sexta-feira, 2 de maio de 2025

Burke & Hare

Burke & Hare 
Eu sempre me interessei pessoalmente por essa história. Para quem não sabe, foi uma história real acontecida na Escócia. Naquele tempo havia um grande entusiasmo pela ciência da Medicina. A Escócia era um centro de grande universidades, mas faltava a matéria-prima para os estudos, que era justamente os corpos de seres humanos. Na busca desenfreada por eles, professores e estudantes de medicina começaram a comprar corpos humanos de traficantes que iam em cemitérios em busca dos objetos macabros de estudo. E quando nem isso mais supriu a demanda, eles começaram a matar pessoas! 

Um bom material para filmes de terror. O problema aqui é que o diretor quis fazer muita piadinha com o tema, virando o filme um produto mal sucedido de comédia de humor negro. Chega a ser muito irritante as diversas cenas que poderiam render bons momentos, mas que são desviadas para momentos de humor sem a menor graça. O elenco também se esforça, mas para ser engraçado, o que gera um sentimento de frustração em que está assistindo ao filme. Isso quando não se torna mesmo objeto da vergonha alheia. Nada é pior do que ver atores e atrizes tentando ser engraçados, mas nunca conseguindo! Nesse processo tudo vai por água abaixo. Não gostei do que vi. Gostaria mesmo era de ver essa história tratada com a devida seriedade e rigor histórico. Seria muito mais interessante!

Burke & Hare (Burke & Hare, Reino Unido, 2010) Direção: John Landis / Roteiro: Piers Ashworth, Nick Moorcroft / Elenco: Bill Bailey, Tom Wilkinson, Michael Smiley / Sinopse: Picaretas e vigaristas, envolvidos com o submundo do crime numa cidade universitária da Escócia investem em um "negócio" macabro: vender corpos humanos para professores e estudantes de medicina. História baseada em fatos reais. Filme também conhecido como "Traficantes de Cadáveres". 

Pablo Aluísio. 

Os Monstros

Os Monstros
Eu me lembro muito da série original, ainda em preto e branco, sendo exibida pela Band. Era uma versão mais pobre e mais apelativa da família Adams. Funcionava na época, devo dizer, mas esse é aquele tipo de produto que tem prazo de validade. Fazer um remake nos dias atuais era mesmo uma má ideia. O diretor pesou a mão e fez um troço muito sem graça. Não me entenda mal, o filme é até muito bem produzido. Só que o excesso de cores (em especial o verde) deixa tudo meio enjoativo. 

Talvez se esse remake fosse em preto e branco (para lembrar a série de TV) as coisas funcionassem melhor. No fundo tudo não passa de uma sitcom, onde por acaso, os personagens são monstros, todos inspirados nos clássicos de terror da Universal. Estão lá o velho vampiro, o monstro de Frankenstein e até o Lobisomem. Mas é como eu disse, é uma sitcom daqueles anos, dos anos 50. Hoje em dia tudo soa muito datado e sem muita graça. Assim o filme não deu certo mesmo. Algumas coisas devem ser deixadas no passado porque simplesmente não funcionam mais no mundo de hoje. O tempo, até mesmo em relação a produtos culturais, costuma ser mesmo implacável. 

Os Monstros (The Munsters, Estados Unidos, 2022) Direção: Rob Zombie / Roteiro: Rob Zombie / Elenco: Sheri Moon Zombie, Jeff Daniel Phillips, Daniel Roebuck / Sinopse: Esse filme, baseado na clássica série de TV, mostra o cotidiano de uma estranha família. Tudo seria muito normal se eles não fossem parecidos com monstros de antigos filmes de terror! 

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 1 de maio de 2025

Hypnotic - Ameaça Invisível

Hypnotic - Ameaça Invisível 
Não gostei muito. Tem tantos clichês que o roteiro cai muitas vezes em suas próprias armadilhas. Na história temos um sujeito que lamenta a morte de sua filha e o fim de seu casamento. Essas são coisas colocadas como verdadeiras desde a primeira cena, mas calma lá, estamos na presença de uma daquelas histórias em que nada é realmente da forma que se passa na tela. O protagonista interpretado por um pouco envolvido Ben Affleck está na verdade lidando com uma agência do governo americano que usa grandes hipnotizadores para criarem novas realidades ao seu interesse. Então já deu para entender que o personagem do Affleck pode estar muito bem preso dentro de sua mente, pensando que sua realidade existe, mas que na verdade não passa de uma hipnose. 

E aqui está o maior problema dessa história. Em determinado ponto o espectador vai perder o chão embaixo dos seus pés. Nada mais vai parecer realidade. É uma reviravolta atrás da outra. Na quinta ou sexta vez que isso acontece a tendência de quem está assistindo ao filme é desistir de tudo, da história, dos personagens, de tudo. Cansei! É algo que se torna muito cansativo e até mesmo irritante. Afinal de roteiradas estamos cheios, não é verdade? Então o roteiro curte mesmo essa coisa de jogar na cara do espectador de que tudo que ele viu não existe, é hipnose. Então se levantar da cadeira e ir embora do cinema acaba virando uma grande tentação. Quem aguentar até o final saiba que a surpresa final (depois de tantas outras) nem é tão bem bolada assim. Eu até achei decepcionante! Ficamos com aquela sensação de que no fundo, no fundo, só perdemos um bom tempo vendo esse filme esquecível. Enfim, uma história desastrada e desastrosa. Não vale a pena. 

Hypnotic - Ameaça Invisível (Hypnotic, Estados Unidos, 2023) Direção: Robert Rodriguez / Roteiro: Robert Rodriguez, Max Borenstein / Elenco: Ben Affleck, Alice Braga, JD Pardo / Sinopse: Agente de uma agência secreta do governo dos Estados Unidos passa a perceber que tudo o que ele pensa ser verdade sobre o seu passado e sua vida pessoal pode muito bem ser uma grande ilusão causada por hipoose de última geração. 

Pablo Aluísio. 

Stargate SG 1

Título no Brasil: Stargate SG 1 
Título Original: Stargate SG 1 
Ano de Lançamento: 1997
País: Estados Unidos
Estúdio: Double Secret Productions
Direção: Jonathan Glassner, Brad Wright
Roteiro: Jonathan Glassner, Brad Wright
Elenco: Richard Dean Anderson, Michael Shanks, Amanda Tapping

Sinopse:
Portais cósmicos são descobertos no futuro. São atalhos no espaço, onde se consegue viajar longas distâncias em curto espaço de tempo. E uma equipe especial (e espacial) é formada para viajar pelo Stargate, procurando por criminosos e procurados por todo o universo. 

Comentários:
Eu assisti alguns episódios de Stargate nos anos 90. Naqueles tempos a bagunça era grande, não existia canais a cabo no Brasil e as poucas emissoras que passavam a série simplesmente jogavam os episódios meio ao acaso, sem seguir uma ordem cronológica. Era um inferno! Pois bem, então no meio do caos algumas distribuidoras de fitas VHS colocavam no mercado algumas compilações nas locadoras. Então, muito ocasionalmente, alugava para pelo menos conhecer as séries. Essa foi uma delas. Nada de muito inspirador. Era uma série até popular nos EUA e chegou a durar 10 anos no ar! No Brasil entretanto não fez o menor sucesso e só circulava mesmo dentro da comunidade nerd que curtia Sci-fi. 

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 30 de abril de 2025

O Macaco

O Macaco 
Algumas histórias só poderiam sair da mente doentia de Stephen King. Sim, doentia e de certo modo dono de uma criatividade sem fim, se bem que devo ser sincero nessas linhas, dessa vez o King não foi tão criativo como poderíamos esperar. Até porque essa coisa de brinquedos amaldiçoados já foi bem explorada pelo cinema de terror. Nos anos 80 já era uma coisa batida! Então realmente não tem tanta novidade nesse conto, mas vamos lá... A história gira em torno de um brinquedo, um macaco que toca tambor. E todas as vezes que ele desce suas baquetas uma desgraça acontece. As mais bizarras mortes acontecem. Superficialmente eles são designadas por acidentes mesmo, mas não se engane sobre isso, são maquiavélicas mortes promovidas pelo Macaco. 

Então surge esses dois irmãos que cruzam caminho com o brinquedo do Macaco. Eles são gêmeos, mas com personalidades bem opostos. Enquanto um é mais sensível, o outro é um babaca irritante. E não demora muito para que eles entendam que o Macaco causa mortes por onde passa. Depois de várias delas, inclusive de sua mãe, eles decidem jogar o velho brinquedo em um poço. O tempo passa, os garotos se tornam adultos, viram pais e as mortes recomeçam. E fica a dúvida pois o Macaco foi jogado dentro do poço. Provavelmente alguém tirou o brinquedo de lá, abrindo de novo as portas do inferno. O que teria acontecido?

Eu até me diverti com o filme, mas bem sabendo e com a consciência de que esse novo filme é na verdade um prato requentado. Nada de muito novo. Como é uma obra do Stephen King despertou interesse, mas nada de muito especial você encontrará por aqui. É um de seus contos menos conhecidos. De bom mesmo temos um humor negro que muitas vezes funciona bem. Acontece nas mortes, já que a maioria delas são bem bizarras, algumas feitas pra rir mesmo, por mais estranho que isso possa parecer. Pois é, como eu já escrevi, a mente do King tem dessas coisas. É bem doentia! 

O Macaco (The Monkey, Estados Unidos, 2025) Direção: Osgood Perkins / Roteiro: Osgood Perkins, baseado em conto de horror escrito por Stephen King / Elenco: Theo James, Tatiana Maslany, Christian Convery / Sinopse: Na aparência parece ser apenas um antigo brinquedo. Um boneco de macaco que toca tambor. Só que sempre que o macaco toca, uma desgraça acontece. E ele está de volta, após 25 anos desaparecido. 

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 29 de abril de 2025

Indomável

Título no Brasil: Indomável
Título Original: The Spoilers
Ano de Produção: 1942
País: Estados Unidos
Estúdio: Universal Pictures
Direção: Ray Enright
Roteiro: Rex Beach, Lawrence Hazard
Elenco: Marlene Dietrich, Randolph Scott, John Wayne, Margaret Lindsay, Harry Carey 

Sinopse:
Durante a corrida do ouro no século XIX, dois mineiros e exploradores, Roy Glennister (John Wayne) e Al Dextry (Harry Carey), tentam descobrir uma mina com o valioso metal nas montanhas geladas da região, financiados pela cantora de saloons Cherry Malotte (Marlene Dietrich). Antes porém terão que enfrentar o ganancioso Alexander McNamara (Randolph Scott) que também está de olho em toda aquela riqueza mineral do subsolo. Roteiro baseado na novela escrita por Rex Beach.

Comentários:
O elenco desse western é simplesmente maravilhoso. Imagine ter em um mesmo cast três grandes nomes da história do cinema, a saber: John Wayne, Randolph Scott e Marlene Dietrich. Para fãs de faroeste ter dois grandes mitos do gênero na mesma produção já é algo que o torna completamente obrigatório. É uma pena que Wayne e Scott não tenham trabalhado mais vezes juntos. Além de grandes ícones do estilo, eles se entrosavam muito bem em cena. Talvez o fato de Randolph Scott ter abandonado o cinema no começo da década de 1960 explique a ausência de mais filmes com a dupla. Infelizmente Scott pendurou as esporas cedo demais, já que John Wayne seguiria trabalhando até o fim de sua vida e após a aposentadoria de Scott entraria numa das fases mais importantes de sua carreira, estrelando grandes clássicos do cinema de faroeste. Já Marlene Dietrich repete de certa forma um tipo de papel que seria muito comum e recorrente em sua filmografia, a da cantora e dançarina de cabarés, esbanjando sensualidade e uma personalidade forte e marcante - o que no final das contas a tornavam ainda mais sensual e atraente para os homens. Já que o filme se passa no velho oeste seu cenário se torna um saloon, cheio de pistoleiros, cowboys e toda a fauna típica desse tipo de filme. A produção recebeu uma única indicação ao Oscar, na categoria de melhor direção de arte, mas merecia muito mais, pois é de fato um faroeste acima da média, bem marcante, que hoje em dia frequenta tranquilamente todas as listas dos cem maiores títulos do gênero.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 28 de abril de 2025

Rasputin - O Monge Louco

Rasputin - O Monge Louco 
Christopher Lee interpretando o louco Rasputin?! Ora, meu caro, não precisava falar mais nada para que eu prontamente fosse assistir a esse clássico da Hammer. Você, prezado cinéfilo, aliás pode falar qualquer coisa sobre esse estúdio de cinema inglês, menos que os profissionais que lá trabalhavam não tinham classe. Isso eles tinham de sobra e isso fica claro em cada cena desse filme. Claro que não haveria como contar a história de Rasputin, com tantas nuances históricas, em um filme curto, feito nos anos 60 e que tinha a proposta singela apenas de ser mais uma fita de terror da Hammer. Só que, a despeito disso, o que temos aqui é um filme muito, mas muito bom! Diria até surpreendemente muito acima da média, inclusive do que a Hammer produzia naquela década. 

O Rasputin de Lee é um insano, um bruto, que diz curar as pessoas. Usando de técnicas de hipnose ele sai controlando quem cai em sua teia de charlatanismo e misticismo barato! E quando a própria imperatriz da Rússia cai em sua lábia, ele começa a abusar do poder conquistado. Na história real a presença de Rasputin na monarquia representou sua desgraça. No filme, sem tempo para entrar nesses detalhes históricos, o que vemos é um roteiro que consegue até mesmo ser bem respeitoso com a história real. 

Não é historicamente preciso em detalhes, afinal essa é uma fita de terror da Hammer, mas mesmo em sua singeleza conseguiu preservar o mais essencial dessa estranha e bizarra figura histórica. E Christopher Lee como Rasputin é um show á parte. Quando interpretava Drácula ele realmente não tinha muito o que dizer. Era apenas um monstro, praticamente mudo! Com Rasputin esse ator teve a oportunidade de declamar com a maior convicção seus diálogos. O Lee realmente era um ator diferenciado e sua presença faz todo o diferencial. Então é isso. Gosta de clássicos do terror da Hammer com pitadas de história? Então não deixe de conhecer esse Rasputin do Christopher Lee. 

Rasputin - O Monge Louco (Rasputin: The Mad Monk, Estados Unidos, 1966) Direção: Don Sharp / Roteiro: Anthony Hinds / Elenco: Christopher Lee, Barbara Shelley, Richard Pasco / Sinopse: O filme conta a história, baseada em fatos reais, de um religioso chamado Rasputin que no começo do século XX caiu nas graças da família imperial russa, trazendo discórdia, ódio e desavenças no reinado do Czar Nicolau II. 

Pablo Aluísio. 

domingo, 27 de abril de 2025

The Witcher: Sereias das Profundezas

The Witcher: Sereias das Profundezas 
Engraçado, mas a verdade é que eu apenas suporto esse personagem do Witcher em animações. Pois é, eu gosto das animações do personagem, mas já tentei e não gostei nem da série original e muito menos dos seus derivados. Acho bem fracos, quase bregas. Só que quando suas histórias são colocadas em animação a coisa toda funciona muito bem. Gente, esse personagem nasceu para virar desenho animado, não tem jeito! Até pela presença de monstros que ele vai lutando ao longo de sua jornada do herói. Um monstrengo desses é mais fácil de engolir numa boa animação de fantasia. É justamente o que acontece por aqui. 

Nessa história ele chega numa região para matar monstros marinhos que estão atacando e matando pescadores. Só que o Bruxo logo descobre que tem algo a mais acontecendo. Há um reino de sereias naquelas águas. Mais do que isso, o próprio herdeiro do Reino está apaixonado por uma das sereias. Isso é um problema e tanto para o Rei. Afinal aquele é o herdeiro de seu trono. A história assim se desenvolve. Tem boas cenas com muita ação e fantasia. Quem curte o gênero não tem mesmo nada a reclamar. E há monstros em diversos tipos, com direito a um Kraken (uma espécie de polvo gigante) atacando aquelas velhas naus de madeira do passado. Enfim, pode encarar sem problemas. Está na Netflix e é uma diversão garantida para quem gosta especialmente do gênero Fantasia com monstros e seres mitológicos. 

The Witcher: Sereias das Profundezas (The Witcher: Sirens of the Deep, Estados Unidos, Japão, 2025) Direção: Kang Hei Chul / Roteiro: Mike Ostrowski, Rae Benjamin, Andrzej Sapkowski/ Elenco: Doug Cockle, Joey Batey, Anya Chalotra / Sinopse: Um caçador de seres sobrenaturais é contratado para matar um monstro que está matando pescadores e homens que vivem do mar. E ele acaba descobrindo que existe toda uma civilização desenvolvida nas profundezas dos oceanos. 

Pablo Aluísio. 

sábado, 26 de abril de 2025

Papa Francisco

Papa Francisco
Hoje foi sepultado o Papa Francisco. Sempre será lembrado por esse que escreve essas linhas como um bom homem que procurou priorizar os mais pobres, os marginalizados da sociedade. Não por acaso adotou o nome de Francisco, baseado na vida de Francisco de Assis, o santo conhecido em sua época como "o pobrezinho", um homem também de espírito elevado que procurava seguir os ensinamentos de Jesus ao pé da palavra. Ao ler que Jesus havia falado que devíamos abdicar de todos os bens terrenos, ele assim o fez, vivendo uma vida de pobreza e humildade. 

Um aspecto interessante do Papado de Francisco é que ele também sempre será lembrado como, muito provavelmente, o mais progressista (entenda-se esquerdista) de todos os Papas que já passaram pelo Vaticano. E isso se deu depois de dois Papas bem conservadores, João Paulo II e Bento XVI. Não é de se admirar que seus posicionamentos tenham criado certa controvérsia entre os conservadores (tanto os verdadeiros como os falsos). Eu nunca pensei assim, sempre o vi como um Humanista, acima de tudo, mas respeito os que pensam de forma diversa. 

Penso de modo diferente. Todas as pessoas possuem seu contexto de vida e isso delimita seus posicionamentos políticos e ideológicos na vida. Francisco foi um humanista cristão puro pois viveu os horrores da Ditadura Militar na Argentina. Ao ver seus amigos padres jesuítas sendo mortos pelos militares, não haveria outro posicionamento a se tomar. Claro que ele adotou um modo de pensar mais de acordo com a esquerda, não haveria como pensar diferente, ao viver tamanho brutalidade durante a sanguinária Ditadura Militar em seu país, mas no fundo ele priorizou mesmo o humanismo, não o esquerdismo. Foi acima de tudo uma defesa! Não se poderia compactuar com aqueles assassinos. 

Mas deixemos tudo isso de lado. Francisco foi acima de tudo um bom homem. Sim, ele muitas vezes bateu de frente com a visão mais conservadora da Igreja, mas isso também era de esperar. Para uma organização que já tem 2 mil anos de existência há de se supor que ela também seja moldada pelas mudanças dentro da própria sociedade. Não há como parar no tempo, com pensamentos e posições presas na rocha! Na cultura humana isso simplesmente não existe. Há de se ter algum avanço para frente. Francisco tentou esse tipo de posicionamento, embora tenha sofrido com isso uma intensa campanha de difamação, calúnia e destruição de reputação. Nesse aspecto também foi um herdeiro de Pio XII que também foi muito difamado e caluniado, tanto em vida como após sua morte. 

Tudo isso agora é história. E de história a Igreja Católica é imbatível. Tradição e história formam os alicerces dessa religião que já passou por tudo, mas ainda está aí. Penso que Francisco, como já frisei, será lembrado como um bom homem e um Papa controvertido. Tudo de acordo com o que ele pensava e pregava. Afinal dizia que devemos romper com certos tipos de mentalidades do passado. Ele estava mais do que certo nesse aspecto. Ao seu modo foi um homem livre e esse será, no meu ponto de vista, seu grande legado como Papa. 

Pablo Aluísio.

O Julgamento do Papa Formoso

O Julgamento do Papa Formoso
Quando o Papa Formoso subiu ao trono de Pedro no dia 6 de outubro de 891 o povo de Roma celebrou. Ele era bem visto dentro de um clero católico que era marcado pela corrupção. Naqueles tempos, hoje distantes, o poder de um Papa era maior do que o poder de qualquer rei, imperador ou monarca europeu. De certa forma todos os que tinham ambição de subir ao poder máximo em suas nações precisava da aprovação do Papa em Roma. 

E Formoso não era um Papa fácil de convencer nesse sentido. Ele não gostava da família Espoleto que almejava subir ao poder máximo do Sacro Império Romano-Germânico. Por essa razão não deu sua aprovação para tal. Também impediu a subida de pessoas corruptas ao trono do Patriarcado de Constantinopla. Do mesmo modo entrou na sucessão do trono da França, o que lhe rendeu muitos inimigos poderosos. De certa maneira muitos nobres da época queriam a morte de Formoso. 

O Pontificado de Formoso foi curto, durou apenas 4 anos. Ele escapou de várias tentativas de envenenamento, mas acabou morrendo de um AVC fulminante, que o matou enquanto ele estava sentado no trono de Pedro, numa audiência pública. Ao falecer tinha 80 anos de idade. Na Idade Média essa era uma expectativa de vida de surpreender, pois a maioria das pessoas morriam por volta dos 40 anos! 

Com sua morte todos os seus inimigos finalmente chegaram ao poder. Esses novos reis e imperadores subornaram o corrupto Papa Estêvão VI para que julgasse o Papa Formoso, com o objetivo de destruir sua reputação, ainda que ele estivesse morto. O que se deu depois foi um julgamento completamente bizarro!

O corpo em decomposição do Papa Formoso foi retirado de sua tumba e levado para uma sala de julgamentos no Vaticano. Colocaram seu corpo ali e começaram uma série de acusações contra o falecido. O corrupto Papa Estêvão VI apontava o dedo para o corpo de Formoso, dizendo que ele era herege e filho de Lúcifer. Depois tiraram as vestes papais do Papa morto e o condenaram. A sentença dizia que seus restos mortais deveriam ser jogados no Rio Tibre! E assim fizeram. Quando o povo de Roma soube de tudo houve um choque coletivo. Mesmo na Idade Média aquilo era demais! Uma coisa horrenda que revelava o lado corrupto e perverso do novo Papa. 

Pablo Aluísio.