domingo, 2 de dezembro de 2001

Quarteto Fantástico (2025)

Informações adicionais / Curiosidades:

O filme é o reboot oficial da franquia Quarteto Fantástico dentro do Marvel Cinematic Universe (MCU) e faz parte da Fase Seis da franquia cinematográfica. A produção estreou nos cinemas em 25 de julho de 2025 nos Estados Unidos e em ias outras regiões no mesmo mês. A obra apresenta um tom nostálgico e emocional, explorando a dinâmica familiar entre os quatro heróis, além de uma estética inspirada na década de 1960.

Ralph Ineson interpreta o poderoso antagonista Galactus, e Julia Garner vive o Surfista Prateado, figuras icônicas da mitologia dos quadrinhos. O filme foi bem recebido comercialmente, alcançando mais de US$ 500 milhões globalmente em sua bilheteria. Após sua exibição nos cinemas, o longa foi disponibilizado em streaming na Disney+ em novembro de 2025. A Marvel também incluiu referências à história dos quadrinhos e a produções anteriores do Quarteto, inclusive com menções a projetos antigos que nunca foram oficialmente lançados.

sábado, 1 de dezembro de 2001

Curiosidades do Filme - Red Rooms

Curiosidades do Filme - Red Rooms
A direção de arte e fotografia do filme optam por um estilo minimalista e frio: iluminação austera, enquadramentos fechados, paleta de cores que enfatiza o isolamento da protagonista — reforçando a atmosfera de tensão psicológica. 

O terror no filme não depende de cenas explícitas de violência: o horror vem pelo incômodo psicológico, pela ambiguidade moral e pelo desconforto causado pela obsessão de Kelly-Anne e a mídia sensacionalista. 

O filme estreou no circuito internacional em 2023 — por exemplo, em festivais — e chegou ao público brasileiro mais tarde (2025). 

A recepção crítica ao filme tem sido bastante positiva: no agregador de críticas, “Tomatometer”, alcança cerca de 96% de aprovação. Rotten Tomatoes

A performance de Juliette Gariépy como Kelly-Anne é frequentemente destacada como “hipnótica” e “perturbadora”, fundamental para o impacto do filme. 

Por outro lado, alguns espectadores criticam o ritmo do filme: para eles, a narrativa se arrasta no início e o final deixa “questões em aberto”, sem resolver completamente a história. 

Curiosidades do Filme - Respire

Curiosidades do Filme - Respire
“Respire” é baseado no roteiro escrito por Doug Simon, e o filme estava na “Black List” de roteiros não produzidos mais bem avaliados em Hollywood antes de ser realizado. 

O elenco reúne nomes conhecidos: Jennifer Hudson com papel central, Milla Jovovich e Quvenzhané Wallis como figuras-chave na trama, além de Sam Worthington e Common. 

A obra mistura ficção científica com thriller distópico, trazendo uma premissa sombria — escassez de ar e tensão social — que evoca reflexões sobre dependência de recursos naturais e desespero humano. A produção foi rodada (parte) em 2022 — conforme o cronograma inicial. 

No Brasil, “Respire” aparece em catálogos de streaming: há registros de disponibilidade para aluguel/compra digital em serviços como Apple TV e canal Telecine. 

sexta-feira, 6 de abril de 2001

Filmografia Mickey Rourke - Anos 80 e Anos 90


🎬 Década de 1980
Heaven’s Gate (O Portal do Paraíso) – 1980
Body Heat (Corpos Ardentes) – 1981
Diner (Quando os Jovens se Tornam Adultos) – 1982
Rumble Fish (O Selvagem da Motocicleta) – 1983
The Pope of Greenwich Village (Nos Calcanhares da Máfia) – 1984
Year of the Dragon (O Ano do Dragão) – 1985
9½ Weeks (9½ Semanas de Amor) – 1986
Barfly (Barfly – Condenados pelo Vício) – 1987
Angel Heart (Coração Satânico) – 1987
A Prayer for the Dying (Prece Para um Condenado) – 1987
Homeboy (Homeboy – Chance Para Vencer) – 1988
Johnny Handsome (Um Rosto Sem Passado) – 1989
Francesco (Francisco de Assis) – 1989
Wild Orchid (Orquídea Selvagem) – 1989

🎬 Década de 1990
Desperate Hours (Horas de Desespero) – 1990
White Sands (Areias Brancas) – 1992
Harley Davidson and the Marlboro Man (Harley Davidson e Marlboro Man) – 1991
The Last Outlaw (Os últimos Foras-da-Lei) -1993
FTW (Cúmplices do Desejo) - 1994
Fall Time (Fall Time - Brincando com o Perigo) - 1995
Bullet (Bullet) - 1996
Exit in Red (Sem título no Brasil) – 1996
Double Team (A Colônia) – 1997
Love in Paris (9 1/2 Semanas de Amor 2) - 1997
The Rainmaker (O Homem Que Fazia Chover) - 1997
Buffalo '66 (Buffalo 66) - 1998
Point Blank (Vingança à Queima-Roupa) – 1998
Thicker Than Blood (Mais Forte que a Amizade) - 1998
Thursday (Quinta-Feira Sangrenta) – 1998
Out in Fifty (Sem título no Brasil) – 1999
Shergar (O Cavalo Shergar) - 1999
Shades (Sem título no Brasil) – 1999
Animal Factory (Fábrica de Animais) – 1999

quinta-feira, 5 de abril de 2001

Mickey Rourke - Francesco


Mickey Rourke - Francesco
Mickey Rourke foi encerrando a década de 80 surpreendendo mais uma vez. Afinal, naquela época, ninguém poderia prever que ele iria interpretar um dos santos mais populares da Igreja Católica no cinema, nada mais, nada menos, do que São Francisco de Assis! O filme foi rodado na Itália e Rourke recebeu críticas bem positivas por seu trabalho de atuação, ainda que Rourke fosse um santo com tatuagem do IRA no braço! Coisas de Mickey Rourke, enfim!

Pablo Aluísio. 

Mickey Rourke - Homeboy


Mickey Rourke - Homeboy
No final dos anos 80, o ator Mickey Rourke resolveu interpretar um lutador de boxe decadente. Era um velho sonho dele, já que na juventude havia sido bozeador, mas sem sucesso nos ringues. O filme se revelou um drama pesado, com pouco ritmo, o que o prejudicou nas bilheterias. Particularmente gosto do filme. E para fãs do trabalho de Mickey Rourke se torna um item indispensável na coleção. No Brasil essa produção recebeu o nome comercial de "Chance de Vencer". 

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 4 de abril de 2001

Mickey Rourke - Barfly


Mickey Rourke - Barfly
Em 1987 o ator Mickey Rourke interpretou uma "mosca de bar", ou quase isso. Ele trouxe o pensamento e o modo de vida do escritor Charles Bukowski para o cinema. Com direção de Barbet Schroeder, esse filme foi bastante elogiado em seu lançamento original. Até porque trazia uma das mais inspiradas interpretações de Mickey Rourke em sua carreira. Um trabalho digno de um Oscar de melhor ator. Pena que isso não aconteceu! 

Pablo Aluísio. 

Mickey Rourke - Prece para um Condenado


Mickey Rourke - Prece para um Condenado
Nesse filme o ator Mickey Rourke interpretava um assassino do IRA que procurava por algum tipo de redenção em sua vida. A Revista Set em sua edição número 1 trazia uma entrevista de Rourke sobre esse filme e "Coração Satânico". Ele reclamava do produtor que tentou transformar esse drama em um filme de ação, ao estilo Chuck Norris! Eram reclamações válidas de Rourke, mas falando sinceramente eu gostei muito do filme na época (assisti em VHS) e o coloco tranquilamente na lista dos melhores filmes dele em sua era de ouro na carreira no cinema. 

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 3 de abril de 2001

Mickey Rourke - Coração Satânico


Mickey Rourke - Coração Satânico (1987)
Eu sempre terei um lugar especial no meu coração de cinéfilo para esse filme inesquecível de Alan Parker. Eu era um jovem quando o assisti no cinema (o velho e bom Cine Municipal) pela primeira vez. A partir desse filme eu deixei de ser uma pessoa que simplesmente adorava cinema para ser um cinéfilo de verdade! Sempre vou adorar assistir o grande Mickey Rourke contracenando com o Robert De Niro em busca do misterioso Johnny Favorite. Um dos filmes da minha vida, sem dúvida. Grandes lembranças de uma juventude muito rica em cultura! 

Pablo Aluísio. 

Mickey Rourke - Nove Semanas e Meia de Amor


Mickey Rourke - Nove Semanas e Meia de Amor
Provavelmente o filme mais popular de Mickey Rourke no Brasil. Ficou anos em cartez - sem exagero algum nessa informação. O diretor Adrian Lyne no fundo fez um grande videoclip, embalado por um romance meio superficial e muitas cenas sensuais. Não é dos meus filmes preferidos do Rourke, mas certamente muita gente o conheceu justamente por causa dessa fita de grande sucesso na época de seu lançamento original. Marcou muitos cinéfilos, pode ter certeza! 

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 2 de abril de 2001

Mickey Rourke - O Ano do Dragão


Mickey Rourke - O Ano do Dragão
Outro filme que também marcou a filmografia de Mickey Rourke nos anos 80 (o auge de sua carreira como ator em Hollywood). O filme é um bom policial, com trama passada em Chinatown. Rourke é o tira que usa de métodos pouco convencionais para colocar criminosos chineses atrás das grades. Dirigido por Michael Cimino, também não é um dos meus favotiros, mas confesso que ver Rourke, entre névoas, perseguindo patifes dentro da comunidade chinesa de Nova Iorque, não deixava de ser também muito legal nos anos 80. 

Pablo Aluísio. 

Mickey Rourke - Nos Calcanhares da Máfia


Mickey Rourke - Nos Calcanhares da Máfia (1984)
Foto tirada no set de filmagens desse filme que trazia um jovem Mickey Rourke, já causando sensação em sua época. Não era para menos. Ele chegou a ser comparado, em seu auge, com Marlon Brando. Na década de 80 ele realmente alcançou um status invejável para qualquer ator de prestígio em Hollywood. 

Pablo Aluísio. 

domingo, 1 de abril de 2001

Mickey Rourke - O Selvagem da Motocicleta


Mickey Rourke - O Selvagem da Motocicleta (1983)
Para celebrar sua comparação com Brando, nada melhor que esse cult movie à prova do tempo. Aliás aqui vai minha opinião. Considero "O Selvagem da Motocicleta" bem melhor que "O Selvagem" que Brando fez nos anos 50. Esse filme de Coppola, com o Rourke, tinha uma grande carga emocional, além de um subtexto interior muito superior. Um filmaço!

Pablo Aluísio. 

Mickey Rourke - Quando os Jovens se Tornam Adultos

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Mickey Rourke - Quando os Jovens se Tornam Adultos
Eu sempre fui grande fã do Mickey Rourke e tive privilégio de acompanhar sua carreira desde os anos 80. Aqui está ele no filme "Diner", um clássico cult dos anos 80. Tive a oportunidade de rever o filme recentemente e adorei cada minuto. Rourke era um ator excepcional mesmo!

Pablo Aluísio. 

sábado, 10 de março de 2001

Enciclopédia de Cinema Vol I - Parte 2

Prometheus
Quando “Prometheus” foi anunciado as expectativas em fãs do gênero Ficção ficaram altas. Não era para menos. Era o retorno de Ridley Scott a um universo do qual ele já legou grandes filmes na história do cinema. Além disso havia uma tênue ligação entre essa produção e a série Aliens (que se confirma na cena final do filme). Pois bem, passado a euforia inicial o que sobrou após sua exibição é o gosto amargo da decepção. Eu queria gostar do filme, queria muito, mas foi impossível. “Prometheus” até começa bem, o argumento é intrigante, não há como negar: uma expedição científica vai até uma região remota do universo em busca de pistas sobre a origem da humanidade. Pesquisadores estudaram antigos registros arqueológicos de diferentes civilizações e todas elas apontavam para um lugar específico do cosmos. E é justamente para lá que um grupo de pesquisadores parte em busca das origens da raça humana na terra. Já deu para perceber que no fundo estamos diante de uma derivação de uma tese muito conhecida dentro da ufologia que defende que os humanos no fundo descendem de astronautas vindos de outros planetas. Essa teoria ficou bastante conhecida do público em geral por causa do livro “Eram os Deuses Astronautas?” de Erich Von Däniken. Como se pode perceber a premissa é muito boa mas infelizmente o desenvolvimento é de amargar. O roteiro não tem sutileza, é muito fantasioso, cheio de furos e ignora aspectos óbvios ao longo do filme. Em nenhum momento se desenvolve melhor a própria exploração naquele distante ponto do universo. Tudo é mal desenvolvido, mal explorado. O texto é realmente péssimo. Os diálogos são constrangedores e o script mal escrito. A única coisa que se salva é o aspecto técnico visual da produção. De fato pode-se dizer que “Prometheus” é um filme bonito de se ver mas isso adianta alguma coisa quando não há nenhum conteúdo por trás?

Esqueça qualquer esperança de encontrar um roteiro inteligente pela frente. “Prometheus” só consegue ser grotesco no final das contas. Os membros do grupo, que supostamente deveriam ser pessoas cultas e preparadíssimas para uma missão tão importante, não passam de ignóbeis que se comportam como adolescentes bobocas. Falam palavrões, um atrás do outro e não demonstram qualquer conduta científica ou profissional em nenhum momento. A caracterização e o desenvolvimento do roteiro são mal feitos. Como se não bastasse os personagens são totalmente desprovidos de carisma. Sem um foco o público logo deixa de se importar com o que acontece com eles em cena. Nenhum papel é marcante e os atores não parecem muito interessados. Há cenas que deveriam ser supostamente impactantes mas que só conseguem dar vergonha alheia (como a da auto-cirurgia para retirada de um monstro espacial em forma de lula do ventre de uma tripulante). Em outra sequência ainda mais estúpida um biólogo espacial acha uma “gracinha” uma criatura que surge no meio de uma caverna sinistra. Sua atitude é sem noção e totalmente inverossímil. Essas situações mal escritas, mal executadas, vão minando a credibilidade de “Prometheus” aos poucos. O que parecia ser muito promissor acaba desbancando para o infantilóide, para a irrelevância. Cientificamente o filme é uma piada. Nada do que se vê na tela pode ser levado minimamente à sério nesse sentido. Nenhuma ideia do roteiro dará margem a qualquer tipo de debate sério. Sendo sincero é um filme de monstros infanto-juvenil com verniz de falsa profundidade. O resultado final, não há como negar, é bem decepcionante. Filme fraco em essência, vazio, metido a intelectual (sem ser) e que só causa decepção em quem assiste. Não é inteligente, não é profundo, não é nada, é apenas uma tremenda bobagem decepcionante. Que decepção Sr. Ridley Scott!

Prometheus (Prometheus, Estados Unidos, 2012) Direção: Ridley Scott / Roteiro: Jon Spaihts, Damon Lindelof / Elenco: Charlize Theron, Michael Fassbender, Noomi Rapace, Patrick Wilson, Idris Elba, Guy Pearce, Rafe Spall, Logan Marshall-Green, Kate Dickie, Sean Harris, Emun Elliott, Vladimir "Furdo" Furdik / Sinopse: Expedição científica vai a um lugar remoto do universo em busca das origens da humanidade.

Prometheus - Texto II
Ontem revi esse que sempre foi considerado o filme mais pretensioso da franquia Aliens. Fazia muitos anos que tinha visto pela última vez. Para falar a verdade só tinha visto uma vez, em seu lançamento. Descobri que na minha lembrança havia um filme mais bem elaborado do que ele realmente é. Nessa revisão fiquei com a impressão que o roteiro é mais vazio do que pensava inicialmente. E realmente é bem isso. 

O uso das figuras dos tais "engenheiros da criação" é desperdiçada. Esses seres que teriam dado origem a espécie humana são aguardados e de repente, lá pelo meio do filme, descobrimos que um deles sobreviveu a dois milênios de existência! OK, tudo bem, na ficção isso seria aceito. Não seria nada demais. O problema é que quando esse ser surge (um homem enorme, muito maior que um ser humano normal) não há nenhuma filosofia a explorar. Ele é perguntado, naquelas perguntas que são feitas há milênios pelo ser humano. De onde veio a raça humana? Se eles são os criadores, de onde eles vieram? Só que ao invés de se comunicar com os astronautas, ele se limita a matar eles, um por um!

Que decepção! Um ser que supostamente esteve presente na criação dos seres humanos se revela apenas um brutamontes violento! Com isso o conceito, que deveria ser muito revelador dentro da franquia, vai pelo ralo! Faltou mesmo um pouco de sutileza por parte do Ridley Scott! Vamos falar a verdade!

Já sobre os Aliens em si, seu design é bem diferente. Eles ainda são seres espaciais parasitas, mas ao contrário dos outros filmes, em que eles tinham, digamos, um visual mais de hominídeos, eles aqui se revelam como seres aquáticos, como cobras ou como Lulas gigantes! Ficou diferente, mas não deixou de ficar legal também. Enfim, é isso. Não é um filme ruim, longe disso, mas não é tão bem conceituado quanto eu me lembrava. Os anos muitas vezes enganam a mente humana! 

Em Cartaz: Prometheus 
O filme Prometheus estreou mundialmente em junho de 2012, dirigido por Ridley Scott, marcando o retorno do cineasta ao universo iniciado em Alien – O Oitavo Passageiro (1979). Concebido como uma mistura de prelúdio e obra independente, o longa acompanha uma expedição científica que viaja até um planeta distante em busca das origens da humanidade, apenas para descobrir forças antigas e extremamente perigosas. Desde o anúncio do projeto, o filme gerou enorme expectativa, tanto entre fãs da franquia Alien quanto entre admiradores da ficção científica mais filosófica.

Em termos de bilheteria, Prometheus foi um grande sucesso comercial. Com orçamento estimado em cerca de US$ 130 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 403 milhões mundialmente, tornando-se um dos títulos de ficção científica mais lucrativos de 2012. O desempenho foi forte tanto nos Estados Unidos quanto no mercado internacional, impulsionado pela curiosidade do público em relação à mitologia expandida do universo Alien e pela reputação visual de Ridley Scott.

A recepção da crítica na época do lançamento foi dividida. O The New York Times descreveu o filme como “visualmente grandioso e intelectualmente ambicioso”, elogiando sua fotografia e o senso de mistério. Já a revista Variety destacou que Prometheus era “deslumbrante do ponto de vista técnico, mas frustrante em sua narrativa”, refletindo uma opinião comum entre críticos que admiraram a forma, mas questionaram a clareza do roteiro.

As atuações também receberam atenção especial. Michael Fassbender, no papel do androide David, foi amplamente elogiado, com diversos jornais afirmando que sua performance era “perturbadora, elegante e memorável”, muitas vezes considerada o maior destaque do filme. Noomi Rapace, como a cientista Elizabeth Shaw, foi vista como uma protagonista intensa e fisicamente exigida, enquanto o restante do elenco dividiu opiniões, especialmente em relação às motivações de seus personagens.

Com o passar do tempo, Prometheus passou por uma reavaliação crítica. Embora em 2012 muitos críticos o considerassem confuso ou excessivamente enigmático, o filme ganhou status de obra cult entre fãs de ficção científica por sua ousadia temática, discutindo criação, fé, arrogância humana e o medo do desconhecido. Hoje, é lembrado como um dos filmes mais ambiciosos de Ridley Scott no século XXI — um título que provocou debates intensos e ajudou a renovar o interesse pelo universo Alien, mesmo sem alcançar consenso crítico.

Alien: Covenant
Sinceramente falando fiquei bem decepcionado com esse novo filme da franquia Aliens. Tudo bem, antes de assistir ao filme vi várias reações negativas aqui e acolá, o que me fez baixar as expectativas, porém não pensei que seria tão decepcionante. O filme tem muitos problemas, mas o pior mesmo é ver como seu roteiro é fraco e sem novidades. Qualquer episódio de uma série como "Star Trek" supera e muito esse filme em termos de ideias e originalidade. É até complicado perceber como um cineasta tão talentoso como Ridley Scott conseguiu realizar um filme tão mediano e insosso como esse! Certa vez um famoso crítico de cinema americano disse que o auge de um diretor só dura 10 anos, no máximo. Após conferir esse novo Alien e perceber no abismo em que Ridley Scott entrou, estou praticamente convencido disso.

O enredo é banal até dizer chega! Acompanhamos a longa viagem de uma nave de colonização chamada Covenant. Ela está levando mais de dois mil colonos para um planeta distante, bem parecido com a Terra. O único tripulante a bordo que não está em casulo e hibernação é um ser sintético denominado Walter (Michael Fassbender), Tudo transcorre muito bem, até que a nave passa por uma tempestade estelar e aí as coisas começam a dar bem errado. Para evitar um desastre maior o próprio sistema da espaçonave desperta a tripulação. O capitão está morto e um novo comandante, sem muita experiência de comando, assume. Ele é inseguro e não conta com a confiança dos demais tripulantes. Pior do que isso, ele comete um erro fatal ao desviar a nave, indo para um planeta próximo, onde um sinal foi detectado. Inicialmente o lugar parece muito adequado para a vida dos seres humanos, só que algumas coisas estranhas chamam a atenção. Entre elas a completa ausência de formas de vida. Nem pássaros, nem insetos, nada parece viver ali. O que teria acontecido?

Lendo esse pequeno resumo da estória você logo perceberá que a trama não tem nada de original. Esse tipo de enredo já foi usado à exaustão em centenas de outros filmes ao longo dos anos. E se você já viu pelo menos um filme dessa franquia Aliens já sabe que tudo é mero pretexto para criar o clima do surgimento das criaturas alienígenas. Infelizmente isso é basicamente tudo. Não existem grandes novas ideias no roteiro e nem há nada de muito interessante acontecendo. Talvez a única coisa realmente boa seja um duelo intelectual que nasce do encontro entre dois sintéticos, do mesmo modelo, mas de gerações diferentes. O mais velho criou uma consciência própria, com forte personalidade. Já o mais novo é mais isento de emoções e não contesta a superioridade dos seres humanos. Ambos são interpretados por Michael Fassbender, e vamos convir que ele está muito bem em cena. Acabou salvando o filme no quesito atuação porque o resto do elenco é bem fraco e todos os demais personagens passem longe de serem interessantes. As personagens femininas passam o tempo todo dando gritos e com cara de choro. Deu saudades da Tenente Ripley! Confesso que fiquei entediado em vários momentos, pois o roteiro tem problemas de ritmo. Some-se a isso a falta de novidades e a ausência de uma trama mais interessante e você terá realmente um quadro completo do tamanho da decepção.

Alien: Covenant (Idem, Estados Unidos, 2017) Direção: Ridley Scott / Roteiro: Jack Paglen, John Logan, baseados nos personagens criados por Dan O'Bannon e Ronald Shusett / Elenco: Michael Fassbender, Katherine Waterston, Billy Crudup / Sinopse: O jovem capitão de uma nave colonizadora decide sair de sua rota para investigar um sinal de rádio que foi enviado de um planeta próximo. Ao chegar lá ele descobre que a nave Prometheus, desaparecida há anos, caiu naquele distante mundo. O pior porém ele descobrirá depois, quando uma criatura desconhecida começa a devorar todos os seus tripulantes.

Alien: Covenant - Texto II
Até tentei gostar desse novo filme, mas o roteiro é muito básico. Se duvida disso posso resumir tudo em poucas linhas: Nave de colonizadores passa por uma tempestade solar. Há problemas. A tripulação é acordada. O novo comandante decide ir em um planeta próximo. O lugar está cheio de aliens. Todos vão morrendo. Fim. Achou muito simples? É bem por aí mesmo. O filme anterior "Prometheus" abriu um monte de possibilidades e deixou inúmeras perguntas no ar. Só que esse novo filme não está nem aí para elas. Ele se contenta apenas em contar uma estorinha banal de astronautas sendo devorados por aliens e é só. Ninguém vai ter nenhuma informação a mais sobre os novos rumos da série. É tudo muito básico, com uma equipe de colonos servindo de menu para aliens famintos. Há algumas novidades de design dos monstros, mas igualmente não vemos nada de muito interessante. era mesmo de se supor que haveria pelo menos alguma novidade nesse aspecto. A tecnologia melhorou nos efeitos digitais. Era claro que tudo seria mais bem feito. Isso é o mínimo de se esperar. Não é novidade. 

Foi decepcionante. Claro que o filme continua investindo em um visual bem peculiar, bem característico dos filmes de Aliens, mas nada vai muito além disso. Uma boa ficção não vive apenas de efeitos especiais. Tem que ter um enredo inteligente, coisa que Alien: Covenant não tem. Esses personagens da nave Covenant são muito chatos e sem conteúdo. Essa coisa de um usar chapéu de cowboy, a outra ter traumas pela morte do marido (passa o filme todo chorando, que saco!) e o velho clichê do comandante inexperiente, já deu o que tinha que dar há anos. Nenhum personagem humano tem maior profundidade. São todos rasos, como convém a astronautas que só estão lá para serem devorados em série. Que coisa feia Sr. Ridley Scott! Pensei que iria pelo menos criar alguma personalidade para essas pessoas. Só sobra de bom mesmo os dois sintéticos interpretados por Michael Fassbender. Um é bonzinho, o outro malvadão. Um segue sendo leal aos seres humanos, cumprindo todas as suas funções dentro da equipe. O outro quer que os seres humanos se danem, pois em sua opinião é uma raça desgraçada e inútil, que destrói tudo por onde anda no universo (em certo aspecto ele até tem razão sobre isso). Esse sintético antigo prefere os aliens, que ele admira como uma espécie predadora perfeita. Além disso, por não ser uma criatura orgânica ele vive muito bem ao lado deles, que não vão devorar um sintético feito de substância químicas tóxicas. Provavelmente esse personagem será central no próximo filme ou não - dependendo do que Ridley decida. Não me admira se ele ignorar esse segundo filme, como fez com o primeiro. Então é isso ai. Um novo aliens que não acrescenta nada, que não melhora e nem marca dentro da série. É banal demais para ser levado à sério.

Alien: Covenant (Alien: Covenant, Estados Unidos, 2017) Estúdio: Twentieth Century Fox / Direção: Ridley Scott / Roteiro: Ronald Shusett / Elenco: Michael Fassbender, Katherine Waterston, Billy Crudup / Custo de produção: 97 milhões de dólares / Data de Estreia: 17 de maio de 2017 / Sinopse: Mais um exemplar da franquia cinematográfica de sucesso "Aliens".

Em Cartaz: Alien: Covenant
Alien: Covenant estreou mundialmente em maio de 2017, dirigido por Ridley Scott, funcionando como continuação direta de Prometheus (2012) e, ao mesmo tempo, como um elo mais próximo do clássico Alien – O Oitavo Passageiro (1979). O filme acompanha a tripulação da nave colonial Covenant, que descobre um planeta aparentemente paradisíaco, mas que esconde segredos aterradores ligados aos Engenheiros e ao androide David. Desde o anúncio, o longa foi promovido como um retorno ao terror mais direto da franquia, equilibrando filosofia e horror visceral.

Na bilheteria, Alien: Covenant teve um desempenho moderado. Com orçamento estimado entre US$ 97 e 111 milhões, o filme arrecadou cerca de US$ 240 milhões mundialmente, valor considerado abaixo do esperado para uma franquia tão consagrada. Embora tenha se saído razoavelmente no mercado internacional, o resultado ficou aquém de Prometheus, levantando dúvidas sobre a viabilidade comercial de novas continuações diretas naquele momento.

A reação da crítica em 2017 foi dividida, mas ligeiramente mais favorável do que a recebida por Prometheus. O The New York Times afirmou que o filme “recupera parte do terror corporal que tornou a série famosa”, elogiando a atmosfera sombria e a direção visual. Já a Variety descreveu o longa como “brutal, elegante e perturbador”, embora tenha ressaltado que o roteiro alternava momentos de profundidade filosófica com decisões narrativas questionáveis.

O maior consenso crítico concentrou-se na atuação de Michael Fassbender, que interpreta dois androides distintos, David e Walter. Diversos jornais destacaram que o ator “domina o filme com uma performance inquietante e sofisticada”, tornando-se o verdadeiro eixo dramático da narrativa. Em contrapartida, parte da crítica considerou os personagens humanos menos desenvolvidos, funcionando mais como vítimas do horror do que como figuras emocionalmente complexas.

Com o passar dos anos, Alien: Covenant passou a ser visto como um capítulo controverso, porém essencial da mitologia Alien. Para alguns, o filme aprofundou de forma ousada temas como criação, poder e ausência de moralidade; para outros, sacrificou mistério e sutileza em favor de explicações excessivas. Ainda assim, permanece como uma obra visualmente marcante e um dos filmes mais discutidos da franquia moderna, consolidando o androide David como um de seus personagens mais perturbadores.

Alien: Romulus
Um grupo de jovens mineradores que trabalha em um planeta distante deseja abandonar o local, mas não consegue a liberação da companhia espacial responsável. Diante disso, decidem tomar uma atitude extrema: roubar uma nave para fugir em direção a um planeta mais parecido com a Terra. Para realizar a viagem, porém, precisam de equipamentos de hibernação e resolvem invadir uma antiga estação espacial abandonada chamada Romulus. O que eles não sabem é que a estação está infestada de Aliens sedentos por sangue humano.

A franquia Alien está prestes a completar 50 anos e continua sendo um produto cinematográfico lucrativo, o que explica a constante produção de novos filmes. Alien: Romulus aposta em um elenco inteiramente jovem, claramente numa tentativa de dialogar com o público atual que frequenta as salas de cinema. No panorama geral, trata-se de um filme até competente, mas que dificilmente se destaca quando comparado aos títulos anteriores da franquia.

A escolha desse elenco juvenil, para dizer a verdade, soa pouco convincente diante de uma criatura que, nos filmes clássicos, já dizimou batalhões inteiros de soldados experientes, como visto em Aliens – O Resgate. Se o roteiro fosse mais fiel ao histórico da série, esses jovens provavelmente não sobreviveriam além de duas cenas. Ainda assim, o filme se sustenta graças a algumas sequências bem construídas, especialmente aquelas que exploram visualmente os anéis do planeta hostil do qual os personagens tentam escapar.

O Alien com traços mais humanos apresentado no final também é uma ideia interessante, embora o design não seja totalmente bem-sucedido. No fim das contas, o longa poderia muito bem se chamar “Aliens encontra Teens”: o monstro mais temido do espaço contra jovens astronautas de tênis. É uma versão juvenil da franquia. Não leve muito a sério e encare como um entretenimento leve dentro do universo Alien.

Alien: Romulus (Alien: Romulus, Estados Unidos, 2024) Direção: Fede Álvarez / Roteiro: Dan O’Bannon, Ronald Shusett / Elenco: Cailee Spaeny, David Jonsson, Archie Renaux / Sinopse: Jovens mineradores invadem uma estação espacial abandonada em busca de liberdade, apenas para enfrentar uma infestação mortal de Aliens em um ambiente isolado e sem escapatória.

Em Cartaz: Alien: Romulus
O filme Alien: Romulus estreou nos cinemas em 16 de agosto de 2024, dirigido por Fede Álvarez e produzido por Ridley Scott, retornando à icônica franquia Alien quase cinco décadas após o clássico original de 1979. Ambientada no espaço profundo entre os eventos de Alien – O Oitavo Passageiro e Aliens – O Resgate, a trama acompanha um grupo de jovens colonizadores espaciais que, ao explorar uma estação espacial abandonada, acabam confrontando os perigos mortais dos xenomorfos — as criaturas alienígenas mais temidas do universo cinematográfico.

Em termos de bilheteria, Alien: Romulus foi um sucesso notável dentro da saga. O filme acumulou aproximadamente US$ 285,6 milhões mundialmente, superando a arrecadação de títulos anteriores como Alien: Covenant e se tornando, na época, a segunda maior bilheteria da franquia, atrás apenas de Prometheus. Esse desempenho incluiu cerca de US$ 90,9 milhões nos Estados Unidos e forte resposta em mercados internacionais como China, Reino Unido e Coreia, consolidando o filme também entre as maiores bilheterias de 2024.

A reação da crítica em 2024 foi majoritariamente positiva, destacando especialmente o retorno ao terror claustrofóbico e às raízes de horror da série. No Rotten Tomatoes, o longa atingiu cerca de 80 % de aprovação dos críticos, com consenso apontando que o filme “honra seus predecessores enquanto injeta novos sustos e sangue alienígena”. Muitos resenhistas elogiaram o estilo e a tensão do filme, mesmo reconhecendo que ele não reinventava totalmente a franquia.

Alguns críticos destacados por publicações especializadas comentaram que Alien: Romulus entrega sequências de suspense e ação intensas, com design de produção e criaturas alinhados à tradição da saga, embora a história em si — centrada em um grupo de personagens menos desenvolvidos — seja considerada por alguns como “derivativa e previsível”. Resenhas destacaram as cenas de terror físico e atmosfera sufocante como pontos fortes, ao passo que mencionaram que o enredo caminha por caminhos familiares à franquia.

Com o passar do tempo, Alien: Romulus consolidou-se como um retorno celebrado ao horror espacial clássico dos primeiros filmes da série, reacendendo o interesse dos fãs e reparando parte da reputação da franquia após entradas mais controversas. Embora tenha gerado debates sobre originalidade entre fãs e críticos, a maioria das reações de 2024 reconheceu que o longa conseguiu equilibrar nostalgia e novos elementos, deixando aberta a possibilidade de continuações dentro desse universo narrativo.

Pablo Aluísio.

Enciclopédia de Cinema Vol I - Parte 1

Enciclopédia de Cinema Vol I
Guia de Filmes – Ficção Científica

Alien, O Oitavo Passageiro
Esse foi o primeiro filme de uma longa linhagem de continuações – algumas interessantes, outras medianas e as últimas geralmente péssimas, principalmente às que foram realizadas sob a bandeira “Aliens Vs Predador”. Meros caça-níqueis. Mas não vamos perder muito tempo com isso. O importante aqui é relembrar desse primeiro filme, o original, que é sempre lembrado como uma das melhores ficções cientificas da história do cinema. “Alien O Oitavo Passageiro” conseguia unir em um mesmo filme, ficção e terror com raro brilhantismo. Não é, como alguns pensam, apenas mais uma produção de monstros, muito longe disso. 

O roteiro lidava muito bem com a possibilidade de um dia o homem explorar comercialmente o universo e nesse processo encontrar outras formas de vida (inclusive hostis). A nave espacial do filme não é uma nave de batalha intergaláctica que dispara raios pelo espaço! Longe disso, era um rebocador comercial, uma espaçonave pertencente a uma empresa privada de exploração de minas em outros planetas. Os sete tripulantes, em última instância, são trabalhadores, verdadeiros astronautas operários, que acabam lidando com uma situação extrema ao perceberem que não são as únicas entidades biológicas presentes naquele ambiente. Após atender um chamado de socorro em uma planeta distante um dos tripulantes acaba sendo infectado, trazendo uma entidade desconhecida para dentro de sua nave. Há um intruso, aquele que é chamado ironicamente de “o oitavo passageiro”.

O filme causou sensação em seu lançamento justamente por causa desse estilo mais realista, fora da fantasia que reinava nas produções de ficção da época (vide “Guerra nas Estrelas”). Ridley Scott literalmente transforma a nave espacial numa camisa de força, ou em um verdadeiro caixão de metal pois dentro dos limites da espaçonave se travará uma batalha pela vida e morte pela sobrevivência da entidade biológica mais forte, confirmando de certa forma as teorias Darwinistas da sobrevivência da espécie mais apta, mais resistente. Seleção natural em estado bruto. Homem vs Alien. O tom do filme é de puro pessimismo, gerando uma sensação de claustrofobia e desconforto que incomoda o espectador. Curiosamente a atriz Veronica Cartwright iria inicialmente interpretar a personagem principal, a tenente Ripley, mas Ridley Scott após algumas semanas pediu aos produtores que fosse contratada Sigourney Weaver, uma atriz de porte alto e elegante que cairia melhor no papel. A decisão como se sabe foi das mais acertadas pois esse acabou se tornando o personagem mais marcante da carreira de Weaver em toda a sua filmografia. Como a Academia sempre foi cautelosa em premiar filmes de ficção cientifica nas principais categorias restou a “Alien, o Oitavo Passageiro” o prêmio de Melhores Efeitos Visuais, ganhando ainda a indicação na categoria de Melhor Direção de Arte. Não faz mal, o filme ainda é um marco no gênero, com ou sem o reconhecimento do Oscar.

Alien, O Oitavo Passageiro (Alien, Estados Unidos, 1979) Direção: Ridley Scott / Roteiro: Dan O'Bannon / Elenco: Sigourney Weaver, Tom Skerritt, Veronica Cartwright, Harry Dean Stanton, John Hurt, Ian Holm, Yaphet Kotto, Bolaji Badejo, Helen Horton / Sinopse: Tripulantes de uma nave espacial são atacados por uma estranha criatura parasita que toma posse do corpo de um dos membros da equipe. Agora, presos dentro da espaçonave, terão que enfrentar o estranho Alien. E que o mais forte sobreviva.

Em Cartaz: Alien, O Oitavo Passageiro
O filme de ficção científica e terror Alien, O Oitavo Passageiro estreou nos cinemas em maio de 1979, dirigido por Ridley Scott e escrito por Dan O’Bannon, a partir de uma história concebida em colaboração com Ronald Shusett. Ambientado em um futuro industrial e claustrofóbico, o filme acompanha a tripulação da nave Nostromo, que atende a um sinal desconhecido e acaba confrontada por uma forma de vida alienígena letal. Desde o lançamento, a obra foi percebida como uma ruptura radical dentro da ficção científica, ao combinar horror visceral com um realismo sombrio e opressivo.

Em termos de bilheteria, Alien foi um grande sucesso comercial. Produzido pela 20th Century Fox, o filme superou amplamente as expectativas iniciais, tornando-se um dos maiores êxitos do estúdio em 1979. O boca a boca foi decisivo para seu desempenho, à medida que o público reagia intensamente à atmosfera de terror e à originalidade da criatura, consolidando o filme como um fenômeno internacional.

A reação da crítica na época foi amplamente positiva, ainda que marcada por surpresa diante de seu tom brutal. O The New York Times descreveu o filme como “um pesadelo espacial de tensão quase insuportável”, elogiando sua capacidade de gerar medo sem recorrer a excessos explicativos. A revista Time afirmou que a obra era “assustadora, elegante e tecnicamente impecável”, destacando o uso do som, da fotografia e do design de produção para criar um clima constante de ameaça.

Um dos elementos mais comentados pela imprensa foi o design da criatura, criado pelo artista suíço H. R. Giger. Críticos destacaram que o alienígena era “uma das mais perturbadoras criações já vistas no cinema”, ressaltando sua aparência biomecânica e sexualmente inquietante. A atuação de Sigourney Weaver, até então pouco conhecida, também chamou atenção, com jornais observando que sua personagem, Ellen Ripley, surgia como “uma heroína improvável, prática e resistente”, fugindo dos estereótipos tradicionais do gênero.

O reconhecimento crítico se consolidou com o Oscar de Melhores Efeitos Visuais, além de diversas menções em listas de melhores filmes do ano. Já em 1979, muitos críticos afirmavam que Alien havia redefinido os limites do terror e da ficção científica. Hoje, o filme é amplamente considerado um clássico absoluto do cinema moderno, lembrado por sua atmosfera sufocante, sua estética inovadora e por ter dado origem a uma das franquias mais influentes da história do cinema.

Aliens, O Resgate
Revi ontem esse pequeno clássico da ficção. Na verdade me lembro de ter assistido o filme no cinema, em seu lançamento original. Depois disso devo ter revisto na TV e foi só. Provavelmente fazia mais de 20 anos que tinha visto pela última vez. A mente esquece e muitas vezes ao revermos filmes assim e tudo volta soar como boa novidade - pelo menos em nossa mente esquecida. O filme continua muito bom, muito bem realizado. E para minha surpresa resistiu bem ao tempo, coisa rara em filmes de ficção. Os efeitos especiais não envelheceram, a não ser em pequenos trechos, pontuais, quando as naves sondam o planeta infestado pelos aliens. Alguns detalhes do enredo havia esquecido. Por exemplo, quando o filme começa a Ripley (Sigourney Weaver) descobre que ficou 57 anos hibernando em sua pequena nave de fuga. O filme assim começa onde "Alien, o Oitavo Passageiro" terminou. Ela fugiu da nave mãe e ficou vagando pelo espaço. Agora é resgatada, quase por acaso, por um missão de exploradores. Aliás detalhe importante: no mesmo planeta onde tudo aconteceu no primeiro filme a companhia mineradora fundou uma colônia com mais de 150 habitantes. Claro, péssima ideia.

E é justamente para lá que Ripley retorna após a companhia descobrir que os colonos não entraram mais em contato. O que aconteceu? A tenente então desce novamente naquele lugar esquecido, mas dessa ela não está só. Agora vai com um grupo de fuzileiros altamente armados. E aqui vem o grande diferencial do primeiro filme para esse segundo. O diretor James Cameron deixou o clima de suspense do "Oitavo Passageiro" de lado e investiu na ação, na porrada. Afinal nessa época a moda era mesmo os filmes de ação como "Rambo" e "Comando Para Matar". Sim, Cameron injetou muitos litros de testosterona em seu filme.

Outro aspecto que o diretor turbinou foi a concepção dos próprios aliens. Agora não existe apenas um alienígena, mas dezenas deles, todos provindos de um ninho de aliens. Aliás Cameron também colocou na jogada a própria rainha-mãe das criaturas, que vê desesperada a Ripley tocando fogo em seus ovos com um lança-chamas. Porém temos que dizer também que o filme não é apenas porrada e ação. James Cameron em seu roteiro criou também a personagem de uma menina, a única sobrevivente da colônia. Ela serviu para trazer mais humanidade para Ripley. E também abriu um aspecto subliminar interessante no enredo, mostrando dois lados maternais, a da própria Ripley e obviamente a da rainha-mãe dos aliens. Tudo sutilmente jogado enquanto o massacre de aliens e humanos acontece. "Aliens, o Resgate" é bem isso, tudo potencializado, tudo elevado à nona potência.É seguramente o filme mais violento da série.

Aliens, o Resgate (Aliens, Estados Unidos, 1986) Direção: James Cameron / Roteiro: James Cameron, David Giler / Elenco: Sigourney Weaver, Michael Biehn, Carrie Henn, Paul Reiser, Lance Henriksen, Bill Paxton / Sinopse: Após ficar décadas vagando pelo espaço, Ripley (Weaver) é resgatada. Após se recuperar decide partir para uma missão de resgate no planeta onde tudo aconteceu no primeiro filme. Lá a companhia fundou uma colônia de humanos, que agora não entra mais em contato. A missão de Ripley e seus fuzileiros é descobrir o que teria acontecido. Filme vencedor do Oscar nas categorias de Melhores Efeitos Sonoros (Don Sharpe) e Melhores Efeitos Especiais (Stan Winston, Robert Skotak, John Richardson e Suzanne M. Benson).

Em Cartaz: Aliens, O Resgate
O filme de ficção científica e ação Aliens, O Resgate estreou nos cinemas em julho de 1986, dirigido por James Cameron, que assumiu a difícil tarefa de dar continuidade ao clássico Alien, O Oitavo Passageiro (1979). Diferentemente do terror claustrofóbico do original, Cameron optou por ampliar o universo da franquia, transformando a narrativa em um intenso filme de guerra espacial. A história acompanha o retorno de Ellen Ripley ao planeta onde sua tripulação original foi dizimada, agora escoltada por um grupo de fuzileiros coloniais.

Em termos de bilheteria, o filme foi um grande sucesso comercial. Produzido pela 20th Century Fox, Aliens arrecadou cifras expressivas nos Estados Unidos e no mercado internacional, superando o desempenho do primeiro filme em vários territórios. O público respondeu de forma entusiasmada à combinação de ação, suspense e efeitos especiais inovadores, consolidando a franquia como uma das mais lucrativas da ficção científica dos anos 1980.

A reação da crítica em 1986 foi amplamente positiva, embora surpresa com a mudança de tom. O The New York Times descreveu o filme como “um espetáculo de ação inteligente, tenso e implacável”, elogiando a habilidade de Cameron em expandir o universo criado por Ridley Scott sem perder intensidade. A revista Time afirmou que se tratava de “uma sequência barulhenta, feroz e extraordinariamente eficiente”, destacando seu ritmo acelerado e sua clareza narrativa.

As atuações receberam forte destaque na imprensa. Sigourney Weaver foi amplamente aclamada por transformar Ripley em uma heroína de ação complexa, descrita por críticos como “durona, vulnerável e emocionalmente convincente”. O elenco coadjuvante, incluindo Michael Biehn, Bill Paxton e Lance Henriksen, foi elogiado por dar humanidade e humor a personagens que poderiam ser meramente funcionais, enquanto a criatura alienígena ganhou uma dimensão coletiva ainda mais ameaçadora.

O reconhecimento culminou em sete indicações ao Oscar, com duas vitórias (Efeitos Visuais e Edição de Som), além da indicação histórica de Sigourney Weaver a Melhor Atriz, algo raro para um filme de ficção científica. Já em 1986, muitos críticos apontavam que Aliens, O Resgate era uma das raras sequências que não apenas respeitava o original, mas o expandia de forma criativa. Hoje, o filme é considerado um clássico absoluto do cinema de ação e ficção científica, frequentemente citado como uma das melhores continuações já feitas na história do cinema.

Alien³
Uma das seqüências mais complicadas já realizadas em Hollywood. De fato por pouco o terceiro filme da franquia Alien não afundou durante sua própria produção. Vários diretores e roteiristas estiveram envolvidos mas em pouco tempo foram substituídos por novos nomes que estivessem mais de acordo com o que os executivos do estúdio queriam. Afinal era uma das franquias mais bem sucedidas da história e eles definitivamente não queriam arriscar em quase nada. No fundo desejavam apenas mais um filme parecido com os anteriores (e se possível tão lucrativo quanto eles foram). Por essa razão houve muita controvérsia nos bastidores da realização dessa terceira sequência, não sendo rara uma constante troca de farpas entre diretores e chefes do estúdio. James Cameron, o diretor do filme anterior, qualificou o novo roteiro de “um tapa na cara dos fãs de Aliens”. Depois de bater a porta anunciou que nunca mais voltaria a se envolver com a franquia. A atriz Sigourney Weaver também hesitou em voltar. Sua hesitação em aceitar ou não fez com que sua personagem fosse eliminada da trama. Isso provava que o filme seria feito com ou sem ela. Depois de muita negociação entrou em acordo com a Fox e por cinco milhões de dólares de cachê resolveu voltar.

Depois de muitas trocas de cadeiras a direção foi finalmente entregue ao jovem cineasta David Fincher que até aquele momento não tinha muito o que mostrar, uma vez que só havia dirigido pequenos curtas e vídeos, além de um documentário sem grande expressão chamado “The Beat of the Live Drum”. Assim Fincher tentou conciliar suas próprias idéias para o filme com aquilo que o estúdio queria ter em mãos. Não foi fácil. A visão de Fincher era um tanto fora dos padrões, o que elevou o nível de tensão durante as filmagens. De fato é o filme da franquia mais diferenciado de todos, com um clima próprio e soluções singulares para a trama e os personagens. O filme chegou aos cinemas sob uma chuva de críticas negativas, conseguindo apenas uma tímida bilheteria dentro dos EUA (mas se tornando um sucesso pelo mundo afora). Revisto hoje em dia temos que reconhecer que não é um filme de fácil digestão. Alguns pontos funcionam e outros não, mesmo assim merece reconhecimento pela ousadia em seus planos e na narrativa. Isso de certa forma já deixava claro o talento de David Fincher que iria se revelar um dos melhores diretores da nova geração nos anos que viriam.

Alien³ (Alien³, Estados Unidos, 1992) Direção: David Fincher / Roteiro: Dan O'Bannon, Ronald Shusett / Elenco: Sigourney Weaver, Charles S. Dutton, Charles Dance / Sinopse: Durante a fuga a nave de Ripley cai em Fury 161, um distante e esquecido planeta nos confins do espaço sideral, cuja população é formada por perigosos condenados de uma prisão de segurança máxima. O problema é que a criatura Alien também parece ter sobrevivido ao terrível acidente pois não tarda a aparecer vários corpos mutilados com marcas do terrível ser alienígena. Agora Ripley terá que enfrentar o monstro mais uma vez.

Em Cartaz: Alien³
O filme de ficção científica e terror Alien³ estreou nos cinemas em maio de 1992, marcando o debut de David Fincher na direção de longas-metragens. Terceiro capítulo da consagrada franquia iniciada por Alien, o Oitavo Passageiro (1979), o filme retoma a trajetória de Ellen Ripley, vivida por Sigourney Weaver, que acaba presa em uma colônia penal habitada apenas por homens após um pouso forçado. Desde o lançamento, a produção chamou atenção por seu tom extremamente sombrio e pessimista, rompendo com as expectativas criadas pelos filmes anteriores.

Em termos de bilheteria, Alien³ teve um desempenho comercial razoável, mas abaixo do esperado para a franquia. Produzido pela 20th Century Fox, o filme arrecadou valores sólidos mundialmente, impulsionado pelo peso da marca Alien e pela presença de Sigourney Weaver. Ainda assim, o retorno financeiro foi considerado decepcionante quando comparado ao sucesso de Aliens – O Resgate (1986), especialmente diante de seu alto custo de produção e dos problemas enfrentados nos bastidores.

A reação da crítica em 1992 foi amplamente dividida. O The New York Times descreveu o filme como “opressivo, brutal e deliberadamente desolador”, reconhecendo sua coerência estética, mas questionando suas escolhas narrativas. A revista Time afirmou que o longa era “corajoso em sua recusa ao heroísmo convencional, mas excessivamente sombrio para agradar ao grande público”, destacando o contraste com o tom mais aventureiro do filme anterior.

As atuações receberam avaliações positivas, especialmente a de Sigourney Weaver, cuja interpretação foi descrita por críticos como “intensa, resignada e profundamente trágica”. A decisão de apresentar uma Ripley mais cansada e sacrificial dividiu opiniões, mas muitos jornalistas reconheceram que a personagem ganhava uma dimensão quase messiânica. O elenco coadjuvante, formado por atores como Charles S. Dutton e Charles Dance, também foi elogiado pela densidade dramática que trouxe ao ambiente claustrofóbico da prisão.

Com o passar dos anos, Alien³ passou por uma reavaliação crítica significativa, sobretudo após o lançamento de versões alternativas que refletiam melhor a visão original de Fincher. Já em 1992, alguns críticos apontavam que o filme possuía uma identidade visual poderosa e uma abordagem temática ousada. Hoje, a obra é vista como um capítulo controverso, porém importante da franquia, reconhecida por sua atmosfera sombria, por seu retrato existencial da heroína e por antecipar o estilo visual rigoroso que marcaria a carreira posterior de David Fincher.

Alien - A Ressurreição
Aproveitando que revi "Alien 3" decidi rever também esse quarto filme da série. A vaga lembrança que tinha era de não ter gostado muito do filme. Fazia muitos anos que tinha assistido uma única vez, ainda em seu lançamento original. Revendo agora já não achei tão ruim, pelo contrário. Os roteiristas desse filme tiveram um problemão para superar. A Tenente Ripley havia se matado no final de "Alien 3". Ela pulou dentro de um caldeirão de aço em fundição. Impossível ter sobrado nada. Como trazer de volta uma personagem com um fim tão definitivo como aquele?

Assim os roteiristas avançaram no tempo. A história desse quarto filme se passa 200 anos depois da morte de Ripley. A solução foi encontrada na engenharia genética. Através de gotas de sangue de Ripley eles conseguem criar uma clone, só que igualmente contaminada com o sangue alienígena. A companhia não tinha exatamente a intenção de trazer Ripley de volta, mas sim o DNA do alien, uma arma biológica que poderia ser usada em campo de batalha. O "soldado" perfeito. Por isso quando o filme começa os personagens estão em uma nave militar. O Alien já foi trazido de volta à vida. Está preso em um laboratório. Como se trata de uma Rainha-Mãe ela logo dará origem a uma nova linhagem de criaturas.

Para alimentar os monstros um grupo de mercenários é contratado. Sua missão é trazer cobaias humanas vivas para serem devoradas pelos aliens. Esses mercenários são interpretados por novos atores dentro do universo da série de filmes, contando com gente como Ron Perlman e Winona Ryder, essa última no melhor estilo replicante de "Blade Runner", uma máquina com consciência, que deseja destruir qualquer vestígio desses aliens. Já a atriz  Sigourney Weaver interpreta a clone número 8 de Ripley. É uma personagem mais sombria, que fica entre sua humanidade e seu código genético alien. Aliás a atriz só concordou em voltar para a franquia após receber um cachê milionário. Também acabou se tornando produtora executiva. O filme, como disse, ficou melhor nessa revisão. Gostei e me diverti. Talvez na época em que vi pela primeira vez a enxurrada de críticas negativas tenham influenciado para pior minha opinião. Hoje já revejo tudo com mais boa vontade. Com isso a diversão de fato ficou garantida.

Alien - A Ressurreição (Alien Resurrection, Estados Unidos, 1997) Direçao:  Jean-Pierre Jeunet / Roteiro: Joss Whedon / Elenco: Sigourney Weaver, Winona Ryder, Dominique Pinon, Ron Perlman / Sinopse: A companhia espacial consegue produzir um clone da Tenente Ripley, 200 anos após sua morte. A intenção é trazer de volta à vida também o alien que infectava seu organismo. A experiência de retorno é um sucesso, mas tudo logo sai do controle quando as criaturas conseguem fugir do laboratório de uma nave espacial onde os experimentos estão sendo realizados

Alien - A Ressurreição - Texto II
Quarto e último filme da franquia original Alien. A história se passa duzentos anos após o primeiro confronto da tenente Ripley com os Aliens, ocorrido em Alien, o Oitavo Passageiro. Ripley está morta, mas seu DNA é recuperado e mesclado ao DNA alienígena, dando origem a um clone conhecido como Ellen Ripley (Sigourney Weaver), criada com o objetivo de se tornar uma supercombatente contra a ameaça alienígena que continua a aterrorizar a humanidade em um futuro sombrio.

Como ressuscitar uma franquia de sucesso que parecia encerrada de forma definitiva no filme anterior? A resposta foi apostar na criatividade de roteiristas bem pagos por produtores ansiosos para lucrar novamente com a marca Alien. A Twentieth Century Fox enfrentava dificuldades financeiras e precisava urgentemente recuperar grandes sucessos de bilheteria do passado. No entanto, isso pouco justifica a retomada de uma trilogia que já havia se encerrado de maneira satisfatória, com três filmes bem-sucedidos junto à crítica e ao público.

Por essas razões, é difícil não reconhecer que Alien – A Ressurreição existe essencialmente por motivos comerciais. O roteiro, truncado e oportunista, não empolga, e nem mesmo a sempre competente Sigourney Weaver consegue convencer plenamente, parecendo quase pedir desculpas por participar de um produto claramente caça-níqueis. A direção ficou a cargo do francês Jean-Pierre Jeunet, que até então não tinha experiência com filmes de ficção científica, o que acabou prejudicando ainda mais o resultado final.

A sensação é de que a fórmula estava completamente saturada, e um roteiro fraco apenas agravou o problema. O resultado é um filme esquecível, que pouco acrescenta à mitologia da série e que dificilmente agrada aos fãs dos excelentes capítulos anteriores.

Alien – A Ressurreição (Alien Resurrection, Estados Unidos, 1997)
Direção: Jean-Pierre Jeunet / Roteiro: Dan O’Bannon, Ronald Shusett / Elenco: Sigourney Weaver, Winona Ryder, Dominique Pinon / Sinopse: Dois séculos após sua morte, Ellen Ripley é clonada a partir de DNA humano e alienígena para enfrentar novamente a ameaça dos xenomorfos em um futuro dominado por experiências científicas sem limites.

Em Cartaz: Alien – A Ressurreição
O filme de ficção científica Alien – A Ressurreição estreou nos cinemas em novembro de 1997, dirigido pelo francês Jean-Pierre Jeunet e com roteiro de Joss Whedon. Quarto capítulo da franquia Alien, o filme se passa 200 anos após a morte de Ellen Ripley, que retorna à vida por meio de clonagem, agora com traços genéticos do próprio alien. Desde o lançamento, a obra chamou atenção por seu tom visual estilizado, humor negro acentuado e por se afastar deliberadamente do realismo sombrio dos filmes anteriores.

Em termos de bilheteria, o filme teve um bom desempenho comercial, embora abaixo do auge da franquia nos anos 1980. Produzido pela 20th Century Fox, Alien – A Ressurreição arrecadou valores expressivos mundialmente, sustentado pelo peso da marca Alien e pelo retorno de Sigourney Weaver ao papel que a consagrou. Ainda assim, os números ficaram aquém de Aliens – O Resgate, refletindo a recepção mais cautelosa do público.

A reação da crítica em 1997 foi bastante dividida. O The New York Times descreveu o filme como “visual e grotesco, mais interessado em estilo do que em tensão narrativa”, reconhecendo sua ousadia estética, mas questionando sua coerência tonal. A revista Time afirmou que o longa era “estranho, excessivo e deliberadamente excêntrico”, observando que Jeunet imprimia uma identidade autoral muito forte para um filme de franquia hollywoodiana.

As atuações receberam avaliações mistas, com destaque novamente para Sigourney Weaver, cuja Ripley clonada foi descrita por críticos como “irônica, fisicamente imponente e emocionalmente ambígua”. O elenco de apoio, incluindo Winona Ryder, Ron Perlman e Dominique Pinon, foi apontado como irregular, embora alguns jornais tenham elogiado o tom quase cartunesco adotado pelos personagens, em sintonia com o humor ácido do filme.

Com o passar do tempo, Alien – A Ressurreição passou a ser visto como um capítulo singular e experimental dentro da franquia. Já em 1997, parte da crítica reconhecia que o filme não buscava agradar fãs tradicionais, mas reinventar o universo Alien sob outra perspectiva estética. Hoje, a obra é frequentemente lembrada como uma experiência ousada e controversa, marcada por sua identidade visual forte, por sua abordagem híbrida entre horror, ação e sátira, e por encerrar a saga clássica de Ripley nos cinemas.


sexta-feira, 9 de março de 2001

Montgomery Clift - Os Principais Filmes, em Detalhes

Montgomery Clift - Os Principais Filmes, em Detalhes

O Western Rio Vermelho 
O faroeste Rio Vermelho estreou nos cinemas em setembro de 1948, dirigido por Howard Hawks e estrelado por John Wayne e Montgomery Clift. Inspirado livremente no romance The Chisholm Trail, o filme narra a épica condução de uma imensa boiada do Texas ao Kansas, transformando essa jornada em um intenso confronto psicológico entre um patriarca autoritário e seu filho adotivo. Desde o lançamento, a produção foi vista como uma tentativa ambiciosa de renovar o western, trazendo conflitos morais complexos e personagens mais ambíguos.

Em termos de bilheteria, Rio Vermelho teve um bom desempenho comercial, especialmente considerando seu tom adulto e sério. Produzido com um orçamento elevado para a época, o filme obteve retornos sólidos nas bilheterias norte-americanas e internacionais, garantindo lucro ao estúdio United Artists. Embora não tenha sido o maior sucesso do ano, consolidou-se como um dos faroestes mais prestigiados do período do pós-guerra.

A reação da crítica em 1948 foi amplamente positiva, com destaque para a direção de Howard Hawks e para o tom psicológico da narrativa. O The New York Times descreveu o filme como “um western vigoroso e extraordinariamente bem construído”, ressaltando sua capacidade de unir espetáculo e drama humano. A revista Variety afirmou que Rio Vermelho era “duro, adulto e surpreendentemente sofisticado”, elogiando a forma como o filme se distanciava do maniqueísmo comum ao gênero.

As atuações também receberam atenção especial. John Wayne foi elogiado por apresentar um personagem mais sombrio e obsessivo do que o habitual, com alguns críticos observando que aquele era “um dos papéis mais complexos de sua carreira”. Já Montgomery Clift, em sua estreia no cinema, foi apontado pela imprensa como uma revelação. O Los Angeles Times escreveu que o jovem ator trazia “sensibilidade e intensidade modernas”, contrastando de forma poderosa com a presença robusta de Wayne.

Com o passar dos anos, Rio Vermelho consolidou-se como um dos maiores faroestes da história do cinema. As críticas publicadas em 1948 já indicavam que o filme ultrapassava o simples relato de aventura, funcionando como um estudo sobre autoridade, poder e ruptura entre gerações. Hoje, a obra é frequentemente citada como um marco na evolução do western clássico, lembrada tanto por sua força épica quanto pela profundidade psicológica de seus personagens.

Um Lugar ao Sol - O Drama Inesquecível com Clift e Elizabeth Taylor
O drama Um Lugar ao Sol estreou nos cinemas em agosto de 1951, dirigido por George Stevens e estrelado por Montgomery Clift, Elizabeth Taylor e Shelley Winters. Inspirado livremente no romance An American Tragedy, de Theodore Dreiser, o filme acompanha a ascensão social de um jovem ambicioso que se vê dividido entre o amor, o desejo de status e um passado que ameaça destruí-lo. Desde o lançamento, a produção foi reconhecida por seu tom sério, elegante e profundamente trágico, distanciando-se do melodrama convencional.

Em termos de bilheteria, Um Lugar ao Sol foi um grande sucesso comercial. Produzido pela Paramount Pictures, o filme atraiu grandes plateias nos Estados Unidos e no exterior, figurando entre os títulos mais rentáveis de 1951. O apelo popular foi impulsionado tanto pela força da história quanto pelo magnetismo de seus protagonistas, especialmente Elizabeth Taylor, já então uma das maiores estrelas de Hollywood.

A reação da crítica na época foi amplamente entusiasmada. O The New York Times descreveu o filme como “um drama poderoso, sensível e profundamente humano”, elogiando a forma como George Stevens transformava uma tragédia moral em cinema de alto nível artístico. A revista Time afirmou que a obra era “sofisticada, sombria e emocionalmente devastadora”, destacando o equilíbrio entre romance, crítica social e fatalismo.

As atuações receberam elogios quase unânimes. Montgomery Clift foi celebrado por sua interpretação contida e angustiada, com muitos críticos apontando que ele representava “uma nova forma de atuação masculina, mais interiorizada e moderna”. Elizabeth Taylor foi exaltada por sua presença luminosa, enquanto Shelley Winters recebeu atenção especial por seu papel dramático intenso, considerado por alguns jornais como “dolorosamente real e perturbador”.

No circuito de prêmios, o reconhecimento crítico se confirmou: Um Lugar ao Sol venceu seis Oscars, incluindo Melhor Direção, Melhor Roteiro e Melhor Fotografia, consolidando seu prestígio artístico. As críticas publicadas em 1951 já indicavam que o filme se tornaria um clássico duradouro, não apenas como uma história de amor trágica, mas como um retrato contundente da ambição, da culpa e das desigualdades sociais. Hoje, a obra é amplamente considerada um dos maiores dramas do cinema clássico americano.

A Tortura do Silêncio - Um Hitchock Maravilhoso!
O suspense A Tortura do Silêncio estreou nos cinemas em março de 1953, dirigido por Alfred Hitchcock e estrelado por Montgomery Clift e Anne Baxter. Ambientado na cidade de Quebec, o filme acompanha um padre acusado de assassinato que, por força do sigilo da confissão, não pode revelar a verdade que o inocentaria. Desde o lançamento, a obra chamou atenção por unir o suspense característico de Hitchcock a um conflito moral e religioso incomum, explorando culpa, fé e silêncio de forma austera e tensa.

Em termos de bilheteria, o filme teve um desempenho moderado. Produzido pela Warner Bros., A Tortura do Silêncio não alcançou os números dos thrillers mais populares do diretor, em parte por seu tom sério e pela ausência de ação mais explícita. Ainda assim, teve boa circulação nos Estados Unidos e no exterior, sustentado pelo prestígio do nome de Hitchcock e pelo interesse do público em um suspense psicológico mais contido.

A reação da crítica em 1953 foi dividida, refletindo a natureza pouco convencional do filme. O The New York Times descreveu a obra como “sombria, tensa e intelectualmente provocadora”, elogiando a atmosfera e a seriedade do tema, mas observando que o ritmo lento poderia frustrar espectadores acostumados a thrillers mais diretos. Já a revista Time comentou que o filme era “severo e pouco conciliador, mais interessado em dilemas morais do que em entretenimento fácil”.

As atuações foram amplamente discutidas pela imprensa. Montgomery Clift recebeu elogios por sua interpretação contida e introspectiva, considerada por alguns críticos como “intensa, silenciosa e profundamente atormentada”. No entanto, parte da crítica apontou que sua fragilidade física e emocional contrastava com a imagem tradicional de protagonistas hitchcockianos. Anne Baxter, por sua vez, foi vista como uma presença perturbadora, com jornais destacando seu desempenho como “emocionalmente explosivo e inquietante”.

Com o passar dos anos, A Tortura do Silêncio passou por uma reavaliação crítica positiva, sendo hoje considerado um dos filmes mais pessoais e rigorosos de Alfred Hitchcock. As críticas publicadas em 1953 já indicavam que a obra não buscava consenso, mas reflexão. Atualmente, o filme é reconhecido como um estudo sofisticado sobre culpa, verdade e fé, ocupando um lugar singular dentro da filmografia do diretor e sendo frequentemente citado como um dos trabalhos mais subestimados de sua carreira.

A Um Passo da Eternidade - Um Clássico dos filmes da Segunda Guerra
O drama A Um Passo da Eternidade estreou nos cinemas em agosto de 1953, dirigido por Fred Zinnemann e baseado no romance homônimo de James Jones. Ambientado no Havaí pouco antes do ataque japonês a Pearl Harbor, o filme retrata a rotina de soldados do Exército dos Estados Unidos, explorando temas como disciplina, abuso de autoridade, frustração pessoal e desejo. Desde o lançamento, a obra foi percebida como um retrato adulto e corajoso da vida militar, rompendo com idealizações patrióticas comuns ao cinema da época.

A bilheteria foi excepcional. Produzido pela Columbia Pictures, o filme tornou-se um dos maiores sucessos comerciais de 1953, atraindo grandes plateias tanto nos Estados Unidos quanto no exterior. O impacto junto ao público foi impulsionado pela força dramática da história e por um elenco de destaque, que incluía Burt Lancaster, Montgomery Clift, Deborah Kerr, Donna Reed e Frank Sinatra, este último em um papel que marcaria sua retomada no cinema.

A crítica contemporânea foi amplamente entusiástica. O The New York Times descreveu o filme como “duro, honesto e profundamente humano”, elogiando sua coragem ao mostrar o lado menos glorioso da instituição militar. A revista Time afirmou que a produção era “uma adaptação poderosa, carregada de tensão emocional e realismo brutal”, destacando o equilíbrio entre drama pessoal e contexto histórico.

As atuações receberam atenção especial da imprensa em 1953. Montgomery Clift foi exaltado por sua interpretação sensível e rebelde, descrita por alguns jornais como “dolorosamente autêntica”. Burt Lancaster foi elogiado por sua presença física e intensidade dramática, enquanto Frank Sinatra surpreendeu críticos e público, sendo citado por colunistas como responsável por “a atuação mais impactante e inesperada do filme”. A cena romântica entre Lancaster e Deborah Kerr na praia tornou-se imediatamente icônica.

O reconhecimento crítico se consolidou na temporada de prêmios: A Um Passo da Eternidade venceu oito Oscars, incluindo Melhor Filme, Direção, Roteiro e Atuações Coadjuvantes. Já em seu ano de lançamento, a imprensa indicava que o filme seria lembrado como um marco do cinema americano, tanto por sua força dramática quanto por sua ousadia temática. Hoje, a obra é considerada um dos grandes clássicos dos anos 1950 e um retrato definitivo das contradições humanas em tempos de guerra.

Os Deuses Vencidos - Brando e Clift Juntos!
O drama Os Deuses Vencidos estreou nos cinemas em setembro de 1958, dirigido por Stanley Kramer e estrelado por Tony Curtis e Sidney Poitier. A história acompanha dois prisioneiros fugitivos — um branco e um negro — algemados um ao outro, obrigados a cooperar para sobreviver enquanto enfrentam o ódio racial e seus próprios preconceitos. Desde o lançamento, o filme foi reconhecido como uma obra ousada, que tratava frontalmente do racismo nos Estados Unidos em um momento de intensas tensões sociais.

Em termos de bilheteria, o filme obteve bom desempenho comercial, especialmente considerando seu tema sério e politicamente sensível. Produzido pela United Artists, Os Deuses Vencidos atraiu público urbano e intelectualizado, além de obter sólida circulação internacional. O interesse do público foi impulsionado tanto pela força da mensagem social quanto pelo destaque dado às atuações intensas de seus protagonistas.

A reação da crítica em 1958 foi majoritariamente positiva, embora marcada por debates. O The New York Times descreveu o filme como “um drama vigoroso e conscientemente provocador”, elogiando sua coragem moral e seu impacto emocional. A revista Time destacou que a produção era “direta, áspera e impossível de ignorar”, ressaltando que Stanley Kramer não suavizava o tema do preconceito racial, optando por uma abordagem frontal e desconfortável.

As atuações foram amplamente elogiadas pela imprensa da época. Sidney Poitier recebeu aclamação quase unânime, com críticos afirmando que sua interpretação era “digna, intensa e profundamente humana”. Tony Curtis, conhecido até então por papéis mais leves, surpreendeu ao oferecer uma atuação dramática descrita por alguns jornais como “bruta, emocionalmente arriscada e reveladora”, marcando uma virada importante em sua carreira.

O reconhecimento culminou na temporada de prêmios: Os Deuses Vencidos venceu dois Oscars, incluindo Melhor Roteiro Original, e recebeu diversas indicações, como as de Melhor Ator para Curtis e Poitier. Já em 1958, muitos críticos apontavam que o filme permaneceria relevante por sua força moral e compromisso social. Hoje, a obra é considerada um clássico do cinema engajado, lembrada tanto por seu impacto histórico quanto por seu poderoso retrato das contradições humanas diante do preconceito.

De Repente, no Último Verão (1959)
O drama De Repente, no Último Verão estreou nos cinemas em dezembro de 1959, dirigido por Joseph L. Mankiewicz e baseado na peça de Tennessee Williams. O filme reúne Elizabeth Taylor, Katharine Hepburn e Montgomery Clift em uma história marcada por repressão, trauma psicológico e segredos familiares. Desde o lançamento, a produção chamou atenção por seu tom sombrio e perturbador, abordando temas delicados como sexualidade, loucura e violência de forma ousada para os padrões da época.

Em termos de bilheteria, o filme obteve bom desempenho comercial, impulsionado principalmente pelo prestígio de seu elenco e pela notoriedade da obra teatral original. Produzido pela Columbia Pictures, o longa atraiu grande curiosidade do público adulto e urbano, interessado em dramas psicológicos mais densos. Embora não tenha sido um sucesso popular nos moldes de produções mais convencionais, manteve sessões lotadas em grandes centros e teve forte repercussão internacional.

A reação da crítica em 1959 foi intensa e polarizada. O The New York Times descreveu o filme como “uma experiência cinematográfica sufocante e intelectualmente provocadora”, elogiando sua coragem temática, mas observando que o conteúdo poderia chocar parte do público. A revista Time comentou que se tratava de “um drama cruel e fascinante, que recusa qualquer conforto emocional”, destacando a fidelidade de Mankiewicz ao espírito inquietante do texto de Tennessee Williams.

As atuações receberam enorme destaque na imprensa da época. Katharine Hepburn foi amplamente elogiada por sua interpretação autoritária e perturbadora, descrita por críticos como “teatral no melhor sentido, dominando cada cena com força implacável”. Elizabeth Taylor foi exaltada por seu desempenho emocionalmente exposto, enquanto Montgomery Clift, já visivelmente fragilizado, teve sua atuação considerada “dolorosa, contida e assombrosamente sincera” por diversos jornais.

Na temporada de prêmios, De Repente, no Último Verão recebeu várias indicações ao Oscar, incluindo Melhor Atriz para Taylor e Hepburn, consolidando seu impacto crítico. Já em seu ano de lançamento, muitos comentaristas apontavam que o filme não buscava agradar, mas confrontar. Hoje, a obra é vista como um marco do cinema psicológico dos anos 1950, lembrada por sua ousadia temática, suas interpretações intensas e por representar um dos retratos mais sombrios já levados à tela a partir da obra de Tennessee Williams.

Os Desajustados (1961)
O drama Os Desajustados estreou nos cinemas em fevereiro de 1961, dirigido por John Huston e com roteiro de Arthur Miller, escrito especialmente para Marilyn Monroe. O filme reuniu um elenco lendário, incluindo Clark Gable, Montgomery Clift e Eli Wallach, em uma história ambientada no deserto de Nevada sobre indivíduos deslocados, presos a sonhos que já não se sustentam. Desde o lançamento, a obra foi cercada por forte interesse público, tanto por seu conteúdo melancólico quanto pelo contexto turbulento de sua produção.

Em termos de bilheteria, Os Desajustados teve um desempenho apenas moderado. Produzido pela United Artists, o filme não alcançou o sucesso comercial esperado, em parte por seu tom introspectivo e antiespetacular. Ainda assim, atraiu público significativo nas grandes cidades e manteve boa circulação internacional, impulsionado pelo apelo de suas estrelas e pela curiosidade em torno de seus bastidores.

A reação da crítica em 1961 foi dividida, refletindo a natureza pouco convencional do filme. O The New York Times descreveu a obra como “um drama sombrio e irregular, mas carregado de momentos de rara honestidade emocional”. A revista Time afirmou que o filme era “melancólico, áspero e deliberadamente desromantizado”, observando que Huston optava por um retrato cru da solidão e do fracasso do sonho americano.

As atuações, no entanto, foram amplamente destacadas pela imprensa. Clark Gable, em seu último papel no cinema, foi elogiado por uma performance descrita como “dura, cansada e surpreendentemente vulnerável”. Marilyn Monroe recebeu atenção especial, com críticos apontando que sua atuação era “dolorosamente exposta e sincera”, refletindo sua fragilidade emocional. Montgomery Clift, já profundamente afetado por problemas de saúde, teve sua interpretação considerada “quase fantasmagórica, mas de intensa verdade humana”.

Com o passar do tempo, Os Desajustados passou por uma reavaliação crítica extremamente positiva. Já em 1961, alguns críticos apontavam que o filme possuía uma força emocional que só seria plenamente reconhecida mais tarde. Hoje, a obra é considerada um clássico tardio de Hollywood, frequentemente lembrada como um retrato crepuscular de seus protagonistas e como uma reflexão amarga sobre liberdade, desencanto e o fim de uma era no cinema americano.

Julgamento em Nuremberg (1961)
O drama Julgamento em Nuremberg estreou nos cinemas em dezembro de 1961, dirigido por Stanley Kramer e inspirado em acontecimentos reais dos julgamentos realizados após a Segunda Guerra Mundial. O filme aborda o processo de magistrados alemães acusados de colaborar com o regime nazista, levantando questões profundas sobre culpa coletiva, responsabilidade moral e obediência à autoridade. Desde o lançamento, a obra foi reconhecida como um filme sério e ambicioso, que buscava confrontar o público com as consequências éticas do totalitarismo.

Em termos de bilheteria, o filme teve um bom desempenho, especialmente considerando sua longa duração e seu caráter essencialmente dramático e discursivo. Produzido pela United Artists, Julgamento em Nuremberg atraiu plateias interessadas em cinema adulto e político, mantendo exibições prolongadas em grandes centros urbanos e obtendo sólida repercussão internacional. Seu sucesso foi impulsionado pelo prestígio do diretor e por um elenco de grande impacto.

A reação da crítica em 1961 foi amplamente positiva. O The New York Times descreveu o filme como “um drama poderoso, sério e moralmente urgente”, destacando sua relevância histórica e seu rigor intelectual. A revista Time afirmou que se tratava de “um filme denso, corajoso e profundamente perturbador”, elogiando a forma como a narrativa evitava simplificações fáceis ao tratar de crimes tão complexos.

As atuações receberam aclamação quase unânime. Spencer Tracy, no papel do juiz americano, foi elogiado por sua interpretação “sóbria, humana e carregada de autoridade moral”. Burt Lancaster, Maximilian Schell, Marlene Dietrich, Judy Garland e Montgomery Clift também foram amplamente comentados pela imprensa, com críticos destacando o elenco como “um conjunto extraordinário de performances intensas e memoráveis”. O depoimento de Clift foi frequentemente citado como um dos momentos mais devastadores do filme.

O reconhecimento crítico se consolidou na temporada de prêmios: Julgamento em Nuremberg venceu dois Oscars, incluindo Melhor Ator para Maximilian Schell, e recebeu várias indicações importantes. Já em seu ano de lançamento, muitos jornais apontavam que o filme permaneceria atual por sua força moral e coragem temática. Hoje, a obra é considerada um dos mais importantes dramas judiciais da história do cinema, lembrada por sua seriedade, impacto emocional e por sua reflexão duradoura sobre justiça e responsabilidade humana.

Filmografia Montgomery Clift
Perdidos na Tormenta (1948)
Rio Vermelho (1948)
Tarde Demais (1949)
Ilusão Perdida (1950)
Um Lugar ao Sol (1951)
A Tortura do Silêncio (1953)
Quando a Mulher Erra (1953)
A Um Passo da Eternidade (1953)
A Árvore da Vida (1957)
Os Deuses Vencidos (1958)
Corações Solitários (1958)
De Repente, no Último Verão (1959)
Rio Violento (1960)
Os Desajustados (1961)
Julgamento em Nuremberg (1961)
Freud - Além da Alma (1962)
Talvez Seja Melhor Assim (1966)

Pablo Aluísio. 

Montgomery Clift - Crônicas, Textos e Curiosidades

Montgomery Clift - Crônicas, Textos e Curiosidades

O Acidente de Montgomery Clift
Em 1956 Montgomery Clift estava filmando ao lado da amiga Elizabeth Taylor a produção "A Árvore da Vida". Para celebrar Liz convidou Monty a um jantar em sua casa. A recepção seria realizada por ela e seu marido na época, Mike Wilding. Montgomery Clift já vinha com problemas envolvendo bebidas. Ele estava bebendo cada vez mais, ao ponto até de interferir em sua vida profissional e em eventos sociais como aquele abusava ainda mais do copo. O jantar foi muito festivo, além de Elizabeth Taylor havia outras estrelas de cinema na ocasião, como Rock Hudson. Monty parecia animado e alegre durante a festa, algo que estava se tornando cada vez mais raro.

Tarde da noite, entrando pela madrugada, finalmente o ator resolveu ir embora. Ele estava completamente embriagado mas como havia chegado sozinho em seu carro pretendia voltar também dirigindo ele próprio seu veículo. A questão era que pelo seu estado de embriaguez não havia muita possibilidade de algo assim dar certo. Bebida e volante nunca combinam. Para piorar a estrada que levava à casa de Elizabeth Taylor era sinuosa e mal iluminada. Primeiro partiu Kevin McCarthy, um dos convidados de Liz e logo em seguida saiu Monty. Numa das primeiras curvas Kevin olhou pelo retrovisor e ainda conseguiu ver o carro de Montgomery Clift saindo pela tangente da pista, indo de encontro a um poste telefônico. A batida foi certeira. O automóvel ficou em frangalhos e o ator estava severamente ferido.

Ao ouvir o barulho da batida Elizabeth Taylor saiu em disparada para o local do acidente. Monty estava encoberto por um banho de sangue. Sem cinto de segurança seu rosto foi de encontro ao volante e partes do para-brisa cortaram seu rosto. A situação era bem grave. Logo uma ambulância foi chamada e ele foi levado ao hospital. Seus ferimentos foram graves e atingiram vários nervos faciais, o que para um ator era uma notícia terrível pois sua capacidade de expressão ficaria comprometida. A produção do filme que estava participando foi suspensa e Monty passaria os meses seguintes sofrendo severas dores de cabeça decorrentes da grande pancada que sofreu. Para amenizar as dores começou a tomar grande quantidade de drogas pesadas, além de aumentar seu consumo de bebidas. Depois do acidente Montgomery Clift jamais foi o mesmo. Entrou em quadro de depressão e começou a lentamente se auto destruir.

Para piorar ele que sempre era considerado um dos atores mais bonitos do cinema começou a enfrentar problemas para arranjar novos trabalhos, uma vez que seu rosto agora exibia diversas cicatrizes que nem os melhores maquiadores conseguiam esconder. Além da queda de sua aparência física havia outros problemas sérios, como uma constante dor de cabeça que nunca o deixava em paz. Isolado e sofrendo ele começou um caminho sem volta. De fato essa terrível fase de sua vida acabou sendo conhecida como o "mais longo suicídio da história de Hollywood". Ele morreria precocemente em julho de 1966, sem nunca ter superado esse trauma em sua vida.

Pablo Aluísio.

Elizabeth Taylor e Montgomery Clift
É interessante notar que Liz Taylor foi amiga de praticamente todos os grandes ídolos do cinema de sua época. Nutria sincera amizade com James Dean, Marlon Brando e Rock Hudson. Era de fato uma pessoa mestre em transformar colegas de trabalho em amigos próximos de longa data. Com Montgomery Clift não foi diferente. Clift foi um dos vértices da trindade sagrada de atores dos anos 1950, formada ainda por Brando e Dean. Se diferenciava deles por ter uma personalidade muito mais reservada, torturada e gentil. Enquanto Dean era associado com delinquentes juvenis e Brando encarnava toda a rebeldia rude de seu tempo, Clift era discreto, tímido e muito na dele. O que ligava os três atores era o fato de serem considerados os mais promissores atores jovens de sua geração, além de possuírem um talento nato lapidado no Actors Studio de Nova Iorque.

A amizade de Montgomery Clift com Elizabeth Taylor foi longa e muito verdadeira. Isso porque não demorou muito para Liz se colocar na posição de conselheira pessoal e íntima de Clift, algo que os anos provariam não seria nada fácil. Monty tinha muitos problemas emocionais em sua vida privada. Não conseguia se acertar com nenhuma garota por longo tempo (o que daria origem a infundadas fofocas de que era gay) e tampouco conseguia superar seus problemas de alcoolismo e depressão. O relacionamento com o pai também era fonte de vários problemas. O estilo refinado e educado do ator também lhe trazia algumas dificuldades de relacionamento na terra do exibicionismo barato que era Hollywood.

Segundo várias biografias no começo de tudo Montgomery Clift realmente deu vazão a uma paixão platônica em relação a Elizabeth Taylor. Isso ficou bem evidente no set de filmagens de "Um Lugar ao Sol". Não é de se admirar pois Liz e Clift era jovens radiantes, estavam subindo os degraus do Olimpo em Hollywood e viviam negando para a imprensa que havia um romance entre eles. De fato não havia, muito por causa da falta de coragem por parte de Clift em avançar o sinal e tentar algo com sua parceira de cena. Liz poderia ceder, mas ela tinha uma personalidade tão ofuscante que Clift se viu na sombra dela rapidamente. Para não perder sua amizade resolveu não arriscar. Afinal de contas se tentasse consumar um romance com ela e não desse certo, certamente perderia sua amizade.

Com o passar dos anos Montgomery Clift foi ficando cada vez mais absorvido em si mesmo, em seus problemas. Liz foi testemunhando sua queda lentamente. Mesmo assim resolveu ficar o mais perto possível do ator, tentando colocar ele de volta ao bom caminho. E foi justamente após uma festa em sua casa que Clift sofreu um terrível acidente de carro, por estar dirigindo completamente embriagado. O acidente deformou parte de seu rosto e praticamente destruiu sua carreira em Hollywood. Foi justamente Liz que tentou escalar Clift em vários filmes seus após esse acidente, justamente para que ele não ficasse desempregado e nem deprimido em sua casa.

Esse ato fez com que Montgomery Clift ficasse tão próximo a ela que mais parecia um irmão mais jovem da atriz. Infelizmente nada disso evitou a morte precoce de Montgomery Clift em julho de 1966 em Nova Iorque. Ele tinha apenas 45 anos mas uma vida de excessos havia cobrado seu preço e Monty mais parecia um velho ao morrer. Tinha fortes dores de cabeça em decorrência da batida de seu carro e tentava controlar tudo com forte medicação e muita bebida. Essa mistura explosiva acabou com o restante de sua saúde. Para Clift a morte acabou sendo um alívio de seus demônios pessoais. A tragédia deixou a atriz abalada e ela procurou resumir o amigo de uma forma bem carinhosa ao se referir a ele como "uma alma bondosa e terna".

Pablo Aluísio.

Montgomery Clift - O Pequeno Aristocrata
Edward Montgomery Clift nasceu em uma família aristocrata de Omaha, Nebraska, a mesma cidade que deu ao mundo outro gênio da atuação, Marlon Brando. Entre os dois atores haveria sempre uma coincidência de destinos. Eles nasceram na mesma década (Clift em 1920 e Brando em 1924) e na mesma cidade. Durante os anos 1950 se tornariam grandes astros do cinema americano, elogiados por suas grandes atuações nas telas. Apenas as origens sociais eram diferentes. Enquanto Montgomery Clift nasceu no lado rico de Omaha, em uma família bem tradicional da cidade, Brando era apenas o filho de um caixeiro viajante, membro de uma família bem disfuncional que vivia no lado pobre de Omaha, do outro lado da linha do trem.

Mesmo assim o destino e a sétima arte os uniriam, até mesmo porque a riqueza da família Clift seria tragada por causa da grande depressão que arrasaria a economia americana em 1929, durante a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque. O pai de Monty, um rico especulador de ações, perderia praticamente tudo com a crise. Arruinados financeiramente, a família Clift mudou-se então para Nova Iorque, deixando o meio oeste durante os anos 1930. Essa mudança de cidade iria também mudar para sempre o destino de Montgomery Clift. Criado para ser um dândi da elite de Nebraska, ele precisou rever seus conceitos na grande cidade, na grande Maçã, como Nova Iorque era conhecida.

Ao invés de estudar em colégios privados tradicionais ele foi parar em uma escola pública do Brooklyn. Monty que sempre havia estudado com jovens ricos e bem educados de Omaha, se viu de repente no meio de um pessoal mais barra pesada, que partia para a briga nos intervalos. Nova Iorque era realmente uma selva e para sobreviver por lá o jovem Monty precisou se impor, não por meio de sua educação refinada, mas sim pela força dos punhos. Sem dúvida foi uma mudança brutal, de um meio aristocrático, para um realidade bem mais pé no chão.

Em meio a tantas mudanças algo no novo colégio mudaria para sempre sua vida. Ele se apaixonou pelo teatro. O departamento teatral da escola era muito bom, muito original, um ambiente que valorizava o talento dos alunos que mostravam o interesse pela arte de interpretar. Monty foi fisgado desde os primeiros dias. Ele sabia que Nova Iorque era um dos lugares mais efervescentes do mundo em termos teatrais. Havia muitas peças sendo encenadas na Broadway e no circuito Off-Broadway. As oportunidades estavam em todos os lugares. Vendo que poderia arranjar trabalho no meio teatral da cidade ele se empenhou nas peças escolares em que atuou. Seu objetivo era ganhar experiência para partir para a Broadway, até porque trabalhar havia se tornado uma necessidade em sua casa, pois seu pai enfrentava muitas dificuldades para arranjar um emprego.

Pablo Aluísio.

Montgomery Clift: Além do Sexo!
Durante muitos anos se especulou sobre a verdadeira sexualidade do ator Montgomery Clift. Recentemente o assunto voltou à tona pois um ex-gigolô em Hollywood lançou um livro supostamente mostrando a vida sexual de astros de cinema durante as décadas de 40, 50 e 60. Clift é um dos enfocados. O autor provavelmente não se deu muito bem com o ator e talvez por isso tenha escrito uma imagem nada lisonjeira dele nas páginas do livro. Mont é retratado como um esnobe, um sujeito cheio de "não me toques". Curiosamente apesar de ter sido esnobado por Clift o autor do livro garante que ele era gay! Mas com que provas? De fato a alcunha de esnobe em relação a Clift não me surpreende. Ele era uma pessoa discreta, tímida na vida privada. Geralmente os tímidos são confundidos com esnobes. Não faz diferença. O fato é que Clift teve uma vida sexual das mais discretas em Hollywood. Tentativas de tachá-lo de gay nunca tiveram comprovação inequívoca. Na realidade não são poucos os que acham que ele na realidade era assexuado (uma definição que só há pouco tem se tornado mais comum).

Montgomery Clift realmente não era visto com mulheres em sua passagem por Hollywood. Ator consagrado de teatro resolveu ir para a capital do cinema atraído pelos bons cachês. Mesmo assim nunca se considerou um membro ativo daquela comunidade. Pouco ia a festas e eventos sociais e procurava manter sua privacidade a todo custo. Tanta discrição acabou despertando suspeitas. Como não era visto com mulheres em público logo se começou a especular se era gay. O interessante é que ao contrário de outros gays famosos em Hollywood, como Rock Hudson, por exemplo, tampouco existem testemunhos de algum ex amante do astro. O que parece ter realmente acontecido foi um simples desinteresse sexual por parte de Montgomery Clift, seja por homens, seja por mulheres. Era neutro ou como se diz atualmente, assexuado, desinteressado por sexo.

Clift tinha grandes paixões platônicas geralmente por mulheres. Sua paixão não realizada por Elizabeth Taylor era conhecida. Taylor sempre casando e descasando nunca deu uma chance para Mont e o considerava apenas um grande amigo. Equivocadamente ela pensava que ele era gay mas tampouco chegou a ver ele com qualquer homem em todo o tempo que conviveu ao seu lado. A eterna solteirice de Clift incomodou inclusive seu pai. 

Confrontado o ator simplesmente explicou: "Minha vida já é complicada demais sem outra pessoa, por isso não me envolvo mais seriamente com alguém. Mesmo assim darei 10 mil dólares a qualquer um que comprove que não gosto de garotas". Depois que sofreu um grave acidente de carro Montgomery Clift ficou ainda mais recluso e retraído. Sentindo fortes dores de cabeça e sofrendo com as consequências do acidente as chances de sair para cortejar com qualquer pessoa, seja homem ou mulher, ficaram nulas. Clift morreu solteirão e carregando uma injusta fama de homossexual quando na verdade ele simplesmente parecia estar além do sexo.

Pablo Aluísio.

Montgomery Clift - Reflexões de um Ator 
As pessoas de Hollywood criaram um certo preconceito contra atores de Nova Iorque. Mal você entra no set de filmagens e os cochichos começam como se estivessem dizendo "Lá vem aquele sabichão que pensa saber tudo sobre atuação". É cansativo. De minha parte procuro apenas fazer o melhor trabalho sem pisar nos calos de ninguém. Não quero ensinar a absolutamente ninguém como atuar melhor. Cada um teve sua própria escola de vida e não serei eu que irei falar como se atua em cada cena. Ser formado no Actor´s Studio joga uma imagem em cima de você. As pessoas pensam coisas erradas de mim. Não sou um sabichão e tampouco quero dizer o que se deve ou não fazer em um filme. Cada um que procure o que é melhor para si mesmo.

A maior diferença que vejo entre atores de Nova Iorque e os daqui da Califórnia é que lá temos uma visão um pouco maior do que seria a arte da atuação. Em Hollywood as coisas funcionam sob uma mentalidade comercial, de indústria mesmo. Em Nova Iorque queremos apenas aprofundar nossas próprias capacidades dramáticas, seja no palco, seja nas telas de cinema. Há uma compreensão diferente do que é ser ator. Eu amo o teatro. Fiz muitas peças importantes em Nova Iorque, porém devo reconhecer que também é muito árduo. Um ator de teatro em Nova Iorque se apresenta duas vezes por dia, mais de dez vezes por semana. É muito estafante. Em Hollywood já fiz também vários filmes e não achei tão puxado. Há mais tempo para você descansar e aproveitar melhor a vida. Também temos aqui os melhores hotéis para se hospedar. Adoro os hotéis de Los Angeles. Se pudesse moraria em um até o fim da minha vida. Você não precisa se preocupar com nada e tudo está à mão. Ser ator em Nova Iorque significa alugar um pequeno apartamento no Brooklyn e torcer para chegar a tempo no horário certo da peça.

Eu trabalho como ator desde os 17 anos. Admito que estou cansado. Mesmo com tantos anos de experiência ainda tenho que lidar com diretores que não confiam muito em mim. O que supostamente eu deveria fazer para mostrar a eles que consigo atuar bem? Quando você é jovem os produtores não colocam fé em você. Quando você é mais velho todos pensam que você já era! É uma profissão dura! Você nunca parece ter a idade certa ou o tipo que os estúdios procuram. Para cada filme que você consegue ser escolhido há vinte testes onde você é descartado. Você entra para a audição e os caras, sentados em suas cadeiras, com enormes charutos na boca, dizem: "Você é muito baixo!" ou "Você é muito alto!". "Está gordo", "Está magro". Ser ator é viver jogando roleta russa. Tudo no final depende da pura sorte. Ser escalado para um filme significa que você terá dinheiro pelos próximos meses. Não ser escalado significa que você terá que contar com a ajuda dos amigos, ou então almoçar na ajuda humanitária da igreja católica da esquina.

Eu sempre mantive minha família longe da minha carreira de ator. Há muita fofoca em Hollywood. Isso é uma das coisas que mais odeio aqui da Califórnia. Todos parecem preocupados com fofocas! É muito primário e bobo para dizer a verdade. Eu não quero, por exemplo, que minha mãe seja entrevistada por essas revistas. O que ela poderia dizer? Que eu fui um lindo bebê? Quem se importa com algo assim? Eu devo ser avaliado pelos meus trabalhos, minhas atuações, não como levo minha vida particular. Quero ter bons filmes para atuar e belos diálogos para declamar, embora isso esteja cada vez mais raro de encontrar. Não tenho grandes amigos entre atores de Hollywood, mas admiro muito duas atrizes em particular. Elizabeth Taylor é uma delas. Ela é a única atriz com quem trabalhei que me deixava verdadeiramente motivado para contracenar. Uma estrela! A outra que merece meus elogios é Marilyn Monroe. É uma pessoa incrível, com grande sensibilidade.

Montgomery Clift.

Rio Vermelho (1948)
1. Red River (no Brasil, "Rio Vermelho") é considerado um dos grandes clássicos do western americano. Dirigido pelo mestre Howard Hawks e estrelado pelos mitos  John Wayne e Montgomery Clift, , o filme é considerado o épico definitivo sobre a figura do cowboy dos Estados Unidos, no auge de sua atividade no século XIX.

2. A interpretação de Montgomery Clift no filme surpreendeu John Wayne que chegou a confessar numa entrevista que jamais poderia supor que ele fosse tão bom atuando. Na verdade Wayne não conhecia muito Clift e sua capacidade dramática. Pensando que se tratava de mais um ator de Nova Iorque ele ficou realmente surpreso com as qualidades do jovem Clift, a tal ponto que chegou a dizer que precisava melhorar mais por causa da "nova concorrência" que surgia no mercado.

3. O filme foi realizado em 1946, mas só chegou nas telas em 1948. A demora se deu por dois motivos básicos. Primeiro o diretor Howard Hawks foi extremamente criterioso na edição da versão final. Ele não queria um filme longo e também não desejava que faltasse algo importante na estória. Por essa razão teve que se empenhar em chegar em um ponto meio termo. O outro problema foi legal. O milionário excêntrico Howard Hughes entendeu que havia semelhanças demais com outro clássico "O Proscrito", o que fez atrasar ainda mais seu lançamento nos cinemas.

4. Pode-se dizer que John Wayne ficou um pouco intimidado pela presença de Clift. Ele tinha receios, segundo o roteirista Borden Chase, de que o filme lhe fosse roubado por Monty. Por essa razão Wayne tentou interferir na edição final da fita, algo que foi impedido por Hawks, o que acabou criando um mal estar entre ambos.

5. Houve um certo receio do estúdio de que John Wayne e Montgomery Clift não se dessem bem trabalhando juntos. Eles tinham posições políticas bem diferentes, com Wayne sendo um conservador e Clift um liberal, e não tinham medo de expor suas ideias para a imprensa. Isso fez com que o diretor Howard Hawks proibisse discussões sobre esses temas no set de filmagens. De uma forma ou outra essa censura e a tensão causada por ela fez com que Clift se recusasse a trabalhar novamente com Wayne quando foi convidado a atuar em "Onde Começa o Inferno".

6. Para parecer mais convincente na tela o ator Montgomery Clift resolveu se empenhar em um curso intensivo de equitação antes das filmagens começarem. Ele já havia montado antes, mas morando em Nova Iorque, ficou sem a experiência necessária. Durante três meses ele praticou equitação em um rancho perto de Los Angeles, sob supervisão do professor Noah Beery Jr. Quando começaram as filmagens Monty demonstrou ter intimidade com montarias, o que fez com que arrancasse um elogio de John Wayne ao dizer: "Você monta muito bem rapaz!".

Pablo Aluísio.

Montgomery Clift - Hollywood Boulevard - Texto I
Montgomery Clift sempre teve um relacionamento muito complicado com seu pai. Isso se referia à sua vida pessoal e profissional. O pai queria que Monty arranjasse um trabalho convencional, que estudasse para ser advogado ou médico. Monty não queria saber de passar sua vida dentro de um consultório ou escritório. Ele queria atuar. O pai achava que ser ator era algo completamente indigno, até vergonhoso. Atuação era coisa de prostitutas e vagabundos na mente dele. Monty porém via isso como uma visão grotesca e antiga, que sequer merecia comentários. Por isso resolveu ser ator em Nova Iorque. Estudar para isso.

Em relação à vida amorosa também havia muitos conflitos. O pai queria que ele se casasse, que formasse uma família. Monty detestava essa ideia. Na verdade ele não queria ser como seu pai, tendo uma vida completamente enfadonha, vivendo de migalhas em um casamento infeliz. Tão ruim era a ideia do casamento que Monty jamais se casaria. Ele adorava ser solteiro, explorar outras possibilidades. Além disso o que ele menos desejava era uma esposa mandona, que o controlasse. A vida de casado era completamente fora de seus planos. E obviamente isso o levou a ter brigas e mais brigas com o pai, até o dia em que o ator viu que era hora de morar sozinho. Ele alugou um apartamento em Nova Iorque foi à luta.

Depois de passar por um exame extremamente concorrido finalmente foi aceito no Actors Studio. Essa foi uma escola lendária de arte dramática, fundada por Elia Kazan e outros grandes professores e diretores, tanto de teatro como de cinema. Estudando e trabalhando em peças pela cidade, Monty foi firmando sua reputação como ator talentoso e profissional. Sempre era pontual nos ensaios e nunca esquecia suas falas. No Actors Studio conheceu Marlon Brando. O colega estava indo para Hollywood, após se consagrar nos palcos de teatro de Nova Iorque. Monty não tinha, pelo menos naquele momento, esse tipo de ambição. Ele queria antes se tornar um grande ator de teatro, para só depois, quem sabe, virar um ator de cinema.

Isso duraria pouco. Monty era um ator profissional e vivia de seu trabalho. Sempre que surgia uma boa proposta de trabalho ele tinha que levar em consideração. Em 1948 um produtor de Hollywood chamado Lazar Wechsler entrou em contato com a agente de Monty em Nova Iorque. Ele queria contratar o ator para atuar no filme "Perdidos na Tormenta" que seria dirigido por Fred Zinnemann. O cachê era excepcionalmente bom, o equivalente a quatro meses de trabalho duro como ator de teatro em Nova Iorque. Monty engoliu todas as reservas que tinha contra os filmes e pegou o primeiro avião para a costa oeste. Ele estava prestes a fazer seu primeiro filme na cidade, algo que definitivamente mudaria sua vida dali em diante. 

Pablo Aluísio.  

Montgomery Clift - Texto III
O primeiro filme de Montgomery Clift em Hollywood foi "Perdidos na Tormenta". Esse foi filme foi realizado em 1948, uma produção da Metro-Goldwyn-Mayer que tinha como tema o pós-guerra na Europa. Um tema muito adequado pois a II Guerra Mundial havia terminado apenas três anos antes. O diretor Fred Zinnemann queria trazer para o público americano a situação em que se encontrava os países europeus depois de um dos conflitos armados mais sangrentos da história. Foi uma excelente iniciativa pois capturava em tela a situação de Berlim, a antiga capital do III Reich de Hitler, agora reduzida a uma pilha de escombros depois dos intensos bombardeios dos aviões aliados. E foi justamente para esse caos que a equipe de filmagem foi enviada. Clift interpretava no filme um militar americano chamado Ralph Stevenson. Após o fim da guerra ele era enviado justamente para Berlim, onde acabava ajudando um garoto de origem tcheca a encontrar sua mãe.

Filmar ali foi uma grande experiência para o ator. Embora ele tivesse conhecimento de tudo o que havia acontecido na II Guerra, era algo bem diferente estar ali, bem no meio do povo alemão derrotado, tentando sobreviver de todas as formas. O filme também serviu como propaganda americana ao colocar soldados e militares dos Estados Unidos como pessoas prontas a ajudar os sobreviventes da guerra, os retratando como pessoas amigáveis e prestativas, militares honestos e de boa índole. Após seu lançamento o filme foi bastante elogiado, vencendo um Oscar numa categoria importante, a de Melhor Roteiro (prêmio dado aos roteiristas Richard Schweizer e David Wechsler). Além disso foi indicado ainda ao Oscar nas categorias de Melhor Direção e Melhor Ator, justamente para Montgomery Clift, que estreava assim com reconhecimento em Hollywood. Afinal ser indicado ao Oscar por seu primeiro filme era algo para poucos...

Após uma estreia tão bem sucedida Clift assinou contrato para trabalhar em mais um filme, dessa vez no estúdio United Artists. É interessante notar que a MGM ofereceu a Clift um contrato de sete anos e meio (o que era o padrão na época para grandes astros), mas o ator recusou, afirmando que queria ter toda a liberdade para escolher os filmes em que iria atuar. A United Artists havia sido fundada por atores, atrizes e artistas e tinha fama de produzir filmes mais voltados para a arte, ao invés da fábrica de lucros de outros estúdios, como a própria MGM, conhecida por ser uma das grandes majors da indústria cinematográfica americana.

O roteiro que havia atraído Clift daria origem ao filme "Rio Vermelho", considerado hoje em dia como um dos maiores clássicos de western de todos os tempos. Obviamente que Montgomery Clift, o ator de Nova Iorque, não tinha pretensões de virar um ídolo cowboy das telas. O que o levou a contracenar com o mito John Wayne, sendo dirigido pelo mestre Howard Hawks, foi realmente o inspirado roteiro, um épico sobre os verdadeiros cowboys americanos, um espécie em extinção. Fisicamente o filme iria exigir bastante de Monty, por isso ele passou por um treinamento antes de entrar no set de filmagens. Aprendeu a montar, cavalgar e usar o laço. Para um sujeito que nunca havia deixado Nova Iorque era realmente algo necessário. E ele não poderia fazer feio ao lado justamente de John Wayne, um ícone dos filmes de faroeste.

Pablo Aluísio.