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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Céu Amarelo

Céu Amarelo
Baseado num conto de W.R Burnett, o western, "Céu Amarelo" (Yellow Sky,1948) conta a história de James Stretch Dawson (Gregory Peck) e seu bando de assaltantes. A quadrilha, após assaltar o banco da pequena cidade de Rameyville, foge, tendo em seu encalço vários soldados da união. Para fugir do pequeno exército, Stretch e seus capangas desviam a rota e resolvem atravessar a imensidão do deserto na região do Vale da Morte. Depois de vários dias de travessia pelo deserto com sol abrasador, o bando está em frangalhos. O calor inclemente, além da sede e da fome, devastam pouco a pouco Stretch, seus comparsas e os cavalos. Quando ninguém mais acreditava, a quadrilha trôpega e moribunda, chega a uma cidade fantasma chamada Yellow Sky. Na busca desesperada por água o bando encontra uma mulher que os recebem armada com um rifle. Seu nome: Mike (Anne Baxter). Mike mora na pequena cidade com seu avô (James Barton) e juntos guardam um segredo a sete chaves: uma mina de ouro. A beleza e o charme de Mike passam a chamar a atenção do bando, mas especialmente de dois deles: Stretch (Gregory Peck) e Dude (Richard Widmark). Passado alguns dias o bando descobre que Mike e seu avô escondem uma mina de ouro e passam a pressioná-los para que indiquem a posição. O velho, já doente, informa ao bando que na mina existem 50.000 dólares em ouro e que topa fazer a divisão entre todos.

O maior problema é que Stretch está cada dia mais apaixonado por Mike, fazendo brotar em Dude sentimentos de ciúme, ódio e vingança. Dude então reúne o bando para juntos roubarem a mina, traindo não só Stretch mas também Mike e seu avô. Quando descobre a traição do resto do bando, Stretch se une a Mike e seu avô e juntos irão enfrentar o resto do bando pela posse de todo o ouro. Entrincheirados na casa de Mike para se protegerem dos bandidos que agora tem Dude como líder, a batalha pelo ouro e também pelo coração de Mike, inicia-se com uma ferrenha troca de tiros que culminará num final sensacional, inesperado e digno dos grandes clássicos.

Céu Amarelo é um dos maiores western feitos até hoje. Seu revestimento estético projeta na tela uma aura e um charme que só os eternos clássicos do western possuem. Além disso, o longa é ancorado por excelentes performances de Gregory Peck, Richard Widmarck e Anne Baxter. A fotografia em preto e branco de Joseph MacDonald é um espetáculo à parte, principalmente na cena da travessia do deserto onde ele explora as tomadas com um excesso quase letal de claridade. Palmas também para mais um show de direção do grande William A.Wellman que também já havia dirigido o inesquecível "Beau Geste" em 1939.

Céu Amarelo (Yellow Sky, Estados Unidos, 1948) Direção: William A. Wellman / Roteiro: Lamar Trotti, W.R. Burnett / Elenco: Gregory Peck, Anne Baxter, Richard Widmark / Sinopse: Grupo de assaltantes chegam numa pequena cidade perdida do velho oeste e descobrem que no local há uma rica mina de ouro. Agora terão que lutar para colocar as mãos na fortuna do local.

Telmo Vilela Jr.

Em Cartaz: Céu Amarelo
O faroeste Céu Amarelo estreou nos cinemas em dezembro de 1948, dirigido por William A. Wellman e estrelado por Gregory Peck, Anne Baxter e Richard Widmark. Ambientado em uma cidade fantasma no deserto, o filme acompanha um grupo de fora da lei que, após um assalto, encontra apenas uma jovem e seu avô vivendo entre ruínas, dando início a um confronto moral entre ganância, sobrevivência e redenção. Desde o lançamento, a obra se destacou por seu tom sombrio e psicológico, distanciando-se do faroeste clássico mais aventureiro.

Em termos de bilheteria, Céu Amarelo obteve um desempenho sólido, embora não tenha sido um dos maiores sucessos comerciais do gênero naquele ano. Produzido pela 20th Century Fox, o filme atraiu público suficiente para justificar seu investimento, beneficiando-se da popularidade crescente de Gregory Peck e do interesse do público por westerns com maior densidade dramática e visual mais estilizado.

A reação da crítica em 1948 foi majoritariamente positiva. O The New York Times descreveu o filme como “um faroeste tenso e inteligentemente construído”, elogiando sua atmosfera opressiva e o uso expressivo da paisagem desértica. A revista Time comentou que a produção era “mais dura e mais adulta do que a maioria dos westerns de estúdio”, destacando o equilíbrio entre ação e conflito psicológico.

As atuações também receberam atenção especial da imprensa. Gregory Peck foi elogiado por interpretar um fora da lei dividido entre cinismo e consciência moral, com críticos afirmando que sua atuação era “contida e progressivamente humana”. Richard Widmark, conhecido por papéis intensos, foi apontado como o elemento mais imprevisível do elenco, descrito em jornais como “ameaçador e eletricamente instável”. Anne Baxter foi valorizada por trazer força e ambiguidade a uma personagem feminina rara para o gênero na época.

Com o passar do tempo, Céu Amarelo passou a ser visto como um western precursor de abordagens mais modernas, antecipando temas e atmosferas que se tornariam comuns no gênero nas décadas seguintes. Já em 1948, alguns críticos observavam que o filme possuía uma seriedade incomum para o faroeste tradicional. Hoje, a obra é considerada um clássico subestimado, lembrado por sua fotografia marcante, por seu clima moralmente ambíguo e por representar uma fase mais sombria e madura do cinema western americano.