sábado, 31 de janeiro de 2026

Disco de Vinil: Elvis Presley - Elvis as Recorded at Madison Square Garden

O álbum “Elvis as Recorded at Madison Square Garden” foi lançado oficialmente em 18 de junho de 1972, pela RCA Victor, em um momento decisivo da carreira de Elvis Presley. O disco reúne gravações ao vivo realizadas nos dias 9 e 10 de junho de 1972, durante quatro apresentações históricas no Madison Square Garden, em Nova York, um dos palcos mais emblemáticos do mundo. O contexto dessas gravações é marcado pelo auge do chamado “Elvis da fase Las Vegas”, quando o cantor já havia retornado triunfalmente aos palcos após os anos dedicados ao cinema. Registrar Elvis no Madison Square Garden tinha um peso simbólico enorme, pois representava sua consagração definitiva também no circuito cultural mais exigente dos Estados Unidos. Para Elvis, o álbum reafirmava sua relevância artística nos anos 1970 e demonstrava que ele ainda era capaz de mobilizar multidões. O projeto também serviu como resposta às críticas que afirmavam que Elvis já não tinha a mesma força vocal de outrora. Assim, o disco se tornou um marco de prestígio e afirmação em sua trajetória.

A recepção crítica inicial foi amplamente positiva, com destaque para o impacto cultural do evento e a potência do desempenho de Elvis. O The New York Times descreveu os concertos como “um espetáculo de pura presença de palco, no qual Elvis demonstra controle absoluto da plateia”, ressaltando o carisma quase mítico do artista. Já o Los Angeles Times enfatizou a força vocal do cantor, afirmando que “mesmo distante do rock cru dos anos 1950, Elvis ainda canta com uma autoridade que poucos intérpretes de sua geração conseguem igualar”. A crítica também apontou a diversidade do repertório como um ponto forte, misturando rock, country, soul e música popular americana. Revistas especializadas destacaram a qualidade técnica da gravação, considerada superior à maioria dos discos ao vivo da época. O consenso geral era de que o álbum não era apenas um souvenir de shows históricos, mas um registro artístico sólido. Isso contribuiu para elevar ainda mais o status do lançamento.

No Variety, a análise foi igualmente favorável, descrevendo o álbum como “um documento essencial da fase madura de Elvis Presley”, destacando a reação entusiasmada do público nova-iorquino. A revista Billboard elogiou o disco pela capacidade de traduzir a energia do palco para o vinil, afirmando que “Elvis prova que continua sendo um artista de massas, capaz de dominar uma arena lendária como o Madison Square Garden”. A The New Yorker, conhecida por sua postura mais crítica, reconheceu que, embora o espetáculo tivesse elementos grandiosos, Elvis ainda mantinha uma conexão genuína com a música e com o público. Segundo a revista, “há momentos de emoção sincera que transcendem o espetáculo e revelam o intérprete por trás do ícone”. Essas análises ajudaram a consolidar o álbum como um dos registros ao vivo mais respeitados da carreira do cantor. Mesmo críticos mais céticos admitiram a importância histórica do lançamento.

Do ponto de vista comercial, “Elvis as Recorded at Madison Square Garden” foi um grande sucesso. O álbum alcançou rapidamente o Top 20 da Billboard 200, chegando ao 13º lugar, um feito expressivo para um disco ao vivo naquele período. Estima-se que o álbum tenha vendido mais de 3 milhões de cópias em todo o mundo, recebendo certificações de ouro e platina em diversos países. Na Europa, o disco também teve bom desempenho, figurando nas paradas do Reino Unido e da Alemanha. O público respondeu de forma extremamente positiva, especialmente os fãs que viam no álbum uma oportunidade de “participar” de um evento histórico. As gravações capturam aplausos intensos e reações emocionadas da plateia, o que reforçou a sensação de autenticidade. Comercialmente, o álbum provou que Elvis ainda era uma força dominante na indústria fonográfica. Esse sucesso ajudou a manter sua relevância no competitivo mercado musical dos anos 1970.

O legado do álbum é significativo e duradouro. Atualmente, “Elvis as Recorded at Madison Square Garden” é visto como um dos registros ao vivo mais importantes da carreira de Elvis Presley. Fãs e críticos o consideram um retrato fiel de sua fase madura, marcada por performances poderosas e um repertório diversificado. O disco também é frequentemente citado como um exemplo de como um artista pode se reinventar sem perder sua identidade. No contexto da história da música, o álbum reforça a ideia de Elvis como um artista capaz de atravessar gerações e estilos. Muitos músicos e estudiosos destacam esse trabalho como prova de sua habilidade vocal e de sua presença de palco incomparável. O álbum continua sendo reeditado em vinil e formatos digitais, mantendo-se relevante décadas após seu lançamento. Seu impacto permanece vivo tanto na cultura pop quanto na memória coletiva dos fãs.

Elvis Presley – Elvis as Recorded at Madison Square Garden (1972)
Also Sprach Zarathustra
That’s All Right
Proud Mary
Never Been to Spain
You Don’t Have to Say You Love Me
Polk Salad Annie
Love Me
All Shook Up
Heartbreak Hotel
Teddy Bear / Don’t Be Cruel
Love Me Tender
Blue Suede Shoes
Johnny B. Goode
Hound Dog
What Now My Love
Suspicious Minds
Introductions
I’ll Remember You
An American Trilogy
Funny How Time Slips Away
I Can’t Stop Loving You
Bridge Over Troubled Water
Can’t Help Falling in Love

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Respire

Título no Brasil: Respire
Título Original: Breathe
Ano de Lançamento: 2014 
País: França 
Estúdio / Produtoras: Gaumont Productions 
Direção: Mélanie Laurent 
Roteiro: Mélanie Laurent, Julien Lambroschini 
Elenco: Joséphine Japy, Lou de Laâge, Isabelle Carré, Claire Keim, Roxane Duran, Thomas Solivéres 

Sinopse
Charlie, uma adolescente de 17 anos, vive uma vida pacata até o dia em que chega na escola uma nova aluna chamada Sarah, carismática e sedutora. Charlie se sente imediatamente atraída por Sarah — ambas começam uma amizade intensa, cheia de intimidade, confidências e cumplicidade. Porém, aos poucos, a relação se torna tóxica: Sarah começa a exercer controle emocional, ciúmes e manipulação sobre Charlie, até transformar a amizade em uma relação de poder e violência psicológica. A tensão cresce e o vínculo entre elas se rompe de forma dramática, levando a consequências chocantes e colocando em xeque a própria realidade da protagonista. 

Comentários:
Aqui temos um filme ao velho estilo do cinema europeu, tudo o que há de melhor para se encontrar em um bom drama francês de qualidade cinematográfica irretocável. Respire foi baseado no romance homônimo da escritora francesa Anne-Sophie Brasme. E como era de esperar a crítica e público receberam muito bem o filme, o que resultou numa série de premiações em festivais de cinema de grande prestígio no meio cultural. A estreia mundial aconteceu na seção “Semana da Crítica” do Festival de Cannes de 2014. O filme também foi exibido no Toronto International Film Festival (TIFF) 2014, na seção Contemporary World Cinema. A fotografia, de Arnaud Potier, e a direção de arte criam uma atmosfera fria e melancólica, reforçando a intensidade emocional e psicológica da trama. A crítica elogiou especialmente as atuações de Joséphine Japy e Lou de Laâge — consideradas intensas e convincentes — e a forma realista com que o filme aborda a amizade, a obsessão e a manipulação entre adolescentes.

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos

Título no Brasil: Quarteto Fantástico
Título Original: The Fantastic Four: First Steps
Ano de Lançamento: 2025
País: Estados Unidos
Estúdio: Marvel Studios
Direção: Matt Shakman
Roteiro: Josh Friedman, Eric Pearson
Elenco: Pedro Pascal, Vanessa Kirby, Joseph Quinn, Ebon Moss-Bachrach, Julia Garner, Ralph Ineson

Sinopse:
Nesta nova adaptação do clássico grupo de super-heróis da Marvel, o Quarteto Fantástico — Reed Richards (Sr. Fantástico), Sue Storm (Mulher Invisível), Johnny Storm (Tocha Humana) e Ben Grimm (Coisa) — enfrenta uma ameaça cósmica de proporções épicas no contexto de um mundo de estética retro-futurista inspirado nos anos 1960. Já consolidados como heróis após seus poderes, eles devem confrontar seres de imenso poder, entre eles Galactus, a entidade devoradora de mundos, e seu arauto Surfista Prateado, enquanto lutam para proteger o planeta e sua própria unidade como “família” de heróis.

Comentários:
Eu curti bastante esse novo filme do Quarteto Fantástico e isso me surpreendeu porque sinceramente pensei que seria bem cansativo, ainda mais depois de tantos filmes, sendo o último lançado, o pior deles. Só que escolheram uma direção de arte vintage, o que eu gosto de chamar de "Futuro do Passado", ou seja, como as pessoas dos anos 60 pensavam que seria o futuro! Ficou ótimo, um clima de Jetsons em cada cena. Até o uniforme dos primeiros quadrinhos foi resgatado, uma atitude ousada, uma vez que poderia passar como algo ultrapassado e até mesmo cafona! Felizmente, ao meu crivo, isso passou longe de acontecer. E o roteiro segue o itinerário de uma boa revista em quadrinhos bem velha, daqueles que você encontra por acaso no porão da casa do seu tio avô! Muita gente pode achar tudo empoeirado, mas penso diferente. Esses filmes com esse tipo de design de produção me soam muito atrativos. Afinal eu sempre fui um grande fã da estética retrô, vintage, em todos os seus menores aspectos e detalhes. 

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Avatar: Fogo e Cinzas

Avatar: Fogo e Cinzas
O filme Avatar: Fogo e Cinzas (Avatar: Fire and Ash) foi lançado mundialmente em 19 de dezembro de 2025, com estreia no Brasil ocorrendo em 18 de dezembro de 2025. A direção ficou novamente a cargo de James Cameron, que também co-assinou o roteiro com Rick Jaffa e Amanda Silver, dando continuidade à saga iniciada com Avatar (2009) e Avatar: O Caminho da Água (2022). O elenco inclui Sam Worthington como Jake Sully, Zoe Saldaña como Neytiri, além de Sigourney Weaver, Stephen Lang, Oona Chaplin, Cliff Curtis e Kate Winslet, entre outros nomes que ampliam o universo de Pandora. A história parte logo após os eventos de O Caminho da Água, com Jake, Neytiri e sua família enfrentando as consequências de perdas profundas e uma nova ameaça representada pelo violento Povo das Cinzas, uma tribo Na’vi forjada por tragédias naturais e raiva acumulada, estabelecendo um conflito épico e emocional para o destino final dos personagens ou da própria Pandora.

Logo após sua estreia, Avatar: Fogo e Cinzas recebeu uma reação crítica mista a majoritariamente positiva, com comentários recorrentes sobre sua grandiosidade visual e ambição técnica. A imprensa destacou que o filme representa um dos maiores espetáculos cinematográficos do ano, impulsionado pelos efeitos visuais e imersão sensorial que se tornaram a marca registrada da franquia. Muitos críticos elogiaram a forma como Cameron expande o mundo de Pandora e desenvolve sequências de ação e confrontos tribais com grande escala e impacto. Há também reconhecimento do esforço narrativo em explorar temas como luto, trauma e divisão cultural entre espécies. Alguns textos ressaltaram que o longa eleva o padrão técnico do cinema blockbuster contemporâneo, sendo considerado por muitos críticos um exemplo de cinema épico visual de alto nível.

Por outro lado, nem todas as críticas foram entusiasmadas. Uma parcela da imprensa e dos críticos especializados apontou que Fogo e Cinzas peca por repetir elementos narrativos dos filmes anteriores, com alguns considerando o roteiro mais familiar e menos inovador do que se poderia esperar para um terceiro capítulo de uma saga tão ambiciosa. A pontuação em agregadores de crítica mostrou um nível sólido, mas inferior aos dos longas anteriores da série, refletindo um debate crítico mais dividido: enquanto a técnica é geralmente elogiada, a narrativa e o desenvolvimento de personagens receberam observações mais cautelosas. Esse mix resultou em uma recepção crítica que pode ser descrita como positiva, porém moderada em comparação com os predecessores.

No aspecto comercial, Avatar: Fogo e Cinzas foi um enorme sucesso. O filme superou a marca de US$ 1,08 bilhão em arrecadação global, consolidando-se como a terceira maior bilheteria de 2025 e um dos poucos lançamentos daquele ano a ultrapassar o marco de um bilhão de dólares mundialmente. Essas cifras, que incluem mais de US$ 300 milhões nos Estados Unidos e cerca de US$ 777 milhões no mercado internacional, reforçam a força contínua da franquia como fenômeno de público mesmo diante de debates críticos sobre sua narrativa. A performance comercial certamente influenciará os planos futuros da saga, com as sequências Avatar 4 e Avatar 5 já planejadas e em diferentes estágios de produção, dependendo da recepção contínua da trilogia nos próximos anos.

Atualmente, Avatar: Fogo e Cinzas é visto como um capítulo importante na franquia, ainda que com divisões entre críticos e público quanto ao seu impacto narrativo. Muitos espectadores destacam as batalhas épicas, o aprofundamento emocional dos protagonistas e a impressionante realização técnica como pontos fortes que merecem ser apreciados no cinema, especialmente em formatos como IMAX ou 3D. Em contrapartida, há críticas de que o filme não expande significativamente a mitologia da saga ou apresenta inovações narrativas profundas, o que gerou um debate mais amplo sobre o futuro criativo da franquia. No balanço geral, a obra é considerada um marco visual e um sucesso de público, mas sua posição no panteão dos melhores filmes da série ainda é objeto de discussão entre fãs e analistas cinematográficos.

Avatar: Fogo e Cinzas (Avatar: Fire and Ash, Estados Unidos, 2025) Direção: James Cameron / Roteiro: James Cameron, Rick Jaffa e Amanda Silver (baseado em personagens criados por James Cameron) / Elenco: Sam Worthington, Zoe Saldaña, Sigourney Weaver, Stephen Lang, Oona Chaplin, Cliff Curtis / Sinopse: Após as devastadoras consequências dos conflitos anteriores, Jake Sully e Neytiri enfrentam uma nova e implacável ameaça emergente das tribos Na’vi de Pandora, envolvendo luto, guerra e alianças improváveis em uma jornada que testa coragem, identidade e sobrevivência.

Erick Steve.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Teatro do Medo

Título no Brasil: Teatro do Medo
Título Original: Theatre of Death
Ano de Lançamento: 1961
País: Reino Unido
Estúdio: Anglo-Amalgamated
Direção: Samuel Gallu
Roteiro: Samuel Gallu, John Wooldridge
Elenco: Christopher Lee, Jenny Till, Joan Harvey, Julian Glover, Denis Gilmore, John Stuart

Sinopse:
Um misterioso ator, diretor e empresário teatral chega a uma pequena cidade britânica trazendo sua companhia itinerante. Logo após o início das apresentações, uma série de mortes inexplicáveis passa a ocorrer nos arredores do teatro. À medida que a polícia investiga os crimes, segredos sombrios vêm à tona, sugerindo que o espetáculo pode estar ligado a uma antiga maldição ou a um plano macabro cuidadosamente encenado.

Comentários:
Depois de ficar famoso com os filmes de Drácula, Christopher Lee tentou algo diferente, mas sem sair do gênero terror. O resultado foi esse filme muito interessante. Ele interpreta esse diretor de teatro que tem métodos pouco convencionais de exigir de suas atrizes o melhor no palco. O ator parece estar muito confiante e se esbalda nesse personagem ora sádico, ora com ares e lições de professor experiente. Além disso teve bons diálogos e cenas para mostrar seu talento como ator. Algo muito mais relevante do que seu próprio papel de Drácula, onde basicamente era apenas um monstro, um vampiro que pouco falava ou se expressava verbalmente. Aqui o Lee parece querer demonstrar que sim, era um bom ator e merecia ter maiores chances em sua carreira. Ele estava mais do que certo em ir por esse caminho. 

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Eu, Cláudio

Título no Brasil: Eu, Cláudio
Título Original: I, Claudius
Ano de Lançamento: 1976
País: Reino Unido
Estúdio: BBC
Direção: Herbert Wise
Roteiro: Jack Pulman
Elenco: Derek Jacobi, Siân Phillips, Brian Blessed, John Hurt, George Baker, Patrick Stewart

Sinopse:
Baseada nos romances históricos de Robert Graves, a série acompanha a vida de Cláudio, um homem visto como frágil, gago e intelectualmente limitado por sua própria família. Subestimado, ele sobrevive às intrigas mortais da dinastia júlio-claudiana enquanto observa assassinatos, conspirações e jogos de poder que marcam os reinados de Augusto, Tibério e Calígula. Contra todas as expectativas, Cláudio acaba se tornando imperador de Roma, revelando-se um governante mais lúcido do que seus predecessores.

Comentários:
Cláudio foi o mais improvável imperador de Roma. Ele era tão incapaz e considerado medíocre dentro de sua família que acabou sendo poupado de uma série de assassinatos em busca do poder. Primos, irmãos, tios, tias, todos se matando dentro de sua família. No final só sobrou Cláudio, que muitos consideravam retardado, aleijado de uma perna, manco, meio louco! Pois é, meus caros, dinastias e monarquias, quando não submetidas a qualquer tipo de controle constitucional, só dá nesse tipo de banho de sangue mesmo. Lançada como série na BBC inglesa foi bastante elogiada e aclamada na época. No Brasil ganhou mais um daqueles lançamentos cheios de cortes da época do VHS. Imagine concentrar toda uma minissérie em um corte de pouco mais de 90 minutos! Só poderia dar muito errado mesmo. Infelizmente era só o que tinha para ver naquele tempo. De qualquer forma é um bom produto, embora não explore todo o potencial da história desse imperador romano que a despeito de tudo e todos, subiu ao poder máximo em sua era.

Pablo Aluísio. 

Herodes, o Grande

Título no Brasil: Herodes, o Grande
Título Original: Herod the Great (Erode il Grande)
Ano de Lançamento: 1959
País: Itália / França
Estúdio: Lux Film
Direção: Viktor Tourjansky
Roteiro: Ennio De Concini, Viktor Tourjansky
Elenco: Edmund Purdom, Sylvia Lopez, Massimo Girotti, Françoise Christophe, John Drew Barrymore, Rossana Podestà

Sinopse:
O filme retrata a trajetória de Herodes, rei da Judeia, um governante marcado pela ambição, paranoia e crueldade. Em meio a intrigas políticas, conspirações familiares e conflitos religiosos, Herodes luta para manter seu poder absoluto enquanto é consumido pelo medo da traição. O drama se intensifica com seu relacionamento trágico com Mariamne, mulher que ele ama obsessivamente, mas cuja fidelidade passa a suspeitar, conduzindo o reino — e sua própria alma — à ruína.

Comentários: 
Apesar de ser chamado de "Herodes, o Grande" ele era um homem de alma pequena, um sabujo, um governante fantoche do império Romano. E esse bom filme italiano épico ainda abriu espaço para o filho de Herodes, um sujeitinho igualmente vil e perverso. O que temos aqui, em termos de cinema, é de fato, como eu já escrevi, um filme muito bom! Ele respeita, dentro do contexto de sua época, os registros históricos sobre esse monarca violento e tirano, que era odiado pelo povo judeu que oprimia. O roteiro é montado de forma inteligente. Ao invés de mostrar toda a sua vida, se concentra em uma época determinada desse maníaco, o mostrando como um homem que topava qualquer coisa para segurar seu poder, que aliás era usado para esmagar os judeus em nome do poder imperial romano. Assim se confirma que de "Grande" ele não tinha nada. Era apenas um ser humano bem desprezível. O mesmo vale para Herodes Antipas, um dos governantes mais abjetos da história antiga. Enfim, mais um filme que demonstra de forma clara como a indústria cinematográfica italiana era rica e diversificada em sua era de ouro. 

Pablo Aluísio. 

domingo, 25 de janeiro de 2026

Os Filmes de Leonardo DiCaprio - Parte 6

Era uma Vez em... Hollywood
Quando eu soube que o novo filme de Quentin Tarantino iria ter como tema o assassinato da atriz Sharon Tate naquele trágico crime envolvendo membros da seita de Charles Manson, fiquei completamente desanimado. Não acredito que coisas assim devem ser resgatados do passado pelo cinema. Algumas histórias são tão horríveis que os mortos devem ser deixados em paz. Porém o que não levei em conta é que Tarantino não deve ser subestimado. Ele realmente nunca faria um filme banal sobre aquilo tudo que aconteceu. Ele encontraria uma maneira original de explorar esse tema tão espinhoso. 

E eis que fui surpreendido completamente por esse filme quando o assisti. De fato é algo muito bem desenvolvido. Em seu roteiro Tarantino misturou pessoas reais, que existiram mesmo, com personagens puramente de ficção. E criativo como ele é, não poderia dar em outra coisa. Os personagens de Leonardo DiCaprio e Brad Pitt são referências da cultura pop. Uma miscelânea de tipos que eram bem comuns na Hollywood dos anos 60. O ator de seriados de faroeste interpretado por DiCaprio é uma ótima criação. Com ecos de Clint Eastwood e outros atores de segundo escalão da época, ele retrata bem aquele tipo de ator que nunca conseguiu se tornar um astro em Hollywood. Vivendo de seriados popularescos, o que lhe sobra em determinado momento é ir para Roma filmar faroestes do tipo Western Spaghetti. Produções B, bem ruins e mal feitas.

Brad Pitt é o dublê desempregado que mora em um trailer. Para sobreviver ele se torna uma espécie de assistente pessoal e "faz-tudo" para o ator decadente de DiCaprio. As melhores cenas do filme inclusive estão com ele. Na visita ao rancho onde a "família Manson" vivia e no clímax final que é puro nonsense criativo. Margot Robbie está um pouco em segundo plano, apesar de interpretar Sharon Tate. Isso foi consequência do próprio roteiro que vai girando ao largo, na periferia dos acontecimentos. E sua Sharon é bem retratada no roteiro. Uma mocinha bonita, mas meio cabeça de vento, que passava o dia ouvindo música. Não tinha mesmo muita coisa na cabeça. Era uma starlet dos anos 60, nada mais.

Por fim tenho que tecer breves comentários sobre o final do filme, mas isso sem entregar nenhuma surpresa, que afinal de contas é o grande trunfo desse novo Tarantino. Conforme o filme foi se desenvolvendo eu fui gostando de praticamente tudo. Dos personagens, da ambientação anos 60, de tudo. Acontece que na meia hora final chega o momento da verdade. Eu não queria ver de novo a matança de Sharon Tate e seus amigos. Aí Tarantino foi mesmo um mestre. Saiu completamente do lugar comum, criou sua própria realidade paralela. Genial. Não é à toa que o filme é quase uma fábula, um faz de conta. A realidade foi tão trágica... por que não ir por outro caminho? Ao fazer isso Tarantino acabou criando uma pequena obra-prima. Palmas para ele.

Era Uma Vez em... Hollywood (Once Upon a Time... in Hollywood, Estados Unidos, Inglaterra, China, 2019) Direção: Quentin Tarantino / Roteiro: Quentin Tarantino / Elenco: Leonardo DiCaprio, Brad Pitt, Margot Robbie, Emile Hirsch, Al Pacino, Dakota Fanning, Timothy Olyphant, Bruce Dern, Luke Perry / Sinopse: Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) é um ator de segundo escalão em Hollywood. Decadente, ele aceita ir para Roma filmar filmes de western spaghetti. Cliff Booth (Brad Pitt) é um dublê desempregado que trabalha para Dalton como seu assistente pessoal. Eles não sabem, mas vão fazer parte de um dos eventos mais trágicos da história de Hollywood... ou quase isso!

Não Olhe Para Cima
Dois cientistas do campo da astronomia (interpretados por Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence) descobrem a existência de um novo cometa. No começo ficam felizes com a descoberta, afinal no mundo da astronomia isso é algo importante na vida de qualquer profissional da área. Só que a alegria dura pouco. Eles logo descobrem também que a rota do cometa vem direto em direção ao nosso planeta Terra. E agora, o que fazer? Logo uma questão que deveria ser tratada apenas pela ciência se torna politizada. E aí é o caos... os cientistas querem seguir o que diz a ciência para salvar o planeta, os conservadores liderados por uma presidente idiota (Meryl Streep) adotam uma postura de negacionismo com o slogan "Não Olhe para Cima". Pronto, a humanidade está literalmente com os dias contados. Estamos todos ferrados!

Esse é o filme do momento. Todo mundo está falando, debatendo, trocando ideias. Fazia tempo que a Netflix não lançava algo tão polêmico. A boa notícia é que é um bom filme, que faz pensar! É simplesmente impossível não perceber a analogia que esse inteligente roteiro faz com o mundo polarizado e imbecilizado em que vivemos. E aqui sobram críticas e farpas para todos os lados. Enquanto os dois cientistas tentam alertar para o perigo do cometa, os telejornais e o público em geral só se importam com as coisas mais imbecis, como o namorico de uma cantora adolescente pop e um cantor de rap! Você vai dar boas risadas, mas se tiver mais inteligência vai rir mesmo de nervoso, porque embora absurdas as situações, são plenamente condizentes com o momento atual. E você também pode trocar o cometa pela pandemia, aquecimento global ou qualquer outro tema desses e verá que faz o mesmo sentido.
 
E as redes sociais? Se tornam o maior meio de estupidez jamais visto. Enquanto o cometa avança em direção ao planeta Terra, as pessoas só se preocupam com memes, besteiras e imbecilidades. E surgem milhares de teorias da conspiração, uma mais idiota do que a outra! Dá nos nervos! Penso que se uma situação como a mostrada no filme realmente fosse verdade seria exatamente assim que iria acontecer. Vivemos em uma era tão estúpida! É triste, mas é a mais pura verdade! Então o roteiro mira e acerta em muitos alvos e se sai maravilhosamente bem em meu ponto de vista. É um filme que parece simples, mas que nas entrelinhas expressa tantas verdades que você ficará surpreso.

No final tirei duas conclusões importantes. A primeira é que o mundo atual é o horizonte perfeito das idiotices, tanto das pessoas em geral como também dos que foram eleitas por elas. A pior situação para uma nação é ser liderada por uma idiota como a presidente interpretada por Streep. Pessoas vão morrer por esse tipo de escolha errada na hora de votar. E assim surge a segunda grande lição do roteiro. Não votem em imbecis para altos cargos, pois no final quem será mais prejudicado será você mesmo, quem sabe até mesmo perdendo a própria vida. Parece radical? Não, é só uma verdade mesmo.

Não Olhe para Cima (Don't Look Up, Estados Unidos, 2021) Direção: Adam McKay / Roteiro: Adam McKay, David Sirota / Elenco: Leonardo DiCaprio, Jennifer Lawrence, Meryl Streep, Cate Blanchett, Jonah Hill, Rob Morgan / Sinopse: Dois cientistas tentam alertar o mundo do perigo que se aproxima na forma de um enorme cometa que está vindo em direção ao nosso planeta. Só que isso vai ser quase impossível em um mundo onde as pessoas só se importam com celebridades vazias e os que detém o poder político são altamente estúpidos.

Assassinos da Lua das Flores
No começo do século XX um bando de caipiras de interior, homens brancos criminosos, começam a se casar com nativas herdeiras de vastas terras com muito petróleo em seu subsolo. Após o casamento eles planejam envenenar suas esposas, tudo com o claro objetivo de se tornarem os únicos donos do rico ouro negro! 

Não me entenda mal, Martin Scorsese continua sendo um mestre do cinema, mas inegavelmente esse seu novo filme apresenta problemas. E é um problema conceitual. Veja, os personagens principais da história são seres asquerosos, repugnantes. Basicamente homens brancos que se aproveitavam de mulheres indígenas para roubar suas terras cheias de petróleo. E como atingiam seus objetivos? Casando com elas e depois as matando envenenadas! Como alguém em sã consciência vai criar um vínculo com esse tipo de pessoa? Não dá! E Scorsese falha miseravelmente ao tentar retratar esses caipiras homicidas com uma lente de leve simpatia e bom humor! Ficou bizarro! 

Eu lamento tudo isso porque o filme é tecnicamente impecável. Apresenta uma ótima produção, roteiro bem escrito e elenco classe A - embora os astros interpretem esses seres humanos de quinta categoria! Outro ponto que acredito que Scorsese errou foi na duração do filme. Mais de três horas de duração em uma história que com uma edição mais equilibrada seria contada no tempo médio dos filmes atuais. Até porque esses jovens atuais não aguentam mesmo ficar 3 horas no cinema assistindo a um filme! Alguém deveria ter alertado Scorsese sobre isso. Enfim, filme muito bem realizado, mas com uma postura equivocada em relação aos principais personagens nessa história de crime que se propõe a contar. 

Assassinos da Lua das Flores (Killers of the Flower Moon, Estados Unidos, 2023) Estúdio: Apple Studios / Direção: Martin Scorsese / Roteiro: Eric Roth, Martin Scorsese / Elenco: Leonardo DiCaprio, Robert De Niro, Lily Gladstone, John Lithgow, Brendan Fraser / Sinopse: Uma história de traição, mesquinhez e traições, com o objeivo final de ter riquezas e dinheiro, mesmo enganado o próximo. Filme indicado ao Oscar em dez categorias. 

Pablo Aluísio. 

sábado, 24 de janeiro de 2026

Disco de Vinil: Elvis Now

Disco de Vinil: Elvis Now
Elvis Now, lançado em 20 de fevereiro de 1972, representa um momento curioso e relativamente subestimado da discografia de Elvis Presley. Diferente dos grandes álbuns conceituais ou dos discos ligados a filmes, este trabalho reuniu gravações feitas entre 1969 e 1971, período em que Elvis vivia uma forte retomada artística após o especial televisivo de 1968. O repertório mistura baladas introspectivas, country sofisticado e pop adulto, revelando um Elvis mais contido, maduro e emocionalmente direto.

Comercialmente, Elvis Now teve um desempenho sólido, embora discreto se comparado aos grandes sucessos do cantor na década de 1950 ou mesmo aos álbuns de retorno do final dos anos 1960. O disco alcançou posições respeitáveis na Billboard 200, beneficiando-se da enorme base de fãs que Elvis ainda mantinha no início dos anos 1970. As vendas foram consistentes, confirmando que, mesmo sem um single explosivo, Presley continuava sendo uma presença dominante no mercado fonográfico americano.

A reação da crítica na época foi moderadamente positiva, com destaque para a qualidade vocal do artista. O jornal The New York Times comentou que Elvis demonstrava “uma maturidade interpretativa rara, cantando menos para impressionar e mais para comunicar sentimento”. Já a revista Billboard descreveu o álbum como “um retrato honesto de um cantor que domina plenamente sua voz e seu estilo”, elogiando especialmente as faixas de clima introspectivo.

Alguns críticos, no entanto, apontaram a falta de unidade do álbum, resultado direto de sua natureza compilatória. O Rolling Stone, em resenha publicada em 1972, observou que o disco “carece de um conceito claro, mas compensa com interpretações vocais de alto nível”. Ainda assim, a imprensa reconheceu que Elvis soava mais confortável e confiante do que em muitos de seus trabalhos da fase final dos anos 1960.

Com o passar do tempo, Elvis Now passou a ser visto como um registro importante da fase adulta de Elvis Presley. O álbum revela um artista menos preocupado com tendências e mais focado na expressividade vocal e emocional. Embora não figure entre seus discos mais celebrados, permanece como um testemunho valioso de um Elvis experiente, tecnicamente refinado e ainda profundamente conectado à música que interpretava.

Erick Steve. 

Disco de Vinil: Magical Mystery Tour

Magical Mystery Tour, lançado em 8 de dezembro de 1967 no Reino Unido (como EP duplo) e em 27 de novembro de 1967 nos Estados Unidos (em formato de LP), marcou uma fase singular na trajetória dos Beatles. O projeto nasceu como trilha sonora do filme homônimo exibido pela BBC no Natal daquele ano e refletiu o espírito psicodélico e experimental que a banda vinha explorando desde Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Musicalmente, o disco mesclava canções lúdicas, surrealistas e tecnicamente sofisticadas, ampliando ainda mais os limites do pop tradicional.

Do ponto de vista comercial, o impacto foi expressivo, especialmente nos Estados Unidos. A versão em LP de Magical Mystery Tour alcançou o 1º lugar da Billboard 200 em janeiro de 1968 e permaneceu várias semanas no topo. Rapidamente, o álbum ultrapassou a marca de milhões de cópias vendidas, impulsionado por faixas que se tornaram clássicos imediatos, como “All You Need Is Love”, “Hello, Goodbye” e “Strawberry Fields Forever”. Com o tempo, a versão americana acabou sendo adotada oficialmente no catálogo mundial da banda.

A recepção crítica na época, contudo, foi ambígua, sobretudo por causa do filme. O The Daily Express descreveu a produção televisiva como “confusa e indulgente, um experimento que parece esquecer o público”. Já o The Guardian comentou que, apesar das imagens desconcertantes, “a música dos Beatles continua sendo o verdadeiro coração do projeto, cheia de invenção e charme”.

Nos Estados Unidos, a crítica musical mostrou-se mais receptiva ao álbum como obra sonora. A revista Time escreveu em 1967 que Magical Mystery Tour era “um caleidoscópio sonoro que confirma os Beatles como os principais arquitetos do pop moderno”. O New York Times observou que, mesmo quando o conceito visual falhava, “as canções demonstram uma imaginação musical que poucas bandas conseguem alcançar”.

Com o passar dos anos, Magical Mystery Tour foi amplamente reavaliado de forma positiva. Hoje, é visto como um elo essencial entre Sgt. Pepper’s e The White Album, reunindo algumas das gravações mais ousadas e duradouras dos Beatles. Embora seu lançamento tenha dividido opiniões em 1967, o álbum consolidou a reputação do grupo como inovador incansável e figura central na transformação artística da música popular do século XX.

Erick Steve.