segunda-feira, 19 de maio de 2025

Duas Vidas

Michel Marnet (Charles Boyer) é um playboy francês que decide, após longos anos, finalmente se casar. Obviamente que isso logo se torna uma notícia e ele decide viajar até os Estados Unidos para lá se casar com sua futura esposa americana. Na viagem acaba conhecendo casualmente Terry McKay (Irene Dunne) que embora esteja comprometida acaba jogando seu charme para seduzi-lo. O que começa como um flerte casual acaba se tornando algo mais profundo a ponto de ambos combinarem de se encontrarem em seis meses no topo do Empire State em Nova Iorque, caso seus relacionamento amorosos não criem bons frutos nesse tempo."Duas Vidas" é o filme original que deu origem a dois remakes que se tornaram bem conhecidos do público cinéfilo. O primeiro foi o clássico absoluto "Tarde Demais para Esquecer" de 1957 com Cary Grant e Deborah Kerr protagonizando essa bonita história de amor. Depois nos anos 1990 tivemos uma nova refilmagem chamada "Segredos do Coração" com Warren Beatty e Annette Bening como o casal apaixonado. Esse segundo remake contou com a preciosa participação da diva do cinema Katharine Hepburn que curiosamente quase estrelou o filme original.

Cada um desses filmes tem seus pontos fortes. "Tarde Demais para Esquecer" contava com uma maravilhosa trilha sonora e uma fotografia inspirada. "Segredos do Coração" trouxe um trabalho melhor em termos de roteiro, onde os dois personagens principais eram bem mais trabalhados do ponto de vista psicológico. Já o original "Duas Vidas" se destaca pelo elenco. Charles Boyer tinha uma finesse e elegância pessoal que casou muito bem com seu personagem. De fala suave e gestos diplomaticamente ensaiados, ele convence plenamente como um conquistador irresistível para as mulheres. Já Irene Dunne passa a impressão de ser uma mulher decidida, dona de si, que sabe muito bem que seu casamento não terá muito futuro pois está apaixonada por Michel Marnet (Boyer). Esse tipo de atitude pode até ser vista como algo comum nos dias de hoje, mas lembre-se que esse filme foi rodado na década de 1930 e naquela época uma mulher prestes a se casar com outro tinha que manter uma certa postura pessoal, caso contrário causaria um verdadeiro escândalo, criando um estigma social ruim para si.

Ouvindo seu coração, ela prefere partir para os braços de Marnet, ao invés de continuar em um relacionamento sem amor, vazio por dentro. E justamente por ter essa coragem o filme se tornou logo um sucesso de público e crítica, sendo indicado a seis Oscars, entre eles Melhor Filme, Melhor Atriz (Irene Dunne), Melhor Atriz Coadjuvante (Maria Ouspenskaya), Melhor Roteiro Original e Melhor Trilha Sonora Original. Sem dúvida um marco do cinema romântico de Hollywood e um grande avanço em termos de emancipação da mulher dentro daquele contexto histórico e social.

Duas Vidas (Love Affair, Estados Unidos, 1939) Estúdio: RKO Radio Pictures / Direção: Leo McCarey / Roteiro: Delmer Daves, Donald Ogden Stewart / Elenco: Irene Dunne, Charles Boyer, Maria Ouspenskaya / Sinopse: Um casal se apaixona e decide fazer uma espécie de pacto. Caso não sejam felizes em seus relacionamentos atuais devem se encontrar no alto do Empire State em Nova Iorque.

Pablo Aluísio.

Meus Braços Te Esperam

A família Winfield se muda para uma nova casa em uma pequena cidade em Indiana. Então a jovem Marjorie Winfield (Doris Day) começa um romance com William Sherman (Gordon MacRae), seu novo vizinho que vive do outro lado da rua. Marjorie tem de aprender a dançar e agir como uma jovem e respeitada dama da sociedade. Infelizmente, William Sherman tem ideias não convencionais para a época (o enredo se passa na Primeira Guerra Mundial, embora o conflito não desempenhe nenhum papel importante para a maior parte do filme). Suas ideias diferentes, por exemplo, não incluem acreditar no casamento ou no valor do dinheiro, o que provoca um atrito imediato com o pai de Marjorie, que é o vice-presidente do banco local. Em determinado momento de sua carreira a atriz Doris Day foi apelidada de "A Virgem Profissional", isso porque interpretava geralmente mocinhas doces e ingênuas nas telas. Esse tipo de rótulo porém era pura bobagem. O que importava mesmo é que Doris Day tinha um grande talento. Ela não era apenas a jovem loira e virgem em busca do príncipe encantado em romances açucarados de seus filmes, mas também uma cantora maravilhosa, dona de uma das vozes mais bonitas da música americana. Talento puro!

Esse simpático e muito charmoso "On Moonlight Bay" traz um pouco do melhor de Day. Certamente sua personagem é mais uma no estilo "virgem intocada", mas a despeito disso o filme é um ótimo musical, com excelente repertório, onde Doris Day dá uma amostra de seu grande talento vocal. A estorinha é leve, com pitadas de comédia e romance, o que ajuda ainda mais a passar o tempo. Em tempos cínicos e violentos como os que vivemos, assistir algo assim tão bem intencionado pode soar como inocente e bobinho, mas deixe esse tipo de opinião ranzinza e preconceituosa de lado e curta mais esse belo momento da carreira da primeira e única Doris Day no cinema.

Meus Braços Te Esperam (On Moonlight Bay, Estados Unidos, 1951) Estúdio: Warner Bros / Direção: Roy Del Ruth / Roteiro: Jack Rose, Melville Shavelson / Elenco: Doris Day, Gordon MacRae, Jack Smith / Sinopse: O filme conta a história de um romance envolvendo dois jovens e os problemas que podem surgir quando o namorado tem uma visão bem diferente do mundo do pai da garota pelo qual ele está apaixonado.

Pablo Aluísio.

domingo, 18 de maio de 2025

Sonhos Rebeldes

Sonhos Rebeldes
Esse foi um dos primeiros filmes do Nicolas Cage! Não deixa de ser muito divertido ver ele aqui, bem jovem, com muito cabelo, tentando dar uma de descolado, embora já naqueles tempos fosse um tremendo de um esquisitão! A história do filme não tem nada de muito especial. É uma produção feita nos anos 80 para o público adolescente. Uma espécie de Romeu e Julieta para os jovens daquela época, com muitos cabelos armados, letreiros de neon e bandas com músicas de sintetizadores. 

Cage interpreta esse carinha que vive do outro lado da cidade, onde mora a classe trabalhadora, onde os jovens frequentam clubes punks! Ele se apaixona pela loirinha da parte rica da cidade. Ela é uma patricinha de alto a baixo. Imagine o tamanho do preconceito social que vai ter que enfrentar para ficar com seu novo namorado, aquele punk de butique pobretão! Olha só, realmente nada de muito especial encontrará nessa fita, mas hoje em dia, ela tem seu charme, principalmente para quem curte Nicolas Cage. Seu papel é muito divertido, ainda mais revisto hoje em dia, após tantos anos! 

Sonhos Rebeldes (Valley Girl, Estados Unidos, 1983) Direção: Martha Coolidge / Roteiro: Andrew Lane, Wayne Crawford / Elenco: Nicolas Cage, Deborah Foreman, Elizabeth Daily / Sinopse: Garota rica e mimada, cai de amores por um sujeito pobretão, que gosta de boates punks, no outro lado da cidade, onde vive a classe trabalhadora e pobre da região. 

Pablo Aluísio.

Uma Escola Muito Especial, para Garotas

Uma Escola Muito Especial, para Garotas
A década de 1980 foi o auge daquelas comédias adolescentes picantes sobre sexo entre os jovens. Não era nada muito vulgar, embora não tivesse a sofisticação dos velhos filmes do passado que ousassem juntar sexo e humor no mesmo roteiro. Esse filme aqui foi um dos primeiros exemplares desse tipo de cinema. É tão antigo, para falar a verdade, que mal me lembro dele, embora tenha assistido em uma dessas sessões madrugada adentro, ainda no tempo da TV aberta onde só existia alguns poucos canais para ver filmes. 

A história é meio banal. Garota que estuda em colégio só para meninas se apaixona por carinha que estuda em colégio só para rapazes. Isso era comum na época. Geralmente eram escolas católicas tradicionais e toda aquela baboseira que conhecemos bem. Enfim, uma comédia adolescente dos anos 80. Nada demais, mas temos que admitir que abriu a porta para um verdadeiro subgênero do cinema americano, para o bem e também para o mal porque vieram muitas porcarias no rastro dele. 

Uma Escola Muito Especial, para Garotas (Private School, Estados Unidos, 1983) Direção: Noel Black / Roteiro: Dan Greenburg, Suzanne O'Malley / Elenco: Phoebe Cates, Betsy Russell, Matthew Modine / Sinopse: Jovens loucos pelas garotas entram em escola feminina vestidos de estudantes femininas. É para piorar aquelas são escolas católicas tradicionais. O escândalo assim se torna uma questão de tempo!

Pablo Aluísio.

sábado, 17 de maio de 2025

The Beatles - Rubber Soul - Parte 4

The Beatles - Rubber Soul - Parte 4
Nos anos 60 Paul McCartney teve um caso sério com a atriz Jane Asher. Para ela fez várias músicas, entre elas "I'm Looking Through You". A linda atriz inglesa ruiva realmente era o modelo da nova mulher, independente, dono do próprio nariz, profissional, etc. E Paul ficou perdidamente apaixonado por ela. Das garotas que namoravam os Beatles ela era certamente a mais bonita, interessante e inteligente. John Lennon, por exemplo, acreditava que Paul se casaria com ela, com absoluta certeza. 

O namoro foi tão sério que Paul foi morar com ela, na casa dos pais dela, mesmo não sendo casados! E isso foi no começo do namoro deles. Os pais de Jane eram intelectuais da nova era. Professores, pessoas cultas. Paul era louco por Jane, disso os demais Beatles bem sabiam. Infelizmente esse relacionamento que tinha tudo para terminar em casamento chegou ao fim por causa de um ato impensado por parte de Paul. 

Numa tarde Jane chegou em sua casa (Paul havia comprado finalmente uma casa própria em Londres) e o pegou com uma garota em seu quarto! Fou um flagrante de traição! Um grande vacilo por parte dele! Aquilo pegou muito mal e ela terminou o relacionamento. Paul ficou tão arrasado que escreveu a letra dessa música. Infelizmente era tarde demais. Ela foi embora para nunca mais voltar! Para os fãs dos Beatles pelo menos a infidelidade de Paul (e depois sua dor de cotovelo) serviram de material para belas baladas românticas por parte do Beatle. E tudo poderia ser ouvido depois nos maravilhosos álbuns do grupo. 

"What Goes On" foi creditada como sendo uma parceria entre Lennon, McCartney e Ringo! Era algo que nunca havia acontecido antes e que não mais se repetiria na discografia dos Beatles. Ela começou sendo composta por Ringo que depois pediu ajuda aos seus colegas talentosos. Uma faixa para Ringo cantar. Uma boa música, um country bem bacana, ideal para o timbre de voz do baterista. Nessa fase os Beatles sempre deixavam uma música para Ringo cantar. Uma maneira dos Beatles de valorizar o seu mais carismático e amigável integrante. 

Pablo Aluísio. 

Elvis Presley - A Date With Elvis - Parte 4

Em setembro de 1954 Elvis participou de uma das sessões mais produtivas em seus anos na Sun Records. Em apenas um dia ele gravou seis músicas! Ora, isso era mais da metade de um disco de vinil da época, algo que Sam Phillips poderia pensar em fazer, caso sua gravadora não fosse tão modesta. As sessões começaram com "I'll Never Let You Go", cujos primeiros takes nunca foram lançados e se perderam para sempre. Outra que se perdeu e nunca foi lançada foi "Satisfied". Essa gravação foi realmente uma perda e tanto pois Elvis nunca mais gravaria a música em sua carreira. As baladas "I Don't Care if the Sun Don't Shine" e "Just Because" também foram gravadas. Como se pode perceber Elvis estava com bastante energia e vontade de mostrar seu talento nessa ocasião.

Para finalizar essa sessão de gravação mais do que produtiva Elvis encerrou os trabalhos com chave de ouro ao gravar o clássico "Good Rockin' Tonight" de Roy Brown. Para o dono da Sun Records, o produtor Sam Phillips, esse foi certamente um dos pontos altos de Elvis na gravadora de Memphis. Havia apenas três músicos dentro do estúdio naquele dia. Elvis cantando e fazendo acompanhamento em seu violão. Scotty Moore na guitarra e Bill black em seu enorme contrabaixo. Não houve baterista. Não havia mais ninguém. É de se impressionar ao ouvir a faixa nos dias de hoje e perceber que apenas três músicos conseguiram um efeito tão bom. Naquele mesmo mês de setembro a gravadora se apressou para lançar o single Sun 210, o segundo de Elvis pelo pequeno selo de Memphis. Não havia tempo a perder.

Outra música dos tempos da Sun Records que a RCA Victor aproveitou para eolocar nesse álbum "A Date With Elvis" foi "I Forgot to Remember to Forget". Escrita pela dupla Stan Kesler e Charlie Feathers. É uma baladinha country que tem um título curioso, que em português significaria algo como "Eu esqueci de lembrar de me esquecer". Um trocadilho até divertido de palavras. Os Beatles, que eram grandes fãs de Elvis nesse período da Sun Records, gravariam a música em seu programa na BBC de Londres. O registro sobreviveu ao tempo e foi lançado anos depois no excelente box "The Beatles - Live at the BBC".

Finalizando essa análise do álbum "The Date With Elvis" aqui vão algumas informações adicionais. O disco foi lançado no mercado americano em agosto de 1959 com o código fonográfico LPM 2011. Foi o oitavo LP de Elvis a chegar ao mercado pela RCA Victor. Não foi um grande sucesso de vendas, chegando apenas ao trigésimo segundo lugar entre os mais vendidos. Curiosamente o disco foi lançado um mês antes na Inglaterra, onde vendeu muito bem, chegando ao quarto lugar das paradas inglesas. Elvis era adorado pelos fãs das ilhas britânicas. No Brasil o disco só chegaria ao mercado quase um ano depois, numa edição bem simples, sem todo o capricho gráfico da edição americana.

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 16 de maio de 2025

A Última Showgirl

A Última Showgirl 
Pamela Anderson foi um dos grandes símbolos sexuais nos anos 90. Ela foi a bombshell definitiva daquela década. Tinha uma série de sucesso na TV (SOS Malibu), foi capa seis vezes da revista Playboy, sendo eleita a coelhinha mais popular de seu tempo e obviamente ganhou muito dinheiro com tudo isso. Pois bem, o tempo passou, a idade chegou e hoje em dia ela vive um verdadeiro revival em sua carreira. Está sendo considerada inclusive uma boa atriz, algo que jamais aconteceu em seu passado. 

Nesse filme Pamela interpreta uma personagem que tem claras semelhanças com sua própria vida e seu passado. É uma showgirl de Las Vegas. Décadas atrás ela foi muito popular, liderando o elenco de beldades de um show de grande sucesso naquela cidade. Só que agora ela está sendo demitida, seu show cancelado e aos 57 anos de idade não sabe mais o que fazer... para piorar sua filha, que ela não vê há muitos anos, retorna para lhe encontrar. E o encontro acaba sendo cheio de mágoas e acertos de contas com o passado, afinal em busca do sucesso e glamour ela negligenciou sua própria filha em sua infância e adolescência. 

Agora, se Pamela Anderson está bem em cena, quem acaba roubando alguns momentos de seu renascimento é justamente Jamie Lee Curtis. Nesse filme ela se despiu de qualquer vaidade pessoal, mostrando, sem pudores, os efeitos do tempo em seu rosto e em seu corpo. Assumindo a idade, o que faz muito bem. Existe uma cena em especial, em que sua personagem, que agora vive como garçonete de cassino, sobe em uma mesa. Está tocando ao fundo um velho hit dos anos 80. E lá está ela dançando, lembrando de seus tempos de showgirl quando era amada e cortejada por todos. Só que agora ninguém presta atenção nela, que fica completamente ignorada por todos que passam ao seu lado. Um momento de pura melancolia pessoal. 
 
Um triste desfecho na história dessas belas mulheres do passado, que construíram toda uma carreira em cima disso, da beleza e sensualidade, mas que agora precisam se reinventar de alguma maneira para continuar sobrevivendo. Uma lição de vida, sem dúvida. Enfim, grande filme. Recomendo a quem viveu o auge dessas divas de um passado nem tão distante assim. Haverá um pingo de melancolia em tudo, mas isso, no final das contas, só depõe mesmo a favor desse belo e triste drama. 

A Última Showgirl (The Last Showgirl, Estados Unidos, 2024) Direção: Gia Coppola / Roteiro: Gia Coppola / Elenco: Pamela Anderson, Jamie Lee Curtis, Brenda Song, Kiernan Shipka / Sinopse: Veterana showgirl de Las Vegas percebe que sua carreira está chegando ao fim quando seu show é cancelado. Ela então é demitida. Aos 57 anos de idade ela precisa recomeçar, mas as portas se fecham e sua situação fica desesperadora. Filme indicado ao Globo de Ouro na categoria de melhor atriz (Pamela Anderson). 

Pablo Aluísio. 

O Bom Pastor

O Bom Pastor
Um filme com uma história terrível, que infelizmente foi baseada em fatos históricos reais. O drama se passa em uma região remota da Hungria, durante a segunda guerra mundial. Um caminhão do exército alemão transporta um grupo de judeus. Eles estão sendo levados para uma estação ferroviária. Um trem vai chegar para levar mais esse grupo para um campo de concentração. No meio da estrada eles param pois há uma árvore derrubada no meio do caminho. Enquanto os soldados tentam tirar ela do chão, os judeus aproveitam uma distração dos militares e fogem em direção à floresta. 

Ali mesmo, por perto, se encontra um homem muito simples, pacato, que vive de seu pequeno rebanho de ovelhas. Ele é um pastor. Imagine a situação desse senhor ao perceber o que está acontecendo. Judeus correndo pelo meio do campo, com os alemães atrás, atirando para todos os lados. O que se segue não é complicado de prever. Mais uma atrocidade nazista está prestes a acontecer. Como eu disse, temos aqui um filme com uma história terrível de acompanhar. Realmente a barbárie nazista não tinha limites como bem vemos nesse pequeno pelotão do exército alemão comandado por um major da SS, a tropa mais fanática e violenta de Hitler. Que histórias como essa jamais se repitam em nosso mundo. 

O Bom Pastor (A Pásztor, Hungria, 2019) Direção: László Illés / Roteiro: László Illés / Elenco: Miklós Székely B, Ákos Horváth, Tamás Jordán / Sinopse: Senhor idoso, homem simples, se vê no meio de uma caçada humana promovida por nazistas contra judeus na pequena propriedade rural onde vive, durante segunda guerra mundial. 

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 15 de maio de 2025

Contato Visceral

Contato Visceral 
Vou logo colocando as cartas na mesa. Só vi esse filme por causa da Dakota Johnson. Além de ser bem bonita, é boa atriz. Gosto dela e de seu trabalho. Então me deparei casualmente com esse terror na Netflix e resolvi dar uma olhada. Não é nada muito marcante, mas dá um caldo, como se diz na gíria. Ela interpreta a namorada do protagonista. Esse é um barman em New Orleans. Trabalha em um daqueles bares que os americanos gostam, com sinucas e tudo mais. Um dia uma briga começa no estabelecimento. Um grupo de jovens universitários deixa o lugar, assustados com a briga, e deixam para trás um celular. O barman, interpretado pelo ator Armie Hammer, pega o celular caído no chão e leva pra casa. Sua intenção é obviamente devolver para o seu verdadeiro dono no dia seguinte.

Só que o tal celular tem um conteúdo bizarro, com fotos de rituais de magia negra, cabeças decepadas e tudo aquilo que já vimos em outros filmes de terror. Aquilo parece perturbar o barman e sua namorada (a beleza da Dakota). Em pouco tempo os dois começam a surtar um com o outro, adotando comportamentos bizarros, fora do padrão. Ele vai percebendo que seu emprego no bar está por um fio e seu relacionamento com a sua gata vai de mal a pior. De carta maneira passa a entender que ficou amaldiçoado ao ter contato com todo aquele tipo de magia negra, tão típica de New Orleans. 

Pois é, não espere por grande coisa, mas devo dizer que o filme é bem desenvolvido. Eu fiquei interessado até o fim. Fim esse que achei muito abrupto! É um daqueles roteiros que no final não vai perder tempo explicando nada para você. O espectador que tire suas próprias conclusões. No meu caso fiquei com a clara impressão que os produtores deixaram a porta aberta para futuras continuações (que até aqui ainda não aconteceram). Então é isso, um filme até bacaninha. Não vá assistir se você não curte terror de magia negra e nem tiver paciência com o horror cotidiano de um relacionamento falido. Ah, e se não gostar de baratas também não recomendo! Elas estão por todas as partes e fecham a cortina dessa história pouco usual e comum. Sim, o filme fede a baratas negras. Lamento...

Contato Visceral (Wounds, Estados Unidos, 2019) Direção: Babak Anvari / Roteiro: Babak Anvari, Nathan Ballingrud / Elenco: Armie Hammer, Dakota Johnson, Zazie Beetz, Karl Glusman / Sinopse: Após uma briga no bar onde trabalha, um barman leva para casa um celular deixado por um grupo de jovens que saiu às pressas no meio da confusão. E isso vai lhe trazer muitos problemas, inclusive de ordem sobrenatural. 

Pablo Aluísio. 

A Maldição de Frankenstein

Título no Brasil: A Maldição de Frankenstein
Título Original: The Curse of Frankenstein
Ano de Produção: 1957
País: Inglaterra
Estúdio: Hammer Films
Direção: Terence Fisher
Roteiro: Jimmy Sangster
Elenco: Peter Cushing, Christopher Lee, Hazel Court, Robert Urquhart, Melvyn Hayes, Paul Hardtmuth

Sinopse:
Considerado por muitos como um louco, o Dr. Victor Frankenstein (Peter Cushing) decide realizar a maior de suas experiências. Usando de energia elétrica colhida por raios, ele acredita que dará vida a uma criatura composta de vários pedaços de corpos humanos roubados de cemitérios e necrotérios de Londres. Sua ambição é demonstrar que há possibilidade científica de gerar vida em cadáveres! 

Comentários:

Mais um filme baseado na obra imortal de Mary Shelley. Essa versão da Hammer Films, produzida no auge criativo do estúdio britânico, segue bem fiel ao texto original de Shelley. Seu enredo é bem de acordo com o livro clássico. Um dos aspectos mais curiosos dessa produção é a atuação do ator Christopher Lee como a criatura criada em laboratório pelo lunático cientista Victor Frankenstein. A maquiagem que Lee usou foge dos padrões clássicos dos filmes da Universal nos Estados Unidos. Ao invés de ter parafusos e um topo quadrado em sua cabeça, como no visual antigo, aqui os diretores da Hammer preferiram algo menos cartunesco, com Lee usando algo mais discreto, mais humano, vamos colocar assim. Ele tem um rosto deformado, porém mais de acordo com o visual de um corpo humano após sua morte. Ficou muito bom para dizer a verdade. Já Cushing surpreende ao não tentar fazer o estereótipo do cientista maluco e cruel. Ele procurou ser menos exagerado, procurando até mesmo por uma interpretação mais cuidadosa do que seria um pesquisador e cientista da era vitoriana. Então é basicamente isso. Mais um belo trabalho de direção e atuação da Hammer, um estúdio que realmente marcou história no universo da cultura pop cinematográfica mundial. Esse é aquele tipo de filme que já nasce clássico, desde seu lançamento original. Imperdível.

Pablo Aluísio~.