terça-feira, 7 de maio de 2013

As Mil Palavras

Eddie Murphy foi um dos mais populares astros do cinema na década de 80. Após anos de sucesso sua carreira foi entrando lentamente em declínio. Alguns fracassos, outras produções mal recebidas pela crítica e alguns projetos indo parar diretamente no mercado de DVD, acabaram nublando completamente a estrela do ator. Agora ele tenta novamente voltar aos bons tempos com esse novo filme nos estúdios Dreamworks. O enredo é surreal: Jack McCall (Eddie Murphy) é um editor de livros ganancioso, convencido e falastrão que ao tentar comprar o livro de um líder espiritual da nova era se vê envolvido numa situação completamente fora do comum. Uma árvore surge do nada em seu quintal. A cada palavra dita por ele uma folha cai. A partir do momento em que não existirem mais folhas na árvore ele morrerá! Assim ele fará de tudo para não falar mais nada pois caso contrário sofrerá as conseqüências. Soa estranho para você? Claro que sim. Não é o tipo de argumento que se vê por aí toda hora. Na verdade nem há muitas explicações para o que acontece, a situação apenas surge em cena, sem chances de racionalizar bem sobre isso. O espectador tem que aceitar ou não curtirá o resto do filme.
   
Por baixo desse enredo de realismo fantástico o roteiro tenta passar uma lição de perdão, superação de velhos problemas pessoais do passado e o mais importante de tudo: a valorização da família e dos aspectos mais íntimos da vida de cada pessoa. Funciona? Apenas em termos. O filme tem noventa minutos, na primeira hora encontramos pela frente uma comédia no mais estrito sentido da palavra. O personagem de Eddie Murphy tenta tocar a vida em frente completamente mudo, calado, sem dizer uma palavra. Claro que isso vai gerar uma série de situações cômicas. O problema é que o roteiro se torna refém de uma piada só! Aos poucos as caretas e olhos esbugalhados de Eddie Murphy vão perdendo a graça, caindo no tédio absoluto. Finalmente nos 30 minutos finais o enredo dá uma guinada, deixa a comédia de lado e vira um dramalhão, com todos aqueles velhos valores familiares enchendo a tela. Fica chato a partir desse ponto. Melhor era tentar arriscar o humor até o fim. De uma forma ou outra não será com esse tipo de filme que Eddie Murphy voltará aos seus bons e velhos tempos.

As Mil Palavras (A Thousand Words, Estados Unidos, 2012) Direção: Brian Robbins / Roteiro: Steve Koren / Elenco: Eddie Murphy, Kerry Washington, Clark Duke / Sinopse: Ambicioso editor tem sua vida atrelada a existência de uma árvore. Quanto mais ele fala, mais folhas caem da planta. A partir do momento em que não existirem mais folhas ele morrerá! Diante disso tentará levar sua vida completamente mudo, sem dizer nada, o que dará origem a várias confusões em seu trabalho e em sua vida pessoal.

Pablo Aluísio.

3 comentários:

  1. Pablo:

    Veja os que falaram esse dois sobre Eddie Murphy:

    Tom Hanks: quando perguntado quem era o melhor ator do mundo; "o melhor ator do mundo para mim é o Eddie Murphy, o que ele faz no Professor Aloprado, por exemplo, é tão extraordinário que eu nem sei por onde passou.

    Jamie Fox: chegando a uma entrevista coletiva de Dreamgirls em que o Eddie Murphy interpretava uma mistura de James Brown e Litlle Richards, o Jamie Fox disse aos repórteres; "o Eddie Murphy é o maior ator do mundo, se ele estivesse aqui agora ele já tinha feito um imitação de cada um de vocês, ele é o maior!".

    Cara, o que será que aconteceu com um ator com essa capacidade de entusiasmar seus pares, desta forma, para entrar nesta decadência inexplicável?


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  2. Sabe Serge depois de ler muito sobre a biografia de vários artistas do cinema e da música cheguei na conclusão de que a queda é um caminho natural na carreira dessas pessoas. Até grandes nomes como Elvis Presley passaram por um longo declínio. Claro que alguns decaem mais do que os outros mas não existe artista que não passe por isso. É natural. No caso do Eddie Murphy credito ainda mais duas coisas que acentuaram sua decadência: o surgimento de vários comediantes negros na sua linha nos últimos anos e o desgaste de ter feito tantos filmes ruins. Juntado tudo isso temos a situação atual dele. Penso que nunca mais voltará aos anos de glória, como na década de 80. Abraços, Pablo Aluísio.

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