quarta-feira, 2 de janeiro de 2002

Crônicas do Futebol - Edição III

A Copa do Mundo de 1982 foi a primeira que acompanhei de verdade. Eu morava em um condomínio no Rio de Janeiro e foi uma festa. Os moradores embelezaram o lugar com verde a amarelo, todos só falavam da Copa e o clima era de euforia. E todo mundo tinha razão de ter esse otimismo. A seleção brasileira era excelente, cheia de craques. Em minha opinião era certamente a melhor seleção de futebol do mundo. Quem poderia discordar? Tirando o goleiro Valdir Peres e o Toninho Cerezo, todos os demais poderiam ser considerados craques ou no mínimo grandes jogadores.

Os craques em minha opinião enchiam os olhos. Era uma seleção do Brasil que tinha Zido, Sócrates, Falcão e Éder Aleixo (que cobrava faltas como quem detona dinamite). Eu gostava muito também do futebol de Júnior (do Flamengo), Oscar e Leandro. O centroavante não ficava à altura do time, apesar de fazer gols o Serginho Chulapa era apenas mediano. De qualquer forma era uma seleção brasileira mravilhosa. Além de todos os nomes tinha o Telê Santana como treinador. Tudo parecia estar nos eixos. Só faltava levantar a taça.

Só que os deuses do futebol também mostram seus caprichos. A seleção de 1982 estava fadada a ser a melhor seleção do mundo que não iria ganhar nada. Foi terrível a eliminação no jogo contra a itália. Nunca mais o povo brasileiro iria se esquecer do nome de Paolo Rossi. Esse jogador italiano que nem era considerado tão bom assim, jogou como nunca na sua carreira! Aliás ele nunca mais iria jogar tanto até o fim de seus dias como jogador de futebol. Foi só naquele dia... para azar do Brasil!

O Brasil fazia um gol, o Rossi fazia outro. Novo gol do Brasil? Novo gol do Rossi. No final os italianos levaram a melhor e o Brasil foi eliminado da Copa do Mundo. O canarinho não voou como previa a boa música do Júnior (que chegou até a lançar um compacto na época!). No final de tudo a seleção de 82 ficou conhecida como "a seleção que jogava bonito, mas que não ganhava nada!". Injustiça demais. Essa seleção jamais vai ser esquecida, ao contrário das que foram campeãs e jogaram feio. O que importa no futebol é a beleza e a emoção. Nesses quesitos essa seleção deixou saudades.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 1 de janeiro de 2002

Crônicas do Futebol - Edição II

Qual foi a Copa do Mundo mais antiga da sua vida? Qual é a Copa do Mundo mais velha que você consegue lembrar? Que você presenciou e tem lembranças? A minha foi a Copa do Mundo de 1978. Eu era muito jovem, criança mesmo, mas ainda me lembro de imagens e flashes dessa Copa do Mundo da Argentina. Eu me recordo dos estádios super lotados e da quantidade enorme de papel que ficava pelos campos - uma maneira que a torcida dos hermanos fazia para abrilhantar ainda mais o espetáculo do futebol.

Essa Copa do Mundo tem peculiaridades próprias  Foi a única até hoje realizada na Argentina que sempre foi um gigante do mundo do futebol. Também foi a primeira Copa do Mundo conquistada pela Argentina, isso em uma era pré-Maradona. A seleção da Argentina era excelente, tinha craques como Passarella, Ardiles, Kempes e Fillol. Futebol no campo não lhe faltava, tinha uma equipe que poderia ser considerada mesmo uma das melhores do mundo.

Só que o título argentino até hoje ficou marcado por causa de um jogo contra o Peru. Para seguir em frente a Argentina precisava vencer por uma diferença de 4 gols. Até aí tudo bem, uma vez que o Peru nunca foi mesmo uma grande seleção. Só que a Argentina venceu por 6 a 0, passando para a outra fase, tirando o Brasil da Copa, mesmo que a Seleção Canarinho não tivesse perdido nenhum jogo. Claro que o cheiro de marmelada surgiu no horizonte e até hoje se fala nisso.

Pois é, meus caros. Essa Copa do Mundo de 1978 é a minha mais antiga lembrança de Copas que tenho. Só que a seguinte seria aquela que eu iria viver realmente. A Copa do Mundo de 1982. E seria também a minha primeira grande decepção em termos de futebol brasileiro. Até hoje lembro a música "voa canarinho, voa"... mas falarei sobre isso em outra crônica. Até lá!

Pablo Aluísio. 

Crônicas do Futebol - Edição I

Olhando para o passado, em minhas lembranças, o primeiro campeonato que eu comemorei foi o estadual de 1988. Eu estava na adolescência e quando se é jovem, já sabe, o futebol ganha grande importância. Pois realmente foi a partir desse ano que comecei a acompanhar o time com especial atenção. A equipe de 1988, apesar de ser campeã, era mesmo mediana. Em minha opinião não havia nenhum craque no timão.

E falo isso não para desmerecer o Corinthians de 88, mas sim para relatar um fato. Só para ter uma ideia o jogador mais destacado daquele ano foi o novato Viola que se notabilizou por ter feito o gol na final contra o Guarani. Mas quem diabos era Viola? Ninguém sabia quem era Viola naquela época! Muito menos esse que está escrevendo esse texto. Por aqueles anos o Corinthians vivia de alguns craques do passado, entre eles Cláudia Adão, em fim de carreira. Não era um time cheio de craques, temos que falar a verdade. Tinha muito jogador batalhador, guerreiro, todos puxados pela mesma torcida apaixonada de sempre, mas craque... definitivamente não havia!

Se não era um time de craques, pelo menos era um time regular. O Corinthians de 88 jogou um futebol feijão com arroz, mas que foi suficiente para levar o time para a final. E contra o Guarani de Campinas, o Corinthians, mesmo mediano, era o favorito. O último estadual havia sido conquistado em 1983, então já era hora de ganhar mais um Paulista, para deixar a torcida tranquila.

Para relembrar o time foi treinado pelo Jair Pereira. Na final o Corinthians jogou com o seguinte time: Ronaldo, Édson, Marcelo Djian, Denílson e Dida; Biro-Biro, Márcio, Edmundo (Viola); Wilson Mano, Éverton e João Paulo. Alguns desses seguiriam no time até 1990, ano que o timão venceu pela primeira vez o campeonato brasileiro (que irei falar em breve por aqui). O mais veterano era mesmo o Biro-Biro, que já estava prestes a se aposentar, afinal ele foi jogador do Corinthians por muitos anos e da velha guarda apenas ele continuava jogando. Era chegada a hora de pendurar as chuteiras.

Pablo Aluísio.

domingo, 2 de dezembro de 2001

Respire

Título no Brasil: Respire
Título Original: Breathe
Ano de Lançamento: 2014 
País: França 
Estúdio / Produtoras: Gaumont Productions 
Direção: Mélanie Laurent 
Roteiro: Mélanie Laurent, Julien Lambroschini 
Elenco: Joséphine Japy, Lou de Laâge, Isabelle Carré, Claire Keim, Roxane Duran, Thomas Solivéres 

Sinopse
Charlie, uma adolescente de 17 anos, vive uma vida pacata até o dia em que chega na escola uma nova aluna chamada Sarah, carismática e sedutora. Charlie se sente imediatamente atraída por Sarah — ambas começam uma amizade intensa, cheia de intimidade, confidências e cumplicidade. Porém, aos poucos, a relação se torna tóxica: Sarah começa a exercer controle emocional, ciúmes e manipulação sobre Charlie, até transformar a amizade em uma relação de poder e violência psicológica. A tensão cresce e o vínculo entre elas se rompe de forma dramática, levando a consequências chocantes e colocando em xeque a própria realidade da protagonista. 

Comentários:
Respire foi baseado no romance homônimo da escritora francesa Anne-Sophie Brasme. A estreia mundial aconteceu na seção “Semana da Crítica” do Festival de Cannes de 2014. O filme também foi exibido no Toronto International Film Festival (TIFF) 2014, na seção Contemporary World Cinema. A fotografia, de Arnaud Potier, e a direção de arte criam uma atmosfera fria e melancólica, reforçando a intensidade emocional e psicológica da trama. Crítica e público receberam bem: no agregador Rotten Tomatoes, o filme tem cerca de 93% de aprovação com base em críticas especializadas. A crítica elogia especialmente as atuações de Joséphine Japy e Lou de Laâge — consideradas intensas e convincentes — e a forma realista com que o filme aborda amizade, obsessão e manipulação entre adolescentes.

Chad G. Peterson. 

sábado, 1 de dezembro de 2001

Curiosidades do Filme - Red Rooms

Curiosidades do Filme - Red Rooms
A direção de arte e fotografia do filme optam por um estilo minimalista e frio: iluminação austera, enquadramentos fechados, paleta de cores que enfatiza o isolamento da protagonista — reforçando a atmosfera de tensão psicológica. 

O terror no filme não depende de cenas explícitas de violência: o horror vem pelo incômodo psicológico, pela ambiguidade moral e pelo desconforto causado pela obsessão de Kelly-Anne e a mídia sensacionalista. 

O filme estreou no circuito internacional em 2023 — por exemplo, em festivais — e chegou ao público brasileiro mais tarde (2025). 

A recepção crítica ao filme tem sido bastante positiva: no agregador de críticas, “Tomatometer”, alcança cerca de 96% de aprovação. Rotten Tomatoes

A performance de Juliette Gariépy como Kelly-Anne é frequentemente destacada como “hipnótica” e “perturbadora”, fundamental para o impacto do filme. 

Por outro lado, alguns espectadores criticam o ritmo do filme: para eles, a narrativa se arrasta no início e o final deixa “questões em aberto”, sem resolver completamente a história. 

Curiosidades do Filme - Respire

Curiosidades do Filme - Respire
“Respire” é baseado no roteiro escrito por Doug Simon, e o filme estava na “Black List” de roteiros não produzidos mais bem avaliados em Hollywood antes de ser realizado. 

O elenco reúne nomes conhecidos: Jennifer Hudson com papel central, Milla Jovovich e Quvenzhané Wallis como figuras-chave na trama, além de Sam Worthington e Common. 

A obra mistura ficção científica com thriller distópico, trazendo uma premissa sombria — escassez de ar e tensão social — que evoca reflexões sobre dependência de recursos naturais e desespero humano. A produção foi rodada (parte) em 2022 — conforme o cronograma inicial. 

No Brasil, “Respire” aparece em catálogos de streaming: há registros de disponibilidade para aluguel/compra digital em serviços como Apple TV e canal Telecine. 

sexta-feira, 6 de abril de 2001

Filmografia Mickey Rourke - Anos 80 e Anos 90


🎬 Década de 1980
Heaven’s Gate (O Portal do Paraíso) – 1980
Body Heat (Corpos Ardentes) – 1981
Diner (Quando os Jovens se Tornam Adultos) – 1982
Rumble Fish (O Selvagem da Motocicleta) – 1983
The Pope of Greenwich Village (Nos Calcanhares da Máfia) – 1984
Year of the Dragon (O Ano do Dragão) – 1985
9½ Weeks (9½ Semanas de Amor) – 1986
Barfly (Barfly – Condenados pelo Vício) – 1987
Angel Heart (Coração Satânico) – 1987
A Prayer for the Dying (Prece Para um Condenado) – 1987
Homeboy (Homeboy – Chance Para Vencer) – 1988
Johnny Handsome (Um Rosto Sem Passado) – 1989
Francesco (Francisco de Assis) – 1989
Wild Orchid (Orquídea Selvagem) – 1989

🎬 Década de 1990
Desperate Hours (Horas de Desespero) – 1990
White Sands (Areias Brancas) – 1992
Harley Davidson and the Marlboro Man (Harley Davidson e Marlboro Man) – 1991
The Last Outlaw (Os últimos Foras-da-Lei) -1993
FTW (Cúmplices do Desejo) - 1994
Fall Time (Fall Time - Brincando com o Perigo) - 1995
Bullet (Bullet) - 1996
Exit in Red (Sem título no Brasil) – 1996
Double Team (A Colônia) – 1997
Love in Paris (9 1/2 Semanas de Amor 2) - 1997
The Rainmaker (O Homem Que Fazia Chover) - 1997
Buffalo '66 (Buffalo 66) - 1998
Point Blank (Vingança à Queima-Roupa) – 1998
Thicker Than Blood (Mais Forte que a Amizade) - 1998
Thursday (Quinta-Feira Sangrenta) – 1998
Out in Fifty (Sem título no Brasil) – 1999
Shergar (O Cavalo Shergar) - 1999
Shades (Sem título no Brasil) – 1999
Animal Factory (Fábrica de Animais) – 1999

quinta-feira, 5 de abril de 2001

Mickey Rourke - Francesco


Mickey Rourke - Francesco
Mickey Rourke foi encerrando a década de 80 surpreendendo mais uma vez. Afinal, naquela época, ninguém poderia prever que ele iria interpretar um dos santos mais populares da Igreja Católica no cinema, nada mais, nada menos, do que São Francisco de Assis! O filme foi rodado na Itália e Rourke recebeu críticas bem positivas por seu trabalho de atuação, ainda que Rourke fosse um santo com tatuagem do IRA no braço! Coisas de Mickey Rourke, enfim!

Pablo Aluísio. 

Mickey Rourke - Homeboy


Mickey Rourke - Homeboy
No final dos anos 80, o ator Mickey Rourke resolveu interpretar um lutador de boxe decadente. Era um velho sonho dele, já que na juventude havia sido bozeador, mas sem sucesso nos ringues. O filme se revelou um drama pesado, com pouco ritmo, o que o prejudicou nas bilheterias. Particularmente gosto do filme. E para fãs do trabalho de Mickey Rourke se torna um item indispensável na coleção. No Brasil essa produção recebeu o nome comercial de "Chance de Vencer". 

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 4 de abril de 2001

Mickey Rourke - Barfly


Mickey Rourke - Barfly
Em 1987 o ator Mickey Rourke interpretou uma "mosca de bar", ou quase isso. Ele trouxe o pensamento e o modo de vida do escritor Charles Bukowski para o cinema. Com direção de Barbet Schroeder, esse filme foi bastante elogiado em seu lançamento original. Até porque trazia uma das mais inspiradas interpretações de Mickey Rourke em sua carreira. Um trabalho digno de um Oscar de melhor ator. Pena que isso não aconteceu! 

Pablo Aluísio.