sábado, 10 de março de 2001

Enciclopédia de Cinema Vol I - Parte 2

Prometheus
Quando “Prometheus” foi anunciado as expectativas em fãs do gênero Ficção ficaram altas. Não era para menos. Era o retorno de Ridley Scott a um universo do qual ele já legou grandes filmes na história do cinema. Além disso havia uma tênue ligação entre essa produção e a série Aliens (que se confirma na cena final do filme). Pois bem, passado a euforia inicial o que sobrou após sua exibição é o gosto amargo da decepção. Eu queria gostar do filme, queria muito, mas foi impossível. “Prometheus” até começa bem, o argumento é intrigante, não há como negar: uma expedição científica vai até uma região remota do universo em busca de pistas sobre a origem da humanidade. Pesquisadores estudaram antigos registros arqueológicos de diferentes civilizações e todas elas apontavam para um lugar específico do cosmos. E é justamente para lá que um grupo de pesquisadores parte em busca das origens da raça humana na terra. Já deu para perceber que no fundo estamos diante de uma derivação de uma tese muito conhecida dentro da ufologia que defende que os humanos no fundo descendem de astronautas vindos de outros planetas. Essa teoria ficou bastante conhecida do público em geral por causa do livro “Eram os Deuses Astronautas?” de Erich Von Däniken. Como se pode perceber a premissa é muito boa mas infelizmente o desenvolvimento é de amargar. O roteiro não tem sutileza, é muito fantasioso, cheio de furos e ignora aspectos óbvios ao longo do filme. Em nenhum momento se desenvolve melhor a própria exploração naquele distante ponto do universo. Tudo é mal desenvolvido, mal explorado. O texto é realmente péssimo. Os diálogos são constrangedores e o script mal escrito. A única coisa que se salva é o aspecto técnico visual da produção. De fato pode-se dizer que “Prometheus” é um filme bonito de se ver mas isso adianta alguma coisa quando não há nenhum conteúdo por trás?

Esqueça qualquer esperança de encontrar um roteiro inteligente pela frente. “Prometheus” só consegue ser grotesco no final das contas. Os membros do grupo, que supostamente deveriam ser pessoas cultas e preparadíssimas para uma missão tão importante, não passam de ignóbeis que se comportam como adolescentes bobocas. Falam palavrões, um atrás do outro e não demonstram qualquer conduta científica ou profissional em nenhum momento. A caracterização e o desenvolvimento do roteiro são mal feitos. Como se não bastasse os personagens são totalmente desprovidos de carisma. Sem um foco o público logo deixa de se importar com o que acontece com eles em cena. Nenhum papel é marcante e os atores não parecem muito interessados. Há cenas que deveriam ser supostamente impactantes mas que só conseguem dar vergonha alheia (como a da auto-cirurgia para retirada de um monstro espacial em forma de lula do ventre de uma tripulante). Em outra sequência ainda mais estúpida um biólogo espacial acha uma “gracinha” uma criatura que surge no meio de uma caverna sinistra. Sua atitude é sem noção e totalmente inverossímil. Essas situações mal escritas, mal executadas, vão minando a credibilidade de “Prometheus” aos poucos. O que parecia ser muito promissor acaba desbancando para o infantilóide, para a irrelevância. Cientificamente o filme é uma piada. Nada do que se vê na tela pode ser levado minimamente à sério nesse sentido. Nenhuma ideia do roteiro dará margem a qualquer tipo de debate sério. Sendo sincero é um filme de monstros infanto-juvenil com verniz de falsa profundidade. O resultado final, não há como negar, é bem decepcionante. Filme fraco em essência, vazio, metido a intelectual (sem ser) e que só causa decepção em quem assiste. Não é inteligente, não é profundo, não é nada, é apenas uma tremenda bobagem decepcionante. Que decepção Sr. Ridley Scott!

Prometheus (Prometheus, Estados Unidos, 2012) Direção: Ridley Scott / Roteiro: Jon Spaihts, Damon Lindelof / Elenco: Charlize Theron, Michael Fassbender, Noomi Rapace, Patrick Wilson, Idris Elba, Guy Pearce, Rafe Spall, Logan Marshall-Green, Kate Dickie, Sean Harris, Emun Elliott, Vladimir "Furdo" Furdik / Sinopse: Expedição científica vai a um lugar remoto do universo em busca das origens da humanidade.

Prometheus - Texto II
Ontem revi esse que sempre foi considerado o filme mais pretensioso da franquia Aliens. Fazia muitos anos que tinha visto pela última vez. Para falar a verdade só tinha visto uma vez, em seu lançamento. Descobri que na minha lembrança havia um filme mais bem elaborado do que ele realmente é. Nessa revisão fiquei com a impressão que o roteiro é mais vazio do que pensava inicialmente. E realmente é bem isso. 

O uso das figuras dos tais "engenheiros da criação" é desperdiçada. Esses seres que teriam dado origem a espécie humana são aguardados e de repente, lá pelo meio do filme, descobrimos que um deles sobreviveu a dois milênios de existência! OK, tudo bem, na ficção isso seria aceito. Não seria nada demais. O problema é que quando esse ser surge (um homem enorme, muito maior que um ser humano normal) não há nenhuma filosofia a explorar. Ele é perguntado, naquelas perguntas que são feitas há milênios pelo ser humano. De onde veio a raça humana? Se eles são os criadores, de onde eles vieram? Só que ao invés de se comunicar com os astronautas, ele se limita a matar eles, um por um!

Que decepção! Um ser que supostamente esteve presente na criação dos seres humanos se revela apenas um brutamontes violento! Com isso o conceito, que deveria ser muito revelador dentro da franquia, vai pelo ralo! Faltou mesmo um pouco de sutileza por parte do Ridley Scott! Vamos falar a verdade!

Já sobre os Aliens em si, seu design é bem diferente. Eles ainda são seres espaciais parasitas, mas ao contrário dos outros filmes, em que eles tinham, digamos, um visual mais de hominídeos, eles aqui se revelam como seres aquáticos, como cobras ou como Lulas gigantes! Ficou diferente, mas não deixou de ficar legal também. Enfim, é isso. Não é um filme ruim, longe disso, mas não é tão bem conceituado quanto eu me lembrava. Os anos muitas vezes enganam a mente humana! 

Em Cartaz: Prometheus 
O filme Prometheus estreou mundialmente em junho de 2012, dirigido por Ridley Scott, marcando o retorno do cineasta ao universo iniciado em Alien – O Oitavo Passageiro (1979). Concebido como uma mistura de prelúdio e obra independente, o longa acompanha uma expedição científica que viaja até um planeta distante em busca das origens da humanidade, apenas para descobrir forças antigas e extremamente perigosas. Desde o anúncio do projeto, o filme gerou enorme expectativa, tanto entre fãs da franquia Alien quanto entre admiradores da ficção científica mais filosófica.

Em termos de bilheteria, Prometheus foi um grande sucesso comercial. Com orçamento estimado em cerca de US$ 130 milhões, o filme arrecadou aproximadamente US$ 403 milhões mundialmente, tornando-se um dos títulos de ficção científica mais lucrativos de 2012. O desempenho foi forte tanto nos Estados Unidos quanto no mercado internacional, impulsionado pela curiosidade do público em relação à mitologia expandida do universo Alien e pela reputação visual de Ridley Scott.

A recepção da crítica na época do lançamento foi dividida. O The New York Times descreveu o filme como “visualmente grandioso e intelectualmente ambicioso”, elogiando sua fotografia e o senso de mistério. Já a revista Variety destacou que Prometheus era “deslumbrante do ponto de vista técnico, mas frustrante em sua narrativa”, refletindo uma opinião comum entre críticos que admiraram a forma, mas questionaram a clareza do roteiro.

As atuações também receberam atenção especial. Michael Fassbender, no papel do androide David, foi amplamente elogiado, com diversos jornais afirmando que sua performance era “perturbadora, elegante e memorável”, muitas vezes considerada o maior destaque do filme. Noomi Rapace, como a cientista Elizabeth Shaw, foi vista como uma protagonista intensa e fisicamente exigida, enquanto o restante do elenco dividiu opiniões, especialmente em relação às motivações de seus personagens.

Com o passar do tempo, Prometheus passou por uma reavaliação crítica. Embora em 2012 muitos críticos o considerassem confuso ou excessivamente enigmático, o filme ganhou status de obra cult entre fãs de ficção científica por sua ousadia temática, discutindo criação, fé, arrogância humana e o medo do desconhecido. Hoje, é lembrado como um dos filmes mais ambiciosos de Ridley Scott no século XXI — um título que provocou debates intensos e ajudou a renovar o interesse pelo universo Alien, mesmo sem alcançar consenso crítico.

Alien: Covenant
Sinceramente falando fiquei bem decepcionado com esse novo filme da franquia Aliens. Tudo bem, antes de assistir ao filme vi várias reações negativas aqui e acolá, o que me fez baixar as expectativas, porém não pensei que seria tão decepcionante. O filme tem muitos problemas, mas o pior mesmo é ver como seu roteiro é fraco e sem novidades. Qualquer episódio de uma série como "Star Trek" supera e muito esse filme em termos de ideias e originalidade. É até complicado perceber como um cineasta tão talentoso como Ridley Scott conseguiu realizar um filme tão mediano e insosso como esse! Certa vez um famoso crítico de cinema americano disse que o auge de um diretor só dura 10 anos, no máximo. Após conferir esse novo Alien e perceber no abismo em que Ridley Scott entrou, estou praticamente convencido disso.

O enredo é banal até dizer chega! Acompanhamos a longa viagem de uma nave de colonização chamada Covenant. Ela está levando mais de dois mil colonos para um planeta distante, bem parecido com a Terra. O único tripulante a bordo que não está em casulo e hibernação é um ser sintético denominado Walter (Michael Fassbender), Tudo transcorre muito bem, até que a nave passa por uma tempestade estelar e aí as coisas começam a dar bem errado. Para evitar um desastre maior o próprio sistema da espaçonave desperta a tripulação. O capitão está morto e um novo comandante, sem muita experiência de comando, assume. Ele é inseguro e não conta com a confiança dos demais tripulantes. Pior do que isso, ele comete um erro fatal ao desviar a nave, indo para um planeta próximo, onde um sinal foi detectado. Inicialmente o lugar parece muito adequado para a vida dos seres humanos, só que algumas coisas estranhas chamam a atenção. Entre elas a completa ausência de formas de vida. Nem pássaros, nem insetos, nada parece viver ali. O que teria acontecido?

Lendo esse pequeno resumo da estória você logo perceberá que a trama não tem nada de original. Esse tipo de enredo já foi usado à exaustão em centenas de outros filmes ao longo dos anos. E se você já viu pelo menos um filme dessa franquia Aliens já sabe que tudo é mero pretexto para criar o clima do surgimento das criaturas alienígenas. Infelizmente isso é basicamente tudo. Não existem grandes novas ideias no roteiro e nem há nada de muito interessante acontecendo. Talvez a única coisa realmente boa seja um duelo intelectual que nasce do encontro entre dois sintéticos, do mesmo modelo, mas de gerações diferentes. O mais velho criou uma consciência própria, com forte personalidade. Já o mais novo é mais isento de emoções e não contesta a superioridade dos seres humanos. Ambos são interpretados por Michael Fassbender, e vamos convir que ele está muito bem em cena. Acabou salvando o filme no quesito atuação porque o resto do elenco é bem fraco e todos os demais personagens passem longe de serem interessantes. As personagens femininas passam o tempo todo dando gritos e com cara de choro. Deu saudades da Tenente Ripley! Confesso que fiquei entediado em vários momentos, pois o roteiro tem problemas de ritmo. Some-se a isso a falta de novidades e a ausência de uma trama mais interessante e você terá realmente um quadro completo do tamanho da decepção.

Alien: Covenant (Idem, Estados Unidos, 2017) Direção: Ridley Scott / Roteiro: Jack Paglen, John Logan, baseados nos personagens criados por Dan O'Bannon e Ronald Shusett / Elenco: Michael Fassbender, Katherine Waterston, Billy Crudup / Sinopse: O jovem capitão de uma nave colonizadora decide sair de sua rota para investigar um sinal de rádio que foi enviado de um planeta próximo. Ao chegar lá ele descobre que a nave Prometheus, desaparecida há anos, caiu naquele distante mundo. O pior porém ele descobrirá depois, quando uma criatura desconhecida começa a devorar todos os seus tripulantes.

Alien: Covenant - Texto II
Até tentei gostar desse novo filme, mas o roteiro é muito básico. Se duvida disso posso resumir tudo em poucas linhas: Nave de colonizadores passa por uma tempestade solar. Há problemas. A tripulação é acordada. O novo comandante decide ir em um planeta próximo. O lugar está cheio de aliens. Todos vão morrendo. Fim. Achou muito simples? É bem por aí mesmo. O filme anterior "Prometheus" abriu um monte de possibilidades e deixou inúmeras perguntas no ar. Só que esse novo filme não está nem aí para elas. Ele se contenta apenas em contar uma estorinha banal de astronautas sendo devorados por aliens e é só. Ninguém vai ter nenhuma informação a mais sobre os novos rumos da série. É tudo muito básico, com uma equipe de colonos servindo de menu para aliens famintos. Há algumas novidades de design dos monstros, mas igualmente não vemos nada de muito interessante. era mesmo de se supor que haveria pelo menos alguma novidade nesse aspecto. A tecnologia melhorou nos efeitos digitais. Era claro que tudo seria mais bem feito. Isso é o mínimo de se esperar. Não é novidade. 

Foi decepcionante. Claro que o filme continua investindo em um visual bem peculiar, bem característico dos filmes de Aliens, mas nada vai muito além disso. Uma boa ficção não vive apenas de efeitos especiais. Tem que ter um enredo inteligente, coisa que Alien: Covenant não tem. Esses personagens da nave Covenant são muito chatos e sem conteúdo. Essa coisa de um usar chapéu de cowboy, a outra ter traumas pela morte do marido (passa o filme todo chorando, que saco!) e o velho clichê do comandante inexperiente, já deu o que tinha que dar há anos. Nenhum personagem humano tem maior profundidade. São todos rasos, como convém a astronautas que só estão lá para serem devorados em série. Que coisa feia Sr. Ridley Scott! Pensei que iria pelo menos criar alguma personalidade para essas pessoas. Só sobra de bom mesmo os dois sintéticos interpretados por Michael Fassbender. Um é bonzinho, o outro malvadão. Um segue sendo leal aos seres humanos, cumprindo todas as suas funções dentro da equipe. O outro quer que os seres humanos se danem, pois em sua opinião é uma raça desgraçada e inútil, que destrói tudo por onde anda no universo (em certo aspecto ele até tem razão sobre isso). Esse sintético antigo prefere os aliens, que ele admira como uma espécie predadora perfeita. Além disso, por não ser uma criatura orgânica ele vive muito bem ao lado deles, que não vão devorar um sintético feito de substância químicas tóxicas. Provavelmente esse personagem será central no próximo filme ou não - dependendo do que Ridley decida. Não me admira se ele ignorar esse segundo filme, como fez com o primeiro. Então é isso ai. Um novo aliens que não acrescenta nada, que não melhora e nem marca dentro da série. É banal demais para ser levado à sério.

Alien: Covenant (Alien: Covenant, Estados Unidos, 2017) Estúdio: Twentieth Century Fox / Direção: Ridley Scott / Roteiro: Ronald Shusett / Elenco: Michael Fassbender, Katherine Waterston, Billy Crudup / Custo de produção: 97 milhões de dólares / Data de Estreia: 17 de maio de 2017 / Sinopse: Mais um exemplar da franquia cinematográfica de sucesso "Aliens".

Em Cartaz: Alien: Covenant
Alien: Covenant estreou mundialmente em maio de 2017, dirigido por Ridley Scott, funcionando como continuação direta de Prometheus (2012) e, ao mesmo tempo, como um elo mais próximo do clássico Alien – O Oitavo Passageiro (1979). O filme acompanha a tripulação da nave colonial Covenant, que descobre um planeta aparentemente paradisíaco, mas que esconde segredos aterradores ligados aos Engenheiros e ao androide David. Desde o anúncio, o longa foi promovido como um retorno ao terror mais direto da franquia, equilibrando filosofia e horror visceral.

Na bilheteria, Alien: Covenant teve um desempenho moderado. Com orçamento estimado entre US$ 97 e 111 milhões, o filme arrecadou cerca de US$ 240 milhões mundialmente, valor considerado abaixo do esperado para uma franquia tão consagrada. Embora tenha se saído razoavelmente no mercado internacional, o resultado ficou aquém de Prometheus, levantando dúvidas sobre a viabilidade comercial de novas continuações diretas naquele momento.

A reação da crítica em 2017 foi dividida, mas ligeiramente mais favorável do que a recebida por Prometheus. O The New York Times afirmou que o filme “recupera parte do terror corporal que tornou a série famosa”, elogiando a atmosfera sombria e a direção visual. Já a Variety descreveu o longa como “brutal, elegante e perturbador”, embora tenha ressaltado que o roteiro alternava momentos de profundidade filosófica com decisões narrativas questionáveis.

O maior consenso crítico concentrou-se na atuação de Michael Fassbender, que interpreta dois androides distintos, David e Walter. Diversos jornais destacaram que o ator “domina o filme com uma performance inquietante e sofisticada”, tornando-se o verdadeiro eixo dramático da narrativa. Em contrapartida, parte da crítica considerou os personagens humanos menos desenvolvidos, funcionando mais como vítimas do horror do que como figuras emocionalmente complexas.

Com o passar dos anos, Alien: Covenant passou a ser visto como um capítulo controverso, porém essencial da mitologia Alien. Para alguns, o filme aprofundou de forma ousada temas como criação, poder e ausência de moralidade; para outros, sacrificou mistério e sutileza em favor de explicações excessivas. Ainda assim, permanece como uma obra visualmente marcante e um dos filmes mais discutidos da franquia moderna, consolidando o androide David como um de seus personagens mais perturbadores.

Alien: Romulus
Um grupo de jovens mineradores que trabalha em um planeta distante deseja abandonar o local, mas não consegue a liberação da companhia espacial responsável. Diante disso, decidem tomar uma atitude extrema: roubar uma nave para fugir em direção a um planeta mais parecido com a Terra. Para realizar a viagem, porém, precisam de equipamentos de hibernação e resolvem invadir uma antiga estação espacial abandonada chamada Romulus. O que eles não sabem é que a estação está infestada de Aliens sedentos por sangue humano.

A franquia Alien está prestes a completar 50 anos e continua sendo um produto cinematográfico lucrativo, o que explica a constante produção de novos filmes. Alien: Romulus aposta em um elenco inteiramente jovem, claramente numa tentativa de dialogar com o público atual que frequenta as salas de cinema. No panorama geral, trata-se de um filme até competente, mas que dificilmente se destaca quando comparado aos títulos anteriores da franquia.

A escolha desse elenco juvenil, para dizer a verdade, soa pouco convincente diante de uma criatura que, nos filmes clássicos, já dizimou batalhões inteiros de soldados experientes, como visto em Aliens – O Resgate. Se o roteiro fosse mais fiel ao histórico da série, esses jovens provavelmente não sobreviveriam além de duas cenas. Ainda assim, o filme se sustenta graças a algumas sequências bem construídas, especialmente aquelas que exploram visualmente os anéis do planeta hostil do qual os personagens tentam escapar.

O Alien com traços mais humanos apresentado no final também é uma ideia interessante, embora o design não seja totalmente bem-sucedido. No fim das contas, o longa poderia muito bem se chamar “Aliens encontra Teens”: o monstro mais temido do espaço contra jovens astronautas de tênis. É uma versão juvenil da franquia. Não leve muito a sério e encare como um entretenimento leve dentro do universo Alien.

Alien: Romulus (Alien: Romulus, Estados Unidos, 2024) Direção: Fede Álvarez / Roteiro: Dan O’Bannon, Ronald Shusett / Elenco: Cailee Spaeny, David Jonsson, Archie Renaux / Sinopse: Jovens mineradores invadem uma estação espacial abandonada em busca de liberdade, apenas para enfrentar uma infestação mortal de Aliens em um ambiente isolado e sem escapatória.

Em Cartaz: Alien: Romulus
O filme Alien: Romulus estreou nos cinemas em 16 de agosto de 2024, dirigido por Fede Álvarez e produzido por Ridley Scott, retornando à icônica franquia Alien quase cinco décadas após o clássico original de 1979. Ambientada no espaço profundo entre os eventos de Alien – O Oitavo Passageiro e Aliens – O Resgate, a trama acompanha um grupo de jovens colonizadores espaciais que, ao explorar uma estação espacial abandonada, acabam confrontando os perigos mortais dos xenomorfos — as criaturas alienígenas mais temidas do universo cinematográfico.

Em termos de bilheteria, Alien: Romulus foi um sucesso notável dentro da saga. O filme acumulou aproximadamente US$ 285,6 milhões mundialmente, superando a arrecadação de títulos anteriores como Alien: Covenant e se tornando, na época, a segunda maior bilheteria da franquia, atrás apenas de Prometheus. Esse desempenho incluiu cerca de US$ 90,9 milhões nos Estados Unidos e forte resposta em mercados internacionais como China, Reino Unido e Coreia, consolidando o filme também entre as maiores bilheterias de 2024.

A reação da crítica em 2024 foi majoritariamente positiva, destacando especialmente o retorno ao terror claustrofóbico e às raízes de horror da série. No Rotten Tomatoes, o longa atingiu cerca de 80 % de aprovação dos críticos, com consenso apontando que o filme “honra seus predecessores enquanto injeta novos sustos e sangue alienígena”. Muitos resenhistas elogiaram o estilo e a tensão do filme, mesmo reconhecendo que ele não reinventava totalmente a franquia.

Alguns críticos destacados por publicações especializadas comentaram que Alien: Romulus entrega sequências de suspense e ação intensas, com design de produção e criaturas alinhados à tradição da saga, embora a história em si — centrada em um grupo de personagens menos desenvolvidos — seja considerada por alguns como “derivativa e previsível”. Resenhas destacaram as cenas de terror físico e atmosfera sufocante como pontos fortes, ao passo que mencionaram que o enredo caminha por caminhos familiares à franquia.

Com o passar do tempo, Alien: Romulus consolidou-se como um retorno celebrado ao horror espacial clássico dos primeiros filmes da série, reacendendo o interesse dos fãs e reparando parte da reputação da franquia após entradas mais controversas. Embora tenha gerado debates sobre originalidade entre fãs e críticos, a maioria das reações de 2024 reconheceu que o longa conseguiu equilibrar nostalgia e novos elementos, deixando aberta a possibilidade de continuações dentro desse universo narrativo.

Pablo Aluísio.

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