terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Em Cartaz: O Ano do Dragão

Em Cartaz: O Ano do Dragão
O filme O Ano do Dragão estreou nos cinemas em agosto de 1985, dirigido por Michael Cimino e estrelado por Mickey Rourke no papel do policial Stanley White. Ambientado no submundo da Chinatown de Nova York, o longa acompanha o conflito brutal entre a polícia e as tríades chinesas, adotando um tom violento, pessimista e provocador. O lançamento ocorreu em meio a grande expectativa, já que Cimino ainda carregava o prestígio (e a controvérsia) de seus trabalhos anteriores, especialmente O Franco-Atirador.

Em termos de bilheteria, O Ano do Dragão teve um desempenho modesto. Com um orçamento estimado em cerca de US$ 24 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 18 milhões nos Estados Unidos, resultado considerado abaixo do esperado para uma produção de grande estúdio. Apesar disso, o longa encontrou parte de seu público ao longo do tempo, especialmente em exibições televisivas e no mercado doméstico, onde ganhou status de obra cult.

A reação da crítica em 1985 foi profundamente dividida. O The New York Times descreveu o filme como “violento, explosivo e moralmente desconfortável”, elogiando sua força visual, mas questionando o retrato agressivo de seus personagens. A revista Time afirmou que se tratava de “um filme intenso e tecnicamente impressionante, embora tomado por uma raiva quase ininterrupta”, apontando o tom excessivamente sombrio como um dos aspectos mais controversos da obra.

Grande parte das críticas negativas concentrou-se nas acusações de estereotipação racial, que geraram debates ainda durante o lançamento. Algumas associações da comunidade asiático-americana protestaram contra o filme, e críticos ecoaram essa preocupação. O Los Angeles Times escreveu que O Ano do Dragão era “um thriller estilisticamente poderoso, mas politicamente problemático”, enquanto outros comentaristas reconheceram que a violência extrema e o personagem de Mickey Rourke eram deliberadamente concebidos como desconfortáveis e provocadores.

Com o passar dos anos, O Ano do Dragão passou por uma reavaliação crítica, sendo hoje visto por muitos como um dos thrillers policiais mais intensos da década de 1980. As críticas publicadas em 1985 já indicavam que o filme não buscava consenso, mas confronto — tanto estético quanto moral. Atualmente, a obra é lembrada pela atuação feroz de Mickey Rourke, pela atmosfera urbana sufocante e pela direção estilizada de Cimino, permanecendo como um exemplo marcante de cinema adulto, controverso e sem concessões.

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