, Harrison Ford, Robert Duvall, John Cazale, Allen Garfield / Sinopse: Harry Caul (Gene Hackman) é um especialista em som, que é contratado por um executivo que quer provas da infidelidade da jovem esposa, só que as coisas não saem exatamente como planejado. Filme indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Roteiro Original (Francis Ford Coppola) e Melhor Som (Walter Murch, Art Rochester). Também indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme - Drama, Melhor Direção (Francis Ford Coppola), Melhor Ator (Gene Hackman) e Melhor Direção ( Francis Ford Coppola).

Pablo Aluísio. 

Em Cartaz: A Conversação
O suspense psicológico A Conversação estreou nos cinemas em abril de 1974, escrito e dirigido por Francis Ford Coppola e estrelado por Gene Hackman. Lançado logo após o enorme sucesso de O Poderoso Chefão, o filme surpreendeu por seu tom contido e introspectivo, acompanhando um especialista em vigilância eletrônica consumido pela paranoia e pela culpa. Desde o início, a obra foi percebida como um retrato inquietante da solidão e da invasão de privacidade em uma era marcada por escândalos políticos e desconfiança institucional.

Em termos de bilheteria, A Conversação teve um bom desempenho, especialmente considerando sua narrativa minimalista e ritmo deliberadamente lento. Produzido pela Paramount Pictures, o filme atraiu um público adulto e urbano, interessado em cinema autoral. Embora não tenha alcançado cifras de grandes blockbusters da época, manteve-se em cartaz por semanas e consolidou-se como um sucesso crítico-comercial consistente.

A reação da crítica em 1974 foi amplamente entusiástica. O The New York Times descreveu o filme como “um estudo magistral da paranoia moderna”, destacando a precisão do roteiro e a atmosfera sufocante construída por Coppola. A revista Time afirmou que se tratava de “um suspense silencioso e profundamente perturbador”, elogiando a forma como o filme transformava detalhes sonoros e visuais em instrumentos de tensão psicológica.

A atuação de Gene Hackman foi o ponto mais celebrado pela imprensa. Críticos da época afirmaram que ele entregava uma performance “contida, dolorosa e extraordinariamente humana”, distante de seus papéis mais explosivos. Jornais ressaltaram que Hackman conseguia expressar medo, culpa e obsessão quase sem diálogos, tornando o personagem um dos retratos mais complexos da década no cinema americano.

O prestígio do filme se confirmou ao vencer a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1974 e ao receber indicações importantes ao Oscar. Já em seu ano de lançamento, muitos críticos apontavam que A Conversação seria lembrado como um dos filmes mais pessoais de Coppola e um marco do cinema paranoico dos anos 1970. Hoje, a obra é considerada um clássico absoluto, frequentemente citada como uma das análises mais penetrantes já feitas sobre vigilância, culpa e alienação na sociedade contemporânea.

sábado, 1 de abril de 2000

Cinema Classe A - A Síndrome da China

Título no Brasil: A Síndrome da China
Título Original: The China Syndrome
Ano de Produção: 1979
País: Estados Unidos
Estúdio: Columbia Pictures
Direção: James Bridges
Roteiro: Mike Gray, T.S. Cook
Elenco: Jane Fonda, Jack Lemmon, Michael Douglas

Sinopse:
Durante uma reportagem investigativa a jornalista Kimberly Wells (Jane Fonda) e seu cinegrafista descobrem uma série de falhas de segurança numa usina nuclear. Jack Godell (Jack Lemmon), um engenheiro da usina, decide colaborar com eles para mostrar os riscos que todos correm por causa dos inúmeros problemas na usina. Filme indicado ao Oscar nas categorias Melhor Ator Coadjuvante (Jack Lemmon), Melhor Atriz Coadjuvante (Jane Fonda), Melhor Roteiro e Melhor Direção de Arte. Vencedor do BAFTA Awards nas categorias de Melhor Ator (Jack Lemmon) e Melhor Atriz (Jane Fonda).

Comentários:
Hoje em dia a carreira de Michael Douglas está resumida em comediazinhas bobas que tentam fazer graça de sua idade. Pois bem, o tempo cobra seu preço. Em nada lembra o jovem ator engajado politicamente do começo de sua carreira, não apenas como intérprete mas também como produtor. Nos anos 1970 ele ainda estava tentando sair da sombra de seu pai, o grande Kirk Douglas, e procurava por um caminho próprio. Para sua sorte caiu em suas mãos o script de "The China Syndrome", um texto que denunciava os perigos da energia nuclear e a falta de cuidado que existia dentro das inúmeras usinas nucleares espalhadas pelo território americano. Ele achou ótimo aquele texto e resolveu ele próprio produzir o filme. Por uma ironia do destino poucas semanas antes da produção ser lançada nos cinemas ocorreu um desastre real numa usina americana, o que trouxe uma publicidade extra para a película que logo se transformaria em um sucesso de público e crítica. Além de Douglas ainda temos a presença de dois nomes de expressão na história do cinema no elenco, Jane Fonda (a liberal que sempre procurava por temas intrigantes no campo político) e Jack Lemmon (que surge em um papel atípico, bem longe de suas comédias sofisticadas). Assim deixamos a dica dessa produção que causou grande impacto em seu lançamento mas que hoje em dia anda pouco lembrada, infelizmente.

Pablo Aluísio.

Em Cartaz: A Síndrome da China
O thriller A Síndrome da China estreou nos cinemas em março de 1979, dirigido por James Bridges e estrelado por Jane Fonda, Jack Lemmon e Michael Douglas. O filme aborda os riscos da energia nuclear ao acompanhar uma repórter de televisão e um cinegrafista que testemunham um possível acidente em uma usina nuclear e descobrem uma tentativa de encobrimento corporativo. Seu lançamento ganhou contornos extraordinários quando, apenas doze dias depois da estreia, ocorreu o acidente real da usina de Three Mile Island, na Pensilvânia, o que aumentou drasticamente o impacto e a repercussão do filme junto ao público.

Em termos de bilheteria, A Síndrome da China foi um grande sucesso comercial. Com um orçamento estimado em cerca de US$ 6 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 51 milhões apenas nos Estados Unidos, tornando-se um dos thrillers mais lucrativos do ano. A coincidência com o acidente nuclear real transformou o longa em um fenômeno cultural momentâneo, atraindo espectadores interessados tanto no suspense quanto no debate social e político levantado pela obra.

A reação da crítica em 1979 foi amplamente positiva, com muitos jornalistas elogiando o equilíbrio entre entretenimento e comentário social. O The New York Times escreveu que o filme era “um thriller inteligente e alarmante, que transforma uma questão técnica em drama humano de primeira linha”, destacando a habilidade do roteiro em tornar compreensíveis temas científicos complexos. Já a revista Time descreveu a obra como “tensa, perturbadora e inquietantemente plausível”, ressaltando seu impacto emocional.

As atuações também foram bastante celebradas. Jack Lemmon recebeu elogios quase unânimes por sua interpretação do engenheiro atormentado pela ética profissional, com o Los Angeles Times afirmando que o ator oferecia “uma atuação poderosa, carregada de humanidade e urgência moral”. Jane Fonda foi elogiada por retratar uma jornalista ambiciosa que amadurece ao longo da narrativa, enquanto Michael Douglas foi destacado como um antagonista “frio e convincentemente corporativo”, segundo comentários publicados na Variety.

Com o passar dos anos, A Síndrome da China consolidou-se como um dos thrillers políticos mais importantes do cinema americano dos anos 1970. As críticas publicadas em 1979 já indicavam que o filme ultrapassava o simples suspense, funcionando como um alerta sobre responsabilidade corporativa, ética jornalística e riscos tecnológicos. Hoje, a obra é frequentemente lembrada como um exemplo clássico de cinema engajado, cuja relevância histórica foi amplificada pela extraordinária coincidência entre ficção e realidade no momento de seu lançamento.

Cinema Classe A - Sem Destino

Sem Destino
A década de 1960 foi muito efervescente do ponto de vista cultural. O movimento hippie estava no ar e os jovens pensavam que tudo se resolveria através da singela filosofia da “Paz e Amor”. Infelizmente os fatos provaram que não era bem assim. Bom se todos aqueles movimentos se mostraram inócuos na vida real pelo menos na arte os anos 60 legaram para a posteridade ótimos discos, peças de teatro e filmes. Um dos mais celebrados foi justamente esse “Sem Destino”. O projeto nasceu de uma proposta de trabalho de Peter Fonda e Dennis Hopper que procuravam viabilizar a realização de filmes com baixo orçamento mas muitas idéias novas na cabeça. Peter, filho do ícone Henry Fonda, queria se afastar dos grandes estúdios e seus executivos, que não conseguiam mais entender a nova geração que estava aí. Ele racionalizou e entendeu que no máximo precisaria das grandes companhias cinematográficas apenas na fase de distribuição, já que na questão de produção e filmagem poderia bancar tudo praticamente sozinho. Hopper,  um notório “maluco beleza” daqueles anos, entendia que tudo o que precisava para realizar um bom filme era captar os novos tempos que pairavam dentro da sociedade americana naquele momento. Se afastar o máximo possível da mera ficção com o objetivo de retratar a realidade do cotidiano das pessoas ao redor.

E foi com esse espírito independente que nasceu seu maior filme, “Sem Destino”. Peter Fonda se uniu aos amigos Jack Nicholson (antes de virar um grande astro de Hollywood) e Dennis Hopper (símbolo da contracultura e do cinema de vanguarda) para literalmente cair na estrada, sem lenço e nem documento. Juntos a uma pequena equipe de filmagens saíram pelas highways americanas filmando tudo o que de interessante encontravam pela frente. Como a produção deveria ter custo mínimo o roteiro foi sendo escrito no calor dos acontecimentos, conforme as filmagens avançavam. Havia certamente uma linha narrativa muito tênue a seguir escrita pelo roteirista Terry Southern, mas o resto da estória foi sendo criado in loco por Fonda e Hopper durante as gravações. Uma das maiores ironias do elenco era certamente a presença de Jack Nicholson, um notório malucão dos anos 60, aqui interpretando um personagem careta! Assim que chegou nas telas o resultado comercial se revelou espetacular. “Sem Destino” custou a bagatela de meros 400 mil dólares e rendeu mais de 70 milhões de bilheteria, se tornando um dos filmes mais lucrativos da história. Peter Fonda se tornou um homem rico praticamente da noite para o dia, pois havia trocado seu cachê por um percentual nos lucros. “Sem Destino” no final das contas se revelou um ótimo produto do sistema capitalista americano que criticava, quem diria...

Sem Destino (Easy Rider, Estados Unidos, 1969) Direção: Dennis Hopper / Roteiro: Peter Fonda, Dennis Hopper, Terry Southern / Elenco: Peter Fonda, Dennis Hopper, Jack Nicholson / Sinopse: Dois motoqueiros vagam pelas estradas americanas em busca de aventuras. Em seu caminho conhecem os mais diferentes tipos de pessoas, desde caretas até hippies tentando viver o sonho da filosofia “Paz e Amor”. Premiado no Festival de Cannes com o prêmio de melhor filme de diretor estreante (Dennis Hopper). Indicado a Palma de Ouro. Indicado aos Oscars de melhor ator coadjuvante (Jack Nicholson) e melhor roteiro original.

Pablo Aluísio.


Em Cartaz: Sem Destino
O filme Sem Destino estreou em julho de 1969, dirigido por Dennis Hopper e estrelado por Peter Fonda, Dennis Hopper e Jack Nicholson. Produzido em meio ao auge da contracultura americana, o longa acompanhava dois motociclistas que cruzam os Estados Unidos em busca de liberdade, confrontando o conservadorismo, a intolerância e as contradições do sonho americano. Seu lançamento representou uma ruptura com o cinema clássico de Hollywood, tanto na forma quanto no conteúdo, tornando-se um símbolo imediato de uma geração em conflito com valores tradicionais.

Do ponto de vista comercial, Sem Destino foi um fenômeno inesperado de bilheteria. Com um orçamento extremamente baixo — cerca de US$ 400 mil — o filme arrecadou mais de US$ 60 milhões mundialmente, transformando-se em um dos maiores sucessos independentes da história do cinema até então. O desempenho surpreendente mostrou aos estúdios que havia um público jovem interessado em narrativas mais ousadas, ajudando a abrir caminho para a chamada Nova Hollywood dos anos 1970.

A reação da crítica em 1969 foi amplamente positiva, embora nem sempre consensual. O The New York Times descreveu o filme como “um retrato cru e perturbador da América contemporânea”, destacando sua capacidade de captar o espírito de uma juventude desencantada. Já a revista Time afirmou que Sem Destino era “um filme que parece improvisado, mas que atinge em cheio as ansiedades de sua época”, ressaltando seu impacto cultural imediato.

Entre os elogios mais enfáticos estava a atuação de Jack Nicholson, em um papel secundário que se tornaria decisivo para sua carreira. O Los Angeles Times escreveu que Nicholson oferecia “uma performance eletrizante, que rouba o filme e dá voz à paranoia e ao medo latente da América profunda”. Ao mesmo tempo, alguns críticos mais conservadores acusaram o longa de ser “desleixado” ou “antipatriótico”, revelando como o filme dividiu opiniões no clima político tenso do final dos anos 1960.

Com o passar das décadas, Sem Destino consolidou-se como um marco do cinema americano, não apenas por seu sucesso financeiro, mas por sua influência estética e temática. As frases publicadas nos jornais de 1969 já indicavam que o filme não era apenas um sucesso passageiro, mas um retrato incômodo de um país em transformação. Hoje, ele é lembrado como uma obra-chave que redefiniu o que o cinema hollywoodiano poderia ser, dando voz a uma geração e mudando definitivamente a relação entre estúdios, cineastas e público jovem.

Cinema Classe A - Uma Garota Avançada

Uma Garota Avançada
Desde criança, Natalie Miller luta com sua autoimagem — acreditando ser “comum” e pouco atraente — apesar das constantes tentativas da mãe de convencê-la de que crescerá bonita. Após várias desilusões em encontros e na escola, Natalie decide sair de casa e se mudar para o boêmio Greenwich Village em busca de independência e autoafirmação. Lá, ela aluga um apartamento peculiar, arranja um emprego e conhece um jovem artista por quem se apaixona. À medida que se envolve com ele, Natalie enfrenta as realidades do amor, identidade e autoestima, aprendendo a valorizar a si mesma longe das expectativas alheias.

É o primeiro filme de Al Pacino, isso em uma época em que ninguém o conhecia. Curiosamente não iria demorar muito para ele atuar em O Poderoso Chefão, filme que mudaria sua vida e sua carreira para sempre. Em relação ao filme em si, quem brilha mesmo é a atriz Patty Duke, em elogiada atuação. Ela inclusive foi premiada pelo prestigiado prêmio Globo de Ouro. O roteiro é um destaque, trazendo uma leveza emocional ao filme, muito embora seu tema pudesse levar a história para outro lado, mais pessimista e até mesmo depressivo. Felizmente isso não acontece.  É o que poderíamos chamar de uma comédia romântica típica dos anos 60, mas permeada com toques dramáticos que acrescentam muito ao seu resultado final. Por fim, destaco a inspirada trilha sonora assinada por Henry Mancini e a bela direção de fotografia que capturou muito bem a atmosfera do Greenwich Village, bairro boêmio de Nova Iorque, lar de artistas, poetas e escritores.

Uma Garota Avançada (Me, Natalie, Estados Unidos, 1969) Direção: Fred Coe / Roteiro: A. Martin Zweiback / Elenco: Patty Duke, James Farentino, Al Pacino, Salome Jens, Elsa Lanchester, Martin Balsam, Nancy Marchand / Sinopse: Uma jovem insegura quanto à própria aparência deixa a casa da mãe e vai para o Greenwich Village em busca de independência, amadurecimento emocional e autovalorização.

Erick Steve.