quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Um De Nós Morrerá

A história do famoso Billy The Kid (1859 - 1881) já foi contada inúmeras vezes ao longo dos anos pelo cinema americano. Geralmente o pistoleiro que surge nas telas é muito distante do que viveu no Novo México no século XIX. De fato a grande maioria dos filmes sobre Billy não tem qualquer tipo de ligação com os fatos reais. Acontece que Billy The Kid virou personagem de estórias fantasiosas que acabaram criando sua fama e mito. Isso já acontecia no século 19 e continuou ao longo das décadas. O personagem de ficção é um justiceiro, de esporas prateadas, defensor da honra, justiça e liberdade.

O Billy The Kid da história real ficava bem longe disso. Era realmente um assassino profissional ao qual são creditadas inúmeras mortes (algumas estimativas afirmam que matou mais de 20 pessoas). O que criou sua notoriedade foi a participação que teve na chamada guerra do Condado de Lincoln. Após ver seu patrão inglês ser morto por motivos comerciais, Billy e outros capangas formaram um bando chamado "Os Justiceiros", cujo principal objetivo era matar os assassinos de seu chefe. Nesse conflito, no qual morreram várias pessoas, Billy foi responsabilizado pela morte do Xerife de Lincoln. Condenado à forca conseguiu escapar, matando mais dois homens da lei na prisão onde se encontrava. Perseguido pelo Xerife Pat Garrett finalmente foi encontrado numa cidadezinha do Novo México, onde foi finalmente morto por Pat, que diziam ter laços de amizade com Billy.

O filme "Um De Nós Morrerá" conta essa história. Na época de seu lançamento os produtores anunciaram que seria o mais fiel retrato dos acontecimentos. A intenção era deixar o Billy The Kid da fantasia de lado para mostrar o verdadeiro homem por trás do mito. Em pouco mais de 90 minutos o roteiro se propõe a justamente isso. O problema é que o roteiro (baseado na obra do grande Gore Vidal) cortou passagens vitais para se entender Billy e a Guerra do Condado de Lincoln (que inclusive não é citada no filme). Assim em termos histórico o filme surge extremamente resumido, simplificado. A produção também contou com um orçamento muito restrito, que tirou da obra aquela grandiosidade que estamos acostumados a ver nos grandes filmes de western da década de 50.

O grande mérito de "Um de Nós Morrerá" surge porém na muito inspirada atuação do ator Paul Newman. Ele realmente surpreende ao mostrar um Billy The Kid nada glamouroso. Pelo contrário, o que vemos é um cowboy rústico, meio abobalhado e sem muita noção das coisas que faz (algo que bate certamente com o Billy real). Esse aliás deveria ter sido o primeiro faroeste de James Dean, que obviamente se encaixaria muito bem no papel do conturbado Billy. Quando morreu o estúdio pensou em arquivar o projeto mas com o surgimento de Paul Newman o filme renasceu das cinzas. "Um De Nós Morrerá" não é definitivo, nem muito menos completo, apresenta lacunas enormes da história do famoso criminoso, mas pelo menos adotou uma postura realista - algo que seria seguido em filmes posteriores. Não chega a ser um grande filme mas é um marco nesse sentido, certamente.

Um De Nós Morrerá (The Left Handed Gun, Estados Unidos, 1958) Direção: Arthur Penn / Roteiro: Leslie Stevens baseado na obra de Gore Vidal / Elenco: Paul Newman, Lita Milan, Hurd Hatfield, John Dehner, James Best, James Congdon, Denver Pyle. / Sinopse: Cinebiografia do famoso pistoleiro do velho oeste, Billy The Kid (Paul Newman). Após ver seu patrão morto por um grupo de assassinos contratados por um comerciante rival, Billy e seus colegas resolvem fazer justiça pelas próprias mãos.

Pablo Aluísio. 

4 comentários:

  1. Western Clássico
    Um De Nós Morrerá
    Paul Newman como Billy The Kid
    Pablo Aluísio.

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  2. Até o James Dean morrer ele ficava com todos os papéis que o Paul Newman queria. Na época o Paul não conseguia competir com o monstro do carisma e presença de tela que era Dean.
    Serge Renine.

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  3. Segundo a biografia do James Dean que eu li, ele já tinha acertado sua participação em pelo menos seis filmes que iriam ser rodados nos três anos seguintes... só que veio uma curva, um carro atravessando seu caminho e... The End. Fim para todos os projetos, fim para todos os sonhos.

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    1. É isso. Aí o Paul Newman passou a fazer alguns filmes que seriam dele. O Newman era um bom profissional, mas nunca foi um artista como o Dean.

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