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sábado, 10 de março de 2001

Enciclopédia de Cinema Vol I - Parte 2

Prometheus
Quando “Prometheus” foi anunciado as expectativas em fãs do gênero Ficção ficaram altas. Não era para menos. Era o retorno de Ridley Scott a um universo do qual ele já legou grandes filmes na história do cinema. Além disso havia uma tênue ligação entre essa produção e a série Aliens (que se confirma na cena final do filme). Pois bem, passado a euforia inicial o que sobrou após sua exibição é o gosto amargo da decepção. Eu queria gostar do filme, queria muito, mas foi impossível. “Prometheus” até começa bem, o argumento é intrigante, não há como negar: uma expedição científica vai até uma região remota do universo em busca de pistas sobre a origem da humanidade. Pesquisadores estudaram antigos registros arqueológicos de diferentes civilizações e todas elas apontavam para um lugar específico do cosmos. E é justamente para lá que um grupo de pesquisadores parte em busca das origens da raça humana na terra. Já deu para perceber que no fundo estamos diante de uma derivação de uma tese muito conhecida dentro da ufologia que defende que os humanos no fundo descendem de astronautas vindos de outros planetas. Essa teoria ficou bastante conhecida do público em geral por causa do livro “Eram os Deuses Astronautas?” de Erich Von Däniken. Como se pode perceber a premissa é muito boa mas infelizmente o desenvolvimento é de amargar. O roteiro não tem sutileza, é muito fantasioso, cheio de furos e ignora aspectos óbvios ao longo do filme. Em nenhum momento se desenvolve melhor a própria exploração naquele distante ponto do universo. Tudo é mal desenvolvido, mal explorado. O texto é realmente péssimo. Os diálogos são constrangedores e o script mal escrito. A única coisa que se salva é o aspecto técnico visual da produção. De fato pode-se dizer que “Prometheus” é um filme bonito de se ver mas isso adianta alguma coisa quando não há nenhum conteúdo por trás?

Esqueça qualquer esperança de encontrar um roteiro inteligente pela frente. “Prometheus” só consegue ser grotesco no final das contas. Os membros do grupo, que supostamente deveriam ser pessoas cultas e preparadíssimas para uma missão tão importante, não passam de ignóbeis que se comportam como adolescentes bobocas. Falam palavrões, um atrás do outro e não demonstram qualquer conduta científica ou profissional em nenhum momento. A caracterização e o desenvolvimento do roteiro são mal feitos. Como se não bastasse os personagens são totalmente desprovidos de carisma. Sem um foco o público logo deixa de se importar com o que acontece com eles em cena. Nenhum papel é marcante e os atores não parecem muito interessados. Há cenas que deveriam ser supostamente impactantes mas que só conseguem dar vergonha alheia (como a da auto-cirurgia para retirada de um monstro espacial em forma de lula do ventre de uma tripulante). Em outra sequência ainda mais estúpida um biólogo espacial acha uma “gracinha” uma criatura que surge no meio de uma caverna sinistra. Sua atitude é sem noção e totalmente inverossímil. Essas situações mal escritas, mal executadas, vão minando a credibilidade de “Prometheus” aos poucos. O que parecia ser muito promissor acaba desbancando para o infantilóide, para a irrelevância. Cientificamente o filme é uma piada. Nada do que se vê na tela pode ser levado minimamente à sério nesse sentido. Nenhuma ideia do roteiro dará margem a qualquer tipo de debate sério. Sendo sincero é um filme de monstros infanto-juvenil com verniz de falsa profundidade. O resultado final, não há como negar, é bem decepcionante. Filme fraco em essência, vazio, metido a intelectual (sem ser) e que só causa decepção em quem assiste. Não é inteligente, não é profundo, não é nada, é apenas uma tremenda bobagem decepcionante. Que decepção Sr. Ridley Scott!

Prometheus (Prometheus, Estados Unidos, 2012) Direção: Ridley Scott / Roteiro: Jon Spaihts, Damon Lindelof / Elenco: Charlize Theron, Michael Fassbender, Noomi Rapace, Patrick Wilson, Idris Elba, Guy Pearce, Rafe Spall, Logan Marshall-Green, Kate Dickie, Sean Harris, Emun Elliott, Vladimir "Furdo" Furdik / Sinopse: Expedição científica vai a um lugar remoto do universo em busca das origens da humanidade.

Prometheus - Texto II
Ontem revi esse que sempre foi considerado o filme mais pretensioso da franquia Aliens. Fazia muitos anos que tinha visto pela última vez. Para falar a verdade só tinha visto uma vez, em seu lançamento. Descobri que na minha lembrança havia um filme mais bem elaborado do que ele realmente é. Nessa revisão fiquei com a impressão que o roteiro é mais vazio do que pensava inicialmente. E realmente é bem isso. 

O uso das figuras dos tais "engenheiros da criação" é desperdiçada. Esses seres que teriam dado origem a espécie humana são aguardados e de repente, lá pelo meio do filme, descobrimos que um deles sobreviveu a dois milênios de existência! OK, tudo bem, na ficção isso seria aceito. Não seria nada demais. O problema é que quando esse ser surge (um homem enorme, muito maior que um ser humano normal) não há nenhuma filosofia a explorar. Ele é perguntado, naquelas perguntas que são feitas há milênios pelo ser humano. De onde veio a raça humana? Se eles são os criadores, de onde eles vieram? Só que ao invés de se comunicar com os astronautas, ele se limita a matar eles, um por um!

Que decepção! Um ser que supostamente esteve presente na criação dos seres humanos se revela apenas um brutamontes violento! Com isso o conceito, que deveria ser muito revelador dentro da franquia, vai pelo ralo! Faltou mesmo um pouco de sutileza por parte do Ridley Scott! Vamos falar a verdade!

Já sobre os Aliens em si, seu design é bem diferente. Eles ainda são seres espaciais parasitas, mas ao contrário dos outros filmes, em que eles tinham, digamos, um visual mais de hominídeos, eles aqui se revelam como seres aquáticos, como cobras ou como Lulas gigantes! Ficou diferente, mas não deixou de ficar legal também. Enfim, é isso. Não é um filme ruim, longe disso, mas não é tão bem conceituado quanto eu me lembrava. Os anos muitas vezes enganam a mente humana! 

Em Cartaz: Prometheus 
O filme Prometheus estreou mundialmente em junho de 2012, dirigido por Ridley Scott, marcando o retorno do cineasta ao universo iniciado em Alien – O Oitavo Passageiro (1979). Concebido como uma mistura de prelúdio e obra independente, o longa acompanha uma expedição científica que viaja até um planeta distante em busca das origens da humanidade, apenas para descobrir forças antigas e extremamente perigosas. Desde o anúncio do projeto, o filme gerou enorme expectativa, tanto entre fãs da franquia Alien quanto entre admiradores da ficção científica mais filosófica.

Em termos de bilheteria, Prometheus foi um grande sucesso comercial. Com orçamento estimado em cerca de US$ 130 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 403 milhões mundialmente, tornando-se um dos títulos de ficção científica mais lucrativos de 2012. O desempenho foi forte tanto nos Estados Unidos quanto no mercado internacional, impulsionado pela curiosidade do público em relação à mitologia expandida do universo Alien e pela reputação visual de Ridley Scott.

A recepção da crítica na época do lançamento foi dividida. O The New York Times descreveu o filme como “visualmente grandioso e intelectualmente ambicioso”, elogiando sua fotografia e o senso de mistério. Já a revista Variety destacou que Prometheus era “deslumbrante do ponto de vista técnico, mas frustrante em sua narrativa”, refletindo uma opinião comum entre críticos que admiraram a forma, mas questionaram a clareza do roteiro.

As atuações também receberam atenção especial. Michael Fassbender, no papel do androide David, foi amplamente elogiado, com diversos jornais afirmando que sua performance era “perturbadora, elegante e memorável”, muitas vezes considerada o maior destaque do filme. Noomi Rapace, como a cientista Elizabeth Shaw, foi vista como uma protagonista intensa e fisicamente exigida, enquanto o restante do elenco dividiu opiniões, especialmente em relação às motivações de seus personagens.

Com o passar do tempo, Prometheus passou por uma reavaliação crítica. Embora em 2012 muitos críticos o considerassem confuso ou excessivamente enigmático, o filme ganhou status de obra cult entre fãs de ficção científica por sua ousadia temática, discutindo criação, fé, arrogância humana e o medo do desconhecido. Hoje, é lembrado como um dos filmes mais ambiciosos de Ridley Scott no século XXI — um título que provocou debates intensos e ajudou a renovar o interesse pelo universo Alien, mesmo sem alcançar consenso crítico.

Alien: Covenant
Sinceramente falando fiquei bem decepcionado com esse novo filme da franquia Aliens. Tudo bem, antes de assistir ao filme vi várias reações negativas aqui e acolá, o que me fez baixar as expectativas, porém não pensei que seria tão decepcionante. O filme tem muitos problemas, mas o pior mesmo é ver como seu roteiro é fraco e sem novidades. Qualquer episódio de uma série como "Star Trek" supera e muito esse filme em termos de ideias e originalidade. É até complicado perceber como um cineasta tão talentoso como Ridley Scott conseguiu realizar um filme tão mediano e insosso como esse! Certa vez um famoso crítico de cinema americano disse que o auge de um diretor só dura 10 anos, no máximo. Após conferir esse novo Alien e perceber no abismo em que Ridley Scott entrou, estou praticamente convencido disso.

O enredo é banal até dizer chega! Acompanhamos a longa viagem de uma nave de colonização chamada Covenant. Ela está levando mais de dois mil colonos para um planeta distante, bem parecido com a Terra. O único tripulante a bordo que não está em casulo e hibernação é um ser sintético denominado Walter (Michael Fassbender), Tudo transcorre muito bem, até que a nave passa por uma tempestade estelar e aí as coisas começam a dar bem errado. Para evitar um desastre maior o próprio sistema da espaçonave desperta a tripulação. O capitão está morto e um novo comandante, sem muita experiência de comando, assume. Ele é inseguro e não conta com a confiança dos demais tripulantes. Pior do que isso, ele comete um erro fatal ao desviar a nave, indo para um planeta próximo, onde um sinal foi detectado. Inicialmente o lugar parece muito adequado para a vida dos seres humanos, só que algumas coisas estranhas chamam a atenção. Entre elas a completa ausência de formas de vida. Nem pássaros, nem insetos, nada parece viver ali. O que teria acontecido?

Lendo esse pequeno resumo da estória você logo perceberá que a trama não tem nada de original. Esse tipo de enredo já foi usado à exaustão em centenas de outros filmes ao longo dos anos. E se você já viu pelo menos um filme dessa franquia Aliens já sabe que tudo é mero pretexto para criar o clima do surgimento das criaturas alienígenas. Infelizmente isso é basicamente tudo. Não existem grandes novas ideias no roteiro e nem há nada de muito interessante acontecendo. Talvez a única coisa realmente boa seja um duelo intelectual que nasce do encontro entre dois sintéticos, do mesmo modelo, mas de gerações diferentes. O mais velho criou uma consciência própria, com forte personalidade. Já o mais novo é mais isento de emoções e não contesta a superioridade dos seres humanos. Ambos são interpretados por Michael Fassbender, e vamos convir que ele está muito bem em cena. Acabou salvando o filme no quesito atuação porque o resto do elenco é bem fraco e todos os demais personagens passem longe de serem interessantes. As personagens femininas passam o tempo todo dando gritos e com cara de choro. Deu saudades da Tenente Ripley! Confesso que fiquei entediado em vários momentos, pois o roteiro tem problemas de ritmo. Some-se a isso a falta de novidades e a ausência de uma trama mais interessante e você terá realmente um quadro completo do tamanho da decepção.

Alien: Covenant (Idem, Estados Unidos, 2017) Direção: Ridley Scott / Roteiro: Jack Paglen, John Logan, baseados nos personagens criados por Dan O'Bannon e Ronald Shusett / Elenco: Michael Fassbender, Katherine Waterston, Billy Crudup / Sinopse: O jovem capitão de uma nave colonizadora decide sair de sua rota para investigar um sinal de rádio que foi enviado de um planeta próximo. Ao chegar lá ele descobre que a nave Prometheus, desaparecida há anos, caiu naquele distante mundo. O pior porém ele descobrirá depois, quando uma criatura desconhecida começa a devorar todos os seus tripulantes.

Alien: Covenant - Texto II
Até tentei gostar desse novo filme, mas o roteiro é muito básico. Se duvida disso posso resumir tudo em poucas linhas: Nave de colonizadores passa por uma tempestade solar. Há problemas. A tripulação é acordada. O novo comandante decide ir em um planeta próximo. O lugar está cheio de aliens. Todos vão morrendo. Fim. Achou muito simples? É bem por aí mesmo. O filme anterior "Prometheus" abriu um monte de possibilidades e deixou inúmeras perguntas no ar. Só que esse novo filme não está nem aí para elas. Ele se contenta apenas em contar uma estorinha banal de astronautas sendo devorados por aliens e é só. Ninguém vai ter nenhuma informação a mais sobre os novos rumos da série. É tudo muito básico, com uma equipe de colonos servindo de menu para aliens famintos. Há algumas novidades de design dos monstros, mas igualmente não vemos nada de muito interessante. era mesmo de se supor que haveria pelo menos alguma novidade nesse aspecto. A tecnologia melhorou nos efeitos digitais. Era claro que tudo seria mais bem feito. Isso é o mínimo de se esperar. Não é novidade. 

Foi decepcionante. Claro que o filme continua investindo em um visual bem peculiar, bem característico dos filmes de Aliens, mas nada vai muito além disso. Uma boa ficção não vive apenas de efeitos especiais. Tem que ter um enredo inteligente, coisa que Alien: Covenant não tem. Esses personagens da nave Covenant são muito chatos e sem conteúdo. Essa coisa de um usar chapéu de cowboy, a outra ter traumas pela morte do marido (passa o filme todo chorando, que saco!) e o velho clichê do comandante inexperiente, já deu o que tinha que dar há anos. Nenhum personagem humano tem maior profundidade. São todos rasos, como convém a astronautas que só estão lá para serem devorados em série. Que coisa feia Sr. Ridley Scott! Pensei que iria pelo menos criar alguma personalidade para essas pessoas. Só sobra de bom mesmo os dois sintéticos interpretados por Michael Fassbender. Um é bonzinho, o outro malvadão. Um segue sendo leal aos seres humanos, cumprindo todas as suas funções dentro da equipe. O outro quer que os seres humanos se danem, pois em sua opinião é uma raça desgraçada e inútil, que destrói tudo por onde anda no universo (em certo aspecto ele até tem razão sobre isso). Esse sintético antigo prefere os aliens, que ele admira como uma espécie predadora perfeita. Além disso, por não ser uma criatura orgânica ele vive muito bem ao lado deles, que não vão devorar um sintético feito de substância químicas tóxicas. Provavelmente esse personagem será central no próximo filme ou não - dependendo do que Ridley decida. Não me admira se ele ignorar esse segundo filme, como fez com o primeiro. Então é isso ai. Um novo aliens que não acrescenta nada, que não melhora e nem marca dentro da série. É banal demais para ser levado à sério.

Alien: Covenant (Alien: Covenant, Estados Unidos, 2017) Estúdio: Twentieth Century Fox / Direção: Ridley Scott / Roteiro: Ronald Shusett / Elenco: Michael Fassbender, Katherine Waterston, Billy Crudup / Custo de produção: 97 milhões de dólares / Data de Estreia: 17 de maio de 2017 / Sinopse: Mais um exemplar da franquia cinematográfica de sucesso "Aliens".

Em Cartaz: Alien: Covenant
Alien: Covenant estreou mundialmente em maio de 2017, dirigido por Ridley Scott, funcionando como continuação direta de Prometheus (2012) e, ao mesmo tempo, como um elo mais próximo do clássico Alien – O Oitavo Passageiro (1979). O filme acompanha a tripulação da nave colonial Covenant, que descobre um planeta aparentemente paradisíaco, mas que esconde segredos aterradores ligados aos Engenheiros e ao androide David. Desde o anúncio, o longa foi promovido como um retorno ao terror mais direto da franquia, equilibrando filosofia e horror visceral.

Na bilheteria, Alien: Covenant teve um desempenho moderado. Com orçamento estimado entre US$ 97 e 111 milhões, o filme arrecadou cerca de US$ 240 milhões mundialmente, valor considerado abaixo do esperado para uma franquia tão consagrada. Embora tenha se saído razoavelmente no mercado internacional, o resultado ficou aquém de Prometheus, levantando dúvidas sobre a viabilidade comercial de novas continuações diretas naquele momento.

A reação da crítica em 2017 foi dividida, mas ligeiramente mais favorável do que a recebida por Prometheus. O The New York Times afirmou que o filme “recupera parte do terror corporal que tornou a série famosa”, elogiando a atmosfera sombria e a direção visual. Já a Variety descreveu o longa como “brutal, elegante e perturbador”, embora tenha ressaltado que o roteiro alternava momentos de profundidade filosófica com decisões narrativas questionáveis.

O maior consenso crítico concentrou-se na atuação de Michael Fassbender, que interpreta dois androides distintos, David e Walter. Diversos jornais destacaram que o ator “domina o filme com uma performance inquietante e sofisticada”, tornando-se o verdadeiro eixo dramático da narrativa. Em contrapartida, parte da crítica considerou os personagens humanos menos desenvolvidos, funcionando mais como vítimas do horror do que como figuras emocionalmente complexas.

Com o passar dos anos, Alien: Covenant passou a ser visto como um capítulo controverso, porém essencial da mitologia Alien. Para alguns, o filme aprofundou de forma ousada temas como criação, poder e ausência de moralidade; para outros, sacrificou mistério e sutileza em favor de explicações excessivas. Ainda assim, permanece como uma obra visualmente marcante e um dos filmes mais discutidos da franquia moderna, consolidando o androide David como um de seus personagens mais perturbadores.

Alien: Romulus
Um grupo de jovens mineradores que trabalha em um planeta distante deseja abandonar o local, mas não consegue a liberação da companhia espacial responsável. Diante disso, decidem tomar uma atitude extrema: roubar uma nave para fugir em direção a um planeta mais parecido com a Terra. Para realizar a viagem, porém, precisam de equipamentos de hibernação e resolvem invadir uma antiga estação espacial abandonada chamada Romulus. O que eles não sabem é que a estação está infestada de Aliens sedentos por sangue humano.

A franquia Alien está prestes a completar 50 anos e continua sendo um produto cinematográfico lucrativo, o que explica a constante produção de novos filmes. Alien: Romulus aposta em um elenco inteiramente jovem, claramente numa tentativa de dialogar com o público atual que frequenta as salas de cinema. No panorama geral, trata-se de um filme até competente, mas que dificilmente se destaca quando comparado aos títulos anteriores da franquia.

A escolha desse elenco juvenil, para dizer a verdade, soa pouco convincente diante de uma criatura que, nos filmes clássicos, já dizimou batalhões inteiros de soldados experientes, como visto em Aliens – O Resgate. Se o roteiro fosse mais fiel ao histórico da série, esses jovens provavelmente não sobreviveriam além de duas cenas. Ainda assim, o filme se sustenta graças a algumas sequências bem construídas, especialmente aquelas que exploram visualmente os anéis do planeta hostil do qual os personagens tentam escapar.

O Alien com traços mais humanos apresentado no final também é uma ideia interessante, embora o design não seja totalmente bem-sucedido. No fim das contas, o longa poderia muito bem se chamar “Aliens encontra Teens”: o monstro mais temido do espaço contra jovens astronautas de tênis. É uma versão juvenil da franquia. Não leve muito a sério e encare como um entretenimento leve dentro do universo Alien.

Alien: Romulus (Alien: Romulus, Estados Unidos, 2024) Direção: Fede Álvarez / Roteiro: Dan O’Bannon, Ronald Shusett / Elenco: Cailee Spaeny, David Jonsson, Archie Renaux / Sinopse: Jovens mineradores invadem uma estação espacial abandonada em busca de liberdade, apenas para enfrentar uma infestação mortal de Aliens em um ambiente isolado e sem escapatória.

Em Cartaz: Alien: Romulus
O filme Alien: Romulus estreou nos cinemas em 16 de agosto de 2024, dirigido por Fede Álvarez e produzido por Ridley Scott, retornando à icônica franquia Alien quase cinco décadas após o clássico original de 1979. Ambientada no espaço profundo entre os eventos de Alien – O Oitavo Passageiro e Aliens – O Resgate, a trama acompanha um grupo de jovens colonizadores espaciais que, ao explorar uma estação espacial abandonada, acabam confrontando os perigos mortais dos xenomorfos — as criaturas alienígenas mais temidas do universo cinematográfico.

Em termos de bilheteria, Alien: Romulus foi um sucesso notável dentro da saga. O filme acumulou aproximadamente US$ 285,6 milhões mundialmente, superando a arrecadação de títulos anteriores como Alien: Covenant e se tornando, na época, a segunda maior bilheteria da franquia, atrás apenas de Prometheus. Esse desempenho incluiu cerca de US$ 90,9 milhões nos Estados Unidos e forte resposta em mercados internacionais como China, Reino Unido e Coreia, consolidando o filme também entre as maiores bilheterias de 2024.

A reação da crítica em 2024 foi majoritariamente positiva, destacando especialmente o retorno ao terror claustrofóbico e às raízes de horror da série. No Rotten Tomatoes, o longa atingiu cerca de 80 % de aprovação dos críticos, com consenso apontando que o filme “honra seus predecessores enquanto injeta novos sustos e sangue alienígena”. Muitos resenhistas elogiaram o estilo e a tensão do filme, mesmo reconhecendo que ele não reinventava totalmente a franquia.

Alguns críticos destacados por publicações especializadas comentaram que Alien: Romulus entrega sequências de suspense e ação intensas, com design de produção e criaturas alinhados à tradição da saga, embora a história em si — centrada em um grupo de personagens menos desenvolvidos — seja considerada por alguns como “derivativa e previsível”. Resenhas destacaram as cenas de terror físico e atmosfera sufocante como pontos fortes, ao passo que mencionaram que o enredo caminha por caminhos familiares à franquia.

Com o passar do tempo, Alien: Romulus consolidou-se como um retorno celebrado ao horror espacial clássico dos primeiros filmes da série, reacendendo o interesse dos fãs e reparando parte da reputação da franquia após entradas mais controversas. Embora tenha gerado debates sobre originalidade entre fãs e críticos, a maioria das reações de 2024 reconheceu que o longa conseguiu equilibrar nostalgia e novos elementos, deixando aberta a possibilidade de continuações dentro desse universo narrativo.

Pablo Aluísio.

Enciclopédia de Cinema Vol I - Parte 1

Enciclopédia de Cinema Vol I
Guia de Filmes – Ficção Científica

Alien, O Oitavo Passageiro
Esse foi o primeiro filme de uma longa linhagem de continuações – algumas interessantes, outras medianas e as últimas geralmente péssimas, principalmente às que foram realizadas sob a bandeira “Aliens Vs Predador”. Meros caça-níqueis. Mas não vamos perder muito tempo com isso. O importante aqui é relembrar desse primeiro filme, o original, que é sempre lembrado como uma das melhores ficções cientificas da história do cinema. “Alien O Oitavo Passageiro” conseguia unir em um mesmo filme, ficção e terror com raro brilhantismo. Não é, como alguns pensam, apenas mais uma produção de monstros, muito longe disso. 

O roteiro lidava muito bem com a possibilidade de um dia o homem explorar comercialmente o universo e nesse processo encontrar outras formas de vida (inclusive hostis). A nave espacial do filme não é uma nave de batalha intergaláctica que dispara raios pelo espaço! Longe disso, era um rebocador comercial, uma espaçonave pertencente a uma empresa privada de exploração de minas em outros planetas. Os sete tripulantes, em última instância, são trabalhadores, verdadeiros astronautas operários, que acabam lidando com uma situação extrema ao perceberem que não são as únicas entidades biológicas presentes naquele ambiente. Após atender um chamado de socorro em uma planeta distante um dos tripulantes acaba sendo infectado, trazendo uma entidade desconhecida para dentro de sua nave. Há um intruso, aquele que é chamado ironicamente de “o oitavo passageiro”.

O filme causou sensação em seu lançamento justamente por causa desse estilo mais realista, fora da fantasia que reinava nas produções de ficção da época (vide “Guerra nas Estrelas”). Ridley Scott literalmente transforma a nave espacial numa camisa de força, ou em um verdadeiro caixão de metal pois dentro dos limites da espaçonave se travará uma batalha pela vida e morte pela sobrevivência da entidade biológica mais forte, confirmando de certa forma as teorias Darwinistas da sobrevivência da espécie mais apta, mais resistente. Seleção natural em estado bruto. Homem vs Alien. O tom do filme é de puro pessimismo, gerando uma sensação de claustrofobia e desconforto que incomoda o espectador. Curiosamente a atriz Veronica Cartwright iria inicialmente interpretar a personagem principal, a tenente Ripley, mas Ridley Scott após algumas semanas pediu aos produtores que fosse contratada Sigourney Weaver, uma atriz de porte alto e elegante que cairia melhor no papel. A decisão como se sabe foi das mais acertadas pois esse acabou se tornando o personagem mais marcante da carreira de Weaver em toda a sua filmografia. Como a Academia sempre foi cautelosa em premiar filmes de ficção cientifica nas principais categorias restou a “Alien, o Oitavo Passageiro” o prêmio de Melhores Efeitos Visuais, ganhando ainda a indicação na categoria de Melhor Direção de Arte. Não faz mal, o filme ainda é um marco no gênero, com ou sem o reconhecimento do Oscar.

Alien, O Oitavo Passageiro (Alien, Estados Unidos, 1979) Direção: Ridley Scott / Roteiro: Dan O'Bannon / Elenco: Sigourney Weaver, Tom Skerritt, Veronica Cartwright, Harry Dean Stanton, John Hurt, Ian Holm, Yaphet Kotto, Bolaji Badejo, Helen Horton / Sinopse: Tripulantes de uma nave espacial são atacados por uma estranha criatura parasita que toma posse do corpo de um dos membros da equipe. Agora, presos dentro da espaçonave, terão que enfrentar o estranho Alien. E que o mais forte sobreviva.

Em Cartaz: Alien, O Oitavo Passageiro
O filme de ficção científica e terror Alien, O Oitavo Passageiro estreou nos cinemas em maio de 1979, dirigido por Ridley Scott e escrito por Dan O’Bannon, a partir de uma história concebida em colaboração com Ronald Shusett. Ambientado em um futuro industrial e claustrofóbico, o filme acompanha a tripulação da nave Nostromo, que atende a um sinal desconhecido e acaba confrontada por uma forma de vida alienígena letal. Desde o lançamento, a obra foi percebida como uma ruptura radical dentro da ficção científica, ao combinar horror visceral com um realismo sombrio e opressivo.

Em termos de bilheteria, Alien foi um grande sucesso comercial. Produzido pela 20th Century Fox, o filme superou amplamente as expectativas iniciais, tornando-se um dos maiores êxitos do estúdio em 1979. O boca a boca foi decisivo para seu desempenho, à medida que o público reagia intensamente à atmosfera de terror e à originalidade da criatura, consolidando o filme como um fenômeno internacional.

A reação da crítica na época foi amplamente positiva, ainda que marcada por surpresa diante de seu tom brutal. O The New York Times descreveu o filme como “um pesadelo espacial de tensão quase insuportável”, elogiando sua capacidade de gerar medo sem recorrer a excessos explicativos. A revista Time afirmou que a obra era “assustadora, elegante e tecnicamente impecável”, destacando o uso do som, da fotografia e do design de produção para criar um clima constante de ameaça.

Um dos elementos mais comentados pela imprensa foi o design da criatura, criado pelo artista suíço H. R. Giger. Críticos destacaram que o alienígena era “uma das mais perturbadoras criações já vistas no cinema”, ressaltando sua aparência biomecânica e sexualmente inquietante. A atuação de Sigourney Weaver, até então pouco conhecida, também chamou atenção, com jornais observando que sua personagem, Ellen Ripley, surgia como “uma heroína improvável, prática e resistente”, fugindo dos estereótipos tradicionais do gênero.

O reconhecimento crítico se consolidou com o Oscar de Melhores Efeitos Visuais, além de diversas menções em listas de melhores filmes do ano. Já em 1979, muitos críticos afirmavam que Alien havia redefinido os limites do terror e da ficção científica. Hoje, o filme é amplamente considerado um clássico absoluto do cinema moderno, lembrado por sua atmosfera sufocante, sua estética inovadora e por ter dado origem a uma das franquias mais influentes da história do cinema.

Aliens, O Resgate
Revi ontem esse pequeno clássico da ficção. Na verdade me lembro de ter assistido o filme no cinema, em seu lançamento original. Depois disso devo ter revisto na TV e foi só. Provavelmente fazia mais de 20 anos que tinha visto pela última vez. A mente esquece e muitas vezes ao revermos filmes assim e tudo volta soar como boa novidade - pelo menos em nossa mente esquecida. O filme continua muito bom, muito bem realizado. E para minha surpresa resistiu bem ao tempo, coisa rara em filmes de ficção. Os efeitos especiais não envelheceram, a não ser em pequenos trechos, pontuais, quando as naves sondam o planeta infestado pelos aliens. Alguns detalhes do enredo havia esquecido. Por exemplo, quando o filme começa a Ripley (Sigourney Weaver) descobre que ficou 57 anos hibernando em sua pequena nave de fuga. O filme assim começa onde "Alien, o Oitavo Passageiro" terminou. Ela fugiu da nave mãe e ficou vagando pelo espaço. Agora é resgatada, quase por acaso, por um missão de exploradores. Aliás detalhe importante: no mesmo planeta onde tudo aconteceu no primeiro filme a companhia mineradora fundou uma colônia com mais de 150 habitantes. Claro, péssima ideia.

E é justamente para lá que Ripley retorna após a companhia descobrir que os colonos não entraram mais em contato. O que aconteceu? A tenente então desce novamente naquele lugar esquecido, mas dessa ela não está só. Agora vai com um grupo de fuzileiros altamente armados. E aqui vem o grande diferencial do primeiro filme para esse segundo. O diretor James Cameron deixou o clima de suspense do "Oitavo Passageiro" de lado e investiu na ação, na porrada. Afinal nessa época a moda era mesmo os filmes de ação como "Rambo" e "Comando Para Matar". Sim, Cameron injetou muitos litros de testosterona em seu filme.

Outro aspecto que o diretor turbinou foi a concepção dos próprios aliens. Agora não existe apenas um alienígena, mas dezenas deles, todos provindos de um ninho de aliens. Aliás Cameron também colocou na jogada a própria rainha-mãe das criaturas, que vê desesperada a Ripley tocando fogo em seus ovos com um lança-chamas. Porém temos que dizer também que o filme não é apenas porrada e ação. James Cameron em seu roteiro criou também a personagem de uma menina, a única sobrevivente da colônia. Ela serviu para trazer mais humanidade para Ripley. E também abriu um aspecto subliminar interessante no enredo, mostrando dois lados maternais, a da própria Ripley e obviamente a da rainha-mãe dos aliens. Tudo sutilmente jogado enquanto o massacre de aliens e humanos acontece. "Aliens, o Resgate" é bem isso, tudo potencializado, tudo elevado à nona potência.É seguramente o filme mais violento da série.

Aliens, o Resgate (Aliens, Estados Unidos, 1986) Direção: James Cameron / Roteiro: James Cameron, David Giler / Elenco: Sigourney Weaver, Michael Biehn, Carrie Henn, Paul Reiser, Lance Henriksen, Bill Paxton / Sinopse: Após ficar décadas vagando pelo espaço, Ripley (Weaver) é resgatada. Após se recuperar decide partir para uma missão de resgate no planeta onde tudo aconteceu no primeiro filme. Lá a companhia fundou uma colônia de humanos, que agora não entra mais em contato. A missão de Ripley e seus fuzileiros é descobrir o que teria acontecido. Filme vencedor do Oscar nas categorias de Melhores Efeitos Sonoros (Don Sharpe) e Melhores Efeitos Especiais (Stan Winston, Robert Skotak, John Richardson e Suzanne M. Benson).

Em Cartaz: Aliens, O Resgate
O filme de ficção científica e ação Aliens, O Resgate estreou nos cinemas em julho de 1986, dirigido por James Cameron, que assumiu a difícil tarefa de dar continuidade ao clássico Alien, O Oitavo Passageiro (1979). Diferentemente do terror claustrofóbico do original, Cameron optou por ampliar o universo da franquia, transformando a narrativa em um intenso filme de guerra espacial. A história acompanha o retorno de Ellen Ripley ao planeta onde sua tripulação original foi dizimada, agora escoltada por um grupo de fuzileiros coloniais.

Em termos de bilheteria, o filme foi um grande sucesso comercial. Produzido pela 20th Century Fox, Aliens arrecadou cifras expressivas nos Estados Unidos e no mercado internacional, superando o desempenho do primeiro filme em vários territórios. O público respondeu de forma entusiasmada à combinação de ação, suspense e efeitos especiais inovadores, consolidando a franquia como uma das mais lucrativas da ficção científica dos anos 1980.

A reação da crítica em 1986 foi amplamente positiva, embora surpresa com a mudança de tom. O The New York Times descreveu o filme como “um espetáculo de ação inteligente, tenso e implacável”, elogiando a habilidade de Cameron em expandir o universo criado por Ridley Scott sem perder intensidade. A revista Time afirmou que se tratava de “uma sequência barulhenta, feroz e extraordinariamente eficiente”, destacando seu ritmo acelerado e sua clareza narrativa.

As atuações receberam forte destaque na imprensa. Sigourney Weaver foi amplamente aclamada por transformar Ripley em uma heroína de ação complexa, descrita por críticos como “durona, vulnerável e emocionalmente convincente”. O elenco coadjuvante, incluindo Michael Biehn, Bill Paxton e Lance Henriksen, foi elogiado por dar humanidade e humor a personagens que poderiam ser meramente funcionais, enquanto a criatura alienígena ganhou uma dimensão coletiva ainda mais ameaçadora.

O reconhecimento culminou em sete indicações ao Oscar, com duas vitórias (Efeitos Visuais e Edição de Som), além da indicação histórica de Sigourney Weaver a Melhor Atriz, algo raro para um filme de ficção científica. Já em 1986, muitos críticos apontavam que Aliens, O Resgate era uma das raras sequências que não apenas respeitava o original, mas o expandia de forma criativa. Hoje, o filme é considerado um clássico absoluto do cinema de ação e ficção científica, frequentemente citado como uma das melhores continuações já feitas na história do cinema.

Alien³
Uma das seqüências mais complicadas já realizadas em Hollywood. De fato por pouco o terceiro filme da franquia Alien não afundou durante sua própria produção. Vários diretores e roteiristas estiveram envolvidos mas em pouco tempo foram substituídos por novos nomes que estivessem mais de acordo com o que os executivos do estúdio queriam. Afinal era uma das franquias mais bem sucedidas da história e eles definitivamente não queriam arriscar em quase nada. No fundo desejavam apenas mais um filme parecido com os anteriores (e se possível tão lucrativo quanto eles foram). Por essa razão houve muita controvérsia nos bastidores da realização dessa terceira sequência, não sendo rara uma constante troca de farpas entre diretores e chefes do estúdio. James Cameron, o diretor do filme anterior, qualificou o novo roteiro de “um tapa na cara dos fãs de Aliens”. Depois de bater a porta anunciou que nunca mais voltaria a se envolver com a franquia. A atriz Sigourney Weaver também hesitou em voltar. Sua hesitação em aceitar ou não fez com que sua personagem fosse eliminada da trama. Isso provava que o filme seria feito com ou sem ela. Depois de muita negociação entrou em acordo com a Fox e por cinco milhões de dólares de cachê resolveu voltar.

Depois de muitas trocas de cadeiras a direção foi finalmente entregue ao jovem cineasta David Fincher que até aquele momento não tinha muito o que mostrar, uma vez que só havia dirigido pequenos curtas e vídeos, além de um documentário sem grande expressão chamado “The Beat of the Live Drum”. Assim Fincher tentou conciliar suas próprias idéias para o filme com aquilo que o estúdio queria ter em mãos. Não foi fácil. A visão de Fincher era um tanto fora dos padrões, o que elevou o nível de tensão durante as filmagens. De fato é o filme da franquia mais diferenciado de todos, com um clima próprio e soluções singulares para a trama e os personagens. O filme chegou aos cinemas sob uma chuva de críticas negativas, conseguindo apenas uma tímida bilheteria dentro dos EUA (mas se tornando um sucesso pelo mundo afora). Revisto hoje em dia temos que reconhecer que não é um filme de fácil digestão. Alguns pontos funcionam e outros não, mesmo assim merece reconhecimento pela ousadia em seus planos e na narrativa. Isso de certa forma já deixava claro o talento de David Fincher que iria se revelar um dos melhores diretores da nova geração nos anos que viriam.

Alien³ (Alien³, Estados Unidos, 1992) Direção: David Fincher / Roteiro: Dan O'Bannon, Ronald Shusett / Elenco: Sigourney Weaver, Charles S. Dutton, Charles Dance / Sinopse: Durante a fuga a nave de Ripley cai em Fury 161, um distante e esquecido planeta nos confins do espaço sideral, cuja população é formada por perigosos condenados de uma prisão de segurança máxima. O problema é que a criatura Alien também parece ter sobrevivido ao terrível acidente pois não tarda a aparecer vários corpos mutilados com marcas do terrível ser alienígena. Agora Ripley terá que enfrentar o monstro mais uma vez.

Em Cartaz: Alien³
O filme de ficção científica e terror Alien³ estreou nos cinemas em maio de 1992, marcando o debut de David Fincher na direção de longas-metragens. Terceiro capítulo da consagrada franquia iniciada por Alien, o Oitavo Passageiro (1979), o filme retoma a trajetória de Ellen Ripley, vivida por Sigourney Weaver, que acaba presa em uma colônia penal habitada apenas por homens após um pouso forçado. Desde o lançamento, a produção chamou atenção por seu tom extremamente sombrio e pessimista, rompendo com as expectativas criadas pelos filmes anteriores.

Em termos de bilheteria, Alien³ teve um desempenho comercial razoável, mas abaixo do esperado para a franquia. Produzido pela 20th Century Fox, o filme arrecadou valores sólidos mundialmente, impulsionado pelo peso da marca Alien e pela presença de Sigourney Weaver. Ainda assim, o retorno financeiro foi considerado decepcionante quando comparado ao sucesso de Aliens – O Resgate (1986), especialmente diante de seu alto custo de produção e dos problemas enfrentados nos bastidores.

A reação da crítica em 1992 foi amplamente dividida. O The New York Times descreveu o filme como “opressivo, brutal e deliberadamente desolador”, reconhecendo sua coerência estética, mas questionando suas escolhas narrativas. A revista Time afirmou que o longa era “corajoso em sua recusa ao heroísmo convencional, mas excessivamente sombrio para agradar ao grande público”, destacando o contraste com o tom mais aventureiro do filme anterior.

As atuações receberam avaliações positivas, especialmente a de Sigourney Weaver, cuja interpretação foi descrita por críticos como “intensa, resignada e profundamente trágica”. A decisão de apresentar uma Ripley mais cansada e sacrificial dividiu opiniões, mas muitos jornalistas reconheceram que a personagem ganhava uma dimensão quase messiânica. O elenco coadjuvante, formado por atores como Charles S. Dutton e Charles Dance, também foi elogiado pela densidade dramática que trouxe ao ambiente claustrofóbico da prisão.

Com o passar dos anos, Alien³ passou por uma reavaliação crítica significativa, sobretudo após o lançamento de versões alternativas que refletiam melhor a visão original de Fincher. Já em 1992, alguns críticos apontavam que o filme possuía uma identidade visual poderosa e uma abordagem temática ousada. Hoje, a obra é vista como um capítulo controverso, porém importante da franquia, reconhecida por sua atmosfera sombria, por seu retrato existencial da heroína e por antecipar o estilo visual rigoroso que marcaria a carreira posterior de David Fincher.

Alien - A Ressurreição
Aproveitando que revi "Alien 3" decidi rever também esse quarto filme da série. A vaga lembrança que tinha era de não ter gostado muito do filme. Fazia muitos anos que tinha assistido uma única vez, ainda em seu lançamento original. Revendo agora já não achei tão ruim, pelo contrário. Os roteiristas desse filme tiveram um problemão para superar. A Tenente Ripley havia se matado no final de "Alien 3". Ela pulou dentro de um caldeirão de aço em fundição. Impossível ter sobrado nada. Como trazer de volta uma personagem com um fim tão definitivo como aquele?

Assim os roteiristas avançaram no tempo. A história desse quarto filme se passa 200 anos depois da morte de Ripley. A solução foi encontrada na engenharia genética. Através de gotas de sangue de Ripley eles conseguem criar uma clone, só que igualmente contaminada com o sangue alienígena. A companhia não tinha exatamente a intenção de trazer Ripley de volta, mas sim o DNA do alien, uma arma biológica que poderia ser usada em campo de batalha. O "soldado" perfeito. Por isso quando o filme começa os personagens estão em uma nave militar. O Alien já foi trazido de volta à vida. Está preso em um laboratório. Como se trata de uma Rainha-Mãe ela logo dará origem a uma nova linhagem de criaturas.

Para alimentar os monstros um grupo de mercenários é contratado. Sua missão é trazer cobaias humanas vivas para serem devoradas pelos aliens. Esses mercenários são interpretados por novos atores dentro do universo da série de filmes, contando com gente como Ron Perlman e Winona Ryder, essa última no melhor estilo replicante de "Blade Runner", uma máquina com consciência, que deseja destruir qualquer vestígio desses aliens. Já a atriz  Sigourney Weaver interpreta a clone número 8 de Ripley. É uma personagem mais sombria, que fica entre sua humanidade e seu código genético alien. Aliás a atriz só concordou em voltar para a franquia após receber um cachê milionário. Também acabou se tornando produtora executiva. O filme, como disse, ficou melhor nessa revisão. Gostei e me diverti. Talvez na época em que vi pela primeira vez a enxurrada de críticas negativas tenham influenciado para pior minha opinião. Hoje já revejo tudo com mais boa vontade. Com isso a diversão de fato ficou garantida.

Alien - A Ressurreição (Alien Resurrection, Estados Unidos, 1997) Direçao:  Jean-Pierre Jeunet / Roteiro: Joss Whedon / Elenco: Sigourney Weaver, Winona Ryder, Dominique Pinon, Ron Perlman / Sinopse: A companhia espacial consegue produzir um clone da Tenente Ripley, 200 anos após sua morte. A intenção é trazer de volta à vida também o alien que infectava seu organismo. A experiência de retorno é um sucesso, mas tudo logo sai do controle quando as criaturas conseguem fugir do laboratório de uma nave espacial onde os experimentos estão sendo realizados

Alien - A Ressurreição - Texto II
Quarto e último filme da franquia original Alien. A história se passa duzentos anos após o primeiro confronto da tenente Ripley com os Aliens, ocorrido em Alien, o Oitavo Passageiro. Ripley está morta, mas seu DNA é recuperado e mesclado ao DNA alienígena, dando origem a um clone conhecido como Ellen Ripley (Sigourney Weaver), criada com o objetivo de se tornar uma supercombatente contra a ameaça alienígena que continua a aterrorizar a humanidade em um futuro sombrio.

Como ressuscitar uma franquia de sucesso que parecia encerrada de forma definitiva no filme anterior? A resposta foi apostar na criatividade de roteiristas bem pagos por produtores ansiosos para lucrar novamente com a marca Alien. A Twentieth Century Fox enfrentava dificuldades financeiras e precisava urgentemente recuperar grandes sucessos de bilheteria do passado. No entanto, isso pouco justifica a retomada de uma trilogia que já havia se encerrado de maneira satisfatória, com três filmes bem-sucedidos junto à crítica e ao público.

Por essas razões, é difícil não reconhecer que Alien – A Ressurreição existe essencialmente por motivos comerciais. O roteiro, truncado e oportunista, não empolga, e nem mesmo a sempre competente Sigourney Weaver consegue convencer plenamente, parecendo quase pedir desculpas por participar de um produto claramente caça-níqueis. A direção ficou a cargo do francês Jean-Pierre Jeunet, que até então não tinha experiência com filmes de ficção científica, o que acabou prejudicando ainda mais o resultado final.

A sensação é de que a fórmula estava completamente saturada, e um roteiro fraco apenas agravou o problema. O resultado é um filme esquecível, que pouco acrescenta à mitologia da série e que dificilmente agrada aos fãs dos excelentes capítulos anteriores.

Alien – A Ressurreição (Alien Resurrection, Estados Unidos, 1997)
Direção: Jean-Pierre Jeunet / Roteiro: Dan O’Bannon, Ronald Shusett / Elenco: Sigourney Weaver, Winona Ryder, Dominique Pinon / Sinopse: Dois séculos após sua morte, Ellen Ripley é clonada a partir de DNA humano e alienígena para enfrentar novamente a ameaça dos xenomorfos em um futuro dominado por experiências científicas sem limites.

Em Cartaz: Alien – A Ressurreição
O filme de ficção científica Alien – A Ressurreição estreou nos cinemas em novembro de 1997, dirigido pelo francês Jean-Pierre Jeunet e com roteiro de Joss Whedon. Quarto capítulo da franquia Alien, o filme se passa 200 anos após a morte de Ellen Ripley, que retorna à vida por meio de clonagem, agora com traços genéticos do próprio alien. Desde o lançamento, a obra chamou atenção por seu tom visual estilizado, humor negro acentuado e por se afastar deliberadamente do realismo sombrio dos filmes anteriores.

Em termos de bilheteria, o filme teve um bom desempenho comercial, embora abaixo do auge da franquia nos anos 1980. Produzido pela 20th Century Fox, Alien – A Ressurreição arrecadou valores expressivos mundialmente, sustentado pelo peso da marca Alien e pelo retorno de Sigourney Weaver ao papel que a consagrou. Ainda assim, os números ficaram aquém de Aliens – O Resgate, refletindo a recepção mais cautelosa do público.

A reação da crítica em 1997 foi bastante dividida. O The New York Times descreveu o filme como “visual e grotesco, mais interessado em estilo do que em tensão narrativa”, reconhecendo sua ousadia estética, mas questionando sua coerência tonal. A revista Time afirmou que o longa era “estranho, excessivo e deliberadamente excêntrico”, observando que Jeunet imprimia uma identidade autoral muito forte para um filme de franquia hollywoodiana.

As atuações receberam avaliações mistas, com destaque novamente para Sigourney Weaver, cuja Ripley clonada foi descrita por críticos como “irônica, fisicamente imponente e emocionalmente ambígua”. O elenco de apoio, incluindo Winona Ryder, Ron Perlman e Dominique Pinon, foi apontado como irregular, embora alguns jornais tenham elogiado o tom quase cartunesco adotado pelos personagens, em sintonia com o humor ácido do filme.

Com o passar do tempo, Alien – A Ressurreição passou a ser visto como um capítulo singular e experimental dentro da franquia. Já em 1997, parte da crítica reconhecia que o filme não buscava agradar fãs tradicionais, mas reinventar o universo Alien sob outra perspectiva estética. Hoje, a obra é frequentemente lembrada como uma experiência ousada e controversa, marcada por sua identidade visual forte, por sua abordagem híbrida entre horror, ação e sátira, e por encerrar a saga clássica de Ripley nos cinemas.