sábado, 8 de abril de 2006
Cine Western - General Custer e a Sétima Cavalaria
De minha parte acredito ser uma suposição um tanto forçada. Quando soldados do exército americano avançavam nos territórios do oeste dominados por nativos e guerreiros selvagens, eles levavam o mínimo possível nessas longas jornadas. No máximo carregavam suas armas e pouco dinheiro para uso pessoal, no caso de alguma emergência. Eram longas cavalgadas oeste adentro, sem nenhum luxo para os militares.
Além disso não vamos nos esquecer que os soldados estavam indo para a guerra e não a passeio. A Sétima Cavalaria contava até com relativamente poucos homens. Estima-se que eram pouco mais de 180 militares, entre oficiais e soldados de baixa patente. Todos eles levavam uma vida dura, muitas vezes se engasgando com o pó das velhas trilhas do velho oeste. O interessante é que muitos deles eram veteranos da guerra civil, entre eles o próprio Custer. Eles não estavam carregando nenhum tesouro nessas missões, mas apenas seus rifles, espadas e ferramentas típicas do exército americano da época.
O documentário do History vai para um lado, vai para o outro, mas não traz nenhuma prova consistente sobre isso. Os índios liderados por Touro Sentado e Cavalo Louco nunca afirmaram nada sobre isso. Eles louvaram os escalpos dos invasores brancos, mas não moedas de ouro que eles por ventura estivessem transportando. Não há provas históricas sobre nada do que é dito nesse programa. Assim o que sobram são apenas palavras ao vento.
Pablo Aluísio.
Cine Western - Randolph Scott
sexta-feira, 7 de abril de 2006
Cine Western - Gene Autry
Foram três décadas de grande sucesso. Autry surgiu no final dos anos 1930 e teve seu auge nas décadas seguintes onde literalmente fez de tudo: estrelou westerns de sucesso no cinema, gravou discos country, protagonizou programas de grande audiência na TV, apresentou programas de rádio e até virou personagem de histórias em quadrinhos. Soube comercializar muito bem seu nome e se tornou um dos homens mais ricos do show business americano.
No cinema foram 93 filmes ao total. É um dos poucos artistas a fazer parte das principais galerias da fama, sendo parte do Country Music Hall of Fame e do Hollywood Walk of Fame em todas as cinco categorias (cinema, TV, música, rádio e apresentações ao vivo). Até nome de cidade virou. O estado americano de Oklahoma o homenageou dando seu nome a uma das cidades. Maior prova de seu legado certamente não há.
O Melhor de Gene Autry:
Cavaleiros do Céu
Cidade Fantasma
Alma Intrépida
O Revólver de Prata
Chamas da Vingança
A Corrida do Diabo
Robin Hood no Texas
Almas Indomáveis
Pablo Aluísio.
Cine Western - Roy Rogers e Trigger!
Roy Rogers e seu famoso cavalo Palomino Trigger no pique de sua glória. O animal seria tão querido e estimado por Rogers que esse o teria empalhado após sua morte como uma homenagem ao seu trabalho ao lado do cowboy da sétima arte em tantos e tantos faroestes que fizeram a alegria da garotada da época.
Curiosamente o império financeiro que o ator criou em torno de si mesmo não teve longa duração. Quando ele morreu uma série de disputas judiciais envolvendo sua herança e o direito de licenciamento de produtos acabou nublando a marca Roy Rogers. Sem os filmes, que eram a maior locomotiva de publicidade de seus produtos, os brinquedos, quadrinhos e tudo mais envolvendo seu nome foram desaparecendo das lojas até que sumiram definitivamente após alguns anos.
A única coisa que pareceu ter sobrevivido aos anos foi o cavalo de Roy Rogers que foi empalhado. Por longos anos Trigger foi exposto em vários museus e feiras por todos os Estados Unidos. Depois ficou em exposição por longos anos no Roy Rogers and Dale Evans Museum em Branson, Missouri, até esse ser fechado em 2009. Em 2010 o animal empalhado foi colocado à venda pela prestigiada Christie’s, sendo vendido em leilão a um colecionador particular por U$385,000. Uma relíquia dos anos mais românticos do western americano. Hoje em dia a peça pertence a um colecionador particular
Pablo Aluísio.
quinta-feira, 6 de abril de 2006
Cine Western - Os Comanches
Além de guerreiros por natureza os Comanches desde muito cedo dominaram a arte da cavalaria. Para um jovem Comanche o cavalo nada mais era do que uma extensão de seu próprio corpo. Formando grandes grupos de cavaleiros os Comanches logo dominaram vastas paisagens do interior americano, subjugando nesse processo vários outros povos nativos.
Envolvidos em vários conflitos nas chamadas grandes planícies, os Comanches acabaram sofrendo bastante em razão do grande número de mortos nesses conflitos. Quando o homem branco chegou na nova terra a situação se agravou pois logo surgiram os primeiros focos de conflito com o novo conquistador. As tropas da cavalaria do exército norte-americano logo provocoram grandes baixas no número de Comanches, uma situação que se refletiu no futuro pois atualmente existem pouco mais de 14 mil Comanches vivendo em reservas do governo.
Além das guerras outro fator contribuiu para o declínio da nação Comanche. Sua estrutura de poder era totalmente descentralizada onde um cacique geralmente tinha o pleno domínio de apenas alguns indivíduos. Em pouco tempo esse sistema acabou criando centenas de grupos independentes um dos outros, gerando inclusive conflitos entre eles mesmos. Dispersos, muitos se dedicaram então ao roubo de cavalos dos pioneiros que reunidos em bandos os caçavam como simples criminosos. Ao longo dos anos as guerras, os conflitos e a descentralização de poder entre eles os relegou a pequenos grupos dispersos. Esse realmente foi um povo que pagou um alto preço por sua bravura, independência e espírito guerreiro.
Pablo Aluísio.
Cine Western - Randolph Scott
quarta-feira, 5 de abril de 2006
Cine Western - James Stewart - Terra Bruta
Algumas curiosidades sobre o filme:
a) Este foi um dos últimos filmes em que James Stewart usou seu velho chapéu de cowboy. Até este ponto, ele o tinha usado em todos os seus westerns desde "Winchester '73" (1950), com exceção de "Flechas de Fogo" (1950). Este foi o primeiro filme de Stewart com John Ford e o diretor considerava aquele "o pior chapéu de cowboy que já tinha visto na vida!" Stewart porém adorava aquele velho chapéu surrado e voltou a usá-lo mais uma vez em "O Homem Que Matou o Facínora" (1962).
b) Richard Widmark ficou relutante em fazer o filme, já que ele sentiu que tinha quinze anos a mais do que o personagem do jovem tenente do roteiro original.
c) Este filme marcou a última participação do ator cômico Edward Brophy no cinema. Ele morreria em 27 de maio de 1960, pouco tempo depois do final das filmagens.
d) James Stewart admitiu mais tarde que estava desapontado porque o lado escuro de seu personagem não foi explorado adequadamente no filme.
e) John Ford admitiu mais tarde que ele só tinha feito o filme por dinheiro, e sentiu que estava ficando "uma porcaria". Sua opinião não mudou mesmo depois que ele trouxe seu roteirista favorito, Frank Nugent, para reescrever todo o texto.
f) Fracasso comercial e de crítica, o resultado ruim do filme foi em grande parte atribuído à idade mais avançada dos atores, uma vez que James Stewart, aos 52 anos, e Richard Widmark, aos 45 anos, estavam ambos muito mais velhos do que seus personagens.
g) Filmado em 1960, não foi lançado até 1961.
h) O filme foi amplamente considerado como uma variação pouco inspirada do anterior de John Ford, "Rastros de Ódio" (1956).
i) Richard Widmark e James Stewart ambos usaram perucas, e ambos tinham problemas de audição . Em um ponto durante as filmagens John Ford gritou: "Ótimo, então é isso a que minha carreira chegou - dirigir dois apliques surdos!" .
j) De acordo com Peter Bogdanovich em "Pieces of Time" Widmark afirmou que ele tinha se divertido mais neste filme do que em qualquer outro de sua carreira. O ator contou uma piada sobre as filmagens: "Eu sou um pouco surdo desse ouvido... e Ford era um pouco surdo no outro! Já Jimmy tinha dificuldade de audição em ambos! ... Então, tudo se resumia a três caras nas filmagens falando uns para os outros: "O quê? O quê? O quê?"
Pablo Aluísio.
Cine Western - Enterrem Meu Coração na Curva do Rio
Esse clássico da literatura do Estados Unidos, escrito por Dee Brown, conta a verdadeira história da conquista do velho oeste. É a verdadeira face da chegada do homem branco em terras que pertenciam a nações de nativos, índios que viviam naquelas planícies há séculos. E essa não foi uma história de heroísmo como se vê em tantos filmes antigos de western. Na realidade o que se passou foi uma história de conquista violenta, sangue e muitas vezes desonra.
O livro narra uma série quase interminável de tratados que os homens brancos firmaram com os índios e a sistemática quebra desses mesmos tratados. É fato histórico que os nativos foram enganados, enganados e sempre enganados. Mal um tratado era assinado e selado uma paz, logo ele era desrespeitado pelos colonizadores brancos. Uma coisa desonrosa, uma amostra que muitos pioneiros que foram para o oeste não tinham honra nenhuma, não cumpriam sua palavra.
E diante dessa situação a guerra se tornou inevitável. Afinal os índios cansaram e partiram para o campo de batalha, mesmo que não tivessem nem a tecnologia e nem a quantidade de homens suficientes para isso. Inicialmente eu pensei que esse seria um livro com um certo tom poético, bem subjetivo, narrando a história de sofrimento dos índios americanos. Mas estava parcialmente equivocado. Esse livro é bem objetivo, histórico, registrando os eventos vergonhosos que os brancos protagonizaram na tomada de terras que nunca havia lhes pertencido. Como eu frisei no texto, essa é uma história da desonra dos primeiros brancos que chegaram nas terras do velho oeste dos Estados Unidos.
Pablo Aluísio.
terça-feira, 4 de abril de 2006
Cine Western - Gary Cooper
E foi em um western, numa participação não creditada de um filme estrelado por Tom Mix, que Cooper começou sua escalada ao sucesso. Como tinha jeito e postura de cowboy a Paramount assinou um contrato com ele. No começo Cooper se limitou a fazer figurações ou personagens secundários. O importante era trabalhar e ficar sempre na espera de uma grande oportunidade. E ela veio através de “Wings” (1927) o primeiro filme a ser premiado com o recém criado prêmio da Academia que ficaria conhecido anos depois como Oscar! Ele não era o principal nome do elenco mas conseguiu chamar a atenção. Em seguida veio outra boa oportunidade rumo ao estrelado, o faroeste “Nevada”, onde Gary Cooper pela primeira vez surgia como a estrela principal do filme. Sua presença nesse faroeste baseado numa novela famosa de autoria de Zane Grey abriu definitivamente as portas do primeiro time de atores de Hollywood para Cooper. No alvorecer da década de 1920 estrelou outro grande sucesso, outro western, “The Virginian” que também contava no elenco com outro ator que iria virar astro dos filmes de cowboys nos anos seguintes, o carismático Randolph Scott.
A partir desse ponto não houve mais atropelos na carreira de Gary Cooper. Ele estrelou sucessivos sucessos na década de 1930 tendo se destacado em filmes maravilhosos como “Adeus às Armas”, “Lanceiros da Índia”, “O Galante Mr Deeds” e “As Aventuras de Marco Pólo”. No final da década recusou o papel de Rhett Butler em “O Vento Levou” por não acreditar no filme. Chegou ao ponto de declarar que a produção provavelmente seria um fiasco e que não estava disposto a arriscar sua carreira naquele papel. Foi um erro que se arrependeria muito depois. Três anos após cometer essa bobagem ele se redimiria em parte ao estrelar o enorme sucesso “Sargento York”, um grande recordista de bilheteria que pretendia repetir o êxito de “E o Vento Levou”. Depois conseguiu outro enorme sucesso de público e crítica em “Por Quem os Sinos Dobram”, filme baseado no romance do grande autor Ernest Hemingway. Por essa época Gary Cooper ultrapassou seu rival Clark Gable na pesquisa anual de popularidade feita por donos de cinema ao redor dos EUA. O prêmio o colocava como o ator número 1 da América e comercialmente o reconhecimento valia mais do que o próprio Oscar. A fase maravilhosa foi coroada no western psicológico “Matar ou Morrer” que lhe valeu a estatueta da Academia. Aqui Gary Cooper interpretava um xerife que enfrentava sozinho um grupo de bandidos. A cidade, em um ato de hipocrisia simplesmente o deixava abandonado à própria sorte. Ao lado de Grace Kelly ele brilhou no papel naquele filme que é considerado a maior obra prima de toda a sua filmografia.
Após duas décadas figurando entre os mais populares do cinema, Gary Cooper finalmente começou a sentir o peso da idade chegando. Durante as filmagens de “Sangue na Terra” sentiu-se mal pela primeira vez em um set de filmagens. As locações no México eram complicadas e o clima hostil. Cooper conseguiu terminar o western à duras penas, retornando aos EUA exausto e doente. Apesar da saúde delicada não procurou ajuda médica. Seguiu em frente pois não parava de trabalhar. O ator que realizou 115 filmes ao longo da carreira não admitia ficar na ociosidade. Quando não havia nada de muito interessante no horizonte ele assinava contrato com a Warner para rodar algum western de orçamento modesto simplesmente para não ficar parado. Era um workaholic assumido. “Vera Cruz” seguiu esse caminho. Era um western sem um grande roteiro, bem violento e centrado em muita ação. Cooper aceitou a proposta de realizar o filme, mesmo em locações distantes (novamente no México). Para sua surpresa o filme caiu no gosto popular e se tornou um de seus maiores sucessos de bilheteria. O profissional estava em uma outra boa fase de sua vida, já o homem começava a fraquejar. Gary Cooper só teria mais alguns anos de vida depois desse filme.
Em seus últimos anos o ator se envolveu em filmes menores mas que não deixavam de ser interessantes. Dessa fase final se destacam “A Árvore dos Enforcados”, um excelente faroeste, e “O Navio Condenado” onde atuou ao lado do colega e amigo Charlton Heston. Seu último filme foi “A Tortura da Suspeita”, uma produção menor, sem muita repercussão. Sempre trabalhando, viajando de um lugar ao outro do país, Gary Cooper negligenciou sua saúde. Quando foi diagnosticado com câncer de próstata já era tarde demais. Católico, sabia que sua hora estava chegando. Ainda recebeu uma última homenagem da Academia mas não havia como comparecer à cerimônia, pois estava muito abatido e doente. Ele morreu em 13 de maio de 1961, poucos dias depois de completar 60 anos de idade. Seu legado para a história do cinema foi maravilhoso. Em 1966, cinco anos após sua morte, o ator entrou para Hall da fama do Western Performers, um prêmio especial dado pelo National Cowboy & Western Heritage Museum de Oklahoma City, Oklahoma. Um reconhecimento mais do que merecido. Gary Cooper é até hoje considerado um dos grandes mitos da sétima arte em todos os tempos.
Pablo Aluísio.
Cine Western - Randolph Scott: A Film Biography
O texto vai direto no ponto, mas apresenta detalhes técnicos de praticamente todos os filmes do ator. Intercalando tudo temos, como já dito, excelente registro fotográfico de Randolph Scott, quase sempre em atuação, em cena, nos seus memoráveis filmes de western. Assim se torna muito prazeroso a leitura da obra. O livro é bem em conta, nada caro, e pode ser encontrado à venda em sites da internet. São mais de 300 páginas para deleite dos fãs de Scott.
E aqui vão alguns números sobre a carreira do ator. Ele atuou em 109 filmes. O primeiro filme de sua carreira foi "Rumo ao Amor" de 1928. O último foi "Pistoleiro do Entardecer" de 1962. Ele também foi produtor de seus filmes, o que lhe rendeu milhões de dólares em lucros. No final de sua vida ele curtiu uma aposentadoria tranquila. Comprou e abriu campos de golfe (sua paixão nos esportes) e ficou ainda mais rico com esse investimento no mundo dos esportes. Sua companhia cinematográfica atuou até praticamente a década de 1980. Seu filho assumiu o comando dos negócios. O ator morreu em 2 de março de 1987, aos 89 anos de idade.
Infelizmente como quase sempre acontece nesse tipo de material, não existe ainda uma edição nacional, com texto em português. É lamentável, mas os editores brasileiros ainda não se deram conta da importância desse tipo de livro na coleção de nossos cinéfilos. De uma forma ou outra, fica a dica para você que é fã de western e admirador desse ator símbolo do gênero.
Randolph Scott: A Film Biography / Autor: Jefferson Brim Crow / Editora: Empire Pub / Data da primeira edição: 1994
Pablo Aluísio.










