Depois do impacto da cena que encerra a primeira parte do filme os soldados são finalmente enviados para o Vietnã. E aí o filme ganha uma surpreendente carga emocional e psicológica, se tornando mais cadenciado, mais sensorial. E o momento final acontece quando os americanos enfrentam uma atiradora de elite escondida nos escombros da guerra. Enfim, um grande filme de guerra, o que não quer dizer que seja para todos os tipos de públicos. Tão visceral é que se torna um filme realmente para poucos. Em minha opinião foi mais uma prova da genialidade de Stanley Kubrick e os gênios, como bem sabemos, nem sempre são bem compreendidos.
Nascido Para Matar (Full Metal Jacket, Estados Unidos, 1987) Direção: Stanley Kubrick / Roteiro: Stanley Kubrick, Michael Herr, Gustav Hasford / Elenco: Matthew Modine, R. Lee Ermey, Vincent D'Onofrio / Sinopse: A loucura e a insanidade da guerra do Vietnã impactando a vida de jovens americanos enviados para o campo de batalha. Filme indicado ao Oscar na categoria de melhor roteiro adaptado.
Pablo Aluísio.
sábado, 3 de janeiro de 2026
Nascido Para Matar
Nascido Para Matar
Não é uma unanimidade, nem entre os admiradores de Kubrick, um dos grandes mestres do cinema. Entretanto é inegável que foi um dos filmes que captaram com mais exatidão a insanidade e a loucura do militarismo. O roteiro dividiu o filme em dois grandes atos bem separados. Nem é preciso entender de cinema para compreender bem isso. No primeiro ato vemos um grupo de jovens sendo treinados. Como a guerra do Vietnã estava a todo vapor fica bem claro que eles serão levados para o front no sudeste asiático. Um dos recrutas logo vira alvo, saco de pancada, de seu sargento. É um sujeito mais gordinho, desajeitado. Tanto mexem com seu psicológico que ele logo surta e tudo termina em tragédia.
Em Cartaz: Nascido Para Matar
O filme Nascido para Matar estreou em junho de 1987, dirigido por Stanley Kubrick, e rapidamente se impôs como uma das obras mais discutidas sobre a Guerra do Vietnã. Dividido em partes bem distintas — o treinamento brutal de recrutas fuzileiros navais e a experiência no campo de batalha — o longa apostava em um olhar frio, distanciado e profundamente crítico sobre a desumanização provocada pela guerra. O lançamento foi cercado de expectativa, já que Kubrick não dirigia um filme desde O Iluminado (1980) e era conhecido por seu rigor formal e controle absoluto sobre suas produções.
Em termos de bilheteria, o filme obteve um resultado sólido, embora não explosivo. Produzido com um orçamento estimado em cerca de US$ 17 milhões, arrecadou aproximadamente US$ 120 milhões em todo o mundo, desempenho expressivo para um drama de guerra com abordagem dura e nada sentimental. Nos Estados Unidos, o filme atraiu grande público nas primeiras semanas, impulsionado tanto pela reputação de Kubrick quanto pelo debate gerado por seu conteúdo provocador.
A reação da crítica na época foi majoritariamente positiva, ainda que marcada por controvérsias. O jornal The New York Times escreveu que o filme era “um retrato feroz e implacável da mentalidade militar”, destacando a primeira metade como especialmente poderosa. Já a revista Time afirmou que Kubrick havia criado “um dos filmes de guerra mais perturbadores já feitos, justamente por evitar qualquer forma de heroísmo”, ressaltando o tom clínico e analítico da direção.
Alguns críticos, no entanto, mostraram reservas quanto à estrutura do filme. Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, observou que “a segunda metade não atinge a mesma intensidade devastadora da primeira”, embora tenha elogiado a ousadia do projeto como um todo. Em contraste, o Los Angeles Times afirmou que Nascido para Matar era “um filme que não oferece conforto ao espectador — apenas confrontação”, vendo essa característica como um de seus maiores méritos artísticos.
Com o passar dos anos, Nascido para Matar consolidou-se como um clássico do cinema de guerra, frequentemente citado ao lado de Platoon e Apocalypse Now. As críticas publicadas em 1987 já indicavam que o filme não buscava consenso fácil, mas sim provocar reflexão e desconforto. Hoje, ele é lembrado como uma obra essencial de Stanley Kubrick, cuja recepção inicial — marcada por elogios, debates e frases contundentes na imprensa — antecipou seu lugar duradouro na história do cinema.
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Cine Action 2
ResponderExcluirNascido Para Matar
Pablo Aluísio.
Pouco importa que Kubrick tenha "demorado demais" prá fazer esse filme e tantos outros tenham chegado antes e apresentado sua própria versão do que foi a Guerra do Vietnã. "Nascido..." continua sendo um dos filmes definitivos do gênero ,estando no mesmo nível de "Platoon" e "Apocalipse Now".
ResponderExcluirJobson, concordo plenamente com suas palavras.
ResponderExcluirPablo:
ResponderExcluirÉ aquela tal coisa: nem tanto o ufanismo cego de Os Boinas Verdes com John Wayne, nem tanto o desespero niilista desse Nascido Para Matar do Stanley Kubrick. A vida real está, mais ou menos, no meio.
Os Boinas Verdes é um tanto constrangedor...
ResponderExcluirOff topic: deixei um pitaco la no: Roma Antiga - O Surgimento da Republica.
ResponderExcluirOk! Já deixei minha resposta por lá! Obrigado pela participação.
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