quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Steve McQueen / Robert Mitchum

Steve McQueen
Quando não estava interpretando pistoleiros no cinema o ator Steve McQueen soltava o esqueleto na pista de dança. Nessa foto ele se requebra com a nova moda, chamada The Twist, uma das mais populares danças dos anos 60. Ao fundo se vê a filha do presidente dos Estados Unidos Lyndon Johnson, a jovem Luci Baines Johnson. Mesmo sem muito jeito, Steve parece se divertir bastante. O maior clássico de Steve McQueen no gênero western foi o filme "Sete Homens e um Destino" onde interpretava o pistoleiro Vin Tanner. Curiosamente embora tenha atuado nesse verdadeiro ícone cinematográfico dos faroestes o ator não fez tantos filmes do gênero como era de se supor. Ele só voltaria ao western seis anos depois em "Nevada Smith", filme que marcaria sua despedida do velho oeste nas telas. Embora se desse muito bem nesse tipo de filme Steve McQueen preferia as fitas de guerra, os policiais e os filmes de corridas, afinal ele era um verdadeiro apaixonado pela velocidade e as competições como Le Mans. chegando inclusive a atuar em "As 24 Horas de Le Mans", um de seus filmes preferidos.

Robert Michum
Foto de Robert Mitchum no western "Sua Única Saída" (Pursued), de 1947. Ele interpretava um cowboy chamado Jeb Rand, nesse filme que tinha um dom psicológico que não era muito comum nesse tipo de produção da época. O protagonista tinha traumas de infância após testemunhar, ainda criança, a morte de toda a sua família, durante uma viagem de colonos rumo ao oeste americano. Como se sabe essas famílias que iam rumo às terras a serem colonizadas, enfrentavam muitos desafios como tribos indígenas violentas, bandidos de todos os tipos e a própria selvageria da região. Esse acabou se tornando um dos filmes preferidos do diretor Raoul Walsh, um trabalho que ganhou elogios de Orson Welles. E como curiosidade final uma informação no mínimo interessante: esse filme foi assistido pelo cantor Jim Morrison na noite de sua morte, em Paris.  

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Galeria Cinema Clássico - Astros e Estrelas

Bardot e o Psicopata
Eis uma rara foto da atriz francesa BB (a mundialmente conhecida Brigitte Bardot) e o ator americano Anthony Perkins, que ficou conhecido após o sucesso do filme "Psicose" de Alfred Hitchcock. A foto foi tirada no festival de Cannes de 1961, onde ambos estavam divulgando seus respectivos filmes que chegavam nas telas. Com os anos Brigitte foi se afastando do cinema para se dedicar a causa em prol do respeito e proteção dos animais. Desde que abandonou sua carreira tem levantado essa bandeira, fazendo disso sua missão de vida. Já Perkins teve ainda uma longa carreira nas telas, trabalhando até praticamente o fim de seus dias. O ator parecia ser tão perturbado quanto seu personagem mais famoso, o psicopata Norman Bates. Após o filme de Hitchcock ele participou de várias sequências, algumas delas produzidas por ele mesmo. Perkins era homossexual e morreu de AIDS em 1992, ficando marcado para sempre por seu desempenho em "Psicose".

Os grandes diretores de Hollywood
Uma foto histórica, com uma constelação de grandes cineastas. A reunião aconteceu em Los Angeles, em 1959. Na foto podemos ver os seguintes cineastas: Robert Mulligan, William Wyler, George Cukor, Robert Wise, Billy Wilder, George Stevens, Luis Buñuel e Alfred Hitchcock. O anfitrião do encontro foi o mestre do suspense, que desejava estreitar laços com os colegas diretores que atuavam naquele momento no cinema americano, muitos deles inclusive vindos de outras nacionalidades. O próprio Hitch, que era inglês, brincou dizendo: "O que seria de Hollywood sem os diretores estrangeiros? Acho que nossas origens europeias nos definem bastante em nossas obras cinematográficas." O bom e velho Hitchcock certamente tinha toda a razão sobre isso.

Constelação de astros
Alguns dos mais famosos atores de Hollywood se encontram em um jantar beneficente em Los Angeles após a premiação da Academia. Na foto temos: o apresentador Bob Hope que foi o mestre de cerimônias do Oscar por muitos anos, o eterno cowboy John Wayne, um dos mais populares atores de sua época, o presidente da Academai Ronald Reagan, que anos depois, para surpresa de muitos, iria se tornar o presidente dos Estados Unidos, o cantor e ator Dean Martin que ficou conhecido por causa de suas comédias ao lado do parceiro e amigo Jerry Lewis e finalmente o "The Voice" Frank Sinatra, que dispensa maiores apresentações. Durante os anos 50 e 60 esses astros foram campeões de bilheteria e popularidade dentro do mercado americano de entretenimento. Um time de respeito na época.

Pablo Aluísio.

Roger Moore e Tony Curtis

Ivanhoé 
Roger Moore, o futuro agente 007 James Bond, também interpretou outro herói muito famoso da literatura inglesa: o nobre cavaleiro Sir Wilfred de Ivanhoé, em uma popular série que durou duas temporadas e 39 episódios durante os anos de 1958 e 1959. Para Moore o programa foi extremamente importante pois ajudou o ator a ser mais conhecido do público em geral. Tão boa foi a receptividade que Ivanhoé também passou a ser exibido na TV americana, durante o período vespertino, algo que impulsionou ainda mais a fama de Moore. Curiosamente em 1952 foi produzido um filme americano com o personagem nos cinemas. Dirigido por Robert Thorpe e estrelado por Robert Taylor, essa em uma aventura medieval com muitos combates, duelos e cavalheirismos, típicos da Idade Média. Sobre o filme Roger Moore, com seu típico humor britânico decretou: "Nossa série era bem melhor!". A série de Ivanhoé com Roger Moore foi recentemente lançada em um box com todos os episódios na Europa e Estados Unidos. Ainda não há previsão de lançamento no Brasil.

Tony Curtis e a pintura
Uma das paixões do ator Tony Curtis era a pintura. Quando não estava atuando em algum filme o astro de Hollywood passava seus dias criando quadros. No começo ele foi prejudicado no mundo das artes justamente por ser um ator famoso. Ninguém queria levar à sério seu talento com os pincéis, porém Curtis ignorou as críticas e continuou a pintar. Com os anos acabou se tornando um bom pintor, ganhando inclusive resenhas elogiosas em revistas especializadas. Também promoveu exposições muito bem sucedidas em Los Angeles, Nova Iorque e Chicago, algo que lhe enchia de orgulho pessoal. Outra função muito importante que a pintura exerceu em sua vida foi que o hobbie também foi utilizado pelo ator como terapia. Nos anos 60 Tony Curtis perdeu o controle sobre seu vício em drogas, em especial a terrível dependência química da heroína. Para superar esse vício avassalador, Curtis começou a pintar cada vez mais e mais, como uma maneira de libertar sua mente. Muitos anos depois ele confessaria durante uma entrevista que a pintura havia literalmente salvado sua vida nesse período tão difícil de seus problemas com drogas pesadas. Sobre a importância das artes plásticas em sua vida Tony Curtis diria: "Salvou a minha vida! Eu amo as pinturas mais do que qualquer outra coisa em minha vida".

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Galeria CInema Clássico - Robert Taylor


Jane Powell e Vic Damone - Brincam de trocar de cadeiras no set de filmagens de "Marujos e Sereias" (Hit The Deck, Estados Unidos, 1955). O filme era estrelado por Debbie Reynolds e dirigido por Roy Rowland. Vic Damone era um promissor cantor quando o filme chegou nas telas. Um musical ao velho estilo sobre marinheiros apaixonados por lindas garotas que conhecem pelos portos do mundo. Vencedor de um Globo de Ouro esse acabou sendo um dos últimos musicais de Hollywood a seguir a antiga fórmula dos sucessos da MGM nas décadas de 1930 e 1940.


Robert Taylor, Ann Blyth e Stewart Granger - O trio que estrelou o filme "Todos os Irmãos Eram Valentes" (All the Brothers Were Valiant, Estados Unidos, 1953). Dirigido pelo eficiente Richard Thorpe essa era mais uma aventura passada nos sete mares, um dos gêneros cinematográficos mais populares dos anos 1950. Na trama dois irmãos aventureiros do mar, um bom e outro mau, disputavam o amor de uma bela mulher enquanto se envolviam em todos os tipos de aventuras, com muitas cenas de capa e espada e batalhas no mar. Uma produção nostálgica que relembra perfeitamente os bons e velhos tempos quando o cinema era mais inocente, mas muito mais divertido.

Pablo Aluísio.

Galeria Cinema Clássico - Joan Fontaine

Joan Fontaine - Uma das estrelas mais populares de Hollywood em sua época de ouro, a atriz Joan Fontaine (cujo nome de batismo era Joan de Beauvoir de Havilland) nasceu em 1917, quando seus pais estavam no Japão a trabalho. Ela era irmã mais velha da também estrela Olivia de Havilland. Durante anos existiu um boato em Hollywood dizendo que as duas eram extremamente competitivas entre si, sempre disputando para saber quem seria a mais bem paga, a mais premiada e a mais famosa. Biografias mais recentes porém negam tal versão dos fatos, uma vez que elas se mantinham próximas e amigas, mesmo quando estavam no auge de suas carreiras. Fontaine, que tinha uma beleza marcante, foi premiada com o Oscar em 1942 por sua atuação no filme "Suspeita" do mestre Alfred Hitchcock. Nessa produção ela atuou ao lado do galã Cary Grant, com quem se dizia na época teve um breve romance. A atriz morreu em 2013 aos 96 anos de idade! Dizem que suas últimas palavras foram: "Eu tive uma vida feliz".

Também vestindo um traje militar o ator Tyrone Power posa para uma fotografia promocional dos estúdios Warner Bros. Power teve uma carreira de muito sucesso em Hollywood, onde estrelou grandes êxitos de bilheteria no cinema. Um de seus filmes de maior popularidade foi "A Marca do Zorro" de 1940, uma das primeiras produções com o famoso espadachim negro que se tornaria um dos maiores ícones da cultura pop mundial. Ao lado do diretor Henry King rodou inúmeros filmes de aventura do tipo capa e espada, como por exemplo, "O Cisne Negro" de 1942. Considerado um grande galã ao estilo Latin Lover, o astro teve uma vida breve. Ele faleceu com apenas 44 anos de idade, quando estava na Espanha para uma viagem de passeio e trabalho. Identificado como um amante latino, Power não negava suas origens hispânicas, sempre exaltando os seus antepassados. No total sua filmografia conta com 52 filmes, com muitos clássicos da sétima arte entre eles.

Pablo Aluísio.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Debbie Reynolds


Debbie Reynolds - Não poderíamos fechar o ano sem deixar nossa homenagem a Debbie Reynolds que faleceu no dia de ontem, após sofrer um AVC em decorrência do choque causado pela morte de sua filha Carrie Fisher. Aqui vai uma galeria de fotos especialmente dedicada à essa atriz fantástica. Claro que em uma filmografia tão rica e diversificada muitos filmes ficaram de fora, mas trataremos de todos eles no tempo devido. Por enquanto fica aqui essa singela homenagem para Debbie em momentos especiais de seu trabalho nas telas.


A única indicação ao Oscar para Debbie Reynolds veio com a comédia "A Inconquistável Molly" em 1964. Dirigida por Charles Walters a atriz interpretava uma garota do interior, moradora das montanhas do sul, que ia para a cidade grande em busca de oportunidades, um bom marido e uma nova vida. No total o bem sucedido filme conseguiu ser indicado a seis categorias da Academia. Embora nunca tenha vencido um Oscar em sua vida, a atriz foi finalmente homenageada em 2016 com o prêmio humanitário Jean Hersholt, dado pela própria Academia de Hollywood.  


Certamente o filme mais popular e conhecido da carreira de Debbie Reynolds foi o clássico musical "Cantando na Chuva", considerado por muitos críticos como o melhor filme musical de todos os tempos. Dirigido por Stanley Donah e estrelado pelo excelente dançarino Gene Kelly, o filme é um marco da era de ouro dos musicais da Metro. No filme Debbie interpretava a bondosa e ingênua Keith Selden. Dona de uma linda voz ela emprestaria seu talento para dublar a medíocre protegida do dono do estúdio que apesar de ser bela tinha uma dicção simplesmente pavorosa. Um filme realmente imortal que por si só já valeria a eternidade para a carreira de Debbie. 


Outro musical sempre lembrado da carreira de Debbie Reynolds foi "Marujos e Sereias" de 1955 onde ela teve a oportunidade de dançar, cantar e atuar. Ainda bastante jovem a atriz demonstrava que dominava todos as artes necessárias para se destacar nos musicais dos estúdios Metro-Goldwyn-Mayer, o maior da época. Dentro da constelação de grandes atrizes, atores e dançarinos, Debbie conseguiu se destacar por causa de sua maravilhosa veia artística. 


E não foi apenas em musicais e romances de época que Debbie Reynolds conseguiu brilhar. Ela também atuou maravilhosamente bem em dramas como "A Taberna das Ilusões Perdidas" onde interpretava uma jovem que tentava sobreviver na grande cidade. Iludida pela falta de oportunidades e pela dificuldade em pagar até mesmo seu próprio aluguel ela finalmente encontrava um fio de  esperança e alegria na companhia de um jovem músico (interpretado por Tony Curtis) que também chegava do interior cheio de vontade de vencer em Nova Iorque. Nesse que é considerado um dos filmes mais dramáticos de sua carreira podemos comprovar como Debbie também era uma excelente atriz em cenas de dramaticidade e tensão.

Pablo Aluísio.

James Dean - Giant


James Dean - Giant
Três fotos com James Dean tiradas durante as filmagens de "Assim Caminha a Humanidade". O filme acabou se tornando o último do jovem rebelde ator, que morreria poucas semanas após o fim das filmagens ao sofrer um acidente de carro com seu Porsche Spyder. Em cena Dean interpretava o capataz de uma grande fazenda chamado Jett Rink, que acabava encontrando petróleo em seu pequeno pedaço de terra, o tornando um homem milionário. O filme, sob direção do excelente George Stevens, foi rodado no interior do grande estado americano do Texas e Dean procurou absorver a cultura local, se vestindo de cowboy, interagindo com os moradores da região.


sábado, 1 de dezembro de 2007

Psicose (1960)

Psicose
O ator Anthony Perkins posa em foto promocional do filme Psicose de 1960. O filme, um clássico do suspense dirigido pelo gênio Alfred Hitchcock, chocou o público na época por causa de sua trama perturbadora. O personagem principal, Norman Bates, era um rapaz com sérios problemas psicológicos decorrentes de uma criação repressiva e opressora por parte de sua mãe.

Quando ela finalmente morre, Norman acaba desenvolvendo uma dupla personalidade extremamente perigosa e mortal, apesar de seus trejeitos aparentemente inofensivos e tímidos. Todos os traumas da infância e adolescência acabam se materializando em seu estranho modo de ser e agir. O roteiro era baseado em um livro escrito por Robert Bloch que Hitchcock conheceu por acaso.

O autor aproveitou a história real de alguns psicopatas infames que foram descobertos pela polícia na época e fez uma obra realmente genial e assustadora. O estúdio não queria bancar a produção por causa do tema, considerado muito violento. O cineasta porém não se deu por vencido e conseguiu o financiamento que estava precisando. De certa forma Psicose acabou se tornando o grande influenciador de centenas de obras enfocando assassinos em série, os chamados Serial killers. Sua temática, mais atual do que nunca, acabou contribuindo para a longevidade da obra cinematográfica que hoje é reconhecidamente um dos grandes clássicos do cinema.


Pablo Aluísio.

E O Vento Levou

E O Vento Levou...
Fotos promocionais do grande clássico "E O Vento Levou..." de 1939. Vencedor de oito prêmios da Academia, foi o primeiro filme colorido da história a ser premiado na principal categoria do Oscar. Curiosamente por ter sido uma produção extremamente cara e complexa, acabou sendo dirigido por três cineastas: Victor Fleming, George Cukor e Sam Wood. O estúdio MGM porém decidiu que apenas Fleming seria creditado nesse marco do cinema.

 

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Marlon Brando - Verdades e Mentiras

Marlon Brando é considerado um dos grandes atores do século XX. Com personalidade ímpar o ator foi grande não apenas nos palcos e nas telas mas também nas causas que defendeu. Muita coisa infelizmente ficou encoberta pela celebridade que o acompanhava - celebridade essa que ele particularmente detestava. No meio de tantas polêmicas, muitos boatos, mentiras e histórias não verdadeiras acabaram ganhando status de fato. Vamos agora revelar algumas verdades e mentiras sobre esse mito da cultura pop.

Marlon Brando odiava seus pais?
Durante toda sua vida Brando teve um relacionamento complicado com seus pais, em especial com Marlon Brando Sênior, seu pai. Ambos tinham temperamentos fortes e não aceitavam se submeter uma ao outro. Além disso Brando não perdoava as constantes escapadas do velho que, caixeiro viajante, acabava arrumando várias namoradas nas cidades pelos quais passava. Com a mãe, Marlon também tinha problemas. Desde jovem a mãe de Brando gostava de beber. Com o tempo a bebida se tornou um sério problema virando alcoolismo. Não raro o ator quando garoto tinha que percorrer bares barra pesada atrás de sua mãe. Isso acabou criando traumas nele para o resto de sua vida. Quando o pai estava para morrer Brando pediu que ele tivesse mais alguns segundos de vida para como ele mesmo afirmou em sua autobiografia, "Quebrar todos os dentes de seu velho". Apesar de todas essas brigas e desavenças o ator acabou perdoando as falhas dos pais e conseguiu superar todos os problemas anos depois ao fazer análise como acabou revelando em sua autobiografia.

É verdade que Brando foi expulso de um colégio militar em sua juventude?
Brando foi um garoto problema. Com dificuldades de aprendizado nunca conseguiu ser um sucesso nas escolas pelos quais passou. Assim seu pai resolver matricular o garoto na Academia Militar de Shattuck em Minnesota. Foi nessa Academia, em regime de internato, que o ator passou grande parte de sua juventude. Sob severo regime disciplinar Brando acabou com o tempo se revoltando contra todas aquelas regras de comportamento, tão típicas de uma escola militar. Era indisciplinado, bagunceiro e sempre se metia em confusões. Numa delas sumiu com o badalo do sino da Academia (ele odiava acordar cedo e as badaladas do sino indicavam a hora de acordar pela manhã). Em outra desrespeitou um oficial durante uma formação de rotina. Esse último evento acabou selando sua expulsão da Academia.

O que fez após ser expulso da Academia Militar?

Brando voltou para casa. Seus pais decepcionados perguntaram o que ele iria fazer da vida. Sem perspectivas Brando passou um tempo trabalhando em obras de construção civil como peão. Depois se encheu daquilo tudo e resolveu ir embora para Nova Iorque. Sua irmã Frannie estava morando na grande cidade, tentando se tornar atriz. Cansado dos sermões de seus pais, Marlon acabou decidindo ir embora para a Big Apple. Ele ainda não tinha intenção de ser ator mas apenas de arranjar um emprego qualquer para se estabelecer na nova cidade. Sua opção de se tornar ator só surgiria depois quando Brando sentiu que a atuação lhe poderia render um bom dinheiro sem precisar suar muito a camisa.

Qual foi a grande mentora de Brando em Nova Iorque?
Stella Adler foi uma das primeiras professoras que Brando teve ao chegar em Nova Iorque. Após decidir que tentaria ser ator ele se matriculou em cursos de formação de atores e Stella Adler acabou mudando sua vida. O jovem aspirante a ator ficou encantado pelo talento, carisma e dedicação da grande atriz e professora. Anos depois ao escrever sua autobiografia Brando creditou a Stella muito da inspiração que levou para toda a sua carreira ao longo da vida. Após se formar nesse curso Brando aos poucos foi ganhando experiência em montagens off Broadway. Foram várias montagens até que finalmente encontrasse o papel que iria mudar toda a sua vida: Stanley Kowalski da peça "A Street Named Desire" de Tennessee Williams.

Marlon Brando teve um romance com Marilyn Monroe?
Segundo o próprio ator sim. Na realidade nem foi propriamente um romance mas sim um encontro casual após uma festa em Hollywood. Marilyn nunca escondeu sua atração por Marlon a ponto de colocá-lo em uma lista de dez homens que gostaria de levar para a cama. Assim após se conhecerem em uma noite a própria Marilyn lhe convidou para ir em sua casa. Após esse encontro nada mais de muito importante surgiu entre eles. De vez em quando Marilyn ligava para Brando e ambos passavam várias horas conversando. Marilyn aliás ligou para Brando na noite anterior ao de sua morte supostamente por overdose de pílulas para dormir. Brando jamais divulgou o conteúdo dessa sua última conversa com Marilyn.

O que Brando achava de James Dean e Montgomery Clift?
Brando admirava Montgomery Clift. O achava um grande ator que infelizmente estava sucumbindo à problemas com bebidas e drogas. Após sofrer um acidente de carro que desfigurou parcialmente seu rosto Clift encontrou dificuldades de encontrar trabalho em novos filmes. Brando então resolveu ajudar pessoalmente o colega, exigindo inclusive sua colocação no elenco de "Os Deuses Vencidos". Já sobre Dean, Marlon Brando tinha uma opinião diferente. O achava perturbado e acreditava que Dean o imitava deliberadamente (inclusive nas roupas, nas motos que andava, etc). Dean tentou uma aproximação maior com Brando mas esse o dispensou discretamente, o aconselhando a procurar ajuda psicológica. Deu inclusive o número de seu analista pessoal para Dean.

Marlon Brando era bissexual?
Segundo Anna Kashfi, sua segunda esposa, Brando era bissexual. Seu depoimento porém é discutível uma vez que ela teve muitos problemas (inclusive legais) com o ator no processo de divórcio. Embora fosse assumidamente hétero, se envolvendo com muitas mulheres ao longo da vida, sempre existiu a suspeita que Marlon teria tido pelo menos um romance mais sério com um homem, o diretor francês Christian Marquand. Isso porém nunca foi comprovado, ficando apenas no patamar de mero boato. O fato foi investigado por vários autores de biografias sem se chegar a uma comprovação de que algo além de amizade teria realmente acontecido. Nos anos 50 surgiu uma suposta foto de Brando praticando sexo oral em um homem negro, sem identificação. A foto até ganhou certa repercussão no meio mas depois descobriu-se ser apenas uma montagem (nos dias de hoje se percebe bem que tudo não passa mesmo de uma montagem grosseira). Brando não desmentiu a suposta veracidade da fotografia, se limitando a se divertir com o bizarro registro.

Como era Marlon Brando fisicamente?
Marlon Brando tinha estatura média para a população americana: 1.75. Para compensar isso se dedicou bastante a jogar futebol americano na adolescência ganhando peso e força muscular, que iria ser acentuada em seus primeiros anos em Nova Iorque quando precisou mostrar boa composição física para interpretar tipos rudes como o personagem Stanley de "A Named Street Desire". Infelizmente o ator foi aos poucos deixando a musculação e a partir dos anos 60 e começou a engordar de forma assustadora. Em seus últimos anos Marlon sofreu muito com obesidade mórbida chegando a incríveis 180 kgs.

Brando não gostava de Elvis Presley?
Em sua autobiografia Marlon Brando afirma que achava uma piada o governo americano ter colocado Elvis como selo postal oficial do país. Para Brando o assim chamado Rei do Rock apenas copiou a cultura negra que existia há anos. Ele se ressentiu ainda pelo fato de Elvis ter morrido de uma overdose de drogas e esse fato ser ignorado pelo governo dos EUA justo em uma época de guerra do país no combate às drogas.

Por que Brando e Chaplin não se deram bem ao trabalharem juntos?
Marlon Brando não gostou do estilo de trabalho de Chaplin. Para Brando o antes genial Charles Chaplin estava ultrapassado, sua forma de dirigir um filme era completamente obsoleta. Marlon que vinha da escola do Actors Studio se ressentiu pelo fato de não conseguir abrir um diálogo com Chaplin para discutir seu personagem. Além disso ficou chocado com a forma que Chaplin tratava um de seus filhos no set de filmagem. De forma sádica Chaplin repreendia publicamente seu filho que atuava no filme, o chamando de incompetente e incapaz na frente dos outros atores e da equipe técnica. Em determinado momento o próprio Brando pensou seriamente em largar o filme no meio das filmagens. Para ele, que sempre idolatrou Chaplin, tudo se tornou uma grande decepção. O resultado da parceria entre eles foi o pior possível pois o filme foi um tremendo fracasso de pública e crítica. Anos depois Brando definiu "A Condessa de Hong Kong" como "um de meus desastres" e acabou afirmando que o pai de Carlitos havia sido "um dos homens mais sádicos que já conheci na minha vida"

O que Brando achava da máfia?
Ele realmente encontrou chefões da cosa nostra para filmar "O Poderoso Chefão"? Brando acreditava que a máfia americana não era muito diferente das grande corporações ou até mesmo da CIA. Segundo o ator ambas usavam de violência e corrupção para se impor e se firmar na sociedade. O ator inclusive criticava duramente o tratamento dado pelo governo americano em países de terceiro mundo. Ele até tentou realizar um documentário sobre isso mas cedeu às fortes pressões que sofreu até mesmo dentro da indústria cinematográfica. Durante as filmagens de "O Poderoso Chefão" ele chegou realmente a ser visitado no set por figuras importantes do submundo Um deles inclusive disse que ele não precisava mais se preocupar pois a partir daquele dia nenhum restaurante de Little Italy, em Nova Iorque, iria lhe cobrar pelas refeições. Brando agradeceu a cortesia e o convite e descobriu anos depois que realmente nunca mais teria que pagar contas nos restaurantes daquele bairro de Nova Iorque. O chefão realmente havia falado sério!

Brando recusou todos os Oscar que ganhou?
Todas as pessoas pensam equivocadamente que Brando recusou todos os prêmios de melhor ator que recebeu. Isso é fácil de explicar pois sua recusa pelo Oscar de "O Poderoso Chefão" em protesto ao modo como o cinema americano retratava os nativos daquele país até hoje ficou marcada no inconsciente coletivo. O fato porém é que nos anos 50 ele foi premiado por "Sindicato de Ladrões" e compareceu na cerimônia em traje de gala, tirou fotos entre os premiados, se portando de maneira polida, um exemplo de boa etiqueta. Fez até um agradecimento convencional, tudo bem de acordo com o protocolo da festa. Anos depois afirmou que não sabia onde foi parar a estatueta. Ele apenas se recordava que deu a um amigo mas não sabia direito aonde o Oscar foi parar exatamente. Anos depois o Oscar finalmente ressurgiu numa casa de leilões onde finalmente foi vendido por um preço excelente.

Quem foi o maior amigo de sua vida em sua própria opinião?

Segundo o próprio ator seu melhor amigo foi Wally Cox. Wally era um velho conhecido de Brando desde a sua juventude. Por um desses acasos do destino voltou a se encontrar com ele assim que Marlon foi morar em Nova Iorque. Ambos eram aspirantes a uma carreira no teatro mas exerciam outras profissões para sobreviver. Wally fazia pequenas bijuterias enquanto não encontrava uma chance melhor de atuar. Ele tinha ambições de se tornar um ator cômico. Anos depois quando Brando se tornou um astro de primeira grandeza ele ajudou o velho amigo, inclusive lhe arranjando trabalho em filmes que atuou. Infelizmente mesmo com esse esforço Cox nunca conseguiu despontar para o sucesso. Infeliz pela carreira mal sucedida acabou sucumbindo ao álcool e às drogas, falecendo muito jovem. No livro Brando afirma que sentia bastante a falta do amigo e que nunca o perdoara pela forma como morreu.

Qual foi a causa da morte de Marlon Brando?
Brando há muitos anos sofria de várias doenças. Sua obesidade fora de controle apenas piorou seu quadro. Além de sofrer problemas de pressão arterial o ator também foi diagnosticado com úlcera e diabetes. Em seus últimos anos não saia mais de sua cama. Para sobreviver um verdadeiro sistema de UTI foi colocado em seu quarto na sua mansão em Los Angeles. Depois de várias crises ele finalmente foi levado a um hospital onde veio finalmente a falecer de insuficiência pulmonar aguda. Brando não quis um enterro tradicional e deixou um pedido expresso para que fosse cremado em uma sessão privada em Los Angeles. Alguns jornais divulgaram que o ator também teria pedido que suas cinzas fossem jogadas em Tetiaroa mas isso nunca foi confirmado oficialmente pelo espólio do ator.

Marlon Brando estava falido no final de sua vida?
No meio dos vários boatos após sua morte surgiu a história de que o ator estava falido e morando em um pequeno apartamento de aluguel na cidade de Los Angeles. Depois que seu testamento veio à público todo esse sensacionalismo foi desmentido. Brando deixou cerca de 21 milhões de dólares a seus herdeiros, além de uma mansão localizada em Mulholland Drive avaliada em 10 milhões de dólares. Outro factoide inventado pela imprensa era de que o ator teria vendido seu arquipélago Tetiaroa para pagar advogados para seu filho Christian. O testamento provou que Brando ainda era seu dono tanto que as ilhas entraram na herança deixada pelo ator.

Quantos filhos foram reconhecidos pelo ator?
Em seu testamento Brando reconheceu oficialmente 11 filhos, sendo dois deles ainda crianças que teriam sido frutos do caso amoroso que o ator teve com sua empregada doméstica nos anos finais de sua vida. Mas nem todos tiveram direito à herança deixada pelo ator. Ele desertou pelo menos três deles, por motivos de brigas e desavenças. Além disso deixou de fora o seu neto, filho de Cheyenne, que havia se suicidado após seu irmão Christian ter matado seu marido. Brando reconheceu em seu testamento os seguintes filhos: Christian, filho de Anna Kashfi que também não viveria muito morrendo de pneumonia após cumprir pena por homicidio, Miko Brando e Rebecca (filhos de Castenada), os filhos de Teripaiia, Teihotu e Cheyenne Brando, assim como Nina, Myles e Timothy Brando (filhos de Maria Ruiz). Também mencionou duas outras filhas de nomes Maimiti Brando e Raiatua, sendo que essas quase ninguém conhecia.

Marlon Brando estuprou a atriz Maria Schneider no filme "O Último Tango em Paris"?
Essa revelação chocou o mundo em 2016. Segundo o diretor Bernardo Bertolucci a cena foi feita sem o consentimento da atriz, o que supostamente configuraria o crime de estupro. Nas palavras do diretor: "Queria sua reação como menina, não como atriz. Não queria que Maria interpretasse sua humilhação e sua raiva, queria que sentisse. Os gritos de Não, não, foram reais! Queria que reagisse humilhada. Acredito que odiou Marlon e a mim porque não contamos a ela! Para conseguir algo é preciso ser completamente livre!" - Concluiu.

Pablo Aluísio.