quarta-feira, 4 de abril de 2001

Mickey Rourke - Prece para um Condenado


Mickey Rourke - Prece para um Condenado
Nesse filme o ator Mickey Rourke interpretava um assassino do IRA que procurava por algum tipo de redenção em sua vida. A Revista Set em sua edição número 1 trazia uma entrevista de Rourke sobre esse filme e "Coração Satânico". Ele reclamava do produtor que tentou transformar esse drama em um filme de ação, ao estilo Chuck Norris! Eram reclamações válidas de Rourke, mas falando sinceramente eu gostei muito do filme na época (assisti em VHS) e o coloco tranquilamente na lista dos melhores filmes dele em sua era de ouro na carreira no cinema. 

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 3 de abril de 2001

Mickey Rourke - Coração Satânico


Mickey Rourke - Coração Satânico (1987)
Eu sempre terei um lugar especial no meu coração de cinéfilo para esse filme inesquecível de Alan Parker. Eu era um jovem quando o assisti no cinema (o velho e bom Cine Municipal) pela primeira vez. A partir desse filme eu deixei de ser uma pessoa que simplesmente adorava cinema para ser um cinéfilo de verdade! Sempre vou adorar assistir o grande Mickey Rourke contracenando com o Robert De Niro em busca do misterioso Johnny Favorite. Um dos filmes da minha vida, sem dúvida. Grandes lembranças de uma juventude muito rica em cultura! 

Pablo Aluísio. 

Mickey Rourke - Nove Semanas e Meia de Amor


Mickey Rourke - Nove Semanas e Meia de Amor
Provavelmente o filme mais popular de Mickey Rourke no Brasil. Ficou anos em cartez - sem exagero algum nessa informação. O diretor Adrian Lyne no fundo fez um grande videoclip, embalado por um romance meio superficial e muitas cenas sensuais. Não é dos meus filmes preferidos do Rourke, mas certamente muita gente o conheceu justamente por causa dessa fita de grande sucesso na época de seu lançamento original. Marcou muitos cinéfilos, pode ter certeza! 

Pablo Aluísio. 

segunda-feira, 2 de abril de 2001

Mickey Rourke - O Ano do Dragão


Mickey Rourke - O Ano do Dragão
Outro filme que também marcou a filmografia de Mickey Rourke nos anos 80 (o auge de sua carreira como ator em Hollywood). O filme é um bom policial, com trama passada em Chinatown. Rourke é o tira que usa de métodos pouco convencionais para colocar criminosos chineses atrás das grades. Dirigido por Michael Cimino, também não é um dos meus favotiros, mas confesso que ver Rourke, entre névoas, perseguindo patifes dentro da comunidade chinesa de Nova Iorque, não deixava de ser também muito legal nos anos 80. 

Pablo Aluísio. 

Mickey Rourke - Nos Calcanhares da Máfia


Mickey Rourke - Nos Calcanhares da Máfia (1984)
Foto tirada no set de filmagens desse filme que trazia um jovem Mickey Rourke, já causando sensação em sua época. Não era para menos. Ele chegou a ser comparado, em seu auge, com Marlon Brando. Na década de 80 ele realmente alcançou um status invejável para qualquer ator de prestígio em Hollywood. 

Pablo Aluísio. 

domingo, 1 de abril de 2001

Mickey Rourke - O Selvagem da Motocicleta


Mickey Rourke - O Selvagem da Motocicleta (1983)
Para celebrar sua comparação com Brando, nada melhor que esse cult movie à prova do tempo. Aliás aqui vai minha opinião. Considero "O Selvagem da Motocicleta" bem melhor que "O Selvagem" que Brando fez nos anos 50. Esse filme de Coppola, com o Rourke, tinha uma grande carga emocional, além de um subtexto interior muito superior. Um filmaço!

Pablo Aluísio. 

Mickey Rourke - Quando os Jovens se Tornam Adultos

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Mickey Rourke - Quando os Jovens se Tornam Adultos
Eu sempre fui grande fã do Mickey Rourke e tive privilégio de acompanhar sua carreira desde os anos 80. Aqui está ele no filme "Diner", um clássico cult dos anos 80. Tive a oportunidade de rever o filme recentemente e adorei cada minuto. Rourke era um ator excepcional mesmo!

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 6 de março de 2001

Montgomery Clift

Montgomery Clift foi um dos atores mais sensíveis e revolucionários do cinema norte-americano, sendo amplamente reconhecido como um dos pioneiros da atuação moderna em Hollywood. Nascido em 17 de outubro de 1920, em Omaha, Nebraska, Clift destacou-se por trazer para a tela uma intensidade emocional rara para sua época, rompendo com o estilo mais rígido e teatral que dominava o cinema clássico. Sua presença delicada, introspectiva e vulnerável redefiniu o conceito de masculinidade no cinema dos anos 1940 e 1950.

Antes de alcançar o estrelato em Hollywood, Montgomery Clift construiu uma sólida carreira no teatro da Broadway ainda muito jovem. Sua formação teatral foi fundamental para o refinamento de sua técnica, baseada na observação psicológica e na verdade emocional dos personagens. Diferente de muitos astros de sua geração, Clift não buscava a imagem do galã tradicional, preferindo papéis que explorassem conflitos internos, fragilidades e dilemas morais profundos.

A estreia cinematográfica de Clift ocorreu de forma marcante em Rio Vermelho (1948), dirigido por Howard Hawks, ao lado de John Wayne. Sua atuação como um jovem sensível em contraste com a figura autoritária de Wayne chamou imediatamente a atenção da crítica. Naquele momento, ficava claro que surgia um novo tipo de ator em Hollywood, mais introspectivo e próximo do realismo psicológico que viria a se consolidar nos anos seguintes.

Ao longo do final da década de 1940 e início dos anos 1950, Montgomery Clift acumulou performances memoráveis em filmes como Tarde Demais (1948), Um Lugar ao Sol (1951) e A Um Passo da Eternidade (1953). Nessas obras, interpretou personagens dilacerados por paixões impossíveis, culpa e repressão emocional. Sua capacidade de expressar sofrimento interno com gestos mínimos e olhares silenciosos tornou-se uma de suas marcas registradas.

Clift foi frequentemente associado ao chamado “método” de interpretação, embora nunca tenha sido aluno formal do Actors Studio como Marlon Brando. Ainda assim, compartilhava com Brando e James Dean a busca por autenticidade emocional e a rejeição de atuações artificiais. Sua influência sobre gerações posteriores de atores é amplamente reconhecida, sendo considerado um elo fundamental entre o cinema clássico e o cinema moderno.

Em 1956, sua vida e carreira sofreram uma mudança drástica após um grave acidente de automóvel, que lhe causou sérias lesões físicas e emocionais. O episódio afetou profundamente sua aparência e sua saúde, além de agravar problemas pessoais. Muitos críticos apontam esse momento como um divisor de águas em sua trajetória, marcando o início de um período mais sombrio e instável em sua vida profissional.

Apesar das dificuldades, Montgomery Clift continuou a oferecer atuações de grande impacto nos anos seguintes. Filmes como De Repente, no Último Verão (1959) e Os Desajustados (1961) revelam um ator ainda poderoso, embora visivelmente fragilizado. Nesses trabalhos, sua vulnerabilidade real parecia fundir-se com a dos personagens, conferindo uma força trágica singular às suas interpretações.

A vida pessoal de Clift foi marcada por conflitos internos, isolamento e uma luta constante para se encaixar em uma indústria que valorizava imagens públicas cuidadosamente construídas. Reservado e introspectivo, ele evitava os holofotes e tinha dificuldade em lidar com a fama. Sua sensibilidade extrema, embora essencial para sua arte, contribuiu para um estilo de vida solitário e emocionalmente desgastante.

Montgomery Clift faleceu em 23 de julho de 1966, aos 45 anos, encerrando precocemente uma carreira que, mesmo relativamente breve, deixou uma marca profunda no cinema. Sua morte foi vista por muitos como o símbolo trágico de um talento extraordinário consumido por pressões internas e externas. Ainda assim, seu legado artístico permanece intacto.

Montgomery Clift: Aspectos Relevantes de um Ator
1. Introdução: um ator fora do seu tempo
Edward Montgomery Clift nasceu em 17 de outubro de 1920, em Omaha, Nebraska, e tornou-se um dos atores mais influentes e trágicos da história do cinema norte-americano. Ao lado de Marlon Brando e James Dean, Clift é frequentemente apontado como um dos fundadores da atuação moderna em Hollywood. No entanto, diferentemente de seus contemporâneos, sua revolução não se deu pelo confronto explícito ou pela rebeldia aberta, mas pela introspecção, pela fragilidade emocional e pela verdade psicológica que trouxe a cada personagem.

Montgomery Clift não era apenas um ator: era uma ruptura. Sua presença nas telas desafiava o modelo clássico do astro viril, seguro e invulnerável. Ele introduziu um novo tipo de masculinidade, marcada por conflitos internos, sensibilidade extrema e silêncio expressivo. Em uma Hollywood ainda dominada por estúdios rígidos e arquétipos bem definidos, Clift representava a inquietação do pós-guerra e o surgimento de uma geração que já não acreditava em heróis sem falhas.

2. Infância e formação: o teatro como refúgio
Filho de uma mãe dominadora, Ethel Anderson Clift, Montgomery teve uma infância incomum. Sua mãe acreditava que os filhos estavam destinados a uma grandeza especial e os afastou do ensino formal tradicional, optando por uma educação itinerante pela Europa e pelos Estados Unidos. Essa criação contribuiu para o isolamento emocional do ator, mas também lhe proporcionou contato precoce com arte, música e literatura.

Aos 13 anos, Clift já atuava profissionalmente no teatro da Broadway. Diferente de muitos atores que viam o palco como um trampolim para o cinema, ele considerava o teatro sua verdadeira casa. Foi ali que desenvolveu uma disciplina rigorosa e uma abordagem profundamente psicológica da interpretação, muito antes de o chamado “Método” se tornar popular em Hollywood.

Durante os anos 1930 e início dos anos 1940, Montgomery Clift construiu uma sólida carreira teatral, atuando em peças de Shakespeare, dramas contemporâneos e produções experimentais. Seu talento chamou a atenção de diretores e críticos, mas ele resistiu durante anos às propostas de Hollywood, temendo perder o controle artístico de seu trabalho.

3. A estreia no cinema e a recusa ao sistema de estúdios
Montgomery Clift fez sua estreia no cinema relativamente tarde, aos 28 anos, em “Rio Vermelho” (Red River, 1948), dirigido por Howard Hawks e estrelado por John Wayne. Desde sua primeira aparição, ficou claro que algo havia mudado. Enquanto Wayne representava o velho Oeste mítico, Clift surgia como um jovem contido, emocionalmente complexo e moralmente dividido.

O contraste entre os dois atores simbolizou uma transição histórica no cinema americano: o embate entre o heroísmo clássico e a dúvida moderna. Clift não precisava levantar a voz ou impor sua presença; seu poder estava no olhar, na pausa, na tensão interna.

Diferentemente da maioria dos atores da época, Clift recusou contratos de longo prazo com estúdios. Essa decisão lhe deu liberdade artística, mas também instabilidade financeira e conflitos frequentes com produtores. Ele escolhia seus papéis com extremo cuidado, rejeitando projetos que não considerava artisticamente honestos.

4. A consagração crítica: sensibilidade e tragédia
Nos anos seguintes, Montgomery Clift entregou uma sequência de atuações memoráveis. Em “Tarde Demais” (The Heiress, 1949), interpretou um sedutor ambíguo, distante do galã romântico tradicional. Em “Um Lugar ao Sol” (A Place in the Sun, 1951), sua atuação como George Eastman tornou-se um marco definitivo do cinema.

Nesse filme, Clift encarnou o conflito entre ambição social, desejo e culpa moral. Sua performance, marcada por silêncio e tensão contida, redefiniu o melodrama hollywoodiano. Ele não interpretava emoções: ele as vivia diante da câmera.

O sucesso continuou com “A Um Passo da Eternidade” (From Here to Eternity, 1953), no qual viveu o soldado Prewitt, um homem íntegro esmagado pela brutalidade institucional do exército. A recusa do personagem em se submeter à violência gratuita refletia muito da própria ética pessoal de Clift.

5. Vida pessoal, sexualidade e isolamento
Fora das telas, Montgomery Clift vivia uma batalha constante contra si mesmo. Extremamente reservado, evitava entrevistas e eventos sociais. Sua sexualidade, em uma Hollywood profundamente conservadora, era um tema proibido. Embora nunca tenha se assumido publicamente, é amplamente reconhecido por historiadores e biógrafos que Clift era bissexual ou homossexual.

Esse conflito interno contribuiu para sua solidão e para uma sensação constante de inadequação. Diferentemente de James Dean, que transformava sua angústia em rebeldia visível, Clift internalizava sua dor. O resultado era uma intensidade emocional que transbordava na tela, mas o consumia por dentro.

Ele mantinha amizades profundas com figuras como Elizabeth Taylor, que se tornaria uma das pessoas mais importantes de sua vida. Taylor descrevia Clift como alguém de extrema delicadeza emocional, mas também profundamente autodestrutivo.

6. O acidente de 1956: o ponto de ruptura
Em 1956, durante as filmagens de “A Árvore da Vida” (Raintree County), Montgomery Clift sofreu um grave acidente de carro ao deixar a casa de Elizabeth Taylor. Seu rosto ficou severamente ferido, com múltiplas fraturas. Embora tenha sobrevivido, o acidente marcou o início de um período sombrio em sua vida e carreira.

A indústria passou a se referir ao período posterior como “a longa noite de Montgomery Clift”. Além das dores físicas, o ator enfrentou dependência de analgésicos, álcool e uma crescente insegurança em relação à própria imagem. Para um artista cuja expressividade facial era essencial, as cicatrizes representaram um golpe devastador. Ainda assim, Clift recusou-se a abandonar a atuação.

7. A reinvenção artística e a maturidade
Contrariando expectativas, Montgomery Clift entregou algumas de suas atuações mais complexas após o acidente. Em “De Repente, no Último Verão” (Suddenly, Last Summer, 1959), atuou ao lado de Elizabeth Taylor e Katharine Hepburn, interpretando um médico atormentado por dilemas éticos e emocionais.

Sua performance em “Julgamento em Nuremberg” (Judgment at Nuremberg, 1961) é frequentemente considerada uma de suas maiores conquistas. Em poucos minutos de cena, Clift interpretou um homem com deficiência intelectual, vítima do regime nazista. Sua atuação é devastadora em sua simplicidade e humanidade, rendendo-lhe uma indicação ao Oscar.

Nesse período, Clift já não buscava a perfeição estética, mas a verdade emocional absoluta.

8. Relação com o Método e influência no cinema
Embora frequentemente associado ao Actor’s Studio e ao Método, Montgomery Clift nunca foi aluno formal da instituição. Ainda assim, sua abordagem intuitiva, psicológica e profundamente interna influenciou toda uma geração de atores.

Marlon Brando, Paul Newman, Al Pacino e Robert De Niro reconheceram a importância de Clift como precursor de uma atuação menos teatral e mais humana. Ele foi um dos primeiros a mostrar que o silêncio, a dúvida e a vulnerabilidade podiam ser tão poderosos quanto discursos inflamados.

9. Últimos anos e morte
Os últimos anos de Montgomery Clift foram marcados por saúde frágil, projetos irregulares e crescente isolamento. Em 23 de julho de 1966, aos 45 anos, ele morreu em Nova York, vítima de um ataque cardíaco, agravado pelo uso prolongado de medicamentos e álcool.

Sua morte não foi um escândalo, mas um silêncio — condizente com a vida que levou. Hollywood, no entanto, começava a compreender a dimensão de sua perda.

10. Legado: a beleza da imperfeição
Montgomery Clift deixou uma filmografia relativamente curta, mas de impacto duradouro. Ele redefiniu o conceito de ator dramático no cinema americano e abriu espaço para personagens complexos, ambíguos e emocionalmente feridos.

Mais do que um ícone trágico, Clift foi um artista que pagou um preço alto por sua integridade. Sua atuação permanece atual porque fala de conflitos universais: identidade, solidão, desejo e medo.

Em um mundo que ainda celebra máscaras, Montgomery Clift escolheu a verdade — mesmo quando ela doía.

segunda-feira, 5 de março de 2001

James Dean: Crônicas, Curiosidades e Informações

A seguir, segue uma série de textos, crônicas, informações e demais artigos sobre James Dean e seu tempo. O mito rebelde, como se vê, sobreviveu ao passar das décadas. 

James Dean - Hollywood Boulevard - Texto I
Depois da decepção amorosa com Pier Angeli, Dean resolveu voltar à sua velha rotina. Acabaram-se os dias de ternos engomadinhos e cabelos penteados. Ele estava de volta ao seu modo Rebelde. Para esquecer a ex-namorada resolveu cair de cabeça em coisas que gostava de fazer. Uma delas era correr. Nos anos 1950 havia uma série de corridas amadoras em pistas profissionais realizadas geralmente nos fins de semana, principalmente no circuito de Los Angeles. Dean se achou nessas competições. Ele imediatamente se inscreveu em duas corridas, comprou um carro esporte novinho e se preparou para seu primeiro grande teste.

James Dean chamou logo a atenção, mas não pelos motivos certos. Os demais corredores se assustaram com seu estilo ousado demais, quase suicida de competir. Dean se mostrou um adversário ferrenho, que não se intimidava diante de ultrapassagens perigosas e quase impossíveis. Para ele a segurança na pista vinha em segundo lugar pois o que ele almejava mesmo era vencer, acima de tudo.  Sujo de graxa, roupa suada e imunda, Dean achou o máximo o clima que rolava nesse tipo de corrida esporte. Decidiu que iria participar sempre que fosse possível e iria investir em carros melhores e mais velozes, principalmente os da sua marca preferida, a alemã Porsche.

Também resolveu que era hora de reunir sua turma. Durante seu namoro com Pier Angeli, Dean ficou meio isolado pois sua namorada não conseguiu gostar muito de seus amigos. A turminha de Jimmy Dean realmente era formada por jovens fora dos padrões. A maioria deles era de bissexuais que estavam dispostos a se envolver com homens e mulheres, de acordo com seus desejos, fugindo das amarras moralistas de sua época. Certamente não era o tipo de gente que uma católica tradicional como Angeli estava acostumada a frequentar. Nos fins de semana esse grupo de jovens atores se reunia na badalada praia de Malibu para divertidas e extravagantes festas à beira da piscina. Era um meio onde tudo parecia valer, mas Dean conseguiu ultrapassar todas as barreiras, afinal ele era competitivo e não queria ficar atrás de ninguém. Nessas festinhas ele começou a criar o hábito de práticas masoquistas. Dean, sabe-se lá o porquê, começou a associar prazer sexual com dor física. Assim pedia para que seus amantes apagassem seus cigarros em seu peito. A prática bizarra acabou dando a James Dean um apelido no mínimo curioso entre a turma: O cinzeiro humano!

Também começou a sair com outras atrizes de seu interesse. Uma delas foi a loira Ursula Andress. Nascida em Ostermundigen, Suíça, ela era mais uma atriz européia exótica que Hollywood tentava transformar em estrela. O relacionamento de James Dean com ela porém foi bem diferente do que ele teve com Pier Angeli. Com Andress, Dean conseguiu ser ele mesmo, o que não foi lá muito bom para o namoro. Ursula começou a achar que seu novo namorado era bem estranho e nada fiel. A um jornalista deixou subentendido o bissexualismo do ator ao declarar: "Dean se relaciona com tudo... com qualquer um!". Como estava sendo cotado para ser um dos futuros astros da Warner tudo foi logo abafado para esconder maiores escândalos. Aos amigos Dean confidenciou que Andress não era "uma mulher para ser levada à sério, pois não passava de uma companheira de farras". Como nenhum deles estava disposto a abaixar a cabeça para o outro, o breve romance logo chegou ao fim.

Além das corridas e festas, James Dean também criou uma outra paixão por essa época: as touradas! Tudo começou em Nova Iorque quando ele foi presenteado com uma capa de um famoso Matador mexicano, um conhecido toureiro das arenas espanholas. Dean achou o máximo aquele presente e começou a pesquisar sobre sua vida. Logo estava fascinado pelo violento esporte. Todo fim de semana Dean procurava cruzar a fronteira até o México para assistir algumas competições. Acabou inclusive encontrando outro apreciador delas dentro do mundo do cinema ao conhecer o diretor Budd Boetticher, que havia dirigido vários faroestes de sucesso com Randolph Scott. Dean e Budd tinham gostos parecidos e se envolviam em longas conversas relembrando os grandes toureiros da história. A capa, ainda com sangue do último touro trucidado na arena, era levada por Dean a todos os lugares. Ele a colocava sobre os ombros e ia com ela para onde quer que fosse, mesmo que em hotéis sofisticados de Hollywood. Era um dos privilégios de ser uma celebridade na capital mundial do cinema.

James Dean - Hollywood Boulevard - Texto II
O Amor de Pier Angeli - Infelizmente para James Dean seus primeiros dias em Hollywood foram também os últimos. Seu estrelato foi muito breve, interrompido por um acidente fatal que o vitimou com apenas 24 anos de idade. Em suas últimas semanas de vida os amigos mais próximos começaram a perceber que Dean vinha falando muito de Pier Angeli. A atriz italiana havia sido sua grande paixão. Eles tiveram um intenso caso amoroso que não terminou bem. O jeito rebelde e autêntico de Dean desagradou a mãe de Angeli, uma verdadeira mama napolitana que não gostava nada de ver sua filha andando de mãos dadas com aquele sujeito de gestos rudes, pouca preocupação em agradar e ser educado. Não tardou e a mãe de Pier conseguiu destruir o namoro. Ao invés de Dean ela jogou a filha para cima do cantor almofadinha Vic Damone, com quem ela se casaria em meados de 1954 para tristeza de James Dean. "Como ela pôde se interessar por esse cara?!" - perguntou atônito o ator. De fato, Damone era o extremo oposto de Dean. Enquanto James era rebelde, andava de moto e usava o mesmo velho e surrado casaco, o cantor era o protótipo do engomadinho sem graça, sempre com terno impecável, sorrisinho falso no rosto e uma gentileza que nunca soava como verdadeira.

Claro que Dean sentiu muito ver a mulher que amava sendo levada ao altar por outro homem, mas depois de um tempo ele foi conseguindo superar o sentimento de perda até que casualmente a reencontrou nos corredores dos estúdios da Warner. Rever Pier foi como ter uma bomba jogada em cima dele, como ele confessaria depois a um de seus amigos mais próximos. Em questão de segundos toda aquela paixão voltou de forma intensa. Colocar os olhos em Angeli novamente o fez desabar. Dean voltou a curtir uma fossa tremenda e assim que encontrou seu colega Nick Adams resolveu desabafar dizendo: "Encontrei Pier ontem... foi como se tivessem jogado uma bomba atômica na minha cabeça... ela não é desse mundo, estava linda demais... quando nossos olhares se encontraram novamente eu não consegui me controlar, fiquei nervoso e tremendo. Eu ainda a amo profundamente". Dean não conseguia se conformar porque ele tinha certeza de que ela seria sua verdadeira paixão, a mulher de seus sonhos. Ao que tudo indica Pier também o amava muito. De fato, ela nunca conseguiu superar a perda. Após a morte de Dean o seu casamento entrou em crise e ela separou de Damone pouco tempo depois. Após mais um casamento infeliz (dessa vez com Armando Trovaioli) ela resolveu se matar tomando uma dose excessiva de barbitúricos que acabou causando sua morte em questão de minutos. Um triste fim para um amor tão bonito e sincero!

Sem conseguir superar seu amor por Pier Angeli e sem ter como concretizar esse sentimento, Dean começou a procurar por alguma válvula de escape para superar sua angústia. Quem o conhecia sabia muito bem que corridas velozes era uma das formas de Dean superar seus fantasmas. Ele comprou um novo Porsche 550, prateado, ideal para competições esportivas. O carro era rebaixado e alcançava grande velocidade, quase rente ao asfalto. Dean mandou personalizar o seu novo brinquedo. Mandou colocar o número 130 nas laterais e o apelido "Little Bastard" (Pequeno bastardo) na carroceria. Embora estivesse arrasado em seu íntimo, Dean procurava ocupar sua mente para superar o trauma da perda do grande amor de sua vida. Seria justamente nesse carro que ele sofreria o acidente que o mataria. As características do rápido automóvel se mostrariam letais para Dean. Ao correr com o Porsche numa rodovia comum o carro se tornava quase invisível a longa distância. O outro motorista que vinha em uma via perpendicular simplesmente não o viu vindo em sua direção. A batida assim se tornou inevitável. O "Little Bastard" se tornaria de fato seu túmulo de quatro rodas.

Correr feito um louco pelas estradas, porém não bastava. Dean também voltou para sua velha rotina de boêmia. Quando não estava filmando, comprometido com horários rígidos, o ator habitualmente virava a noite em festas, encontros ou apenas andando pelas ruas de Nova Iorque para terminar sua madrugada no píer, vendo o sol nascer. Ele não gostava de beber, por isso passava toda a noite acendendo um cigarro atrás do outro, enquanto pedia mais uma xícara de café. O que James Dean gostava mesmo era de respirar o lado mais boêmio de sua cidade preferida, Nova Iorque. Pelos bares da cidade, durante muitas madrugadas, ele conhecia novas pessoas, novatos que tentavam um lugar ao sol no concorrido mercado de atuação e trocava figurinhas com outros atores sobre peças, oportunidades de contratos e impressões sobre diretores e produtores. Dean valorizava em especial atrizes de teatro pois tinha muito em comum com elas. Queria trocar experiências e ao contrário do que muitos diziam ele não se revelava um sujeito fechado e tímido nessas ocasiões, muito pelo contrário, conversava bastante, dava risadas e falava pelos cotovelos. Assim também acabou criando sua própria turma, formada por jovens aspirantes ao sucesso teatral como ele.

Outra coisa que chamava muito a atenção de Dean era conhecer e adentrar em outros tipos de comportamentos fora dos padrões, algo que ele jamais havia visto quando morava em uma pequenina cidadezinha de Indiana. Quando soube que haveria uma badalada festa em uma boate local apenas para lésbicas e gays, Dean logo se animou para ir até lá. Claro que James Dean havia tido várias experiências homossexuais ao longo de sua vida, mas até aquele momento nunca havia participado de uma festa apenas para gays. Naquela época isso era considerado algo clandestino, escondido, um tipo de evento que era divulgado em voz baixa. Todos tinham receios de serem presos por atos contra a moralidade pública ou algo parecido. Dean, porém, não estava muito preocupado com isso. Em pouco tempo ele estava circulando dentro da festa, trocando beijinhos e promovendo flertes com os rapazes que frequentavam o salão de dança. Foi uma das últimas festas de sua vida e a Warner teria muito trabalho em esconder sua presença nesse local após sua morte. Valia tudo para manter o mito intacto e sua imagem imaculada, longe de todas as fofocas.

James Dean - Hollywood Boulevard - Texto III
Após o fim das filmagens de "Juventude Transviada" James Dean pegou o primeiro avião para Nova Iorque. Dean queria ir embora de Los Angeles o mais rapidamente possível. Ele só tinha queixas a falar para seus amigos e colegas atores da big apple. Para Dean se fazia pouca arte em Hollywood e muito comércio. Ele odiava ter que lidar com agentes, produtores e executivos que na sua opinião "não passavam de um bando de idiotas!". Para James Dean a verdadeira realização para um grande ator viria nos palcos, no teatro, e não no cinema que ele considerava uma forma de arte menor. E nada melhor para um profissional como ele do que estar na capital mundial do teatro, que era justamente Nova Iorque. Não havia cidade no mundo que ele não amasse mais. Em New York ele tinha toda a cultura do mundo aos seus pés. Se quisesse ler livros raros bastaria dar uma passadinha na maior biblioteca dos Estados Unidos, logo ali a 20 minutos de caminhada de seu apartamento. Se desejasse assistir a uma peça bastava virar a esquina. A Broadway fervilhava de peças maravilhosas e todos os grandes atores, diretores, autores e escritores circulavam pela cidade.

Assim James Dean passava o dia passeando pela metrópole, absorvendo todo aquele clima maravilhoso de arte e cultura em cada canto da cidade. Nas tardes gostava de passar pelo Actors Studio onde reencontrava seus professores a fazia novas amizades com os alunos novos da mais conceituada escola de arte dramática dos Estados Unidos. Havia também encontros inesperados e surpresas muitas vezes constrangedoras. Enquanto almoçava em um pequeno restaurante da quinta avenida Dean esbarrou acidentalmente com Rogers Brackett, o homem com quem vivera no começa de sua carreira. Naquela época Dean não tinha onde morar e nem onde viver. Estava desempregado e sem um tostão, sem maiores alternativas resolveu ir morar no chic apartamento de Brackett. Curiosamente agora as posições sociais estavam invertidas. Enquanto Dean crescia na carreira, Brackett passava por dificuldades financeiras após ser demitido do emprego de publicitário onde havia trabalhado por anos e anos.

A conversa entre ambos foi tensa. Dean obviamente não queria que ninguém soubesse que ele havia morado com um homem em seu passado - isso certamente destruiria sua carreira em Hollywood caso a imprensa soubesse. Já Rogers não temia esse encontro, até porque seu longo relacionamento com Dean era de conhecimento notório entre seus amigos homossexuais. O bate papo começou com amenidades, com Dean afirmando que estava se "prostituindo" em Hollywood por causa dos excelentes cachês que a Warner lhe pagava. Em determinado momento Rogers abriu o jogo com Dean e lhe contou que estava com sérios problemas financeiros, correndo o risco de ser despejado de seu apartamento na cidade. Dean não se comoveu, então Rogers resolveu lhe pedir dinheiro emprestado diretamente, já que ele estava em ascensão em Hollywood e grana certamente não lhe faltava. O pedido de ajuda de seu ex-namorado surpreendeu James Dean. De forma áspera acabou respondendo que não iria lhe emprestar dinheiro, por um motivo muito simples: "As putas não devem pagar e sim os clientes!". O comentário rude por parte de Dean foi imediatamente entendido por Rogers, afinal em muitas ocasiões enquanto dividiam o mesmo teto no passado, Dean havia lhe dito que não passava de ser sua puta particular. Depois da baixaria Dean resolveu então ir embora.

Esse modo de agir não seria encarado como uma novidade entre pessoas que conviviam e eram do círculo de amigos de Dean em Nova Iorque. Ele agia muitas vezes de forma rude, sem meias palavras. Quando voltou a Nova Iorque ele prontamente foi bombardeado por telefonemas de amigos que havia feito em seus tempos de Actors Studio. Vários deles estavam desempregados, trabalhando como garçons ou mensageiros de hotel para sobreviver. Muitos procuravam por uma forcinha por parte de Dean para arranjar trabalho na costa oeste. Quem sabe ele não poderia lhes arranjar algumas pontas ou personagens em filmes da Warner Bros... O ator porém deixou bem claro que não iria arranjar papéis para ninguém e nem arranjaria pontas ou algo parecido em filmes de Hollywood. "Não vou arranjar trabalho para ninguém!" - desabafou quando encontrou Dizzy, uma de suas melhores amigas em Nova Iorque.

Dizzy era uma garota na faixa de seus 23 anos que tinha criado um vínculo muito forte com Dean. Ela tinha estudado para ser atriz, mas depois se encantou com as artes plásticas e vivia em Nova Iorque vendendo seus quadros para galerias de arte especializadas em jovens artistas. Nos fins de semana ganhava uns trocados se apresentando em companhias de dança da cidade. Para Dizzy as artes eram essenciais como a própria respiração e por isso ela procurou estudar todas elas. James Dean a adorou desde a primeira vez que conversaram. De fato foi a grande amiga de Dean em Nova Iorque até sua morte. A aproximação logo se tornou irresistível para Dizzy, mas Dean a confrontou dizendo: "Querida, eu adoro estar ao seu lado, mas isso não quer dizer que queira ser seu namorado. Espero que entenda isso. Eu iria magoar você, tenha certeza disso. Eu gosto de meninas, mas também de meninos. Não quero que você sofra por isso". Dizzy foi uma das poucas pessoas que Dean falou abertamente sobre sua bissexualidade. Ele gostava tanto dela como amiga que resolveu deixar tudo claro para evitar maiores mal-entendidos. Foram amigos até o fim da vida de Dean.

James Dean - Hollywood Boulevard - Texto IV
Uma das histórias mais curiosas da carreira do ator James Dean foi sua aproximação com Vampira (nome artístico de Maila Nurmi). Para se destacar em Hollywood na década de 1950 era necessário se criar toda uma personagem em torno de si, assim provavelmente algum produtor iria se interessar. Maila, uma atriz desempregada, assumiu o papel de Vampira por sugestão do marido. Havia uma série de filmes de terror e ficção sendo realizados por pequenos e grandes estúdios e assumir uma caracterização ao estilo de Vampira viria bem a calhar para ser escalada nesses filmes. Obviamente que era tudo um jogo de cena, um ato de marketing para angariar papéis. Maila ia caracterizada como Vampira aonde quer que fosse e foi assim que chamou a atenção do novato James Dean. O ator gostava muito de freqüentar um café que ficava na esquina da Sunset Boulevard em Hollywood. E foi lá que topou pela primeira vez com Vampira.

Dean que gostava de agir e se vestir de forma pouco convencional levou um tremendo susto ao ver aquela mulher alta, toda vestida de preto, fortemente maquiada e caracterizada. Sem pensar duas vezes foi até ela puxar assunto. Ao que tudo indica Dean não matou a charada logo de cara e ficou convencido que Maila fosse devota de alguma seita satânica ou algo do gênero. No bate papo James Dean foi logo avisando que estava “em busca de forças demoníacas”, pois queria conhecer a fundo alguma seita satânica. Vampira obviamente achou sua abordagem muito estranha pois não sabia se ele estava tirando uma onda dela ou se falava sério. Era normal para Dean agir assim, de forma esquisita e pouco comum. De uma forma ou outra o assunto fluiu muito bem e em pouco tempo ambos estavam se considerando grandes amigos. “Ele tinha as mesmas neuroses que eu” – explicou anos depois a atriz. Dean também mostrou muito interesse no universo de filmes de terror, principalmente os estrelados por Boris Karloff, ator que adorava, mas sabia que essa não era bem sua praia – “A Warner nunca me deixaria fazer um filme desses”, explicou.

Ao longo de meses a aproximação de Dean e Vampira evoluiu para um breve flerte casual. Era um caso amoroso do tipo “chove não molha”. Dean se aproximava, ficavam juntos alguns dias e depois o ator desaparecia por semanas, sem dar notícia. Vampira lembra que Dean passava por problemas emocionais na época. “Ele estava apaixonado por Píer Angeli mas a mãe da garota não gostava dele. Dean também não colaborava muito para ser aceito pois continuava o mesmo, sem se passar de bom moço”! Após várias idas e vindas finalmente Dean rompeu com Vampira pela imprensa. Foi uma completa surpresa para ela. Usando da coluna de fofocas de Hedda Hooper ele declarou que Vampira “não passava de uma farsa!”. A atriz também não deixou barato dizendo que James Dean “ficava com qualquer um” (uma óbvia referência ao seu bissexualismo). Segundo Vampira, Dean participou de uma animada festa gay em Malibu na noite anterior à sua morte em um acidente de carro. O ator também seria conhecido em certos redutos gays como “o cinzeiro humano” pois gostava que seus amantes apagassem seus cigarros em seu braço! Resta saber se esse tipo de afirmação era apenas um ato de vingança ou um fato real. Quem pode saber a verdade?! De qualquer modo uma coisa é certa: poucas vezes se viu na história de Hollywood um casal tão incomum quanto James Dean e Vampira, eles eram certamente excêntricos e bizarros e combinavam perfeitamente em sua esquisitice!

A Bissexualidade de James Dean
Quando James Dean chegou na grande cidade vindo de uma cidadezinha do interior de Indiana ele alimentava o sonho de ser um grande ator. O que Dean não sabia é que havia centenas de milhares de jovens que tinham exatamente o mesmo sonho. Nos testes para filmes e peças sempre havia uma multidão de novatos querendo um lugar ao sol. Dean não conseguia trabalho e em pouco tempo se viu em situação bem ruim do ponto de vista financeiro. O aspirante não tinha parentes importantes no meio cinematográfico e nem qualquer tipo de influência com produtores que lhe dessem uma chance. No meio dessa fase complicada Dean conheceu Rogers Brackett. Esse tinha tudo o que faltava a Dean naquele momento. Era bem relacionado, circulava na alta roda dos chefões de estúdio e poderia facilmente facilitar a vida de um jovem como James Dean.

Só havia um detalhe: Brackett era gay! Obviamente não iria ajudar qualquer um a troco de nada. Ao conhecer James Dean ele o achou muito pouco polido, com gestos rudes e sem sofisticação mas achou também o ator muito bonito e de visual atraente. Jogou a isca e Dean a agarrou. Ele certamente sabia o jogo que estava prestes a jogar. Em troca de favores sexuais ele almejava que Brackett o ajudasse de alguma forma dentro da indústria. Os resultados não tardaram a vir. Em pouco tempo James Dean foi escalado para um comercial da Pepsi Cola (Brackett era muito influente no ramo publicitário). Dean não pensou duas vezes e foi morar com Brackett. Ao seu lado passou a frequentar a alta roda, a circular entre tubarões do meio, tudo como mandava o figurino na época. Havia um jogo de sexo e poder em voga e James Dean o jogou em prol de seus interesses profissionais e pessoais.

Depois de se aproximar de Rogers e ficar conhecido as coisas começaram a acontecer para Dean. Após alguns meses ele conseguiu o contrato de sua vida com a Warner Brothers. Os personagens sem expressão ficariam para trás, agora ele teria chance de mostrar seu talento. Duas considerações porém devem ser feitas nesse momento. James Dean não se tornou o mito que foi apenas por causa dessa estória de alcova nos bastidores de sua carreira. É certo que Rogers teve enorme influência para que o ator ganhasse seus primeiros grandes papéis mas a partir daí ele só se firmou por seu talento pessoal, única e exclusivamente. Outro ponto é que Dean não parecia ser gay por opção pessoal. Ele apenas usou o sexo para subir alguns degraus em sua carreira de ator. Sua orientação sexual parecia ser mais dirigida a mulheres mesmo pois foi com elas que ele se relacionou em nível mais profundo. Seus namoros com Pier Angeli e Ursulla Andress ficaram famosos. Ele era na realidade um bissexual de conveniência e um heterossexual por convicção.

De qualquer forma assim que se sentiu firmeza em seus novos filmes Dean tratou de despachar Brackett. Não quis mais aproximação e evitou até mesmo tocar em seu nome novamente. Dean certamente não era um santo e nem cultivava essa personalidade. Depois que morreu muito jovem, aos 24 anos, seu ex-namorado, amante e confessor revelou a um jornalista que estava profundamente arrependido em ter jogado fora as cartas de amor que Dean havia escrito para ele pois certamente valeriam uma fortuna depois que ele virou esse ícone do cinema. Pois é, Dean parece ter levado a máxima "Os fins justificam os meios" até as últimas consequências em sua vida.

James Dean: Um Ator Bissexual
James Dean era bissexual, com claro tendência a ter relacionamentos gays. Há muitos relatos de pessoas próximas o colocando em diversas festas gays em Los Angeles. Em Nova Iorque, a mesma coisa. São depoimentos demais para se ignorar. Dean também havia morado alguns meses com um executivo da TV em NYC. O nome dele era Rogers Brackett. Quando Dean morreu ele declarou: "Eu me arrependo de ter jogado fora as cartas de amor que Dean escreveu para mim por todo esse tempo. Eu perdi muito dinheiro jogando aquele material fora! Em um bom leilão iria ganhar muito!".

Outros Filmes, Livros e Lembranças:

Sinfonia Prateada
A história é bem agradável. Samuel Fulton (Charles Coburn) é um dos homens mais ricos do mundo. Magnata da indústria percebe que sua vida está chegando ao fim e ele não tem a quem deixar sua fortuna milionária. Nunca se casou e nunca teve filhos, pois sua vida sempre foi focada no mundo dos negócios. Nesse momento lembra-se de uma antiga paixão, que já não vive mais. Resolve então transformar em herdeiros a filha e os netos de seu amor do passado, mas antes disso resolve ir conhecer a todos pessoalmente. Se fazendo passar por um velho artista aposentado, vivendo de empregos medíocres, chamado John Smith, ele se hospeda na casa da família para entender se eles merecem mesmo se tornarem seus herdeiros após sua morte. A experiência mudará a vida de todos, mas principalmente a do velho milionário.

"Sinfonia Prateada" é um primor. Dirigido por Douglas Sirk, o filme reúne um ótimo elenco, aliado a uma produção muito bem realizada, embalada por uma estória cativante. Sirk realizou uma fina comédia de costumes, onde mostra que dinheiro e riqueza podem apenas revelar o verdadeiro caráter das pessoas, mas nunca mudar sua verdadeira essência. O milionário que se faz passar por pobre velhinho sem ter onde cair morto é um achado. Interpretado excepcionalmente bem pelo talentoso Charles Coburn, ele é a alma da produção. Em determinado momento resolve testar a verdadeira personalidade da família que está conhecendo (e estudando) para ver como eles se comportam como novos ricos. Doa 100 mil dólares para observar como aquela família reage com um dinheiro desses. Claro que a partir desse momento tudo muda. A família que era unida e muito humana se torna vaidosa, dada a exageros, indo parar na pura cafonice. John Smith, claro, assiste tudo sem revelar sua verdadeira identidade.

 Uma das melhores coisas de "Sinfonia Prateada" é seu elenco. A começar pelos figurantes - isso mesmo! Imagine que numa ponta não creditada temos nada mais, nada menos, do que o mito James Dean em cena! Foi uma das primeiras oportunidades que teve em Hollywood. Ele interpreta o pequeno papel de um jovem desmiolado que pede um complicado sundae para John Smith, naquela altura de seu disfarce trabalhando como balconista de uma pequena mercearia. São poucos minutos em cena mas que entraram para a história do cinema. Já outro astro, Rock Hudson, faz o papel de um pobretão que quer casar com a doce Millicent Blaisdell (Piper Laurie), mas vê suas chances diminuírem consideravelmente após perceber que ela ficou rica da noite para o dia! Embora todos os jovens atores estejam marcantes de uma forma ou outra, temos que admitir que o filme pertence mesmo ao veterano Charles Coburn, que está realmente arrasador em seu personagem - que aliás é o principal de todo o enredo. Em suma, "Has Anybody Seen My Gal" é realmente uma delícia de filme. Encantador, charmoso e nostálgico, é aquele tipo de obra que nos deixam mais leves e felizes no final da exibição.

Sinfonia Prateada (Has Anybody Seen My Gal, Estados Unidos, 1952) Estúdio: Universal Pictures / Direção: Douglas Sirk / Roteiro: Joseph Hoffman, Eleanor H. Porter / Elenco: Piper Laurie, Rock Hudson, Charles Coburn, James Dean, Gigi Perreau / Sinopse: Velho milionário decide "testar" uma família de sua cidade para saber se eles seriam dignos de herdar sua grande herança.

Título no Brasil: A História de James Dean
Título Original: The James Dean Story
Ano de Produção: 1957
País: Estados Unidos
Estúdio: Warner Bros
Direção: Robert Altman, George W. George
Roteiro: Stewart Stern
Elenco: James Dean, Lew Bracker, Martin Gabel, Dennis Hopper, Arlene Martel, Lili Kardell

Sinopse:
Documentário filmado na pequena cidadezinha onde viveu James Dean no interior de Indiana. O diretor Robert Altman foi atrás de parentes, amigos e conhecidos do famoso ator, para colher depoimentos deles sobre o falecido artista. Com base nisso criou um retrato do mais famoso jovem rebelde da história de Hollywood, poucos anos depois de sua morte.

Comentários:
Eu achei realmente muito interessante esse documentário. O diretor Robert Altman teve uma ideia realmente genial. Ele pegou sua câmera, uma pequena equipe com poucas pessoas, um orçamento mínimo (o filme custou apenas 35 mil dólares) e foi para o interior de Indiana, na cidade de Fairmount. Ali ele procurou pelos parentes de James Dean para filmar seus depoimentos, preservando tudo, as memórias em seu filme. A Warner gostou tanto do resultado que resolveu comprar o documentário independente de Altman para exibir nos cinemas americanos na época. De bônus o estúdio resolveu colocar uma cena inédita do filme "Vidas Amargas". Uma raridade para os fãs. Anos depois o próprio diretor lamentou apenas o fato de que o pai de Dean não ter aceitado o convite para aparecer no filme. Ele ainda estava arrasado pela morte precoce do filho (que morreu em um acidente de carro com apenas 24 anos de idade) e por isso disse que não iria dar nenhuma entrevista para Altman. Mesmo assim, com essa lacuna, o filme é por demais interessante. Até pelo fato de ter preservado as opiniões e imagens da família de James Dean, uma vez que todos eles hoje em dia já estão mortos. Pelo resgate histórico é um filme que até hoje vale muito a pena conhecer e assistir.

James Dean - Reflexões de um Rebelde
James Dean sempre teve uma paixão em sua vida, falar ou escrever sobre reflexões de si próprio ou das pequenas nuances da sua existência. Seus rascunhos trazem uma visão bastante complexa para um jovem de apenas 24 anos. O ator em diversos momentos dos escritos fala de sua mãe Milred, dos seus amigos mais íntimos, das durezas de se tornar um ator e o caminho até chegar ao sucesso. Alguns dos pensamentos a seguir foram tirados de cartas e textos pessoais, outros de entrevistas. E aí Jimmy, o que foi que você disse mesmo?

"Talvez possa parecer loucura, egoísmo, ou algo parecido, mas acho que existe apenas uma forma de grandeza para o homem. Se um homem puder ultrapassar o abismo entre a vida e a morte, se conseguir viver depois que morreu, então, talvez tenha sido um grande homem. Quando falam sobre sucesso, falam sobre chegar ao topo. Bem, na minha opinião não há topo. É preciso continuar sempre, nunca parar em ponto nenhum. Para mim, o único sucesso, a única grandeza para o homem, é a imortalidade.”

“Ter o trabalho lembrado na história, deixar alguma coisa nesse mundo que dure séculos... Isso é grandeza! Quero crescer longe do mundo mesquinho que existimos. Quero deixar tudo para trás, todas as coisas mesquinhas sobre assuntos frívolos, coisas que estarão completamente esquecidas daqui a 100 anos, de qualquer forma.”

“Existe um nível, acima do qual tudo é sólido e importante. Tentarei chegar lá e encontrar um lugar perto da perfeição, um lugar onde todo esse mundo confuso deveria estar, e poderia estar, se tivesse tempo de aprender."

"Representar é para mim a maneira mais lógica de me livrar das minhas neuroses. Os atores representam para expressar suas fantasias e os fantasmas de que são prisioneiros"

"Minha mãe morreu deixando tudo nas minhas costas"

"Aprendi desde cedo que um dos impulsos mais profundos do ser humano é o desejo de ser apreciado, a vontade de ser amado, estimado, e ser uma pessoa procurada"

"Gosto dos animais porque me aceitam tal como sou. Ou gostam ou não gostam de nós, mas nunca nos julgam"

"Ao volante me sinto uma estrela, mas com preocupações aterradoras. Por isso devo todas as minhas vitórias à minha ansiedade"

"É próprio do homem ser prisioneiro de miragens que estão fora de seu alcance"

"Não entendo como as pessoas conseguem ficar na mesma sala que eu. Sei que eu não agüentaria a mim mesmo"

"Acho que não existe nada que não se consiga fazer quando a gente se dedica completamente. A única coisa que impede as pessoas de conseguirem o que elas querem, são elas mesmas. Elas colocam muitas barreiras no caminho. É como se tivessem medo de serem bem sucedidas. De uma certa forma, acho que sei porquê. Existe uma quantidade enorme de responsabilidades que vem com o sucesso, e quanto maior o sucesso, maior a responsabilidade. As pessoas não querem este tipo de responsabilidade”

"Existem algumas coisas na vida que simplesmente não podemos evitar, atraímos nosso próprio destino... fabricamos nossa sorte"

Filmografia - James Dean
Baionetas Caladas (1951) ★★★ 
O Marujo Foi na Onda (1952) ★★
Sinfonia Prateada (1952) ★★★ 
Vidas Amargas (1955) ★★★★ 
Juventude Transviada (1955) ★★★★ 
Assim Caminha a Humanidade (1956) ★★★★ 

Comentários:
Reza a lenda que James Dean fez apenas 3 filmes no cinema. Bem, essa informação está errada. Na realidade, ele participou de 6 filmes. Em 3 deles não teve qualquer chance de representar ou ter um papel maior. Ora surgia como figurante, ora surgia como um coadjuvante de terceiro escalão. Apenas nos 3 últimos filmes é que realmente entrou no centro do palco. São os filmes definitivos de sua carreira. Os 3 últimos filmes são clássicos imortais de Hollywood. Infelizmente, como todos sabemos, ele morreu com apenas 24 anos de idade, em um acidente na estrada de Salinas, na Califórnia. Seu legado para sempre será esses poucos clássicos do cinema. Filmes obrigatórios para qualquer cinéfilo que se preze.

Avaliação / Cotações:
★★★★ Excelente
★★★ Bom
★★ Regular
★ Ruim

James Dean - Life
Esse filme "Life" que assisti recentemente me fez pensar como o mundo da arte tangencia a imortalidade. Pense um pouco. James Dean morreu há tanto tempo que fica até mesmo complicado entender porque as pessoas ainda se lembram dele, de que algum dia ele veio a existir... A resposta para esse tipo de pergunta é muito simples: a arte imortalizou James Dean assim como imortalizou Elvis, Lennon, Marilyn e tantos outros. Só a arte tem essa capacidade de eternizar a imagem de um artista. Tudo o mais é corroído pelas areias do tempo.

E o mais interessante de tudo é que o foco do filme não se resume a explorar o James Dean das telas, mas também o ator que ficou imortalizado em uma série de fotos que foram produzidas até sem pretensão, mas que hoje em dia valem uma verdadeira fortuna (obviamente estou me referindo não apenas aos originais como também aos licenciamentos de seu uso em produtos em geral como camisas, revistas, etc). E pensar que o fotógrafo Dennis Stock só estava interessado mesmo em quem sabe a Life se interessar por seu trabalho para ganhar uns trocados. Desempregado, pai de família, a vida não andava nada fácil para ele. Hoje seus herdeiros vão muito bem, obrigado, graças às fotos que tirou de James Dean.

Nos Estados Unidos o espólio de Dean fatura cerca de 6 a 8 milhões de dólares ao ano. Claro que essa grana toda não vem da venda de seus filmes, embora pequena parte provenha realmente disso. O grosso do dinheiro vem porém principalmente do uso de sua imagem em licenciamentos. Tal como Marilyn Monroe, Dean também virou uma espécie de símbolo, de imagem máxima de um determinado comportamento - que no caso dele é a do jovem rebelde sem causa. Como morreu aos 24 ele também será eternamente jovem, pelo menos nas estampas de cadernos, camisas e peças de roupas. Por falar em roupas outro fato que contribui muito para que Dean continue sendo uma máquina de faturar milhões vem do fato dele ser sempre usado em peças publicitárias do mundo da moda, o que não deixa de ser uma ironia pois Dean sempre fora criticado em vida justamente por se vestir de forma desleixada.

Em sua rotina Dean usava um jeans surrado (a calça de todo trabalhador da América) e camisas brancas, bem básicas. Esse aliás acabou virando o uniforme de praticamente todo o rebelde dos anos 50. E havia também o topete, esse imortal. O próprio Elvis se inspirou nele para também usar um dos penteados mais duradouros do século XX. E o curioso de tudo é que Dean já demonstrava que ficaria careca com os anos já que tinham grandes entradas em seu cabelo. Claro que isso nunca aconteceu pois ele morreu jovem e para os que partem cedo sempre fica a eternidade da beleza jovial, preservada para todo o sempre.

Life
Hollywood, 1955. Dennis Stock (Robert Pattinson) é um fotógrafo freelancer que ganha a vida tirando fotos de atores e atrizes famosos. Numa festa ele acaba conhecendo casualmente James Dean (Dane DeHaan), um jovem ator de Nova Iorque, ainda desconhecido do grande público, prestes a ter seu primeiro filme de repercussão a estrear nas telas, "Vidas Amargas". Eles se tornam amigos e próximos e Stock sugere a Dean que ele participe de uma sessão de fotos casuais, de seu cotidiano, pois Stock tentará vender elas para a famosa revista Life. Assim ambos ganhariam, Stock teria uma chance de renda extra e Dean poderia colher alguns frutos com a publicidade da publicação das fotografias. Após hesitar um pouco, Dean aceita a oferta e junto a Stock parte para sua terra natal, Indiana, onde o fotógrafo pretende tirar as melhores fotografias do jovem aspirante a astro do cinema.

Pela história eu já teria todos os motivos para gostar desse filme. O tema é o encontro entre James Dean e o fotógrafo Dennis Stock, que juntos criaram algumas das fotos mais mitológicas da Hollywood clássica em sua era de ouro. Como não conhecer as fotos de Dean andando debaixo da chuva em Times Square? São fotos que ajudaram a criar o mito em torno dele. O curioso é que durante anos as fãs de Robert Pattinson o compararam a Dean, mas aqui ele resolveu interpretar não o lendário rebelde, mas sim o sujeito cheio de dívidas que resolveu tirar as famosas fotos do ator, símbolo máximo da rebeldia no cinema. O Dean que surge no enredo é apenas um jovem desconhecido, com um único filme a estrear, que tem que lidar com a fama prestes a explodir. O ator que interpreta Dean exagera um pouco na dose. O ator não é bem caracterizado porque parece estar o tempo todo afetado, cigarro na boca, cara de tédio extremo. Não existem momentos espontâneos, não parece uma pessoa real. O grande atrativo mesmo é mostrar momentos íntimos de seu namoro com Pier Angeli, o fim do romance e a fossa que Dean viveu após ela resolver se casar com o cantor Vic Damone. Ficou interessante, sem dúvida. Já Pattinson continua apático, o que sempre estraga de certa maneira os filmes de que participa. Mesmo assim, com esses pontuais problemas, é aquele tipo de filme irresistível para qualquer cinéfilo. A história contada é simplesmente cativante demais para se ignorar.

Life (EUA, Canadá, 2015) Direção: Anton Corbijn / Roteiro: Luke Davies / Elenco: Robert Pattinson, Dane DeHaan, Alessandra Mastronardi, Ben Kingsley, Peter Lucas / Sinopse: Dennis Stock (Robert Pattinson) é um fotógrafo desempregado, vivendo de bicos, que vê uma oportunidade de ganhar uma grana extra ao tirar fotos de um jovem ator desconhecido chamado James Dean (Dane DeHaan). Ele estava prestes a se tornar o maior mito rebelde da história do cinema americano de todos os tempos.

Pablo Aluísio.

domingo, 4 de março de 2001

A Morte de James Dean

A Morte de James Dean
Na noite anterior de sua morte o ator James Dean resolveu experimentar seu novo carro esporte, um Porsche 550 Spyder que ele apelidou de "Little Bastard" (O Pequeno Bastardo). Dean estava encantado pela máquina e esperava conquistar muitas vitórias nas pistas com ele. O ator era na realidade um piloto de corridas frustrado e adorava se sentir um corredor vitorioso nessas competições abertas a qualquer um que tivesse um carro esporte de alta velocidade como um Porsche, por exemplo. O veículo era especial para as pistas, mas Dean resolveu experimentar usando ele numa auto estrada pouco movimentada da Califórnia, em Salinas. Dean calculou que seria melhor levar o Spyder ao seu limite durante a madrugada para evitar as patrulhas policiais das estradas. De fato Dean poderia ter morrido nessa noite pois conforme confidenciou ao seu mecânico ele chegou aos 160Km/h em plena highway - uma temeridade sem tamanho!

Depois de correr por toda a noite, James Dean voltou para sua casa às 4h50m, quando o sol já ameaçava raiar. Sua tentativa de dormir foi em vão pois às oito da manhã o ator Richard Davalos chegou para uma visita. Como a casa de Dean estava uma bagunça (como sempre) Davalos resolveu fazer o café da manhã para o amigo. Dean logo notou sua presença e desceu as escadas, mas por ter dormido muito pouco parecia estar de péssimo humor. Nem sequer deu um mero "bom dia" para o colega. Ele simplesmente acendeu um cigarro e foi ao corredor pegar seus bongôs. Em pouco tempo  começou a tocar sem trocar uma única palavra com Davalos. Anos depois o amigo recordou: "Não me senti ofendido. Dean sempre agia assim. Ele nunca falava com ninguém quando acordava. Só começa a interagir com os outros após a primeira xícara de café". Ao lado de Davalos, James Dean deu uma rápida olhada no jornal da manhã, na parte de cultura onde havia sido publicada algumas críticas de novos filmes que estavam estreando. Entre uma rápida leitura e outra ele logo tomou alguns apressados goles de café e voltou rapidamente ao quarto, pegou seu casaco vermelho e foi em direção à porta. O dia estava apenas começando.

Seu despertar foi breve. Logo Dean estava de novo na estrada, dessa vez dirigindo sua velha caminhonete com seu Spyder a reboque. Dean levou seu carro veloz para uma última revisão na oficina perto de sua casa. Ele queria instalar novos cintos de segurança (os mesmos que ele esqueceu de usar, o que foi decisivo para que não sobrevivesse ao acidente que iria sofrer em poucas horas). Enquanto o mecânico alemão ia conferindo o carro, Dean ficava olhando tudo sobre seus ombros. O ator estava querendo pegar experiência caso houvesse algum problema em plena estrada deserta. Depois de algumas conversas triviais - Dean contou ao mecânico que a cor prateada era na verdade padrão em carros de corridas alemães - os dois perceberam que o "Little Bastard" estava finalmente pronto para arrasar.

Dean ficou tão entusiasmado que resolveu dirigir o carro até o local da corrida. Queria ir "sentindo as rodas" enquanto viajava. Foi uma péssima ideia. O plano inicial era levar o Porsche a reboque de sua camionete. Se tivesse feito isso certamente Dean não teria morrido naquele dia. Após pensar brevemente Dean então tomou a decisão. Ele iria dirigir o Porsche com seu mecânico ao lado. O problema é que o carro de Dean era muito baixo e com cor prateada praticamente desaparecia no asfalto das grandes estradas californianas. Some-se a isso a imprudência do próprio Dean - que pisou fundo a ponto de levar uma multa de um patrulheiro - e você terá então todos os ingredientes necessários para o trágico acidente que estava prestes a acontecer.

Em um dos cruzamentos da estrada, com Dean em alta velocidade, ele se deparou com um robusto Ford, um pequeno caminhão dirigido por um estudante universitário. Ele se preparava para entrar na direção do Porsche. Dean o viu, mas infelizmente o motorista do outro carro não viu Dean (o carro baixo demais, prata e bastante silencioso passou despercebido pelo jovem que não estava em sua preferencial). Segundo seu depoimento para a polícia "Tudo aconteceu em questão de segundos". O carro de Dean, rápido como uma bala, apenas tocou levemente a frente do pequeno caminhão e sendo leve demais, com pouca estabilidade, voou pela estrada, indo parar perto de uma cabine de telefone. O mecânico que estava ao lado de Dean foi então jogado para fora do Porsche (o que em última análise o salvou da morte certa), mas o ator ficou preso. O pescoço de James Dean foi quebrado quase que imediatamente e seu peito afundou devido a pressão da direção que veio ao seu encontro com a desaceleração quando o carro caiu finalmente caiu no chão após literalmente voar por causa do choque. Segundo os paramédicos que o atenderam, James Dean ainda estava vivo quando eles chegaram. Um fiapo de vida ainda deu esperanças a eles que o ator poderia quem sabe sobreviver. Tudo foi em vão. Assim que deu entrada no hospital James Dean sofreu uma parada cardíaca que causou sua morte cerebral em poucos segundos. Era o fim. Aos 24 anos de idade o maior ídolo rebelde da história do cinema estava morto.

A Morte na Estrada de Salinas
James Dean morreu tragicamente em 30 de setembro de 1955, aos 24 anos, em um acidente automobilístico que se tornaria um dos episódios mais emblemáticos da história de Hollywood. Naquele momento, o ator já era um ícone em ascensão, graças às atuações intensas em Vidas Amargas (East of Eden, 1955) e Juventude Transviada (Rebel Without a Cause, 1955), e estava em plena consolidação de sua imagem como símbolo da juventude inquieta do pós-guerra. Sua morte precoce não apenas interrompeu uma carreira promissora, como também ajudou a construir o mito duradouro que cerca seu nome até hoje.

Apaixonado por automobilismo, James Dean havia adquirido recentemente um Porsche 550 Spyder prateado, modelo leve e extremamente veloz, projetado para competições. O carro recebeu o apelido de “Little Bastard”, pintado na lataria, e Dean pretendia utilizá-lo em corridas profissionais. Apesar de conselhos para que o veículo fosse transportado de caminhão até o local das provas, o ator decidiu dirigi-lo pessoalmente até Salinas, na Califórnia, onde participaria de um evento automobilístico no fim de semana.

Na manhã do acidente, Dean partiu de Hollywood acompanhado do mecânico alemão Rolf Wütherich, que seguia no banco do passageiro para ajustar o carro durante o trajeto. Um amigo do ator, o dublê e instrutor de direção Bill Hickman, vinha logo atrás em outro veículo, levando bagagens e equipamentos. Durante a viagem, Dean foi parado pela polícia rodoviária e recebeu uma multa por excesso de velocidade, um episódio que, ironicamente, seria lembrado depois como um presságio trágico.

No fim da tarde, por volta das 17h45, ao chegar à região de Cholame, em um entroncamento entre as estradas 466 e 41, ocorreu a colisão fatal. Um Ford Tudor, dirigido por Donald Turnupseed, tentou fazer uma conversão à esquerda e cruzou a trajetória do Porsche de James Dean. O impacto foi violento e praticamente destruiu o carro do ator. A leveza do Spyder, que lhe dava vantagem nas pistas, mostrou-se fatal em uma batida frontal daquela intensidade.

James Dean sofreu ferimentos gravíssimos e morreu praticamente no local do acidente, antes mesmo de receber atendimento médico adequado. Rolf Wütherich foi arremessado para fora do veículo e sobreviveu, embora com fraturas severas e lesões internas. Donald Turnupseed teve ferimentos leves. Dean foi levado ao Hospital Memorial de Guerra de Paso Robles, onde sua morte foi oficialmente declarada pouco depois da chegada.

A notícia da morte espalhou-se rapidamente e causou enorme comoção pública. O ator havia se tornado um símbolo de rebeldia juvenil, autenticidade emocional e inconformismo, e sua morte reforçou a imagem de uma vida intensa e breve. Muitos jornais destacaram o contraste cruel entre o sucesso recente e o destino trágico, enquanto fãs se reuniam em luto, transformando James Dean em uma espécie de mártir cultural da juventude dos anos 1950.

Logo após o acidente, surgiram especulações e lendas sobre as circunstâncias da colisão. Alguns afirmaram que Dean dirigia em alta velocidade, embora investigações posteriores nunca tenham comprovado de forma conclusiva que o excesso de velocidade foi a causa direta do acidente. Outras histórias, mais fantasiosas, alimentaram o mito da “maldição” do Porsche 550 Spyder, já que peças do carro teriam se envolvido em outros acidentes anos depois, ampliando o tom quase místico em torno da tragédia.

A morte de James Dean congelou sua imagem no tempo: jovem, inquieto e intensamente vivo. Diferentemente de outros astros que envelheceram sob os holofotes, Dean permaneceu para sempre associado à promessa não cumprida e ao talento interrompido. O acidente de 1955 não foi apenas um episódio trágico de imprudência ou azar, mas um momento decisivo que ajudou a moldar um dos mitos mais duradouros da cultura cinematográfica do século XX.

James Dean está Morto!
A morte de James Dean, em 30 de setembro de 1955, provocou uma comoção imediata em Hollywood e no público em geral, atingindo de forma particularmente profunda seus colegas de profissão. O choque foi amplificado pelo fato de Dean estar no auge da ascensão artística, com dois filmes recém-lançados e um terceiro ainda inédito. Para muitos atores e diretores da época, não se tratava apenas da perda de um jovem talento, mas do desaparecimento de algo novo e raro que começava a transformar o cinema americano.

Elizabeth Taylor, amiga íntima de Dean desde os tempos de Vidas Amargas, foi uma das vozes mais emocionadas. Abalada, ela declarou à imprensa que “Jim não poderia estar morto”, acrescentando que “ele era vida demais para simplesmente acabar assim”. Taylor descreveu o ator como alguém sensível e profundamente solitário, ressaltando que sua intensidade emocional, tão visível na tela, fazia parte de sua personalidade cotidiana. Seu luto foi público e sincero, e a atriz evitou aparições por semanas após a tragédia.

Natalie Wood, que contracenou com Dean em Juventude Transviada, também comentou a perda com grande pesar. Ela afirmou que James era “diferente de todos os outros atores” e que trabalhava movido por uma verdade emocional rara. Wood destacou que Dean não atuava para agradar, mas para sentir, e que sua morte representava “o fim de uma promessa extraordinária”. Anos depois, a atriz ainda recordaria o impacto daquele momento como um divisor de águas em sua própria carreira e visão sobre a fragilidade da vida.

O diretor Elia Kazan, responsável por revelar James Dean ao grande público em Vidas Amargas, escreveu que a morte do ator foi “uma tragédia não apenas humana, mas artística”. Kazan afirmou que Dean possuía um tipo de energia que não podia ser ensinada e que poucos atores jamais tiveram. Em entrevistas posteriores, o diretor chegou a dizer que James Dean “mudou o tom da atuação no cinema americano” e que sua ausência deixou um vazio difícil de preencher.

Marlon Brando, frequentemente comparado a Dean por sua atuação naturalista e ligada ao Método, também se manifestou. Embora não fossem próximos, Brando reconheceu publicamente o talento do jovem ator, afirmando que “James Dean tinha algo que não se aprende em escola nenhuma”. Para Brando, a morte de Dean simbolizava a perda de uma geração inteira de novas possibilidades para o cinema, em um momento em que Hollywood começava a se reinventar.

Rock Hudson, colega de Dean nos estúdios da Warner Bros., comentou que o ator era incompreendido por muitos, mas admirado por quem realmente o conhecia. Hudson afirmou que Dean parecia sempre carregar uma inquietação interior, como se soubesse que tinha pouco tempo. Seu depoimento ajudou a reforçar a imagem de um jovem ator atormentado, cuja sensibilidade contrastava com o estereótipo tradicional do astro masculino da época.

Nicholas Ray, diretor de Juventude Transviada, declarou que a morte de James Dean foi “como perder o coração do filme depois que ele já estava pronto”. Ray acreditava que Dean havia dado voz a uma juventude que até então não se sentia representada no cinema. Segundo ele, a repercussão da morte entre jovens espectadores foi tão intensa porque Dean “não interpretava rebeldes — ele os compreendia”.

Esses comentários, vindos de atores e cineastas consagrados, ajudaram a moldar a percepção pública de James Dean após sua morte. Mais do que um astro promissor, ele passou a ser visto como um símbolo interrompido de mudança artística e geracional. A repercussão entre seus colegas de cinema consolidou a ideia de que Hollywood não havia perdido apenas um ator, mas uma força criativa singular, cuja ausência seria sentida por décadas.

James Dean, o Mito Rebelde
Ao morrer com apenas 24 anos numa estrada no meio do nada, James Dean se tornou um mito eterno. A juventude americana logo abraçou como nunca se viu a imagem, os maneirismos e o modo de ser de Dean. Ele virou um dos maiores ícones culturais daquele país, rivalizando com outros grandes nomes como Marilyn Monroe e Elvis Presley. Mas afinal qual foi o segredo que levou o ator de Indiana aos picos do Olimpo onde moram os Deuses imortais do cinema? A própria personalidade de James Dean ajudou muito nessa sua mistificação. Em vida ele sempre foi uma pessoa diferente. Em Hollywood onde todos os atores e atrizes procuravam se auto promover para aparecer nas colunas de fofocas ou nas revistas de cinema, Dean seguia na contramão. Odiava entrevistas, não dava bola para as colunistas sociais e nem se fazia de simpático só para agradar. Pelo contrário, era um sujeito que se comportava da mesma forma dentro e fora do set de filmagens. Não estava preocupado em concessões e nem em aparecer em frívolas reportagens de veículos de comunicação sem conteúdo. Era um outsider, um sujeito que chamava atenção pelo estilo de vida. Por essa razão logo ganhou a fama de "rebelde", de "fora dos padrões".

Apesar de jovem, James Dean costumava debater seus personagens com os diretores de igual para igual. Gostava de ser desafiado em cada novo papel e quando as coisas não iam bem no estúdio não guardava suas opiniões para si, ousando criticar monstros sagrados da direção na frente de todos. Puxou confusão até mesmo com Jack Warner, o todo poderoso executivo do estúdio Warner Bros. Ao adentrar certa vez seu escritório encontrou um retrato seu na parede ao lado dos demais astros do estúdio. Olhou aquilo, ficou fitando, acendeu um cigarro e falou para o surpreso chefão: "Tire meu retrato daqui. Não sou propriedade de ninguém!" Depois sentou na frente da escrivaninha e colocou os pés sobre a mesa, numa pose de total desrespeito para com seu próprio patrão. James Dean era assim, um cara que não procurava aparentar o que não era. Quem não gostasse de seu modo de ser, azar.

Ao lado da atuação James Dean tinha uma grande paixão por carros de corrida e velocidade. Gostava de participar de corridas  e era considerado um perigo no volante, não apenas contra ele mas contra os outros competidores na pista também. Não raro se envolver em pequenos acidentes nessas competições. Era qualificado como um verdadeiro "pé de chumbo" pelos outros corredores, ou seja, um sujeito que ia com tudo nas corridas, passando por cima de todos, sem muita noção do perigo. Para completar era míope e enxergava muito mal sem óculos. Essa sua loucura por velocidade e aventura acabaria sendo mais tarde sua ruína. Ao resolver viajar com seu Porsche novinho, chamado carinhosamente por ele de "pequeno bastardo", por uma estrada em Salinas, Dean encontrou seu destino. Durante o trajeto foi parado por um patrulheiro rodoviário por excesso de velocidade. Levou uma multa e uma advertência mas não ligou para isso. De volta à estrada novamente voltou a pisar fundo em seu carro. Ao seu lado seguia seu mecânico particular que ia discutindo com o ator pelo caminho sobre seu novo carro. James Dean queria acelerar e ir ao limite para "amaciar o motor" do pequeno bastardo pois quando chegasse na corrida o carro já estaria devidamente calibrado. Má idéia.

Esse foi seu grande erro. Numa bifurcação da estrada um carro de um fazendeiro local entrou na pista perpendicular em que Dean vinha em alta velocidade. James Dean estava na preferencial e vinha tão rápido que pensou que o outro motorista iria parar seu veículo. Até comentou com o mecânico ao lado: "Esse cara vai ter que parar!". Não parou. O choque foi certeiro. O Porsche ao tocar a parte da frente do outro carro literalmente voou como uma bala e foi se espatifar do outro lado da estrada. James Dean teve morte instantânea pois quebrou o pescoço com o violento impacto. O seu companheiro de viagem conseguiu ter mais sorte e sobreviveu ao acidente. Já o fazendeiro que estava no outro carro nada sofreu, fruto da robustez de seu veículo. O socorro chegou logo depois mas Dean já estava morto e não havia mais nada o que fazer. Embora tivesse terminado três filmes recentemente, apenas "Vidas Amargas" tinha sido lançado. Os demais estavam em fase de pós produção. Dean nunca teve a oportunidade de conferir nas telas seu trabalho em "Juventude Transviada" e "Assim Caminha a Humanidade". Morreu muito jovem, na flor da idade, e nem teve tempo suficiente de desfrutar de sua fama que estava surgindo naquele momento. Assim que a notícia se espalhou todos ficaram chocados. Sua morte teve um grande impacto nos meios de comunicação. Em pouco tempo Dean virava assunto nacional.

O carro de James Dean após o acidente
Da noite para o dia ele virou ídolo de milhões de jovens ao redor do mundo. Os destroços de seu carro foram comprados por um empresário oportunista que colocou o objeto em exposição pelo país afora. Por cinco dólares o fã de Dean até podia sentar no mesmo banco em que ele estava quando ocorreu o terrível acidente. Outro segmento que resolveu explorar a morte do ator foi o meio editorial. De repente as livrarias foram invadidas por livros de memórias de amigos, ex-namoradas, colegas de profissão e tudo mais. Muitas dessas pessoas tiveram contatos superficiais com Dean mas isso não parecia importar pois todos queriam ganhar dinheiro em cima de seu mito. Um ex-amante confidenciou depois que havia perdido milhões por ter jogado fora as cartas de amor que Dean havia lhe escrito! A Academia também não deixou passar a oportunidade e indicou o ator postumamente por seus trabalhos. Uma das poucas vozes que discordaram de todo esse clima foi Humphrey Bogart. O ator de Casablanca foi muito sincero e declarou: "Se estivesse vivo James Dean jamais conseguiria ficar à altura do mito que criaram em torno de sua imagem. Nunca vi um estúdio (a Warner) trabalhar tanto na construção de uma imagem de um ator morto como agora!". O cineasta Robert Altman aproveitou o clima e se mandou para Indiana para entrevistar parentes, amigos da juventude e quem mais encontrasse pela frente. Assim foi realizado o documentário "The James Dean Story" que conseguiu preservar para a história depoimentos de pessoas realmente importantes na vida de Dean, como seus tios que o criaram após a morte precoce de sua mãe.

Conforme os anos vão se passando os artistas mortos geralmente vão sendo esquecidos mas alguns conseguem romper essa barreira do tempo e da mortalidade. Assim como aconteceu com Marilyn Monroe e Elvis Presley, a lenda de James Dean se recusa a morrer e cair no esquecimento. Todos os anos a revista Forbes publica a lista dos artistas mortos que mais faturam todos os anos e James Dean segue firme e forte na lista. Por trás da adoração em torno de seu nome há um aspecto curioso. James Dean virou símbolo não apenas de rebeldia mas de juventude também. Para sempre será jovem e bonito, na flor de seus 24 anos. Nunca envelhecerá, nunca se tornará decadente. Aliando seu nome à eterna juventude James Dean provavelmente jamais será esquecido pois isso é algo que jamais deixará de ser perseguido pela humanidade: a busca pela eterna juventude.