sexta-feira, 19 de junho de 2009

Elvis Presley - Elvis Book - Loving You - Textos II

Elvis Presley - A Mulher Que Eu Amo (Loving You)
Deke Rivers (Elvis Presley) é um jovem trabalhador comum que ganha uma grande chance em sua vida quando uma experiente empresária do circuito country, Glenda Markle (Lizabeth Scott), começa a acreditar e investir em seu talento musical. Após ser despedido de seu emprego, Rivers acaba aceitando a oferta para trabalhar na companhia musical de Glenda. Ela então o escala nos shows que promove em pequenas cidades pelo Sul. Entre um concerto e outro Deke começa a chamar a atenção por suas performances. Ele é um ótimo cantor que acaba enlouquecendo o público feminino por onde passa. Não tarda a se tornar a principal estrela do show, causando ciúmes em Walter 'Tex' Warner (Wendell Corey), um veterano cantor com muitos anos de estrada, que até aquele momento era o principal nome da companhia. No meio de seu sucesso crescente Deke começa a se apaixonar pela doce e jovem cantora Susan (Dolores Hart), uma garota do interior que também almeja fazer sucesso em sua iniciante carreira. Ambos assim tentam encontrar seus próprios caminhos no concorrido circuito musical country.

"Loving You" foi o primeiro filme estrelado por Elvis Presley. Hal Wallis, o produtor, acreditou no jovem cantor que naquela época estava no auge de seu sucesso. Não é de se admirar que tenha logo contratado o rockstar Elvis, afinal ele era jovem, bonito, talentoso, famoso e tal como seu personagem no filme enlouquecia as garotas. Só lhe faltava mesmo virar estrela de cinema, algo que sempre sonhara. Wallis então lhe deu sua grande chance e Elvis não decepcionou. Ele não era ator, mas conseguia ter uma boa presença de cena.  O filme foi obviamente um tremendo sucesso de bilheteria. Presley era o maior ídolo jovem em 1957 e todo esse sucesso se refletiu no êxito do filme. Toda adolescente da América queria ver Elvis no cinema. O sucesso era realmente garantido.

Algumas coisas porém devem ser levadas em conta em relação a esse filme. Durante muitos anos se disse que era uma adaptação da própria vida de Elvis para o cinema. Não é inteiramente verdade. O roteiro já existia há anos. Muito provavelmente foi escrito usando Hank Williams como modelo. O enredo se passa todo no circuito country das pequenas cidadezinhas pelo sul dos EUA. Assim o roteirista Herbert Baker apenas pincelou alguns aspectos da carreira de Elvis em seu texto. A polêmica envolvendo o Rock ´n´ Roll, por exemplo. Do argumento original sobrou a parte mais dramática da estória de Deke Rivers, como o fato dele ter se tornado órfão após a morte de seus pais em um incêndio e a revelação de sua verdadeira identidade em um cemitério abandonado.

Em termos de atuação quem predomina mesmo é Lizabeth Scott, atriz veterana e protegida do produtor Wallis. Elvis ainda era muito jovem e inexperiente, mas dentro de suas possibilidades não sai se mal. Mesmo nos momentos mais cruciais, como a já citada cena do cemitério, Elvis não derrapa e nem faz feio. Claro que sua atuação não pode ser comparada ao dos grandes atores da época. Elvis era na verdade um amador que conseguia a proeza de convencer mesmo nas cenas mais complicadas. Menos afortunada se sai Dolores Hart já que seu papel é bem secundário. De fato ela tem apenas uma boa cena ao lado de Elvis, aquela que se passa na fazenda. Fora isso ela fica mesmo em segundo plano. Mesmo assim é bom deixar registrado que ela impressiona por sua beleza, que lembrava muito Grace Kelly, e por uma dicção perfeita nos diálogos, de se admirar mesmo. No mais o diretor Hal Kanter, em sua única parceria ao lado de Elvis, não quis inventar muito. Entregou um excelente meio de promoção para Elvis, tudo de acordo com as especificações da Paramount. Em suma, Loving You tem um pouquinho de tudo, romance, drama e o mais importante de tudo, sua música, essa realmente imortal. É seguramente um dos filmes mais agradáveis de toda a filmografia de Elvis Presley.

A Mulher Que Eu Amo (Loving You, Estados Unidos, 1957) Direção: Hal Kanter / Roteiro: Herbert Baker, Hal Kanter baseados na obra original de Mary Agnes Thompson / Elenco: Elvis Presley, Lizabeth Scott, Wendell Corey, Dolores Hart, James Gleason / Sinopse: Após ver o jovem Deke Rivers (Elvis Presley) cantando em uma apresentação, a empresária Glenda (Lizabeth Scott) resolve investir no talento do rapaz. Inicialmente o escala como ponte entre as principais estrelas de sua pequena companhia musical, mas depois que ele começa a fazer cada vez mais sucesso decide tomar a importante decisão de o levar para se apresentar na TV no Texas. O problema é que Deke tem um passado traumático que o faz esconder muitos segredos pessoais, inclusive sobre sua verdadeira identidade. Estaria ele realmente preparado para a fama e o sucesso?


Elvis Presley - Loving You - Discografia Americana
LOVING YOU (1957)
MEAN WOMAN BLUES
TEDDY BEAR
LOVING YOU
GOT A LOT O'LIVIN TO DO
LONESOME COWBOY
HOT DOG
PARTY
BLUEBERRY HILL
TRUE LOVE
DON'T LEAVE ME NOW
HAVE I TOLD YOU LATELY THAT I LOVE YOU
I NEED YOU SO

Obs: Esse disco foi o primeiro a trazer uma trilha sonora de Elvis Presley no formato álbum, também conhecido como Long Playing ou LP. A trilha sonora de "Love Me Tender" foi lançado em EP (compacto duplo) e Single. O interessante é que esse disco iria se tornar um padrão para futuros lançamentos de Elvis trazendo músicas de Hollywood. O disco vendeu muito e mostrou a viabilidade comercial desse tipo de disco. Além disso o álbum em si funcionava também como publicidade para o filme, fazendo com que seus fãs fossem ao cinema. 

Single extraído deste disco:
Teddy Bear / Loving You (1957)

Obs: Esse single foi um grande sucesso comercial, indo para o primeiro Lugar nas paradas da Billboard. Pelo ótimo resultado comercial acabou se transformando no único single extraído do álbum. A RCA Victor estava mais do que satisfeita com o número de copias vendidas.

Compacto duplo incluído neste disco:

Elvis Presley Just For You
I Need you So / Have I Told You Lately That I Love You / Blueberry Hill / It's So Strange

Obs: Lançado antes do álbum Loving You, com material totalmente inédito, o EP Just For You fez um bom sucesso de vendas no mercado, chegando ao segundo lugar entre os mais vendidos da Billboard.

Compactos duplos extraídos deste disco:

Loving You Vol. 1:
Loving You / Party / Teddy Bear / True love
Obs: Lançado em agosto de 1957 foi um grande sucesso de vendas chegando ao primeiro lugar na parada de EPs - compactos duplos - isso apesar de só trazer reprises do álbum original. A capa trazia a mesma foto do disco original, do LP. 

Loving You Vol. 2:
Lonesome Cowboy / Hot Dog / Mean Woman Blues / Got A Lot O'Living to do
Obs: Outro compacto duplo lançado em agosto. Esse foi bem menos sucedido do que o anterior, só chegando ao quarto lugar nas paradas. Foi o último lançamento do projeto Loving You a chegar nas lojas americanas.

Elvis Presley - Loving You - Discografia Brasileira
Elvis Presley - Loving You - Discografia Brasileira
O álbum Loving You foi lançado no Brasil nos anos 1950, só que chegou aos fãs brasileiros com um ano de atraso, em 1958. Era praticamente idêntico ao disco americano, apenas trazendo de diferente a ordem das músicas. "Party", por exemplo, foi levada para o Lado B. E "Don´t Leave Me Now" foi realocada para abrir esse mesmo lado do LP. Curiosamente o disco manteve a mesma direção de arte do disco americano, o que não era muito comum porque naqueles tempos as representantes nacionais das gravadoras estrangeiras costumavam mexer no disco de todas as formas, inclusive mudando as capas. A edição brasileira levou o código de identificação BKL92. 

O compacto simples do filme também foi lançado, com Loving You no lado A e Teddy Bear no lado B. E não ficou por aí, a RCA Brasil ainda colocou no mercado nacional um dos dois compactos duplos americanos, provando que Elvis era bom de vendas em nosso país. Nas rádios o sucesso veio mesmo com a balada "Loving You", seguindo um pouco atrás "Teddy Bear". É interessante notar que "Loving You" fez mesmo bastante sucesso no Brasil, a ponto de ser incluída no disco "Elvis Disco de Ouro" de 1977, o disco brasileiro de Elvis mais vendido da história. E não podemos nos esquecer também que a faixa ainda foi lançada por Roberto Carlos até recentemente. O Rei brasileiro também quis fazer sua versão da música. 

Pois bem, o disco Loving You ainda ganharia mais duas edições brasileiras. A segunda seria lançada em 1982 naquela série "Pure Gold" que recolocou no mercado brasileiro diversos discos da carreira de Elvis. Esse LP dos anos 80 teve seu mono original reprocessado eletronicamente para Stereo, algo que nem todos os fãs gostaram. De fato muitos reclamaram do som desse vinil. Eu não seria tão crítico, acho OK. Nesse disco de 82 também houve uma pequena modificação da direção da arte da capa. Eu achei de muito bom gosto. O selo desse vinil era amarelo, sendo diferente do original preto da RCA dos Estados Unidos. Por fim, nos anos 90, com a explosão do CD no mercado nacional, houve a terceira edição de Loving You no Brasil. Poucas cópias foram colocadas no mercado, sendo hoje em dia essa edição uma verdadeira raridade. 

Elvis Presley - Loving You - Elvis e Dolores Hart
Ela tinha um futuro promissor. Era considerada a estrela do amanhã por uma grande publicação em Hollywood e tinha conseguido assinar seu grande contrato com a Paramount no valor de 1 milhão de dólares. Tudo parecia caminhar muito bem para ela até que desistiu de tudo para abraçar uma vida religiosa enclausurada em um convento Beneditino na zona rural de Connecticutt. Lida assim a história da vida da atriz Dolores Hart mais parece um roteiro, mas não é. Em 2011 ela finalmente voltou às telas no documentário "Deus é o Elvis Maior", que concorreu ao Oscar em sua categoria. Desde 1962 Dolores não pisava em uma noite de premiação da Academia mas voltou para ajudar na divulgação do filme. Vestida com o hábito de freira ela chamou atenção por onde passou. Aos 73 anos, sorridente e simpática, encantou a todos os presentes.

Ainda bonita, com lindos olhos azuis que lhe valeram por anos uma comparação com a diva Grace Kelly, Dolores aos 18 anos teve o privilégio de ser a atriz que pela primeira vez beijou Elvis Presley em um filme. Foi em "Loving You" (A Mulher Que Eu Amo, no Brasil), um musical que captou o jovem Rei do Rock no auge da carreira e da beleza. Sobre Presley ela só tem coisas boas a dizer: "Ele era uma pessoa muito doce. Muito amigo e companheiro nas filmagens. Éramos muito jovens e inexperientes então nos ajudamos mutuamente. Ele adorava James Dean e Marlon Brando e queria ter uma carreira como a deles. Se empenhava muito nas cenas e levava tudo muito à sério". Elvis inclusive compareceu a sua festa de aniversário realizada com a nata jovem de Hollywood presente para lhe homenagear.

O sucesso de Loving You abriu ainda mais as portas para Dolores em Hollywood. Ela foi escolhida pelo próprio mestre do suspense Alfred Hitchcock para aparecer em seu famoso programa de TV e depois foi selecionada por um dos grandes cineastas do cinema americano, George Cukor, para aparecer no clássico "A Fúria da Carne". Ela voltou a trabalhar com Elvis Presley em "Balada Sangrenta" mas começou a sentir a pressão de ser uma jovem starlet na capital do cinema. Havia muita competição na luta pelos papéis e aos poucos Dolores foi percebendo que não mais se sentia feliz com sua carreira de atriz. Ela fez nove filmes em cinco anos e foi ficando cada vez mais cansada daquele ambiente. Em 1963 participou de seu último filme, "Come Fly WIth Me" onde interpretava uma aeromoça. Estava noiva e compromissada mas deu uma reviravolta em sua vida resolvendo finalmente abraçar uma existência religiosa cristã. Após passar alguns dias de férias em uma distante propriedade em Connecticut ela resolveu conhecer a abadia local e se encantou com a paz do lugar. Após pensar muito resolveu virar freira, algo que foi visto com desconfiança pela Madre Superiora que não acreditava que uma atriz de Hollywood poderia se tornar uma religiosa praticamente da noite para o dia. "Levou três anos e muitas visitas ao convento para que as freiras finalmente acreditassem em mim e me dessem as ordens sagradas" relembra Dolores.

"Eu não entendo porque as pessoas se surpreendem tanto por eu ter abraçado o caminho de Deus! Elas possuem dúvidas sobre isso? Eu não!" - resume Dolores. Sobre o passado Dolores ainda guarda boas lembranças. "Elvis veio ao meu aniversário, tocou clarinete e depois sentou ao piano para tocar algumas canções. Era uma pessoa divertida, com ótimo humor mas que mantinha uma certa timidez que era muito charmosa. Era um cavalheiro, um exemplo de simplicidade. Guardo boas lembranças dele". Apesar do que foi fofocado na época nada houve entre eles nas filmagens, apenas uma sincera amizade. Dolores já estava de caso sério com o arquiteto Don Robinson que anos depois, desiludido por Dolores ter virado freira, jamais se casou, sempre a visitando quando possível em seu convento de reclusão. A atriz porém continuou membro da Academia, votando todos os anos nos concorrentes ao Oscar. Ela poderia ter sido uma grande atriz com o status de uma Elizabeth Taylor, quem sabe? De qualquer forma preferiu virar uma estrela de Cristo. "Quem afinal consegue entender os caminhos que Deus traça para todos nós?" - pergunta Dolores ao final.

Elvis Presley - Loving You - Elvis e Lizabeth Scott
Quando Elvis chegou em Hollywood para finalmente estrelar "Loving You", o produtor Hal Wallis o apresentou imediatamente para a atriz Lizabeth Scott. Naquela altura ela já era uma veterana das telas, tendo estreado no cinema na década de 40. Scott era uma revelação do produtor que tentou por vários anos a transformar numa estrela. Seu plano era muito simples, transformar Lizabeth Scott numa nova Elizabeth Taylor. Ambas tinham origem inglesa e um porte elegante. Desse modo  Wallis acreditava que a escalada rumo ao topo seria apenas questão de tempo. Sempre a escalando em seus filmes, ele foi tentando abrir caminho para sua protegida, mas as coisas não pareciam dar muito certo. A imprensa de Hollywood não comprou a ideia de transformar a atriz numa estrela. Lizabeth Scott poderia até se tornar uma segunda Lauren Bacall, uma versão loira da grande estrela da MGM. Porém os planos do produtor nunca deram certo. Lizabeth Scott assim acabou sendo apenas uma boa atriz, uma coadjuvante interessante para bons filmes.

Em 1957 ela foi escolhida para fazer parte do elenco de "Loving You" (A Mulher que eu amo, no Brasil). Esse seria o segundo filme estrelado por Elvis Presley. Hollywood apostava no cantor para ele se tornar uma espécie de "Novo James Dean". Lizabeth Scott seria uma atriz mais experiente em um elenco com muitos jovens, inclusive Elvis e Dolores Hart. O produtor Hal Wallis acreditava que o casal formado por Elvis e Dolores era muito jovem e inexperiente, sem condições de levar um filme daquele porte sozinhos. Era precisa alguém com mais experiência por perto. Lizabeth Scott iria cumprir justamente essa função.

Assim Lizabeth vinha para contrabalancear a inexperiência do casal principal e trazer um pouco mais de conteúdo dramático nas cenas. Logo no começo das filmagens ela percebeu que iria se dar bem com Elvis. Numa primeira impressão ela chegou a pensar que ele poderia sofrer de algum estrelismo por causa de seu sucesso como cantor, mas isso não aconteceu. Elvis sempre pareceu prestativo e atento em suas dicas de interpretação. Ao invés de se comportar como um arrogante, Elvis foi inteligente e procurou aprender com a atriz, que sempre surgia dando palpites e dicas para ele. Entre uma cena e outra Lizabeth ensaiava com Elvis as falas, a postura, a forma de agir diante das câmeras. De fato ela acabou se tornando uma professora de atuação para Elvis durante as filmagens, uma vez que ele nunca havia estudado teatro ou qualquer outro curso para atuar bem.

As filmagens foram tranquilas, sem sobressaltos. Se dentro do set tudo corria em paz, fora dele as coisas eram bem mais complicadas. Na época Lizabeth Scott tinha que lidar com muitos problemas, inclusive em sua vida pessoal. Havia uma série de boatos afirmando que na verdade ela era lésbica. Dentro do meio cinematográfico sua suposta homossexualidade já era bem conhecida. Ela seria assim uma das mais famosas lésbicas de Hollywood na era clássica. A grande preocupação era que esse seu segredo fosse divulgado ao grande público o que arruinaria sua reputação e carreira. Revistas de escândalos como a Confidential estavam no pé da atriz durante as filmagens de "Loving You". A comunidade de Hollywood sempre procurava se proteger sobre isso, respeitando a orientação sexual homossexual de seus membros, mas a imprensa não. Muitos jornalistas queriam o escândalo para vende jornais e revistas.

Hal Wallis sabia dos riscos, mas resolveu apoiar sua atriz. Havia sempre uma tensão no ar quando um novo número da revista sensacionalista chegava nas bancas. A ansiedade e o medo parecem ter sido decisivos para uma decisão radical tomada pela atriz após as conclusões das filmagens. Assim que o diretor gritou "corta" pela última vez, ela se reuniu com Wallis nos camarins e lhe comunicou que era o fim. Não mais atuaria no cinema, estava farda de tanta pressão e tensão. Ela não queria mais ser pressionada, nem ser alvo de fofocas. Queria viver sua vida privada em paz, ser feliz acima de tudo. Lizabeth simplesmente se encheu de tudo e todos e partiu para uma vida reclusa, longe dos holofotes. Não queria sofrer aquele tipo de constrangimento.

De fato ela só retornaria às telas uma única vez em 1972 para uma pequena participação em um filme de um amigo. Fora isso decretou adeus a Hollywood com esse filme de Elvis. Para os fãs do cantor só restou o agradecimento. Assistindo ao filme hoje em dia, podemos perceber nitidamente a importância de Lizabeth Scott na produção. As cenas mais fortes, do ponto de vista dramático, pertencem a ela. Sua experiência e ótima presença cênica fizeram toda a diferença do mundo no resultado final. Elvis e Dolores Hart eram dois jovens inexperientes perto da longa caminhada que Scott já vinha trilhando. Caminho esse que ela resolveu abandonar após as filmagens de seu primeiro e único filme ao lado de Elvis Presley. Um adeus marcante de uma atriz talentosa que nunca chegou ao estrelado, mas que deixou sua marca registrada em vários filmes durante sua conturbada carreira.

Pablo Aluísio.  

Elvis Presley - Elvis Book - Loving You - Textos I

Elvis Presley - Loving You (1957)

Esse foi o segundo filme de Elvis Presley e o primeiro a ganhar um disco no formato LP ou álbum. "Love Me Tender", o filme anterior, teve sua trilha sonora vendida em compacto. Aliás é bom salientar que Elvis foi um dos primeiros artistas jovens a ganhar essa honraria de ter suas músicas lançadas em álbum. Naquela época as gravadoras usavam esse formato mais para o lançamento de música clássica ou óperas. Não era comum um artista pop como Elvis ter discos de longa duração como esse. Geralmente esse tipo de artista tinha seu trabalho lançado apenas em singles, conhecidos no Brasil como compactos.

Não havia músicas suficientes para encher todo um álbum. Então a RCA Victor colocou no lado B do disco várias canções do "Just For You". Para os fãs o lado A era a grande novidade. Só músicas inéditas, todas gravadas para o filme "A Mulher Que Eu Amo" (Loving You, em seu título original em inglês). A boa notícia é que eram boas músicas, excelentes gravações por parte do cantor. A maioria delas foi gravada em Hollywood em janeiro de 1957. Para essas sessões Elvis trouxe sua banda habitual. Nada de músicos contratados pelos estúdios de cinema como havia acontecido em "Love Me Tender". Aqui Elvis fez questão de trabalhar com seus próprios músicos.

"Mean Woman Blues" foi escolhida para abrir o disco. Grande momento tanto do álbum, como do filme, quando Elvis a canta em uma de suas melhores cenas no cinema durante os anos 50. Essa era uma composição de Claude Demetrius, aqui aparecendo pela primeira vez em um disco de Elvis - e ele não se tornaria um compositor habital na discografia de Elvis, apesar de seu grande talento. O ritmo era até um pouco fora dos padrões, unindo a escala musical típica de um blues com a agitação do nascente rock ´n´roll. A mistura, apesar de ser original e muito bem composta, não chegou a agradar todo mundo. Alguns mais tradicionais criticaram, ignorando o fato de que o blues foi um dos gêneros musicais que deram origem ao rock. Enfim, erraram no ponto de vista.

"Blueberry Hill" abriu o lado B do álbum. Essa não fazia parte da trilha sonora de "Loving You" e foi colocada no disco para completar espaço. Isso de um ponto de vista puramente comercial, porque do ponto de vista artístico essa era uma grande canção. Foi composta por um trio (Vincent Rose, Al Lewis e Larry Stock) e virou sucesso na interpretação do ótimo Fats Domino. Seu toque de piano inicial era sua maior característica. Algo inclusive que levou Elvis a tentar tocá-la ao vivo algumas vezes durante os anos 50. Ficou muito bom, na maioria das vezes. Como a música já havia esgotado seu potencial de sucesso com Fats, ela nunca chegou a se tornar um hit na voz de Elvis, mas isso em nada tira seus méritos. É um dos melhores momentos de todo o disco.

Não é surpresa para ninguém que o grande hit desse álbum foi mesmo "(Let Me Be Your) Teddy Bear". A música foi escrita pela dupla Kal Mann e Bernie Lowe. O interessante é que apesar de todo o sucesso alcançado por essa canção, Elvis nunca mais iria gravar nada desses compositores. Ao contrário do que aconteceu com Ben Weisman, por exemplo, eles simplesmente sumiram da discografia de Elvis. O que terá acontecido? De qualquer maneira a música do ursinho Teddy foi mesmo um grande sucesso. Foi lançada em single e atingiu rapidamente a marca das cinco milhões de cópias vendidas.

As fãs da época adoravam a música e entenderam (de forma errada) que Elvis colecionava ursinhos de pelúcia. Na verdade ele jamais havia pensado em algo parecido. As únicas coisas que Elvis colecionava naqueles tempos eram discos e carros. Ele não tinha interesse em brinquedos felpudos para crianças, afinal já era um homem adulto. Apesar disso e de repente Elvis se viu em um mar de bichinhos enviados por correspondência para Graceland. Sem saber direito o que fazer com tantos ursinhos, que encheram um quarto inteiro na sua mansão, o cantor teve a boa ideia de doar todos eles para instituições de caridades que cuidavam de crianças carentes e órfãs. Foi um gesto bonito, mostrando mais uma vez o lado generoso da personalidade de Elvis.

A música título do filme foi a bela balada "Loving You". Escrita pela excelente dupla de compositores formada por Jerry Leiber e Mike Stoller, a faixa era nitidamente uma tentativa de repetir o sucesso de "Love Me Tender" (a música tema do filme anterior). Nunca chegou ao mesmo patamar de popularidade,, mas também não fez feio nas paradas. Muitas versões foram gravadas ao longo de todos esses anos, inclusive pelo cantor brasileiro Roberto Carlos. O curioso é que Elvis precisou de um tempo para se acostumar com sua melodia. Ela tinha um lado melancólico, quase parando, que destoava um pouco do que Elvis estava produzindo naquele ano. Afinal aquele era o Elvis rocker, o Elvis roqueiro, e Loving You, baladona romântica por excelência, exigia uma certa postura que aquele jovem de 22 anos ainda não tinha.

Os compositores Sid Tepper e Roy C. Bennett escreveram a música mais hollywoodiana desse álbum. Estou falando de  "Lonesome Cowboy". Parecia até mesmo uma música bem antiga, dos clássicos faroestes dos anos 1940. Essa dupla iria cair nas graças do Coronel Parker e na década seguinte eles iriam escrever a maioria dos temas musicais de filmes de sucesso de Elvis como "Feitiço Havaiano" (Blue Hawaii) e "Saudades de um Pracinha" (G.I.Blues). Ao lado de Ben Weisman foram os mais assíduos compositores de músicas para filmes de Elvis na década de 1960. De uma forma ou outra o tema, que não chegou a fazer sucesso nas paradas, serviu perfeitamente para o contexto do filme, que mostrava um jovem cantor tentando vencer na carreira, bem no circuito country and western.

"Hot Dog" foi escrita por Jerry Leiber e Mike Stoller. E isso leva muita gente boa a confundir com o clássico "Hound Dog". Músicas com nomes parecidos, de mesmos autores. A confusão seria bem esperada. Só que "Hot Dog" é um rock rápido, escrito especialmente para o filme e que nunca teve maior destaque dentro da carreira de Elvis. "Hound Dog", por outro lado, é um clássico absoluto na voz de Elvis Presley, ainda hoje lembrada e presente em qualquer coletânea do cantor que se preze.

Outro rock rápido, de cura duração, usado para fechar o lado A do vinil original é "Party". No disco de 1957 ela vinha logo após "Hot Dog" dando até mesmo uma impressão no ouvinte de que se tratava de um medley de rocks ligeiros por parte de Elvis. Como ele vivia sua fase mais roqueira, nada mais conveniente do que encher a trilha sonora de músicas desse estilo musical. Essa canção foi escrita por Jessie Mae Robinson. Apesar de ter um forte apelo de palco, ela nunca foi usada por Elvis em seus concertos.

"Got a Lot o' Livin' to Do"foi composta às pressas pela dupla Aaron Schroeder e Ben Weisman para ser gravada por Elvis em janeiro de 1957, Os produtores do filme em Los Angeles ligaram para a dupla, que morava em Nova Iorque, para que eles criassem uma música para uma determinada cena, que iria trazer um dos principais momentos do filme. E assim a canção foi criada. Ficou muito boa, pode até mesmo ser considerado o melhor rock do disco. Também merecem aplausos a própria cena do filme, que ficou muito bem coreografada e fotografada. As fãs de Elvis na época, nem é preciso dizer, adoraram tudo.

Da mesma dupla de compositores, Aaron Schroeder e Ben Weisman, veio outra canção que foi aproveitada no Lado B do antigo vinil. Se trata da boa "Don't Leave Me Now". Essa canção tem uma boa pegada melódica, que inclusive me lembra de blues mais tradicionais. Gravada em fevereiro de 1957 ela nunca teve maior destaque dentro da discografia de Elvis, o que sempre achei uma pena. É uma canção subestimada, com ótimo acompanhamento de piano. A letra é bonitinha, tem um senso romântico bem típico dos adolescentes e poderia ter sido escrito por um colegial apaixonado em seu caderno escolar. Leia os versos: "Não me deixe agora / Agora que eu preciso de você / Quão triste e solitário eu ficaria / Se você disesse que terminamos / Não despedace meu coração / Este coração que te ama / Elas serão nada para mim / Se você me deixasse agora".

Um dos aspectos que a discografia de Elvis Presley de uma maneira em geral deixou a desejar foi a ausência de músicas compostas pelos maiores compositores da história da música dos Estados Unidos. Elvis, como grande astro, poderia ter gravado discos e discos apenas com a fina flor da canção americana. Apenas com os mais consagrados autores de todos os tempos. Porém, infelizmente, só esporadicamente esse encontro entre o talentoso cantor e esses gênios da criação musical aconteceu.

Um desses raros encontros podemos encontrar aqui no álbum "Loving You". Se trata de "True Love", composta pelo grande Cole Porter, considerado por muitos historiadores de arte como um dos maiores gênios da música mundial. Porter foi aclamado desde cedo em sua carreira. Ao longo de sua vida compôs verdadeiras preciosidades em forma de notas musicais. Elvis poderia ter gravado muitas canções de Cole Porter ao longo da vida, mas isso infelizmente não aconteceu. Seus direitos autorais eram considerados caros demais pelo Coronel Parker. Além disso havia essa mentalidade de que Porter estava fora do espectro do que se esperava encontrar em um disco de Elvis Presley. Era algo mais alinhado com os álbuns de Frank Sinatra, para alguns. Um erro de percepção em minha opinião.

Outra boa aquisição ao álbum em termos de qualidade musical foi essa criação de Ivory Joe Hunter chamada "I Need You So". Aqui havia um toque de gosto pessoal do próprio Elvis. Quem conhece o material gravado de forma amadora na Alemanha, quando Elvis estava por lá servindo o exército, sabe bem que as músicas de Ivory Joe Hunter estavam sempre sendo tocadas por Elvis ao piano em sua casa. Ele gostava muito desse compositor, isso na sua esfera pessoal mesmo, de seu próprio gosto musical. Curiosamente, por anos e anos, Elvis não voltaria a gravar nada dele, só voltando a trazer para seus discos canções de Hunter já nos anos 70, quando já havia se transformado em um artista completamente diferente do começo de sua carreira.

Da dupla de compositores Johnny Russell e Scott Wiseman, o disco traz a boa "Have I Told You Lately That I Love You?". É uma boa canção country and western. Por essa época Elvis ainda surgia com esse tipo de música em seus discos. Depois de um tempo ele iria direcionar seu repertório para um material mais pop, principalmente na era dos filmes em Hollywood. De vez em quando algo country seria gravado, mas em menor escala. As trilhas sonoras exigiam um outro tipo de seleção musical. Em relação ao country Elvis só voltaria a gravar muito material dessa linha nos anos 70, quando aí sim virou um artista tipicamente saído da geração de artistas de Nashville.

Elvis Presley - Loving You - Parte 1
 
Esse foi o segundo filme de Elvis Presley e o primeiro a ganhar um disco no formato LP ou álbum. "Love Me Tender", o filme anterior, teve sua trilha sonora vendida em compacto. Aliás é bom salientar que Elvis foi um dos primeiros artistas jovens a ganhar essa honraria de ter suas músicas lançadas em álbum. Naquela época as gravadoras usavam esse formato mais para o lançamento de música clássica ou óperas. Não era comum um artista pop como Elvis ter discos de longa duração como esse. Geralmente esse tipo de artista tinha seu trabalho lançado apenas em singles, conhecidos no Brasil como compactos.

Não havia músicas suficientes para encher todo um álbum. Então a RCA Victor colocou no lado B do disco várias canções do "Just For You". Para os fãs o lado A era a grande novidade. Só músicas inéditas, todas gravadas para o filme "A Mulher Que Eu Amo" (Loving You, em seu título original em inglês). A boa notícia é que eram boas músicas, excelentes gravações por parte do cantor. A maioria delas foi gravada em Hollywood em janeiro de 1957. Para essas sessões Elvis trouxe sua banda habitual. Nada de músicos contratados pelos estúdios de cinema como havia acontecido em "Love Me Tender". Aqui Elvis fez questão de trabalhar com seus próprios músicos.

"Mean Woman Blues" foi escolhida para abrir o disco. Grande momento tanto do álbum, como do filme, quando Elvis a canta em uma de suas melhores cenas no cinema durante os anos 50. Essa era uma composição de Claude Demetrius, aqui aparecendo pela primeira vez em um disco de Elvis - e ele não se tornaria um compositor habital na discografia de Elvis, apesar de seu grande talento. O ritmo era até um pouco fora dos padrões, unindo a escala musical típica de um blues com a agitação do nascente rock ´n´roll. A mistura, apesar de ser original e muito bem composta, não chegou a agradar todo mundo. Alguns mais tradicionais criticaram, ignorando o fato de que o blues foi um dos gêneros musicais que deram origem ao rock. Enfim, erraram no ponto de vista.

"Blueberry Hill" abriu o lado B do álbum. Essa não fazia parte da trilha sonora de "Loving You" e foi colocada no disco para completar espaço. Isso de um ponto de vista puramente comercial, porque do ponto de vista artístico essa era uma grande canção. Foi composta por um trio (Vincent Rose, Al Lewis e Larry Stock) e virou sucesso na interpretação do ótimo Fats Domino. Seu toque de piano inicial era sua maior característica. Algo inclusive que levou Elvis a tentar tocá-la ao vivo algumas vezes durante os anos 50. Ficou muito bom, na maioria das vezes. Como a música já havia esgotado seu potencial de sucesso com Fats, ela nunca chegou a se tornar um hit na voz de Elvis, mas isso em nada tira seus méritos. É um dos melhores momentos de todo o disco.

Elvis Presley - Loving You - Parte 2
 
Não é surpresa para ninguém que o grande hit desse álbum foi mesmo "(Let Me Be Your) Teddy Bear". A música foi escrita pela dupla Kal Mann e Bernie Lowe. O interessante é que apesar de todo o sucesso alcançado por essa canção, Elvis nunca mais iria gravar nada desses compositores. Ao contrário do que aconteceu com Ben Weisman, por exemplo, eles simplesmente sumiram da discografia de Elvis. O que terá acontecido? De qualquer maneira a música do ursinho Teddy foi mesmo um grande sucesso. Foi lançada em single e atingiu rapidamente a marca das cinco milhões de cópias vendidas.

As fãs da época adoravam a música e entenderam (de forma errada) que Elvis colecionava ursinhos de pelúcia. Na verdade ele jamais havia pensado em algo parecido. As únicas coisas que Elvis colecionava naqueles tempos eram discos e carros. Ele não tinha interesse em brinquedos felpudos para crianças, afinal já era um homem adulto. Apesar disso e de repente Elvis se viu em um mar de bichinhos enviados por correspondência para Graceland. Sem saber direito o que fazer com tantos ursinhos, que encheram um quarto inteiro na sua mansão, o cantor teve a boa ideia de doar todos eles para instituições de caridades que cuidavam de crianças carentes e órfãs. Foi um gesto bonito, mostrando mais uma vez o lado generoso da personalidade de Elvis.

A música título do filme foi a bela balada "Loving You". Escrita pela excelente dupla de compositores formada por Jerry Leiber e Mike Stoller, a faixa era nitidamente uma tentativa de repetir o sucesso de "Love Me Tender" (a música tema do filme anterior). Nunca chegou ao mesmo patamar de popularidade,, mas também não fez feio nas paradas. Muitas versões foram gravadas ao longo de todos esses anos, inclusive pelo cantor brasileiro Roberto Carlos. O curioso é que Elvis precisou de um tempo para se acostumar com sua melodia. Ela tinha um lado melancólico, quase parando, que destoava um pouco do que Elvis estava produzindo naquele ano. Afinal aquele era o Elvis rocker, o Elvis roqueiro, e Loving You, baladona romântica por excelência, exigia uma certa postura que aquele jovem de 22 anos ainda não tinha.

Os compositores Sid Tepper e Roy C. Bennett escreveram a música mais hollywoodiana desse álbum. Estou falando de  "Lonesome Cowboy". Parecia até mesmo uma música bem antiga, dos clássicos faroestes dos anos 1940. Essa dupla iria cair nas graças do Coronel Parker e na década seguinte eles iriam escrever a maioria dos temas musicais de filmes de sucesso de Elvis como "Feitiço Havaiano" (Blue Hawaii) e "Saudades de um Pracinha" (G.I.Blues). Ao lado de Ben Weisman foram os mais assíduos compositores de músicas para filmes de Elvis na década de 1960. De uma forma ou outra o tema, que não chegou a fazer sucesso nas paradas, serviu perfeitamente para o contexto do filme, que mostrava um jovem cantor tentando vencer na carreira, bem no circuito country and western.

Elvis Presley - Loving You - Parte 3
 
"Hot Dog" foi escrita por Jerry Leiber e Mike Stoller. E isso leva muita gente boa a confundir com o clássico "Hound Dog". Músicas com nomes parecidos, de mesmos autores. A confusão seria bem esperada. Só que "Hot Dog" é um rock rápido, escrito especialmente para o filme e que nunca teve maior destaque dentro da carreira de Elvis. "Hound Dog", por outro lado, é um clássico absoluto na voz de Elvis Presley, ainda hoje lembrada e presente em qualquer coletânea do cantor que se preze.

Outro rock rápido, de cura duração, usado para fechar o lado A do vinil original é "Party". No disco de 1957 ela vinha logo após "Hot Dog" dando até mesmo uma impressão no ouvinte de que se tratava de um medley de rocks ligeiros por parte de Elvis. Como ele vivia sua fase mais roqueira, nada mais conveniente do que encher a trilha sonora de músicas desse estilo musical. Essa canção foi escrita por Jessie Mae Robinson. Apesar de ter um forte apelo de palco, ela nunca foi usada por Elvis em seus concertos.

"Got a Lot o' Livin' to Do"foi composta às pressas pela dupla Aaron Schroeder e Ben Weisman para ser gravada por Elvis em janeiro de 1957, Os produtores do filme em Los Angeles ligaram para a dupla, que morava em Nova Iorque, para que eles criassem uma música para uma determinada cena, que iria trazer um dos principais momentos do filme. E assim a canção foi criada. Ficou muito boa, pode até mesmo ser considerado o melhor rock do disco. Também merecem aplausos a própria cena do filme, que ficou muito bem coreografada e fotografada. As fãs de Elvis na época, nem é preciso dizer, adoraram tudo.

Da mesma dupla de compositores, Aaron Schroeder e Ben Weisman, veio outra canção que foi aproveitada no Lado B do antigo vinil. Se trata da boa "Don't Leave Me Now". Essa canção tem uma boa pegada melódica, que inclusive me lembra de blues mais tradicionais. Gravada em fevereiro de 1957 ela nunca teve maior destaque dentro da discografia de Elvis, o que sempre achei uma pena. É uma canção subestimada, com ótimo acompanhamento de piano. A letra é bonitinha, tem um senso romântico bem típico dos adolescentes e poderia ter sido escrito por um colegial apaixonado em seu caderno escolar. Leia os versos: "Não me deixe agora / Agora que eu preciso de você / Quão triste e solitário eu ficaria / Se você disesse que terminamos / Não despedace meu coração / Este coração que te ama / Elas serão nada para mim / Se você me deixasse agora".

Elvis Presley - Loving You - Parte 4
 
Um dos aspectos que a discografia de Elvis Presley de uma maneira em geral deixou a desejar foi a ausência de músicas compostas pelos maiores compositores da história da música dos Estados Unidos. Elvis, como grande astro, poderia ter gravado discos e discos apenas com a fina flor da canção americana. Apenas com os mais consagrados autores de todos os tempos. Porém, infelizmente, só esporadicamente esse encontro entre o talentoso cantor e esses gênios da criação musical aconteceu.

Um desses raros encontros podemos encontrar aqui no álbum "Loving You". Se trata de "True Love", composta pelo grande Cole Porter, considerado por muitos historiadores de arte como um dos maiores gênios da música mundial. Porter foi aclamado desde cedo em sua carreira. Ao longo de sua vida compôs verdadeiras preciosidades em forma de notas musicais. Elvis poderia ter gravado muitas canções de Cole Porter ao longo da vida, mas isso infelizmente não aconteceu. Seus direitos autorais eram considerados caros demais pelo Coronel Parker. Além disso havia essa mentalidade de que Porter estava fora do espectro do que se esperava encontrar em um disco de Elvis Presley. Era algo mais alinhado com os álbuns de Frank Sinatra, para alguns. Um erro de percepção em minha opinião.

Outra boa aquisição ao álbum em termos de qualidade musical foi essa criação de Ivory Joe Hunter chamada "I Need You So". Aqui havia um toque de gosto pessoal do próprio Elvis. Quem conhece o material gravado de forma amadora na Alemanha, quando Elvis estava por lá servindo o exército, sabe bem que as músicas de Ivory Joe Hunter estavam sempre sendo tocadas por Elvis ao piano em sua casa. Ele gostava muito desse compositor, isso na sua esfera pessoal mesmo, de seu próprio gosto musical. Curiosamente, por anos e anos, Elvis não voltaria a gravar nada dele, só voltando a trazer para seus discos canções de Hunter já nos anos 70, quando já havia se transformado em um artista completamente diferente do começo de sua carreira.

Da dupla de compositores Johnny Russell e Scott Wiseman, o disco traz a boa "Have I Told You Lately That I Love You?". É uma boa canção country and western. Por essa época Elvis ainda surgia com esse tipo de música em seus discos. Depois de um tempo ele iria direcionar seu repertório para um material mais pop, principalmente na era dos filmes em Hollywood. De vez em quando algo country seria gravado, mas em menor escala. As trilhas sonoras exigiam um outro tipo de seleção musical. Em relação ao country Elvis só voltaria a gravar muito material dessa linha nos anos 70, quando aí sim virou um artista tipicamente saído da geração de artistas de Nashville.

Elvis Presley - Loving You - Parte 5
 
Lançado em 1957, a trilha sonora do filme Loving You foi um grande sucesso de vendas. A RCA Victor fez uma aposta com o lançamento desse disco. Quis testar o mercado para saber se álbuns de filmes com Elvis Presley seriam viáveis comercialmente. Acabou dando muito certo. Curiosamente, a gravadora sempre ficaria um passo atrás em relação a isso. A próxima trilha sonora de Elvis seria lançada no sistema EP, de compacto duplo. Foi uma visão muito conservadora. Se Loving You tinha sido tão bem-sucedida, por que não seguir no mesmo caminho? De qualquer forma, a RCA continuaria lucrando com esse material. Dividiu posteriormente o álbum em dois compactos duplos, que também foram grandes sucessos de vendas. Cada um desses compactos duplos trazia 4 músicas do disco. Todo mundo ficou satisfeito em relação às vendas. 

O filme também foi bem-sucedido nas bilheterias. Por essa época, vários estúdios de Hollywood estavam produzindo filmes sobre o tema rock and roll. Esses filmes traziam um festival de cantores da época, como Little Richard, Chuck Berry, Jerry Lee Lewis, etc. Elvis foi convidado para participar de alguns desses filmes, mas o Coronel Parker disse não. Para Parker, Elvis só poderia aparecer em seus próprios filmes, nada de ser coadjuvante em filmes com outros artistas. Isso dava uma noção bem clara do que o empresário de Elvis Presley queria para ele na carreira no cinema. 

O diretor de Loving You afirmaria anos depois que Elvis tinha pretensões de ser um novo James Dean em Hollywood. Tanto isso é verdade que ele pediu ao diretor que não colocasse muitas cenas em que seu personagem estaria sorrindo. O diretor ficou surpreso com a sugestão de Elvis e perguntou qual seria a razão disso. Elvis disse a ele que havia assistido vários filmes com Marlon Brando e James Dean. E que nesses filmes os atores não sorriam muito, estavam sempre de cara séria, de cara amarrada. O diretor, então, entendeu qual era a intenção de Elvis. 

A crítica de cinema viu o filme apenas como meio promocional para Elvis. Era uma produção da Paramount, então havia de tudo do bom e do melhor que o estúdio poderia oferecer. Porém, o roteiro foi criticado. O filme era apenas uma mera desculpa para Elvis cantar em cena. Esse tipo de crítica iria se repetir em todos os demais filmes que ele iria fazer em Hollywood. Havia sim um fundo de verdade sobre isso. Entretanto, os estúdios de cinema não queriam mais um ator dramático. Os produtores queriam faturar em cima da fama de Elvis e ele era o cantor mais popular do mundo. Nada mais natural do que colocar o astro da música para cantar nos filmes.

Elvis Presley - Teddy Bear / Loving You
 
Depois de vários meses sem um single nas lojas a RCA Victor finalmente lançou no mercado americano o novo compacto de Elvis Presley. O lado A surgia com uma música com nome no mínimo esquisito, "Teddy Bear". Na letra Elvis cantava: "Deixe-me ser seu ursinho de pelúcia" (o tal ursinho Teddy). Nem precisa esclarecer que algo assim tão carinhoso com as fãs fez com que o compacto disparasse em vendas. No Lado B o compacto trazia justamente a música que seria título de seu novo filme na Paramount Pictures. Era a balada "Loving You" que tentava repetir o mesmo sucesso de "Love Me Tender".

Na capa Elvis surgia com uma roupa estilizada de cantor country and western. A estranha estampa fazia parte do figurino de seu novo filme que em breve chegaria nos cinemas, "Loving You". E era justamente a canção título do filme que estava no Lado B do disquinho. Se Teddy Bear era puro pop inocente, "Loving You" era uma baladona que carregava nas tintas. Para dar mais consistência Elvis ainda adotou muito do estilo dos grandes cantores do passado, em especial Bing Crosby, de que era admirador. Esse single seria o primeiro do projeto Loving You a chegar aos fãs. Essa estratégia seria exaustivamente repetida pela gravadora de Elvis nos anos que viriam. Primeiro o lançamento de um single com as duas canções da trilha sonora com mais potencial de chegar nas primeiras posições da parada. Depois o lançamento do álbum com toda a trilha sonora e finalmente após algumas semanas a chegada do filme nas telas de cinema por todo o país. Durante anos esse esquema deu muito certo e trouxe muitos lucros tanto para a gravadora de Elvis quanto para os estúdios de Hollywood.

E por falar em estúdio de cinema, "Loving You" foi o primeiro a ser lançado pela Paramount Pictures, com produção do conhecido Hal Wallis. O interessante sobre a Paramount é que sua direção mantinha um padrão de qualidade que não poderia ser rompido. Assim os filmes de Elvis nesse estúdio geralmente eram bem melhores produzidos. Além disso por uma política interna da empresa as trilhas sonoras teriam que ser lançadas como álbuns completos de 10 a 12 canções. Elvis que havia lançado a trilha sonora de seu filme anterior pela Fox em compacto duplo acabou vendo então a Paramount exigir junto à RCA o material suficiente para lançar o álbum da trilha o mais breve possível. Para os executivos da Paramount a coisa era simples: O disco promovia o filme e vice-versa e ambos tinham que ter qualidade de acordo com as diretrizes do estúdio. Com apenas sete canções gravadas diretamente para o filme a RCA resolveu reaproveitar o recém compacto duplo "Just For You", colocando praticamente todas as suas canções no lado B do LP.

No tocante ao resultado comercial o single "Teddy Bear / Loving You" logo se tornou um grande sucesso de vendas. "Teddy Bear" tinha um alvo certo: as fãs adolescentes do cantor. Durante sua vida Elvis recebeu milhares de ursinhos de pelúcia. Uma revista americana divulgou sem base nenhuma que Elvis colecionava esse tipo de brinquedo. Não era verdade, mas as fãs acreditaram e enviaram ursinhos para a casa de Presley aos milhares. Para não parecer mal-educado Elvis recebeu os felpudos, mas jamais cogitou algum dia colecionar esse tipo de coisa. Para capitalizar em cima dessa história a música foi composta especialmente para ele. O curioso é que pessoalmente Elvis não estava certo sobre a canção. A letra era bobinha e iria fomentar ainda mais o boato dos ursinhos. Como era muito profissional acabou gravando a canção. O single logo chegou ao topo da Billboard se tornando assim mais um primeiro lugar consecutivo de sua carreira. Por essa época Elvis desfrutava de uma supremacia rara dentro da música americana. Qualquer coisa que lançasse era sucesso imediato e os compactos vendiam milhões de cópias antes mesmo de virarem sucessos nas rádios.

Só que havia uma novidade. Elvis mostrou com Teddy Bear que conseguia vender não apenas discos, mas produtos também. Milhões de ursinhos foram vendidos e esse acontecimento despertou a curiosidade de Tom Parker que entendeu que Elvis poderia virar uma marca de sucesso em qualquer segmento comercial. A partir daí contactou empresas e colocou o nome do cantor para licenciamentos de produtos em série. Em razão disso Elvis apareceu nas mais curiosas mercadorias, chicletes, jogos de tabuleiro, brinquedos, radiolas, etc. Era mais uma boa fonte de renda para Elvis e o Coronel e esse não se fez de rogado, explorando até a exaustão o nome de Elvis Presley.

E os ursinhos? Bom, depois de "Teddy Bear" eles continuaram a chegar em maior número pelos correios a tal ponto que Elvis já não sabia o que fazer com tantos ursinhos espalhados pela casa. Até o banheiro ficou lotado desses bichinhos. Elvis não queria jogar eles fora pois respeitava muito a boa vontade de seus fãs que o presenteava. Jogar no lixo seria um desrespeito para com suas jovens fãs. Foi então que após pensar um pouco ele chegou numa solução do problema. Elvis decidiu doar as centenas de ursinhos para instituições de caridade que atendia crianças pobres ou doentes. Assim ele resolveria o seu problema de espaço, não desrespeitaria seus fãs e ainda faria a alegria de muitas crianças carentes de Memphis. Um bom desfecho que deixou todos felizes, Elvis, as fãs e claro... o próprio Teddy Bear!

Curiosidade histórica: Você sabe por que o ursinho de pelúcia americano é conhecido pelo nome carinhoso de Teddy Bear? Esse nome vem do fato do presidente americano Theodore Roosevelt ter sido um dos criadores do brinquedo. Aventureiro, metido a ir em viagens exóticas (até na Amazônia esteve) o presidente Roosevelt procurou por anos por um brinquedo que despertasse nas crianças o sentimento de amor à natureza. Esse brinquedo acabou sendo o ursinho de pelúcia que era fofinho e muito ecologicamente correto pois despertava o amor dos pequeninos pelos animais. A imprensa americana então em um misto de ironia e sátira acabou se referindo ao ursinho como Teddy Bear - o Urso Teddy - em referência ao presidente Teddy Roosevelt. O curioso é que Roosevelt também era um caçador inveterado, o que não caía muito bem com sua postura de paixão pelo Reino Animal. Mas enfim, o fato é que o apelido pegou e até hoje o brinquedo que conhecemos como ursinho de pelúcia aqui no Brasil é conhecido lá nos Estados Unidos como Teddy Bear, o ursinho do presidente Teddy Roosevelt.

Elvis Presley - Loving You - Edição FTD
 
Essa é a edição especial dupla da trilha sonora de Loving You lançada pelo selo FTD. Como sempre tudo muito caprichado e de bom gosto. Material gráfico de primeira, muitas fotos interessantes internamente e todos os detalhes que os fãs de Elvis sempre gostam de saber (ficha técnica, data de gravação etc). Sempre gostei desse disco, não apenas pela qualidade musical (impecável em minha opinião) como também pelo próprio filme que é muito bom e nostálgico para os fãs do cantor. O CD vem com muito material demonstrando que muita coisa da sessão foi salva. Não deixa de ser uma excelente notícia já que infelizmente algumas sessões preciosas não sobreviveram ao tempo (como takes de algumas canções de Elvis em sua primeira sessão na RCA).

Por falar em nostalgia, comentar sobre o disco Loving You sempre é um prazer renovado pois esse foi um dos primeiros que adquiri de Elvis, ainda na época do vinil (que tenho preciosamente guardado até hoje). O curioso é que em essência o álbum Loving You nada mais é do que uma jogada (boa por sinal) da RCA Victor e do Coronel Parker. A primeira trilha de um filme de Elvis, como todos sabemos, foi Love Me Tender, lançado em compacto duplo com quatro canções em 1956. Obviamente foi um grande sucesso de vendas o que fez a RCA acreditar definitivamente nas trilhas de Elvis, transformando as sete canções do filme em um álbum ao juntar aquele material com faixas avulsas gravadas por Elvis para a gravadora em outras sessões. O resultado de tudo isso foi excelente, pois o material é dos mais acessíveis e agradáveis da carreira do cantor.

Como não poderia deixar de ser, o selo FTD aproveitou esse bom momento da discografia de Elvis e caprichou em sua edição especial, que traz não apenas a íntegra do LP original, mas também uma série de takes alternativos, outtakes e gravações específicas feitas especialmente para o filme (como as várias versões e derivações da canção tema Loving You). Nesse aspecto penso que houve um excesso de preciosismo por parte de Ernst Jorgensen, o produtor. Isso porque o segundo CD traz mais de 30 versões de apenas uma canção, a já citada Loving You. Penso que tal coisa além de comercialmente desinteressante, é desnecessária, já que até mesmo os colecionadores teriam acesso a esse material em outros lançamentos. Seria bem melhor um maior equilíbrio na escolha das faixas, procurando até mesmo valorizar ótimas faixas do disco original que não foram muito prestigiadas nesse lançamento, como Blueberry Hill.

Entre os takes mais expressivos, cito o Take A-7 de Party (ainda sem encontrar o pique necessário que conhecemos da versão oficial). É muito interessante notar que Elvis ainda está mais melódico, porém sem a energia necessária que esse rock necessita. Ficou parecendo até mesmo um R&B de passo rápido. Algo parecido acontece com o take de Mean Woman Blues. Logo no começo notamos a falta dos vocais de fundo (que tanto conhecemos da versão oficial e que se parece como pessoas conversando despreocupadamente) A ausência desse pequeno detalhe acaba deixando a versão "vazia". É incrível como um detalhe que pode soar banal muda completamente a audição de uma música, não é mesmo? Por outro lado o vocal de Elvis soa muito mais solto e espontâneo aqui e o grupo de apoio parece muito mais centrado em tocar mais concentrado. Eu devo confessar que gostei bastante do estilo de Elvis nessa versão pois ele soa juvenil e livre, bem ao estilo "Rebel Without a Cause" daqueles anos de brilhantina.

O take de Got A Lot O Livin To Do intitulado "finale" é outra boa surpresa. É a típica versão "igual, mas diferente". Como foi gravada visando o filme ela soa menos contida, mas bem mais energética. Uma das minhas favoritas, a já citada "Blueberry Hill" surge com apenas uma versão! Isso é desapontador e mostra que de certa forma existe sim um desequilíbrio na seleção das faixas. Ou isso ou realmente não havia mais nada arquivado para lançamento. Enquanto a música tema Loving You aparece com dezenas de takes, "Blueberry Hill" surge com apenas uma representante. Apesar de tudo o FTD Loving You se mostra essencial para colecionadores e fãs em geral. Impossível passar incólume por essas canções e sair ileso. O melhor rock dos anos 50 certamente está aqui. Aproveite (mesmo sabendo que existem omissões em sua seleção).

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Elvis Presley - Elvis e sua Roupa Dourada

Após terminar seu filme "Loving You" (a mulher que eu amo, 1957), Elvis fez uma apresentação no International Amphitheater em Chicago no dia 24 de março de 1957. Na ocasião o cantor usou a famosa "Gold Leaf" pela primeira vez. A roupa toda dourada foi uma criação do estilista Nudie Cohen. Seu nome, folha dourada ou folha de ouro, aliás era bem adequada para o momento de Elvis em sua carreira pois ele estava mesmo colecionando discos de ouro, um atrás do outro! Cinco dias depois o cantor voltava ao palco no Kiel Auditorium em St. Louis, no repertório seus maiores hits no momento, "All Shook Up", "Don't be Cruel" entre outras. E novamente lá estava ele, todo dourado, diante de suas fãs histéricas.

Esta famosa roupa, a "Gold Leaf", apareceu na capa do disco "Elvis Golden Records vol 2". Este é um disco que reúne os principais singles de sucesso de Elvis Presley no período em que ele estava servindo o exército na Alemanha. Na minha modesta opinião é o melhor trabalho musical roqueiro de toda a carreira do cantor. As canções aqui presentes são simplesmente o melhor exemplo do Rock'n'Roll de Elvis nos anos 50. Foi lançado em dezembro de 1959 marcando a despedida do rei aos melhores anos de sua trajetória artística. E pra (não) variar foi também premiado com disco de ouro poucos dias depois de chegar nas lojas. 

Imortalizada na capa do disco, a roupa não iria muito longe nos concertos ao vivo. O figurino iria ser usado poucas vezes por Elvis. Ele ainda a usaria nos shows no Canadá em 1957, mas nessas ocasiões Elvis reclamaria que tinha literalmente torrado dentro dela. Era uma roupa de show muito bonita, mas muito quente. E quando Elvis surgia embaixo de fortes holofotes, a temperatura se tornava insuportável para ele. Depois disso Elvis meio que a abandonaria para sempre, a levando para Graceland, onde foi devidamente guardada por anos e anos, só reaparecendo para os fãs em momentos de exposições, etc. Afinal apesar de Elvis ter usado a vestimenta por pouco tempo, ela ficaria para sempre guardada na memória dos fãs, ainda mais por aparecer na capa de um de seus mais populares e famosos álbuns de rock dos anos 50. Hoje a peça se encontra permanentemente em exposição em Graceland, para deleite dos fãs de roupas icônicas da história do rock.

Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Elvis Presley - Coleção de Textos I

Nesse último capítulo resolvi reunir uma série de textos diversos sobre os anos pioneiros de Elvis em sua carreira e em sua vida pessoal. Como se pode perceber o ano de 1956, por exemplo, nunca acabou! De tempos em tempos somos presenteados com novos CDs, LPs, DVDs, livros e tudo mais sobre esses primeiros anos. Então, sem mais perda de tempo, segue essa compilação ampla de textos sobre 1954, 1955 e 1956, novos lançamentos, além de textos adicionais sobre sua vida sentimental nesse período de sua vida. 

Elvis e Dixie
Dixie Locke foi a primeira garota com a qual Elvis se envolveu mais seriamente. Antes ele já tivera alguns namoricos, mas com Dixie as coisas pareciam caminhar muito bem. Na mesma época em que tentava decolar uma carreira como cantor, Elvis procurava solidificar ainda mais esse relacionamento. Dixie era uma típica garota do sul. De boa família, respeitável, sociável e muito leal a Elvis. Os dois se conheceram meio ao acaso em um ringue de patinação. Elvis não sabia patinar e por isso ficava se agarrando na cerca e foi lá que ele puxou papo com ela pela primeira vez. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, Elvis era na realidade bastante tímido e reservado e na escola secundária jamais se comportou como um rebelde ou algo parecido. Jamais criou problemas em sala de aula e nunca se meteu em confusões. Ele era fã de James Dean, mas não se comportava como ele.

Conhecer Dixie foi muito bom para Elvis. Ele se tornou mais sociável e levava a namorada todos os domingos ao cinema local, o Memphian. Dixie também deu bastante apoio a Elvis em seu começo de carreira. Por conta própria resolveu fundar um fã clube próprio (o primeiro fã clube de Elvis Presley da história) e se tornou sua própria presidente. Ao lado de amigas divulgava as apresentações do namorado no colégio e incentivava os jovens de sua idade a irem ver Elvis. De fato tudo caminhava para um futuro casamento. A mãe de Elvis, Gladys, gostava de Dixie e se dava bem com ela. Infelizmente com o sucesso batendo às portas o namoro esfriou.

Elvis ficava quase todo o tempo viajando em locais distantes e o assédio feminino exagerado em cima dele piorou ainda mais a situação. Muitos anos depois Elvis ainda falaria de Dixie, ora com alívio por não ter se casado cedo demais, ora com arrependimento do casal não ter seguido em frente. Ele costumava dizer que "Meu primeiro disco salvou meu pescoço!" se referindo ao fato de não ter casado com Dixie, mas parece ter se arrependido disso tempos depois ao tentar um reencontro com a antiga namoradinha da escola.

Mas já era tarde demais. Dixie conheceu outro rapaz e com ele se casou. Tiveram filhos e ela virou um típica dona de casa do sul. Sempre manteve um carinho especial pelo ex namorado e de longe foi acompanhando sua escalada ao topo do sucesso. Alguns anos atrás ela finalmente resolveu falar sobre Elvis. Não havia mágoa nem mácula em relação a ele, apenas nostalgia pelos bons momentos que passaram juntos. A vida caminha para a frente, é um fato da vida e Dixie sabe muito bem disso.

Elvis e June Juanico 
June Juanico conheceu Elvis Presley no verão de 1955 em Biloxi, Mississippi. Na época Elvis ainda não era o cantor mundialmente conhecido que viria a se tornar. De fato era apenas um cantorzinho country que se apresentava antes das grandes estrelas da noite. Após seu show Elvis gostava de circular no meio do público, para conhecer garotas e assistir aos grandes astros que viriam após ele. Foi assim que acabou conhecendo June. Após algumas trocas de olhares ela resolveu tomar a iniciativa de se aproximar, Elvis então a segurou pelo braço e disse: "Olá, onde você está indo?". Juanico relembra: "As garotas achavam Elvis lindo mas eu não o conhecia. Quando começamos a conversar a primeira coisa que eu quis saber foi qual era o seu nome verdadeiro. Eu achava que Elvis era seu nome artístico. Elvis ficou surpreso com minha pergunta e disse: 'Esse é o meu nome verdadeiro, eu me chamo Elvis Aaron Presley!'. Achei estranho pois nunca tinha ouvido falar de alguém chamado Elvis".

Elvis então a levou para passear pela feira (era uma exposição rural de gado em Biloxi) e os dois pareceram se entrosar muito bem juntos. Um fato chamou muito a atenção de Elvis segundo June. "Elvis ficou surpreso porque eu disse que meus pais eram divorciados! Ele nunca tinha conhecido uma garota de pais divorciados. Ele me disse que achava aquilo horrível pois quando se casasse com alguém queria que fosse para sempre, como tinha que ser!". Nesse primeiro encontro June tinha 17 anos e Elvis 20 mas ele não se preocupou muito com isso e a convidou para ir até Memphis onde morava. June aceitou e poucas semanas depois foi visitar Elvis na sua cidade. Conheceu seus pais, Gladys e Vernon, e se deu bem com eles. June recorda bem do clima familiar da família Presley: "Gladys era uma mulher de personalidade muito forte. Ela gostou de mim porque a ajudei nos afazeres domésticos. Mostrei que sabia cozinhar, lavar e cuidar da casa. Gladys me disse que eu era uma boa moça e que Elvis precisava de alguém que cuidasse dele". Com a bênção de Gladys o namoro seguiu em frente. Como era Elvis como namorado? "Elvis era muito atencioso e respeitoso. Eu era virgem e ele parecia disposto a respeitar minha condição. Jamais me levou a fazer nada que eu não quisesse".

O namoro entre Elvis e June seguiu sem maiores problemas até surgir duas pessoas na vida do cantor que atrapalharia seus planos ao lado do namorado. A primeira era o empresário de Elvis, o Coronel Parker. June relembra: "O Coronel Parker queria que Elvis se relacionasse com mulheres famosas, atrizes e dançarinas, para que assim saísse nos jornais e revistas. Eu era uma jovem comum, anônima. Sempre que Elvis ia para a estrada cumprir seus shows o Coronel arranjava para que ele se encontrasse com alguma starlet e fosse parar nas colunas sociais". Outro que acabou abalando o namoro entre June e Elvis foi o ator Nick Adams. "Nick Adams se tornou amigo de Elvis e muitas vezes agia como uma pessoa inconveniente. Se metia em seus assuntos particulares e vivia se auto convidando para ir jantar e passar o fim de semana na casa de Elvis! Eu não gostava daquilo. Depois começou a incentivar Elvis a se encontrar com a estrela de cinema Natalie Wood. O que eu poderia fazer a respeito? Nada!" concluiu June Juanico.

Conforme Elvis foi se tornando mais famoso os encontros entre eles foram ficando cada vez mais raros. Elvis sempre estava na estrada fazendo shows ou filmes. Gradualmente o romance foi se esvaziando até June entender que tudo havia acabado. June só voltaria a ver novamente seu ex-namorado na década de 60 em um cinema de Memphis. Elvis estava acompanhado de sua nova namorada, Priscilla, uma adolescente que ele havia conhecido na Alemanha quando estava servindo o exército. O encontro foi inesperado mas Elvis se portou bem, sendo educado e gentil com ela. Quando soube em 1977 que Elvis havia morrido por causa do consumo de drogas ela ficou perplexa e surpresa. "Nunca tinha visto Elvis tomar qualquer tipo de droga em todo o tempo que fui sua namorada! Não sei como isso pode ter acontecido".

Vinte anos depois da morte de Elvis ela então decidiu contar seu romance com o cantor no livro "Elvis in the Twilight of Memory". O livro foi definido por alguns como um "diário de classe de uma jovem no High School" (o equivalente ao nosso ensino médio). Embora tenha criado certa repercussão alguns especialistas em Elvis como Peter Guralnick acabaram elogiando a obra. No final das contas é mais um registro de alguém que viveu ao lado de Elvis logo no começo de sua carreira e presenciou eventos e fatos que ficaram registrados na memória. O texto tem vários clichês românticos mas serve como fonte de consulta e registro histórico, tendo sua importância, certamente. No lançamento do livro ela falou sobre Elvis concluindo: "Eu tive uma vida maravilhosa, dois filhos e netos. Amei meu marido mas nunca deixei de amar Elvis também. Nunca fui capaz de deixar de amar ele".

Elvis e Anita Wood 
Após as coisas esfriarem completamente com Dixie Locke, sua namoradinha de colégio, Elvis ficou alguns meses sem uma “namorada oficial”. Para ele foi muito bom, cada vez mais popular por causa dos shows e apresentações na TV o cantor aproveitou para curtir um pouco de sua fama. Teve flertes com dançarinas, teenagers, tietes e quem mais lhe agradasse e lhe aparecesse pela frente. Ele queria aproveitar sua juventude acima de tudo. As coisas mudariam quando casualmente assistindo ao programa Top 10 Dance Party em um sábado à noite Elvis viu de relance uma das garotas mais bonitas que já tinha visto desde então. Ela era uma das adolescentes que dançavam no programa. Seu nome? Anita Wood.

Quando colocou os olhos em Anita, Elvis quis conhecê-la imediatamente. Para isso designou o gordinho Lamar Fike para descolar o telefone da beldade. Lamar fez um bom trabalho. Conseguiu através de seus contatos o número da garota e sem muitas delongas se apresentou a ela dizendo que Elvis Presley queria lhe encontrar. Atônica e surpresa Anita se desculpou com Lamar e disse que não desmarcaria um encontro que já tinha com outro rapaz para ir ao encontro de Elvis. Imaginem a cara de surpresa de Lamar quando soube disso. Sem pensar duas vezes disparou: “Você está louca?! Nenhuma garota rejeitaria um encontro com Elvis Presley!” Anita não se importou e recusou o encontro. Na realidade ela nem era fã do cantor na época. Esse seu lado durona deixou Elvis ainda mais intrigado em conhecer a espevitada loirinha. Nada atiçava mais seu lado conquistador do que uma garota durona que não lhe dava muita bola. Jovens se atirando aos seus pés não faltavam, mas Elvis queria agora acima de tudo conquistar a jovem dançarina do Top 10 Dance Party.

Elvis não desistiu e colocou o DJ George Klein na tarefa de convencer Anita a lhe encontrar. Lamar Fike também ficou no pé na garota fazendo de cupido pelos dias seguintes. Depois de muita insistência e desencontros finalmente Elvis mandou George e Lamar irem buscar Anita para um encontro reservado com ele. O encontro inicial de Elvis e Anita não poderia ser mais despojado e despretensioso. Elvis a encontrou em seu boteco preferido, um local nos arredores de Memphis que vendia Hambúrgueres e refrigerantes chamado “Crystal Hamburgers”. Apresentações formais foram feitas e depois de um breve bate papo Elvis disparou: “Você gostaria de conhecer minha casa Graceland?” Um convite assim poderia obviamente ser muito ousado para a época, afinal garotas não iam para as casas de rapazes em seu primeiro encontro. Elvis porém foi cuidadoso ao explicar a Anita que vivia com seus pais em Graceland e que eles certamente estariam lá durante a visita. Anita Wood era uma típica garota sulista que prezava muito por sua reputação mas diante das circunstâncias acabou aceitando ir para a casa do cantor famoso.

Anita e Elvis se deram bem imediatamente. Ela tinha tido a mesma educação sulista que ele, gostava das mesmas piadas, tinham gostos parecidos por música e cinema e se entrosaram de uma maneira incrível desde o primeiro encontro. Além disso Anita cultivava uma imagem de moça de família, pura e virgem, que caiu como uma luva no ideal que Gladys imaginava para ser uma boa namorada para Elvis. Anita e Gladys se deram muito bem. Despojada Anita logo no primeiro encontro ajudou a mãe de Elvis com a arrumação da cozinha, ganhando muitos pontos com a futura sogra. Também se deu muito bem com Minnie Mae, a avó de Elvis, que morava com eles desde os tempos de dureza em Tupelo.

Elvis ficou gratificado, tinha a aprovação da família, gostava de Anita, adorava sua presença e em pouco tempo estava completamente apaixonado por ela. Não tardou a Gladys dizer a Elvis que “Anita era uma boa moça para ele”. O começo do namoro com Anita foi tão gratificante para Elvis que ele até parou de correr atrás de outros rabos de saia quando estava na estrada fazendo shows ou gravando discos. Mal chegava em uma nova cidade sempre ligava para as duas pessoas mais importantes para ele na época, Anita e Gladys, para dizer que tinha feito boa viagem e estava tudo bem. O romance em pouco tempo ficou sério e todos ao redor de Elvis acreditavam que mais cedo ou mais tarde ele se casaria com Anita.

Elvis gostava de se referir a Anita como “a minha pequena”. Quando estava em Memphis Anita Wood ficava ao seu lado 24 horas por dia, indo ao cinema, fazendo lanches em seu boteco preferido ou em casa, assistindo filmes e ouvindo música. Anita era presença constante como namorada, companheira e amiga de todas as horas. Depois quando Elvis começou a rodar seus primeiros filmes logo levou Anita com ele para Hollywood. Viviam juntos e continuaram assim por longos seis anos. De fato Anita só deixou Elvis quando esse realmente se decidiu por Priscilla Presley. Quando Elvis conheceu Priscilla na Alemanha ele ficou em uma dúvida incrível sobre qual das duas iria construir uma vida em comum. Embora tenha se apaixonado perdidamente pela adolescente durante seu serviço militar, Elvis não conseguia romper com Anita, tanto que quando voltou aos EUA foi recebido por sua família e Anita no aeroporto.

Depois da volta Anita percebeu que Elvis não era mais o mesmo. Gladys havia falecido alguns meses antes e Presley não conseguia superar essa perda. Para piorar Anita descobriu sobre a existência de Priscilla através de cartas de amor que achou casualmente em Graceland. Além disso o romance de Elvis com Priscilla, a adolescente de 14 anos, foi muito divulgado pela imprensa sendo simplesmente impossível ignorar tal fato. Sem intenções de ser traída por uma adolescente Anita confrontou Elvis durante uma viagem e o clima azedou. Presley ainda tentou amenizar toda a situação afirmando que Priscilla era “apenas uma criança” e o caso “não tinha importância” mas Anita não quis mais saber e colocou um ponto final no longo romance. Ela pensou que Elvis esqueceria sua aventura com Priscilla após retornar aos EUA mas isso efetivamente não aconteceu. Assim ela resolveu colocar um ponto final em seu relacionamento com o cantor. Elvis ficou desolado e com medo de entrar em uma profunda depressão bombardeou Priscilla com telefonemas tentando convencer seus pais a deixa-la vir morar em Graceland, obviamente para ficar no lugar deixado por Anita – Elvis era um homem que detestava ficar sozinho. Anita pegou suas coisas e deixou Graceland definitivamente logo no começo de 1962. Em poucas semanas chegava Priscilla para iniciar um longo caso com Elvis o que culminaria no casamento de ambos cinco anos depois.

O curioso é que Elvis ainda tentou algumas reaproximações com Anita mas foi mal sucedido. Ela estava cansada das traições, das meias verdades e da indefinição de Elvis em relação ao seu romance. O cantor parecia incapaz de partir para o próximo passo natural entre eles que seria logicamente o casamento. Com medo de ficar solteirona ao lado de uma pessoa infiel por natureza, Anita resolveu tocar o barco da sua vida em frente. Conheceu um novo pretendente e se casou com ele alguns anos depois. Só muitos anos depois, quando morava em uma cidadezinha chamada Vicksburg, no Mississippi e que ao ler o jornal matinal Anita soube da morte de Elvis. Ela ficou chocada e triste pelo acontecimento. Apesar de tudo ainda nutria um sentimento de carinho por Elvis.

Ao longo dos anos Anita sempre foi muito discreta sobre os anos que passou ao lado de Elvis Presley, sempre evitando falar sobre o ex namorado famoso mas recentemente abriu algumas exceções, concedendo algumas entrevistas esporádicas. Ela estava decidida quando rompeu com Elvis e nunca mais olhou para trás mas obviamente ficaram as boas lembranças ao lado do antigo namorado. Essas nunca se apagarão.

Elvis e Nick Adams
Elvis Presley era Gay? Logo nos primeiros dias de sucesso Elvis, por se vestir de maneira muito sui generis, teve que arcar com insinuações e boatos de que na verdade seria gay. Afinal de contas nenhum homem dançava como ele nos conservadores anos 1950! Um homem rebolar naqueles tempos era algo inaceitável para muitos. Não raro Elvis era xingado por algum namorado enciumado quando descia do palco, isso foi algo que ele teve que conviver desde os primeiros dias na estrada. Elvis com o tempo passou a ignorar os gritos de "Bicha, bicha" para evitar maiores problemas. Por muito tempo as acusações de que Elvis era gay não passaram disso, meros xingamentos provenientes de pessoas que não gostavam dele, nem de seu estilo escandaloso e nem de sua dança diferente. O Rock era o inimigo e Elvis o seu alvo preferido. Quando se tornou um grande mito popular e foi para Hollywood os boatos voltaram a ganhar força. Apesar de parecer uma comunidade muito sofisticada, a capital do cinema também tinha hábitos de cidadezinhas do interior, inclusive fofocas infundadas.

Como se sabe Elvis foi um grande fã de James Dean. Era apaixonado por seus filmes e seu estilo de vida. Assim que pintou em Hollywood Elvis fez questão de conhecer todos os membros da antiga turminha de atores e atrizes que formavam os amigos mais próximos de Dean. O problema é que assim como James Dean praticamente todos ao seu redor ou eram gays ou bissexuais. Sal Mineo e Nick Adams, por exemplo, eram notoriamente conhecidos por seus casos homossexuais dentro e fora dos estúdios. Embora para o grande público nada disso fosse revelado dentro da comunidade de Hollywood esse segredo era bem conhecido. Ao ver Elvis tão próximo da turma gay de Dean as fofocas começaram a pipocar em todas as festas, encontros e eventos sociais do meio cinematográfico. Afinal de contas viver cercado desse pessoal não ajudaria muito na convicção de que Elvis era um autêntico macho viril. Se a grande maioria deles era gay o que Elvis estaria fazendo no meio daquela turma?

Embora Elvis tenha colecionado namoradas naqueles anos os boatos sempre persistiram. Afinal ele bem poderia ser como o seu próprio ídolo James Dean que era bissexual, saindo com homens, se apaixonando por mulheres, tudo ao mesmo tempo agora. A questão é que Presley ficou muito próximo de Nick Adams e todos sabiam que Nick era gay. No fundo Elvis queria alguém com experiência em arte dramática para lhe ajudar nos filmes pois ele nunca havia atuado antes em sua vida, era algo novo. Como nunca havia também estudado para ser ator, ele começou a usar Nick para lhe ajudar nisso. Assim quando estava filmando Elvis precisou da presença constante de Adams ao seu lado. Ao levar o amigo para sua mansão em Los Angeles a boataria só inflamou.

A verdade pura e simples é que Elvis era de fato um heterossexual convicto, a tal ponto inclusive de eliminar qualquer outra pessoa com traços gays de sua convivência pessoal. Ele entrou na turma de James Dean mas aquelas pessoas não era subordinadas a ele em nada e nem tinham satisfações a dar. Certamente eram gays e não estavam nem aí para o que pensavam deles. Em se tratando de Máfia de Memphis porém Elvis era intransigente. Qualquer novo membro que demonstrasse qualquer sinal de homossexualidade era logo afastado do grupo. Hoje em dia ele até correria o sério risco de ser chamado de homofóbico dentro dos padrões morais do politicamente correto que impera. Sem dúvida era um aspecto dúbio em sua personalidade. Em Hollywood Elvis se mostrava bem tolerante com as pessoas ao seu redor, mas em Memphis as coisas mudavam de tom.

Nick Adams morreu muito jovem, em 1968, pois sua carreira foi decaindo cada vez mais até o ponto em que ficou estagnada. Nick foi para o mundo da TV (considerado um meio menor para quem já tinha sido um ator de cinema) e acabou se entregado ao vício em drogas pesadas. Elvis tentou ajudar. mas ninguém pode salvar uma pessoa de si mesma. De uma forma ou outra ele continuou sendo amigo de Adams até o fim de sua vida. Não raro ao saber que o colega estava filmando em algum estúdio vizinho ia até lá para um aperto de mãos ou uma conversa agradável sobre os velhos tempos. Existem vários fotos de Elvis com Nick Adams, inclusive no set de filmagens da série "The Rebel", com o ator ainda caracterizado como seu personagem.

A partir dos anos 70 ninguém mais falava da amizade próxima de Elvis e Nick Adams, nem para tentar macular de alguma forma a masculinidade de Presley. Era algo esquecido e que ficara para trás. Afinal o astro de Memphis namorou centenas de mulheres elegantes e bonitas ao longo de sua vida. Ninguém tinha mais dúvidas sobre sua opção sexual. A pergunta se Elvis era gay voltou à tona novamente por causa de um livro escandaloso escrito pela  madrasta do cantor após sua morte. Dee Stanley havia se casado com Vernon Presley após a morte de sua esposa Gladys, e conviveu muitos anos com Elvis. O Rei do Rock não gostava dela por motivos óbvios e isso criou uma tensão entre eles.

Algumas biografias afirmam que Dee tentou inclusive ter um romance com Elvis bem debaixo do nariz de Vernon e que o cantor a despachou de forma veemente. Aliás ficou bastante escandalizado com sua falta de discrição dentro de sua família. Verdade ou não, parece que Dee se vingou de Elvis nas páginas de seu livro ao afirmar que literalmente pegou Elvis na cama com Nick Adams nos tempos de Hollywood. Ela sem querer abriu a porta do quarto de Presley e os flagrou na mesma cama em situação bastante suspeita! Infelizmente todos os envolvidos nisso estão mortos, Elvis, Adams e Dee (falecida ano passado em Nashville). Os fãs de Elvis na época do lançamento do livro obviamente ficaram furiosos com as afirmações de que Elvis teria experimentado alguma atividade homossexual em seus tempos de membro da ex-turminha de James Dean, mas ela jamais voltou atrás em suas afirmações. No final das contas fica o dito pelo não dito. Particularmente não acredito em sua versão dos fatos. De uma maneira ou outra essa questão sobre a verdadeira sexualidade de Elvis não deixa de ser um dos aspectos mais curiosos de sua biografia ao qual cada um deverá tirar sua própria conclusão.

Elvis Presley - O Namoro com Natalie Wood
Quando Elvis foi para Hollywood tentar uma carreira como ator ele acabou conhecendo diversos atores e atrizes de sua idade. Seu sonho maior porém jamais se concretizou. Elvis queria conhecer pessoalmente James Dean, seu grande ídolo nas telas de cinema. Porém quando Elvis chegou em Hollywood, Dean já havia morrido de um acidente de carro. De uma forma ou outra Elvis conheceu o resto do elenco do filme "Juventude Transviada". E a pessoa que mais lhe chamou a atenção foi a atriz Natalie Wood.

Ela vinha atuando em Hollywood desde quando era apenas uma garotinha. Obviamente ficou impressionada com a beleza e a fama de Elvis. Não demorou muito e eles começaram a namorar. Era a companhia preferida de Elvis por essa época. O cantor também ficou muito próximo de Nick Adams, outro ator da turma do falecido James Dean. Natalie e Nick acabaram apresentando Hollywood a Elvis. As melhores e mais badaladas lanchonetes, as festas, o círculo social, etc. Elvis retribuiu levando Natalie e Nick para conhecer sua cidade, Memphis. Só que após um começo promissor o namoro de Elvis e Natalie esfriou e terminou sem maiores explicações. O que teria acontecido?

Anos depois a atriz deu algumas explicações. Para ela Elvis soou um tanto normal, além da conta do que ela esperaria de um rockstar. Em Memphis, por exemplo, Natalie foi levada ao cinema, depois para a lanchonete preferida de Elvis. Tudo muito comum, sem maiores novidades. A conversa de Elvis também não agradou muito a atriz depois de um tempo. Elvis parecia religioso demais, sempre falando em Deus, em ter feito sucesso por causa de Deus, etc. Para Natalie, uma garota criada no meio da agitação de Los Angeles, aquilo parecia um pouco estranho, até esquisito. No final Natalie Wood acabou dizendo que Elvis era "convencional demais" para seu gosto. O fato é que no começo ela até tentou entender o ponto de vista de Elvis, mas depois aquilo começou a soar meio fora do normal, fora de moda. Ela queria ter conversas joviais com Elvis, não ficar falando de religião ou Deus! Era um assunto pesado demais para se discutir em um sábado à noite com o namorado. Ela era uma típica garota da Califórnia. Ninguém de seu grupo de amigos falava daquele jeito ou pensava daquela maneira.

De fato a personalidade dos dois não combinou. Ela era acostumada a festas e estreias glamorosas, com tapete vermelho, agitação e diversão. Ela queria ir a uma festa diferente, todas as noites. Queria o máximo que Hollywood tinha a oferecer. Então encontrar Elvis ali numa forma mais modesta, falando em religião, deixou a garota um pouco surpresa e até mesmo decepcionada. Elvis também havia percebido que sua mãe Gladys não havia gostado muito dela. De repente Elvis começou a menosprezar garotas como Natalie Wood, dizendo coisas como "Ela era apenas uma estrelinha de Hollywood". Dentro da concepção conservadora em que Elvis fora criado, que valorizava mais a mulher do lar, dona de casa, Natalie Wood de fato não se enquadraria nunca. Ela era independente, ganhava seu próprio dinheiro e nem pensava em um dia ir morar em Memphis, uma cidade que depois ela diria ser "provinciana demais" para seu gosto. Enfim, como se pode perceber, o namoro deles estava fadado ao fracasso desde o início.

Pablo Aluísio.