sexta-feira, 20 de junho de 2025

Rita Lee - Mania de Você

Rita Lee - Mania de Você 
Rita Lee se foi... e esse documentário emocional tem como objetivo contar parte de sua história, tanto no aspecto familiar como profissional. Para isso conta com os preciosos depoimentos do eterno companheiro de vida, Roberto de Carvalho, além de trazer os três filhos do casal falando sobre a artista, relembrando seu passado. Eu, que acompanhei essa história apreciando a música maravilhosa da Rita Lee, gostei de tudo. Uma bela homenagem, sem dúvida. 

Agora só uma coisa me incomodou um pouco. O período de Rita Lee nos Mutantes foi ignorado. Quem assistir ao documentário e não conhecer a história dela vai pensar que sua carreira começou quando ela se uniu ao grupo Tutti-Frutti nos anos 70. Não foi bem assim. Rita Lee tem todo um passado riquíssimo, do ponto de vista artístico, ao lado dos Mutantes nos anos 60. Acredito que eles foram colocados de lado porque a separação da Rita Lee dos Mutantes não foi uma coisa amigável ou pacífica. Mágoas ficaram pelo meio do caminho, então até entendo a opção de deixar isso de lado. Provavelmente uma decisão da família e quem sabe até mesmo da Rita Lee antes de morrer (não conheço os detalhes sobre isso). 

De qualquer maneira nada disso vai mesmo atrapalhar. Esse é um excelente documentário que resgata não apenas a pessoa da Rita Lee como artista, mas também como mãe e esposa. É um documentário, mas também uma homenagem das pessoas da vida de Rita Lee. Aqui falam seu marido, seus filhos, sua irmã, artistas que trabalharam com ela. Foi mesmo uma maneira muito bela de homenagear esse grande artista da música brasileira. 

Rita Lee - Mania de Você (Brasil, 2025) Direção: Guido Goldberg / Roteiro: Guido Goldberg, Julián Troksberg / Elenco: Rita Lee (em imagens de arquivo), Roberto de Carvalho, Beto Lee, Antônio Lee, João Lee, Casagrande, Marília Gabriela, Gilberto Gil / Sinopse: Documentário em que parentes, amigos e pessoas próximas de Rita Lee relembram sua carreira, sua vida pessoal e sua luta contra uma terrível doença. 

Pablo Aluísio. 

Leopoldina - A Imperatriz do Brasil

Leopoldina - A Imperatriz do Brasil 
Durante muitos anos os historiadores esqueceram da importância da Imperatriz Leopoldina na história do Brasil. Os livros tradicionais não traziam o destaque que ela merecia no processo de independência do Brasil. Então, de uns tempos para cá, sua real participação em todos esses eventos históricos está sendo resgatada por novos historiadores, pesquisadores e especialistas nesse período da nossa história. E o que saiu de toda essa pesquisa foi o retrato de uma mulher forte, inteligente, determinada e decidida a transformar o Brasil em uma nação independente. Ela foi sem dúvida uma heroína esquecida de nossa história oficial. Ela e Dom Pedro I decidiram juntos libertar o Brasil de Portugal. Não foi pouca coisa! E não podemos esquecer que esse jovem casal, de vinte e poucos anos, foi o principal responsável por trazer a independência de um país continental!

E se no campo político foi uma figura de grande importância, no campo pessoal sofreu muito com a infidelidade do marido, o imperador Dom Pedro I, que era um homem muitas vezes irresponsável em seus atos, dono de uma personalidade complicada, muitas vezes agindo com pura paixão e zero racionalidade. Leopoldina sofreu humilhações públicas terríveis quando Pedro I praticamente assumiu seu caso extraconjugal com a Marquesa de Santos. Tanta infidelidade e desrespeito por seu casamento acabaram minando a saúde de Leopoldina que não teve um final feliz em sua vida. De qualquer maneira, antes tarde do que nunca, pelo menos aqui temos o resgate de sua memória, onde sua importância é novamente colocada no lugar que sempre lhe foi devida. 

Leopoldina - A Imperatriz do Brasil (Brasil, 2023) Direção: Belisario Franca, Bianca Lenti / Roteiro: Belisario Franca, Bianca Lenti / Elenco: Historiadores e pesquisadores do Primeiro Reinado do Brasil / Sinopse: A história da arquiduquesa austríaca que ao se casar com o Imperador Dom Pedro I do Brasil se tornou a primeira imperatriz da jovem nação brasileira. Uma figura histórica muito importante no processo de indenpência do nosso país. 

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 19 de junho de 2025

Watchmen - Volume II

Watchmen - Volume II 
A segunda animação começa exatamente onde a primeira terminou. Rorschach está preso, mas é retirado de lá pelo Coruja, que elabora e executa uma operação de resgate dentro da prisão de segurança máxima onde ele cumpre sua pena. A intenção é descobrir quem teria matado o Comediante e outros heróis de um passado glorioso e distante desses personagens. Nesse Volume 2 também há muito espaço para o personagem do Dr. Manhattan. No passado ele foi um cientista brilhante, mas depois de ter sido exposto a altas doses de radiação se transformou nesse ser, muito poderoso e praticamente indestrutível. Só ele pode salvar a humanidade de seu triste futuro de caos e destruição, mas em crise existencial ele parte em direção a Marte, onde se pergunta se a humanidade merece mesmo ser salva de sua própria aniquilação. Essa parte da animação abre espaço para algo mais reflexivo, porém não espere por grandes divagações existencialistas, pois no fundo tudo fica mesmo ali na base da superficialidade! 

De qualquer maneira esse Volume 2 traz o desfecho de todo o enredo. O Homem mais inteligente do mundo se torna uma peça chave. Não achei ele tão inteligente assim, confesso, mas como estamos diante de uma adaptação dos quadrinhos, não adianta também exigir em demasia. Dentro de seu nicho, Watchmen é de fato um belo trabalho de criação do complicado e temperamental Alan Moore. Vale inclusive ter a coleção original em seu acervo pessoal, caso seja um apreciador da nona arte. 

Watchmen - Volume II (Watchmen: Chapter II, Estados Unidos, 2024) Direção: Vinton Heuck, Brandon Vietti / Roteiro: Dave Gibbons, Alan Moore, J. Michael Straczynski / Elenco: Troy Baker, Adrienne Barbeau, Michael Cerveris / Sinopse: Após Rorschach deixar a prisão, ele se une novamente ao Coruja para descobrir de uma vez por todas quem seria a mente pensante por trás das mortes dos veteranos super-heróis. Segunda e última parte da adaptação da Graphic Novel Watchmen de Alan Moore para o mundo da animação. 

Pablo Aluísio. 

A Lista

A Lista 
Um executivo vai vendo sua vida entrar pelo buraco. Primeiro ele é deixado de lado na promoção da empresa para um sujeito mais novo e ambicioso, na verdade um verdadeiro escroto! Depois ele descobre que sua esposa o está traindo com seu melhor amigo! Complicado demais, não é verdade? Ele então decide afogar as mágoas no bar mais próximo. Lá encontra um sujeito com um aspecto nada amigável. Ainda assim insiste em puxar conversa com o desconhecido. Não custa nada jogar conversa fora numa noite solitária... Ele não sabe, mas aquele sujeito ali no bar ao seu lado é um assassino profissional altamente treinado. Meio de saco cheio daquela conversa toda de tristezas, o assassino então diz para ele que escreva em um pequeno papel uma lista com as cinco pessoas que ele gostaria de ver mortas. O executivo ri, acha engraçado e começa a escrever o nome daqueles que ele gostaria de ver numa cova rasa! O que ele não sabe é que o assassino vai levar à sério aquela lista. Naquele mesmo dia ele vai começar a matar um a um, terminando com a esposa traidora. O que começa com uma piada de humor negro logo vira um pesadelo...

Gostei do filme. Não, não é nada demais, não é uma obra-prima da sétima arte e nem tem um elenco de astros ou estrelas. Porém, inegavelmente, a história simplista funciona... Chegou até mesmo a me lembrar de Tom Cruise naquele filme em que ele também interpretava um assassino profissional, o hoje até elogiado "Colateral". Dito isso quero frisar mais uma vez que o filme, apesar de ser bem modesto, funciona até bem. Eu gostei do jogo, da lista, das mortes... Algumas coisas não se brincam, entre elas a morte. Fica a dica! 

A Lista (The Hit List, Estados Unidos, 2011) Direção: William Kaufman / Roteiro: Chad Law, Evan Law / Elenco: Cuba Gooding Jr, Cole Hauser, Jonathan LaPaglia / Sinopse: Executivo em um momento ruim da vida casualmente conhece um assassino em série em um bar. E acaba cometendo o maior erro de sua vida ao dar, por pura ironia, uma lista das pessoas que ele gostaria de ver mortas! 

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 18 de junho de 2025

Peter Pan: Pesadelo na terra do nunca

Peter Pan: Pesadelo na terra do nunca 
Os direitos autorais dos personagens infantis do passado estão entrando em domínio público. E curiosamente uma nova safra de cineastas estão usando eles em sangrentos filmes de terror! Atitude mais tóxica de encontrar, impossível! Pois bem, depois do Ursinho Pooh, chegou a vez do Peter Pan entrar na dança. Só que o Peter Pan aqui é outro (nem precisaria enfrentar a questão dos direitos autorais para falar a verdade!). Nessa história Peter Pan é um psicopata muito violento e demente. Sua especialidade é raptar crianças, levar elas para sua casa sombria e sinistra, prometendo que elas vão para a terra do nunca, onde jamais deixarão de ser crianças! Bom, já se pode ter uma ideia do que vai acontecer... É de dar arrepios...

Deus que me perdoe, mas eu lembrei do Michael Jackson! Pois é, a tal casa do psicótico se chama Neverland, tem aquele clima doentio de mitologia infantil, mas que no fundo simula um estado de falsa inocência em um ambiente que na verdade é mentalmente muito doentio, criminoso! O filme também tem uma Sininho, uma mulher mais velha, antiga vítima do psicopata, que demonstra ter muitos problemas de retardamento mental. E não esqueçamos do Capitão Gancho, aqui um monstro mesmo, provavelmente uma criança raptada em um passado distante. Ele vive em um porão escuro há décadas, mas como veremos, não esqueceu de quem lhe fez muito mal. Enfim, slasher sangrento, nojento, ao estilo "Sangue e Tripas". Se você não suporta nem ouvir falar nesse tipo de filme, já sabe, fique bem longe!

Peter Pan: Pesadelo na terra do nunca (Peter Pan's Neverland Nightmare, Estados Unidos, 2025) Direção: Scott Chambers / Roteiro: Scott Chambers / Elenco: Megan Placito, Martin Portlock, Kit Green / Sinopse: Psicopata leva crianças para sua casa isolada e sombria, prometendo a elas que vão viver incríveis aventuras em Neverland, a terra do nunca das histórias infantis do Peter Pan! 

Pablo Aluísio. 

Frankenstein Tem que Ser Destruído

Frankenstein Tem que Ser Destruído 
Mais um bom filme da Hammer que eu sinceramente não conhecia até assistir. A história segue em frente. Com isso quero dizer que o roteiro desse filme não quis ser mais uma milésima adaptação do livro "Frankenstein" de Mary Shelley. Nada disso. Quando o filme começa o Dr. Frankenstein já está em apuros, sendo procurado por policiais e investigadores. Todo mundo já sabe o que ele tentou fazer antes, criar vida humana através de pedaços de corpos humanos mortos. Ele é considerado um monstro, por isso vive fugindo e se escondendo, o que não quer dizer que ele tenha desistido de suas pesquisas bizarras. Agora ele quer fazer o primeiro transplante de cérebros da história da ciência. Citando Mozart, Newton e outros gênios da humanidade, o perturbado cientista vitoriano entende que determinadas mentes jamais podem morrer e assim ele coloca suas novas pesquisas em frente, sempre fugindo, sempre fazendo as experiências em porões sujos e escondidos, uma agonia. 

Um filme bem legal. Nada picareta, nada trash, como se poderia pensar inicialmente. A Hammer seguramente tinha seu valor e falta de classe não era um de seus defeitos, muito pelo contrário. Muitas vezes utilizando dos chamados monstros clássicos da Universal, já em uma época bem posterior dos filmes originais, eles conseguiam excelentes resultados. Esse é um deles. Um filme bem interessante e satisfatório que tenta seguir em frente com as histórias do Dr. Victor Frankenstein, um sujeito que fazia monstruosidades em nome de uma ciência bem particular. 

Frankenstein Tem que Ser Destruído (Frankenstein Must Be Destroyed, Reino Unido, 1969) Direção: Terence Fisher / Roteiro: Bert Batt, Anthony Nelson Keys / Elenco: Peter Cushing, Veronica Carlson,  Freddie Jones / Sinopse: O Barão Frankenstein passa a ser um homem procurado. Foragido, tenta uma nova pesquisa que o absorve, levando às raias da obsessão. Ele agora almeja fazer o primeiro transplante de cérebros da história! 

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 17 de junho de 2025

Gunsmoke

Título no Brasil: Gunsmoke
Título Original: Gunsmoke
Ano de Produção: 1955 - 1975
País: Estados Unidos
Estúdio: CBS Television
Direção: Andrew V. McLaglen, Harry Harris, Ted Post
Roteiro: Jim Byrnes, Dudley Bromley
Elenco: James Arness, Milburn Stone, Amanda Blake
  
Sinopse:
"Gunsmoke" narra a história do xerife Matt Dillon (James Arness) que junto ao seu filho chega em Dodge City, infame cidade do velho oeste conhecida por ser um lugar sem lei e nem ordem, infestada de bandidos, bandoleiros e foras-da-lei procurados pela justiça. Juntos tentarão trazer de volta o respeito à lei naquela desolada e distante região, esquecida por tudo e todos. Famosa série de TV que originou 635 episódios ao longo de vinte anos de exibição no canal norte-americano CBS. Série vencedora dos prêmios Globo de Ouro, Emmy, TV Land Awards e Western Heritage Awards.

Comentários:
Uma das séries mais populares da história da TV americana. "Gunsmoke" atravessou três décadas e no total teve incríveis 20 temporadas, todas com excelentes índices de audiência. Era uma época muito rica entre as emissoras de televisão nos Estados Unidos. Todas elas mantinham de alguma forma séries regulares de western em sua grade de programação. Sobre isso há dois aspectos a considerar. Alguns acreditam que as séries de faroeste contribuíram de alguma forma para a decadência do gênero no cinema, afinal de contas para que se pagaria um ingresso se era possível assistir em casa, completamente de graça? Para outros a forma de entender o sucesso do western na TV era completamente oposta. O sucesso das séries ajudou a criar toda uma nova geração de fãs do gênero, o que acabou resultando em uma sobrevida do Western nos cinemas. De uma forma ou outra é bom salientar que seriados como "Gunsmoke" eram produzidos com requinte, com tudo o que de bom o espectador tinha direito, bons figurinos, roteiros bem escritos e atores carismáticos. Não é assim de se estranhar que tenha ficado tantos anos no ar. Qualidade não lhe faltava. Um clássico do faroeste na TV, até hoje ainda muito cultuado e lembrado pelos fãs em geral.

Pablo Aluísio.

segunda-feira, 16 de junho de 2025

De Volta ao Planeta dos Macacos

De Volta ao Planeta dos Macacos 
Essa foi a primeira continuação depois do clássico "O Planeta dos Macacos". E o roteiro segue bem de perto a história original. Uma segunda nave é enviada para localizar o paradeiro de Taylor (Heston), o astronauta perdido do primeiro filme. Pois bem, essa segunda nave cai nas mesmas armadilhas de tempo e espaço da nave do filme original e de repente lá está o novo astronauta de resgate no mesmo Planeta dos Macacos. Nessa altura do filme você vai pensar que estão apenas requentando o roteiro do primeiro filme. Estariam contando a mesma história, só que tentando soar um pouco diferente! A primeira parte do filme é bem isso mesmo, mas espere um pouco, tenha paciência, pois haverá novidades mais na frente. 

Esse segundo astronauta chamado John Brent (James Franciscus) encontra seres humanos mais evoluídos que vivem nas ruinas de uma Nova Iorque há muito destruída. Eles seriam tão avançados que usam apenas a mente para se comunicar. Esse poder também é usado nos macacos, criando ilusões em suas mentes, os mantendo longe da comunidade humana. É a Zona Proibida, algo que só existe mesmo nas mentes das pessoas atingidas por essas ilusões! Só que tem algo muito errado com esses seres humanos do terceiro milênio. Eles idolatram uma bomba atômica como se fosse seu deus! Imagine a loucura! 

Apesar de até trazer algumas boas ideias devo dizer também que certas histórias que terminam muito bem, não precisam de explicações posteriores. O primeiro filme terminou com Taylor encontrando a Estátua da Liberdade nas areias de uma das praias do Planeta dos Macacos. Ótimo! Grande final! A partir daí que cada um que tirasse suas próprias conclusões, mas esse segundo filme vem para explicar tudinho, sendo que na maioria das vezes esse tipo de explicação acaba mesmo é estragando o que vimos no primeiro filme. Nem todas as novas ideias são boas, algumas, para ser bem sincero, são bem bobocas! Dessa maneira deixo a recomendação apenas se você tiver muita curiosidade em seguir vendo os filmes da franquia original. Caso não seja esse o caso, pode dispensar sem maiores problemas. 

De Volta ao Planeta dos Macacos (Beneath the Planet of the Apes, Estados Unidos, 1970) Direção: Ted Post / Roteiro: Paul Dehn, Mort Abrahams / Elenco: James Franciscus, Charlton Heston, Kim Hunter, Maurice Evans / Sinopse: Após a primeira nave espacial se perder e ir parar em um estranho planeta habitado por macacos evoluídos, uma expedição de resgate é enviada para descobrir o que de fato aconteceu. E esses astronautas acabam indo parar no mesmo planeta, em uma situação completamente caótica e brutal. Brent, um dos astronautas, acaba encontrando o que restou da civilização humana inteligente, uma estranha comunidade isolada formada por seres deformados pela radiação que idolatram uma bomba atômica como se fosse o próprio Deus! 

Pablo Aluísio. 

O Colosso de Roma

O Colosso de Roma
Na década de 1960 o ator Gordon Scott foi para Roma. Ele tinha criado fama como Tarzan nos Estados Unidos em uma série de bons filmes de aventura com esse famoso personagem. Na Europa procurava por novas oportunidades. Acabou indo parar em filmes épicos, produzidos por companhias cinematográficas italianas. Esse gênero, que mais tarde seria chamado de "Espadas e Areias" por alguns críticos, gerou alguns filmes interessantes. A maioria deles ambientados na Roma antiga. Não era nada equivocado, afinal os italianos estavam contando sua própria história. Eles tinham lugar de fala nessa questão. 

E a história desse filme retornava bem longe no passado. Um conto passado até mesmo antes da República Romana, muito anterior ao surgimento dos primeiros imperadores. A época histórica aqui se passa na velha monarquia de Roma, onde essa milenar civilização teria sido governada por sete reis tiranos. Até hoje os historiadores debatem se esses reis realmente existiram ou se eram apenas uma base lendária em que se criou essa mitologia de fundação da civilização romana. De qualquer forma o roteiro abraça a mitologia e a história para contar seu enredo. Até que eu gostei do que vi. Não subestime a capacidade de realizar boas produções do cinema italiano nessa época. Eles já tinham uma indústria cinematográfica bem consolidada em Roma naquele período. 

O Colosso de Roma (Il colosso di Roma, Itália, 1964) Direção: Giorgio Ferroni / Roteiro: Alberta Montanti, Antonio Visone / Elenco: Gordon Scott, Gabriella Pallotta, Massimo Serato / Sinopse: Em uma Roma antiga, dominada por reis brutais, violentos e corruptos, um bravo guerreiro romano tenta demonstrar seu valor, protegendo seus familiares e pessoas amadas dos abusos da monarquia. 

Pablo Aluísio. 

domingo, 15 de junho de 2025

Júlio César e Cleópatra

Júlio César e Cleópatra
Quando Júlio César desembarcou em Alexandria, no Egito, ele tinha apenas o objetivo de assinar uma série de tratados comerciais com aquela nação. Só que ao andar pelas ruas da milenar cidade fundada por Alexandre, o Grande, ele descobriu que o Egito estava praticamente em guerra civil. Havia um grupo político que apoiava o garoto Ptolomeu para se tornar o novo faraó e existia outro grupo rival, mais organizado e com nomes mais relevantes da sociedade, defendendo a subida da jovem Cleópatra ao trono. Júlio César, um político astuto e oportunista, logo percebeu que poderia tomar proveito daquela situação. 

Ele não achou que Ptolomeu fosse grande coisa. Foi conhecer ele pessoalmente e não ficou nada impressionado. Era jovem, tinha apenas 14 anos de idade, muito arrogante e não tinha nenhuma noção do poder de Roma. César sabia que duas legiões romanas poderiam destruir os exércitos daquele rapaz de uma forma até mesmo fácil. Era só querer e tomar o Egito, transformando aquela antiga civilização do Rio Nilo numa província romana. O ambicioso César porém ficou admirado com a garota Cleópatra, irmã mais velha daquele fedelho insolente. 

Reza a lenda que Cleópatra decidiu fazer uma entrada triunfal para conhecer César. Ela foi enrolada dentro de um grande tapete persa e assim foi colocada dentro do quarto do general romano. César, já um homem maduro, ficou realmente impressionado com ela, com sua beleza. E de fato Cleópatra tinha muito mais a oferecer. Era muito culta, falava vários idiomas e se mostrou ser uma pessoa extremamente inteligente, bem ao contrário de seu irmão mais jovem. Naquela noite, completamente seduzido por Cleópatra, César tomou sua decisão, ficando ao lado daquela bela jovem de 17 anos. Ela iria se tornar a nova Rainha do Egito!

No dia seguinte legionários romanos marchavam por toda a cidade, inaugurando um novo momento histórico do Egito. Ptolomeu foi descartado sumariamente e César colocou no trono a sua nova amada, agora com o título real de Cleópatra VII. Esse relacionamento iria mudar a geopolítico do mundo antigo. César iria ficar perdidamente apaixonado por ela, jogando seu juizo pela janela. Não tardou e a fofoca atravessou o mar e chegou em Roma. Sim, ele estava caindo de amores por uma exótica rainha do Egito. Júlio César não admitia críticas sobre sua vida pessoal e decidiu que iria retornar a Roma em breve, mas agora ao lado de sua nova paixão! A crise política logo iria se instalar na cidade eterna. 

Pablo Aluísio.